26:50Seja bem-vindo a este seu consultório aqui da Novo Tempo Portugal. Mais um médico de família. É um prazer estar na sua companhia e também da Dra. Cláudia Eves. Cláudia, mais uma vez, bem-vinda. Obrigada. É um prazer estar aqui para fazer mais um programa médico de família. No programa anterior falámos sobre ansiedade e transtornos de ansiedade, mas faltou falarmos das causas, mas também decidiste, de uma forma mais concreta, falar das duas mais comuns, a perturbação de ansiedade generalizada e também a perturbação de pânico. Mas antes de avançarmos para o programa eu pedi-te um favor, para quem não teve a oportunidade de assistir ao programa anterior, se podias resumir um pouquinho, em breves segundos, o que é a ansiedade e o que é o transtorno de ansiedade. A ansiedade em si é considerado fisiológico, normal.
Todos nós vivemos no dia-a-dia com situações em que nós nos temos que adaptar para resolver, para transpor determinados problemas. Só os mortos não têm ansiedade, por assim dizer. Agora, quando isto é mais intenso e prolongado no tempo, interfere com a nossa vida, com o nosso dia-a-dia, aí já é um transtorno de ansiedade. E vimos no programa anterior que existem vários tipos de perturbações ou transtornos de ansiedade. Os mais frequentes são a perturbação de ansiedade generalizada, a perturbação de pânico, as fobias e o stress pós-traumático. são os mais frequentes. Estivemos a ver realmente quais os sintomas, sinais que se podem manifestar fisicamente, psicologicamente e na forma comportamental das pessoas que sofrem qualquer um destes distúrbios.
E hoje vamos falar realmente, como estavas a dizer, noutra perspectiva da ansiedade, mas quando falamos na ansiedade é na patológica, a perturbação da ansiedade, apesar de haver a fisiológica ou considerada normal. Muito bem. Uma delas que nós conhecemos, que tem a ver com traumas, por exemplo, é mais reconhecível, percebe-se qual é a causa, mas de uma forma genérica, porquê que acontece? Quais são as causas? Há vários tipos de causas. Nalguns casos a pessoa não se sabe, não recorda, não associa a nenhum fator desencadeante, o que é que lhe gera aquela perturbação da ansiedade, seja ela qual for. E isso mesmo também lhe traz mais ansiedade porque não sabe porquê que está assim.
Por isso é que é importante um dos aspectos do tratamento das perturbações de ansiedade em geral é tentar ir à causa ou fator desencadeante. Vários estudos demonstram que existe também um fator genético, ou seja, existem várias causas, como já vou dizer, a genética pode ser uma delas, ou seja, pessoas que na sua família já têm vários familiares diretos, pais, irmãos com perturbações de ansiedade, têm mais probabilidade de vir a ter uma perturbação de ansiedade. Existem também causas psicológicas, traumas que a pessoa sofreu no seu passado, determinadas drogas, também geram situações de ansiedade, o consumo de drogas, problemas de ordem mental, problemas físicos ou o próprio meio ambiente, seja no trabalho, seja na família, circunstâncias que nos criam perturbação da ansiedade.
Vamos agora esmiuçar um bocadinho cada uma destas causas.
Por exemplo, as causas psicológicas. Como já vimos no programa anterior, o próprio facto de estarmos com ansiedade gera-nos sintomas físicos, seja o coração a bater rápido, aumento da transpiração, problemas intestinais, dificuldades com dor de estômago, tensão muscular. e a pessoa, normalmente que está ansiosa, pensa que estes sintomas físicos podem ser uma doença muito grave. Isto, por sua vez, gera mais ansiedade. É um ciclo que se autoalimenta, por sua vez. Portanto, a forma como a própria pessoa vê aquilo que lhe está a acontecer pode gerar ainda mais ansiedade. Temos as causas psicológicas. Temos os traumas, eventos que realmente surgiram na vida daquela pessoa, na infância, na adolescência ou já na vida adulta, perturbadores, ameaçadores que põem em causa a sua vida ou a sua integridade física ou até mental, emocional e que geram determinado nível de ansiedade que se pode perpetuar no tempo.
