26:06Seja muito bem-vindo ao programa Olhos nos Olhos, aqui na TV Novo Tempo Portugal. Hoje temos o privilégio de conversar com o pastor Marcos Faioque Bonfim, uma das principais figuras na liderança da Igreja Adventista do 7º dia a nível mundial. O pastor Marcos Bonfim nasceu há 62 anos em Itacoara, no Rio Grande do Sul, e conta-nos que foi salvo da morte por uma série de milagres até aos 13 anos de idade, o que moldou profundamente a sua visão da vida e também a sua fé. Iniciou o seu ministério pastoral em 1986 como pastor em São Paulo, no Brasil, e desde então tem dedicado décadas ao serviço da igreja. Nos últimos anos o pastor Marcos assumiu responsabilidade mundial pela área da mordomia cristã, cargo que ocupa desde 2015 na sede mundial da Igreja Adventista nos Estados Unidos.
Antes disso, trabalhou durante 16 anos nos Departamentos de Mordomia Cristã e Ministério da Família em vários níveis institucionais na Divisão Sul-Americana. Pastor Marcos Bonfim é ainda especialista em terapia familiar. Ao longo do seu ministério tem influenciado vidas não só pelo seu trabalho pastoral e administrativo, mas também através da comunicação, apresentando o programa Lá e Família, transmitido pela TV Novo Tempo no Brasil. Com uma vasta experiência e uma história de fé inspiradora, o pastor Marcos Bonfim vai partilhar connosco hoje reflexões sobre fé, família, mordomia e a importância de viver uma vida de compromisso com Deus.
Pastor Marcos Bonfim, muito bem-vindo, muito obrigado por se ter juntado a nós nesta conversa, no fundo, sobre o seu ministério, sobre a sua vida, sobre de que forma é que as experiências que foi vivendo ao longo da sua vida o moldaram naquilo que é hoje. Uma figura que procura inspirar as outras pessoas, não só pela palavra de Deus que ministra, mas também pelo seu próprio exemplo de vida. No fundo, ser pastor acaba por ser um pouco isto. Diz-nos que teve várias experiências quase mortas até aos três anos de idade e isso moldou a sua vida. Lembra-se dessas experiências? Na verdade, lembro muito pouco. O que eu mais me lembro foi do cuidado da minha mãe, que não se apartava do meu leito, esteve ao lado.
Eu fiquei um mês internado no hospital, isso me contam. E as lembranças que tenho é da minha mãe ao meu lado. Mas o que acabou, de alguma forma, moldando a minha vida é que eu tive muita dificuldade de viver. Foram sucessivas cirurgias no intestino. Então eu tive muitos problemas alimentares subsequentes. E apenas no final da minha adolescência eu descobri o caminho de uma vida saudável. e que foi através dos escritos de Ellen White sobre saúde. Quando eu entrei em contato com isso e comecei a experimentar viver dessa maneira e adaptar o meu paladar a isso, adaptar o meu gosto, minha vida, as coisas mudaram completamente.
Ou seja, o pastor Marcos Bonfim é filho de um pastor adventista, de uma professora também, ao que juro saber. Sim, minha mãe era uma educadora. Teve uma ligação sempre muito grande com a igreja e foi numa fase mais da adolescência que procurou encontrar um outro estilo de vida que lhe pudesse trazer benefícios efetivos. Na verdade, eu tive uma casa, foi uma bênção de Deus ter nascido nessa casa, com pais e mães cristãos, devotos. Minha casa tinha culto familiar todas as manhãs e todas as noites, todas as tardes. Mas isso não garante a salvação da gente. E eu me afastei de Deus durante a minha adolescência. Não pude me afastar da igreja porque não tive esse privilégio.
Meu pai não me concedeu esse privilégio de me afastar da igreja. E por isso estou aqui hoje. Eu vejo que em algumas famílias os pais concedem aos filhos esse privilégio. Privilégio, entre aspas, de afastar-se da igreja para o prejuízo dos filhos. E meu pai me disse, meu filho, você terá liberdade quando você sair de casa. E eu não podia sair de casa porque eu não tinha emprego, não tinha trabalho e não podia me sustentar. Meu pai disse, quando você se sustentar, você pode sair da sua casa e cuidar da sua vida. E aí eu não vou interferir na sua vida, mas quando você estiver aqui, eu peço que você vá com a gente à igreja.
E ali dentro da igreja, eu encontrei a Deus e depois disso, Eu acabei encontrando esses escritos que considero inspirados por Deus e que me beneficiaram tanto em vários aspectos. Inclusive na saúde. Eu já vou querer saber mais em português como é que foi esse processo de realmente transformar a sua vida através da saúde, depois da leitura dos escritos de Ellen White, como disse. Mas antes disso, disse-me que é filho de pastor.
É difícil ser filho de pastor. Porque eu conheço alguns, tenho alguns amigos, que são efetivamente filhos de pastores, e parece que é diferente ser filho de pastor do que ser filho de uma outra profissão qualquer, de um professor, de um médico, enfim, do que quer que seja. Olha, interessante, no meu caso não existiu isso. Eu não posso atribuir o meu desvio dos caminhos de Deus ao fato de ser filho de pastor. Eu me desviei como qualquer outro filho de pais cristãos se desvia, pode se desviar. E essa sua pergunta é muito pertinente. Uma vez minhas filhas vieram de um encontro de filhos de pastor, E vieram escandalizadas. Pai, lá, eles disseram que é muito difícil ser filho de pastor, que sofre, que isso... Nós não sabemos o que eles estão falando.
