Enxaqueca

Enxaqueca

10 de Setembro de 202526 min 42 s

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Estamos mais uma vez de volta para lhe trazer o médico de família. E quero relembrar sobretudo aqueles que nos escutam pela rádio, pelos 91.2, que agora também nos podem acompanhar através da MEU no canal 186. Para si que já nos vê na MEU, seja bem-vindo a mais um médico de família. Comigo tenho mais uma vez a Dra. Cláudia Neves. Dra. Cláudia, mais uma vez, bem-vinda. Mais uma vez, muito obrigada. É sempre bom estar aqui. É muito bom. Hoje trouxeste aqui para o nosso consultório na Novo Tempo falar de enxaquecas. Algo muito mais comum do que se pode pensar, não é? É verdade. Temos dados relativamente recentes, diz que é o transtorno neurológico, portanto que atinge o sistema nervoso central, mais frequente nas consultas da especialidade desta área, que é a Neurologia.

E segundo dados de 2020 da Sociedade Espanhola de Neurologia, A enxaqueca afeta aproximadamente 5 a 8% dos homens e 15 a 20% das mulheres. Por aqui já vemos que é uma patologia mais frequente nas senhoras e é se calhar realmente, como tu dizes, muito mais frequente do que as pessoas imaginam. É quase uma em cada cinco mulheres que têm enxaqueca. Estima-se que em Portugal, isto segundo o inquérito realizado pela Sociedade Portuguesa de Cefaleias em 2023, Existiam cerca de 2,1 milhões de doentes com enxaqueca, o que é considerável no nosso país pequenino. Talvez aqueles que nos estejam a ouvir tenham a dúvida o que é enxaqueca, quem não tem ou não conhece alguém que tenha enxaqueca.

Acho que é importante aqui nós esclarecermos dois conceitos, o que é cefaleia e o que é enxaqueca. Cefaleia é dor de cabeça. e dor de cabeça, ou se falei, existem vários tipos. Existe, por exemplo, a dor de cabeça ou cefaleia, que é primária. Ela em si já é a doença, onde se inclui enxaqueca. O problema está realmente na parte do sistema nervoso central. E existe a cefaleia, que é chamada secundária, ou seja, quando a pessoa tem dor de cabeça, mas está associada a outros problemas de saúde. É um sintoma associado. Um caso simples, todos aqueles que já tiveram gripe. Normalmente surges com dor de cabeça, febre, pingue no nariz, tose, dor de garganta, dores no corpo.

Deriva de outra doença, não é? Exatamente. Ou uma sinusite, ou alguém que está com uma crise hipertensiva em que a tensão arterial de repente ficou muito alta, tem dor de cabeça que até Nesses casos é mais típico a cefaleia occipital, que é na parte de trás da cabeça. Portanto, existe a cefaleia primária e secundária. Primária é quando é doença em si. Secundária é um sintoma de uma outra doença no sistema nervoso, que pode ser, por exemplo, um pequeno traumatismo craniano, ou noutro órgão, como por exemplo... uma pessoa que esteja com gripe ou uma pessoa que esteja com hipertensão. A enxaqueca é um tipo de cefaleia primária. Ela em si já é um transtorno, já é uma doença, e caracteriza-se por ser uma dor muito intensa, alternando com períodos em que não há dor, e que realmente se prolonga ao longo da vida da pessoa.

O que não quer dizer que não tenha desencadianos, certamente falaremos nisso mais à frente. Sim, sim, sim. Mas é uma dor em si mesma, não deriva de nada, não é? A doença em si já é a cefaleia e que é primária e é muito característica a surgir nas famílias. Existe uma tendência familiar, uma tendência genética. De um modo geral, ela inicia-se nos mais jovens, entre os 15 e 40 anos, mas pode aparecer ainda antes dos 15 anos, logo na infância. E é interessante que nós temos cada vez mais crianças com enxaqueca e que nós temos que realmente referenciar para a pediatria. Mesmo que ela não surja logo em pequeno, que surge já numa fase adulta, ela pode ter, na mesma, um surgimento de origem genética.

