27:46Seja muito bem-vindo a mais um Fórum Bíblico. Este é um espaço de perguntas e respostas sobre a Bíblia e todas as semanas abrimos este Fórum para dar resposta às perguntas que vão sendo enviadas por quem nos acompanha. Por isso, se tem alguma questão sobre algum assunto na Bíblia sobre o qual gostava de obter maior esclarecimento, pode ser, quem sabe, um texto que não compreende muito bem, ou que lhe gera alguma confusão na sua interpretação, alguma curiosidade histórica, ou até mesmo alguma questão que seja teologicamente mais profunda, enfim, qualquer dúvida que tenha no âmbito deste grande mundo que é o conhecimento bíblico. É muito fácil enviar as suas perguntas. Pode fazê-lo de duas formas. Para o nosso e-mail, que já conhece, programas arroba novotempo.pt ou então para o nosso número 933 939291 e seja de uma forma ou de outra, mencione sempre o nome deste programa para que as respostas sejam dadas aqui no Fórum Bíblico.
Ao longo dos Evangelhos, Jesus contou muitas parábolas, algumas mais simples, outras mais desafiadoras, e entre elas há uma que continua a deixar muitos leitores perplexos, a parábola do administrador infiel, que nós podemos encontrar no capítulo 16 do Evangelho de Lucas. Pois bem, no programa de hoje vamos responder a perguntas que nos chegaram relacionadas precisamente com esta parábola, e com a necessidade de compreensão do seu verdadeiro significado. Por isso, não saia daí, fique connosco, porque, como sempre, o nosso convidado, o Artur Machado, vai procurar trazer luz sobre esta parábola desafiante e sobre o que ela nos quer ensinar ainda hoje. Olá Arthur, muito bem-vindo. Obrigado por estar entre nós.
E vamos já de imediato passar à pergunta que introduz o tema e que chama a nossa atenção hoje para esta parábola. E a pergunta é como compreender as conclusões da parábola do administrador infiel que aparece no capítulo 16 do Evangelho de Lucas. Estaria Jesus a fazer uma apologia da fraude? Esta é uma excelente questão, porque, na verdade, todas as parábolas deveriam ser simples e eram histórias que Jesus contava, mas algumas são particularmente intrigantes e esta é, talvez, uma das mais intrigantes. Houve, inclusivamente, exegetas que disseram que esta parábola era de uma exigência exegética irritante, precisamente porque quem a lê de passagem pode de repente ficar surpreendido com a sua conclusão, porque parece justamente que Jesus estaria a elogiar aqui uma fraude que estava a ser perpetrada por este administrador infiel.
Mas vamos ver o essencial desta parábola e procurar entender quais foram os pontos que Jesus quis salientar, porque, na verdade, a parábola não se deve compreender a partir dos seus detalhes, mas sim do aspecto para o qual ela nos remete, para o ponto central dessa mesma parábola.
E também o contexto que envolve, porque Jesus não nos contava isoladamente. Exatamente. Ora, é interessante perceber que a parábola é muito simples. Há um patrão, um senhor, um proprietário de terras, que de repente recebe uma denúncia. Uma denúncia do seu administrador de que este administrador estaria a dissipar os seus bens. Imediatamente este patrão chama o seu administrador e pergunta-lhe o que é isto que eu ouço a ter respeito. Presta contas da tua administração, porque não poderás mais ser meu administrador. Nós já vamos perceber porque é que, de repente, este homem despede o seu administrador. E o administrador, de repente, tem um monólogo interior.
Ele começa a pensar consigo próprio e ele diz o que é que eu vou fazer da minha vida, já que o meu senhor me tira a administração. Cavar não posso. diz ele. E, realmente, por esta expressão, ele queria dizer algum trabalho mais duro. É bom nós percebermos que, neste momento, na Palestina, não havia abundância de empregos. E, portanto, este homem que estava habituado a ser administrador não tinha aptidões para ir para um trabalho, portanto, mais duro. Poderia-me pedir que até era um trabalho privilegiado? Sim, era um trabalho privilegiado, exatamente. E depois ele dizia também, Mendigar tem vergonha. Ah, já sei o que eu vou fazer", de repente diz este administrador. E, consultando o seu registro de dívidas, nota que há ali pessoas que têm algumas dívidas que são bastante avultadas.
