Entender as Emoções – Parte 2

Entender as Emoções – Parte 2

16 de Setembro de 202527 min

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Transcrição

Gerada automaticamente

Abertura e reflexao emocional

Olá, é sempre muito bom poder estar convosco. É mais uma semana em que aqui estamos, neste programa Mentes que Sentem, e estamos aqui para mais um episódio conversando, falando, refletindo sobre aquilo que é importante na nossa vida, que no fundo é o nosso dia a dia, no contacto uns com os outros, gerindo, experimentando, vivenciando aquilo que são as nossas emoções. E, mais uma vez, nós temos a doutora Cristina connosco. Olá, Cristina. Seja bem-vinda, mais uma vez, e obrigada pela tua presença. Obrigada, Milú. É muito bom estar aqui e é muito bom explorarmos estes temas e pensarmos um bocadinho fora da caixa. É verdade. Esta questão das emoções, como nós estamos a aprender e como dissemos no último episódio e temos refletido, portanto, não é o facto de nós não as termos que por si só é negativo, porque as temos e graças a Deus por isso foi ele que nos criou a seres emocionais e que partilhamos e sentimos as coisas.

mas é particularmente a forma como vivenciamos cada emoção. Nós já tivemos oportunidade no último episódio, estudamos duas delas, portanto, a alegria e o medo, e hoje vamos continuar refletindo sobre outras também importantes para a nossa vida. E sabes, Milo, foi interessante tu teres E de buscar algo que disseste no episódio anterior, que tinha a ver com a forma como nós administramos as emoções. E eu recordo-me que uma característica típica de todos nós é, imagina, uma criança pequena que diz, não quero ir para o meu quarto, tenho medo do que está debaixo da cama ou do que está debaixo do armário. E nós dizemos, mas não tem nada debaixo da cama, não tem nada debaixo do armário e tu não precisas de ter medo. Ou tu não precisas de estar triste, ou tu não precisas de estar deprimido, ou tu não precisas de estar isto.

Se nós percebermos que a emoção está a cumprir o seu propósito e aciona um mecanismo fisiológico, vamos perceber como é descontextualizado dizer, não tens que ter medo. Porque se a pessoa não quisesse... Ela não quer ter medo. Se a pessoa quisesse, conseguisse controlar isso de uma forma mais espontânea, ela não estava a fazer. Então esta não é a abordagem mais correta. Então perceber que aquilo é um processo automático e ajudar a trazer à pessoa o senso de integridade e de segurança é aquilo que a vai ajudar. Desculpa, queria interromper-te. Eu creio que esta é uma das aprendizagens mais importantes e fundamentais na gestão dos relacionamentos.

Porque o facto de eu não ser capaz de aceitar que o outro possa estar a sentir diferente de mim, quando eu naquela situação teria uma atitude completamente diferente, e acho que para ele seria natural também reagir como eu reagiria naquela situação. E eu creio que isto realmente é uma graça que nos tem de ser dada por Deus, compreendida psicologicamente, emocionalmente, mentalmente, mas ao mesmo tempo gerida realmente nesta graça que vem de Deus para, como costuma dizer o provérbio português, colocar-nos nos sapatos do outro, não é? E que temos muita dificuldade. Então vamos recapitular um bocadinho. Estamos a falar de emoções de funcionalidade.

A utilidade da raiva

Qual a função delas? Alegria tem uma função agregadora socialmente. O medo é uma emoção de alerta, tem como objetivo proteger-nos. E agora vamos falar talvez de uma das emoções menos compreendidas, que é a raiva. Não, não pode estar assim, não pode sentir isso, não pode se expressar dessa forma. E mais uma vez volto a reforçar aquilo que tu dizias. A questão não está na emoção, está na forma como nós a vivenciamos ou como nós a exprimimos ou como nós a gerimos. E porquê é que a raiva é uma emoção que normalmente nós temos alguma... Até fobia. Não, não pode. Não é correto. Não é aceito. Exatamente pela forma como nós a exprimimos. Porque muitas vezes ela é expressa de uma forma violenta ou agressiva, através de uma comunicação mais agressiva ou de um comportamento mais violento.