Não aparece, é uma fase madura da idade, não é? Isto em medicina eu costumo dizer, não há 0% nem 100%. Mais ou menos entre os 15 e os 40, mas pode surgir antes, pode surgir depois. Mesmo que o fator seja o genético. Exatamente. Aliás, nos mais jovens surgem igualmente rapazes e raparigas. Mas a partir da adolescência é muito mais frequente, duas, três vezes mais nos mulheres. Portanto, no género feminino. É interessante que a enxaqueca está muitas vezes associada à parte hormonal, sobretudo porque atinge mais as mulheres, e é muito frequente ela aparecer no início da menstruação das meninas, que nós chamamos menarca. Está muito associada ao início da menstruação, alterações hormonais. Assim como as crises são muito frequentes nos dias que antecedem ou nos dias durante a menstruação, ao longo do ciclo reprodutivo das mulheres.

E é interessante também, na gravidez, normalmente atenua-se. E na menopausa, portanto, quando a mulher deixa de ser reprodutivamente ativa, ela passa realmente, normalmente, não há 100% toda a gente, mas deixa de ter enxaqueca depois da menopausa. Ou pelo menos não ser tão frequente, não é? Pelo menos menos intensa e menos frequente. Portanto, por isso é que se associa muito a menopausa às alterações hormonais. Que tipo de enxaquecas existem? Porque eu sei que há vários tipos de enxaquecas.

Causas e tipos de enxaqueca

Aliás, antes dos tipos de enxaquecas, é importante perceber porque é que elas surgem. Ou seja, temos um fator que já partaste connosco, que é, portanto, a questão genética, que já mencionaste, mas o que é que pode desencadear o surgimento de enxaqueca para além desse fator? Temos, portanto, um fator realmente que é preponderante, que é a parte familiar. Depois, como eu já disse, É uma dor de cabeça como se fosse episódica, ou seja, surge de forma muito intensa, aguda, dura umas horas e passa. E existem, normalmente, o que nós chamamos de gatilhos, que são os fatores desencadeantes que podem variar e variam muito pessoa para pessoa. E há pessoas que podem ter vários gatilhos. É muito frequente, por exemplo, a omissão de refeições. Eu estar muito tempo sem comer, algum jejum, pode desencadear uma crise.

Em algumas pessoas, a ingestão de vinho tinto também é frequente. E existem estímulos externos. Barulho intenso, luzes brilhantes, determinados odores, cheiros, também podem desencadear uma crise. Alterações climáticas em termos de temperatura e de umidade, também podem desencadear. A falta de descanso, a privação do sono. Ao troca de sonos, por exemplo, quem faz rolomã, por exemplo, sofre bastante e tem chaquecas, não é? Também, também. porque acaba por não ter um ciclo circadiano certinho e acaba por sofrer de privação do sono. Fatores stressantes também podem desencadear e aqui se calhar é um dos fatores mais difíceis de controlarmos, de evitarmos.

Já falámos nos fatores hormonais, sobretudo a menstruação, e existem certos gatilhos alimentares, que são alguns alimentos que as pessoas já sabem que, em si, provocam uma crise enxaqueca. Pode ser o chocolate, já conheci pessoas que acontece, e pode ser, por exemplo, o queijo, são as que me lembro agora, que também é frequente. Muito bem. Então, agora, que tipo de enxaquecas existe? Eu sei que existem vários tipos. E já agora, explica-nos um conceito que é conhecido, conhecido o conceito, mas o significado e a diferença é pouco conhecido. A história de com áurea e sem áurea. É assim. A dúvida muitas vezes é, temos que caracterizar a enxaqueca. E porque é que surge enxaqueca?

Ou seja, já vimos que existem fatores encadeantes, mas o que é que acontece no nosso cérebro? Para tentarmos perceber, porque depois existem as com aura e sem aura. Pensa-se que há vários fatores. Tem a ver com estímulos químicos cerebrais, tem a ver com a dilatação das artérias. Quando nós temos vasodilatação a nível da nossa cabeça, aumenta a dor de cabeça. E pensa-se que tem a ver também com a excitação ou depressão de determinadas células dos neurónios. Portanto, são muitos fatores aqui que levam realmente a essa dor. Sabemos que as pessoas que sofrem de enxaqueca são mais sensíveis aos estimulantes, sejam elas internos ou externos. Seja, por exemplo, o barulho, a luz, são fatores externos.

