Hoje recebemos Olhos nos Olhos uma convidada muito especial. Nascida em Belém do Pará, filha de missionários adventistas, Lênia Cristina Burlandi Soares cresceu em diversas regiões do país, acompanhando os pais no serviço à Igreja. É biomédica, doutorada em Ciências Médicas Pony Camp, professora universitária, investigadora, esposa do músico e mestre Nino Soares, mãe da Laura e do Lucas, e atualmente coordena o Programa de Pós-Graduação e Liderança do Unaspo Instituto Adventista de Ensino de São Paulo, em parceria com a Universidade de Andrews, no Michigan, nos Estados Unidos. Com uma vida marcada pela dedicação à ciência, à educação, à música e ao serviço na igreja, Lani é uma mulher que une a fé com a ciência.
E vamos conhecê-la de perto, olhos nos olhos.
Olá, Lani. Muito obrigado por ter aceito o nosso convite, por ter aceitado o nosso convite para estar aqui neste programa, onde procuramos um pouco conhecer a pessoa por trás também do trabalho que tem vindo a exercer. A primeira pergunta que eu faço a todos os convidados é sempre a mesma. Considera que a sua vida, a vida que teve e que ainda tem, naturalmente, é uma vida que pode inspirar quem nos vê. Parece um pouco presunçoso dizer isso, não é? Mas acho que como professora, em primeira instância, a gente exerce um ministério de influência. Então, como mãe, como esposa. Então, são todas atribuições de uma mulher, que eu acho que exercem esse papel de influenciar outras pessoas de alguma maneira, ensinar, educar.
Eu acho que sim. A forma, falou muitas vezes na palavra influenciar e é curioso porque hoje em dia a palavra influenciar ou influencer do inglês tem uma conotação se calhar muito diferente daquela que tinha até há bem poucos anos atrás. Considera que influenciar alguém é possível através, lá está, da formação que é dada, do exemplo que é dado. Com certeza. As escolas. Talvez numa conotação diferente daquilo que a gente tem visto hoje, mas é uma influência. Então, eu tenho, dentro do contexto da minha formação, eu sou biomédica, eu tenho dado muita orientação sobre saúde. E pelos feedbacks que eu recebo, eu percebo que há uma influência, há uma forma de inspirar as pessoas a refletirem da importância do contexto da saúde dentro da espiritualidade, do contexto que a gente vive hoje, Então, sim.
Eu acho que é uma influência um pouco diferente dos influencers. Se calhar mais estruturada, mais consistente. Mais inspiracional, tem mais fundamento bíblico e teórico. Então, eu acho que é mais nesse sentido. Mas vamos então começar pelo início. Tem algumas fotos, Lani. Já começamos.
Lani já começa a ficar assustada. Algumas fotos que é possível ver ali nos nossos monitores. um bocadinho com a história da Lani. Eu podia que a nossa produção colocasse a primeira dessas fotos, que no fundo transmitia um bocadinho o historial da Lani. Esta foto aqui consegue explicar-nos quem é, onde é que é? Onde é, não sei, mas é o Lineu e eu, a gente estava namorando, eu acho. É, deve ser... Já foi há alguns anos. É, já faz alguns anos. A gente começou... A gente se casou em 1990, né? Nós nos conhecemos no Iaê, antigo Iaê. Hoje o Nath fica em São Paulo. E...
Interessante, né? O pai dele, o meu pai, eram pastores no Rio de Janeiro na mesma época, porque eu nasci em Belém. E, com um ano, eu fui para o Rio. Meu pai é carioca, a família é toda do Rio. A gente veio para o Rio, meu pai trabalhou lá. E o pai do Lineu também trabalhava lá, cantando na voz da profecia. No caso, no Heraldes do Rei. No Heraldes do Rei. Então, as famílias se conheciam. Mas nós dois fomos nos conhecer fazendo música no conservatório, lá no Campo São Paulo. Com que idade? Eu cheguei no Campo São Paulo com 12 anos, mas o Lineu chegou eu fazia o ensino médio e ele começou teologia, depois ele fez teologia até o terceiro e foi fazer música.
Aí nesse contexto do ensino médio, meu ensino médio tinha uns 15 anos, a gente começou a fazer conservatório junto, as aulas na mesma classe. O Williams era o nosso professor e ali a gente cantava em coral e eu tocava na orquestra, depois ele regia a orquestra, eu tocava a flauta e as coisas começaram uma grande amizade e. Depois virou uma relação... Então, na verdade, os vossos pais já se conheciam antes de vocês nascerem? Conheciam. Mas enquanto criança nunca conviveram? Quando criança nós nos encontramos... Tem um momento que a gente tem certeza que a gente se encontrou, fora as grandes reuniões da igreja no Rio, foi no casamento da minha tia Juscelina, irmã mais nova do meu pai, casou no Rio e o quarteto cantou.
Mas não tem nenhuma foto rosa. Não, acho que não tem nenhuma foto. Temos, temos, vamos porque não temos. No casamento. Temos mais fotos, esta aqui. Essa daí acho que foi em Itaipava. Era um acampamento que a gente passava como família e o Lineu começou a ir com a gente e com a família. A família da minha mãe é muito grande e a gente se reúne muito o tempo inteiro. Inclusive agora, todo sábado, a gente está junto. Essa foto é de um desses acampamentos. Temos ainda uma outra... Temos mais fotos ainda. Esta aqui. Essa daí eu acho que é no meu noivado. Lá em casa, em São Paulo, meus pais e os pais dele. Ou seja, talvez 89, 88. É, 89. Acho que foi 89. Mais uma foto.