Mas por quê? Como é que atribui essa facilidade no seu caso e na vida das suas filhas? Eu tenho a impressão que talvez um dos grandes fardos que alguns filhos de pastor têm é devido a um fardo que os pais colocam sobre os filhos. Eu nunca ouvi meu pai dizendo, você deve se portar bem porque você é filho de pastor. Isso eu nunca ouvi meu pai dizer. Meu pai dizia, você deve se portar bem porque você é um filho de Deus. Para o meu pai, nós éramos como filhos do ancião da igreja, do recém-batizado. Os filhos precisam se portar bem porque a palavra de Deus diz que você tem que se portar bem. Então, quando um pastor diz para os filhos, você precisa se portar bem porque você é um filho ou filha de pastor, Na verdade, o pai não está se preocupando com a salvação do filho, está se preocupando com a sua reputação.
E quando os filhos percebem isso, eles leem essa atitude como uma inconsistência da vida espiritual dos pais. E percebem que os pais não estão preocupados com salvação, mas com reputação. E isso é muito danoso. Ou seja, a pressão se calhar não vem de fora, não vem das outras pessoas, mas vem realmente de dentro. Sim, a pressão ali fora vem para todo mundo. Mas eu acho que o que determina essa situação é a posição, a postura dos pais. A postura dos pais. Meu pai nunca agiu dentro de casa como pastor. Em casa ele era pai, não era pastor. Eu já vi esposas de pastor chamando o marido de pastor.
Isso é um absurdo. Pode ser que eu estou errado, mas... Dentro de casa, pai é pai, mãe é mãe. Você não é pastor dentro de casa, você é pai. Mas nunca se preocupou, por exemplo, de estar a pregar no púlpito e saber que está a dizer algo que as suas filhas vão dizer, ah, mas o meu pai não é assim, ou o meu marido não é assim. Esse é um outro problema, é a falta de integridade. Então, quando há falta de integridade, eu, por exemplo, meu pai, meu pai era pastor, meu pai tem muitos defeitos, eu poderia citar vários defeitos do meu pai. Mas eu não posso dizer que meu pai tinha falta de integridade. O que ele era, ele era. Nós sabemos que apesar dos defeitos dele, defeitos que tem até hoje o meu pai, hoje tem 92 anos, está vivo e tem defeitos.
Nós conhecemos os defeitos do meu pai. Mas nós sabemos que ele quer ir para o céu. Ele tem defeitos. Mas eu também tenho. Mas ele quer ir para o céu. Isso nós temos certeza. Que ele quer ir para o céu. E queria que nós fôssemos também. Meu pai fez tudo para que os filhos para encontrar os filhos um dia no céu. Eu não sei se ele podia ter feito mais do que fez. Mas isso não... Eu acho que os filhos não estão procurando perfeição nos pais. Estão procurando integridade. E isto aplica-se também fora do âmbito pastoral a qualquer família? Claro. A pais que não precisam de pregar, que não têm quaisquer responsabilidades na igreja? Claro. Isso é exatamente igual? Claro. Eu vou-te dar um exemplo.
Na minha casa, Eu espero que nunca tenha acontecido para os que estão nos assistindo, mas na minha casa algumas vezes nós atrasamos no que para nós Adventistas é algo assim importante é o horário de iniciar o sábado, que se inicia ao pôr do sol. Algumas vezes nós atrasamos. A gente corre para aprontar as coisas, algumas vezes nós atrasamos. Quando você atrasa o horário de começar o sábado, você tem Duas opções, pelo menos duas opções. Você pode fingir que nada aconteceu e fazer o culto de iniciar o sábado no momento que é possível fazer, uma hora, duas horas, três horas depois que...
Ou você tem a segunda opção. A segunda opção é você reunir a família e dizer, filhos, vocês perdoem o pai e a mãe. Nós erramos. Nós nos perdemos na organização, no dia da preparação, Mas isso não é correto. Nós vamos fazer o culto agora, atrasados, mas vamos pedir perdão a Deus e vamos, próxima semana, procurar fazer o que é correto. Se eu fico quieto, meus filhos não vão dizer nada, mas eles estão me observando. Estão sabendo o que está acontecendo. Se eu errei, mas eu reconheço o meu erro diante dos filhos, Eu cresço aos olhos dos filhos.
Meus filhos dizem assim, poxa, meu pai e minha mãe estão com seriedade querendo fazer a vontade de Deus. Eles não vão me desprezar porque eu errei. Não é sinal de fragilidade. Claro! Eles vão ter uma indicação do rumo que nós queremos ir, como casa, como família. Então, eu acho, Ezequiel, que essa falta de integridade dos pais é que transmite uma mensagem muito nociva para os filhos. A gente erra, finge que é normal, faz de conta que aquilo é assim mesmo. E os filhos recebem essa mensagem.
Mas, Pastor Marcos Bonfim, apesar, e acredito que muitos dos nossos telespectadores também pensem o mesmo, apesar do Pastor Marcos Bonfim ter tido um pai super coerente na forma como educava, na forma como pregava também, isso não impediu que o filho se desviasse, não é? Não há uma fórmula mágica. Como é que acontece? A maldade do ser humano. A Bíblia diz que nós temos inclinação natural para o mal. E o meu pai sabia da minha... Os pais têm um sexto sentido. Meu pai sabia das minhas atitudes, das minhas tendências, dos meus desvios, e ele procurou não tentar corrigir aquilo que é impossível ser corrigido.
Um pai e uma mãe não podem torcer o coração de um filho para Deus. Isso está impossível. Isso é obra do Espírito Santo. O que os pais podem fazer? Eles podem orar pelos filhos. E a oração de um justo pode muito. Agora o pai precisa ser justo. O pai e a mãe precisam ser justos. Precisam ser como os pais de Jesus. Como Jó. Eu tenho esses dois como modelos de pais. Pais íntegros, pais justos. Mas os pais precisam adotar ações concretas. que levem os filhos para o lado de Deus. E no caso do seu pai, essas ações concretas passavam muito por fazer ali uma espécie de braço de ferro de que tens que ir à igreja, tens que estar no grupo familiar.
