56:45É para mim um verdadeiro privilégio estar aqui na sua companhia, partilhando este momento de encontro e tendo a oportunidade de aprofundarmos juntos a compreensão da palavra de Deus. Todos nós já experimentámos a sensação de estar a trabalhar ao ar livre, em pleno mês de agosto, com o céu limpo e com imenso calor. O calor torna-se sufocante, quase insuportável. De repente, porém, surge uma pequena nuvem que se aproxima lentamente até se colocar diante do sol e por instantes a luz abranda, o calor desaparece e a sombra cobre-nos e temos uma agradável, mas passageira, sensação de frescura reconfortante.
Nesses momentos dou por mim, muitas vezes, a recordar o povo de Israel na sua longa travessia pelo deserto Sinai. Vamos ler sobre o assunto em Êxodo, capítulo 13 e verso 21. Êxodo 13, verso 21, que diz assim, E o Senhor ia diante deles, de dia, numa coluna de nuvem, para os guiar pelo caminho, e de noite, numa coluna de fogo, para os alumiar, para que caminhassem de dia e de noite. O texto fala-nos de uma nuvem, mas não é uma nuvem qualquer, que casualmente passava pelo céu, mas é uma nuvem que estava continuamente sobre todo o povo.
Não sei se você já se deitou no chão, de barriga para o ar, a olhar para as nuvens, a vê-las passar com as suas formas caprichosas, adivinhando aquilo que nos fazem lembrar. Já se pôs a imaginar qual seria o feitiço da nuvem que acompanhava os hebreus? A verdade é que não sabemos como era. Se era imensa, se era pequena, que contornos teria? Poderia ser um grande cúmulo, que é uma nuvem vertical e alta, que lembra os flocos de algodão amontoados no céu. ou podia ser uma nuvem de tipo stratus, estendendo-se horizontalmente como um vasto manto protetor que cobria todo o arraial.
Mas uma coisa é certa, tratava-se de uma nuvem especial, gerada por Deus, como um sinal visível da sua presença protetora e constante. De algum modo, faz-nos recordar a estrela de Belém, no nascimento de Jesus, que, na verdade, também não era bem uma estrela, mas um indicador celeste preparado por Deus para guiar-os procuravam o menino. As nuvens são formadas por milhares de pequeníssimas gotículas de água evaporada ou cristais de gelo em suspensão na atmosfera que circulam pela atmosfera ao sabor do vento. À medida que se agrupam, tornam-se mais densas e adquirem tonalidades mais escuras.
Em determinadas condições atmosféricas, sobretudo em contato com temperaturas mais baixas, podem dar origem às chuvas ou mesmo à queda de granizo e neve. As nuvens escuras escondem trevoadas, trazem tempestades e derramam chuva. Por isso, são frequentemente associadas a algo negativo. A presença de muitas nuvens negras ao nosso redor evoca quase sempre um presságio de perigo, dificuldade ou tristeza, exceto no verão ou no deserto. onde as nuvens são bem-vindas e aguardadas com ansiedade, como aconteceu nesta história do Êxodo, onde a nuvem tornou-se refúgio e salvação para aquele povo.
Façamos então uma reflexão sobre as vantagens de estar debaixo da nuvem de Deus.
Em primeiro lugar, debaixo da nuvem, obtemos proteção divina. Vamos ver no livro de números, não sei se sabia que no hebraico o livro de números se chamava Bamidbar, que significa no deserto. Nesse livro é retratada a história do povo hebreu peregrinando por terras caldantes e ermas rumo à terra prometida. Vamos ver no capítulo 9 e versos 15 e 16. Números, capítulo 9, versos 15 e 16. E no dia de levantar o tabernáculo, a nuvem cobriu o tabernáculo sobre a tenda do testemunho e à tarde estava sobre o tabernáculo como uma aparência de fogo até amanhã.
Assim era de contínuo, a nuvem o cobria, e de noite havia aparência de fogo. O texto afirma que esta nuvem criava uma proteção, oferecendo abrigo ao povo no deserto contra o sol abrasador do dia e contra o frio intenso da noite. Sem ela, jamais teriam conseguido aguentar os 40 anos de peregrinação pelo deserto. Uma região de invernos curtos e suaves, quase sempre sem chuva e marcada por um estio constante. Deus providenciou uma solução para o sufoco do calor, que foi uma nuvem permanente sobre o acampamento, permitindo que a multidão dos hebreus sobrevivesse às duras condições do deserto.