Algumas dívidas para com o seu senhor. E o que ele vai dizer é, ok, tu deves 100 medidas de azeite, assenta aí no teu registro 50. Ele reduz-lhe a dívida em 50%. E a um, ele diz, tu deves 100 alfeiros de trigo, escreve aí 80. E, portanto, reduz-lhe a dívida mais ou menos em 20%. E é a partir deste momento que a parábola do administrador infiel se torna intrigante. Porque diz justamente Lucas o seguinte, e louvou aquele senhor o injusto mordomo, por haver procedido prudentemente, porque os filhos deste mundo são mais prudentes na sua geração que os filhos da luz. Já aqui é intrigante.
Louvo o Senhor, o justo Mordom, por roubar. E, portanto, é intrigante. A seguir, Jesus vai dizer, nos versículos 9 a 12, eu vos digo, granjeai amigos com as riquezas da injustiça, para que, quando estas vos faltarem, vos recebam ele nos tabernáculos eternos. Quem é fiel no mínimo, também é fiel no muito, quem é injusto no mínimo, também é injusto no muito. porque se nas riquezas injustas não fostes fiéis, quem vos confiará as verdadeiras? E se no alheio não fostes fiéis, quem vos dará o que é vosso?" Ora bem, esta parábola se situa justamente no contexto socioeconómico da Palestina, em que era
comum existirem ricos proprietários de terras, muitas vezes viviam até nas cidades, na capital, e que tinham administradores que geriam nos locais os negócios que estes homens, portanto, possuíam. E, portanto, eram depositários da sua confiança. Eram depositários da sua confiança. É uma parábola justamente sobre confiança. eram os administradores que arrendavam as terras, eram os administradores que iriam ver quem seriam os contratados para trabalhar ao dia, eram os administradores que geriam, portanto, os dividendos das colheitas. Nós sabemos que as parábolas de Jesus podiam vir de várias origens.
que podiam ser de relatos da vida cotidiana, verdadeiros, que ele tivesse ouvido e que ele, de repente, modificasse um ou outro detalhe para o seu propósito. Também podiam ser relatos que já fossem recorrendo daquilo que nós chamamos o folclore tradicional judaico e, portanto, circulavam essas parábolas e Jesus poderia recontá-las e também alterar aqui e ali ou, inclusivamente, os seus detalhes ou o seu final. Isto sempre para que o público pudesse identificar. O público identificava, exatamente. De repente ficava, era admirado, porque havia qualquer coisa. Ah, isto não é bem assim, eu já ouvi isto e não era assim.
E, portanto, prestava mais atenção. Acontece justamente que a parábola deixou desconcertados os que a ouviam e deixa-nos desconcertados a nós também. E é interessante, porquê? Porque Jesus contou parábolas que eram simples, como a parábola do semeador, a parábola da candeia, e depois conta outras parábolas. Algumas até expliquem mais detalhe depois. E conta-nos outras parábolas que são desconcertantes, como, por exemplo, a parábola do juiz Inico, em que há um juiz que não quer ouvir a viúva para lhe fazer justiça, e esta, a parábola do mordom de um infiel. E isto mostra-nos que Jesus sabe cativar, prender o seu auditório e contar a ilustração certa, no momento mais adequado, aquilo que ele acha que é importante para o objetivo...
Em princípios pedagógicos muito concretos. Não é, consultante do público? Exatamente. Nós não sabemos é quando é que Jesus contou esta parábola. Há quem diga que ela terá sido contada por volta do ano 31 da nossa era, há aluguros na região da Pereira, entre o mês de janeiro ou fevereiro, portanto, já muito próximo da crucifixão. E esta parábola que está no capítulo 16 do Evangelho de Lucas começa, na verdade, no capítulo 15. Jesus está num diálogo aberto, polémico, como sempre, com os escribas e os fariseus e começa a dirigir, no capítulo 15, este ensino para eles, mas aqui, no capítulo 16, Jesus vai também incluir no seu ensino os próprios discípulos.
