Ansiedade (I Parte)

Ansiedade (I Parte)

23 de Julho de 202526 min 30 s

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Estamos de volta. Vamos trazer-lhe mais um médico de família. É um prazer, novamente, estar na sua companhia. Quem também está sempre connosco na minha companhia é a Dra. Cláudia Neves. Cláudia, bem-vinda. Olá, Daniel. Obrigada. É um prazer estar aqui. Cláudia, hoje escolheste como tema para abordarmos neste programa a ansiedade e também os transtornos de ansiedade. Eu começo já por te perguntar que estas questões das doenças de flora mental são cada vez mais comuns e eu diria, para além de mais comuns, cada vez mais frequentes. Isto está a tornar-se um caso muito sério, não é? É verdade. Eu trago aqui alguns dados, alguns números, para aqueles que nos estão a ver e a ouvir terem um bocadinho a noção. Segundo dados da OMS, Organização Mundial de Saúde, os últimos dados que temos são de 2012, diz que 12% das doenças em todo o mundo eram do foro mental.

E, se considerarmos os países considerados desenvolvidos, este valor aumenta para 23%. o que é muito. Ou seja, pegando nesta estatística, uma em cada oito pessoas vive com algum tipo de doença mental, o que é muito. Destes, dentro do pacote de doença mental, existem várias doenças, várias patologias. As mais frequentes são a ansiedade e a depressão. E quando nós falamos de uma forma geral em ansiedade, estamos a falar patológica, perturbações da ansiedade. 60% dos casos de doenças mentais são ansiedade e depressão. Ansiedade, 31% destes casos. Depressão, 28,9%, mais ou menos 29%.

E diz que estes números aumentaram após a pandemia da Covid-19. No caso da ansiedade aumentou 26%, os valores de base, e no caso da depressão 28%, o que também é um valor considerável. Considerando ainda as estatísticas mundiais, diz-nos que 60% das pessoas que vão a consultas nos cuidados de saúde primários, nas unidades de saúde com médico de família, têm uma perturbação mental diagnosticável. 60%! Mais de metade. Considerando agora o nosso país, os dados que temos são da OCDE, Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, e são mais recentes, 2018.

e diz que 18,4% da população portuguesa sofre de uma doença mental. 18,4% em 2018. E estas incluem várias, mas sobretudo ansiedade, depressão e problemas relacionados com o consumo de drogas e de álcool. As adições, não é? Que também são inseridas no grande grupo das doenças mentais. Temos aqui ainda dados um bocadinho mais recentes, de 2022. O Centro de Apoio Psicológico e de Intervenção em Crise, que é do INEM, do Instituto Nacional de Emergência Médica, diz que em 2012, entre janeiro e setembro, não é o ano todo, recebeu cerca de 7 mil chamadas telefónicas que foram encaminhadas pelos Centros de Orientação de Doentes Urgentes, chamado CODU.

Ou seja, isto dá uma média por mês de 770 chamadas só para apoio psicológico. E claro que isto é uma amostra, porque são aquelas pessoas que têm a coragem de pedir ajuda telefonicamente para o INEM. Sim, porque ainda algo contava sobretudo nos homens, não é? Exatamente. E é muito importante assumir que temos um problema e que precisamos de ajuda. É o segundo passo. E nós temos essa noção, nós médicos de família, que os problemas de saúde mental são uma queixa frequente nas nossas consultas, ou então as pessoas queixam de outro problema qualquer, de ordem até física, mas nós nos apercebemos que subjacente tem um problema mental ou emocional.

Segundo dados da OCDE, Portugal é o país com mais elevada prevalência, maior número de casos, de sintomas associados a problemas psicológicos na Europa. Portugal é o que tem mais. 23%. Entrando agora um bocadinho na ansiedade como perturbação da ansiedade, diz-nos dados do inquérito às condições de vida e rendimento, o chamado ICOR, que foi realizado em 2023, diz-nos que 34,3% da população com 16 anos ou mais tinha sintomas de ansiedade generalizada. que é um tipo realmente de doença mental específica, dentro da ansiedade. Isto é muito, 34,3%.

