26:50Olá, seja muito bem-vindo, muito bem-vinda a mais um episódio Mentes que Sentem. Estamos convosco mais uma semana, é mais um momento para refletirmos sobre aquilo que já iniciamos no episódio anterior sobre a inteligência emocional. Nós começamos e continuamos com a nossa querida doutora Cristina Dias Cristina, se é bem-vinda, que bom que o senhor nos dá este privilégio e mais uma oportunidade de estarmos juntas, juntos, para falarmos um pouquinho mais sobre este assunto tão complexo. É verdade, Milo, obrigada, quer a ti, quer àqueles que nos acompanham, é uma alegria poder estar aqui, é uma alegria podermos refletir em conjunto. É verdade. Nós, no último episódio, Cristina, nós falamos sobre a questão da inteligência emocional, nós vimos sobre alguns dos desafios que é a questão, portanto, da complexidade do nosso cérebro, das influências ambientais.
Vamos seguir um pouquinho nesse raciocínio para darmos continuidade exatamente a esta explicação tão necessária e tão importante.
Obrigada, Milu. Relembrar que quando nós falamos na questão da inteligência emocional, o nosso foco é o seu desenvolvimento, mas para o seu desenvolvimento nós também temos que perceber quais são alguns dos desafios que vão surgindo, na perspetiva de não desistirmos, mas aprendermos a lidar com eles. E efetivamente vimos a questão da complexidade do cérebro, muito ao de leve, e estávamos agora a falar desta questão das influências ambientais que todos nós trazemos. Sabes que na década de 1960, houve um psicólogo canadiano, Albert Bandura, que foi um dos principais precursores da teoria social cognitiva, e ele desenvolveu uma experiência extremamente interessante.
Ele acabou por desenvolver o que hoje nós chamamos, e na altura também foi dada essa designação, do conceito de aprendizagem vicária. O que é isto da aprendizagem vicária? É um tipo de aprendizagem que nós fazemos observando o comportamento das outras pessoas e as consequências desse comportamento. Isto porquê? Porque na altura em que ele desenvolve este conceito, havia uma linha de pensamento que dizia que o nosso comportamento era sobretudo motivado por recompensas e por reforços. E ele vai acabar por dizer, demonstrar, que não, não é bem assim. Nós fazemos aprendizagens formais ou informais por observação de. Então, em 1961, ele desenvolveu uma experiência que ficou muito conhecida, que foi a experiência do Bobodol.
E ele queria demonstrar exatamente isso. As crianças aprendem por observação independentemente de terem ou não um reforço. Quem eram os participantes do estudo? Crianças entre os 13 e os 6 anos de idade e foram divididas em três grupos. Portanto, aquilo que acontecia é que havia uma sala com alguns brinquedos e a criança era introduzida nessa sala. E havia dentro do espaço um canto que diziam aqueles são os brinquedos do adulto. Não podes mexer naqueles brinquedos. E estava um adulto naquele canto. E era este adulto que poderia ou não, era em função do comportamento dele, que eles queriam tentar perceber se a premissa que tinham de aprendizagem por observação era ou não correta.
Então, havia um grupo de crianças, individualmente, que eram expostas a um modelo adulto agressivo. Portanto, eu sou criança, estou aqui a brincar e estou a ver-te a ti, que és um adulto, que estás ali Tens vários brinquedos e entre esses brinquedos tinha um boneco insuflável, que era o tal Bobodol, e em que o adulto tinha um comportamento agressivo para com o boneco. Zangava-se, batia no boneco, dava-lhe pontapé, chamava nomes. Isto tudo corria durante mais ou menos 10 minutos. Houve outro grupo de crianças que foram expostas a um modelo adulto em que não houve nenhuma manifestação. O adulto limitava-se a estar no canto dele, a brincar com os brinquedos e não ligava nenhuma boneco.