E normalmente, falámos também um bocadinho isso no programa anterior, podem ser catástrofes naturais, pode ser abusos, negligência, todas estas circunstâncias. Até a perda de subida do antequerido, por exemplo. Exatamente. Podem levar a uma perturbação do stress pós-traumático, por exemplo. Portanto, os traumas são uma das causas. E como tu próprio disseste há pouco, a pessoa nesse caso sabe qual foi o trauma, qual foi o fator desencadeante. Temos, por exemplo, as drogas. Sabemos que há várias drogas, como canábis, LSD ou ecstasy, que podem criar crises de ansiedade. Quem consome essas drogas, claro. Até cafeína em excesso pode criar, simular ou criar, perturbação de ansiedade numa pessoa que consuma muita cafeína ao longo do tempo.
Vemos assim que o consumo de determinadas substâncias pode gerar uma perturbação da ansiedade. Ou até em momentos de abstinência dessas adições, não é? Aí já não é perturbação. Aí já, no fundo, é os sintomas de abstinência e que também é tratável. Portanto, mais vale deixar de ingerir aquilo que nos faz mal do que não parar para não ter os sintomas de abstinência. Mais vale deixar, não é? As causas também são os problemas da própria saúde mental. muitos problemas que as pessoas possam ter. outras patologias mentais estão muitas vezes associadas à ansiedade. E dou um exemplo que é dos mais frequentes. Como já vimos, das doenças mentais, ansiedade e depressão são as mais frequentes. Pessoas com depressão têm muitas vezes transtornos de ansiedade.
Está associado. Porque a forma como vão lidar com as circunstâncias também vão lhe criar ansiedade. E temos também problemas físicos. As pessoas podem ter alguns tipos de problemas de saúde mesmo que podem simular ou até gerar crises de ansiedade. Pessoas, por exemplo, com problemas da tiroide. A tiroide é uma glândula que todos nós temos aqui no nosso pescoço. Todos nós, a não ser que tenham sido operados e tenham tirado a tiroide. E é uma glândula que liberta hormonas, substâncias, que são muito importantes para muitas coisas do nosso corpo, para nós funcionarmos bem. Tanto que as pessoas que são operadas à tiroide têm que tomar hormonas da tiroide incomprimidas o resto da sua vida para substituir o que não têm.
E quando existem perturbações da tiroide, mexe muito com a parte mental. Muito mesmo. E há pessoas que começam a ter realmente perturbação da ansiedade. Alguns tratamentos com alguns medicamentos, como por exemplo prolongados no tempo, medicamentos derivados do corticosteroides, que as pessoas mais conhecem como cortisona, podem gerar também crises de ansiedade, porque são substâncias que mexem com muitas partes do nosso corpo, incluindo a parte emocional. Vemos aqui que há uma panóplia de causas possíveis e que dificilmente nós podemos dizer aquela pessoa é por causa disto. Muitas vezes são estes fatores todos juntos, uns de uns, outros de outros. Muitas vezes têm a ver com a personalidade da própria pessoa, com as circunstâncias da vida, os traumas que pode ter tido, mudanças que pode estar a sofrer ou ter sofrido recentemente.
É um conjunto de circunstâncias. Porquê é que eu digo isto? Porque situações desagradáveis no nosso passado, eu penso que todos nós tivemos. ter familiares ou não, aí nós não escolhemos os nossos familiares que têm perturbações de ansiedade. É um fator que nós não podemos modificar. Mas a forma como nós vamos viver as circunstâncias ou como nós vamos viver a nossa vida, o nosso estilo de vida, pode determinar ou não se eu vou ter essa perturbação de ansiedade. Ou seja, por isso é que é difícil dizer a uma pessoa, tu estás com perturbação de ansiedade por causa disto. Ou por exemplo, estás de luto. Tudo bem. Mas outras pessoas estão de luta e não têm perturbação de ansiedade. Nós somos um seres complexos. Ou seja, mais uma vez eu digo, é importante o médico avaliar cada caso individualmente.