Esta é com a Pegana, não dá para enganar. Acho que ainda temos mais duas. No Campo São Paulo também. Então, o Lucas e a Laura. Que são os vossos dois filhos. O Lucas que nasceu em que ano? O Lucas é de 95 e a Laura é de 2000. Aqui é recém, assim, há dois anos atrás, é no casamento do meu sobrinho, do irmão da minha irmã, do filho da minha irmã, no casamento dele, essa foto. Ou seja, já conhecemos um pouco da família, o bem mais precioso que a Lani tem aqui nesta terra, mas a sua infância, como é que a infância que teve filha de pais missionários, de pastor, como é que essa infância para uma filha de pastor
acabou por influenciar a sua vida? O meu pai, carioca, tinha muita vontade de ser missionário. Então, quando ele terminou teologia, ele terminou teologia num contexto diferente da época. Naquela época, as pessoas faziam teologia mais velhas. É o caso do pai do Lineu, por exemplo. O pai dele fez teologia e o Lineu já tinha três anos. Era uma vocação tardia. É. Mas o meu pai não. Ele terminou ensino médico com 17 anos, foi fazer teologia. E namorava minha mãe, conheceu minha mãe no Campo São Paulo, só que ele queria uma experiência de missionário. Então ele pediu pra ir pra Belém. Aí foi pra Belém solteiro, trabalhou lá por três anos e daí casou.
Minha mãe foi um pouquinho antes, com a minha tia. Minha avó falou assim, então vão as duas irmãs. E aí, minha mãe trabalhou lá no Bissau Belém, trabalhou em escola também. Daí, meu irmão mais velho, meu irmão nasceu um pouco antes, um ano e pouco antes que eu. Nós dois nascemos em Belém. São só dois irmãos? Somos quatro. Nós dois nascemos em Belém e os outros dois nasceram no Rio. Aí, nós viemos para o Rio. Meu pai trabalhou no Rio por seis anos como pastor da Igreja de Madureira, depois da Igreja Central do Rio. Eu tenho muito boas lembranças de... o meu pai teve uma decisão na vida. Ele não aceitou ser nenhum administrador da igreja até que a gente tivesse uma determinada idade.
Então, nós vivemos seis anos no Rio, cinco anos em Brasília, com ele distrital. Aí, com ele distrital, era aquela coisa de envolvido em tudo, né, na igreja. Estávamos em todos os cultos, todos os... MV na época, né, o JA... A Juventude Osventista atualmente. Desbravador... Começou aventureiro naquela época no Brasil, então eu nunca fui aventureira. Já entrei no Desbravador até um pouco antes, porque eu não tinha aventureiro, mas meus irmãos mais novos já foram aventureiros. O aventureiro, só para explicar para o nosso público, é, dentro de um escutismo adventista, podemos chamar assim para simplificar, serão aqueles mais novinhos, a partir dos 6 anos. Isso, 10 anos você já é aventureiro.
Então eu acho que já é desbravador. Então eu fui desbravador um pouquinho antes, amava os acampamentos, o meu pai era muito presente nos acampamentos. A minha mãe cuidava das escolas sabatinas, então a gente tinha que se envolver, tinha que passar carta missionária, tinha que cantar, tinha que... Então, assim, a gente sempre teve uma... Éramos crianças muito ativas, danadas, mas, assim, criadas no contexto da igreja. Em Brasília, tinha uma família muito amiga, que era a família do Dr. Clayton Rossi. Ele tinha uma chácara e ele reunia todo domingo a igreja lá, muita gente da igreja. Então, a igreja de Brasília era uma igreja que me marcou, porque eu já era...
eu fui pra lá com sete anos, me lembro mais do que no Rio, embora eu me lembre da igreja central do Rio, eu também me lembro bem. Então, assim, eu não posso reclamar como filha de pastor nem nada. Mas faz diferença viver assim numa comunidade tão grande, porque no fundo é uma família estendida a 100, 200 pessoas ou mais, não é? Faz diferença. A gente aonde vai encontra a gente amiga? E a gente considera amigo para sempre, porque cria aqueles laços. É muito tempo junto, na igreja, nos acampamentos, nas confraternizações. Então, cria um vínculo muito legal. Quem cresce sem isso? E a maior parte das pessoas atualmente cresce sem esse senso de comunidade, mesmo no Brasil. Aqui em Portugal é mais óbvio, até se quiser aqui na Europa, mas no Brasil também acontece.
O que é que perde quem cresce sem esse de senso comunidade? Vou-te dar um exemplo. Quando eu fui para a universidade e para o... A gente tem muita facilidade de apresentar trabalho, a gente tem facilidade de se expressar, né? Então, lá em Brasília, na minha época, tinha... Eles faziam umas peças e tinham umas falas gigantes. Ah, tinha fala grande, de menina, dava para a Lani. Então, eu falava aquele monte de coisa e decorava com facilidade. Então, A gente tem essa comunicação mais natural. Isso é uma das coisas. E eu acho que essa questão de convívio em grupo, a gente tá sempre tendo que lidar com isso.
Essa vivência traz esse lado social muito presente.
E o nível de princípios? Que princípios, olhando agora para trás e ver a educação que teve, que princípios principais é que os pais tentaram transmitir? O meu pai é filho de belga e uma família muito tradicional. Então, assim, na mesa não tem conversa ruim, você senta para comer, não tem conversa ruim. A mesa... Coisa ruim em que sentido? É assim... Discussão? Coisas negativas. Vamos falar de coisa boa. Ok. Ninguém pode criticar nada. Não, isso aí não. Eu nunca vi meus pais falando mal dos outros na frente da gente. Nunca. Princípios básicos como verdade, ética, muito, muito forte. Então, isso eu trago muito pra minha vida.
Eu não... Assim, meu pai, eu me lembro uma vez que minha mãe falou assim, Tá vendo essas moedinhas aqui na cabeceira do meu pai? Meu pai tinha uma, do lado da cama, uma cômodazinha, não sei como chama aqui. Uma cômodazinha. E meu pai chegava e esvaziava os bolsos, né? E minha mãe virou e falou assim, tá vendo? O que que é isso aqui? Falei, é do papai. Tá bom. Vocês podem pegar? Não. Se vocês quiserem, vocês têm que pedir para quem é. Então, nas pequenas coisas, a gente foi ensinado assim. O meu pai... quando tinha que fazer quilometragem como pastor, ele entrava no carro, abria o porta-luvas, pegava uma caderneta, agora eu estou indo na padaria, então ele descontava a quilometragem do carro.