Sejam internos, ansiedade, parto hormonal. Portanto, são pessoas mais sensoriais, mais sensíveis. Depois temos a sem-aura e com-aura. A mais comum é enxaqueca com aura. A dor de cabeça típica é metade da cabeça, as pessoas já sabem sempre que se é metade direita ou metade esquerda, é pulsátil, dura cerca de 4 a 72 horas, o que é muito tempo, é moderada a severa em termos de intensidade de dor e agrava-se normalmente com as próprias atividades, atividade física ou atividades do dia-a-dia. E está muitas vezes associada a náuseas e ou vómitos. E agora vou dizer aqui duas palavras um bocado estranhas e eu já explico.

Fotofobia e ou fonofobia. Fotofobia é quando a luz... Foto-fobia. Faz impressão. A própria luz incomoda. Fonofobia é quando o próprio ruído, o som, o barulho incomoda. Típico da enxaqueca sem aura. Já vou explicar mais em pormenor, na enxaqueca com aura, nós temos, que é muito menos frequente, 25% dos doentes têm este tipo de enxaqueca, ela apresenta alterações neurológicas focais transitórias, que habitualmente ou precedem ou acompanham a dor de cabeça, a cefaleia. e são coisas às vezes que as pessoas acham muito estranhas. Alterações visuais podem deixar de ver temporariamente dos dois ou de um olho, deixar de ouvir, ter formigueiros sensações estranhas numa parte do corpo, alterações da linguagem ou da fala, vemos que é algo mais abrangente, paralisias passageiras dos membros, habitualmente só de um dos lados do corpo, aparecimento de luzes cintilantes na nossa visão, pode ter alterações da marcha, vertigem, perda de campo visual, fraqueza focal e até alterações ao nível do seu estado de consciência.

Portanto, são sintomas que antecedem ou acompanham a enxaqueca. E isto na enxaqueca com aura. Felizmente, não é a mais frequente, não é? Em 25%. Muito bem. Então aproveito o dia já para lhe dizer que vamos fazer um pequenino intervalo, mas são mesmo alguns segundos. Não precisa sair de onde está e já a seguir tenho uma oferta para si. Até já. TV Novo Tempo. O canal da saúde. O canal da esperança. Como lhe disse foram apenas alguns segundos e a oferta que tenho para si provavelmente já nos ouviu em programas anteriores, se não, então aproveite porque é um guia de estudo fantástico e é uma revista, é verdade, mas é um guia de estudo porque tem também no final um questionário e são um conjunto de várias lições e à medida que vai fazendo Essas lições têm também a possibilidade de fazer uma autoavaliação e perceber como está a sua saúde, como está o seu estilo de vida.

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Sem aura, enxaqueca com aura. Isto porquê? Porque quem nos está a ver e a ouvir pode pensar. Ai, eu já tive dor de cabeça com estas características. Com algumas destas características, não quer dizer que tenha de ter todas. Mas existem critérios de diagnóstico que são apresentados. Eu vou dizer alguns. Isto é uma classificação internacional das cefaleias e é de 2018, é a que temos atualmente. A pessoa para ter uma enxaqueca sem aura com esse diagnóstico, claro, tem que ser um diagnóstico médico e tem que ter pelo menos 5 crises que satisfaçam alguns critérios para fazer este diagnóstico. Tem que ter episódios em que a cefaleia dura as tais 4 a 72 horas, seja não tratados ou tratados sem sucesso. A cefaleia apresenta pelo menos duas destas quatro características, que é a localização unilateral, ser só em metade da cabeça, ser pulsátil, intensidade moderada a severa e é agravada pela atividade física regular ou que leva à interrupção do tipo de atividade que a pessoa está a fazer, seja a caminhar, subir escadas, aspirar.

Outro aspecto importante é que, durante a cefaleia, faz-se acompanhar por pelo menos um dos sintomas, ou náuseas e vómitos, ou a fotofobia ou fonofobia. Portanto, quando faz impressão à luz, o barulho. tendo estes critérios nas cinco crises, está o diagnóstico de enxaqueca sem aura. Na enxaqueca com aura tem que ter pelo menos duas crises que satisfaçam os seguintes critérios. Ter as tais alterações neurológicas que são totalmente reversíveis, que são as visuais, que atinge normalmente só um dos olhos, alterações sensoriais formigueiros ou dormência de um lado da face ou das mãos, alterações da fala ou da linguagem, a pessoa tem dificuldades em falar, alterações motoras, paralisias passageiras dos membros, habitualmente um dos lados do corpo, alterações retinianas, que é da parte mesmo da visão, a diminuição da visão, aparecimento de luzes cintilantes e a cegueira temporária.

