E quando a decisão é a separação
Ser FamíliaT1 · E20

E quando a decisão é a separação

15 de Setembro de 202525 min 50 s

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Sejam bem-vindos a mais um Ser Família. Cumprimento de uma forma muito particular todos aqueles que nos acompanham através da Novo Tempo, no canal 186 da Mel, mas também a todos aqueles que nos escutam através da Rádio RSS. A todos, bem-vindos. Tenho comigo mais uma vez o Daniel Bastos. Daniel, mais uma vez, bem-vindo. Obrigado. Daniel, no último programa nós falámos sobre a satisfação conjugal, nos programas anteriores vimos as necessidades da mulher, as necessidades do homem e como as conjugar, mas quando isso não acontece, quando essas necessidades não são satisfeitas, quando não são encontrados pontos em comum, a separação é o mais normal, eu diria, infelizmente, é o recorrente.

A insatisfação conjugal

Essa pode ser uma solução? É uma solução equacionária? Até aqui tivemos a falar de satisfação conjugal, e isto é certamente muito mais agradável, não é? Mas a insatisfação conjugal também existe, e por isso também é preciso que falemos dela, não é? E esta insatisfação manifesta-se em que cenários, por exemplo, Daniel? Olha, num cenário típico em que as duas pessoas estão a viver juntas, na mesma casa, mas a viver vidas completamente independentes. não reservaram uma parte das suas vidas para trocarem para partilha, para dialogarem, e então vivem em direções opostas.

Também um outro cenário existe quando estas partilhas estão lá, mas são muito agressivas, não é? Tornam-se as discussões, os conflitos, a falta de compreensão do lado do outro, as necessidades que não estão a ser supridas, que se tornam enqueixumes, Também existe este desgaste, esta insatisfação quando as coisas vão se perpetuando, ou seja, a insatisfação vai se perpetuando no tempo, não é? E, em alguns casos, esta degradação, ela não é apenas o resultado de um desgaste natural da vida, cheia de stress, mas também é resultado de alguns traumas, de alguns episódios mais fragmentadores, poderíamos dizer.

Por exemplo, quando a infidelidade conjugal teve lugar, ou então quando estamos na presença de comportamentos compulsivos, aditivos, por exemplo, o uso da pornografia ou de substâncias que alteram a personalidade ou o comportamento da pessoa. muitas vezes que depois estão na origem também de atos, mas não só, atos abusivos, violência. Todas essas situações colocadas por um dos cônjuges, ou poderá ser pelos dois, pode fazer com que a separação esteja em cima da mesa.

Ou seja, quando há perda de confiança, e quando no horizonte o que vem é a separação. Muitas vezes também a insatisfação é flagrante, é persistente, mas pelo menos uma das partes não tem a assertividade para confrontar, para querer melhor ou expressar o seu querer melhor. James Dobson, por exemplo, um antigo famoso conselheiro cristão familiar, terapeuta familiar, ele tem uma das suas obras com este título, o amor tem que ser firme.

Eu tenho, por exemplo, um outro livro que também foi best-seller no seu tempo, ele já está bem velhinho, que diz As Mulheres que Amam Demais. Basicamente, é este cenário em que a situação é péssima, o relacionamento é terrível, mas A parte que é vítima no meio de tudo isto, não é? Aceita, não tem coragem de procurar. Tolera acontecendo, não é? Tolera. E acaba por ir definhando aos poucos, não é? Portanto, a atitude ou o pensamento de um conselheiro como James Dobson é que nestes casos, a presença de abuso, de violência, de desrespeito ou de infidelidade, a melhor atitude a ter seria a de não aceitar este tipo de situação.

e, ao fazê-lo com alguma firmeza, as chances de que os problemas pudessem ser revertidos ou solucionados seria muito melhor. Portanto, é importante também discordar e resistir quando as coisas não estão bem. Até porque nós falámos em programas anteriores a importância que tem no relacionamento irmos ao encontro das necessidades do outro. Mas se isso for unilateral, se apenas um no relacionamento for ao encontro das necessidades do outro, pode fazer com que o outro se sinta confortável. Porque o outro sente as suas necessidades todas satisfeitas e nesse momento não sente necessidade de agir, não sente necessidade de mudar.

É preciso muitas vezes parar, dizer não, se também não estou disponível para ir ao encontro das suas necessidades, se não for recíproco. É preciso muitas vezes num relacionamento não dizer não ao relacionamento, mas dizer não ao perpetuar esse relacionamento, eu diria, desigual. Absolutamente. Desde o seu início, o casamento não foi feito para ser suportado, ainda que por uma das partes. O relacionamento conjugal foi feito para ser desfrutado de forma igual pelas partes, pelos dois cônjuges, não é?