Veja, não era tão de ferro. Porque, de onde ele tirou isso? Ele tirou de um livro que eu quero recomendar para quem está nos assistindo. Eu não creio que nos tempos que estamos vivendo hoje seja possível levar os filhos ao céu sem ler esse livro. Esse livro é crucial, que é o livro Orientação da Criança, de Ellen White. O título talvez pudesse ser um pouquinho melhor, porque parece que é uma orientação, na verdade, orientação para os pais, não é orientação para a criança, é orientação para os pais. Esse livro foi um dos livros de cabeceira do meu pai. E foi também um livro muito importante para mim e minha esposa na criação dos filhos. Meu pai, o que ele fez, porque ele não tinha cultura adventista. Meu pai foi o primeiro a ser batizado e conhecer o cristianismo na família dele.
Então, tudo que ele adquiriu, ele adquiriu desses escritos. E ele leu, ele devorou, sublinhou esse livro. E meu pai era um pai um pouco estranho, porque não era igual ao pai de muitos dos meus amigos. Ele fazia coisas diferentes, mas ele fazia essas coisas diferentes porque ele encontrava essas sugestões nesse livro. Então, nesse livro, por exemplo, tem uma sugestão que diz lá que os pais devem tornar uma regra a frequência da família e da igreja. E meu pai levou isso ao pé da letra. Meu pai disse, meu filho, você não é obrigado a ficar aqui em casa. Essa casa não é uma prisão. Nós não queremos que você sinta que está tendo uma perda da liberdade. Você é livre, se você quiser viver por você.
O problema é que nós dedicamos essa casa a Deus. Então, quem vive aqui debaixo desse teto precisa respeitar os princípios de Deus. Então, a guarda do sábado. ao culto familiar, manhã e à noite. Então, meu pai disse, filho, eu não posso fazer você gostar de Deus. Isso é impossível. E nem vou tentar fazer você gostar de Deus. Eu só peço que, porque um dia no juízo, Deus vai me perguntar o que eu fiz com aquele meu filho. Eu era o filho mais velho. Eu sou o filho mais velho. Então, eu quero responder para Deus o que eu fiz. Então, eu preciso levar você à igreja quando você estiver aqui em casa. Agora, eu prometo a você que quando você sair de casa e se sustentar, tiver o seu sustento próprio, Não depender de nós.
Eu não toco mais em temas religiosos com você. Você pode adotar o caminho que quiser e eu não vou interferir e não vou cobrar. Mas na sua adolescência, quais eram as suas crises existenciais? Era encontrar o lugar de Deus para a sua vida? Era a necessidade de experimentar coisas diferentes? Era pôr mesmo Deus em causa? O que é que aconteceu? Que dúvidas é que tinha? Não tinha dúvida, isso não era muito consciente, não era assim tão rebuscado. Não, era maldade mesmo. Você não lê a sua Bíblia, não estuda a sua lição de escola sabatina, não tem comunhão com Deus, então quem é que controla a sua vida? Não é Deus que está controlando a vida, então é mais fácil você se unir com amizades que não são apropriadas, seguir os mesmos caminhos que os outros estão seguindo, fazer as coisas que os outros fazem, é seguir a multidão.
E depois com que idade é que dá esta mudança? Eu acredito que foi ali pelos 16 anos, 17 anos, por aí. E foi aí também que começou a adotar um estilo de vida diferente? Não, não, não, veja bem, aí meu pai e minha mãe, um dia meu pai, trouxe para casa o livro Conselho sobre o Regime Alimentar, de Ellen White. E ele disse para minha mãe, nós vamos começar a ler esse livro nos cultos. Mas não era uma leitura cansativa, porque ele lia um ou dois parágrafos, não mais do que isso. Então, levou anos para terminar a leitura do livro. E, durante a leitura desse livro, a família foi É, vagarosamente se amoldando as coisas que estavam escritas nesse livro.
Olha, veja, meu pai e minha mãe vêm de uma região no Brasil onde a comida é abundante, mas não é uma comida saudável. Se faz uso de proteína animal, manhã, ao meio-dia e à noite. É assim, não é saudável, realmente não é saudável. E eles podem ter se escondido atrás da cultura. Essa é a nossa cultura, esse é o nosso jeito. Mas isso mexeu com os filhos também. São essas coisas que a gente vê nos pais. Como meu pai e minha mãe lutaram para mudar a sua cultura. Veja, a alimentação nos remete à comida que a mãe nos dava. Então, você sair disso e adotar uma nova...
É uma coisa muito difícil. Meu pai e minha mãe trilharam esse caminho por nós. Então, no fundo, foi um caminho conjunto que a família toda seguiu. Sim, mas eu não estava convencido. Então, um dia, já no meio desse processo, meu pai nos levou a um seminário sobre princípios de saúde com um pastor num final de semana. E insistiu que a família toda fosse. Eu pensei, que coisa ficar um final de semana lá ouvindo. Mas no primeiro dia, na sexta noite, Deus me alcançou. E tudo fez sentido para mim. E eu percebi que aquilo seria a solução não só para a minha vida física, mas também para a minha vida espiritual.
Eu descobri que Satanás procura nos atingir primeiro pelo aspecto físico. Ele vai diminuindo a nossa resistência física, porque sabe que essa é a maneira de nos atingir espiritualmente. Você vê sempre a primeira tentação de satanás é dirigida ao nosso aspecto físico. Quando eu entendi isso, eu entendi porque eu era tão fraco para resistir tentação. E algumas pessoas tentam andar, caminhar com Deus, mas ignoram que as primeiras tentações de satanás são dirigidas ao nosso aspecto físico. Você vê no caso de Jesus, primeira tentação de Jesus foi no aspecto físico.