Era nesse nível de controle, então era tudo muito ético, muito cheio de, assim, princípios, entendeu? Não admitia mentira, não admitia. Agora, a gente era muito, nós quatro, Imagina, quatro crianças, nascidas uma pertinho da outra casa. Era um. Era alegre. Era muito movimento e muita bagunça mesmo. E que brincadeiras é que vocês faziam nesta altura? Estão a falar dos anos 80, 70, por aí? É, no final dos anos 70 e 80, né? Ah, era de tudo. Era brincar de esconde-esconde dentro de casa, montava barraca dentro de casa. A cama do meu pai, dos meus pais no chão, quantas vezes que a gente pulava na cama.
A cama não era essa que a gente tem hoje, cama boxe, né? Então, o estrado quebrava, porque a gente pulava. Guerra de travesseiro. Então, meus pais saíam muito com a gente pra jardins, pra praia. Rio de Janeiro, a gente ia pra praia. toda a semana. Era muito diferente o Brasil na altura porque nasceu em Belém, viveu no Rio, Brasília, São Paulo nos anos 70, 80 e sobretudo Rio de Janeiro, não é? Era muito diferente daquilo que é hoje? Era muito diferente, sim. O Rio de Janeiro Por exemplo, hoje aquela área, a praia que a gente frequentava, é onde ali é recreio dos Bandeirantes. Na época era deserto. Então, você vai no rio, a barra é uma zona muito bonita, bem estruturada.
Ali era muito deserto. Então, a gente ia à praia, meu pai já ia para uma praia especial para criança, para ficar mais à vontade. Bem diferente. Não tinha esses riscos que a gente tem hoje, né? Maiores. A gente podia andar mais tranquilo, né? E Brasília era um pouco depois do início de Brasília. Então, Brasília sempre foi muito, muito tranquilo. E São Paulo, a gente morava ali em volta do Campo São Paulo, que é o IAE, tinha o Superbom ali, tinha... Ainda não tinha desapropriado a fazenda, porque, para quem não sabe, o Campo São Paulo é uma fazenda enorme, em algum momento o governo achou que não dava mais para ser uma fazenda, daí desapropriou.
Só que foi uma desapropriação muito positiva em termos financeiros, comprou-se a fazenda, que hoje é onde a gente mora, que é no campus do interior, que é o Engenheiro Coelho, que é o campus mais novo do NASP. E como é que começa a nascer o gosto pelo estudo, no caso pelas ciências exatas?
Era boa aluna quando era criança e gostava muito de estudar? Eu sempre tive boas notas. Eu não sei se eu estudava muito, mas eu sempre tive boas notas. Tinha facilidade de aprender? É. Eu acho que estudava o suficiente, ajudava muito. Eu lembro de dar aula, ajudar, tirar dúvida. Era aquela aluna certinha, não é? É, facilidade. Mais ou menos certinha, porque eu era muito faladeira. Mas no Brasil isso tem um nome, não é? Como é que se chama aquele aluno muito certinho? Ned. Eles usam uma coisa meio... Ah, ok. Não podemos dizer exatamente. É uma sigla, não é? É uma sigla meio exagerativa, mas assim... Eu sentava sempre na frente, mas a minha mãe, em Brasília, era a minha diretora.
E eu, uma vez, me lembro que fui para a diretoria. Me esconderam de trás da porta para a minha mãe nem me ver, porque era só conversa o assunto, né? Até que no ensino médio, um professor, inclusive em Brasília também falaram isso pra mim, falou, Lani, a questão é a seguinte, você conversa, mas você garante essas notas. Só que os seus colegas estão sendo prejudicados. Aí eu parei pra pensar um pouquinho mais no que eu tava fazendo. Mas a sua mãe era professora? Minha mãe era diretora. Na época, minha mãe era diretora da escola. Nunca foi sua professora? Foi minha professora. Minha mãe foi a minha primeira professora. Ela me alfabetizou no Rio. No Rio, na época que eu fui alfabetizada, o Jardim já ensinava uma cartilha chamada Caminho Suave.
A gente ensinava a gente a ler. São Paulo não era assim. Aí, quando eu fui para São Paulo, depois já era diferente. E Brasília seguia São Paulo. Então... Mas deu certo. A gente chegou em Brasília, eu fui fazer a segundo ano. Eu já estava um pouquinho mais adiantada, vou dizer assim, né? E quando era criança, quais as matérias que mais gostava? Eu tenho um probleminha, porque eu gosto de várias, né? Eu gosto de história, eu gosto de geografia, eu amo as ciências, né? Biológicas. Eu tenho facilidade com matemática. As que eu menos gosto são portugueses, por exemplo. Eu não sou muito fã de português. Aliás, eu gosto do português, aquela coisa de análise sintática, ficar discutindo.
Isso aí pra mim era o mais chato. A análise dos poemas... A literatura eu sempre gostei, porque é história. Literatura não tem problema, mas aquela coisa da estrutura gramatical era o mais fácil para mim. Eu daqui a pouco quero conhecer depois como é que a Eleni chega na questão das ciências biomédicas e como é que nasce essa paixão. Para já vamos para um curto intervalo no Olhos nos Olhos e voltamos já a seguir. TV Novo Tempo, o canal da família. O canal da esperança. Segunda parte do programa Olhos nos Olhos, com a nossa convidada, Lani Soares, ela que é professora e investigadora, sobretudo na área das Ciências Biomédicas,
e não só. Vamos conhecer melhor agora esta vertente mais académica, Lani. Já sabemos que era muito boa aluna, que apesar de falar muito, tinha muito proveito, enfim, tinha boas notas. Aqui a minha questão é, como é que acaba por escolher esta questão da biomedicina? Em primeiro lugar, o que é a biomedicina, se nos pudesse explicar? Eu sempre explico assim, a formação inicial da biomedicina é como se fosse um médico. Só que depois o médico vai para a área clínica e a gente vai mais para a parte laboratorial e das avaliações, patologia, por exemplo, biópsia, imagem, laboratório. Então, a gente tem aquela formação básica comum, mas depois a gente não vai para a clínica Ou seja, não tem.