Portanto, é muito importante que não necessariamente sempre uma separação, mas pelo menos uma inconformação quando as coisas não estão bem. É preciso trabalhar para que elas, se possível for, fiquem bem.

O impacto do divórcio

Então, o que fazer? Pode ser a separação realmente boa para todos? Esta questão de a solução ser uma boa solução, a separação, Às vezes ela é uma... É algo inevitável, mas uma boa solução nunca será, porque alguém sempre vai sofrer. Nem que sejam os filhos. Nem que sejam os filhos. E este é um tema muito sensível, eu sinto isto muito. Há uns anos atrás comprei este livro, que me foi vivamente recomendado. É um livro, é um estudo de 25 anos a acompanhar filhos de pais divorciados.

E porque muitas vezes diz, não, não, é melhor para as crianças. Pronto, há certas situações que devem ser confrontadas e corrigidas, se possível. Mas mesmo quando não é possível, o divórcio, a separação, é sempre uma tragédia. Eu poderia dizer que pode ser uma decisão aceitável, mas que seja uma boa solução, nunca é. E eu passo a citar, por exemplo, alguns testemunhos, porque este estudo é um estudo de 25 anos, é um estudo longitudinal, a acompanhar crianças e adolescentes que depois se tornam adultos, não é? E que vivem todas as etapas do seu desenvolvimento com pais divorciados.

reuni aqui umas duas ou três frases de jovens que foram objeto, que estiveram na base deste estudo. Por exemplo, na página 296, um jovem diz assim, no dia em que os meus pais se divorciaram, acabou a minha infância. Passei... Nós passamos a cuidar de nós próprios, basicamente. Ou seja, ele... Este jovem, aquela proteção que existia até ali, deixou de existir. Responsabilidades precoces foram-lhe atribuídas. Na página 297, por exemplo, é dito que existem efeitos de longo termo.

O impacto vai-se sentir em cada fase do desenvolvimento dos filhos, com o maior sofrimento na vida adulta pela falta de modelos, sem saber como fazer. No fundo, estes jovens têm um fantasma nas costas. E agora, quando vão entrar na vida adulta, quando vão entrar em relacionamentos sérios, sentem como se, à partida, estivessem quase destinados ao fracasso, porque vêm de uma relação falhada. Portanto, não é um peso ao qual nós possamos serem diferentes. Esta separação, os filhos de pais divorciados são, de forma estudada, mais agressivos, mais depressivos, têm mais dificuldade de aprender, têm mais dificuldades no seu relacionamento com os pares, têm duas a três vezes mais a necessidade de apoio psicológico, mais facilmente iniciam uma atividade sexual precoce, tem mais filhos fora do casamento, tem menos casamentos e tem mais divórcios.

Portanto, é um legado pesado. Quando não há outra alternativa, eu creio que a separação há que ser aceita, não é? Mas nunca de animo leve. Até porque quando essa separação dá origem a novos casamentos, aos novos relacionamentos, esses novos relacionamentos já têm uma carga, também eles em si mesmos, muito grande por causa desses divórcios anteriores. E já traz desafios acrescidos a um relacionamento que, por si só, já é muito complexo e desafiante. Exatamente. Temos casos de famílias que optam, eu diria, pelo divórcio, até porque já tentaram muitas coisas, foi um desgaste muito grande das diferentes tentativas e das várias tentativas para que o problema se resolvesse, e depois da separação.

acabam por se reencontrar novamente. E acabam muitos por se casar novamente. Com a mesma pessoa. E parece que os problemas ficam resolvidos. Nem sempre acontece, mas temos esses casos. Há esperança mesmo para um relacionamento que passe pelo divórcio? Como disseste, é verdade. Isto acontece. E o reatar deste casamento não é impossível, mas também não é algo que se faça assim. É preciso reflexão, é preciso preparação. Até porque não queremos que haja uma reconciliação para depois haver um novo divórcio. Um novo divórcio.

E mais uma rotura e mais uma ferida aberta. Muito bem. Vamos fazer um pequenino intervalo. São mesmo apenas alguns segundos. Voltamos já a seguir. E com uma oferta muito especial para si. TV Novo Tempo. O canal da família. O canal da esperança. Estamos de volta. Realmente foram breves segundos e lembro mais uma vez, assim é que é a oferta, que temos estado a fazer-lhe este guia de estudo Entre Família. Um guia de estudo fantástico, com muitas sugestões e, claro, também com alguns testes que pode fazer em família para aferir também como estão as suas áreas por exemplo, da comunicação, as áreas da satisfação a nível das diferentes necessidades, como está o seu relacionamento com os filhos.