E claro que pode haver traumas, fatores encadeantes que se podem identificar ou não identificar. Ou ajudar a pessoa na psicoterapia a identificar, para tentar que a pessoa veja esses traumas de outra maneira. para que não lhe crie ansiedade. Mas o que é importante, como já dissemos também, é perceber que não estou bem e pedir ajuda. Sem traumas, sem tabus, porque é uma doença, não é? Ou seja, tem que se lidar com isso como uma doença e não como uma fraqueza. Não é algo que eu tenha que vencer sozinho, porque se estou doente, se partir uma perna, vou ao médico, não é? Se estou com um problema no coração, ou com outra doença, qualquer, vou ao médico. Estou com uma perturbação, não consigo lidar com ela, não consigo, portanto, sem ajuda, aliás, se sozinho eu consigo ultrapassá-la, é pedir ajuda.
Isso é, portanto, o que acabaste de dizer, sobretudo porque existe muito o mito de que as doenças emocionais são psicológicas e não existem, não é doença, e a pessoa é que é uma fraca. Isso é muito perigoso. Estamos a fazer um juízo de valor e nós nunca devemos julgar ninguém. Nós somos seres físicos, mentais, sociais e espirituais. E nós não podemos nunca estar nas mesmas circunstâncias a 100% que aquela pessoa está. Assim como temos doenças físicas, doenças sociais, doenças espirituais, também temos doenças mentais. Não quer dizer que seja uma fraqueza. Somos seres mentais. Até podem ser alturas na vida, não é? O nosso sistema imunológico nem sempre está com os mesmos níveis, com as mesmas defesas, não é?
Portanto, varia. Deixa-me só fazer-te uma pergunta também nessa área. Sobretudo, num contexto como o nosso, que falamos muito também da espiritualidade, é outra questão. Muitas vezes, as pessoas que têm uma determinada fé, que acreditam em Deus, olham para estas questões até ainda com mais tabu, ou podem olhar para estas questões com mais tabu, não é? Uma pessoa... Vou tentar dizer isto de uma maneira que as pessoas possam compreender sem deportar mal. Uma pessoa pode ter fé e não estar bem mentalmente. Assim como uma pessoa pode ter fé e não estar bem fisicamente. É uma doença e uma doença é importante pedir ajuda e tratar. É como eu disse há pouco, grandes pessoas de fé também passam por situações difíceis.
Pensemos que é uma doença que se trata e passa, é uma fase da vida e todos nós estamos sujeitos a passar por elas. Não quer dizer que por eu passar por uma depressão ou por uma perturbação da ansiedade eu vou ser mais fraca que o outro. Não. Sou diferente. Ou tivem circunstâncias que me levaram a isso. Mas aí é que eu posso pegar na minha fé e me ajudar a ultrapassar as circunstâncias, a ultrapassar, a ver isso de outra maneira. E quanto mais pressa intervir, mais fácil será ultrapassar. Claro que sim. Muito bem. Deixaste para o programa de hoje falarmos das duas principais, mas antes disso vou dizer-lhe apenas que vamos fazer um breve intervalo.
São apenas alguns segundos e já a seguir tenho uma pequena oferta para si. TV Novo Tempo, o canal da saúde, o canal da esperança. Estamos de volta, foram mesmo alguns segundos e como sempre tenho uma oferta para si. Neste caso é este guia de estudo, esta revista A Máquina Humana, preparada por especialistas exatamente para ser uma ferramenta muito útil a nos ajudar a ter um estilo de vida mais saudável, até com conselhos muito práticos como, por exemplo, preparar uma refeição saudável. E tudo isto à distância apenas de uma mensagem, de um SMS, para o nosso número de telefone que é o 933-939291.