Porque não transforma as pedras em pão? Lá no Jardim do Éden, a tentação foi relacionada ao físico e ainda hoje é assim. Então, e ela diz uma coisa muito interessante, se você perde essa batalha, você vai perder todas as outras. Então foi depois de ter ganho essa batalha do aspecto físico que resolve dedicar-se inteiramente ao estudo da Bíblia através de uma formação profissional
como a teologia. É aí que resolve ser pastor? Ou ainda há um grande espaço de tempo até essa decisão? Não, não. Veja bem. Você disse depois de ter ganho essa batalha. Eu ainda não ganhei essa batalha. Essa batalha até o fim da vida. Até o fim da vida, porque nós... Mas houve uma mudança, pelo menos houve uma mudança nos hábitos, não é? Claro, claro. Então eu comecei a voltar a Deus e eu me lembro do dia que eu fui à igreja por vontade própria, primeira vez. Quando eu comecei a ler a Bíblia por mim mesmo, primeira vez, sem meus pais mandarem. E eu me lembro que eu fui sentar bem à frente da igreja, que eu queria escutar, eu queria entender. Mas eu nunca quis ser pastor. Nunca, isso nunca passou pela minha cabeça.
E eu, por ter estado tão distante dos caminhos de Deus, eu decidi fazer estudar teologia para ver se eu conhecia um pouco mais a respeito de Deus. Mas eu queria só para conhecer, não queria para exercer ministério pastoral. E, no final do curso de teologia, eu entendi... E a verdade é isso, que o curso de teologia não ajuda a gente na caminhada cristã. Você não precisa estudar teologia para caminhar com Deus. Enoque não fez teologia, Paulo não fez e... Não, Paulo acho que até fez, porque estudou lá com os rabinos, né? Mas muitos dos patriarcas, Abraão, não estudou teologia e você precisa acordar mais cedo e ir à presença de Deus.
Ter seu momento de oração, ler a sua Bíblia. Hoje temos a lição da Escola Sabatina, temos tanta literatura apropriada. É isso, são esses hábitos que me levam à presença de Deus. Mas no final do curso, enfim, eu entendi que eu precisava de um trabalho que me mantivesse com a Bíblia o dia todo, porque a minha vontade era muito fraca e minha resistência à tentação muito débil. E fui à associação e pedi a eles que me desse um trabalho. Porque eu já estava trabalhando para associação, trabalhava como professor de música em escolas adventistas. Disseram, nós queremos que você continue na área educacional. Disseram, mas eu quero trabalhar com a Bíblia.
Disseram, mas continue na área educacional. Eu preciso trabalhar algo que me exija ficar com a Bíblia. Eu imaginava que um me dar o trabalho de ser um obreiro bíblico. E me chamaram, para a minha surpresa, depois de três semanas, me chamaram para ser pastor no Distrito Pastoral. E eu fiquei estarrecido, fiquei... Não podia querer, não estava preparado para isso. E foi aí que começou esta caminhada até aos dias de hoje. Pastor Marcos, vamos fazer apenas um curto intervalo nesta nossa conversa, até porque tenho uma surpresa preparada para si, já na segunda parte. A gente volta já. TV Novo Tempo, o canal da família, o canal da esperança. Segunda parte do programa Olhos nos Olhos, com o pastor Marcos Bonfim, onde estamos a conhecer o seu percurso da vida pessoal, da vida profissional, mas
algo que está muito marcado na sua vida, e pergunto-lhe se ainda hoje é assim, é a música, não é? Há bocadinho disse-nos que foi professor de música, poderia ter seguido uma carreira musical. Por que é que não seguiu uma carreira musical? Porque eu acho que o pai do Sérgio trouxe o plano para mim. Eu fiz algo que eu acho que foi a razão de ter mudado todo esse rumo, foi ter entregue a minha vida a Deus. E isso eu não fiz por consagração, não. Pelo contrário, foi num momento difícil da vida, mas eu ouvi a sugestão numa semana de oração de entregar a vida pra Deus. O pastor disse, você precisa ir pra casa, dobrar os seus joelhos, orar e dizer, eu quero entregar a minha vida ao Senhor.
Você tem que pronunciar isso, tem que falar isso. Porque se Deus toma a sua vida, e começa a dirigir a vida sem a sua permissão, ele está interferindo no seu livre-arbítrio e Satanás, o inimigo de Deus, vai acusar a Deus de arbitrário. Então você precisa autorizar a Deus para tomar controle da sua vida. Mas ainda hoje tem ligação com a música ou já? Sim, nós cantamos muito em casa nos cultos, eu toco de vez em quando. Agora mesmo vou voltar e vou fazer a mensagem musical no sábado na minha igreja lá no... Mas realmente a minha vida mudou o rumo completamente, porque quando você é um músico, você precisa estar constantemente tocando, ensaiando e hoje eu não tenho mais tempo pra isso.
Então eu sou um músico. Mas tocava piano, trompa, flauta transversal. Estudei flauta transversal por um tempo. Mas ainda sabe tocar ou já não? Eu acho que já não sei mais tocar flauta transversal. Mas flauta, nós tínhamos um conjunto de música barroca. Então, eu tocava flauta doce. Mas, Pastor Marcos, se eu lhe arranjasse uma flauta transversal, conseguiria fazer alguma coisa? Eu acho que muito pouca coisa. Vamos tentar ou não? Arriscaria ou não? Érica, por favor, vamos ver. A flauta transversal que nós aqui temos, ainda se lembra ou não? Quero arriscar ou não? Só faz muito tempo que eu não toco isso. Quando é que foi a última vez? Há quantos anos, lembras? Há vinte? Mais de trinta anos.