Apresenta também algumas dicas fantásticas e bem práticas na área da educação. Enfim, um guia de estudo feito precisamente para ser uma ferramenta ideal para nos ajudar no contexto familiar, sempre, sempre também com muitos textos bíblicos para conhecer a vontade de Deus para si e para a sua família. e o melhor de tudo é totalmente gratuito, entre em contacto connosco para o 933 939291, mande-nos então uma mensagem para este número de telefone com as palavras ENTREFAMILIA para sabermos que é este guia de estudo a que se refere. Depois enviaremos este guia de estudo para si através do correio, como disse, totalmente gratuito. Daniel, Voltamos aqui ao nosso contexto.

Lembro, enfim, antes do intervalo, daríamos que falámos de quando já não há nada

Como recomeçar

a fazer, há um divórcio, há a possibilidade para, quem sabe, recomeçar. Mas a pergunta é, como recomeçar? Sobretudo quando se chegou a uma retura, eu diria, final, como é um divórcio. Como recomeçar? É sempre interessante ver um casal recomeçar, reconciliar-se, não é? Eu diria que é desejável. Do ponto de vista teórico, é excelente. Do ponto de vista prático, as coisas têm que ser vistas com algum cuidado. e trabalhadas. É desejável que aconteça, mas é bom estar ciente das dificuldades.

E talvez um dos passos que os especialistas na terapia familiar indicam é a vantagem da maturidade por uma experiência já vivida, uma experiência anterior, mas é importante refletir, que é uma coisa que nós não fazemos muito hoje, não é? Andamos a correr, a correr, a correr, e muitas vezes somos impulsivos, são as emoções que nos movem aqui e ali, choramos, rimos, mas é preciso refletir de uma forma profunda. O que é que esteve na base da separação do casal que agora se quer reconciliar? Então é preciso identificar, dizem especialistas, qual foi o problema.

E ter a certeza que esse problema é devidamente trabalhado, vai-se ao fundo a questão, assume-se o problema, conversa-se abertamente sobre o problema e E é isto que é, talvez, a primeira grande condição. Ou seja, não se pode começar uma nova história com a mesma pessoa sem ter ultrapassado a situação que levou à ruptura. Isto é que é, vamos dizer, o ponto fulcral desta questão que estamos aqui a dialogar. Depois existem várias coisas de caráter prático e Uma parte muito importante é as crianças no meio de tudo isto, não é?

É verdade que, sobretudo quando há crianças, quando há filhos, se é verdade que eles deveriam estar contentes que os seus pais estejam a reconciliar-se, também é verdade que, não tendo sido a ruptura, a partida, por causa deles ou eles estiveram envolvidos nesta questão. E agora é preciso ver a forma como o diálogo é feito, envolver estes jovens e, de acordo com a sua idade, com a sua capacidade de compreender as coisas, mas não passar por cima deles, porque muitas vezes eles podem também ter sido vítimas no meio desta situação, provavelmente foram, e talvez tenham os seus sentimentos, tenham as suas reservas, em alguns casos, e isto, se não for devidamente trabalhado e acompanhado, depois pode causar dificuldades acrescidas no reatar do relacionamento.

É porque feridas foram abertas e também tem que se certificar que essas feridas também estão fechadas também com os filhos, ou seja, os filhos são parte, agora, importante, precisamente, nessa área. Já não é um retomar só para um casal, agora é retomar para uma família. Há que conjugar todos os pontos. Até porque, muitas vezes, como tu dizias e bem, não é só que, na retura, os filhos sofreram, eu diria, uma segunda instância. Sofreram pelo sofrimento dos pais, mas muitas vezes são eles envolvidos também, muitas vezes sentem-se parte das discussões. por não haver apoio, enfim, por não estarem de acordo com a forma de educar os filhos, muitas vezes eles sentem-se como fonte do problema.

E eles têm que ser integrados também na solução do problema. Dependendo daquilo que esteve na origem da rotura, da separação, do divórcio, muitas vezes estamos a falar de coisas complexas e difíceis. E muitas vezes o acompanhamento de profissionais capacitados pode ser muito útil, não é? Pode ser muito útil ou mesmo necessário, eu diria, não é? Agora, quando se fala sobre a reconciliação existem alguns artigos e alguma

Passos para a reconciliação

coisa se escreveu sobre isto. Eu encontrei, por exemplo, um manual da reconciliação amorosa, como retomar a relação em dez passos. Ora bem, isto parece interessante, chamou-me a atenção. e talvez possa também ter algo de prático para ajudar quem nos esteja a ver, a ouvir e que esteja numa situação semelhante a considerar essa possibilidade. E se for para bem, então que o seja, não é? Mas o primeiro destes dez pontos que são é ter a certeza se ambos querem voltar.

É sempre uma relação Recíproca. Tem que haver, de facto, uma vontade de ambos. Perceber a motivação de ambos. Às vezes pode ser apenas uma questão de consciência culpada. A partida, um casamento, é sempre a expressão da vontade livre de cada pessoa, pois a reconciliação precisa ter essa característica também, não é? Depois, a segunda sugestão é preciso que haja uma comunicação muito honesta e aberta. Certamente que há muita coisa, muitas mágoas, há ressentimentos e, portanto, esta comunicação aberta, limpa, transparente, honesta é um outro aspecto vital.