E houve um terceiro grupo de crianças que não foram expostas a nenhum modelo adulto. Portanto, deixaram-nos brincar. 10 minutos. Decorriam 10 minutos. Passado um bocadinho, iam buscar cada uma das crianças que foram sujeitas a esta experiência e queriam induzir nelas o que chamamos a fase da frustração. Levavam-nos para uma outra sala com brinquedos muito interessantes. Deixavam as crianças começarem a brincar com os brinquedos cerca de 2 minutos e depois diziam que já não podiam continuar. E retiravam a criança daquele contexto. Uma criança com 3 aninhas de idade ou com 6 anos frustra-se com facilidade. Então, levavam-nos novamente para o primeiro espaço onde elas tinham estado, a primeira sala. E aí sim, já lhes permitiam brincar com tudo.
O que é que eles queriam tentar perceber? O que conclusões é que eles chegaram? Depois de ilicitada a fase da frustração, Eles observaram qual era a proximidade de comportamento que as crianças tinham do modelo que tinham observado. Então o que é que eles perspectivaram? As crianças que tinham sido expostas a um modelo adulto agressivo tinham tendência a imitar o mesmo comportamento do adulto. Batiam no boneco, chamavam nomes, reproduziam algumas factualmente, na íntegra, o comportamento que tinham visto. As crianças que tinham sido sujeitas a um modelo adulto que era neutro, ou seja, que não teve grande interação com o boneco, ou que não tinham sido sujeitas a nenhum modelo adulto, tiveram a gestão da frustração delas de uma forma menos evidente em termos de agressividade.
Para além disso, o que é que eles verificaram também? Que haveria uma maior demonstração de agressividade por parte dos rapazes ao gerirem a questão da frustração. mas que, quer fossem rapazes, quer fossem raparigas, eles tinham tendência a imitar mais o comportamento do adulto do mesmo sexo. Portanto, as meninas imitavam mais as mulheres e os rapazes imitavam mais os homens. Quais foram algumas das conclusões? E este é o conceito da aprendizagem vicária. E, efetivamente, nós aprendemos por imitação, seja ela intencional a tal imitação, seja ela não intencional por contágio, sem termos necessidade de estarmos a ser reforçados para isso, sobretudo se associarmos a um modelo que para nós seja alguém considerado referência.
Então, tendo isto em mente, Aquilo que nos deve levar a refletir em relação a
determinadas questões pessoais, quando eu me comporto de uma determinada forma, quando eu penso de uma determinada forma, quando eu reajo de uma determinada forma, não traiu impacto desta aprendizagem que eu fui fazendo ao longo do meu crescimento. E eu gostava de convidar aqueles que nos ouvem ou que nos veem a fazer um pequeno exercício. Não tem que ser já, podem apontá-lo e fazê-lo posteriormente também. Então, façam uma lista de emoções. Zanga, tristeza, alegria, raiva, nojo, ira, contentamento, frustração. Façam uma lista de emoções e depois tentem responder a três questões básicas.
Claro que isto vai exigir algum tempo da nossa parte. Primeiro, quando eu estou alegre, Como é que o meu corpo se comporta? O que é que o meu corpo quer fazer quando eu estou a sentir essa emoção? Como é que ele reage? Segunda questão. Quando eu estou alegre, estou a usar um exemplo de uma emoção, o que é que passa pela minha cabeça? Qual é o fluxo de pensamentos que eu tenho? Em que coisas é que normalmente eu estou a refletir? Ou não? Porque às vezes nós dizemos, parece que não estava a pensar em nada. Estamos sempre a pensar em alguma coisa. Podemos é não ter consciência disso. Terceira questão. Como é que o fluxo dos meus pensamentos muda quando muda a emoção?
Vamos imaginar. Eu estou relativamente contente. Houve qualquer coisa que me frustrou. O exemplo destas crianças. Estava contente a brincar com aqueles brinquedos. Houve qualquer coisa que me frustrou. O que é que aconteceu dentro da nossa mente? Ao tentarmos responder a estas perguntas, nós vamos começar a trilhar um caminho que é o caminho da autodescoberta. E aí tem que se colocar uma pergunta que é fundamental. Mas tu estás a pensar por ti mesma nesta situação ou são as emoções que estão a pensar por ti? É porque frequentemente nós não nos apercebemos que estamos automatizados na resposta e estamos reféns de determinada emoção.