Temos de falar de dois dentre esses. Sim. Não, basta ter um ou mais destes. Ah, ok. Neste caso basta um. Tem que ser pelo menos duas crises. Um destes e ainda mais e ter pelo menos três das seguintes características. A disseminação do sintoma neurológico é gradual por um período de cinco minutos ou mais. Ou seja, a pessoa nota que está a ficar, por exemplo, com uma cegueira temporária e está a aumentar durante pelo menos cinco minutos. Tem que ter um destes que eu vou referir. Ocorrem dois ou mais sintomas de aura. Cada sintoma de aura tem uma duração dos tais 5 a 60 minutos. Pelo menos um dos sintomas da aura é unilateral.

e a aura é acompanhada ou ocorre nos 60 minutos antes da cefaleia ou durante a cefaleia. Portanto, são aqui vários critérios. Não se assustem se já tiveram algum tipo de dor de cabeça de cefaleia assim, porque isto tem que realmente incluir todos estes critérios. Agora, finalmente percebi o que é que significa com áurea e sem áurea, porque estes são os sintomas neumológicos da áurea. Portanto, quem tem, mesmo que sejam os vómitos, por aí fora, não são sintomas da áurea, portanto por isso se diz sem áurea. Enfim, eu estou a fazer um curso de medicina aqui contigo, sendo que no final não fico com o diploma, mas pelo menos que os nossos ouvintes possam ficar também com esse diploma de um estilo de vida saudável.

Diagnostico e tratamento

O tratamento, como é que é feito o tratamento? Porque eu sei que há dois tipos de tratamento, que é o tratamento para a enxaqueca em si ou também para evitar que ela surja, os tais desencadeantes. Exatamente. Portanto, no tratamento é importante realmente prevenir as crises e o que fazer durante as crises. Se me permite, se eu vou um bocadinho antes, como é que nós sabemos se uma pessoa tem enxaqueca? O diagnóstico. É estes critérios que eu disse? É preciso uma avaliação médica, não existem exames, que as pessoas gostam muito de fazer exames, eu percebo, porque ficam preocupadas e querem esclarecer situações. Alguns dos sintomas assustam. É verdade. Sobretudo para aquelas pessoas que lhes surge a enxaqueca pela primeira vez, uma enxaqueca com aura. Com esses sintomas assusta, a pessoa pode pensar que tem um problema mais grave neurológico.

E normalmente fazem-se exames para excluir outras patologias. Por isso é comum fazer-se ataque cranioencefálico, que é um ataque feito à cabeça ou à ressonância, para excluir outras patologias, mas tanto um exame como o outro são normais na pessoa que tem enxaqueca. O diagnóstico realmente é feito só pela clínica, por isso é que eu referi estes sinais e sintomas. É típico da enxaqueca. Não há nenhum teste que possa confirmar o diagnóstico. A chequeca não tem cura, como nós vimos, mas pode ser controlada, como estavas a dizer há pouco. Já vimos que a partir de uma certa idade, nas mulheres, que é o género onde é mais frequente, ela tende a atenuar ou a desaparecer. Mas é importante a pessoa conhecer, registar as características da sua enchequeca, ou seja, nós pedimos isto muito aos utentes com a enchequeca, sobretudo quando estão no início, na fase em que estamos a fazer o estudo da enchequeca.

Registar mesmo. Seja num telemóvel, seja em papel. O início da dor de cabeça. Quanto tempo durou a dor de cabeça? Como é que era a dor de cabeça? Em que lado da cabeça? Vai mais devagarinho, porque quem está do outro lado deste momento já está a tomar notas. Começam então a deparecer. Caracterizar a dor. Localização. O tempo que dura. Se tomou algum medicamento. Que medicamento tomou? Se aliviou ou não. Se teve náuseas ou vómitos. Se teve a tal fotofonofobia. se teve associado a algum alimento que se lembre, ou alguma situação de stress, se lembra do que é que fez anteriormente a começar a dor de cabeça, irregistrando tudo. Ter mesmo, nós chamamos, o diário da cefaleia. Isto é importante até nos outros tipos de cefaleia. Porquê? Porque ao fazer o diário, a pessoa vai conseguir, ao longo do tempo, identificar os tais gatilhos, os tais fatores desencadeantes das crises.