933-939291. O que é que tenho que fazer? Simples, nessa mensagem escrever máquina humana e depois nós mesmos entraremos em contato consigo para que lhe possamos pedir os seus contactos e enviar diretamente pelo correio totalmente gratuito. Não existe uma ferramenta para si e para o celular. Como estávamos a falar, Cláudia, tu escolheste para o programa de hoje falar das mais comuns, neste caso concreto a ansiedade generalizada e também a ansiedade de pânico. Explica-nos um pouquinho cada uma delas. Em termos práticos, até para ajudar os profissionais de saúde, existem manuais que nos ajudam a delimitar barreiras, a diagnosticar.
E a distinguir entre uma e outra. Exatamente. e nas doenças mentais existe um manual que é utilizado para realmente caracterizar cada uma delas. Na perturbação da ansiedade generalizada, esse manual das doenças mentais diz mesmo que é preocupação excessiva que surge na maior parte dos dias ao longo dos últimos seis meses e causa sofrimento ou limitação significativos, seja na sua vida pessoal, familiar ou escolar, no caso dos mais jovens. É um medo excessivo com questões mínimas, que quando a pessoa não está bem não iria ter esse medo. É porque está com perturbação de ansiedade. Não só porque é intenso, mas como já vimos, que se manifesta ao longo do tempo. Mais de metade nos últimos seis meses.
E manifesta-se como sintomas físicos também comportamentais. É mais frequente a perturbação da ansiedade generalizada na adolescência tardia, por volta de 16, 17, 18 anos, e mais nos adultos jovens, mas pode surgir em qualquer idade. Mas é mais frequente nessas classes etárias. Como é que se faz o diagnóstico? Mais uma vez nós temos um grupo de sinais e sintomas e tem que ter pelo menos três destes para a perturbação de ansiedade generalizada. E já vimos que tem que estar presente não é só alguns dias, na maior parte dos dias dos últimos seis meses. Temos seis. Quando é nas crianças basta ter um para o diagnóstico.
Ou seja, são os mesmos critérios mas basta ter um. são a inquietação ou a sensação de estar com os nervos à flor da pele, a fadiga, o cansaço extremo por pequenos esforços, dificuldade em concentrar-se ou sensação de branco na mente, está bloqueado, não conseguir concentrar-se, a irritabilidade, a tensão muscular e as perturbações do sono. seja por dificuldade em conciliar ou manter o sono, ou o sono não é de qualidade, a pessoa acorda muitas vezes inquieto, fragmentado o sono e acorda cansada. Desde seis, tendo três, maior parte dos dias, nos últimos seis meses, temos o diagnóstico da perturbação da ansiedade generalizada. Se for numa criança, basta ter um deles.
Mas, ó Cláudia, seis meses parece-me muito tempo também. Ou seja, se eu tivesse, imagina-me, três meses nessas circunstâncias, para mim já era um alerta muito grande. Eu acho que já te estava a bater à porta do consultório. E devem pedir ajuda à mesma. Mesmo que seja menos tempo, se isso está a perturbar. Só o que é que é que diz a nossa experiência? São mais situações autolimitadas e quando é há menos tempo, nós ajudamos. Existem muitas ajudas, seja a psicoterapia, seja com alguns suplementos que ajudam muito, seja sobretudo os conselhos do estilo de vida. E a maioria das situações passa com o tempo, felizmente. Agora, quando é mais de seis meses, aí o tratamento já é diferente. Como já está um diagnóstico mesmo feito, tem que realmente inserir no estilo de vida, psicoterapia e medicação.