O contexto é muito simples. Os fariseus e os escribas acusavam Jesus de receber pecadores. E, portanto, Jesus vai-se defender contando várias parábolas. E, como eu salientei, não podemos agarrar em cada pormenor das parábolas e tentar tirar daí lições. Não é esse o objetivo. O objetivo é perceber qual era o aspecto principal. O segundo elemento a termos em consideração nas parábolas é que às vezes elas aparecem como modelos pouco éticos de conduta. É o caso do juiz iníquo e o caso do mordomo infiel. Não é que Jesus esteja a louvar nem a iniquidade de um juiz nem a infidelidade de um mordomo, mas ele quer chamar a atenção para algo que pode estar a ocorrer na vida dos seus ouvintes e, no nosso caso, na vida dos seus leitores.
Numa primeira abordagem temos, portanto, aqui uma história banal. E banal porque sempre houve patrões e sempre houve empregados que defraudam os seus patrões. sempre existiram na história, desse ponto de vista não é uma novidade. A novidade é que aqui o patrão acaba por louvar aquele que nos parece ser o mordomo infiel. Mas, atenção, este mordomo infiel vai ser denunciado. Portanto, ele é alvo, pode ser de uma cobiça, pode ser de uma inveja, ou pode ser até de alguém que se sente ilusado, mas denuncia-o realmente ao seu patrão. E nós podemos ver isso através do texto grego, que concorre para esta perspectiva.
Há um verbo concreto que é utilizado, que é este verbo, o verbo diabalo, que significa caluniar, acusar ou difamar. Estamos aqui numa forma passiva de um passado, de um aoristo, portanto é um passado pontual, e o que quer dizer este passado é que ele foi acusado. A acusação podia ser verdadeira ou poderia ser, portanto, falsa. Daí que o senhor tomou as precauções. Ele manda chamar o mordomo e ele diz-lhe o que é isto. que eu tenha ouvido a teu respeito. Era normal que tu estivesse a fazer crescer os meus bens, que eles estivessem a multiplicar-se, parece que eles estão a subtrair-se.
Isto é que não é normal. Contrata-se um administrador para aumentar os bens de alguém, não para os fazer diminuir. E, portanto, o patrão, ao chamar o administrador, quer dar-lhe uma oportunidade de ele se justificar, de perceber se esta calúnia ou se esta difamação tem ou não tem fundamento. Nós podemos perguntar-nos, então, porque aquilo o dispensou? Por que é que o Mordomo sente que esta chamada de atenção é já uma porta aberta para o despedimento? Um pré-aviso. Exatamente, é um pré-aviso de despedimento. Ora, isto prende-se também com o contexto sociocultural das sociedades judaicas e também grecoromanas daquela altura.
E nós podemos ver já o porquê nesta afirmação que vai aparecer no ecrã. É que o caráter de um patrão ou de um governador, era aferido pelo controle firme do comportamento de cada pessoa que estava ao seu serviço. Ou seja, todas as pessoas que estavam ao seu serviço tinham aquilo que nós chamamos um código de conduta. A maneira como eles agiam trazia respeito, dignidade e glória ao seu senhor ou poderia justamente contribuir para o contrário. Comprometer a sua reputação. Comprometer a sua reputação. E, portanto, era isto que estava realmente em jogo. Ao ouvir que houve uma difamação, rapidamente podia circular também naquele ambiente que aquele senhor não tinha o controle devido sobre os seus empregados.
era negligente e, portanto, isto não contribuía justamente para a sua reputação. E, se o caso fosse finanças, então exigia-se justamente que o administrador fosse meticuloso. O fracasso em ele ser bem-sucedido contribui justamente para isso. assistimos depois ao monólogo interior deste administrador. E esse monólogo interior mostra-nos justamente que este homem vai perceber que o seu futuro vai depender daquilo que ele fará daqui em diante. e este monólogo interior é que é importante para nós compreendermos. E já lá vamos, já lá vamos.