Um terço em números grossos. Exatamente. Isto em 2023. Portanto, isto tudo foi para demonstrar aos nossos espectadores, aos nossos ouvintes, que as doenças mentais, como tu disseste, são um problema mundial, mas

O que é a ansiedade

também do nosso país. Precisava que nos explicasse um pouquinho, porque nós normalmente ouvimos a expressão sofrer de ansiedade. Mas sendo a ansiedade algo natural, até de defesa, um mecanismo de defesa, explica-nos lá o que é a ansiedade e os transtornos de ansiedade. Sempre que surge alguma circunstância, alguma situação nova no nosso dia-a-dia, nós temos que nos adaptar, arranjar uma solução, saber como transpor este obstáculo. Isso gera ansiedade. É uma reação normal a algo que nós temos que nos adaptar. Por exemplo, alguém que vai para um exame, alguém que vai mudar de trabalho, vai nascer um filho, vai casar. Situações consideradas até negativas ou positivas criam ansiedade.

É, no fundo, uma sensação de medo perante algo que é novo para nós ou que nós estamos a conotar como negativo ou que possa vir a ser negativo. Acaba por ser protetora, não é? Exatamente. É o que nos impela à ação. Porque se nós não tivermos ansiedade, E nós até podemos notar isto nas pessoas que conhecemos, aquelas que pela sua personalidade são mais proativas, aquelas que são mais passivas em resolver as circunstâncias, as situações que vão surgindo. Aquelas que não têm quase ansiedade, têm mais dificuldade em resolução de circunstâncias, de problemas, de conflitos, de tudo que seja algo novo na sua vida, que saia da sua rotina. Ou seja, é comum, é considerado normal nós sentimos ansiosos quando surgem novas circunstâncias.

Agora, se esta ansiedade for exagerada em termos de intensidade ou prolongada no tempo, apesar daquela circunstância que inicialmente nos gerou ansiedade já ter sido ultrapassada, aí já é um problema mais grave. Como tu disseste, a ansiedade considerada fisiológica é útil, permite-nos realmente Agir perante as circunstâncias é um estimulante, mas em excesso. Surgem os chamados transtornos da ansiedade. É bom eu chamar aqui a atenção que quando nós falamos de ansiedade estamos a falar como doença, nos transtornos. Só que é mais fácil dizer só ansiedade do que transtornos de ansiedade. Mas tudo o que nós vamos dizer no programa quando dizemos ansiedade, estamos a falar da parte doente, patológica, os transtornos de ansiedade.

E segundo a própria definição da OMS, são os grupos de condições que se caracterizam por preocupação excessiva, ou seja, além do que é normal. Isso é que são os transtornos de ansiedade, ou seja, é quando já vai além daquilo que nos ajudaria a transpor aquele obstáculo e que já pode causar sofrimento. Sofrimento, como já vamos ver mais adiante, que pode ser emocional, mental e pode ser físico. Podemos ter sintomas físicos desse transtorno. E vemos aqui que o que é importante discernir aquilo que é fisiológico ou daquilo que é patológico, que já é doença, é se aquilo se prolonga no tempo E se aquilo já está a afetar a minha vida a outros níveis, apesar daquela questão que estava ali definida anteriormente, aquele problema já tinha sido ultrapassado.

Temos então que, se calhar mais para a frente, perceber quais são esses limites e tentar perceber também para cada um de nós se existe ou não algum tipo de transtorno. Mas eu sei, aliás já mencionaste a alguns, que existem diferentes tipos de transtornos, ou também se quisermos conhecidos, de perturbações de ansiedade, não é? Exatamente. Alguns são mais comuns. As perturbações de ansiedade em geral ou transtornos de ansiedade, podemos dizer das duas formas, são queixas frequentes ou manifestações frequentes nas consultas de qualquer médico de família. E os mais comuns são a perturbação de ansiedade generalizada e a perturbação de pânico. Mais à frente já vamos discriminar um bocadinho. Estes são os mais comuns, mas existem mais e que se calhar quem nos está a ver e a ouvir vai reconhecer os nomes.

