27:46É uma grande alegria poder partilhar este momento consigo e meditarmos juntos sobre a Palavra de Deus. E esta manhã irei focar-me num pequeno episódio ocorrido na cidade de Jerusalém numa sexta-feira. São raras as histórias bíblicas em que nós sabemos o dia da semana exato em que ocorreram. Mas esta não era uma sexta-feira normal. Estavam a decorrer as festividades da Páscoa e Jesus ia ser condenado à morte. Mas mesmo assim, para algumas pessoas este era um dia perfeitamente normal. Talvez porque não eram religiosas. Ou porque não se interessassem pelas notícias e não estavam a par dos acontecimentos mais mediáticos a decorrer.
Talvez não apreciem eventos sociais, nem grandes ajuntamentos de pessoas. Ou simplesmente estão demasiado absorvidas pelas tarefas e pelo trabalho cotidiano para dar atenção ao que se passa à sua volta. A pessoa de quem quero falar-vos hoje era precisamente um desses casos.
E vem narrado no Evangelho de Marcos, capítulo 15 e versículo 21. Marcos, capítulo 15 e verso 21. e constrangeram um certo Simão, Cirneu, pai de Alexandre e de Rufo, que por ali passava, vindo do campo, a que levasse a cruz. A Bíblia não nos fornece muitos detalhes sobre este Simão Cirneu e o seu encontro com Jesus. Tudo o que sabemos sobre ele aparece neste único versículo e apenas em 3 dos 4 Evangelhos. Mas é o relato de Marcos que nos dá um pouco mais de informação. Este versículo diz-nos simplesmente que, primeiro, Simão é um nome judaico.
O termo sirneu indica provavelmente a sua origem. Ele era originário de Sirén, uma cidade localizada no litoral norte da África, na atual Líbia. Tinha dois filhos, de nome Rufo e Alexandre. vinha do trabalho do campo. Ou seja, não era um peregrino judeu líbio que estava em Jerusalém para as festividades, mas residia em Jerusalém. E, por fim, o versículo mostra-nos que ele foi sujeito a um ato de requisição civil pelos soldados. Naquele dia, sexta-feira à tarde, era a hora em que Simão deixava o trabalho e regressava do campo para casa para descansar com a família.
Se calhar vinha do Val de Cedron e atravessava a cidade por ruas secundárias para fugir do rebuliço e da confusão, mas ao atravessar um dos eixos principais de Jerusalém, chamado hoje de Via Dolorosa, dá-te caras com esta parada militar e judicial. A rua estava interrompida e havia soldados e gente a impedir a passagem. Ouviam-se gritos de homens e mulheres chorando. Passaram por ele dois condenados à morte e aproxima-se um terceiro, completamente exausto, carregando a cruz já no limite da sua resistência.
Simão dá um passo à frente, tentando atravessar a rua, mas é impedido prosseguir. Ele detém-se, aguardando que o terceiro condenado à morte passe. Mas eis que ele cai à sua frente, largando a cruz que carregava. A incapacidade de Cristo de continuar a carregar a cruz estava a atrasar a marcha dos condenados rumo ao Calvário. Jesus encontrava-se extremamente enfraquecido, tendo desmaiado já duas vezes. Os soldados rapidamente perceberam que se continuassem a forçá-lo, ele morreria de exaustão antes de chegar ao destino. Como não era permitido a um soldado romano ajudar um condenado à morte e não havia nenhum discípulo presente para socorrê-lo, além de que os restantes espectadores pouco se importavam com o sofrimento deste condenado, só restava uma opção, obrigar alguém a fazer aquilo que ele, naquele estado, já não conseguia.
Simão traz chegar tão perto o cortejo para ver o que estava a acontecer que ficou exposto aos soldados romanos.
E entre crianças, idosos e muitas mulheres, Simão era talvez o único homem adulto ali presente. Então, de repente, ouviu-se uma voz autoritária imperativa que disse, tu, pega na cruz. Havia festa em Jerusalém, mas Simão não participou nela. A sua vida corria por vias alternativas da maioria da população. A celebração religiosa não o tocava. E talvez não estivesse sequer muito a par da história do Messias condenado. Ele não esteve no meio da turba enlouquecida que gritou, crucifica-o. Nem era um seguidor do mestre. Simão, diz o verso, simplesmente passava por ali.
É fácil perceber que foi arrastado para o Calvário contra a sua vontade. Ele seguia em outra direção, alheio ao que se desenrolava. Estava, aparentemente, no lugar errado, à hora errada. Ou talvez não. Esta situação inesperada na vida de Simão Cirneu foi coincidência ou foi providência? O certo é que, de uma forma ou de outra, termina com a cruz de Cristo aos ombros, caminhando para o Gólgota. A cruz era um objeto de grande peso. Não sabemos como seria a cruz que ele carregou, mas é possível que se tratasse de um grande poste de madeira, com 3, 4 metros de comprimento e com 40 a 50 centímetros de diâmetro.