E vou dar um exemplo prático para ajudar a perspectivar isto com mais calma. Há relativamente pouco tempo falava com uma jovem que tem um quadro de ansiedade, tem um quadro depressivo e durante algum tempo lidou com um quadro de bulimia também. E tem feito grandes progressos e ela dizia-me algo que me deixou muito feliz. Ela dizia-me assim, sabes, eu já estou a conseguir perceber a diferença do tenho fome Eu já consigo perceber quando tenho fome, me vem à mente este pensamento, tenho fome, e é efetivamente uma fome física, com vontade de comer, algo fisiológico, eu já consigo começar a perceber se eu tenho fome que me vem à mente é porque eu estou muito ansiosa e eu preciso de alguma coisa que alivie a minha ansiedade, ou se eu tenho fome que vem à mente é porque eu estou muito triste ou muito desamparada e eu preciso de uma compensação emocional.
Como é que esta jovem chegou a este raciocínio? Como é que ela começa a tomar consciência disto? Exatamente tentando responder estas perguntas, entre outras também. E tentando perceber que ela é o fruto daquilo que a faz enquanto pessoa, não só as influências genéticas, mas as influências de aprendizagem que ela traz. Nós não sabemos se ela, no lar dela, por exemplo, viu os pais, quando estavam aborrecidos ou ansiosos, a irem buscar comida. Não sabemos se foi essa aprendizagem que ela teve. E por que é que isto é importante? Porque agora permite-lhe posicionar em termos de escolha qual é a resposta mais adequada para aquilo.
Então, se eu percebo que tenho fome, necessidade fisiológica, Olha, faltam 10 minutos para o almoço. Vou esperar 10 minutos ou vou comer qualquer coisa, por exemplo. Se eu percebo que é uma necessidade para alívio da ansiedade, eu já poderei ter equacionado outras estratégias que não me levam a ir buscar a comida. Aliás, ela tem uma estratégia muito engraçada. Ela diz, sabes, eu na minha gaveta do trabalho, na secretária tenho um doce. Quando eu começo a ficar muito ansiosa, eu abro a gaveta. Só o fato de eu perceber que está lá o doce, e que se eu precisar ele está ali, ajuda-me a fechar a gaveta e a não ter que comer. Portanto, é uma estratégia, mas ela já consegue agir sobre. E isto é um caminho da inteligência emocional, que foi feito sobre esta perspectiva de autoconhecimento.
Então nós estivemos a falar sobre a complexidade do cérebro, estivemos a falar do estamos aqui, das influências ambientais, e eu gostaria agora de abordar um outro desafio que a maior parte das vezes não lhe prestamos a devida atenção, que é a aprendizagem emocional e a memória corporal que nós trazemos. Vamos traduzir isto por miúdos, vamos tornar isto mais prático. O que é aprendizagem emocional? São áreas da nossa vida em que nós aprendemos a sentir medo, ou vergonha, ou raiva, ou desconfiança, sobretudo pela forma como as pessoas se comportaram para connosco. Imagina que tu cresces a ouvir. És burra. Tu nunca vais dar ninguém na vida porque tu és burra.
Eu virei o copo de água. Claro, viraste o copo de água porque és burra. É sempre a mesma coisa. É sempre a mesma coisa, não é? A criança, mesmo que racionalmente tenha uma percepção de que não é bem assim, emocionalmente é isso que lhe fica agravado. E ela não nasceu com um cérebro a dizer que ela era burra. Mas a verdade é que o cérebro está a reproduzir aquilo que os outros lhe transmitiram de alguma forma. Isto fica armazenado na memória da criança E à medida que nós vamos começando a ter consciência de quais são as coisas que estão armazenadas na nossa memória, estas aprendizagens emocionais que vamos fazendo, nós começamos a identificar padrões.
Nesta circunstância, quando eu tenho medo, ou quando eu estou desconfortável, ou quando eu tenho raiva, eu tenho tendência a ter este tipo de comportamento. O que é que isto me mostra, além da existência de um padrão, mostra-me que eu tenho hábitos emocionais automáticos. Mas também me mostra, com o tempo devidamente refletido, que eu tenho gatilhos, tenho triggers, tenho coisas que elicitam uma determinada resposta. Vamos pegar no exemplo desta menina. Imagina... que eu viro... Perdão, a criança vira o copo d'água e está num restaurante. A primeira coisa que lhe vai vir à mente é... Quando é que me vão chamar burra?
Ou eu sou burra? Onde é que ela foi buscar isto? E isto não vem conscientemente. Muitas vezes vem pela atitude. A criança pode ter tendência a querer escorregar pela cadeira, fazer-se menos visível, ficar com uma cara muito constrangida. Então, percebermos que há uma panóplia de gatilhos emocionais que despertam em nós reações ajuda-nos mais uma vez a agir sobre isso. Muito bem. Cristina, antes de dares continuidade, era bom nós recordarmos uma vez mais. E como já estamos convosco há muitas semanas, são muitos aqueles que já têm o privilégio de ter nas suas casas exatamente este manual de estudo. Sentimentos, este manual, A Ciência do Existir, que pode receber gratuitamente na sua casa, como muitos já o receberam, para si, para partilhar com algum amigo, com algum familiar, então basta apenas contactar-nos através do 933 939291, este contacto que vê aí na sua tela, e poderá pedir gratuitamente este manual que seguramente será uma grande pensão para si.
Muito daquilo que a doutora Cristina aqui partilha conosco está aqui incluído, outras coisas também muito interessantes para mantermos e para apreciarmos cada vez mais e valorizarmos a saúde mental. E hoje, esta questão da inteligência emocional, tudo isso poderá encontrar neste manual, que será seguramente uma pensão para si. Portanto, 933-9291, como vê aí na sua tela, para pedir, portanto, gratuitamente este manual. Cristina, dando continuidade a isso, que tu falavas e quando estavas a falar eu estava a pensar no seguinte. Não é por acaso que, por vezes, a nível popular, a gente diz assim, olha, olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço.
Porque nós temos plena consciência, muitas das vezes, e aquilo que tu estás a tocar é algo de muito soleno, porque é o poder que nós acabamos por ter na vida dos nossos filhos, daqueles que são um pouquinho menores que nós e que inevitavelmente estão a ter essa... portanto, esse ensinamento está a cair dentro deles. Se é bom, ótimo, mas se não for bom, realmente torna-se um grande desafio. Esta questão aprende-se. Aprende-se no sentido de nós, adultos, e agora possivelmente para alguns de nós é a primeira vez que podemos estar a ouvir sobre isso, não é? Mesmo a nossa forma de aprender esta inteligência emocional, como é que isto se gera, como é que isto se aprende, Mas não temos que desanimar.
Pois não, doutora Cristina, estamos todos a crescer. Sabes que eu vou recordar algo que nós dissemos nos episódios anteriores. O objetivo de estarmos a falar sobre isto não é para nos desanimar. É para tomarmos consciência que às vezes o desânimo que sentimos vem pelo desconhecimento de determinadas coisas. E à medida que nós vamos tendo conhecimento sobre, podemos agir sobre. O exemplo que eu te dava desta jovem, sobre o tenho fome, não foi uma coisa que ela fez de um momento para o outro, mas à medida que começou a ficar mais evidente e mais sensível a estas questões, isso passou a fazer mais sentido para ela. Então eu gostava de partilhar com aqueles que nos ouvem uma estratégia relativamente simples, não é a solução de todos os problemas de todo, mas que nos ajudam a estruturar um bocadinho as ideias.
Aquilo que se percebe, por exemplo, isto é muito utilizado no âmbito da dependência, não importa se é uma dependência de jogos, de substâncias, de redes sociais, seja do que for. O que é que se tem visto? Sempre que nós temos determinadas questões, e já vamos ver quais são, que podem tornar-se desafiantes para nós, há uma predisposição da nossa parte para entrarmos em comportamentos que não são os mais saudáveis. Então, muitas vezes vamos fazer a compensação. Ou vamos buscar a comida, ou vamos jogar, ou vamos fazer isto. Estamos a falar sempre em níveis que não sejam saudáveis, está bem? É nesse contexto que estamos a referir.