Trinta anos? Sim. Mas, então, se recorda ou já não? Eu acho que não me recordo mais. A flauta doce com certeza eu tocaria. Não, não vou tocar. Já lá vão muitos anos. Essa questão de embocadura. Sim, sim, sim. Você está tocando constantemente. Exatamente. E essa questão da embocadura foi um ponto decisivo, porque o meu instrumento principal foi trompa, não foi flauta doce. Não foi flauta transversal. Eu estudei trompa há vários anos. E eu queria estudar, eu queria tocar na Orquestra Sinfônica Jovem do Estado de São Paulo.
Meu pai disse, meu filho, mas eles vão tocar no sábado. Como que vai ser? Não, pai, eu vou dar um jeito. Meu pai disse, você vai acabar transgredindo o sábado. Não é compatível com a sua vida. E eu acabei indo fazer, me inscrevendo para fazer o teste para entrar, para ser um trompista na Orquestra Sinfônica Jovem. Eu tinha um professor italiano muito capaz, ele disse, professor Enzo Pedini, ele disse, eu vou ajudar você a entrar, e eu acho que você vai entrar. E eu ia ganhar, ia ter salário. E meu pai orando, e eu orando para passar no dia do teste.
Eu amanheci com uma espinha exatamente aqui, e a embocadura da trompa é uma coisa muito ingrata. Você precisa realmente... é algo muito sensível. E eu tentei passar a xolocaína, aquilo me doía muito, e fui fazer o teste, claro que não passei o teste. E aí eu entendi, voltando pra casa com uma frustração muito grande, eu entendi, eu acho que realmente Deus tem outro plano pra minha vida. E aí as coisas começaram a tomar outro rumo. E realmente, se eu tivesse seguido aquele caminho, eu não estaria aqui hoje. Não estaria aqui hoje. Posso deixar aqui a flauta aqui em cima? Até porque nós queremos saber mais por nós. Puxa, mas eu estou curioso de saber como é que vocês descobriram que eu tocava flauta a doze.
Porque eu toquei em um período curto da vida. Temos uma vasta produção aqui no programa. Mas, Pastor Marcos, nós já conhecemos um pouco da sua história, da sua infância, mas o seu casamento também. O Pastor é casado já há quantos anos? Há 30, 40? 39 anos. Vamos fazer 39 agora em maio. E sempre esteve também muito ligado às questões da família, não é?
apresentou um programa na TV Novo Tempo no Brasil sobre a família e chega mais tarde às questões da mordomia. A família e a mordomia andam de mãos dadas. O que é isto de mordomia para quem nos está a ver? A palavra de Deus diz que as pessoas devem nos ver como despenseiros de Deus. Eu acho essa imagem muito interessante. Eu não sei se se usa essa palavra aqui em Portugal, a dispensa. Dispensa, em que sentido? Dispensa é o lugar onde guardamos as provisões. Sim, exatamente igual. Os alimentos. E a palavra de Deus diz que nós somos os despenseiros de Deus.
É como se Deus fosse o dono da dispensa. Ele diz assim, filho, você será o dispenseiro. Como dispenseiro, você pode comer o que quiser aqui da dispensa. Você tem acesso a todos os meus recursos, mas o seu trabalho é servir aos outros. Você é o dispenseiro de Deus. Eu gosto muito dessa imagem, me ajuda a compreender o meu papel na vida. Meu papel na vida é ser dispenseiro. Uma outra palavra para dispenseiro, na verdade, a palavra que foi traduzida como dispenseiro para o português, no original, é oikonos, no grego. E essa palavra oikonos pode ser traduzida como mordomo.
É a mesma coisa. O mordomo ou dispenseiro, ele não é dono, mas é o administrador das coisas que pertencem a outrem. E Deus nos chama para sermos isso. Nós não somos donos de nada. Eu me casei, tenho uma esposa, mas ela não é minha, ela é do Senhor. Os filhos não são meus, são do Senhor. A casa que eu tenho não é minha, é do Senhor. Eu estou pagando, mas é com dinheiro que Ele me empresta enquanto eu estou vivo, mas é para Ele. Então, tudo quando você aceita, A vida de Cristo, a morte de Cristo na sua vida, sua vida não pertence. Paulo diz, nós não somos de nós mesmos, precisamos glorificar a Deus no nosso corpo, com tudo que você tem, com a sua casa, com os seus filhos.
Você cria filhos para quê? Tem pais que criam filhos para serem grandes na vida. Nós precisamos criar filhos para serem mártires. A glória para um pai, para uma mãe. É um filho se tornar mártir. E eu pergunto para os pais que estão me escutando, você está querendo um filho para ser mártir? Não, eu não quero. Bom, então o filho vai fazer as escolhas. Estou pondo os meus filhos nas melhores escolas do mundo para terem um grande preparo acadêmico, para ganharem bastante dinheiro, para ficarem famosos segundo os padrões do mundo, para ficarem aqui nesse mundo. Mas o Senhor nos chama para uma visão diferente. Então, percebe, essa visão da mordomia, ela acaba interferindo em todos os aspectos da minha vida, até a maneira como eu crio os filhos.