Contudo, não se limitava apenas a ser uma proteção contra o calor e o sol. Todos sabem que no deserto, À noite, as temperaturas invertem-se radicalmente. Dos 40 ou 50 graus diurnos, pode-se descer aos 0 graus de madrugada. Por isso, não foi apenas durante o dia que Deus protegeu o seu povo. Foi também à noite, substituindo a nuvem por uma coluna de fogo. Imaginem sobre as vossas cabeças uma imensa labareda que iluminava o acampamento israelita para que não estivesse às escuras e ainda aquecia o ambiente em redor das tendas para que as temperaturas noturnas não descessem tanto.
A proteção oferecida pela nuvem representava a providência diária de Deus para com o seu povo. Podemos mesmo afirmar que a nuvem era a sombra do próprio Deus, estendida sobre os seus filhos, guardando-os do sol abrasador, da escuridão da noite, do frio intenso, dos animais selvagens e de qualquer outro perigo. Como recorda o salmista, que tomou esta imagem da nuvem protetora no deserto e a aplicou no Salmo 121, Vamos ler o Salmo 121 e ver estas palavras do salmista, deliciosas, no versículo 5 e 6.
O Senhor é quem te guarda. O Senhor é a tua sombra à tua direita. O Sol não te molestará de dia, nem a lua de noite. Ou então o profeta Isaías, no capítulo 4, em que diz, e haverá um tabernáculo para sombra contra o calor de dia, e para refúgio e esconderijo contra a tempestade e contra a chuva. Em Êxodo 14, versículo 19 e 20 diz, E o anjo de Deus que ia adiante do exército de Israel se retirou e ia atrás deles. Também a coluna de nuvem se retirou de diante deles e se pôs atrás deles e ia entre o campo dos egípcios e o campo de Israel.
E a nuvem era a escuridade para aqueles e para estes esclarecia à noite, de maneira que em toda a noite não chegou um ao outro. Reparou no promenor? Esta nuvem era verdadeiramente a bolha de salvação deste povo. Veja, ela desempenhava duas funções em simultâneo. Lançava a escuridão sobre o acabamento dos egípcios, provavelmente sob a forma de um nevoeiro baixo e serrado, enquanto iluminava o caminho dos israelitas em fuga. Que manifestação extraordinária da presença de Deus. O mesmo Deus que os havia protegido na travessia do Mar Vermelho continuava agora a velar por eles, de dia e de noite, impedindo-os de desistir da longa jornada rumo à Terra Prometida.
1 Coríntios 10, verso 2 diz, e todos foram batizados em Moisés na nuvem e no mar. A travessia dos filhos de Israel era, na verdade, uma figura do batismo. Ao atravessarem o mar, estavam cercados pelas águas e sobre as suas cabeças pairava a nuvem como vapor de água. Foi como que um mergulho simbólico deixando para trás a vida de escravidão e pecado para nascer de novo por uma completa entrega a Deus. É neste sentido que Paulo afirma que o povo hebreu foi batizado.
Mas a nuvem não servia apenas como revestimento de proteção contra o calor do dia e contra o frio da noite.
Ela tinha uma outra função essencial. Debaixo da nuvem, o povo de Deus obtinha orientação. Nos versos 17 e 19 de números 9, vemos essa função da nuvem. Mas sempre que a nuvem se alçava sobre a tenda, os filhos de Israel após ela partiam. E no lugar onde a nuvem parava, ali os filhos de Israel assentavam o seu arraial. Segundo o dito do Senhor, os filhos de Israel partiam e, segundo o dito do Senhor, assentavam o arraial. Todos os dias em que a nuvem parava sob o tabernáculo, assentavam o arraial.
E quando a nuvem se detinha muitos dias sob o tabernáculo, então os filhos de Israel tinham cuidado da guarda do Senhor e não partiam. Tente imaginar uma multidão numerosa de homens, mulheres e crianças viajando através do deserto, onde não havia qualquer estrada, mas um imenso e indeterminável areal fatigante, sem pontos de referência na paisagem, sem guias locais, sem bússola, sem mapas ou GPS. Nenhum deles conhecia estes caminhos. Ali estavam milhares de seres humanos avançando sem qualquer conhecimento da rota que deviam tomar completamente dependentes de Deus, confiando inteiramente na direção.