Mas a raiva, enquanto emoção e enquanto função, cumpre uma função extremamente importante, que é a defesa de direitos. E nós, provavelmente, alguns dos que estão a ouvir, até estaremos a elaborar um ar de surpresa e dizer o que é que uma coisa tem a ver com a outra. Mas vamos tentar olhar nesta perspetiva. Imagina... Porque tu estás na fila do supermercado, na caixa para pagar, e tens uma fila grande e tu estás lá no meio. E alguém passa à frente de toda a gente sem ter prioridade e quer se meter. Ficas contente, não ficas? É óbvio que não. E vais ver as pessoas a terem um comportamento um bocadinho mais alterado. Agora imagina que tu vais na rua, vais a caminhar e vês alguém a ter um comportamento de desrespeito com uma pessoa mais idosa.

Vais ficar contente com esta situação? Não vais? Mas o comportamento que ocorreu, ocorreu com o outro, não ocorreu contigo. Então a raiva costuma ocorrer sempre que nós interpretamos uma situação como injusta. Ou como um abuso de direito. Ou como algo que põe em causa os nossos próprios valores. E a investigação tem demonstrado. que a raiva ocorre como emoção, normalmente em circunstâncias em que nós sentimos que está a haver algo que põe em causa a nossa integridade física, algo que nós interpretamos como sendo um insulto, alguma coisa que se relacione com a nossa família, algo que tem a ver com a ordem social, quando envolve dinheiro.

É muito comum isto ocorrer também. Quando mexe com o nosso grupo, com a nossa tribo. Ou quando existe algo que nos impede de fazer alguma coisa. E aqui eu gostava de pegar nesta última categoria e dar um exemplo prático. Imagina que eu te digo, Milu, vamos fazer uma experiência. e eu prendo-te as mãos, tu estás sentada, eu prendo-te as mãos e prendo-te os pés. Tu como confias em mim, eu não te explico o porquê, mas inicialmente vais aceitar. Agora imagina que eu me vou embora e te deixo aqui uma hora seguida sem te dizer rigorosamente nada. Entre a surpresa, entre o desconforto, entre a tristeza, entre a perplexidade, a determinada altura vais começar a dizer, mas o que é que lhe deu na cabeça, porque é que ela está a fazer uma coisa destas?

começas a sentir-te impedida de teres autonomia e capacidade de ação. E agora eu vou pegar neste exemplo e vou transpô-lo para dois exemplos da nossa realidade. Imagina uma pessoa com uma questão de saúde. Perdeu a funcionalidade de um membro. Temos ou não temos muitas vezes pessoas que reagem agressivamente perante isso. A pessoa está ou não está a sentir um impedimento à sua autonomia. A pessoa está a lidar com algo que antes conseguia fazer e agora não consegue fazer. E nós muitas vezes dizemos que também não é caso para tanto. Mas se fôssemos nós que estivéssemos a ser presos, nós não iríamos reagir de uma forma um bocadinho diferente.

Ou melhor, a emoção que nos é elicitada é a mesma. Segundo exemplo. Imagina uma criança pequena a quem tu não permites fazer uma coisa. Muitas vezes nós dizemos que a criança está a fazer uma birra, está a ter um comportamento de raiva e isso não é correto. A criança está ou não está a ser confrontada com um impedimento. Ela sente-o como tal. Estou a querer dizer que o comportamento dela é correto? Não, estou a querer dizer que há formas de trabalhar o comportamento dela. Mas isto de nós estarmos a classificar que ela está a ter uma emoção incorreta e que não deveria acontecer, isto é que nós temos que trabalhar dentro de nós.

o problema não está na raiva enquanto emoção e enquanto funcionalidade. O problema está na forma como nós colocamos isto no lugar errado. Ou seja, e aqui eu gostava de dar duas ou três questões para nós refletirmos. Primeiro, temos que prestar atenção àquilo que nos provoca raiva e porquê. E tentar usar essa raiva não contra as pessoas, mas contra o problema que a causou. Imagina uma coisa tão simples como Eu tive, e tu tiveste, que preparar este programa e isso implicou que, por exemplo, eu não pudesse sair com um grupo de amigos. E eu estou aborrecida. E porque eles estão-se a divertir, e porque não ligam nenhum, e porque se não deveria acontecer, eu estou a direcionar a raiva contra as pessoas.

Agora imagina que eu direciono a raiva contra o problema que a causou. E qual foi o problema? O problema foi o fato de eu estar a preparar o programa, quando na realidade eu queria estar com os meus amigos. Ok, será que eu não consigo no futuro organizar o meu tempo de maneira a ser diferente? Então, não estamos mais uma vez a falar da emoção enquanto negativa, sempre que nós já tínhamos falado que as emoções têm a característica de serem positivas quando cumprem a sua função. Nós é que as atribuímos como, classificamos como positivas, agradáveis ou desagradáveis de sentir. mas eu estou a focar a forma, o impacto que ela tem em mim, no tipo de comportamento que eu terei. Outra questão que é extremamente importante refletir sobre esta questão da raiva.

