Erton Köhler

Erton Köhler

04 de Julho de 202550 min 47 s

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Seja bem-vindo ao programa Olhos nos Olhos, aqui na TV Novo Tempo. No programa de hoje estaremos Olhos nos Olhos com Ayrton Carlos Culler. O pastor Ayrton nasceu no Rio Grande do Sul em 1968, durante uma campanha evangelística organizada pelo seu pai. Em criança gostava de brincar aos pastores e até vestia um fato e gravata de propósito, para a encenação ser mais realista. Sempre sonhou ser pastor e com 21 anos já tinha uma igreja a sua responsabilidade, Aos 38, torna-se no mais jovem Presidente da Divisão Sul-Americana da Igreja Adventista do 7º dia e 15 anos depois, assume aquele que pode ser considerado o segundo cargo administrativo mais importante na estrutura da Igreja Adventista a nível mundial, o de Secretário Executivo, que atua como uma espécie de braço direito do Presidente.

Pastor Köhler é casado com Adrienne e tem dois filhos, o Mateus e a Mariana.

Visão global da igreja

Muito bem-vindo, pastor Ayrton, muito obrigado por aceitar o nosso convite, apesar de todas as viagens que faz para estar aqui no nosso programa. Para quem é o nosso telespectador que nunca ouviu falar na Igreja Adventista, o facto de ter aqui presente o secretário executivo, se pudesse levar um dos nossos telespectadores a uma viagem, sem limitações de tempo nem de dinheiro, só para conhecer a Igreja Adventista no mundo, onde é que o levaria? onde é que levaria algum dos nossos telespectadores? Uau, você começou apertando agora, hein? Estou pensando aqui que lugar. Tem muitos lugares. Alguns desses lugares. E por que é que os levaria lá? Esses dias eu estive nas Filipinas e talvez esse seria um lugar por onde eu levaria um dos nossos telespectadores. As Filipinas fazem parte do que a gente poderia considerar janela 1040, que é uma região do planeta, do mapa, onde nós temos pouca presença cristã.

Eles estão dentro dessa região, mas não são considerados parte dela. E nós temos uma igreja divinitista muito viva, muito vibrante lá. Eles me convidaram para ir a uma festa missionária da igreja no sul das Filipinas. E eu me lembro quando mandei uma mensagem algumas semanas antes perguntando-me, me falem um pouco mais do programa para eu me preparar. Eles me disseram, vai ser uma festa para gente do país todo e já temos 28 mil inscritos no programa. Eu não imaginava uma igreja com tanta gente. participando e me disseram esteja preparado que no sábado você vai pregar e nós deveremos ter 100 mil pessoas no campus da nossa universidade assistindo nos gramados, nas telas, nas salas, em todos os lugares e eu vi ali uma coisa linda, gente que prioriza as coisas de Deus gente que participa com a igreja, gente que tem interesse na missão.

Então, as Filipinas podiam ser um bom lugar para o nosso telespectador vir e conhecer um pouquinho mais dessa igreja viva. Há outros lugares onde a igreja luta para estabelecer sua presença, países mais fechados ao cristianismo, e a gente tem, quem sabe, poucos membros. Poderia ser interessante conhecer ali também, mas eu vou deixar as Filipinas aqui como uma boa sugestão. Mas essa viagem foi há pouco tempo. Isso foi no meio de 2024, se eu não me engano. Não faz muito tempo. E foi o maior encontro que já pregou? 100 mil pessoas? Foi o maior encontro. Na verdade era o seguinte, eles têm uma igreja da universidade, a nossa universidade no sul das Filipinas. A igreja tem 6 mil lugares. E eu pensei, mas como que eles vão ter 28 mil inscritos com uma igreja para 6 mil lugares? Mas eles usaram todas as estruturas físicas da universidade transmitindo a programação.

E no sábado colocaram telas na grama, nos campos de futebol, em todos os lugares. E na igreja, eu me lembro no sábado, o programa começou às 8 da manhã. Às 7 horas a igreja já estava cheia. Eu terminei a mensagem, era meio-dia, meio-dia e 30. E eu estranhei, porque terminou, as pessoas saem rápido do templo e ninguém saiu do templo. Por quê? Porque ninguém sai daqui. Se eles saírem, outra pessoa vem, eles perdem o lugar e não entram mais. Então o pessoal comprometido, atento, e foi realmente o maior programa que eu já aprendi. Eu não via todos eles, mas eu sabia que de alguma forma essa multidão estava espalhada naquele mesmo ambiente onde eu estava. Nós mais à frente, aqui na nossa conversa, vou querer conhecer mais esta visão global que tem da Igreja Adventista a nível mundial.

Mas vamos agora começar pelo início.