Na segunda parte do nosso programa, o Artur Machado continuará a revelar o contexto desta parábola, aparentemente tão enigmática, e ajudar-nos a, certamente, a compreender o seu desfecho. Antes, porém, de avançarmos para o nosso intervalo, eu quero falar-lhe de uma oferta muito especial que nós temos para si aqui no Fórum Bíblico. É o Guia de Estudo da Bíblia, intitulado Evidências. Ele é da autoria do Dr. Rodrigo Silva. E porque as perguntas, já percebeu, são a essência deste programa, escolhemos exatamente este manual em particular, o qual contém 14 lições, tendo cada uma delas uma pergunta como ponto de partida para um estudo orientado, que o levará certamente a obter respostas sólidas, baseadas, lá está, em evidências.
Este é o momento para pedir um exemplar para si, ele é totalmente gratuito, basta enviar-nos uma mensagem para o número 933 939291 a solicitar o Guia de Estudo e Evidências. Avançamos agora sim para um curto intervalo, fico por aí, e se ainda não tem o Guia de Evidências, aproveite estes breves instantes para o solicitar. Ficamos a guardar a sua mensagem e voltamos já de seguida. TV Novo Tempo, o canal da Bíblia. O canal da esperança. Estamos de volta para a segunda parte do Fórum Bíblico. Se só agora começou a acompanhar o programa de hoje, então saiba que estamos a responder a perguntas sobre a parábola do administrador infiel que nós encontramos no capítulo 16 do Evangelho de Lucas.
Uma das muitas parábolas contadas por Jesus, mas esta em particular é, para muitos estudiosos, uma das parábolas mais difíceis de interpretar. Para nós podermos compreender o seu verdadeiro significado, temos a ajuda preciosa do nosso convidado, Arturo Machado. Muito bem, Artur, na primeira parte nós já vimos que esta parábola salienta como o fracasso da administração daquele mordomo poderia comprometer a reputação do seu patrão e por isso ele o chamou e agora vamos continuar a aprofundar e a ver outros elementos e vamos já segunda pergunta e última do nosso programa. A primeira parte é o objetivo da pergunta central, como compreender as conclusões da parábola do administrador infiel que aparece no capítulo 16 do Evangelho de Lucas e, agora sim, que outros elementos são ilustrados por Jesus nesta parábola e que nos vão ajudar a perceber o seu desfecho e a sua conclusão.
Ficámos justamente no monólogo interior do administrador e este monólogo interior é importante, porque se ele, pela sua ação, contribuiu para uma má reputação do seu senhor, o tentar restabelecer, digamos as coisas, reparar as coisas, vai contribuir para que a reputação do seu senhor possa ser restabelecida. E assim garantir a continuidade do trabalho, não é? E garantir a sua continuidade. E, de qualquer das maneiras, ele percebe, ainda que o meu senhor me despeça, eu posso arranjar um futuro para mim. Ora, ele vai, então, remeter dívidas, vai fazer a remissão das dívidas, o perdão da dívida, nós hoje poderíamos dizer. É interessante perceber que naquela altura havia três formas pelas quais as dívidas podiam ser perdoadas.
Vamos à primeira forma. A primeira forma era aquilo que se chamava a remissão estatutária. O governo poderia declarar uma remissão estatutária de qualquer dívida, devido a uma calamidade, devido a qualquer coisa, devido à insolvência, o governo romano poderia declarar o perdão de uma dívida. A segunda hipótese era aquilo que se chamava a remissão obrigatória e a remissão obrigatória era garantida aos agricultores que tivessem tido perdas de colheita devido a causas naturais, uma praga, uma seca ou até mesmo uma intempérie que tivesse destruído a colheita e, portanto, ele não poderia dar ao seu senhor aquilo que era expectável porque a natureza tinha impedido.