O estresse pós-traumático e as fobias, por exemplo. Estes quatro, diria, são os mais comuns. Perturbação de ansiedade generalizada, perturbação de pânico, as fobias e o estresse pós-traumático. Existem outras mais raras, portanto, e que não são assim tão comuns nas consultas, mas estes quatro são as mais frequentes. Muito bem, vamos só agora pedir-te uns segundinhos, e são realmente uns segundinhos, porque quero lhe oferecer o Guia de Estudo, a Máquina Humana. Provavelmente já teve a oportunidade de ouvir, mas ainda não sentiu aquela necessidade ou não pensou que talvez lhe pudesse ser útil. Pois bem, este Guia de Estudo foi preparado por especialistas São um conjunto de 8 lições fantásticas das mais diversas áreas, porque o ser humano é holístico, e por isso este guia de estudo, sem dúvida nenhuma, pode ser uma ferramenta ideal para ter um estilo de vida mais saudável.

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Tipos e sintomas

Cláudia, já falámos então do que é estes transtornos, estas perturbações de ansiedade, mas como conhecer os sintomas? Porque muitas vezes também acontece a situação em que a pessoa sente que está com alguma perturbação e é apenas um momento normal e passageiro na vida, não é? Como já vimos que é fisiológico, é normal. De vez em quando estamos mais preocupados com determinadas circunstâncias ou algo que aconteceu na nossa vida. É normal, somos humanos. Eu vou tentar um bocadinho caracterizar estas quatro mais frequentes. E de certeza que todos vão reconhecer, por exemplo, conhecem pessoas que tenham medo de andar de avião, medo de espaços fechados, medo de andar de elevador, medo das aranhas. São as fobias. É um medo intenso perante determinadas circunstâncias relacionado com circunstâncias ou objetos ou animais.

São as fobias, que podem ter nomes diferentes mediante o tipo de fobia que a pessoa tem. Não vamos estar aqui a discriminar porque são muitas. Isto é um tipo de perturbação da ansiedade em que leva que a pessoa, porque tem essa ansiedade intensa, esse medo perante essas circunstâncias ou na presença desses objetos ou animais, que evita. Por exemplo, pessoas que tenham medo de andar de avião nunca vão andar de avião ou evitam a todo custo. Pessoas que têm medo de alturas que evitam atravessar, por exemplo, pontos que sejam muito altos. E conheci algumas em alguns sítios onde já residi. E tentam ir fazer outro trajeto só para não passar naquela ponte porque, sob o facto de estarem na ponte, entram num estado de ansiedade extremo. Uma espécie de um medo não controlável, que não se consegue controlar.

É, é uma fobia. Exatamente. Que, perante estas circunstâncias, eles sentem essa ansiedade, esse medo, e então evitam-nos ao máximo. Ataques de pânico. Eu penso que todos nós já assistimos a pessoas que tenham tido ataques de pânico. É uma crise súbita e sem aviso também de intensidade de medo intenso e que normalmente é acompanhado por pensamentos como que são intrusos na nossa mente que nós não conseguimos controlar. o medo de ficar louco, o medo de morrer, o medo de não conseguir respirar, porque associa-se mesmo a sintomas físicos. A pessoa sente mesmo as palpitações, o aumento da transpiração, a sensação que te vai deixar de ver, deixar de ouvir, e tudo tem a ver realmente com esse medo intenso que surge de forma inesperada e que as hormonas do stress bloqueiam realmente ali o cérebro e a pessoa fica com esta circunstância que não consegue controlar.

Chega a ser paralisante ou até desmaio, não é? Ataques de pânico, exatamente. e que normalmente as pessoas associam sempre à doença física e normalmente temos que começar a desmistificar e claro, já lá vamos mais adiante, pessoas com alguma história de ataques de pânico frequentes, nós temos que excluir outras patologias, que é o medo das pessoas, medo de morrer, tem algum problema do coração, porque as pessoas têm mesmo esses sintomas e é isso que realmente depois as perturba. Depois já vimos que uma das mais frequentes é a perturbação de ansiedade generalizada, é quando existem sintomas de ansiedade mais prolongados no tempo, permanentes, persistentes, de vários tipos.

Já explico mais adiante quais são os sintomas. E habitualmente com sintomas físicos, ou seja, a pessoa sofre emocionalmente e fisicamente. Pode ter mais cólicas abdominais, alterações do trânsito intestinal até com diarreias frequentes ou obstipação, alternando uns com outros ou só um dos tipos, dor de estômago, dores musculares, palpitações, a sensação de coração a bater rápido e depois é um ciclo vicioso porque os próprios sintomas físicos criam ansiedade e a pessoa fica mais ansiosa. Portanto, perturbação de ansiedade generalizada. O estresse pós-traumático é uma ansiedade intensa, física, associada a um determinado acontecimento, que normalmente é algo que a pessoa viu como um trauma que pôs em risco a sua vida, ou quase, e que emocionalmente afeta muito se voltar a estar em circunstâncias semelhantes.