Claro que existem comportamentos que podemos ensinar as pessoas a ter para reduzir o número de crises ou a intensidade das crises. E existem medicamentos, existem as medidas gerais e existem tratamento sintomático para aliviar os sintomas que é necessário em todos os pacientes com enxaqueca. Existe tratamento preventivo necessário apenas em alguns tipos de pacientes. As medidas gerais. Claro, se existem fatores desencadeantes, os chamados gatilhos, é essencial evitar esses gatilhos. Se eu sei que determinado tipo de alimento, bebida ou circunstância me pode desencadear uma crise enxaqueca, eu devo evitar. Aqueles que são evitáveis.

Por exemplo, lembrando que a enxaqueca está muito associada à parte hormonal. No ciclo menstrual da mulher, no momento em que vem o período, não há volta a dar. Não é algo que ela possa evitar. Importante também o estilo de vida saudável. Já vimos que a privação do sono pode ser um fator desencadeante, então é importante as pessoas com enxaqueca terem um sono adequado, tanto em qualidade como em quantidade. Dormir no adulto às 7 a 9 horas e que seja um sono de qualidade que possamos acordar descansados e sentir que realmente descansamos bem. Alimentação equilibrada é importante. A prática de exercício físico também sabe que é importante. Isto nas medidas gerais. Tratamento sintomático é o tratamento para aliviar os sintomas.

Normalmente o que as pessoas, elas próprias já aprendem a lidar com as circunstâncias da sua dor e fazem isto e põe o lugar escuro e sossegado para evitar a luz e o barulho. Aplicar pressão ou frio no local onde tem a dor também ajuda. seja uma compressa molhada em água fria, seja um bocadinho de gelo ajuda no local. Portanto, enchequeca sobretudo sem aura típica e mais como é unilateral, nesse local, pôr qualquer coisa fria ou fazer pressão. Beber água e hidratação adequada também é importante para aliviar os sintomas. E dentro do tratamento para aliviar os sintomas existe tratamento não específico, específico ou adjuvante. Temos aqui ainda mais uma subdivisão. Claro que cada paciente é um paciente e deve ser individualizado e cada pessoa tem as suas circunstâncias.

O tratamento não específico inclui aqueles medicamentos anti-inflamatórios e analgésicos que todas as pessoas usam para controlar a dor. Eu não vou dizer marcas, pode ser paracetamol, iboprofeno, naproxeno, diclofenac. São medicamentos que habitualmente utilizamos em SOS para dor. que as pessoas também aprendem a utilizar no caso da enxaqueca. Mas já me fazeste esta pergunta porque a maior parte dos medicamentos que disseste são medicamentos normais, eu diria, que qualquer pessoa toma para qualquer tipo de dor. Mas sendo dor intensa, dor severa, normalmente para a enxaqueca as pessoas acabam por tomar uma medicação mais forte, não é? É uma medicação mais específica. Eu estava a falar, isto é a medicação não específica.

Ok, muito bem. Depois existe a medicação específica durante, no momento mais cedo possível. Quanto mais precoce demos a medicação específica, maior a probabilidade da crise não ser tão intensa e passar mais rapidamente. Pacientes que, claro, que tenham mais de 4 crises por mês, uma por semana, utilizam já os medicamentos justais específicos. Estás a falar já para enxaqueca. que são combinados com o programa, que há a mesma com os analgésicos. Esses tratamentos são normalmente, vamos dar um exemplo, a pessoa está com nóseis ou vómitos, utilizamos medicamentos específicos para isso também, para aliviar as nóseis e os vómitos. Que ajudem, portanto, os antieméticos e os procinéticos, que ajudam realmente os alimentos a descer a parte do aparelho digestivo.

Tratamento mais específico envolve o grande grupo dos tripetanos, que as pessoas já sabem, não vou dizer marcas, que as pessoas já têm em casa para o SOS, mal surge à crise, tomam. Portanto, além desse tratamento específico, associa-se o tratamento inespecífico, que são os analgésicos anti-inflamatórios, e os tratamentos adjuvantes, que são, se têm náuseas, vómitos, vamos tratar, está bem? Por exemplo. Importante, Muito importante sensibilizar os nossos utentes que algum tipo de medicação específica para a crise da enxaqueca cria dependência e tolerância. Ou seja, se as pessoas tiverem muitas crises e tiverem sempre a tomar o SOS, a própria depois, a privação desse medicamento já vai gerar uma dor de cabeça, uma cefaleia. Então, o que é que é importante nós dizemos às pessoas?