Em mente é tudo, não é? É holístico, não é? O tratamento também tem que ser holístico. Exatamente, tem que ser em todas as frentes. É verdade, e isso é muito frequente, eu falo por mim com médica de família e nas minhas consultas, as pessoas virem-se queixar e não estão há seis meses. É verdade, a maior parte pede ajuda antes dos seis meses. Mas, pela minha experiência, Falamos, ajudamos, marcamos consulta em um mês. A grande maioria já passou tudo. Mas também se calhar porque tiveram essa consulta, Cláudia. Talvez. Ou porque já as circunstâncias que estavam a desencadear aquilo passaram. Portanto, são situações autolimitadas no tempo e que, felizmente, podem se resolver por si próprias. Mas é importante pedir ajuda à mesma, não é? Claro que a ansiedade, a preocupação ou os sintomas físicos também vão criar o
tal sofrimento e a pessoa fica mais ansiosa ainda. E isto é importante e por isso é que as pessoas pedem ajuda muitas vezes. É porque vêem que não estão a funcionar bem como deveriam no seu dia-a-dia. Perturbação de pânico, por aquele manual das doenças mentais, diz que são crises de pânico recorrentes que incluem sintomas caraterísticos e falta de desencadentes óbvios, ou seja, No ataque de pânico, a pessoa tem o ataque de pânico sem notar a circunstância que cria isso. Nem sabe porquê. É muito característico. Enquanto, por exemplo, na fobia é para determinada circunstância que surge a crise da ansiedade, No ataque de pânico, já passou aquele problema, mas a pessoa, sem saber porquê, está a ter ataques de pânico. Mas não pode ser também por uma determinada causa, mas que ela é desajustada ao resultado?
Ou seja, a causa e o efeito não justificavam o pânico, mas percebe-se que há ali uma causa, há aí uma exacerbação da reação? As pessoas que têm os ataques de pânico, eles surgem de forma inesperada e muitas vezes sem circunstâncias encadeantes. E surgem, por exemplo, a pessoa vai num carro a conduzir e não está com ninguém e surge um ataque de pânico. Conheço histórias que aconteceu assim. A pessoa tem que parar o carro imediatamente. Claro que se a pessoa tem uma perturbação do pânico é porque ela não está bem e tem que pedir ajuda. E como é que se faz o diagnóstico? Já vimos que são recorrentes, inesperados. É um medo abrupto e intenso que realmente alcança o pico em minutos. É tudo muito rápido.
E tem que ocorrer quatro ou mais dos seguintes sintomas. As palpitações, a sensação de coração acelerado, ou aumenta a transpiração, os tremores, a sensação de falta de ar, a sensação de asfixia, dor ou desconforto no tórax, a vontade de vomitar ou desconforto abdominal, a sensação de ver tudo andar à roda, alterações mesmo do equilíbrio ou até desmaio, ter a sensação de calafrios, mas ao mesmo tempo ondas de calor, a sensação de formigueiros e dormências, a sensação de desrealização, que é a sensação de que não está a viver na realidade, ou de despersonalização, que parece que não estou em mim mesmo, estou a viver fora de mim mesmo. O medo de perder o controle, de enlouquecer, ou o medo de morrer, que é muito frequente.
Isto é tudo, vejam. O estar a sentir isto é angustiante. É muito físico. É. E se repararem, os sintomas físicos são muito comuns às outras manifestações das perturbações da ansiedade em geral. Até na perturbação da ansiedade generalizada, na fobia, stress pós-traumático. A parte física é muito comum. Mas aqui realmente é este medo de que algo grave está para acontecer. E dura minutos. Claro que tanto a perturbação da ansiedade generalizada como as perturbações de pânico surgem muitas vezes também associadas a outras doenças mentais. Seja ela depressão, seja ela episódios maníacos, que são pessoas que têm alterações de humor em que de vez em quando estão na fase eufórica, ou abuso de substâncias.
As perturbações do pânico também estão muito associadas ao abuso de substâncias. Infelizmente, tanto uma como outra, estão também muito associadas à ideação suicida, que é a pessoa pensar que é melhor suicidar-se por termo à sua vida, ou mesmo tentativa de suicídio, ir mesmo para a ação, que é diferente. Ideação é a pessoa pensa no assunto, agora quando realmente parte para a tentativa já é outra fase deste problema. Mas vemos que tanto a ideação como a tentativa de suicídio são muito frequentemente associadas por causa do desconforto que causa às pessoas que têm realmente estas perturbações de ansiedade, desconforto emocional mesmo. que sentem que é melhor por ter má vida do que viver com estes sentimentos, com estas emoções.