Porque a pessoa se sente emocionalmente como se estivesse outra vez naquela situação. Pode ser de maus-tratos físicos, mentais. Acontece muito nas guerras. As pessoas estiveram em guerras. Catástrofes, coisas assim do género. Catástrofes naturais, inundações, incêndios. Pessoas que sofreram na infância ou adolescência de negligência, maus-tratos físicos ou mentais. E pode gerar estresse pós-traumático. A pessoa volta a viver como se estivesse emocionalmente naquelas circunstâncias. Revive o momento. Exatamente. Isso cria realmente muita ansiedade. Agora, pegando mais especificamente na tua pergunta, quais os sintomas? Os sintomas podem se manifestar, como nós somos seres multifacetados, não é só fisicamente ou psicologicamente.

Manifestam-se a vários níveis. Psicologicamente, estes sintomas que eu vou descrever manifestam-se em todas estas perturbações da ansiedade. Perturbação de ansiedade generalizada é mais ao longo do tempo. As outras em determinadas circunstâncias. Como médica, eu tenho sempre medo de falar de sintomas e sinais. Porquê? Porque a minha experiência diz que as pessoas vão logo estar a ver que estão a sentir aquilo e que se calhar até devem ter aquela doença. É um risco que corremos, mas é importante as pessoas terem essa informação. Acaba por ser uma ferramenta que está nas nossas mãos para também conhecermos o nosso corpo e como estamos a reagir, não é? Mas pegando naquilo que eu acabei de dizer é importante terem a noção que os sintomas nunca são avaliados isoladamente.

Isto faz tudo parte de um ser humano. Cada ser é um ser e nós analisamos cada utente individualmente porque somos todos diferentes. Sensação de medo intenso é um dos sintomas psicológicos. A inquietação, a diminuição da atenção porque a pessoa fica mais focada naquilo que lhe gera ansiedade. as preocupações persistentes, o estado de alerta, isto leva a uma dificuldade em adormecer, a uma insónia inicial, a irritabilidade, qualquer coisa, pequeninas circunstâncias, a pessoa irrita-se. Agora vejam, só estes sintomas todos, todos nós de vez em quando temos isto. Agora, não vão analisar e não vão pensar logo que eu tenho uma perturbação de ansiedade, um transtorno de ansiedade.

Não! Não quer dizer que tenhamos todos perturbação de ansiedade. Isto são os sintomas psicológicos. Depois, fisicamente, o que é que a pessoa pode sentir ou notar? Atenção! Também é muito variável de pessoa para pessoa. E há pessoas que têm mais sintomas psicológicos, outros físicos ou vice-versa. Aliás, como eu já disse inicialmente, há pessoas que vêm se queixar até de sintomas físicos E nós, médicos, depois de excluirmos outros problemas de saúde, é que chegamos à conclusão que o problema se calhar não é físico. O físico é uma manifestação de que a pessoa emocionalmente não está bem. E vejam só, sintomas físicos, tensão muscular, os tremores, respiração mais rápida pode se tornar mesmo ofegante e mais superficial, a pessoa esquece.

E é importante, de vez em quando, fazer respiração mais profunda. Podem surgir até tonturas, formigueiros ou dormências nos dedos, alguma parte do corpo. O aumento dos batimentos do coração, o que dá a sensação de palpitações. O aumento da transpiração, que nós chamamos de aumento da sudorese. A boca seca, por outro lado. A vontade súbita de estar sempre a ir à casa de banho, seja urinar, seja defocar. Isto são tudo manifestações físicas. de que as nossas hormonas do stress estão a linha alta e o nosso sistema autónomo, sistema nervoso autónomo, que nós não controlamos, reage. É uma forma de defesa. Agora, não vamos pensar, porque estamos com a tensão muscular, que vamos estar com perturbação da ansiedade.