E a terceira forma seria a remissão voluntária, em que o proprietário de livre vontade garantia uma redução da dívida. E esta dívida tinha montantes, engraçados, portanto 100 bates de azeite corresponde a 100 barris de azeite, ou seja, ao produto de 150 oliveiras. já é algo expressivo. Cada bato era 36 litros, portanto, estamos aqui a falar de 3.600 litros de azeite. E o azeite era um bem precioso naquela altura, não apenas para o consumo de alimentação, mas também para a iluminação das lamparinas de azeite. E, portanto, esta dívida era reduzida em 50%.
O que devia o trigo? Eram 100 coros de trigo. Como cada coro pesa mais ou menos 273 quilos, estamos a falar de 27 toneladas de trigo. É muito trigo, corresponde mais ou menos a 42 hectares de terra cultivável de trigo. E aqui a dívida é reduzida, portanto. Em Seria uma alegria do devedor, não é? Uma alegria para quem devia. Agora, o que é interessante é o seguinte, há muitos especialistas, e eu estou de acordo com eles, que concorrem para o facto de que esta exorbitância era do administrador, ou seja, ele pôs a sua comissão. Ao reduzir a dívida, eliminou a sua comissão.
O que ele disse, eu não vou ganhar nada com isto, vou remeter a dívida àquilo que ela era na sua origem, todos ficam contentes. Portanto, o patrão não estava abdicado. Ora, nem mais. O patrão parecia, com a dívida tal como ela estava, um injusto. Ao haver este perdão, para aquele que tinha o perdão, ele dizia, ah, agora sim, agora ele é uma pessoa misericordiosa, justa, compassiva e, portanto, a restauração da dignidade do patrão estava justamente aqui. E é por isso que nós vamos ver a conclusão a que Jesus chega. Portanto, deste ponto de vista, o Senhor não felicita o administrador por o ter defraudado porque não houve aqui um uma fraude financeira, a ele de receber o que lhe era devido, mas sim por ter abdicado do seu lucro exagerado.
É aqui que o administrador louva, perdão, o patrão louva o administrador injusto. Ah, finalmente tu compreendestes que tinhas levado a mais no teu… Gestão? Na tua gestão, ou seja, quisestes ter uma comissão superior àquela que seria injusta, aquela que seria normalmente estabelecida. E, portanto, ao agir desta maneira, ele estava justamente a dizer àquelas pessoas e dizer àquela sociedade que esta correção da dívida mostrava como aquele patrão era alguém razoável, alguém com quem se podia negociar, alguém que percebia, justamente, de gestão.
E, portanto, a parábola não está aqui a elogiar uma fraude, mas sim a forma como se pode colocar a reposição dos factos. O administrador sai a ganhar porque continua com os mesmos rendeiros, não precisa de os alterar por outros. Os rendeiros saem a ganhar porque, coitados, não tinham capacidade de saldar a dívida. E o administrador também pode sair a ganhar. porque pode manter o seu emprego ou, sendo à mesma despedida, pode, junto daqueles que ele beneficiou, também, ou de outras pessoas, vir a ser empregue como administrador. Agora, o que é que Jesus quis salientar com isto?
Quem era este administrador? Este administrador eram os escribas e os fariseus. eram aqueles que tinham gerido mal os bens espirituais que Deus tinha dado ao seu povo e ao mundo em geral. E Jesus tinha vindo a avisar para isso, cuidado que a vossa gestão danosa pode está a prejudicar o nome do Senhor, ou seja, está a prejudicar o nome de Deus. E, portanto, esta vossa majestão pode acontecer que Deus não vos queira mais como administradores, que Deus não queira mais que vocês o representem e, portanto, vocês estão em risco de perder a posição privilegiada de povo eleito.
Era este o ponto principal da parábola. Era justamente uma questão de confiança. A confiança que Deus tinha depositado no seu povo, e em particular nestes líderes religiosos, e que eles tinham defraudado por fazerem com as suas tradições religiosas, um exagero que levava a que as pessoas vissem a Deus não como alguém compassivo, misericordioso, perdoador, mas como alguém que era insensível às necessidades. Este é que é o ponto da parábola e, portanto, Jesus, ao contar esta parábola, quis avisar os seus contemporâneos e qualquer religioso de hoje, qualquer entidade religiosa de hoje, que nós temos que ser bons gestores dos bens espirituais que Deus nos deixou.
Tem uma aplicação também individual para aquilo de nós, de nós sermos fiéis com o pouco, generosos com o que temos e, acima de tudo, que possamos ser responsáveis com aquilo, com os bens que a Deus nos oferece. Ora, nem mais. Daí o Jesus dizer quem é fiel no pouco também é fiel no muito. Muito bem, o nosso tempo está a terminar. Foi assim que hoje conseguimos esclarecer as questões sobre esta parábola do administrador infiel. Uma parábola certamente desenfeadora no que diz respeito à sua compreensão, mas como viu, pelo esclarecimento que tivemos, nós conseguimos compreender o propósito de Jesus. Na realidade, Jesus também contou muitas outras parábolas com o propósito de ensinar muitas verdades espirituais e provocar, tal como nesta, a reflexão nos ouvintes e, se calhar, talvez se possa recordar, neste momento, de alguma outra parábola que tenha lido e que, porventura, lhe suscitou alguma dúvida que ainda não esclareceu.
Se for o caso, ou se vem à sua mente qualquer outra questão sobre algum tópico em específico da Bíblia, então, Não deixe de nos enviar, seja pelo e-mail para programas arroba novotempo.pt ou então por mensagem para o número 933-939291. Não deixe nenhuma dúvida sem resposta e envie a sua pergunta aqui para o Fórum Bieleco. Lembro novamente a oferta que temos para si, é o Guia de Estudo da Bíblia e Evidências, um manual gratuito, que pode também solicitar agora mesmo, enviando-nos uma mensagem para o mesmo número, 933-939291, e a nossa equipa enviará um exemplar para a morada que nos indicar. Chegamos assim ao fim de mais um Fórum Bíblico. Despeço-me de si que nos acompanhou atentamente desse lado e porque as perguntas que nós recebemos merecem uma resposta, estaremos de regresso já na próxima semana.
O encontro fica assim marcado. Até lá, leia a Bíblia, estude e descubra as verdades que ela revela e, claro, se surgirem dúvidas, partilhe connosco.
Este episódio mergulha numa das parábolas mais intrigantes e desafiadoras de Jesus, a do Administrador Infiel, que encontramos no capítulo 16 do Evangelho de Lucas. Como pode um mestre louvar a astúcia de um gestor que parece ter agido de forma desonesta? Esta questão tem perplexado leitores e teólogos ao longo dos séculos, levantando dúvidas sobre se Jesus estaria, de facto, a aprovar a fraude. Exploraremos a complexidade da parábola e o enigma do louvor do senhor a uma ação aparentemente desonesta, preparando-o para desvendar este mistério que, à primeira vista, parece contradizer os ensinamentos mais elementares sobre a ética e a justiça. Contudo, com a ajuda de um especialista, aprofundaremos o contexto socioeconómico e cultural da Palestina do século I para compreender a verdadeira mensagem. Descobrirá a importância da reputação e da confiança para senhores e administradores, e como a aparente 'fraude' do mordomo foi, na verdade, uma estratégia engenhosa para restaurar a dignidade do seu patrão ao remover uma comissão excessiva – uma remissão de dívidas com um propósito surpreendente. Este ensinamento intemporal não só nos ilumina sobre a boa gestão dos bens materiais, mas também, e mais crucialmente, sobre a responsabilidade na administração dos bens espirituais confiados por Deus, desafiando-nos a refletir sobre a aplicação da parábola para os líderes religiosos e para a vida individual hoje.