Um terceiro ponto que é sugerido é aproveitar o tempo de separação para resolver problemas. Muitas vezes é o problema individual da pessoa, por exemplo, no caso de uma dependência. Isto tem todo o potencial para separar pessoas, para criar rupturas. Então, essa separação é o momento certo. para a pessoa fazer uma recuperação, uma desintoxicação, para aprender e adquirir ferramentas que possam consolidar, e claro que nós aqui não podemos deixar de mencionar, quanto Deus está sempre disponível para ajudar cada pessoa nos seus problemas individuais, não é?

Um quarto ponto, peça desculpas e perdoe. Falaremos sobre o perdão, é absolutamente importante aprender com o passado. a tal maturidade que a pessoa adquire depois de passar por experiências, e uma experiência, depois de uma reconciliação, pode ser muito melhor do que a anterior, por esta maturidade, por este conhecimento adquirido, não é? Estabelecer expectativas, novas expectativas, talvez mais adequadas àquilo que é a realidade, Um compromisso de passar tempo de qualidade um com o outro, que pode ter sido o que falhou no passado.

Ser paciente, a paciência é sempre muito importante. Se necessário, ajuda profissional, como nós mencionamos, e estar disposto a virar a página, a seguir em frente, a escrever um novo capítulo, um novo livro, uma nova etapa, deixar para trás aquilo que ficou e começar, de facto, uma nova etapa na vida. Muito bem, obrigado Daniel. Eu vou aproveitar a tua deixa de virar a página para lhe dizer e para lhe lembrar a oferta do Guia de Estudo que temos para si, Entre Família. Eu garanto que ao virar cada uma destas páginas vai ter a oportunidade de descobrir ferramentas, dicas, conselhos muito práticos para que tenha uma família, um lar pleno e segundo a vontade de Deus.

E é totalmente gratuito, é mesmo muito simples, basta enviar-me um SMS, uma mensagem com as palavras ENTREFAMILIA para o 933 939291. Vou repetir, 933 939291. Depois entraremos em contacto consigo para saber a melhor forma de lhe fazer chegar este guia de estudo, mesmo que seja pelo correio, chegará gratuitamente a sua casa. Quero dizer-lhe também que ao despedir-me, dizer-lhe que todos os programas estão disponíveis, todos os programas que já fizemos até agora estão disponíveis, quer em podcast em radoxcs.novotempo.pt, quer também no YouTube da Novo Tempo Portugal. Falamos de muitos assuntos, mas eu acredito que também todos estes programas são em si mesmos também um bom manual para si, para o ajudar no seu contexto familiar.

Também estamos disponíveis às suas sugestões. Quem sabe um problema que esteja a passar, quem sabe também um dos seus maiores desafios possa ser o tema de um próximo programa. Façam-nos chegar à sua sugestão através do mesmo número de telefone, o 933 93 92 91. Marcamos encontro no próximo programa. Foi um prazer estar na sua companhia. Até lá, se Deus quiser.

Sobre este episódio

Em "Ser Família", abordamos uma das fases mais delicadas e dolorosas da vida a dois: a insatisfação conjugal que pode levar à rutura. Exploramos os cenários em que as necessidades de um casal não são satisfeitas, quando a comunicação falha e os conflitos se tornam agressivos, levando a um desgaste contínuo. Analisamos como traumas, dependências e infidelidade podem ser catalisadores para a perda de confiança, e questionamos se a separação, muitas vezes vista como uma inevitabilidade, é realmente uma solução benéfica para todos, especialmente para os filhos, que carregam um legado pesado de dificuldades emocionais e relacionais.

Contudo, este episódio não se detém apenas nos desafios; oferece um vislumbre de esperança e um guia prático para a reconciliação e a reconstrução. Será que é possível virar a página após um divórcio? Descubra as condições essenciais e os passos fundamentais para recomeçar, transformando a experiência passada em maturidade e um novo futuro.

Tópicos abordados: * As causas e cenários da insatisfação e rutura conjugal. * O impacto profundo do divórcio nos filhos e nas suas futuras relações. * A diferença entre uma decisão "aceitável" e uma "boa solução" no divórcio. * Estratégias para a reconciliação: desde a reflexão profunda à comunicação honesta. * A importância do perdão, da paciência e da ajuda profissional. * Como criar um novo capítulo de vida a dois e em família, com novas expectativas e compromissos.

Série
Ser Família · 66 episódios
Temporada e episódio
Temporada 1 · Episódio 20
Estreou
15 de Setembro de 2025
Categoria
Família