Exatamente. A gente diz desconforto, mas é mesmo sofrimento. É. É um sofrimento emocional e, como vimos, também físico. A ansiedade é tão natural que eu não te pergunto se é possível prevenir, mas os transtornos da cidade, é possível prevenir ou é tão não natural que não conseguimos prevenir? Claro que, como todas as doenças, nós falamos em prevenção. Não quer dizer a 100% que eu nunca vou ter este problema. Isto aplica-se também aos transtornos da ansiedade. Claro que é importante eu gerir o meu dia-a-dia, as circunstâncias daquilo que eu posso gerir. Gerir o stress, as circunstâncias novas. Como é que eu vou lidar com isso? Como é que eu giro o meu tempo? Será que eu trabalho demasiado? Será que eu tenho tempo de lazer?
Será que eu tenho hobbies? Será que eu chego a casa e desligo do trabalho? Gerir as circunstâncias do meu trabalho ou da minha vida familiar? Será que eu tenho vida familiar com amigos? Tudo isto é importante para prevenir estes transtornos. Importante ter horas de descanso, horas de sono de qualidade e quantidade adequados. No adulto sabemos que deve ser de 7 a 9 horas por noite. Exercício físico é importantíssimo. Exercício físico é importante para prevenir muitas doenças, mas muito importante para as doenças mentais, incluindo os transtornos de ansiedade. Porquê? Porque fazendo atividade física ou exercício físico mesmo, que é diferente, regularmente, vai diminuir o nível destas hormonas do stress que nós não conseguimos controlar.
E aí vamos estar mais aptos para discernir as coisas sem estar ansiosos. E, claro, vai promover a saúde e o nosso bem-estar em geral, a próprio fato de que estamos a fazer exercício físico regularmente. Um fator que também é sempre inerente é a alimentação. Podemos pensar o que é que a alimentação tem a ver com a preservação da ansiedade. Tudo tem a ver com as emoções, com a química cerebral. A química cerebral depende muito do que nós comemos. Não sei se tem essa noção. E há alimentos que são mais ricos em substâncias, que são precursores das substâncias que nos dão, por exemplo, a boa disposição. Controlar os níveis de stress, de ansiedade. Importante. Evitar alimentos estimulantes do sistema nervoso central. Seja a cafeína, seja o álcool, seja o tabaco ou outras drogas.
Começa logo por aqui. Segundo, é importante comer bastante. Isto falamos sempre. Os vegetais, os legumes, as frutas. Cereais integrais. Seja arroz, seja massa, pão. Os derivados. O milho, a aveia. Importante também. Integrais para terem mais vitaminas e minerais. As leguminosas, que eram tão usadas na nossa sociedade, na nossa dieta mediterrâneca, infelizmente estão-se a perder. Estamos a tentar estimular os portugueses a consumirem mais leguminosas. O feijão, o grão, que são baratos relativamente a muitos alimentos e que são ótimas fontes de precursores de substâncias boas para o nosso cérebro. E vemos os frutos secos também. As nozes, os cajus, as amêndoas. Uma mão cheia por dia também ajuda o nosso cérebro a funcionar bem.
Vemos que não é assim tão difícil, mas, falando no ser humano, o mais difícil realmente é mudar hábitos. Mas, pensa assim, ao mudar os meus hábitos, eu vou estar a melhorar não só a minha saúde mental, mas também a minha saúde física e o que vem por acréscimo, qualidade de vida e longevidade. Como tratar? Os ansiolíticos são os medicamentos mais consumidos, eu diria, no mundo, na Europa e Portugal também é o que está no topo. Como tratar? É assim, existem suplementos, existem múltiplos suplementos à venda para controlar, para tratar doenças mentais. Alguns existem estudos científicos que comprovam alguma eficácia em controlar a ansiedade. Alguns, se calhar, já ouviram falar.