Origens e infância

1968. Sabemos que é uma história relativamente curiosa. O nascimento do Pastor Ayrton, que era também filho de pastor. Tem também um filho de pastor, ao que sei. Exato. Somos três gerações de pastores. Meu pai, eu e meu filho. E sempre quis ser pastor, pelo que me parece. Sempre. Sempre quis. Esta história de brincar aos pastores é mesmo assim. Interessante. Desde pequeno eu não lembro de ter sonhado com outra profissão. No momento eu falava de ser médico e pastor. Sempre o pastor estava junto com qualquer outra profissão que eu pensava. E hoje eu penso, eu tenho pavor de sangue, eu sofro com o hospital, então essa questão de médico eu acho que foi realmente um pensamento apenas, porque não tem a ver com a minha vocação. Então, desde pequeno eu gostava de estar com os pastores, meu pai era evangelista, ou seja, pessoa que fazia pregações públicas em lugares novos.

Muitas vezes, quando eu era criança, ele me levava com ele e eu ficava à porta cumprimentando as pessoas. Eu cuidava do projetor de slides, que era a forma de ilustrar as mensagens da época. Eu preparava, eu ficava passando os slides para ele. Aquilo era a minha vida. Eu amava fazer aquilo. Então, já era uma forma de eu dizer, isso é o que eu me identifico, eu nunca tive um momento em que eu me senti assim, olha, aquele foi o dia do meu chamado. Muitos pastores têm esse dia, eu não tive. Isso foi parte de uma caminhada com isso, nascendo um lar de pastor. no meio de uma campanha evangelística, participando de muitos programas da igreja e me identificando com aquilo que meu pai fazia. Aprendeu mais sobre ser pastor no curso de teologia ou antes sequer de entrar para o curso de teologia com a vida que tinha em casa? Eu acho que eu aprendi mais a parte prática com a vida em casa e aprendi mais a teologia em si, porque meu pai, desde que eu nasci, ele trabalhava no escritório da igreja.

Eu nunca tive o privilégio de ser filho de um pastor cuidando de uma igreja local. Eu vi as questões administrativas, as conversas, etc. Ele foi presidente da igreja numa região, região sul do Brasil, por um tempo. E ali eu lembro que mais de uma vez eu fiquei dentro da sala, criança ainda, e eu sabia que eles iam ter alguma reunião. Eu me escondia dentro de um armário. Fiquei fechado no armário. Fiquei embaixo do escritório da mesa dele, ouvindo as reuniões para saber o que eles falavam. E foi apanhado ou não? Nunca. Eu contei para ele depois que eu estava lá, mas ele nunca me viu. Então por quê? Porque aquilo era um aprendizado prático, como as coisas funcionam, como a gente cuida. Ele sempre foi muito cuidadoso com as coisas da igreja e aquilo também foi um aprendizado para mim. A teologia não era o ponto forte de tudo aquilo, e o seminário fez uma grande diferença para colocar então as duas coisas juntas.

Mas considera que é mais difícil, claro que a pergunta que eu vou fazer é relativa, mas é mais difícil ser pastor numa igreja local, ou os desafios são maiores numa igreja local, ou ser um administrador até da própria igreja a nível mundial, até da própria conferência geral? As duas coisas têm as suas facilidades e as suas dificuldades. Na igreja local, Você tem um grande desafio, você não tem dia e não tem hora, você lida com os problemas reais da vida das pessoas. Isso é extremamente desafiador, os pastores pagam um preço alto emocional para lidar com isso, de dia, de noite, de madrugada, de fim de semana, eles estão à disposição. Aí eles lidam com situações críticas, o ser humano está vivendo uma fase mais difícil da vida. Por outro lado, na igreja onde você é amado, na igreja onde você vê o resultado direto do seu trabalho, pessoas sendo batizadas, entregando a vida a Jesus, os irmãos abraçam, cuidam, interagem com você.

Quando você vai para uma função administrativa, você não lida com esses problemas da linha de frente, a vida das pessoas. Parece um pouco melhor, tem um escritório, uma secretária, um horário para começar e um horário para terminar, então isso é mais fácil. Por outro lado, você está longe das pessoas, aquilo fica mais formal, mais mecânico, e além disso, você lida com problemas que são mais complexos. Os problemas da igreja como um todo são os problemas de todos os membros juntos. Se lidar com os problemas pessoais já não é uma coisa fácil quando você coloca todos juntos. Eu dizia para o pessoal nos anos que eu... Trabalhei na América do Sul, dá pra imaginar o que é você liderar uma igreja, na época, com dois milhões e meio de membros.