Como é que eles se orientavam no deserto? Era precisamente através da nuvem de Deus. Por isso, precisavam estar constantemente olhando para o alto, atentos ao seu movimento, de tal modo que eles não podiam fazer planos para o dia seguinte. Enquanto caminhavam, não sabiam onde iriam acampar. E quando acampavam, desconheciam por quantos dias permaneceriam ali ou quando deveriam pôr-se de novo em marcha. Tinham de olhar para cima, em busca de orientação. Parecia que Deus, de forma prática, os estava a ensinar a deixar de olhar para baixo e a fixar-se no céu.
Eu consigo imaginar os mais preocupados e ansiosos, constantemente a levantar os olhos para o céu, atentos à movimentação da nuvem, esperando receber ordem para arrumar as coisas e partir, ou se permaneciam ali mais um dia. Israel dependia inteiramente das ordens da nuvem, permanecendo totalmente entregue à orientação da Divina. Assim como aquele povo mantinha os olhos fixos na nuvem, esperando o seu movimento para poderem prosseguir, nós também precisamos hoje de olhar para o alto, a fim de recebermos as orientações certas de Deus e discernir a direção a seguir. Estamos igualmente a percorrer a nossa própria jornada, atravessando um deserto.
Um deserto de incerteza quanto ao futuro. Um deserto moral. desconhecido, instável, imprevisível. Talvez você sinta que não há um caminho claro para onde avançar. Talvez se sinta até perdido. Na realidade, todos nós estaríamos perdidos, sem saber para onde ir. Se não fosse a sublima afirmação dita pelo próprio Jesus, eu sou o caminho, a verdade e a vida. E, mais uma vez, há um Salmo que nos alerta para esta necessidade. É o Salmo 32, versos 8.
Salmo 32, versos 8, que diz o seguinte. É exatamente isso que Deus deseja de nós. que sigamos a direção que Ele nos indica. Esta é a orientação mais segura e infalível que podemos obter diariamente. Não necessitamos de avançar por caminhos desconhecidos. E se a nuvem permanece imóvel, não nos precipitemos nem nos lancemos por trilhos incertos. Levantemos os olhos à uma nuvem no céu.
Deus está lá. Ele conhece perfeitamente o caminho. Basta seguir a nuvem, confiar e avançar passo a passo na direção que ele nos mostra. Mas há quem não queira seguir a nuvem. Na história do Êxodo, não temos propriamente o registro de alguém que se tenha recusado a arrumar as coisas, a desarmar a tenda e a seguir em direção da nuvem, como todas as outras tribos. Mas conhecemos outros casos na Bíblia que o fizeram. O mais famoso é o de Jonas. Ele não quis seguir a orientação de Deus. Enquanto a nuvem se movia para o Oriente rumo à Nineve, ele acreditava que o caminho certo era o oposto, em direção ao Ocidente, em direção a um porto do mar Mediterrâneo.
Tudo parecia favorável, parecia a direção certa, até que Jonas se encontrou no ventre de um grande peixe. Ali aprendeu amargamente o custo de seguir a sua própria vontade e ignorar a
orientação de Deus. Foi nas profundezas do oceano que recebeu instrução e retomou a diretriz divina. A terceira vantagem de estarmos sob a nuvem de Deus é que encontramos total descanso na sombra de Deus. O Salmo 91, que é o meu preferido, que o meu avô me lia quando eu era pequenino, diz no versículo 1 esta profunda afirmação. E no verso 4 diz...
Os versos 10 e 11 dizem ainda... Quando a nuvem se detinha, o povo acampava naquele lugar e ali encontrava um descanso, pois o Senhor velava por eles. Podiam ficar tranquilos, porque a nuvem de Deus estava sobre eles. e nada lhes faltaria, nem água, nem alimento, nem outros bens. Tudo era tratado pela providência de Deus. Nem mesmo as enfermidades ou os animais perigosos do deserto ousavam atacar o povo que estava sob a protecção da nuvem.
De facto, no livro de Deuteronómio, nós podemos ler, no capítulo 29, o que é dito sobre esta proteção da nuvem. No versículo 5 diz assim... Era como se a nuvem fosse uma enorme redoma de cristal envolvendo o povo e isolando-o de todos os perigos. Debaixo dela não tinham nada a temer, pois descansavam à sombra do omnipotente Deus.
E nós, andamos perturbados com algum problema? Que medos silenciosos escondem no mais profundo do nosso coração? Há sentimentos de culpa, de indignidade ou de amargura a corroer a nossa alma? Talvez haja alguém desse lado Neste exato momento, atravessar um deserto árido e abrasador, carregando um peso intenso e implacável. Quem está debaixo da nuvem não tem o que temer, pois descansa à sombra do omnipotente Deus. Ele trata de tudo quando depositamos nele a liderança do nosso caminho.