Eu não crio os filhos para mim, eu crio os filhos para Deus. Eu não crio os filhos para me cuidarem quando eu ficar velho. Minhas filhas não existem para me cuidarem quando eu ficar velho. Minhas filhas existem para servir a Deus. Mas podemos dizer que o mundo está como está atualmente e cada um pode fazer a leitura que quiser para perceber como é que o mundo está. Porque há falta de mordomos, mesmo fora de um âmbito cristão. Há falta de pessoas para servir. Claro. Por exemplo, a minha relação com a natureza. A natureza não me pertence. Essa natureza que nos cerca, que não pertence a Portugal. Pertence a Deus. A coisa está mais em cima. Ao eu cuidar da natureza, não estou respeitando o governo. Estou respeitando o dono dessas coisas, o criador dessas coisas.
Quando eu não jogo lixo, não deito lixo em algum lugar, não faço para respeitar uma lei do governo. Eu faço isso para respeitar o criador, quem fez a natureza. Então, é muito mais alta a coisa. É possível ser um bom cristão e um fraco mordomo? São as duas coisas. Não é possível, porque um bom cristão é um bom mordomo, um mau cristão é um mau mordomo. Todos são mordomos. A mordomia nos é designada ao nascermos. E podemos escolher ser bons mordomos ou maus mordomos. Se eu quiser seguir a minha vida e fazer as coisas do jeito que eu quiser, Deus não me impede. Deus nos garante o livre hábito.
Nós somos livres para escolher. mas não somos livres para escolher as consequências das escolhas que fizemos. O pastor Marcos Bonfim é o representante máximo da Igreja Adventista a nível mundial para estas questões, mesmo da mordomia. Como é que surgiu este convite? Foi em 2015, 2016, por aí? 2015, final de 2015. Recorda-se quando o telefone tocou? Como é que foi? Como é que isso aconteceu? Foi até um contexto muito interessante. Eu trabalhava na divisão sul-americana, Trabalhava cinco anos lá e eu pensava que já não ia seguir lá. Tinha uma convicção que não iria seguir. E quando você tá numa função como essa, não existe mais pra onde ir. Então eu pensei, vou voltar a ser um pastor distrital e comecei a me preparar pra isso.
Na Assembleia da Associação Geral eu senti um toque de Deus muito grande quando eu ouvi uma música que dizia mais ou menos assim a letra, não me recordo exatamente, dizia, eu irei aonde Deus mandar, eu vou fazer o que Deus mandar eu fazer. E eu saí com a minha esposa de lá e oramos e nos rededicamos a Deus, vamos realmente fazer o que Deus mandar. Então, naquela assembleia, realmente eu não continuei fazendo o que eu fazia, que trabalhava em Ministério da Família, e fui indicado para ser diretor de mordomia cristã lá na Divisão Sul-Americana. Para mim foi uma surpresa muito grande, eu já estava há cinco anos fora dessa área, apesar de haver trabalhado por 16 anos. E por estar 5 anos fora, eu já havia esquecido muita coisa, então tive muita dificuldade para começar a girar a roda de novo nessa área.
E ainda estava lutando com isso quando eu recebo, um mês depois, uma ligação de alguém da Associação Geral dizendo que estavam precisando de alguém nessa área lá e que se podiam colocar o meu nome como uma das três pessoas que eles estavam considerando. E aquilo me desmontou completamente, porque eu já não estava me sentindo apto para fazer o que eu estava fazendo ali, num círculo mais restrito, quanto mais agora para atender o mundo todo nessa área. Então, eu me senti realmente muito débil, muito despreparado, muito sem condição de aceitar esse chamado, mas havia aprendido a não dizer não para Deus. Quando Deus chama a gente, a gente diz sim e depois vai ver como vai fazer.
E vai ver de joelhos, né? Tem que se ajoelhar. E acabou por aceitar, naturalmente. Sim. Não tinha opção. Não tinha opção. A gente não tem opção de dizer não. Uma vez que você entrega a vida para Deus, você não decide mais as coisas. Então, como é que é o dia-a-dia de um responsável máximo pela mordomia a nível da Igreja Adventista Mundial, com 22 milhões de membros, espalhada em mais de 200 países, como é que é o seu dia-a-dia? Eu acordo muito cedo, eu acordo muito cedo, parte porque já estou ficando velho, velho já não dorme tanto. Não é tanto por consagração. Mas eu já tinha desenvolvido esse hábito de acordar cedo, mesmo quando ainda gostava de dormir muito, E acordo cedo e começo minha comunhão com Deus.
Parte dessa comunhão é caminhando. Então, eu faço minha caminhada matinal todos os dias, mais ou menos 40 minutos, uma hora de caminhada. Nesse momento, faço parte das minhas orações. Depois, leio minha Bíblia, estudo a lição da Escola Sabatina. E parte desse processo ainda continua no escritório. Aprendi com o pastor Bulion que nós somos pagos para conhecer a Bíblia, para conhecer a Deus. Então, eu uso esse privilégio. No início eu pensava, mas eu estou aqui em um trabalho. O meu trabalho é estudar a Bíblia. Então, fecha o seu escritório, desliga o telefone e pega na Bíblia. Eu falo para a minha secretária que por os primeiros momentos lá, quem sabe a primeira hora ou duas horas, eu vou estar realmente mais ou menos muito sedentário. Conectado, mas com Deus, não com...
E. Depois eu cuido das coisas. Tem muitas atividades, muitos materiais que estamos preparando ao mesmo tempo. Então, muitas coisas. Nós produzimos uma revista, nós produzimos vídeos que são apresentados, inclusive aqui em Portugal, são apresentados semanalmente. Então, é um vídeo por semana. Hoje eu orei, hoje pela manhã eu orei. Senhor, me ajuda a produzir os scripts do mês de abril. Não, maio. Eu tenho que agora, antes de começar a próxima semana, eu tenho que produzir os cinco scripts para o mês de maio. e que vão ser passados aqui em Portugal também. Então, é muito trabalho. A gente não consegue fazer tudo o que precisa fazer. Muitas viagens pelo mundo também. E muitas viagens. Quando a gente viaja, o trabalho pára praticamente. Vamos voltar para a terceira e última parte desta conversa Olhos nos Olhos com o Pastor Marcos Mofim.