Extrato de camomila. Porque nós conhecemos mais, se calhar, pelo extrato de camomila, mas o extrato de camomila tem efeitos ansiolíticos. O que é que quer dizer a palavra ansiolítico? Ansiolítico é que vai controlar a ansiedade. Calmantes também conhecidos, não é? As pessoas chamam mais um efeito calmante. Sim, é verdade. Estamos a falar de ansiedade como patologia, não a ansiedade normal. Cava-cava é outro exemplo. O extrato de lavanda e o magnésio. Nós utilizamos mesmo como médicos estas substâncias. O magnésio é muito prescrito, não só para o bem-estar muscular, mas sobretudo também mental e emocional. É verdade, como tu disseste, que as benzodiazepinas, que as pessoas chamam de calmantes, são das substâncias que as pessoas mais pedem. É verdade.
Porquê? Porque aquilo dá um efeito imediato e a pessoa quer é sentir-se aliviada, calma e dormir bem. Mas têm muitos problemas. Criam dependência e tolerância. Devem ser evitados. Primeira linha, não são os calmantes para tratar ansiedade. Podem achar estranho. São os antidepressivos. E é importante falar com o seu médico. Deve ser sempre o tratamento médico. E estes antidepressivos não fazem efeito de um momento para o outro. O tratamento deve ser 6 a 12 meses e demora a fazer efeito. Podem ser necessários calmantes, mas nunca mais de duas semanas, porque deixam de fazer efeito e depois temos que aumentar as doses. Importante a psicoterapia. Acompanhamento psicológico. Consultar em um psicólogo não é sinal de fraqueza. Ajuda muito a pessoa a vivenciar as circunstâncias que podem estar a causar o problema da ansiedade e a ver as circunstâncias de outra maneira, a gerir a sua vida de outra maneira.
Muito bem. Estamos mesmo a terminar o nosso tempo. Quero-te agradecer, Cláudia, para si que está desse lado, antes mesmo de nos pedir, só a lembrar a oferta que estamos a fazer, o Guia de Estudo, a máquina humana cheia de conselhos bem práticos, dicas muito práticas, para o ajudar a ter um estilo de vida mais saudável. Como vimos no programa de hoje, o nosso estilo de vida também está muito ligado às nossas doenças do foro mental. E o que tenho que fazer é apenas mandar-nos uma mensagem muito simples para o 933 93 92 91. Lembrar também que este programa está disponível em podcast em radioaccess.novotempo.pt e também no YouTube da Novo Tempo Portugal. Foi um prazer estar na sua companhia. Marcamos encontro no próximo programa. Até lá, se Deus quiser.
A ansiedade é uma emoção natural, uma resposta adaptativa essencial para a nossa sobrevivência, mas o que acontece quando ela se torna uma presença constante e avassaladora, transformando-se num distúrbio que rouba a qualidade de vida? Neste episódio esclarecedor, mergulhamos nas profundezas da ansiedade, desvendando as suas múltiplas facetas e as diversas causas que podem estar por detrás de um sofrimento que afeta milhões. Prepare-se para compreender as diferenças cruciais entre uma ansiedade saudável e um transtorno que exige atenção e cuidado, explorando os intrincados caminhos que levam a este desafio da saúde mental.
Descubra as origens da ansiedade patológica, desde fatores genéticos e traumas marcantes até o impacto do nosso estilo de vida e de outras condições de saúde. Abordamos em detalhe as duas manifestações mais comuns – o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) e o Transtorno de Pânico – revelando os seus sintomas característicos e como são diagnosticados. Mais importante, este programa oferece-lhe um guia completo para a prevenção e tratamento, desmistificando a ideia de que a ansiedade é uma fraqueza e sublinhando a importância de procurar ajuda especializada.