É sempre dentro de um contexto. Sintomas comportamentais. O que é que isto quer dizer? Quer dizer que a pessoa que está com uma perturbação de ansiedade vai manifestar no seu dia-a-dia, na convivência com a sua família, com os seus amigos, com os seus colegas de trabalho, algo diferente. E muitas vezes são os conviventes ou os familiares ou com quem trabalhamos que nota que alguma coisa não está bem. Por exemplo, a pessoa evita determinadas circunstâncias porque sabe que lhe vão criar ansiedade. Seja nas fobias, seja pessoas que tenham stress pós-traumáticos, por exemplo. Às vezes até de forma inconsciente, não é? Exatamente. Porquê? Porque as pessoas tentam evitar aqueles estímulos que para elas são perigos que podem despolutar uma crise de ansiedade.

Ou alguém, por exemplo, já falámos do evitar andar de avião e que sabe que não vai andar. Ou seja, o não andar de avião já é um comportamento, já é um sintoma comportamental, já é um sinal. Para ela estar a evitar é porque existe a fobia do andar de avião. Isto manifesta-se, então, no seu comportamento. Seja, por exemplo, as pessoas que têm fobia dos espaços fechados, nunca andam de elevador. recusam-se a fazer determinados exames médicos porque sabem que vão estar ali num espaço fechado. Portanto, isto demonstra que a pessoa muda determinadas circunstâncias da sua vida porque sabe que isso vai-lhe gerar-lhe uma ansiedade ou vai-lhe gerar-lhe algo desagradável que ela não quer sentir, seja emocionalmente, seja até fisicamente.

Sendo que essas questões que estás a falar muitas vezes são perceptíveis, ou seja, a pessoa reconhece que passa a ter aquele medo, reconhece que passa a ter um comportamento diferente perante aquela situação. Mas há muitos casos em que pessoas sofrem deste tipo de participações e nem conseguem definir qual é o problema. Eu não sei como é que é a tua prática clínica. E isso ainda cria mais ansiedade, porque a pessoa percebe que não está bem, mas não sabe o porquê. Muitas vezes até manifesta, não há razão nenhuma para eu me sentir assim, mas estou assim. Nesse sentido é importante manifestar essa preocupação junto do médico, pedir ajuda, porque podemos descartar causas orgânicas, outras doenças físicas ou até mentais que possam dar essa sintomatologia. Ou podemos, com psicoterapia, ou seja, com apoio psicológico, tentar perceber se há algum evento no seu passado ou no seu presente que esteja a despolutar esta perturbação da ansiedade.

Portanto, é sempre importante, se tem a noção que não está bem, pedir ajuda. médico de família, psicológico ou um ao outro, aos dois em simultâneo. Mas isso depois falaremos nisso mais adiante. Eu queria ainda falar a questão do diagnóstico, perceber como é que se percebe que efetivamente esta pessoa está com esta patologia. Mas antes disso, eu estou-me a lembrar agora de situações às vezes de stress, já falávamos aqui no passado em stress, Quando eu me permito manter numa situação de stress prolongada no tempo, posso, sem me estar a perceber, entrar numa situação em que vou ter uma perturbação de ansiedade, não é? Sim. Isso devia ser logo um aviso para cada um de nós. Exatamente. Se nós não estamos bem e se nós sabemos o que é que me está a gerar ansiedade, eu tenho que parar Basta às vezes, eu digo parar e podem estar estranhos, nós paramos muitas vezes.

Hoje em dia na nossa sociedade não paramos muitas vezes para pensar na forma como estamos a viver, os nossos hábitos, o que é que nos pode estar a perturbar. E o que é que eu posso mudar para isto ou aquilo não perturbar tanto? O que é que eu posso mudar em termos de fator desencadeante ou até no meu estilo de vida para eu não reagir tão sensivelmente, emocionalmente àquelas circunstâncias? Porque das duas uma, ou eu tiro o estímulo, ou reduzo o estímulo que me está a gerar ansiedade, ou eu torno mais forte emocionalmente, fisicamente, para não reagir patologicamente àquelas circunstâncias. E temos que sempre, no tratamento, acompanhamento, jogar com estes dois fatores que são muito importantes. O fator desencadeante e a forma como eu vou reagir.