Então, quando falamos das emoções e quando falamos da inteligência emocional, podemos aplicar isto da mesma forma. E é um acrónimo que é constituído por quatro letras que são as iniciais de algumas palavras em inglês. O acrónimo é ALT. H, A, L, T. H de ANGER, fome, a palavra inglesa. A de ANGER, a palavra inglesa de raiva. L de LONE, a palavra de só, solidão. e ter the tiredness, a palavra de cansaço, representada em inglês. Então, o que é que nós percebemos, profissionais na área da saúde? Sempre que nós estamos numa situação em que estamos com fome, em que estamos com uma emoção forte, em que nos sentimos sós ou que estamos cansados, a nossa reação muitas vezes é desproporcional ao acontecimento.
E agora vamos tentar esmiuçar isto um bocadinho mais, ou seja, nós predispomos, estamos mais predispostos a termos uma escolha que não é saudável, mesmo a nível das emoções. Há bem pouco tempo falava com alguém que está a passar um desafio com o esgotamento e tem duas crianças pequeninas, e dizia-me assim, É impressionante. Eu já tenho idade para ter juízo. Foi esta mesma expressão que a pessoa utilizou. Mas quando eu tenho fome, os meus níveis de irritabilidade sobem de uma forma incrível e eu não consigo ter paciência com as crianças. Aquilo, o virar o copo de água. O virar o copo de água quando eu não tenho fome, despleta uma reação completamente diferente em mim do que quando eu tenho fome.
E isto pode parecer uma coisa poéria, mas se eu tiver consciência disso, A criança vir ao copo de água, eu tenho noção que tenho fome, eu vou agir sobre o quê? Isto permite-me travar provavelmente uma resposta que não é a mais adequada e primeiro suprir a necessidade que eu tenho. E quando falamos de ter fome, não falamos apenas de fome física. Há muitas pessoas que têm fome emocional, fome de atenção, carência, e isto despoleta nelas próprias uma reação desproporcional em que as emoções e os sentimentos são expressos de uma forma menos saudável. Será que aqueles momentos de pessoas que às vezes têm assim uma reação muito dura e muito rígida e às vezes eu estou a conversar ou a perceber que ali há uma grande insegurança, exatamente o oposto daquilo que aparentam ser.
Passa se calhar por aí, não é? Também. Às vezes coisas, Milu, como tu tens uma queda de açúcar. Pois. Tens uma queda de açúcar. O teu nível de irritabilidade sobe, por exemplo. Às vezes tu tens uma alteração hormonal. Por isso é que eu estou a dizer, quando nós falamos sobre estas coisas, é no sentido do autoconhecimento. E isto permite-nos agir sobre. Quando falávamos da raiva, A verdade é que sempre que nós estamos sujeitos a uma emoção que tem um pendure mais forte, como é o caso da raiva, aquilo que acontece aqui no nosso lobo frontal é que esta estrutura que filtra e que tem alguma racionalidade, não fica a pleno vapor, por assim dizer. É quase como se ela ficasse temporariamente desativada em algumas funções.
Tu estás aborrecida, estás a demonstrar raiva e eu estou-te a dizer, tem calma, milho. O que é que eu estou para aqui a dizer? Estou a ilicitar ainda mais a questão da raiva. Agora, se eu percebo que eu tenho um contexto que me predispõe à raiva, eu posso ou não posso agir anteriormente. Sempre que eu vou naquela rua, a conduzir naquela estrada àquela hora, eu sei automaticamente que eu vou ficar muito estressada e isto vai elicitar em mim determinados comportamentos. Posso ir noutra hora? Não podendo ir noutra hora e sabendo que vou apanhar trânsito. Consigo ter aqui uma técnica distratora que me ajude? Isto é inteligência emocional. Quando falávamos da solidão, nós podemos estar rodeados de um mar de gente e sentir-nos sós.
E às vezes nós, e aqui permitam-me o parênteses, às vezes nós compensamos isto com as redes sociais. E não tenho nada a apontar no sentido de dizer que é mau estarmos nas redes sociais. O que não é saudável é quando nós compensamos num mar de likes, ou na busca de likes, algo que não fica satisfeito ali. E o cansaço? O cansaço é das coisas que mais interfere com a nossa capacidade de resposta e aqui permite-me dar-te um exemplo pessoal. Há algum tempo atrás vinha a conduzir e trazia os filhos no carro e teria acontecido algo que me indispôs com os miúdos. Mas tinha sido também um dia extremamente cansativo. E eu estava frustrada, claramente frustrada.