Contato com os doentes, tem contato com os médicos para os médicos depois terem contato com eles. A gente tem contato com as avaliações, tipo o material biológico deles, as imagens, as biópsias que a gente pode fazer. E o porquê do fascínio por esta área? Eu gosto muito da área médica, só que eu não gosto de lidar com a doença no dia a dia. Então, para mim, fazer clínica como médica não seria uma coisa... confortável. Mas eu gosto demais. Então, o que eu faço hoje, eu gosto muito. Porque eu tenho a oportunidade de fazer pesquisa, eu tenho a oportunidade de ensinar e tenho a oportunidade de continuar estudando. Então, para mim, isso é muito gratificante.
Mas sempre teve a certeza que era a biomedicina que cria ou ainda andou ali... Eu fiquei entre a medicina e a biomedicina. Depois, eu conversando e vendo, falei, não, eu quero a biomedicina mesmo. Vai me dar mais oportunidades dentro do contexto que eu quero. E eu gosto muito. E gosta dentro da biomedicina. Eu sei que fez um mestrado e um doutoramento. Só o título do mestrado é assustador, eu vou tentar dizer, e depois a Lani vai nos tentar traduzir isto, que é estudo da sorologia e da epidemiologia da esquizostossomose em áreas de baixa endemicidade com ênfase na avaliação do impacto dos métodos de diagnóstico sorológico e no controle da doença. Eu meti isto no chat do GPT, ele bloqueou. O que é que é isto?
Que áreas são estas? Então é o seguinte, no mestrado eu trabalhei com duas áreas específicas, a parasitologia e a imunologia. A parasitologia, nós ainda lidamos com parasitas, os eumintos, no caso meu eram mais eumintos, são os parasitas maiores que normalmente podem parasitar o corpo e São Paulo é uma área de baixa endemicidade, ou seja, as pessoas quando tem, tem uma pequena quantidade de parasitas, você faz o exame, na época o exame gold que a gente chama, que era o standard, o padrão, era o parasitológico. Então você pega as fezes e tenta encontrar o ovo do parasita, no caso do xistosoma, do meu trabalho.
Só que quando você pega uma área como São Paulo, que as pessoas têm poucos vermes, parece que eles não têm, porque é muito difícil encontrar ovo. Você tem que fazer 70 lâminas, você tem que... preparar e olhar no microscópio 70 lâminas para conseguir achar. Então, o meu trabalho foi um divisor de águas, porque ele desenvolveu um teste agora imunológico. Eu colho um pouquinho de sangue da pessoa e aí eu avalio se ele tem anticorpos. Meu trabalho foi assim, a gente prepara uma lâmina Pega o verme. O verme é criado num camundongo. Eu recebi o camundongo. Eu sacrificava o camundongo. Um camundongo é o quê? É um ratinho menor. Ah, ok. É um animalzinho pequenino.
É. Criado em laboratório. Ele era infectado. Na verdade, ele vinha pra mim infectado lá no Instituto de Medicina Tropical, lá em São Paulo. Aí chegava no meu laboratório na Unicamp, em Campinas. Daí eu sacrificava o animalzinho aqui nessa região porta-hepática, pegava o O casalzinho, o macho ele é achatado, ele faz um, ele se dobra e a fêmea fica no meio, a gente separa o casal, monta uma lâmina, faz uns bloquinhos com verme, corta bem fininho, tudo isso eu tive que fazer. Corta em quatro micrômetros, arruma na lâmina, daí joga o soro do paciente e reage a uma imunofluorescência. faz uma reação, faz uma técnica lá, daí se aparecer a fluorescência, porque deu positivo, aquela pessoa tá infectada.
Ou seja, se você fosse pegar no parasitológico, você ia encontrar poucas pessoas positivas. Aí aqui a gente encontrou um número grande de pessoas positivas. Ou seja, você consegue tratar a pessoa, porque agora você tem certeza que ela tá infectada, enquanto o parasitológico ficava muito falso negativo. Isso parece-me fascinante. É realmente um mundo à parte que nós não temos noção e que mais tarde a Alene
continua os seus estudos e depois faz uma investigação, no caso no doutoramento, sobre o estado da ativação dos linfócitos C24+, CD8+, e a produção de moléculas citotóxicas em pacientes com parococidiodomício. Nicose. Isso. Paracoxidase e nicose. Aí é uma outra doença, agora fúngica, e agora eu vou avaliar como que as células de defesa trabalham nesse contexto. Então, é uma coisa bem, assim, tecnologia mesmo, muito de ponta. A gente faz uma citometria de fluxo, você pega a célula do do paciente.
Na verdade, a gente pegou células de quatro grupos. Um grupo que nunca entrou em contato com a doença, um grupo que entrou e se defendeu, um grupo que entrou e ficou doente na fase aguda e um que ficou na fase crônica. Aí você compara como é que o corpo se defende ou não, né? Porque no caso dos que ficaram doentes, porque eles são diferentes desse aqui que entrou em contato e não ficou doente. Aí a gente vê essa resposta citotóxica aí, que era a resposta que deveria acontecer para proteção, que esse grupo que não ficou doente tem, e esses dois grupos têm prejuízo. É muito interessante, porque você faz uma marcação célula a célula, você imagina. Você colhe sangue, expõe aquele sangue a uma cultura do fungo, desse fungo, e vê como que a célula daquele paciente respondeu.
Aí você marca essas células todas, olha num micrófono, num citômetro de fluxo, E aí você... célula a célula é marcada, daí dá pra você o quanto da célula, como que ela trabalhou naquele contexto. Aí, dependendo de como ela trabalhou, a gente sabe. Então, por isso que não deu conta. E a gente consegue entender a resposta imunológica. Quando a Lani está a falar todo este processo altamente complexo, em que são necessárias anos e anos sequer para o compreender, quanto mais para o executar, quando vê alguma simplificação da ciência, como é que reage? Isso desconcerta há muito porque percebe a fundo como é que são todas estas questões? Ou entende que mesmo dentro deste âmbito há muitas coisas que nós não conseguimos entender?