Eu posso aligerar a carga ou não, mas eu posso me tornar mais forte. E pedir ajuda se não souber a diferença. Exatamente. Falamos nisto fisicamente, mas falamos nisto emocionalmente também. Como é que é feito o diagnóstico? Claro que eu tive aqui a dizer estes sintomas todos, psicológicos, físicos e comportamentais, mas o diagnóstico não é feito por cada um de nós. Deve ser feito sempre por um médico.

Diagnóstico e tratamento

Seja médico de família, seja psiquiatra. Portanto, se acha que tem algum problema nesta ordem, deve consultar um médico. E claro, nós sabemos, estamos formados nesse sentido, devemos excluir outras patologias. Alguém vem nos queixar e tem alguns destes sintomas. Devemos sempre, em primeiro lugar, excluir, podemos pedir exames para excluir realmente outras doenças até físicas e orgânicas. Depois falaremos nisso mais tarde. Para que o médico diagnostique é importante que isto seja intenso, que já vimos que a ansiedade é normal e fisiológica, quando diz respeito a várias atividades e está a afetar a vida da pessoa a todos os níveis, ou a vários níveis, familiar, profissional, pessoal, e quando nos últimos seis meses é maior o número de dias que a pessoa está ansiosa do que não está.

Este é outro fator importante. E deve ter três ou mais destes sintomas que eu vou dizer. Agitação, sensação de tensão ou nervosismo, tendência a cansar-se facilmente, que muitos de nós temos, dificuldade de concentração, irritabilidade, atenção muscular e o distúrbio do sono. Ter três destes, destes três que eu referi. É importante, primeiro, o médico faz o exame, é importante ver a tensão, a frequência cardíaca, uma auscultação. O médico sabe. E, em alguns casos, pedir exames para excluir outras patologias. Em todos os casos, pedir ajuda. Exatamente. Na dúvida, é ir ao seu médico de família, marcar uma consulta e pedir ajuda. Muito bem, Cláudia. Quero agradecê-lo de mais uma vez. Certamente teremos, vamos falar sobre este assunto ainda num próximo programa, de uma forma ainda mais específica.

Para se encostar desse lado, se ainda não recebeu o guia de estudo A Máquina Humana, não precisa ficar ansioso. só precisa enviar-nos uma mensagem. O número de telefone é o mesmo, é o 933-939291. É um guia de estudo fantástico que certamente vai ajudá-lo na sua vida. E melhor que tudo é que o criador que fez o corpo humano e que o mantém, o criador desta máquina, esta máquina humana, tem também dicas, conselhos muito práticos neste Guia de Estudo para si. Mais uma vez ficamos a aguardar o seu contacto. Dizer-lhe também que não só este programa, mas todos os outros estão disponíveis no YouTube da Novo Tempo Portugal, mas também no podcast da Rádio RCS em radiorcs.novotempo.pt.

Mais uma vez quero agradecer ter estado desse lado e aguardamos o seu contacto. Não hesite, peça o Guia de Estudo à Máquina Humana.

Sobre este episódio

Este episódio de "Médico de Família" mergulha num tema de saúde que afeta milhões em todo o mundo e que, em Portugal, assume uma dimensão alarmante: a ansiedade e os seus transtornos. Descobrirá a diferença crucial entre a ansiedade natural – um mecanismo de defesa essencial que nos impulsiona – e as suas formas patológicas, que se manifestam de formas inesperadas e causam um sofrimento real. Com base em dados recentes e esclarecedores, este programa irá ajudá-lo a compreender a crescente prevalência destas condições, revelando como afetam a vida quotidiana e porque é tão vital procurar apoio.Aprofunde o seu conhecimento sobre as múltiplas faces da ansiedade, desde medos intensos e incontroláveis a ataques de pânico súbitos e o impacto insidioso da ansiedade generalizada ou pós-traumática. Fique atento aos sintomas psicológicos, físicos e comportamentais que o seu corpo e mente podem apresentar, e perceba os limites entre o que é normal e quando é imperativo procurar ajuda especializada. Esteja preparado para reconhecer os sinais e dar o primeiro passo rumo ao bem-estar emocional e físico, numa abordagem clara e acessível que desmistifica estas condições.

Série
Médico de Família · 73 episódios
Temporada e episódio
Temporada 1 · Episódio 16
Estreou
23 de Julho de 2025
Categoria
Saúde