Então o que é que eu fiz? A minha reação automática. Refilei, refilei, refilei, refilei o caminho todo. Mas eu tinha noção, enquanto refilava, que eu estava a aliviar a frustração, não estava a resolver o problema. Então lembrei-me disto. Epá, mas estás a aliviar a frustração? Não estás a resolver o problema? E mais, o que é que se passa mais? Eu estou profundamente exausta. Ah, então tu estás numa daquelas situações que te predispõe a. Então o que é que vamos fazer agora? Nada. e fazer nada, para mim, enquanto estou com frustração, é pior. Portanto, é quase como se tu me prendesses. Então eu calei-me, com muito esforço, mas calei-me. E pensei, ok, se eu estou cansada, onde é que tem que ser a minha intervenção prioritária? Vamos tentar aliviar este cansaço. Quando é que eu converso com os miúdos?
Às tantas, o assunto permite ser conversado quando eu já estiver um bocadinho mais responsável. Portanto, esta estratégia, embora possa parecer muito simples, ela é altamente funcional e ajuda-nos a estruturar as coisas e a perceber padrões também. Porque eu posso não conseguir agir naquele momento, mas perceber, quando eu agi desta forma lá atrás, será que eu me engaixava aqui, em alguma destas situações? É interessante que, disto que tu estavas a referir, o cansaço, eu tinha conhecimento disso, ou seja, aliás, mesmo nos comentários ou no aconselhamento que posso fazer a jovens namorados, noivos e tudo isso, faço sempre este sublinhado de dizer, cuidado, nos dias em que estiverem cansados, pode ser um dos dias em que tenhamos mais dificuldade na interação.
E acrescentares a questão, às vezes, pessoas com fome, que sintam fome, possam ter uma reação difícil, a questão da raiva e da solidão, realmente não tinha pensado e é uma mais-valia. É uma mais-valia. Amiluz, desculpa, deixando-me só acrescentar aqui um parênteses. Não é só a raiva, a frustração e noções fortes. Até a alegria excessiva entra aqui. Porquê? Porque a alegria excessiva drena força anímica. E dar um exemplo que pode parecer um bocadinho descontextualizado. Não é incomum nós ouvirmos alguém que foi de férias e diz assim, cheguei mais cansado do que foi. Do quanto foi. Houve uma mudança de rotinas e supostamente um retemperar. Mas a verdade é que tudo aquilo que é excessivo, e este é excessivo, é pautado por cada um, porque temos resiliências diferentes, pode conduzir-nos a um estado de alteração das nossas emoções.
Cristina, muito obrigada uma vez mais, estivemos juntos. Como sabe, já nos conhece e está conosco já há algum tempo, é sempre bom Aprendemos sempre muito e às vezes coisas tão simples como estas, que se tivermos tempo para darmos tempo a nós próprios e a conhecermos a nós próprios, se calhar evitaremos muita coisa em nós e também nos outros. Que Deus o abençoe, que Deus a abençoe. Obrigada por ter estado connosco e até o próximo episódio, se Deus quiser.
Neste episódio aprofundamos a fascinante jornada da inteligência emocional, explorando como a observação alheia molda os nossos próprios comportamentos. Descubra o revolucionário conceito de 'aprendizagem vicária', introduzido pelo psicólogo Albert Bandura. Através do célebre 'experimento do boneco Bobo', revelamos como as crianças aprendem pela imitação, desafiando a antiga ideia de que apenas recompensas e punições determinam as nossas ações. Prepare-se para compreender o poder silencioso da observação na construção da nossa psique.Mas o que significa isto para si, no dia a dia? Convidamo-lo a um exercício de autodescoberta que o ajudará a mapear a sua paisagem emocional e a identificar padrões de comportamento automáticos. Aprenda a reconhecer se são as suas emoções que o conduzem, em vez de ser a sua consciência, libertando-se de reações automatizadas. Desvendamos a estratégia 'HALT' (Fome, Raiva, Solidão, Cansaço) — uma ferramenta poderosa para gerir reações desproporcionadas, compreender a sua memória corporal e as 'fomes emocionais' para além da física. Esteja mais preparado para navegar pelos seus sentimentos, transformando o desconhecimento em oportunidade de crescimento e bem-estar.