Uma das coisas que sempre nos ensinam a dizer é que tu não podes ter raiva. Então, suprime a tua emoção. Mas, Milu, sempre que nós suprimimos uma coisa que tem que ser trabalhada emocionalmente, o nosso organismo se matiza. E, algum tempo atrás, eu fui confrontada com um livro muito interessante, escrito por um médico, cujo título é Como Curar a Dor de Costas. Precisamos muito. Mas é que super interessante porque a determinada altura, ele diz, começaram a aparecer na prática clínica imensas situações de pessoas que não tiveram lesões, não deram o jeito, não fizeram uma contratura e aparentemente não havia explicação.

Nem em termos de faixa etária, nem em termos de circunstâncias para aquilo continuar a acontecer. O que é que ele percebeu? Que o fator comum em todas estas situações é que as pessoas tinham ressentimentos. Coisas que não estavam trabalhadas. Então, quando nós estamos a lidar com esta emoção e estamos a ter alguma dificuldade em geri-la, em administrá-la, suprimir não é uma boa opção. Mas distrair é uma boa opção. Porque o teu cérebro não consegue estar com uma atenção plena em duas tarefas ao mesmo tempo. Lá se vai o multitasking, pois. Portanto, nós muitas vezes dizemos que somos multitasking, efetivamente fazemos muitas coisas, mas é como se o cérebro estivesse a direcionar níveis diferenciados de atenção.

Então, quando nós procuramos desfocar-nos do problema para algo que nos distraia ou que alivie uma atenção física, estaremos em melhores condições depois de processar essa emoção. e por outro lado só para terminar esta questão da emoção da raiva. É também importante percebermos porque é que isto está a ter impacto em mim e qual é a crença que isto me está a trazer. E isto porque sempre que nós reavaliamos a situação e mudamos a nossa crença em relação a uma coisa, o nosso cérebro vai fazer com que a nossa consequência emocional e o nosso comportamento acompanhem essa mudança. Vou dar um exemplo muito simples. Imagina que eu trabalho num determinado local em que tem um superior hierárquico que é uma pessoa que perde as estribeiras com facilidade e levanta a voz e grita.

Primeiro, eu não considero isto um comportamento aceitável. Mas imaginamos que isto ocorre. E eu chego todos os dias a casa a dizer... E está sempre a gritar comigo! Que raiva que isto me dá! Está sempre a gritar comigo. Agora imagina que eu comece a perceber que, na realidade, apesar de ele gritar comigo, ele grita como toda a gente. Então, a verdade é que o comportamento continua a não ser aceitável. Mas o fato de eu mudar o paradigma, mudar a crença de que era só comigo ou faz com toda a gente, retira ou não retira peso à situação. Raiva, função de defesa de direitos. Então, quando eu começar a sentir isto, eu tenho que perguntar, o que é que está a ser posta em causa que eu classifico como um direito ou um valor fundamental e que me está a deixar desconfortável?

Essa é a pergunta que eu tenho. É interessante, não sei se por isso o senhor diz irai-vos e não queixes. Não deis, não se irai. Exatamente, ou seja, esta gestão correta e assimilação desta emoção que existe, mas ao mesmo tempo quando é bem orientada sobre as questões que não são justas e que lutamos por aquilo que é justo, que é correto, Deus é um Deus justo, portanto é natural que lutemos pelo que é justo, mas esta correta gestão desta emoção que há a priori pelo seu próprio nome, raiva, ira, parece ser alguma coisa despropositada naquela pessoa que devia ser boazinha, não é? E, portanto, e ter os princípios e os valores e tudo isso. E por falar em emoções, todos os episódios, já sabem, nós temos este manual, de estudos que nós poderemos e temos muito gosto em poder partilhar consigo, em enviar para a sua casa.

É uma questão de contactarmos através do 933 939 291. Está a ver a passar, portanto, aí na sua tela este contacto. Então escreva para nós e peça este manual de instrução. pode pedir também este manual não só para si, como para os seus amigos, os seus conhecidos, familiares, e nós teremos muito gosto em poder enviar, visto que tem assuntos muito interessantes, muito pertinentes, e serão sempre uma mais-valia, portanto, para a sua vida ou para a vida daqueles que ama. Cristina, quase o nosso tempo passa a voar, mas ainda temos mais emoções para estudar e para refletir a seguir.

Repulsa e a tristeza

Ok. Tínhamos falado que iríamos abordar cinco emoções básicas. Então, faltam-nos duas que gostaríamos de refletir em conjunto. Uma delas não é muito frequente, não é frequentemente falada, que é a emoção do nojo, da repulsa. E a verdade é que é assim, esta emoção tem uma função de proteção orgânica. Embora não seja algo muito comum ou muito perceptível. De certeza que já tivemos situações em que olhamos para uma situação fora do comum, vulgar ou fora do nosso contexto e demos assim uma sensação de alguma repulsa ou de algum nojo. Não importa se foi um alimento, se foi um cheiro, se foi uma situação em concreto. Na realidade, o que o teu organismo está a fazer é a avaliar se tem que se proteger ou não de uma coisa que lhe fez mal.

E agora vou-te dar um exemplo. Imagina que eu descobri há muitos anos atrás que era alérgica ao amendoim. E descobri de que forma, porque tive uma reação. E não foi nada simpática a reação e eu não gostei nada do que me aconteceu. Agora suponhamos que eu olho, por exemplo, vou comprar qualquer coisa no supermercado e estou a olhar para os ingredientes e diz, tem amendoim. automaticamente está ilicitada em mim uma memória que me diz, calma, isto pode levar-te a uma situação desagradável. Então, se nós olharmos para o nojo e para a repulsa como uma função protetora orgânica, vai-nos ser mais fácil interpretar porque aqui em determinadas situações nós temos esta reação.

Eu, enquanto estava a pensar nisto, deu-me vontade de rir porque pensei na banana. E porquê que eu pensei na banana? Porque lá em casa eu tenho os adeptos da banana e aqueles que não gostam da banana. Então, há aqueles que dizem que bom, eu gosto de banana e há aqueles que dizem só o cheiro da banana. Eu não sei efetivamente o que é que aconteceu na cabeça dos meus filhos que não gostam de banana para isto ocorrer, mas eles associaram esta emoção de que há algo desagradável e do qual eles têm que se proteger. Estou com isto a querer dizer que nós não vamos comer banana até o resto dos nossos dias. Não é isso. Estou a querer dizer que nós vamos aprendendo a gerir se efetivamente há ali uma ameaça orgânica ou não há uma ameaça orgânica. E a última emoção que eu gostaria de partilhar é talvez a mais incompreendida de todas.

A emoção da tristeza. Então imagina que eu te digo algo do género. Milu, eu estou a ter um dia fantástico. É um dos dias mais tristes da minha vida. Parece aí uma contradição. Qualquer coisa que não joga bem. Viste a tua reação espontânea? É a reação espontânea que todos nós temos. O que é que uma coisa tem a ver com a outra? E esta é uma daquelas emoções que, por ser muito desagradável de vivenciar, nós queremos distância dela. Mas será que esta emoção tem alguma função ou algum propósito? E é. Quando eu estudava sobre esta emoção eu fiquei francamente surpresa. Eu disse, uau, olhar para ela nesta perspectiva muda-me completamente o contexto das coisas.

Então pensa comigo. Quando nós estamos alegres, nós dissemos que a emoção da alegria agrega socialmente. Quando nós estamos tristes, queremos estar com muita gente. Leva-nos a quê? A isolar. Mas este propósito do isolamento, da recolha, tem a ver com tu refletires. Esta é uma emoção da reflexão. E é uma emoção que tem como objectivo olhares e perguntares. O que é que isto me está a querer dizer? Porquê é que me está a querer causar? Porquê é que me está a causar tristeza? Estou a lidar com uma perda, com uma frustração, com um desencanto? E aqui gostava mais uma vez, nós já abordamos isto noutros episódios, mas gostava mais uma vez de fazer a diferenciação entre tristeza como emoção e tristeza como sintoma.

Eu estou a dar esta questão de que a emoção é reflexiva porque esta é a funcionalidade dela. Mas quando nós estamos efetivamente ao longo do tempo num estado continuado desproporcional, então nós já poderemos estar a lidar com a tristeza como sintoma, como por exemplo ocorre na depressão. Então vamos voltar à tristeza como emoção, à sua funcionalidade. Tem a funcionalidade de nos levar a recolher, a refletirmos, mas esta é a função que nos leva a agir. É a emoção que nos leva a agir. E nós ficamos surpresos. Como é que a tristeza me leva a agir? Porque a maior parte das vezes nós paramos no início do processo.

Paramos no não quero sentir isto. Vamos a um exemplo concreto. Imagina que eu estou profundamente triste porque terminei um relacionamento. Um relacionamento amoroso. E aquilo está efetivamente a causar-me uma profunda tristeza. Eu não me quero sentir triste. Mas quando eu me recolho e faço um movimento de reflexão sobre esta situação, porquê? Porque é que isto aconteceu? Em vez de olhar de forma a culpabilizar, mas olhar de uma forma um bocadinho mais objetiva e pragmática. Eu posso começar a perceber, olha, não funcionou por isto, não funcionou por aquilo. Em situações futuras eu poderei ter que estar mais atenta a isto ou aquilo. Ou eu posso até perceber que estive numa relação que acabou por ser um bocadinho abusiva.

Foram ultrapassados determinados limites. Eu não posso permitir que isso ocorra no futuro. Estou a fazer o quê? Estou a ressignificar. Estou a dar um novo significado às coisas. Então, a emoção da tristeza é uma emoção que nos leva à reflexão. que nos leva à mudança. E agora, mais uma vez, para tornar isto taxativo em termos de exemplo. Imagina que tu tens... calçaste um sapato que te magoa. Tu vais trocar porquê? Porque te magoa. Se tu estivesse confortável com o sapato, tu não trocavas. Então, quando nós olhamos para a tristeza na perspectiva de o que é que tu me estás a querer dizer, O que é que pode estar aqui ao meu alcance?

Porque eu posso não conseguir mudar a circunstância, mas posso conseguir mudar a minha perspectiva sobre a circunstância. Então isto vai me ajudar a ter outra capacidade de reflexão. Então, resumindo, para continuarmos neste contexto. Todas as emoções são positivas e cumprem um propósito.

Regulacao e inteligencia emocional

Elas vão e vêm. As emoções são efêmeras. Portanto, isto faz parte do cumprimento do seu propósito. E aprender a conhecer as emoções acaba por nos trazer para um contexto que tem a ver com a regulação. E aqui, Milúcio, me permite se eu gostava de partilhar uma citação de Daniel Goleman, o tal investigador na área da inteligência emocional, que eu acho, no mínimo, provocadora. E ele diz algo do género e passa a citar. Ele diz... Um aspecto do relacionamento bem-sucedido não é o quão compatível somos, mas como gerimos as nossas incompatibilidades. O que é que ele está a dizer?

Em termos práticos, ele está a dizer que é incorreto procurar uma pessoa compatível. Mas o que ele está a dizer é que enquanto tu te mantiveres apenas neste registro, tu não deste um salto qualitativo. Ele está a mudar o paradigma, está a dizer, centra-te no teu desenvolvimento de competências. Que tem a ver com este desenvolvimento de competências relacionais e é neste desenvolvimento de competências que a inteligência emocional se torna amplamente vasta. E ele tem uma outra citação que eu acho muito interessante, que diz assim, A autoconsciência é a base da inteligência emocional. E o que é que é isto da autoconsciência? É ter percepção de quem tu és, dos teus valores, daquilo que é importante para ti.

E de uma forma muito rápida, a pergunta que se coloca é, mas afinal como é que eu ponho isto em prática? Primeiro, há um princípio da física que diz o seguinte, uma ação gera uma reação. Portanto, eu não posso estar à espera de resultados diferentes se mantenho o mesmo comportamento. Isto é básico. Segundo, eu tenho que começar a estar mais atenta e a identificar quais são as emoções que estão por trás do meu comportamento. O que é que eu senti? Dá um nome às coisas. O que é que isto me quer dizer? Então, se eu aprendi que a tristeza tem um contexto reflexivo e tem um contexto para a mudança, o que é que isto me está a querer dizer? Se a raiva tem a ver com defesa de direitos, o que é que isto me está a dizer? Por outro lado, eu tenho que identificar os meus gatilhos.

Quais são os meus gatilhos para as emoções? E aqui eu vou dar um exemplo muito caseiro. Uma coisa que é prática em casa é quando vem a comida para a mesa nós agradecemos à pessoa que fez a comida. Aliás, isto está tão automatizado lá em casa que a comida está a ser posta e às vezes já ouvimos obrigado mamá ou papá pela comida que está muito boa. Ainda não a provaram, mas já está automatizado. Mas eu já fico feliz. E algum tempo atrás, pusemos a comida na mesa e eu, na brincadeira, disse então, não se diz nada. E um deles, não vou preferenciar qual, começa e diz assim... Obrigado, Lidl, pelo arroz. Obrigado, Continente, pelas maçãs. Obrigado, Pingo Doce, não sei porquê. E passa a publicidade aos supermercados. Ele foi buscar a referência de cada alimento a um supermercado diferente.

E a minha primeira reação foi semelhante à tua. Eu dei uma gargalhada. Porque eu percebi claramente que ele estava a brincar. Mas dei uma gargalhada, não sem um pontinho de desconforto. Mas ignorei aquilo. Na refeição seguinte, voltamos à carga. e desta eu já não fico com tanta vontade de dar uma gargalhada, mas estava-me a trazer desconforto. Eu comecei a perguntar porquê que isto me está a trazer desconforto. Então agora são um vidrinho de cheiro, não se pode falar, não se pode dizer nada. E fiz a pergunta ao contrário. Porquê que nós ensinamos isto cá em casa? Porquê que agradecemos a quem põe na mesa? Porque para mim é uma forma de demonstrar ao outro que eu valorizo o esforço que a pessoa tem. Então o que é que isto me está a querer dizer? que quando tu estás a brincar desta forma, tu estás a desvalorizar o esforço que eu fiz.

Ou que eu tenho. E eu ali tinha duas soluções. Ou relevava a situação, já encontrei um significado e a interpretei, ou eu falava. E fui ter com o meu filho e disse, ó querido, eu tenho noção plena que tu estás a fazer isto na brincadeira, mas olha, está-me a incomodar. Está-me a deixar desconfortável, porque é como se tu não estivesse a valorizar o esforço que nós temos. Que nós estamos a ter. Por favor, não voltes a fazer isto. E isto desenvolve outra competência, que iremos abordar em episódios futuros, que tem a ver com a assertividade da comunicação e a forma como demonstramos aquilo que vai dentro. Algo maravilhoso, sem dúvida, e ficaríamos aqui horas e horas a conversar, mas teremos, na graça de Deus, a oportunidade de seguirmos adiante no conhecimento, na educação de tudo isto que nos compõe e que faz de nós o que somos, seres humanos, criados à imagem e semelhança de Jesus, e aprendemos muito.

Obrigada, doutora Cristina, mais uma vez. E desejo para si e para os seus tudo de bom, grandes bênçãos do Senhor. e não esquecer que o fruto do Espírito trazem à nossa vida emoções completamente abençoadas. Então é isso que eu desejo para a sua vida, desejo para a nossa vida também e na graça do Senhor nos encontraremos na próxima semana. Que o Senhor o abençoe e até lá.

Sobre este episódio

Neste episódio de "Mentes que Sentem", continuamos a desvendar o complexo mundo das emoções, focando na sua essência e propósito, mais do que na sua simples manifestação. Descobrimos que cada emoção, mesmo as que tendemos a reprimir ou considerar "negativas", possui uma função vital, agindo como um mecanismo fisiológico crucial para o nosso bem-estar e interação com o mundo. Após explorar a alegria e o medo, mergulhamos agora em emoções frequentemente mal interpretadas, como a raiva, o nojo e a tristeza, revelando as suas funções surpreendentes e como a sua correta gestão pode transformar a nossa vida.

Prepare-se para uma viagem de autoconhecimento que o levará a questionar velhas perceções e a abraçar uma nova forma de lidar com os seus sentimentos. O que aprende com este episódio: * A raiva como mecanismo de defesa: Descubra por que a raiva surge e como ela nos alerta para injustiças ou ameaças aos nossos valores e direitos. * O nojo como protetor orgânico: Entenda como esta emoção, por vezes subestimada, atua na sua proteção física e mental. * A tristeza como motor de reflexão e mudança: Veja como a tristeza pode ser uma ferramenta poderosa para o crescimento pessoal e a ação. * A importância de não reprimir emoções: Compreenda os perigos da supressão emocional e como o corpo reage. * Estratégias para gerir emoções: Aprenda a canalizar a energia das emoções de forma construtiva, focando no problema e não na pessoa. * O poder da autoconsciência: Explore como o entendimento dos seus "gatilhos" emocionais e a reformulação de crenças podem fortalecer a sua inteligência emocional.

Série
Mentes que Sentem · 50 episódios
Temporada e episódio
Temporada 1 · Episódio 20
Estreou
16 de Setembro de 2025
Categoria
Saúde