Simão percorre agora todo o trajeto como um ator secundário no drama que se desenrola à sua frente. Ele observa as mulheres que choram ao longo do caminho, e ouve atentamente as palavras de Jesus dirigidas a elas, registrando cada gesto e cada lição naquele silêncio cheio de dor. Ele faz parte daquele cenário sombrio até ao fim do cortejo e, ao chegar ao Calvário, poderia ter simplesmente ido embora. Mas eu acredito que ficou algo naquele momento que o transformou profundamente e que, dali em diante, Simão nunca mais foi o mesmo. Presenciou o cuidado de Jesus com a sua mãe. Viu o Mestre perdoar aqueles que o trespassavam.
Escutou a conversa com o bom ladrão. E por fim acompanhou o diálogo de Jesus com o Pai Celestial entregando-lhe o seu espírito. E então Jesus morreu enquanto toda a criação reagia à morte do seu Criador. Sem dúvida, Simão viu Jesus de forma diferente. Já não como uma vítima da justiça implacável romana ou mais um herói da resistência judaica, mas como aquele que partilhou o amor de Deus não só aos torturados, mas também com os torturadores. Simão Cirneu deparou com Jesus no exato momento em que este mais precisava de ajuda.
Que privilégio ajudar Jesus naquele momento tão difícil, Nós, quando vamos carregados de sacos de compras, e nesta semana me aconteceu, por exemplo, é tão bom quando alguém pára e diz, Marcos, preciso de ajuda. E nós entregamos um dos sacos. É tão bom receber a ajuda de alguém. Posso imaginar quanto alívio sentiu Jesus quando Simão tomou a cruz. Simão entendeu que Jesus ia voluntariamente para a cruz. Não porque fosse um suicida. mas porque esse era o preço estipulado para salvar a humanidade. Simão entendeu que a morte de Jesus representa a solidariedade amorosa de Deus por toda a raça humana e que o único caminho para o céu passava pela cruz.
Esse foi certamente o início da caminhada de Simão com Jesus. Uma jornada marcada com o sangue do Cordeiro. E assim, temos aqui dois Simões em contraste. De um lado, o Simão chamado Pedro. Tinha afirmado que iria com Jesus até à morte, mas na hora H fugiu. Enquanto este Simão de Sirene, que nem sequer conhecia o mestre, carrulha a cruz até ao Calvário. Assim, o envolvimento acidental de Simão com Jesus Obrigado a carregar a cruz contra a sua vontade, de alguma forma fez dele um seguidor do mestre. Mesmo moribundo, Cristo continuava a transformar pessoas e a convidar discípulos para si.
Mas foi Simão que se cruzou inesperadamente com Cristo? Ou não terá sido Cristo que se atravessou à frente da vida vazia de Simão? No livro Vida de Jesus, a escritora inspirada Ellen White comenta... E podemos afirmar que Simão Cirneu se converteu Porquanto os seus filhos, Alexandre e Rufo, foram especificamente citados pelo evangelista Marcos.
Porquê? Por serem nomes de pessoas bem conhecidas da Igreja Primitiva. Talvez sejam os nomes citados mais adiante no livro de Atos, no capítulo 19, entre os judeus de Éfeso, que é referido lá um Alexandre.
Ou então na Epístola aos Romanos, em que Paulo saúda Rufo, eleito no Senhor e a sua mãe e minha. Podemos retirar duas grandes lições deste episódio. Em primeiro lugar, esta história lembra-nos que há muitas pessoas que seguem a sua trajetória de vida indiferentes às questões mais importantes que se passam no mundo e na vida. Também nós podemos viver apenas concentrados nas coisas que temos de fazer, que ainda queremos alcançar, que até podem ser coisas boas, mas focando-nos apenas nos nossos desígnios pessoais, Mas mais tarde ou mais cedo, todos os indivíduos se cruzam com Cristo a caminho do Calvário.
E vão ter de escolher se o seguem carregando a sua cruz ou se permanecem indiferentes, deixando-o percorrer sozinho a via dolorosa. Talvez alguns precisam que Cristo intersecte o seu rumo desgovernado e se coloque à sua frente, e mais do que uma vez na vida. Simão passava por ali por casualidade. Cristo estava ali plenamente consciente da sua situação e da importância daquele encontro. E ainda assim, Simão escolheu seguir Jesus. Em segundo lugar, quando nos encontramos com um mestre, não raras vezes somos chamados a carregar uma cruz.
Essa cruz pode assumir a forma de necessidades materiais, resultantes da escassez financeira, das dificuldades laborais, mas podem ser problemas derivados de relacionamentos difíceis com familiares, vizinhos ou colegas. Mas, por vezes, a cruz mais pesada é a nossa luta interior. A dificuldade em dominar o nosso mau caráter ou os nossos desejos escondidos. a incapacidade de amar verdadeiramente o próximo. Simão tomou a cruz constrangido pela força, mas Cristo abraçou-a de livre vontade. E ele afirmou precisamente no evangelho de Marcos capítulo 8 e verso 34.
Marcos 8 e verso 34 é o próprio Jesus que diz e chamando-a-si a multidão com os seus discípulos, disse-lhes, se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo e tome a sua cruz e siga-me." Deduzimos aqui que cada um tem uma cruz para carregar, a sua própria cruz. E depreende-se deste texto que nem todos desejam carregar a cruz. E pense comigo, Quem de bom grado se voluntaria para transportar sozinho um pesado posto de madeira até ao ponto mais alto da cidade? Naturalmente surge a pergunta. Por que razão tenho eu de carregar uma cruz?
Por que é que eu não posso fazer simplesmente as coisas à minha maneira? Quem é que na nossa sociedade está hoje disposto a abdicar de fazer apenas o que lhe apetece? Não seria melhor pousar a cruz para seguirmos a vida um pouco mais aliviados? Afinal, de que compensa conhecer a Cristo, começar a seguir os seus passos, se isso significa ter de carregar uma cruz tão pesada? Por que motivo o Senhor nos confia semelhante fardo e nos dá esta responsabilidade? Será que Ele deseja apenas subcarregar-nos? Ou haverá nesse peso um mistério mais profundo de vida e de salvação? Sim.
Talvez, ao carregar a cruz, eu esteja a negar o meu orgulhoso eu, a fazer aquilo que eu não queria, mas que Cristo pede de mim. E, desse modo, estou, de certa forma, a imitá-lo, tornando-me humilde como ele e preparando-me para ganhar a eternidade. Vejamos em Mateus capítulo 11 o que o próprio Jesus disse sobre esse assunto. Mateus capítulo 11 e versículo 29 a 30. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas.
Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve. Se seguirmos a Cristo, o faro da cruz torna-se sempre mais leve e o final do esforço é gratificante. Simão chegou ao monte seguindo as pisadas ensanguentadas e ali descobriu o Salvador da sua vida. Ali entendeu a honra que teve. Ali compreendeu que ter mostrado compaixão pelo Mestre e ter sido obrigado a levar a sua cruz tinha sido um enorme privilégio. Ali decidiu servi-lo para sempre. Quando nos deixamos guiar por Cristo, Ele leva-nos ao Calvário, para que possamos crucificar o nosso eu.
Não há outra opção. Não há outro caminho. Se não queremos a cruz ou não queremos subir o monte, não podemos seguir a Jesus. Eu já conheci pessoas que, pelo peso da cruz que tiveram de carregar na vida, se tornaram mais fortes e melhores. Outros que, pelo peso das suas provações, dedicaram-se ainda mais ao serviço de Deus. Talvez seja por isso que eu próprio ainda preciso subir um pouco mais o meu próprio gólgota. Sem saber, os soldados romanos empurraram Simão para Jesus. Num encontro que não tinha sido planeado e ele acaba por receber a maior de todas as bênçãos.
O que teria sido a vida de Simão sem esse encontro? Ellen White, no outro livro que escreveu, Desejar Todas as Nações, faz o seguinte comentário. Conduzir a cruz ao Calvário foi-lhe uma bênção e posteriormente mostrou-se sempre grato por essa providência. Isso o levou a tomar sobre si a cruz de Cristo por sua própria escolha, suportando-lhe sempre animosamente o peso. O encontro com Jesus continua ainda hoje a transformar a vida das pessoas. Não importam as circunstâncias, o lugar ou as condições. Todos precisam de se encontrar com Cristo um dia, ou muitas vezes ao longo da vida. Sem esse encontro, a vida corre o risco de perder grande parte do seu verdadeiro valor.
Talvez hoje você não tenha agendado um encontro com Jesus, apesar de ter ligado o canal da Novo Tempo. Mas foi Ele que agendou esse encontro consigo aí mesmo, na sua casa. Que caminho escolheremos a partir daqui? O agradável conforto do caminho dos nossos próprios desejos e vontades? Ou o caminho mais árduo, marcado pelo desconforto da negação do nosso eu? Quero dar-lhe a opção mais segura. Siga os passos de Jesus, carregando os seus fardos. Porque ao seu lado, o caminho torna-se mais leve. E no fim, alcançaremos o alívio que só Deus pode proporcionar.
Que a Graça de Deus o acompanhe nesta jornada.
Manso e suave Jesus está estrangeira Vem já, alma cansada Vem já, manso e suave Jesus na chama
Vamos, Jesus, convidando Convida-te, sim, a mim Oh, não desprezes, mercê que está dando estrangeira.
Estrangeira. Amanhã de morte, por fim me esperam, esperam por ti e por mim.
Ó grande amor que Jesus nos brinda, Venha salvar-nos do tão vil pecado Venha por Ti e por mim Vem já, vem já me chamando E aí.
Há. Um sinal de trânsito muito comum e simples que é facilmente compreendido e interpretado até por uma criança. É uma seta horizontal ou vertical que indica a direção a seguir. Em frente, à direita ou à esquerda. É interessante notar que os bons condutores tomam duas decisões muito importantes em relação a este e a outros sinais de trânsito. A primeira é não questionar a validade dos sinais que encontram na rua ou na estrada. A segunda é que os condutores responsáveis obedecem aos sinais porque sabem que cada sinal tem finalidades bem definidas e que foram estabelecidas para a sua segurança. Imagine-se o que aconteceria nas ruas das localidades e nas estradas se fosse facultado a cada condutor o direito de estabelecer as regras, de andar por onde quisesse e com a velocidade que desejasse.
o trânsito tornar-se-ia um caos e os acidentes multiplicar-se-iam ainda mais. Na condução, assim como em toda a atividade humana, a sociedade é regida por leis. Só os anomistas defendem a ausência de lei. Para o filósofo francês Jean-Paul Sartre, o homem está condenado a ser livre, dizia ele. De facto, O homem, o ser humano, é livre no seu querer e atuar. Mas ele não é absolutamente livre, sem limites nem restrições. Cada um vive numa situação única e concreta da sua existência. Desde a infância, cada ser humano é marcado pelo ambiente ideológico em que cresce e se desenvolve.
as influências da educação, os valores e o meio ético que rodeiam a criança, sem esquecer o religioso e o espiritual, ou a ausência disto tudo, irão determinar em grande medida o resto da vida. Cada um nasce e vive em determinadas circunstâncias sociais, políticas, culturais e religiosas que o marcam. Em todos estes casos, está definida a liberdade do ser humano, com a limitação da sua existência singular e finita, do seu conhecimento sempre incompleto e da sua vontade reduzida a um estreito campo de ação. Tudo isto se conjuga para que a liberdade humana só possa ser uma liberdade condicionada e limitada.
Porque, ao desejar a sua liberdade, o homem descobre que ela está em função da liberdade dos outros e que a liberdade dos outros depende da sua. Logo, a liberdade que cada um vive começa no momento em que eu, como indivíduo, sou capaz de entender que a minha liberdade pode e deve coexistir com a liberdade do outro e que, sem o outro, eu não existo, eu não me afirmo. Há cerca da liberdade de submissão ou não às leis que regem a vida do ser humano? O escritor britânico Charles Kingsley afirmou. Há dois tipos de liberdade.
Uma falsa, na qual o homem é livre para fazer o que gosta. E a verdadeira, na qual o homem é livre para fazer o que é correto. Qual delas vamos escolher? O bom senso aconselha a viver a autêntica liberdade, com responsabilidade, na qual o ser humano é livre para fazer sempre o que é justo e bom, de acordo com os padrões morais e éticos por Deus estabelecidos na sua lei moral, que é imutável e de sentido único.
Este episódio mergulha na surpreendente história de Simão de Cirene, um homem comum que, num dia que para muitos parecia perfeitamente normal, se viu arrastado para o centro de um dos eventos mais cruciais da história. Enquanto as festividades da Páscoa envolviam Jerusalém e a condenação de Jesus se desenrolava, Simão estava simplesmente a regressar do campo. No entanto, o seu caminho cruzou-se inesperadamente com a "Via Dolorosa", levando-o a um encontro que transformaria para sempre a sua vida, obrigando-o a carregar a cruz de um condenado exausto. Seria esta uma mera coincidência ou um ato de providência divina?
Acompanhe esta reflexão profunda que nos convida a considerar a nossa própria jornada e os fardos que carregamos, inspirados na experiência transformadora de Simão. Descubra como um ato de compaixão forçada pode conduzir a um privilégio imenso e à redescoberta do propósito, revelando que, ao abraçar a cruz, encontramos o verdadeiro alívio e a eternidade.