Até já. TV Novo Tempo. O canal da família. O canal da esperança. Terceira e última parte do programa Olhos nos Olhos com o pastor Marcos Bonfim.
O pastor Marcos Bonfim tem um vasto ministério ligado à área da família e também agora da mordomia, agora, nos últimos dez anos, sensivelmente, ainda sobre a questão da mordomia, pastor Marcos. Muitas das pessoas que conhecem um pouco sobre a mordomia cristã atribuem sempre uma relação muito grande ao dinheiro. ligada à mordomia, às finanças, etc. E muitas vezes há uma visão até um pouco equivocada, por quem está completamente descontextualizado das questões religiosas, do papel do dinheiro no crente, nomeadamente o dízimo, os 10%, que cada membro, como sinal de fidelidade, tem que entregar à instituição, etc. Como é que a mordomia pode ter um papel, se calhar diria, crucial para desmistificar esta relação entre o membro, o dinheiro e a igreja, para quem está completamente descontextualizado?
Bom, deixa-me dizer uma coisa. Se você devolve o dízimo, e no meu caso ainda mais uma outra porcentagem significativa como oferta, Não é determinada essa porcentagem? Em nenhum lugar você acha? O dízimo, sim. O dízimo, a própria palavra indica... Exatamente, a décima parte. Mas se você entrega isso para a igreja fielmente, ou você é um tonto, fizeram lavagem cerebral, e você é um tonto, não tem raciocínio e está entregando dinheiro para os outros, ou você está enxergando coisas que outros olhos não veem. Eu não conheço uma terceira opção.
Eu vejo isso hoje como um convite de Deus para você viver pela fé. No meu caso, se eu pegar o salário que eu ganho e entregar 10% disso como dízimo e mais uma outra porcentagem como oferta, Eu não vivo, não passo aquele mês. Então, pra mim, é a maneira mais rápida de você ver se a Bíblia, esse livro aqui, é um conto de fadas, é um distraidor de mentes imbecis, ou se ele é realmente a palavra de Deus.
Se você começa a devolver o dízimo e você vai passar fome, Então rasga o livro e vai plantar batatas ou fazer qualquer outra coisa na vida. E não perca o tempo com a igreja. Para mim, essa questão financeira é crucial, assim como estou dizendo, porque eu entendi que, como pastor, como eu poderia pregar sobre fé se eu não vivesse isso? Eu tive algumas crises, não tenho tempo de contar aqui, em que eu entendi que eu estava num limiar. E se eu não provasse isso, como eu poderia falar de fé para os irmãos?
Então, eu vejo, na experiência do dízimo da oferta, não uma doação, uma contribuição. Para mim, na minha perspectiva, na minha vida, é zero doação, zero contribuição. Tudo aprender a viver pela fé. Você se desfaz da sua segurança financeira porque você quer aprender a viver com o que você recebe do alto. Você viver de milagres. É isso. Pra mim é isso. É um sinal de fidelidade, no fundo. Quem que é fiel? Então, assim, eu sou uma pessoa... O fato de ser pastor não tira de mim as tendências pecaminosas.
Eu estou constantemente lutando para alcançar, para andar com Deus. Tem momentos que eu sento para calcular o meu dízimo e eu não quero devolver o dízimo, porque, poxa vida, mas esse dinheiro aqui eu... E aí, acontece a batalha. Eu tenho a opção, ninguém fica sabendo se eu não devolver. Ou se eu devolver um dismo fictício, apenas para constar nos livros da igreja como formalidade, ninguém vai saber, nem minha esposa. Mas se tem um Deus no céu, que conhece minhas coisas, se esse livro é o livro de Deus, então, quando eu não tenho o desejo de devolver isso, eu tenho o privilégio de orar a Deus e falar, Deus, o Senhor conhece o meu coração. O senhor sabe que eu não tenho o desejo de devolver isso.
Me dá prazer de devolver isso para o Senhor, crendo que o Senhor cuida de mim, crendo que existe um Deus no céu. Então, para mim, essa é a motivação. Qualquer outra motivação, ela me torna mais importante do que eu sou. Pastor Marcos, qual a maior lição que aprendeu ao longo destes 30, 40 anos de ministério que tem desenvolvido?
O que é que de mais relevante leva de toda esta experiência que tem? Acho que a coisa mais importante que eu aprendi é que eu sou pecador. E que todos são pecadores. Eu sou pecador. e que o ministério, fato de eu ser pastor, não tira de mim essa tendência para gostar do que não é bom. Mas, depois disso, vem uma segunda convicção, que Jesus morreu por mim, para ter o direito de perdoar meus pecados, quando eles são confessados. Então, isso tem me alegrado tanto porque hoje eu não tenho mais medo de reconhecer minhas debilidades, minhas fraquezas diante de Deus e mesmo diante das pessoas, porque um pastor é como outra pessoa.
Pastor não é mais santo porque é pastor. Infelizmente, o ministério não tem esse poder de santificar alguém. Então, eu acho que esse foi o maior aprendizado que me deu o ministério, mas talvez nem precisaria do ministério para aprender isso. É saber que Deus pode perdoar pecados e que eu posso ir todo dia à presença dEle e dizer, Senhor, estou aqui não porque sou pastor, mas porque sou pecador. E Deus diz, se você confessa o pecado, 1 João 1,9 diz, se confessarmos nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça. Os homens podem não nos perdoar. Nós podemos cometer algumas falhas na vida que a nossa família não perdoa.