Se tem muitas crises, deve consultar o seu médico, médico de família ou neurologista, porque existe medicação para pessoas que têm tantas crises. Logo, mostra que a medicação é muito pessoal e individual. Ou seja, mesmo que eu tenha uma medicação lá em casa, que até a mim me faz efeito, essa medicação não vai servir para outra pessoa. Tem que ir ao médico de família e pessoalmente, individualmente, perceber o que é que se pode fazer com aquela pessoa. Exatamente. Existem tratamentos, felizmente nesta área, recentes, específicos para pessoas que têm mais de 4 crises por mês. Existe um medicamento que é oral e incomprimido que a pessoa toma diariamente. Sempre. E diminui radicalmente o número das crises de enxaqueca.

Ou seja, durante a crise nós temos o tratamento da dor e dos sintomas associados, o tratamento específico, inespecífico e o tratamento adjuvante, para as náuseas e os vómitos. Quem tem mais de quatro crises por mês e tem que fazer um outro tratamento prolongado, existem vários tipos de medicamentos que ajudam, não só específico para prevenir as crises, mas outro tipo de grupos de medicamentos com beta-bloquentes antidepressivos, que ajudam a controlar e a ter menos crises de enxaqueca. Muito bem. Obrigado Cláudia mais uma vez.

Encerramento

Para si que me está a ouvir, quero apenas antes de terminar lembrar que temos uma oferta para si e a oferta que temos para si é o Guia de Estudo A Máquina Humana. Vimos no programa de hoje como é importante um estilo de vida saudável e também para o problema das enxaquecas. Aqui tem um conjunto de dicas e conselhos até para ajudar a alterar os seus maus hábitos de saúde para que aos poucos possa ganhar um estilo de vida saudável e que vai prevenir as enxaquecas e não só. Falámos também de muitos termos técnicos dizer-lhe que... porque me esquece de dizer, tenho de lhe dizer o contato telefónico, como deve fazer para receber este guia de estudo. E o que tenho de fazer é enviar-lhes uma mensagem. É tão simples como um SMS para o 933 93 92 91.

933 939291. Na mensagem basta escrever máquina humana que é para sabermos que é este o guia de estudo que temos para lhe oferecer. Estava-me a apressar porque queria muito antes de terminar dizer-lhe, falámos de muitos termos técnicos, é muita informação num pequeno espaço de tempo e quero dizer-lhe então que se não teve a oportunidade de tomar nota até de todos os conselhos que lhe fomos dando ao longo do programa, ele vai estar disponível quer em podcast na Rádio RCS, em radiorcs.novotempo.pt, mas também no YouTube da Novo Tempo Portugal. Basta procurar por Médico Família, voltar a ver, e se não teve a oportunidade, então, tomar nota de todos os conselhos e de todas as informações que a Dra. Caláudia lhe trouxe no programa de hoje.

Mais uma vez quero agradecer por ter estado desse lado. Marcamos encontro no próximo Médico Família. Até lá, se Deus quiser.

Sobre este episódio

Dores de cabeça são uma realidade para muitos, mas sabia que nem todas as cefaleias são iguais? Este episódio mergulha no universo das enxaquecas, uma condição muito mais comum do que se imagina, afetando milhões de portugueses e com uma prevalência notável, especialmente entre as mulheres. Desvendamos o que realmente distingue uma enxaqueca de uma dor de cabeça comum e porque é crucial compreender a sua natureza primária, muitas vezes com raízes genéticas, que pode manifestar-se desde a infância e ser influenciada por fatores hormonais.

Prepare-se para descobrir os inúmeros fatores que podem desencadear estas crises intensas – desde hábitos alimentares e stress até alterações hormonais e estímulos externos surpreendentes. Exploramos os diferentes tipos de enxaqueca, com e sem aura, e como os seus sintomas podem manifestar-se de formas inesperadas, incluindo perturbações visuais e sensoriais. O que fazer quando uma crise surge? Qual a importância de um 'diário da cefaleia'? E quais as abordagens terapêuticas disponíveis, desde medidas gerais e tratamento sintomático até estratégias preventivas personalizadas? Este é um guia essencial para quem procura aliviar o sofrimento e melhorar a qualidade de vida, sublinhando a importância de uma abordagem individualizada com o apoio de profissionais de saúde.

Série
Médico de Família · 71 episódios
Temporada e episódio
Temporada 1 · Episódio 19
Estreou
10 de Setembro de 2025
Categoria
Saúde