Há, tem muita coisa. Quanto mais a gente... Na parte da imunologia, é uma área Hoje tudo está relacionado à imunologia, à maneira como o corpo está se comportando. A questão das doenças autoimunas tem a ver com isso também? Também, mas por exemplo, hoje as doenças que mais matam são as doenças crônicas, não transmissíveis, ou seja, eu não pego de ninguém e você não pega de ninguém. Falamos dos cânceres e assim? Estamos falando das doenças cardiovasculares, as doenças cardiovasculares estão muito... O câncer é o câncer. O câncer também tem a ver muito com imunologia. As doenças cardiovasculares são as primeiras que mais matam, ligadas ao diabetes. Elas têm muito a ver com inflamação, por exemplo.
Que é uma forma básica de defesa. Então, uma coisa básica que a gente usava no laboratório era inflamação. O corpo hoje, nosso corpo hoje, vamos falar de uma forma básica. Os estudos chamam de fatores ambientais. Então, tudo que entra em contato com a gente, que está impactando positivamente ou não. Então, o ar que a gente respira, a água que a gente bebe, o estresse, a ansiedade, a privação do sono, uma alimentação cheia de fatores estranhos ao nosso corpo. E assim tem uma lista enorme, né? O sedentarismo, todos esses fatores ambientais trazem uma resposta imunológica.
O corpo tem que se defender de alguma forma. E uma das formas que ele tem tentado se defender é inflamando. Então hoje, eu tive a oportunidade de ir para o Congresso de Inocuição Vegetariana em Loma Linda em 2018, levando um trabalho de de Adventistas de São Paulo e a gente mostrou um grupo mais inflamado e um grupo menos inflamado. Por quê? Porque a gente já sabe que a gente mantém um nível de inflamação crônica. Com todos esses fatores ambientais pressionando o sistema imunológico, ele está o tempo inteiro se defendendo e inflamando. Nesse caso desse estudo, os menos inflamados eram os vegetarianos. Então, estou falando de um fator ambiental, que é a dieta, a maneira como a pessoa se alimenta.
Mas isso está ligado, como eu disse, eu ainda não, eu sempre penso e falo isso, mas não fiz ainda. Botar um ser humano aqui e colocar, fazer uma imagem para tudo que no nosso cotidiano está pressionando a gente. Os fatores ambientais que estão contribuindo para uma resposta imunológica que muitas vezes é uma inflamação, não só. O que é auto-imunidade? Auto-imunidade é um grande bug, uma grande falha do sistema imunológico que está pressionado, que ele já não reconhece mais o próprio. Então, um dos controles excelentes do nosso corpo, aí ele diz assim, essa célula aqui é boa, deixa ela, essa é ruim, vamos destruir.
Aí ela engatilha uma série de mecanismos para isso. Na autoimunidade, ela perde, ela começa a pegar a célula, por exemplo, a diabetes tipo 1, ela pega as células que produzem insulina no pâncreas e destrói. porque ela não reconhece mais como uma célula própria do indivíduo. Ela perde o discernimento e aquela célula própria vira uma célula problema e o seu imunológico ataca. Então, para quem nos vê nesta altura pergunta, quais são esses fatores externos e em que medida é que nós podemos controlar alguma coisa que contribui para a tal resposta inflamatória que o corpo tem? É o que a gente entende como estilo de vida saudável.
Esse estilo de vida saudável precisa atender o ser humano nas quatro dimensões física, mental, social e espiritual. E a quarta dimensão espiritual está sendo cada vez mais reconhecida pela OMS. Então, é complexo. O ser humano é bastante complexo. Ele é a obra-prima da criação de Deus, feito a imagem também essa de Deus, não podia ser diferente. E nota isso em cada investigação que faz. Cada investigação que faz nota exatamente isso, que isto é muito além da capacidade. É muito além. Quando você estuda imunologia, É assim, ou você olha para aquilo e acredita em Deus, ou não sei o que a pessoa pensa, porque você olha uma célula, tem uma engenharia, uma engenharia absurda, mas absurda.
Um controle, uma checagem de... Uma das coisas para mim é fascinante, dentro do contexto que a gente está falando, é a apoptose, por exemplo. A apoptose é uma morte celular programada. A célula, ela olha pra ela mesma e fala assim, olha, eu já não tô bem, eu vou me autodestruir. Então assim, como é que você tem trilhões de células trabalhando, cada uma fazendo a sua parte, num nível de coordenação absurdo, com um comando central, que é o sistema nervoso central, e que age no corpo inteiro e a célula dentro dela, pelo seu material genético, ela ativa e desativa genes para ela funcionar.
Então, hoje os cientistas dizem assim, bom, eu não sei quem é, é o design inteligente, né? Mas tem alguma coisa muito inteligente por trás disso, porque não tem como a gente negar isso, embora Eu vou contar uma história rápida aqui só pra vocês entenderem. Uma das minhas aulas de anatomia, quando a gente estuda anatomia, a gente vai recebendo o corpo humano por partes, pra ir se acostumando, né? Então, primeiro a gente recebe os ossos, depois a gente começa a receber pedaços, né? Eu tava numa perna nesse dia, daí eu falei alto assim, nossa, que absurdo! Que coisa maravilhosa, né? Porque era uma junção micro-micro, Mas, vista a olho nu.
Agora, a complexidade micro, que você só vê no microscópio, é tão impressionante quanto. Aí eu falei alto. A minha professora passou e falou assim, é só evolução faz uma coisa tão inteligente. Então, às vezes a gente olha pra mesma coisa e chega a conclusões diferentes. Eu, Lani, Cada vez que eu vejo isso, eu fico, gente, é impressionante, é absurdo. Se você olhar uma, se alguém tiver curiosidade, coloca lá para ver uma imagem de sinalização celular. O corpo faz comunicação, como que as células, elas entre elas se comunicam. Se você olhar uma imagem, o que a gente já conhece hoje, que não é tudo, que eu acho que é muito pouco ainda, você fica impressionado de ver o nível de complexidade do corpo humano.
Mas eu estava a interromper porque estava a falar nos quatro fatores e eu depois introduzi esta questão do design inteligente, mas estava então a falar nesta questão dos quatro fatores que nos podem levar a evitar ou no fundo a diminuir a resposta informatória que o corpo pode ter. Nós temos que entender que o aspecto religioso, espiritual, social, físico e mental estão interrelacionados. Eu não gosto muito quando as pessoas falam saúde mental, saúde física, é uma dimensão da saúde. A saúde tem dimensões todas interconectadas. Eu sempre lembro, conto uma historinha para os meus alunos, que uma vez eu estava em casa e a menina que me ajuda falou assim, Lani, está com água aqui debaixo da pia, eu fui tentar mexer lá e entrou uma ferpa debaixo da minha unha aqui.
E eu fui, era uma sexta-feira, eu tinha que atender um pastor, pra ajudar com feira de saúde, e aí eu vou atender o pastor, depois eu resolvo isso. Aí eu corri na enfermaria, depois que eu atendi o pastor, eu corri na enfermaria do colégio. A menina tava tremendo, ela falou, professora, não vou conseguir tirar isso, eu tô nervosa, não vou conseguir tirar. Aí eu corri pro Centro de Vida Saudável, que é o SEVISA. Cheguei lá, encontrei uma aluna minha de pós-graduação. Ai, professora, não tem médico, eu não posso tirar isso. com anestesia. Falei, vai ser anestesia, só quero que você tire pra mim, por favor, eu aguento. Aí ela teve uma ideia sábia, ela fez um buraquinho com um bissuriz em cima da unha e puxou. porque a outra parte eu tinha conseguido puxar.
Aí eu fiquei pensando, né, naquela gaze com aquele ponto minúsculo. Eu passei, a menina conseguiu tirar uma da tarde. Eu passei quatro horas atendendo o pastor, fazendo tudo, mas minha cabeça tava ali naquele minúsculo ponto que não parava de latejar. O corpo humano é isso. A gente está interconectado. Então, se você quer saúde, você precisa ter o cuidado com as quatro áreas, com as quatro dimensões de forma equivalente. E onde é que entra a parte genética? Em toda esta visão global? Essa é uma excelente pergunta. A genética já teve, na compreensão dos cientistas, um peso muito maior do que hoje se dá a ela.
Então, existem muitos estudos de gêmeos, por exemplo, gêmeos idênticos. Nasceram com o mesmo código genético e, dependendo do estilo de vida, os gêmeos começam a ter características diferentes, desenvolver patologias diferentes. Então, hoje, o peso da genética está lá na casa dos 20 e poucos por cento dentro desse contexto, mesmo no caso dos câncros, né? A gente fala câncer. Mesmo nesses casos, porque existem predisposições, existem, mas a pessoa não está predeterminada. Não é porque ela tem a predisposição que ela vai desenvolver. Ela pode desenvolver ou não. Ela está mais propensa, mas ela não precisa desenvolver.
E aí que entra muito o estilo de vida, a maneira como a pessoa vive. Lani, vamos fazer mais uma curta pausa, a última pausa neste programa. Voltamos já a seguir. Hoje estamos com olhos nos olhos com Lani Soares, ela que é biomédica e a nossa convidada. Estamos aqui a conhecer um pouco mais sobre a sua vida e sobre o seu trabalho. TV Novo Tempo, o canal da família, o canal da esperança.
Olhos nos Olhos, terceira e última parte. Hoje temos connosco Lani Soares. Ela que é professora universitária, é também investigadora na área das ciências biomédicas. Já partilhou um bocadinho o seu trabalho, os seus estudos. Agora queria que partilhasse também um bocadinho connosco o que é que faz diariamente. Eu sei que é professora, mas dá formação a pastores. É curioso. Que tipo de formação é que dá? Eu tenho trabalhado com os pastores já há algum tempo. Eu dava para lato senso, que é um nível acima da graduação. Num curso de liderança, eu dava pesquisa para os pastores.
E também dava para graduação e dor, hoje saúde, mas nessa altura também dava pesquisa, disciplina metodológica para os pastores. E hoje eu também, uma das minhas atribuições é coordenar um programa de liderança em parceria com a Endres, que acontece, a nossa principal, o nosso grupo principal são pastores, a liderança da igreja no Brasil, a divisão sul-americana está investindo na formação dos pastores, e esse é um dos programas que contribui nessa formação, ele acontece no NASP, mas o programa é da Endres, então a gente tem uma parceria um programa de mestrado e um programa de doutorado.
Mas eu tenho uma atribuição grande também na graduação. Continuo dando aula para teologia, na graduação, na pós-graduação. E no caso da farmácia, esta questão da liderança, quais são os maiores desafios que encontra? Quando você está falando de liderança, uma das primeiras perguntas que eu fiz, até para quem me convidou para coordenar o programa, Por que eu, né? Por que que eu vou coordenar isso? Eu sou biomédica, eu sou da área da saúde. Porque a liderança, ela está presente em todas as áreas. Existe uma compreensão, às vezes, que a liderança está ligada à administração e business. Não é. Liderança é liderança. E na Andrews, liderança está no contexto da escola de educação.
A escola de educação tem um prestígio importante no contexto da educação nos Estados Unidos. E é um processo de formação. No programa de liderança com a Endres, nós temos três linhas de pesquisa, três áreas, que é a social, a educacional e a organizacional. Então, tem alunos que vão mais para a área organizacional, educacional e social. Então, eu posso contribuir mais na área social e na área educacional. Eu coordeno o programa no Brasil, o principal coordenador é o da Endres, e eu oriento trabalhos, então eu tenho tido oportunidade de orientar administradores de hospital, oriento trabalhos na área da mordomia cristã, que tem a ver comigo, na minha formação de saúde, então eu tenho muito prazer de trabalhar agora com pastores que estão se dedicando a pesquisas na área do que é saúde, a espiritualidade, a religiosidade, o estilo de vida saudável, a compreensão da mordomia cristã.
A mordomia cristã, não sei se esse termo é muito conhecido, mas a gente está falando do ser humano oferecendo a Deus tudo aquilo que Ele tem para oferecer, que é o tempo dEle, os talentos dEle, os recursos dEle. Então, essa compreensão do ser humano de uma forma holística, que é o que a gente hoje entende. Você vê, a própria definição de saúde da Organização Mundial da Saúde é completo bem-estar físico, mental, social e o espiritual ainda não está na definição, mas já é consolidada a dimensão espiritual, ou seja, o ser humano tem que ser visto dessa forma holística. Foi assim que Deus planejou E eu tenho de oportunidade de orientar alunos e discutir essas temáticas.
Nas apresentações que a Lani faz, muitas vezes acaba por aplicar os princípios
mesmo atuais, os princípios de vida e de saúde que uma escritora norte-americana, Ellen White, escreveu no final do século XIX, início do século XX. De que forma é que estes princípios desta escritora ainda são tão atuais para uma pessoa que tenha um conhecimento profundo de como é que funciona o corpo humano, como a Lani? Então, quando Ellen White, essa escritora, escreveu o que se sabia, na época era muito pouco, não tem como ela ter escrito aquilo se não fosse uma inspiração divina. Até hoje esses conhecimentos são super atuais. Esses são os verdadeiros fundamentos. Por quê? Porque, na verdade, os princípios de saúde que a Leonhart descreveu são respeito às leis da vida, são respeito às leis naturais.
O universo é regido por leis e a vida é regida por leis. Então, nós temos esses princípios como a base da saúde. Não tem como. Então, coisas básicas como beber água, como respirar, como fazer exercício físico, como ter relacionamentos sociais saudáveis. Tudo isso está sendo muito destacado e a Igreja Adventista é famosa nos meus meios acadêmicos, em várias vezes eu fui questionada e perguntada por que vocês seguem assim e depois a minha orientadora de doutorado, Lani, encontrei esse trabalho aqui, O peixe de escama realmente tem vantagens porque é uma das orientações bíblicas.
Então, os estudos consolidam e confirmam esses princípios porque fomos feitos por Deus e Deus assim que determinou. Então, eu fico muito, muito à vontade discutindo aquilo que a Bíblia e aquilo que a escritora Ellen White escreveu nos. Seus centenas Mesmo as questões das Blue Zones, como recentemente num documentário da Netflix destacou o facto dos adventistas sétimo dia, sobretudo naquela região de Lama Linda, terem uma esperança de vida maior, é também algo já consolidado, o estilo de vida adventista faz diferença. Olha, os Adventistas são foco de documentários, de reportagens, de livros, e esse último, que deu maior visibilidade, Loma Linda, é uma universidade que tem publicado, nas melhores revistas científicas, sobre o impacto da adoção do estilo de vida recomendado pela Igreja Adventista, desde a década, um pouquinho antes dos anos 60, Então, nós temos mais de 400 trabalhos publicados por essa universidade.
Quando você vai lá, você vê um centro de saúde avançado. Só que é interessante que eles recomendam para os pacientes toda a recomendação convencional e recomendam os princípios de saúde. Então, as pessoas são recomendadas, olha, fazer exercício físico, tenha cuidado com a sua dieta, que ela seja balanceada. O sono é uma questão muito importante. A temperança, o equilíbrio daquilo que é saudável e a abstinência daquilo que faz mal. Então, você olha as recomendações da Organização Mundial de Saúde, você olha a recomendação dos governos, você olha o guia nutricional dos governos do Brasil, o guia nutricional da alimentação para o brasileiro, você vê aquilo que a gente acredita ali, porque aquilo é o que a ciência está identificando hoje.
E no caso da sua vida pessoal, que princípios é que pratica de tudo aquilo que
foi aprendendo ao longo da vida e que de alguma forma poderia partilhar com os nossos telespectadores, porque também poderá fazer a diferença na vida dele? É um desafio, hoje no contexto que a gente vive, cuidar da saúde. Mas, por outro lado, a gente tem algumas facilidades, né? Então, eu diria, eu queria comentar aqui três princípios que para mim ajudam aos demais. O primeiro é o exercício físico. O exercício físico é um tremendo desencadeador de bons hábitos. Então, a pessoa que faz exercício físico rotineiramente, com nível de intensidade pelo menos moderada, não pode ser uma coisa tão leve, ela vai dormir melhor, ela vai beber mais água, ela vai ter melhor capacidade respiratória, ela vai controlar melhor as emoções, Ela vai...
Melhor, humor. Então exercício físico. O que é um exercício físico moderado? Uma caminhada, uma corrida? Uma caminhada mais intensa. Não pode ser uma coisa tão leve. E também depende da idade da pessoa, né? E do historial que tem. A caminhada, ela é indicada para todo mundo. a intensidade da caminhada que ela pode mudar. As pessoas mais velhas, às vezes, elas acham que elas têm que parar, pelo contrário. Como você, como a gente, com a idade, vai perdendo algumas capacidades de manter, por exemplo, massa muscular, o idoso perde mais rápido, então a gente tem que Não pode parar. O exercício físico vale desde a criança que acabou de nascer até a pessoa descansar.
É fundamental à vida. Quando Deus criou o ser humano lá no Jardim do Éden, Ele deu um trabalho para Dão e Eva que seria zero sedentarismo. Usaria a cabeça, usaria o corpo, teria o sol, teria o ar puro, teria água, uma alimentação balanceada, a presença de Deus constante no jardim. Então, a parte social, religiosa, física e mental estava toda contemplada ali naquele contexto. Hoje a gente se afasta disso, né? A gente vive em grandes centros, então, Nós temos desafios e vantagens também, né?
Porque algumas pessoas podem manter uma pequena academia dentro de casa. A gente consegue uma dieta mais balanceada, às vezes mais fácil, meio pronta já, no supermercado. Então, assim, nós temos algumas... e outra, A dieta mais saudável, que é a in natura, que é comer bastante coisa in natura, ela está pronta. Você lava e come. Você pega uma maçã, lava e come. Falava então no exercício físico e havia mais outros dois fatores que queria partilhar com a gente. Os dois fatores, exercício, sono. O sono ou descanso, que o sono é parte do descanso, tem sido um vilão muito grande hoje.
O corpo humano tem um relógio interno. É o ciclo circadiano. Ele é controlado pela melatonina, que é um hormônio que regula a qualidade do sono. Então, se você não tem, durante o dia, o adequado funcionamento do seu corpo, vai ter um comprometimento no sono. Então, o seu sono é o resultado do seu dia de hoje, dos seus dias anteriores, é uma consequência. E hoje nós desconsideramos muito o sono. Para mim é um dos pontos mais vulneráveis da nossa sociedade hoje. Falamos muito da alimentação e do exercício físico, mas praticamente ninguém fala do sono.
O sistema imunológico é tremendamente desregulado. Eu, por exemplo, se eu estou percebendo que eu vou ficar doente, é melhor eu dormir mais do que qualquer outra coisa. Cuida com o horário de dormir. Dormir mais cedo. Dormir a hora adequada. O instituto do sono, ele tá jogando cada vez mais. Hoje o ser humano, em média, precisa dormir pelo menos oito. Antes era mais pra sete. Agora é oito mais pra cima, não mais pra baixo. E ela falou, então, exercício físico, sono e a dieta, serão os três. E isso aqui normalmente desencadeia os outros, né? Não vou desconsiderar nenhum, mas esses são, assim, os grandes, eu acho, os maiores desafios nossos hoje.
Então, as pessoas hoje... Vou falar um dos grandes desafios também, as telas. As telas têm prejudicado muito o sono. Né? Muito sono. Será por essa razão que os especialistas acham que temos que dormir mais em virtude do tempo excessivo das telas? Ou é porque o sono não é de tanta qualidade? Não tem qualidade. A questão nossa é a qualidade. Nós temos ciclos de sono, ciclos de uma hora e meia, e nesses ciclos a gente tem o momento do sono profundo. Esse sono profundo o tempo dele, ele é muito importante, porque o nosso sistema nervoso central, ele não está descansando no sono, ele está fazendo uma outra atividade extremamente importante.
Quando a gente desconsidera isso, a gente está trazendo um prejuízo enorme. Por exemplo, a obesidade. Quem não dorme bem, desregula o metabolismo e desregula dois importantes hormônios, a leptina e a grelina. A leptina, o hormônio da saciedade, e a grelina, o hormônio da vontade de comer. Então você desregula isso, você dorme mal, normalmente você não tem a saciedade e você tem a vontade de comer. Uma das coisas. Eu poderia falar outra. Essa é uma. Então, se você vai, por exemplo, numa base de dados de trabalhos científicos, como a PubMed, e você coloca lá, em inglês, as palavras-chave, coloca sono e obesidade. Você vai ver uma infinidade de artigos relacionando por conta do ciclo circadiano que fica desregulado.
Lani, ficaremos aqui horas só a ver a Ana ajudar-nos, a Lânia, a ajudar-nos nestas questões tão importantes e tão atuais e tão importantes mesmo. Tenho apenas duas perguntas. A penúltima que é, que hábito de saúde é que não dispensa, em circunstância alguma, de ter e que poderá ajudar a inspirar os nossos espectadores? É, eu tento cuidar bastante desses três. Eu tenho rotina de exercício físico, eu vou pra academia, quando eu não consigo ir pra academia, eu faço caminhada, no meu condomínio é fácil isso, chego, ponho um tênis e vou fazer uma caminhada com mais esforço. Eu procuro cuidar da minha alimentação, a primeira refeição é importante, né, e a última mais leve. E tento também manter um horário de sono antes da meia noite, que eu sei o quanto isso é importante dentro do contexto do ciclo circadiano.
É um desafio. Mas são questões que eu me sinto muito bem. Eu já tenho uma dependência da academia, eu sinto muita falta, eu já me sinto muito bem com uma dieta balanceada e me sinto muito bem também respeitando o sono. Lani, como é que gostaria de ser lembrada pelos seus alunos, pelas pessoas com quem teve contato ao longo da sua vida, até ao longo do seu Ministério Musical, que nem falamos muito aqui, mas também poderíamos falar. Como é que gostaria de ser lembrada, Lani Soares? Eu acho que como uma professora que tentou passar princípios de saúde. Influenciar os outros, retomarmos o início da nossa carreira.
É, voltar no... Porque assim, eu acho que a minha essência é a educação. a minha ciência e a educação. Então, isso é uma coisa importante para mim. Leni, muito, muito obrigado pela disponibilidade de ter vindo até cá, de nos ajudar também a perceber todas estas questões numa forma tão profunda e tão académica e científica como nos partilhou. Muito obrigado, Leni, foi um prazer. Um prazer enorme estar aqui com vocês.
Neste episódio, recebemos Lanny Soares, professora titular e Diretora de Pós-Graduação, Pesquisa e Extensão do Centro Universitário Adventista de São Paulo (UNASP – Engenheiro Coelho). Com uma sólida formação académica em Ciências Biológicas e Ciências Médicas, a sua carreira é marcada por investigações na área da Imunologia, abordando temas como esquistossomose mansoni, métodos parasitológicos, paracoccidioidomicose, linfócitos T CD4 e CD8, citocinas e grânulos citotóxicos.
Atualmente, dedica-se também à promoção de saúde e ao ensino de disciplinas relacionadas com Estilo de Vida, Saúde e Pesquisa, coordenando projetos que unem ciência, prática e bem-estar.
Nesta entrevista, conduzida num ambiente de proximidade, vamos conhecer melhor o seu percurso, as suas motivações e a forma como a ciência e a fé se cruzam na sua vida e missão.