Às vezes a Igreja não perdoa, os nossos irmãos na Igreja não perdoam, a sociedade não perdoa. Mas se você confessa a Deus, Deus perdoa. Mas, São Marcos, está aqui em Portugal, vive nos Estados Unidos, está agora aqui em Portugal apenas esta semana, por isso é que aproveitamos para esta entrevista. Que país é que encontrou aqui? Não sei se é a primeira vez que cá está. É a primeira vez. Ficou surpreendido com alguma coisa? Fiquei surpreendido com algumas coisas, talvez vocês não suspeitam. O que? Bom, primeiro lugar, deixa eu dar o contexto. A questão de dois meses atrás, eu descobri que cinco ou seis gerações atrás, por parte do meu pai, esse povo veio de Açores para o Brasil.
Ao vir para Portugal, dois meses depois de descobrir isso, me deu um sabor diferente entrar nesse país. Me deu um sabor diferente. Além disso, eu fiquei... eu gosto muito de frutas. E para mim, as frutas portuguesas... eu não suspeitava que Portugal tivesse frutas tão maravilhosas. Eu estou acostumado a ter frutas muito boas no meu país, frutas tropicais muito saborosas, mas eu diria alguém que viesse a Portugal para provar duas coisas aqui em Portugal, as laranjas, as frutas cítricas, as laranjas e as mandarinas ou tangerinas, são impressionantes, são inigualáveis.
E a segunda coisa, os pães portugueses. Eu gosto muito de comer pão, pão saudáveis, pães integrais, os pães aqui em Portugal. São fenomenais. Por alguma razão, os padeiros no Brasil eram portugueses, não é? Ainda estão, alguns estão, não é? Os padeiros, não é? As pastelarias que existem no Brasil. Os padeiros no Brasil, muitos deles são portugueses, mas infelizmente eles não conseguem fazer um pão como esse pão aqui de Portugal, porque a qualidade do trigo é outra. Faz sentido. Então, aqui há uma conjunção de fatores. Existe a tecnologia, existe a habilidade de fazer pão, que é um atributo dos portugueses, mas existe um trigo muito bom também.
Pastor Marcos, mesmo para encerrarmos esta nossa conversa, e está a ser muito bom para mim e para os nossos telespectadores conhecê-lo mais profundamente, Gostávamos que deixasse alguma mensagem, com base na experiência que teve de estar aqui no nosso país, dos desafios que Portugal enfrenta, nomeadamente na
forma como Portugal vê Deus, vê a espiritualidade, vê algo que faça sentido neste mundo. Que mensagem é que gostaria, se tivesse a oportunidade de falar para todos os portugueses neste momento, o que é que lhes diria? Puxa, a responsabilidade é grande. Há grandes responsabilidades. Antes da mensagem, eu diria assim, eu vejo, especialmente na Igreja Adventista, eu vejo um movimento de crescimento. Eu vejo uma tendência de crescimento muito grande. Eu vejo que essa água está a ponto de ebulição. Algo está acontecendo aqui em Portugal. A gente não vê uma igreja morta, não vê uma igreja parada, a gente vê uma igreja viva aqui em Portugal.
E se eu pudesse deixar uma mensagem para o povo português, eu diria o que diz lá em Isaías, busquei o Senhor enquanto se pode achar. Deixe-o ir para o seu caminho e se volte para Deus e se converta, porque ele é rico em misericórdia, ele é grande em perdoar. Eu diria, não importa o caminho que você já trilhou, não importa quão longe você já se afastou de Deus. Volte para Deus, que Ele recebe. Ele diz, aquele que vem a mim, de maneira nenhuma eu lançarei fora. E se você se sente desprovido de qualidades, é para você mesmo que Jesus veio.
Ele disse, eu não vim buscar justos, eu vim buscar pecadores. Eu me lembro, eu sei que existem pessoas que pensam, eu não posso buscar a Deus porque eu estou muito longe. Então, Jesus disse, eu não vim buscar justos, vim buscar pecadores. Eu estou longe de Deus quando eu me vejo muito bom, mas quando eu me vejo imprestável, então eu tenho o privilégio de dizer, meu Deus, aqui estou, me aceita. Ele diz, vem, meu filho, eu torno você justo, eu morri por você, para pagar a culpa que você tem. Pastor Marcos, muito obrigado mesmo por ter se juntado a nós aqui na Novo Tempo Portugal e que Deus continue a avançar o seu ministério e esse exemplo de vida que no fundo acabou por transmitir a nós essa história forte de vida pessoal e de transformação que também nos inspirou todos.
Amém. Obrigado.
Nascido em Taquara, Rio Grande do Sul, o Pastor Marcos Bonfim, uma figura proeminente na liderança mundial da Igreja Adventista do Sétimo Dia, partilha uma história de vida verdadeiramente notável. Desde experiências de quase-morte na infância até uma batalha pessoal com a saúde, a sua jornada moldou profundamente a sua fé e visão. Como filho de pastor, ele explora a dinâmica familiar, o legado de integridade paterna e como as escrituras sagradas foram o pilar da sua transformação física e espiritual. Prepare-se para uma conversa reveladora que desafia perceções e inspira a uma fé autêntica.Neste episódio, mergulhe nos momentos decisivos que conduziram o Pastor Marcos de um aspirante a músico a um líder espiritual global, compreendendo como cada passo foi guiado por um propósito maior. Descubra a sua visão sobre temas cruciais como a importância da integridade familiar, o verdadeiro significado da mordomia cristã e o poder de viver pela fé mesmo perante as fraquezas humanas. Que lições fundamentais o seu vasto ministério lhe ensinou? E qual a mensagem transformadora que partilha para Portugal neste momento? Uma reflexão profunda sobre vulnerabilidade, perdão e a força da convicção aguarda-o.