O Salmo 55, verso 22, expressa isso mesmo, dizendo, E o próprio Jesus estendeu o convite a todos os que se encontram desamparados e afastados da nuvem, dizendo em Mateus 11, verso 28, Mesmo nos momentos em que sentimos vontade de desistir, Deus nos oferece proteção, orientação e descanso. Andando debaixo da sua nuvem, podemos confiar na sua presença mesmo nas situações mais difíceis.
Deus é o mesmo de ontem, hoje e eternamente. Assim como esteve ao lado dos hebreus naquele momento, Ele continua a velar por nós hoje, em cada deserto pessoal. Ele está connosco nas noites mais escuras, quando a aflição e a decepção parecem envolver-nos por completo. E também está nos dias mais brilhantes, quando a alegria e o sucesso nos seguem com autoestima e confiança própria. Precisamos deles especialmente na escuridão, quando os problemas e os obstáculos nos confrontam com a nossa fragilidade. Mas talvez ainda mais nos dias de bonança, quando nos sentimos fortes e independentes e corremos o risco de abandonar a orientação divina.
O facto da nuvem ter permanecido com Israel durante toda a sua longa viagem, mesmo diante da frequente infidelidade e revolta do povo, é para o cristão um sinal de que Deus jamais abandonará, em nenhum momento, da sua própria caminhada. A promessa de Jesus a seus discípulos, em Mateus 28, é a de que, diz no verso 20, Essa promessa é de que ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado e eis que estou convosco, todos os dias, até a consumação dos séculos. E esta promessa nunca falhou a ninguém que esteja disposto a viver debaixo da nuvem.
Hoje a nuvem pode não ser visível. Mas a presença de Deus ainda se faz sentir na experiência de cada um. Sem essa proteção, ficaríamos à mercê do inimigo. Por isso, só temos vantagens em permanecer debaixo da nuvem de Deus. Ela é ampla, é abrangente, cobre toda a gente.
Ali encontramos proteção, obtemos orientação. e recebemos descanso para as nossas almas. Fiquem em paz e descanso, permanecendo sempre à sombra da nuvem de Deus. O povo de Israel no deserto estava, lançando acusações a Deus, até que Deus os deixou à merce do deserto.
Serpentes ardentes surgiram, aos milhares afligiam. E para quem era atingido, a morte era o final. Então o povo clamou a Deus por ajuda, símbolo Deus mandou fazer. À semelhança das serpentes destruidoras Uma serpente de bronze fundida No madeiro foi erguida À vista de toda a congregação Olhar e viver é a ordem do Senhor E todo que olhar salvo será Olhar e viver, a única solução É contemplar a salvação Pode o homem sentir o ardor do pecado?
Como um veneno quer mortar? A vida se encontra neste mundo Mas mesmo sem o merecermos Deus uma esperança deu-nos E pela história da Terra quis anunciar Que Jesus, Filho de Deus, deixou a sua glória E o plano da salvação o mostrou E em semelhança da carne do pecado se tornou Viveu os nossos sofrimentos E pendurado no madeiro foi Pela fé vejo Cristo pregado na cruz Olhar e viver é a ordem do Senhor E todo que olhar salvo será olhar e viver a única solução é contemplar a salvação que Deus
E assim como a serpente no deserto levantada foi Importa que o filho do homem Seja levantado também Para que todo que nele crer viva Olhar e viver é a ordem do Senhor E todo que olhar, salvo será Olhar e viver, a única solução É contemplar a salvação olhar.
Imagine-se numa jornada árida e desafiante, sob um sol escaldante de dia e um frio intenso de noite, sem um mapa ou um guia. Foi precisamente nesta situação que o povo de Israel se encontrou no deserto. Mas Deus, na sua infinita sabedoria e amor, providenciou uma solução extraordinária: uma nuvem misteriosa que não só os protegia dos extremos da natureza, mas também lhes mostrava o caminho. Este episódio explora o significado profundo desta "Nuvem de Deus", revelando lições intemporais sobre a presença divina nas nossas próprias travessias da vida.
Ao longo desta reflexão inspiradora, vamos descobrir as vantagens inestimáveis de viver sob a sombra desta nuvem divina, tal como os hebreus no deserto. Prepare-se para ser transportado para uma jornada de fé e descoberta, onde compreenderá a importância de manter os olhos fixos no Céu, tal como eles fizeram: