A música sempre fez parte da sua vida, mas hoje vamos procurar saber como a sua vida podia, ela própria, ser uma música. E que música! Antes mesmo de saber ler ou escrever, as suas mãos já percorriam as teclas do piano, desenhando as primeiras notas daquela que viria a ser uma trajetória extraordinária. Com apenas 5 anos já tocava piano, com 14 sonhava cantar nos Heraldos do Rei, mas esse sonho só se concretizou aos 40, quando assumiu a direção musical do Quarteto Brasileiro e daí resultou o álbum Em Nome de Jesus. 20 anos antes, em 1971, já ganhava concursos nacionais de piano, mas Para quem nasceu com tantos talentos, naturalmente a sua vida foi também ela de grandes responsabilidades em diferentes áreas, transitando entre as partituras e as câmaras, entre a regência e as composições, entre os holofotes e os bastidores, mas sempre com um espírito de missão inabalável.
Pianista, maestro, cantor, produtor e mentor de talentos como Jader Santos ou Lino Soares, é compositor de músicas que todos nós conhecemos, Jesus Tu És a Minha Vida, Mãos, Pedras ou Grande Alegria, entre dezenas de muitas outras que ainda hoje cantamos. É pastor, Um pregador e comunicador prolífico que o levou à direcção da comunicação da Igreja Adventista do 7º dia a nível mundial. O seu trabalho atualmente é pensar em como usar as novas plataformas digitais para levar esperança para milhões de pessoas ao redor do mundo. Acasado com a cantora Sonete, pai de três filhos e avô de seis netos, ele continua a compor não apenas canções, mas também histórias que inspiram. Com 73 anos de vida e mais de cinco décadas de ministério, No programa de hoje temos a honra de estar olhos nos olhos com o pastor William de Costa Júnior.
Pastor Williams, muito bem-vindo, muito obrigado por ter se juntado a nós neste espaço Olhos nos Olhos, em que queremos falar daquela pessoa que eu acredito que melhor conhece, que é a si próprio. Gosta de falar de si ou é algo que não lhe agrada muito? Eu fico meio sem graça de falar de mim mesmo, mas eu sempre peço a Deus que ao falar das vitórias, dos fracassos, dos desafios e das possibilidades que isso possa ser uma empatia, uma inspiração para as pessoas. Então, nesse sentido, vamos em frente. Pastor Ilymes Costa Janeiro, nasceu no interior do Brasil, numa cidade no Nordeste, e ao longo da sua vida teve muitas experiências, teve momentos decisivos que o levaram a ser o responsável máximo pela comunicação de uma igreja com 22 milhões de pessoas e espalhada praticamente por todo o mundo.
Que traço decisivo, olhando agora para trás, acredita que o levou a ter esta trajetória extraordinária? Eu nasci em Recife, que é a capital do estado de Pernambuco. Foi uma das mais prósperas capitanias hereditárias logo no início da colonização brasileira. Eu tive a oportunidade de iniciar os meus estudos musicais. E, para lhe ser bem honesto, eu não gostava de estudar música. Eu gostava de subir em árvore, de jogar bola, de brincar... Com qualquer outra criança. Com qualquer outra criança. E toda vez que eu tinha que ficar lá fazendo... para mim era um suplício, um sofrimento. Mas eu não sei, eu fico às vezes impressionado como Deus guia as coisas de uma tal maneira que a gente olha para trás assim, puxa, não era esse o caminho que eu pensava, mas eu dou graças a Deus por ter andado por esse caminho.
Minha mãe sonhou que eu fosse um pastor, eu percebi a necessidade de me dedicar ao Ministério da Música. E, além de trabalhar com música durante muitos anos, eu terminei na área de comunicação. Como tudo isso aconteceu... Ainda hoje não sabe. Não consigo entender. Considera-se mais músico ou mais comunicador? Embora a música é comunicada. Eu não vejo separação entre música e comunicação, muito pelo contrário. Eu acho que a música é a ferramenta mais poderosa de comunicação que existe. O problema é que as pessoas, às vezes, elas dão um valor, uma importância à música que eu acho que ela não tem, ela é um veículo. Não porque a música é isso, aí filosofa e começa a pensar um monte de coisas.
Eu, sinceramente, acho que a música é uma ferramenta como falar, como escrever, como desenhar, como fotografar, como fazer uma poesia. É um veículo. Só que, como ele é um veículo que junta a parte do som com a parte das palavras, ele termina sendo um veículo muito mais emocionante, muito mais impressionante. E aí, quando vem essa força que a música tem em si, muita gente começa a mitificar o assunto. Mas, para mim, é um veículo dado por Deus para conseguir expressar quando as palavras não conseguem mais dizer o que é para ser dito.
e para conectar o nosso coração direto com o coração de Deus. Vamos, então, recuar à década de 50, 54, 55, 57, se o Pastor Aurílio não se teria 4, 5, 6 anos, a quem é que deve, então, esta obrigatoriedade que o levou a ter que tocar piano sem gostar e que o levou a ser o pianista que é hoje? Atribui alguém esse mérito? Olha, o mérito de mim empurrar para estudar é da minha mãe, porque a minha mãe nasceu numa favela lá em Recife, muito pobre, muito carente. E ela, quando vinha para a cidade, ela olhava aquelas meninas ricas tocando piano, ela sonhava em ser uma pianista, mas nunca pôde ser uma pianista. Então, ela disse para si mesma, cada filho meu vai estudar piano.
E como eu fui o primogênito, eu fui o primeiro a entrar nisso para transformar o sonho da minha mãe em realidade. Até os 14 anos, eu abominava estudar piano. Mas aí, quando eu fui para o internato, lá no Educandário Nordestino Adventista, em Pernambuco, aí não tinha mais ela para poder me pressionar a estudar, aí eu senti falta. E daí comecei eu mesmo a tocar e foram aí que começaram as primeiras composições. E com as composições eu senti um gosto e uma vontade de me dedicar para a música para sempre. Então, é isso. Sente que tem um talento especial para a música ou é o esforço que lhe levou a ser o músico que hoje é?
Ah, não. No caso da música... Como é que eu posso explicar? Mas sempre tem as ideias e, às vezes, eu estou conversando com alguém e aí me vem a ideia de fazer assim, ou eu olho para um canto e imagino um som. É uma coisa meio complicada, é uma meio fantasia que a gente tem na cabeça. E, muitas vezes, certas músicas eu faço para me ver livre daquela ideia. Ela fica e fica, e fica, e fica, e fica, aí eu componho, escrevo, acabou, deixa para lá. Outras vezes, me dá um pouco de trabalho, porque tem músicas que faz 40 anos que eu estou tentando acabar e ainda não acabei. Mas tem músicas que eu fiz em 10 minutos. Então, varia muito e é uma mistura sempre de inspiração com transpiração.
Mas ainda hoje, com 73 anos, tem essa inquietação de se livrar daquela ideia rapidamente compondo uma música? Ainda lhe acontece? Muitas vezes. Na semana passada mesmo eu fiz uma música e que, interessante, a comunicação terminou ajudando nesse processo, mas eu pensei na melodia, eu pensei na letra, eu fiz a harmonia e eu imaginei como é que seria o videoclipe. Já está nessa fase. Então, quando juntou tudo, nós gravamos a orquestra, depois a voz e tal. Eu ainda expliquei para o editor, olha, aqui as imagens começam assim, depois se faz a assada e tal. Então, estamos aí, na ativa. O pastor Williams é muito perfeccionista, gosta de que seja tudo exatamente como pensa ou não, ou dá liberdade a quem trabalha consigo idealizar?
Não, eu gosto muito das ideias e das ideias de pessoas criadoras. Naturalmente que quando você cria qualquer coisa, ou na área audiovisual, ou na área musical, ou do que seja, você tem a ideia e tem o objetivo, você imagina como é que deve ser feito. Mas muitas vezes o talento de fotógrafos, iluminadores, figurinistas, editores de vídeo, produtores. Olha, mas quem sabe nesse canto faz assim? Boa ideia, vamos fazer assim. Ali faz assado e tal. Então, sempre o meu trabalho é o resultado de uma ideia original e da combinação do talento e das sugestões de vários profissionais.
Mas gosta de supervisionar o trabalho de todos eles? Ah, o tempo todo. Está sempre em cima de tentar acompanhar o que é que eles estão a fazer. Sabe por quê? Porque é o seguinte, cada pessoa criativa, ela tem as suas ideias e se elas desenvolverem e ficar por conta delas, o trabalho termina tomando um outro rumo. Então, dá a impressão que fica assim uma coisa de fiscalização, mas não, é apenas a vontade de a gente manter a unidade da ideia original.
Vamos então voltar a Pernambuco, ao ano de 1961. O pastor William teria 10 anos. Se pudesse dar um conselho a essa criança de 10 anos hoje, o que é que lhe teria dito? Teria dito para prestar mais atenção no conselho da mamãe. Eu acho que se eu tivesse começado a estudar mais seriamente música antes, eu teria feito muito mais. Quando eu finalmente decidi me dedicar a estudar e me aprofundar na área de música, eu já era um adolescente, quase um jovem adulto. Então, eu perdi muito tempo. Assim, não quero estudar, não quero fazer, não é isso que eu queria. Eu queria ser mesmo motorista de caminhão, sabe? Subia na cabine, olhava assim e tal.
Esse era o meu sonho. Mas os conselhos dos pais, eles são algo precioso que a gente só dá valor quando amadurece. Então, se eu pudesse voltar no tempo, eu teria ouvido mais do que a minha mãe falava. Ainda assim, com 20 anos, ganha concursos nacionais de piano. Ou seja, estamos a falar de um pianista que tinha que ser muito dotado para conseguir ganhar concursos num país com 200 milhões de habitantes. Olha, aquilo foi uma benção de Deus, mas eu lembro que naquela época, me preparando para o concurso, eu estudava 8 horas por dia. E você sentar num banco de pianos, ficar tocando piano oito horas por dia é muito cansativo, porque não chega uma hora que começa a doer as costas e dar câimbra na perna, tudo.
Mas é um esforço que você se concentra ali para poder tirar o máximo da interpretação. Então, quando eu cheguei para o concurso, realmente eu cheguei bem preparado. E Deus abençoou e nós conseguimos o primeiro lugar nesse concurso. E teve um outro concurso que eu iria entrar, todo mundo dizia que eu iria ganhar, mas aí deu problema de sábado. Aí eu terminei parando. E foi nessa altura que desistiu de ser músico profissional, músico escolar profissional? Não, nessa altura eu desisti de uma carreira como pianista de música erudita profissional. Eu tinha tudo para dar certo, inclusive o pessoal da banca encorajou, falou, olha, você tem um futuro, eu conheço fulano, pode fazer um contrato com você, você vai dar concerto na Europa.
Eu estava tudo encaminhado. Mas aí eu comecei a falar para eles do sábado, eles disseram, olha, esse negócio da carreira aí, essa coisa de sábado, isso não vai dar certo, não. E eu percebi que não ia conseguir. Então, eu decidi me dedicar ao estudo de regência. para, com minha habilidade de regência, eu poder servir na obra e fui maestro do coral da escola que eu trabalhava. E a sua mãe não ficava preocupada de o ver tão ligado à música erudita e a correr o risco de se afastar por algo que ela própria tanto impulsionou como ao piano? Ou nunca chegou a ter esse risco? Você sabe, foi uma coisa interessante, porque quando eu saí com 18 anos de Recife para São Paulo, eu saí para fazer faculdade de música.
E, lá no Nordeste, os pais, eles sempre têm uma opinião muito forte quanto ao futuro dos filhos. Mas, no meu caso, nem meu pai nem minha mãe interferiram. Diziam, olha, se é isso que realmente você quer fazer, se é isso que você sonha fazer, vá atrás do seu sonho. E eles me apoiaram, me ajudaram financeiramente nos meus estudos e eu sou muito grato por essa visão deles. Aí, sim, eu estava decidido a fazer isso, fiz o meu melhor, tirava boas notas e fui um estudante aplicado. E quando eu me formei, aliás, antes de me formar, já recebi um chamado para trabalhar na escola onde eu estava antes. E foi aí que eu comecei a trabalhar para a igreja, com 20 anos.
Com apenas 20 anos. Que músicas é que ouvia nesta altura, até os 20 anos, sensivelmente? Olha, eu sempre ouvi todo tipo de música.
Música folclórica, música erudita, música popular, cantava, tentava tirar. Sempre tive muita curiosidade para saber as harmonias e analisar as melodias. E eu fazia por mim mesmo. Mesmo, às vezes, trechos de sinfonias, de peças eruditas. Eu não tinha a partitura, né? E tentava tirar e copiava parte do violino. Mas por que o Schubert botou o violino aqui? Por que Beethoven fez isso aqui? Então, eu sempre por mim mesmo estudei. E depois que eu me formei na faculdade, eu segui meus estudos na área de composição e regência. E educação musical.
E fiz um mestrado em composição e história da música. Então, a minha formação acadêmica é toda na área musical. E essa formação que teve em composição ajudou, certamente, a compor muitos dos livros que hoje tem? Ah, sim. É porque, na verdade, eu já fazia os hinos antes de fazer a faculdade de composição. O primeiro concurso de hinos que eu ganhei eu tinha 16 anos. Eu ainda era um aluno do segundo grau. Mas a compreensão, o estudo de composição me ajudou a analisar e entender em profundidade obras eruditas. Eu lembro que a gente gastava horas com o maestro Roberto Schnurrenberg.
Um grande maestro brasileiro que estudou na Áustria. E a gente ia a fundo analisando as peças de Bach, Sinfonias de Beethoven, as obras de Schubert, Mendelssohn, Liszt, Wagner e sabe tantos outros. E esse tema aqui, ele desenvolve assim, ele faz assado, orquestração. Então, esse é uma coisa mais complexa. que não teria sido necessário para aquilo que eu faço na área dos hinos, dos cânticos. Mas me ajudou muito a dar uma base, uma bagagem forte na área de música. Mas hoje, quando compõe uma música, é 100% inspiração ou está preocupado ainda com estas regras de composição? Quando a gente compõe, a gente nunca se preocupa. Debussy, ele tem uma frase que é impressionante, ele diz o seguinte, não são as regras que fazem uma obra de arte, são as obras de arte que fazem as regras.
Então, você pode estudar quanto você quiser, quando a ideia vem, quando a inspiração vem, ela sempre está acima das regras. Agora, a técnica, o conhecimento ajuda a organizar as ideias. Quando você não tem essas regras ou esse conhecimento, fica tudo meio confuso. É como escrever uma obra literária. Você pode ter muitas ideias de histórias extraordinárias, mas quando você tem uma base gramatical e conhecimento e vocabulário, aquilo dá para você uma base para você estruturar a sua história. Na adolescência sonhava ser cantor Arautos do Rei.
Isto é verdade? É verdade. Gostava mesmo? É. Porque foi por causa do Arautos do Rei que eu sou músico. Eu não gostava de música, mas um dia meu pai comprou aquele disco. Ele está na Alvorada. E eu tinha nove anos e eu lembro até hoje o dia que eu ouvi a primeira música desse disco. Quando o Luiz Mota canta o Rei de Estar na Álvora, eu fiquei pensando e digo, nossa, isso é muito bonito, é muito diferente desses negócios de piano que eu fico tocando essas escalas, esses arpejos horrorosos que eu não gosto. Então, a partir de ouvir Os Arautos do Rei, foi que me veio o desejo de estudar, conhecer e gostar de música.
E depois acaba por ser mesmo diretor musical dos Arautos do Rei, mas cantava nessa altura também, mas nunca foi um cantor só do quarteto, não é? Não, mas com 14 anos eu fui para o internato e lá, grande coqueluche musical, era o Arautos do Rei. E eu fiz parte de um quarteto chamado Arautos do Nordeste. Eu era o barítono do arautos do Nordeste. Então, nós cantávamos e viajávamos para as cidades vizinhas e eu pude aí ouvir o som daqueles arranjos do arautos que a gente cantava. Tudo isso para mim foi escola e eu sonhava um dia cantar no Arautos do Rei. Tanto que um dia eu mandei uma ficha com a inscrição.
expressando o meu desejo de cantar. Outro dia, eles estavam brincando comigo, a minha cara, assim, um adolescente bem magrinho, uma gramatinha fina, assim, lá. Diziam, olha, eu gostaria de ser barito no Duvra Zaragoza. Mas não tem essa gravação, ou tem? Não, não tem, mas a ficha. Mas eu acho que eles devem ter a ficha lá. Vou procurar, ver se eu acho. Mas, com 40 anos, ou seja, 20 anos depois ou mais disso, é que assume a responsabilidade de ser o diretor musical dos Eratos do Rei. Como é que foi esse momento? Olha, foi uma coisa inesperada, porque, na verdade, eu já estava com a minha vida musical encaminhada. Era professor, trabalhava para a igreja Adventista e, em paralelo, eu sonhava desenvolver produções musicais para a igreja.
Então eu já estava aí produzindo material para o Grupo Prisma, Grupo Integração, Grupo Orion. Fizemos gravação para corais e fiz um disco, Conhecer Jesus é Tudo. E nessa época surgiu, mais ou menos nessa época, nos anos 80, surgiu a ideia de eu vir trabalhar na Voz da Profecia. E lá na Voz da Profecia eu era diretor de marketing e diretor musical. E, como diretor musical, eu trabalhava diretamente com os Arautos do Rei. E foi aí que estava surgindo também o programa Está Escrito. Então, a ideia era gravar o Arautos, usar no Está Escrito, e essa gravação teria que ser feita nos Estados Unidos.
Aí a gente já procurou um estúdio nos Estados Unidos para fazer. Eu já tinha gravado várias vezes nos Estados Unidos, conhecia bem as coisas em Los Angeles. Então, juntou a fome com a vontade de comer, entendeu? E tem saudades desse tempo? Muito. Foi um tempo assim de muito desafio, muita ansiedade. mas de grandes realizações. Então, eu lembro que a gente gravou o Arautos lá, depois fomos para os estúdios da igreja lá em Thousand Oaks, gravamos as músicas e o pastor Bullion gravou para o Está Escrito, o pastor Vandeman no começo, Bullion veio depois, ele gravou para o programa Está Escrito, aí se juntou as palestras do pastor Vandeman com as coisas do Arautos, sonete, Realmente foi uma emoção muito grande ver as peças se juntando.
Falem só neto, já vamos falar em só neto. Vamos só fazer agora um pequeno intervalo e nós já voltamos para conhecer ainda mais esta trajetória, não só musical, mas surto de vida do nosso convidado com quem estamos hoje olhos nos olhos. É o pastor William de Costa Júnior. TV Novo Tempo, o canal da família, o canal da esperança. Regressamos ao programa Olhos nos Olhos, aqui na Novo Tempo Portugal, com o nosso convidado, é o pastor William Costa Junior. Ele é o diretor mundial da comunicação da Igreja Adventista do 7º dia. Também músico, mas estamos aqui para conhecer um pouco da sua trajetória de vida. Tem 73 anos.
No entanto, tem uma vida muito ativa, já vamos saber melhor como é o seu dia-a-dia e as funções que ocupa. Agora vamos falar um bocadinho sobre a SONET, não é? Porque talvez o pastor Willems e a SONET sejam dos casais do mundo adventista no Brasil mais conhecidos. Sendo que vocês têm uma história, a forma como vocês se conheceram e como depois acabaram por casar é uma história muito curiosa, porque ela é bem mais nova do que o pastor. Bem mais nova! Não, são sete anos quase, né? Quando eu a conheci, ela tinha 14. Todo mundo disse que hoje em dia isso seria um amor impossível, onde já se viu, e eu era professor e ela era aluna. Então, parecia que tudo era para dar errado. Mas eu estava já há tempo orando a Deus e pedindo a orientação dEle.
E eu lembro que um dia, no início do ano, eu comecei a olhar as meninas que tinham chegado e tal, e me chamou a atenção a Sonete. O jeito dela viva, animada, não parava quieta e andava rápido, tinha um cabelo comprido e sabe, os olhos brilhantes e tal, me chamou a atenção. Só que antes de eu notá-la, Uma vez eu tinha saído do refeitório do IASP, atualmente o NASP de Hortolândia, e no bosque entre a capela e o dormitório feminino, tinha umas árvores, e três meninas aí vestidas, eu acho, de calça comprida, blusa e tal, estavam brincando de pega-pega na árvore. E tinha uma que parecia um gato, ela subia pela árvore, descia pelo galho, e as outras meninas subiam, chegavam lá, ah, eu vou cair, eu vou cair.
Ela, não, você me pega e tal. Quando ela conseguia descer, ela já subia de novo e tal. Mas tinha uma prática de subir em árvore que eu fiquei encantado assim, disse, vou me casar com ela. Era soneto. Ou seja, uma gatinha, mas era uma gata que subiava. Uma gatona bem ágil, assim mesmo. E era professor de piano dela? Ou qual era a disciplina? Eu fiquei professor de piano depois, mas quando eu a conheci, me senti atraído. Realmente, no caso com ela, foi amor à primeira vista, sabe? Ela tinha 14 anos e depois eu percebi a vivacidade dela e o espírito dela. E teve um incidente interessante que eu avisei na igreja que teria exame para o coral.
Aí, um dia, eu estava me preparando no sábado lá para lavar as mãos, ela encostou e falou, disse, professor, eu queria tanto fazer exame para o coral, mas o senhor falou que só quem tem 15 anos é que pode fazer exame. Eu disse, é, mas quantos anos você tem? Ela disse, eu tenho 14. Aí diz ela, né, que eu dei um olhado assim de cima e embaixo, para verificar aquele potencial maravilhoso. Aí eu disse, ah, não, faz o seguinte, vai lá, vamos fazer o exame lá, depois a gente vê isso aí. A gente muda as regras por aí. Aí quando ela foi e abriu a boca e cantou, eu disse, nossa, se pode ter com a dualidade que for, está dentro, né?
Ou seja, e foi aí que começam a ter um maior relacionamento, depois acabam por casar, mas em que momento é que o Pastor Willems acaba por ser quase o pianista oficial da Sonnet, na medida em que ela já assumia um ministério musical muito grande, nomeadamente com o Pastor Bulion, não é? Exato. Então, nós casamos e eu sempre desenvolvi a parte de pregação, a atividade de pastor, pregando, evangelista, professor e músico. Eu sempre desenvolvi as três. E fazia semanas de oração. Ela me acompanhava e cantava. Um dia eu estava fazendo uma semana de oração na cidade de Niterói. Niterói era a cidade cuja sede da União Oeste Brasileira.
E eu comecei sábado, domingo, segunda. Quando foi na quarta-feira, chegou o departamental de jovens da União Oeste Brasileira. E os filhos disseram, pai, vamos para a igreja? Vai ter... Estava pregando lá o pastor Williams Costa Júnior e estava interessante. Não, mas estou cansado, vim de viagem, acho que não vai dar certo. Aí insistiram com ele, ele foi. E eu preguei nesse dia, ele estava sentado lá atrás no último banco, e depois que eu preguei, a Sonete cantou. Diz ele que quando ouviu a Sonete cantar, disse assim, ó, essa é a voz que eu estou atrás para os meus zapeiros. Era o pastor Bulion. E depois disso, ele convidou a Sonete para cantar num sermão dele e o resultado foi maravilhoso.
E, do resto, foi história. Trabalhamos juntos 18 anos nesses eventos. Mas a Sonette não era cantora o tempo inteiro. Ou seja, ela tinha a profissão dela e teve que largar tudo, no fundo. Ela, na verdade, sempre sonhou em ser médica. Mas, como não foi possível ela fazer medicina, ela fez enfermagem e trabalhou um ano como enfermeira profissional. Era muito feliz, realizada, até que começou a surgir os convites para cantar. E era também uma maneira de a gente estar junto, porque eu tinha minha vida, viajava e tal como músico e como professor e palestrante, e ela ficava em um hospital, então a gente ficava meio longe. Então, nós conversamos, oramos e, finalmente, a gente chegou à conclusão que era Deus chamando e abrindo portas.
E depois que nós começamos a trabalhar nessas campanhas com o pastor Bullion, várias portas se abriram, tanto para mim quanto para ela.
Uma dessas portas aconteceu em Portugal. Nós vamos ver um pequeno vídeo. Quero ver se o pastor Willems se lembra deste momento. Na altura, o pastor Willems teria uns 43 anos e o seu neto deveria ter uns 36, 37. Veja este vídeo. Mas veja todas as ovelhas mexendo a boca. E ele também começa a mexer a boca. Sim, nada. Só mexer porque quer viver como uma ovelha. Imita a ovelha em tudo que faz. A ovelha se levanta, ele se levanta. Você não assistiu, você tem que me pagar o relógio. Ele disse, tá bom, eu vou ir lá. Pela via dolorosa, meu Jesus Ou seja, isto foi em 93, 94?
4. Outubro de 94. E foi uma grande campanha, digamos assim, o nome técnico seria uma grande conferência que o Pastor Bolhão deu em Portugal, mas que na verdade não foi só o Pastor Bolhão, o Pastor Guilherme e a Sonete também vieram. Como é que foi? Recorda-se destes tempos. Eu me lembro, na verdade o que foi feito em Portugal foi o Projeto Sol. Sol em Portugal. O que era sol? Sol era semana de oração e louvor. Então, a base desse programa era um pequeno concerto musical com músicos locais, seguido de momentos de louvor que eu dirigia e preparava. E daí preparava o pastor Bulion, que entrava, fazia uma oração e lia a Bíblia.
Daí ele pregava. Quando ele terminava, ele fazia o apelo, mas para reforçar o apelo, ele sempre chamava a sonete para cantar. E aí vinham as decisões e os batismos, e tinha uma oração final e acabava. Era um programa simples. Concerto, momentos de louvor, pregação, música de apelo, oração final. Então, a gente veio para cá para reproduzir um programa que a gente já estava fazendo em vários outros lugares. Já tinha feito em São Paulo, no Rio de Janeiro, vários outros lugares. Só que a gente não tinha ideia como é que seria na Europa, em Portugal. E Deus abençoou de uma maneira extraordinária. Eu lembro até hoje dos resultados das pessoas, da emoção, das decisões ao lado de Jesus.
Foi maravilhoso. Acha que Portugal está muito diferente hoje daquilo que era quando Castro esteve em 94? Olha, eu sempre gostei muito de Portugal e eu não vejo uma diferença. Eu vejo, assim, mais entusiasmo, especialmente agora com a Novo Tempo Portugal, mais entusiasmo no processo de compartilhamento da mensagem. Mas eu sempre tive um carinho muito grande com o povo português, sempre admirei muito, já vim aqui várias vezes, eu amo a comida portuguesa, acho os lugares aqui lindíssimos, já estive em Coimbra, em Porto, em Lisboa e eu acho Portugal um país maravilhoso. Pastor Willems é pai de três filhos, um rapaz e duas raparigas, ou um rapaz e duas meninas, como se diz mais no Brasil.
Teve uma vida tão ocupada, com tantas intervenções em tantas áreas, na música,
na pregação, em tantas viagens. Como é que foi, estando os dois pais tão ocupados, ter educado três filhos, mas com uma educação que os levou hoje a ser três pessoas muito ligadas ao Ministério, não é? A Laura, que é a cantora, tu e eu que é realizador, produtor de cinema, de televisão, etc., e uma escritora, que é a Carolina, não é? Como é que isto acontece? Olha, primeiro, bênção de Deus. Não tem dúvida que Deus abençoou, que o Espírito Santo guiou e tudo mais. E segundo, a gente carregava junto. É isso o segredo? Será isso o segredo? Ah, não, é comunhão e compartilhamento. Criação de filho não é complicado, é simples.
Tem dois alicerces fundamentais, amor e obediência. Filho tem que ser muito amado, ele tem que ser muito... ele tem que entender que o amor dos pais por ele é incondicional. Mas ele tem que entender quais são os limites. Tem hora que você tem que dizer claramente o que é não. Tem gente que entende que amor é deixar fazer tudo do jeito que quer, na hora que quer. Não, aí vira uma bagunça. Então, os nossos filhos, tanto o Soneto como eu, o Soneto, ela era jovem, mas ela teve uma formação familiar muito forte que ela passou para os filhos. Então, havia uma disciplina. Horário de estudar, horário de brincar, horário de comer, horário para as coisas.
Então, só podia fazer uma coisa se terminasse outra. Então, eles cresceram com um senso de responsabilidade, entendendo o que dava e o que não dava. E, nesse contexto, eram muito amados, muito abraçados, muito queridos. E a gente, na medida da nossa possibilidade, a gente carregava eles juntos, entende? Nos programas que a gente fazia, nas viagens. Então, a gente tem memórias maravilhosas das visitas, dos locais, com fotografia, e dava risada e tal. Então, eu acho que o conjunto dessa questão relacional, mas os valores, os princípios conjugados com amor e obediência, E a bênção de Deus.
Podem ter sido fatores, não é? A família do pastor Williams é muito conhecida no mundo Adventista no Brasil. A sua mãe, enfim, foi uma pregadora, uma missionária, pregou em muitos sítios do país e não só, mesmo aqui em Portugal também. Tem os seus filhos que também têm um ministério muito grande. Tem também um sobrinho que é muito conhecido aqui em Portugal, Leonardo Gonçalves. Enfim, acha que a sua família tem o porquê de ser tão talentosa, pelo menos neste mundo das artes, da pregação, da comunicação, da música? Algum segredo? Não sei se é segredo. Se for segredo, vai ser desvendado. Mas eu não acho que tem segredo nenhum, é assim. A minha mãe, ela teve uma irmã mais velha, chamada Esmeralda.
E minha mãe teve quatro filhos. Eu fui o primogênito, o homem, e depois teve três filhas, Thelma, Tânia e Técia. A minha irmã Thelma é a mãe do Leonardo. A minha irmã Técia é a mãe do... Eu vou lembrar Marcel, Marcel Freire. E Tânia não teve filhos. Mas, na família da Telma, que o caçula era o Leonardo, tem dois músicos talentosíssimos. O mais velho é André. André é cantor, é compositor, ele faz orquestração, é um talento.
E o segundo é o Márcio. O Márcio toca saxofone muito bem, tem um senso musical muito grande e tem opiniões muito profundas sobre música. Marcel é um cantor profissional, tem várias gravações. Então, como a gente em família sempre desenvolveu esse gosto musical, a gente cantou muito, eu acho que pode ter inspirado os filhos, os sobrinhos, os netos e todo mundo a também desenvolver isso, né? E hoje em dia, como é a relação com os seus netos? Tem seis netos. O que é ser avô e estar relativamente perto deles? Porque eu sei que vivo perto de alguns. Ah, sim. Olha, ser avô não tem como explicar. Só experimentando.
É uma fase da vida na qual você profissionalmente não precisa mais provar muita coisa, porque o que tinha que fazer, o que tinha que provar já foi. Quando se encontra com eles, parece que o tempo para, aí é só brincar, correr. E o carinho que a gente tem, o carinho que a gente recebe deles também é uma coisa que é uma energia muito maravilhosa, muito bonita. Eu dou graças a Deus pelo privilégio de ser avô, pai, sogro, genro, noro, não, noro, nora... Genro, nora, né? Nora, nora. Toda essa coisa, porque para mim é tudo filho e neto, entendeu? Tudo junto, é maravilhoso. Pastor Elimos, vamos já voltar, vamos até ao nosso último intervalo nesta conversa com o Pastor Elimos Costa de Janeiro e já voltamos.
TV Novo Tempo, o canal da família, o canal da esperança. Terceira e última parte do programa Olhos nos Olhos, aqui na Novo Tempo
Portugal, onde No fundo, é desconstruir um pouco as diferentes camadas da sua vida, pastor Willems, que esteve ligado a tantas e tantas áreas, como eu dizia no início. Há algum chamado que terá acontecido a alguma altura da sua vida que sentiu que não estava preparado para aceitar e que mesmo assim aceitou? Existe, sim. Todos. Eu fui chamado inicialmente para ser professor, ainda era estudante, me senti despreparado. Depois, eu fui chamado para... para trabalhar como diretor do Conservatório Musical do IAE. Eu me senti absolutamente despreparado, mas Deus, na sua bênção, ajudou. Durante 10 anos, a gente construiu uma base de corais, orquestra, para infraestrutura do que é hoje a música nas escolas adventistas no Brasil, nos internatos adventistas do Brasil.
Depois disso, eu comecei a trabalhar no Centro de Produção Artística, que foi... Esse foi um desafio que era como andar no escuro, a gente não sabia direito para onde ia, como ia fazer. Deus abençoou. Fui para a Voz da Profecia, com Haraldos do Rei, o começo do Está Escrito. Grande desafio. Aí, finalmente, fui chamado para ser o diretor do ADSAT, que terminou sendo a Novo Tempo. Esse foi talvez o maior desafio de todos. Porque a gente não tinha um sistema de transmissão que chegasse nas pessoas. Os programas repetiam muito, não tinha dinheiro, não tinha equipe. E parecia que aquilo nunca ia dar certo. Mas Deus colocou a mão e abençoou.
Finalmente, depois eu vim para a área de comunicação. Fui diretor na divisão sul-americana. Cada chamado meu É uma coisa assim de senhor e agora. Há algum convite que gostaria que lhe fizessem e que nunca fizeram? Ah, tem vários. Eu queria ter sido ministro de música de algumas igrejas, mas nunca me chamaram. Eu queria ter tido a oportunidade de escrever alguns livros, mas a CPB nunca falou nada e eu dei umas indiretas, assim, não consegui. Tem várias coisas que você sonha, tenta e não dá certo. Mas eu dou graças a Deus pelas coisas que deram certo e como Deus usou essas coisas para criar um caminho ao longo da minha vida.
E ao analisar esse caminho, já alguma vez se perguntou, e se tivesse acontecido isto de forma diferente, como é que seria? Já fez essa pergunta? Eu acho que eu já fiz, mas eu nunca me interessei muito na resposta, não, porque eu sempre fui uma pessoa, assim, muito positiva e objetiva. Se o que tem é isso, vamos fazer isso. Se o que dá para ser é isso, vamos ser o que dá para ser. Porque, às vezes, a gente fica parado na vida perguntando, ah, porque eu estou aqui, mas poderia ser aquilo, e se fosse isso, e se fosse aquilo. Não, isso não adianta. Você tem que pegar o que você tem, agradecer a Deus e deixar Ele guiar, porque o que é que você vai fazer? É o que você tem. Pois, D. Aurílio, você sempre foi daquele tipo de pessoa que não esperava que o telefone tocasse, ou seja, que ia e fazia, não esperando os convites acontecerem.
É um misto das duas coisas. Mas, em geral, eu tomo a iniciativa. O meu temperamento é mais pró-ativo do que reativo. Pastor Ilmes, tem 73 anos, mas tem ainda uma vida muito ativa, ou seja, trabalha em pleno, já viajou por 98 países, tem uma vida muito, muito agitada, com constantes viagens, apresentações, etc. Faz algum plano de algum dia vir a aposentar-se, ou isso nem sequer faz parte da sua ideia? Eu faço plano de me aposentar, mas minha mulher fica apavorada, porque ela diz assim, você aposentado dentro de casa vai me deixar louca. Então, arruma alguma coisa para fazer mesmo aposentado. Considera-se hiperativo, é isso ou não? Talvez hiperativo. Eu, quando era criança, adolescente, eu era muito hiperativo.
Mas é que Deus me dá tantas ideias e eu vejo tanta coisa que é possível fazer, que eu acabo uma coisa, estou fazendo outra, estou fazendo duas, três, quatro simultaneamente. Então estou sempre envolvido em muitas atividades, o que dá a impressão de hiperatividade, mas na verdade é um volume grande de ideias e uma vontade muito grande de servir. Mas acabou por não me dizer, o que é que pretenderia fazer se algum dia chegar a estar aposentado? Várias coisas. Eu pretendo escrever alguns livros que eu sempre tive vontade de escrever sobre assuntos diversos, especialmente na área de louvor e adoração. É o assunto que mais lhe interessa. Exato, porque eu acho que esse é um assunto de salvação e que as pessoas precisam ter uma consciência bíblica.
Então, isso é uma prioridade. Segunda coisa, eu penso em seguir com as produções musicais, produções cinematográficas, produções de vídeo. Terceira coisa, eu acho que eu poderia ser um palestrante. em áreas diversas. E a quarta coisa que eu acho que vai ser a principal é me dedicar de corpo e alma na área de música, realizando concertos e festivais e gravações e produções na área de música, porque eu creio que isso é uma coisa muito sublime e Deus tem me abençoado ao longo dos anos aprendendo coisas que eu gostaria de compartilhar. Há pouco tempo fizeram um musical sobre a sua vida, mais propriamente sobre as músicas que compôs.
Foi especial esse momento? Foi maravilhoso e muita emoção, muita surpresa foi criado. Mas aí logo depois que nós fizemos a gravação desse musical, a gente teve o período do Covid. Aí parou tudo. Aí depois do Covid, para poder retomar, Muita coisa que faltava não combinava e tal, então a gente está lutando para juntar as partes que faltam e finalizar. E eu tenho a impressão que nesse ano a gente termina e vai ser um prazer muito grande compartilhar. Qual foi um dos momentos mais especiais do seu ministério? Que agora olha para trás e recorda que aquele momento marcou mesmo. Olha, são vários, mas se eu pudesse resumir, no meu ministério, Momentos emocionantes eram aqueles que eu estava tocando piano nos projetos Revive e Sol, Sonete cantando, Pastor Bolhão fazendo apelo e as pessoas entregando a vida a Jesus.
Eu me lembro que eu ficava fazendo fundo musical enquanto ele contava histórias e fazia apelo. Mas muito daquelas músicas que eu improvisava ao piano eram inspiradas olhando pessoas e famílias e gente abraçada e alguns indecisos e outros confirmando. Esse momento de decisão. conectado com o Ministério da Palavra e com o Ministério da Música, talvez para mim é um dos momentos mais emocionantes. E tem ideia de quantas músicas é que compôs? Olha, entre tudo dá mais de mil. Se você pegar composições, arranjos, adaptações, traduções, todo o material, orquestrações e tudo junto, eu acho que dá um bocado.
Se eu lhe pedisse um top 3 das mais especiais, não vou dizer a primeira porque acredito que seja difícil, mas se a tiver, gostaria de saber. Mas pelo menos aquelas 3 ou 5 mais especiais das suas músicas. Olha, é também difícil responder. Eu posso dizer para você quais são, talvez, as três que as pessoas mais gostam e mais se identificam. São as mesmas que o pastor mais gosta e mais se identifica? Não, porque para mim, música que nem filho. Cada uma é uma história, cada um é um momento. Tem música que não teve muita popularidade, mas tem muito significado. E é difícil identificar, assim, músicas preferidas. Mas eu posso dizer para você que a música Mãos ficou muito conhecida no mundo inteiro, foi traduzida para oito línguas.
A música Pedras, a música Jesus Tu És a Minha Vida, Quando Eu Olho para Você. Tem uma série, Conhecer Jesus é Tudo, Grande Alegria. Então eu vejo que essas são músicas que as pessoas cantam e se entusiasmam. Mas para mim é tudo, filho. Mas todas essas, a mão estracida que foi mais traduzida pelo mundo será mais conhecida? Talvez. Ou a Grande Alegria? A Grande Alegria? É, a Grande Alegria é bastante conhecida também. É que também tem um outro fator. Eu tive sempre muita dificuldade de traduzir minhas músicas para outras línguas. Porque como elas foram criadas em português, a inspiração vem em português, aí tem aquela coisa da música, das palavras, da sílaba. Aí quando você põe noutra língua, aí não dá certo essa música, aí não bate a rima.
É complicado. Mas quando alguém traduz, pede-lhe autorização para verificar no final se o resultado da forma como a letra ficou é aprovada por si? Então, essas pobres dessas pessoas fazem isso, mas, em geral, eu não gosto. Aí fica aquele constrangimento, ela se esforçou, fez e tal, e eu não estou satisfeito. Mas eu, quando me aposentar, eu quero me dedicar a trabalhar com essas santas criaturas e a gente botar. Mas já foi, de certeza, que já foi algum país e que começam a cantar uma música sua na língua desse país. Ah, já? Aí, de repente, eu olho assim e digo, mas que música é essa? Nunca ouvi falar dessa música.
Muito interessante. Pastor Willem, estamos a chegar ao fim, mas tenho que lhe fazer ainda a questão relacionada com o seu trabalho. É o Diretor do Departamento de Comunicação da Igreja Adventista a nível mundial. O que é que neste trabalho lhe dá mais alegria, no fundo? Qual é o grande desafio deste trabalho, em que todos os dias se levanta e tem que pensar em que medida é que a Igreja pode comunicar para pelo menos 22 milhões de pessoas? O que me dá mais alegria trabalhando com comunicação é entender que a comunicação que a gente faz é pra missão. Por quê? Você lembra no começo da entrevista eu falei que eu entendo que música é uma ferramenta de comunicação. Tem muita gente que acha que música, isso, aquilo e tal, eu não entro nessa discussão.
Então é uma ferramenta como falar, como escrever, como fotografar, como desenhar, etc. Nesse contexto, a minha visão é que as mensagens musicais, elas devem estar inseridas nesse grande plano de comunicação da mensagem de salvação. Então, quando eu acordo, eu sinto um entusiasmo enorme de pensar que é possível a gente utilizar artigos, campanhas de marketing, relacionamento com entidades de comunicação secular e da igreja, e histórias, testemunhos, vídeos, filmes, fotografia, música, tudo para poder a gente comunicar que Jesus veio a esse mundo, viveu entre nós, deu a sua vida para nos salvar, ressuscitou dos mortos, subiu ao Pai, intercede por nós, mas um dia Ele volta para nos levar para viver com Ele eternamente.
Então, em termos de comunicação, essa é a súmula. da mensagem. E essa mensagem precisa ser comunicada a todo mundo, em todas as raças, em todo tempo, para que esse evangelho vá a todo mundo. e Jesus volte. E a forma como comunica isso que o leva a todos a pensar, como é que vamos comunicar esta mensagem? E para mim é assim, às vezes a gente pensa, bom vamos fazer isso desse jeito, aí esse jeito não dá certo, aí tenta outro jeito, aí esse deu certo, vamos fazer de novo desse jeito. Então a gente vai tentando e experimentando. Ainda mais agora, com rede social, não existe jeito de você ter um padrão, uma regra que funcione. O mundo muda muito.
E a gente tem que ter a disposição de se ajustar a essas mudanças para poder a comunicação ser efetiva. Pastor William, mas como é o seu dia a dia, quando está em Washington, onde vivo? Eu acordo cedo. Eu deito cedo. Eu deito 8, 8h30, 9h. Eu já estou caindo de sono lá pelos cantos. Mas 3, 3h30 eu já acordo e daí é o meu momento de fazer o meu culto. de orar, entregar para Deus todos os desafios. Eu tenho um período de oração diário longo. E depois que eu faço o meu culto e a minha oração, aí é a hora de começar a refletir nos problemas complicados.
Os problemas complicados eu nunca resolvo no escritório, porque chega no escritório, eu telefono a gente, isso é uma desreunião, eu faço parte de 44 comissões. Então, não dá. Então, essa hora é a hora que você para, pensa, eu vou falar com o fulano, o que eu vou dizer pra ele, aí você escreve, ou tem um e-mail que você precisa responder que é muito sensível, essa é a hora que eu resolvo isso. Quando eu chego no escritório pra trabalhar, eu já tô trabalhando umas quatro, cinco horas. Aí daí o dia começa, atendo e tal, e coisa, por volta aí das cinco e meia, seis horas da tarde, eu já tô... Aí eu vou pra casa, como uma frutinha, uma sopinha e cama. Mas. Tudo o que eu faço, ele passa por uma revisão final.
Essas ferramentas, elas ajudam a organizar, a dar ideias, mas a decisão do que fica, É uma coisa que você tem que fazer, porque senão... Como é que é, né? Se tivesse que viver o resto da sua vida numa cidade, qual é que escolheria? Pergunta difícil! É difícil! Porque os seus filhos vão ver, os seus netos vão ver... Não mais... Eu não sei... Eu vou fazer assim, eu vou tentar dar uma resposta em relação a essa coisa das cidades, enquanto isso eu estou pensando para tentar achar uma. Por exemplo, São Paulo é a cidade das oportunidades, o rio é maravilhoso, Recife é a minha cidade do coração.
Nos Estados Unidos, eu acho maravilhoso viver em Washington. É uma cidade arborizada, bonita, vida cultural boa, rádios com música clássica, eu amo viver em Washington. Mas acho maravilhoso também várias cidades americanas. Por exemplo, no interior, lá no Colorado, lá nas montanhas rochosas, tem lugares lindíssimos. E aqui na Europa, eu amo Lisboa, sempre gostei de Lisboa. E onde mais? Na Suíça também, aquelas montanhas, aqueles vales. Opções nem faltam. A Itália, então, sabe? Aquelas cidades bonitas, com comida boa.
Bom, mas se eu tivesse que escolher, talvez seria algum lugar, ou nos Estados Unidos ou no Brasil, por causa da presença dos meus filhos e meus netos. O que é algo simples que lhe faz feliz? E se tivesse todo o tempo naquelas 24 horas sem nenhum compromisso, o que é que faz quando esses dias lhe aparecem? Ah, eu gosto de dormir. Tem gente que trabalha muito, é muito ativa e não tem sono. Eu morro de sono, eu gosto de dormir. Eu gosto de tirar um cochilo depois do almoço. Acabo de almoçar 10, 15 minutos, descansar um pouquinho. Eu acho que descanso é uma coisa tão boa. Porque você acorda em paz, com as forças restauradas.
Eu também gosto de ter uma conversa, de dar risada, ouvir as ideias dos outros, compartilhar ideias, aí vêm sugestões novas. Isso me dá muita inspiração para várias coisas, entende? E também entender as lutas e os sucessos das pessoas. São coisas que me enriquecem muito. Pastor William, qual o legado que gostaria de deixar para a música e para a comunicação da Igreja Adventista a nível mundial? O legado que eu penso que me daria mais alegria seria pensar que as pessoas foram inspiradas a dedicar seus talentos a Deus. É isso que eu tenho feito a minha vida inteira. Ele me deu vários talentos em diferentes áreas e eu tenho o tempo todo tentado desenvolvê-los e dedicá-los para a missão.
Se outras pessoas vendo eu fazer isso... Se se sentirem inspirados a fazer o mesmo, eu acho que esse é o meu maior legado. A última pergunta que eu tenho só podia ser esta. Se a sua vida fosse uma música, qual seria o estilo dessa música e qual seria o título dessa música? Jesus, tu és a minha vida. Jesus Tu És a Minha Vida é um resumo de tudo que eu acho sobre Jesus e é muito significativo para mim e eu percebo que tem sido muito significativo para as pessoas. Tem também Em Louvor a Jesus, aquela que diz assim, quero viver a vida cantando Em Louvor a Jesus. Então, essas músicas, elas são meio que um resumo. do meu desejo, do meu carinho por Jesus.
Ou seja, nem sequer seria necessário criar uma música nova, nem um título novo. Essas músicas já existem. Eu penso que sim. E eu percebo na reação dos músicos e das pessoas que termina criando uma empatia com eles. Isso é um privilégio. O privilégio foi nosso de o ter aqui conosco, Pastor Willems. Muito obrigado. por termos estado este bocadinho olhos nos olhos um com o outro e também com quem nos acompanha lá em casa e que o senhor o continue a abençoar neste seu ministério que tem.