Você potencializa todos os problemas. As reuniões, as crises, tudo é mais complexo. Então, você tem uma tranquilidade de um lado, horário, secretária e sala, mas você tem problemas muito mais complexos pra lidar do outro lado. Então, pra mim, não tem o melhor nem o pior. Ambos têm benefícios e têm desafios. Acho que cada um tem que ser feliz no lugar onde Deus o colocou. Também não há um working policy. Um working policy, para os nossos espectadores, é um documento que rege um pouco a estrutura da igreja. As regras da igreja, não é? E para a dinâmica das relações que um pastor tem com os seus membros, não há um manual específico para ele dizer, tenho que fazer desta forma ou assim, não é? Você tem que pedir ajuda a Deus. Meu filho é pastor de uma igreja e eu converso bastante com ele e eu fico vendo os desafios que ele tem.

Nenhum seminário prepara você pra isso, nenhum livro que você lê prepara você pra isso. É pedindo ajuda a Deus todos os dias. E o pastor distrital, ele acorda todo dia pra enfrentar o desconhecido. O que vai acontecer hoje? Até que ponto eu tô preparado pra lidar com isso? Até que ponto eu não sei o que fazer? E é nessa hora que a gente vê a mão de Deus. Eu lembro, quando eu era pastor de algumas igrejas, depois já na administração, quantas vezes eu estava numa ligação telefônica, assim, meu Deus, o que é que eu vou falar para essa pessoa? Eu não sei o que falar. E a pessoa espera de mim alguma coisa. Eu era um pastor e ia atender um casamento em crise ou qualquer coisa, você não sabe. E nessa hora, enquanto a pessoa está falando com você, você está... Olhos nos olhos com ela, você está orando a Deus, dizendo, meu Deus, me dá a palavra, me diz o que falar, porque eu não sei o que fazer.

É nessa hora que a gente aprende a depender mais de Deus. O seu filhinho, ele liga quando tem, assim, alguma questão mais pastoral? Liga menos no começo, ligava mais. Porque meu filho começou o ministério como pastor de uma escola, então é um dia a dia que eu não conhecia, eu nunca fui pastor de uma escola, então vai ser o mundo dele. Depois ele veio trabalhar com a Novo Tempo na região de Brasília, no Brasil, onde ele trabalha. Eles têm alguém no escritório da sede da igreja para ajudar as pessoas que pedem cursos bíblicos da Novo Tempo. Ele ficou um ano coordenando isso. E apenas neste ano de 2025 ele foi para o trabalho com a igreja local. Então está tudo sendo novo. Ele está vivendo o mesmo que eu vivi. Desde que ele nasceu, eu já trabalho em funções administrativas. Em outras palavras, ele nunca foi filho de um pastor de uma igreja.

Ele não viu as coisas da igreja acontecendo como foi o meu caso. Então, de vez em quando, eu tenho que ajudá-lo, dar alguma orientação, porque eu vivi o trabalho, eu fui pastor de uma igreja. E ele está enfrentando os desafios dele. Não é fácil, mas Deus ajuda. E o Pastor Ayrton liga para quem? Quando tem alguém a quem consegue ligar e pode ligar? Você sabe, meu pai é pastor também. Mas ele já tá aposentado, tá com quase 90 anos de idade, então o mundo que ele viveu e o tempo que ele foi pastor é muito diferente de hoje. A maioria dos pastores tem dois recursos de ajuda. Número um, Deus. E número dois, a esposa. Ela é quem eu ligo, ela é com quem eu falo, ela é a minha ajuda, minha conselheira, é a pessoa que pode me criticar livremente, é a pessoa que fala do que percebe.

Ela é quem me ajuda, mas eu não tenho Quando eu estava na América do Sul, muitas vezes eu dizia para o pessoal, todos procuram a liderança da igreja nos diferentes níveis que a igreja tem. Quando chega no território da divisão, que é o escritório que coordena um continente, você não tem para quem pedir ajuda. Porque a liderança mundial da igreja, hoje eu vejo isso mais claramente, ela cuida do planeta todo, ela não tem como lhe ajudar em coisas muito específicas. Então você tem que depender de Deus e de alguém. A sua equipe de trabalho ajuda, etc. Mas normalmente quem está perto do seu coração, quem conhece a sua vida, o seu caráter, o seu compromisso é quem mais pode ajudar. Porque a liderança é um processo também de muita solidão, não é? Esses dias eu li um artigo que eu achei, assim, tremendamente certo. Só o título já me impressionou.

A solidão da liderança. E eu li por causa do título, porque é assim. Depois que você vira um líder e com o passar do tempo, se você senta aqui, tem um assento vazio do seu lado. As pessoas ou alguns querem ficar muito perto de você por interesses, e aí você recua porque você sabe que tem outra intenção, ou as pessoas querem ficar longe de você porque não querem demonstrar nenhum tipo de partidarismo. Então é uma função muito solitária. A gente depende realmente de Deus e da ajuda de alguém. E normalmente esse alguém é esposo, no meu caso, de maneira muito especial. Mas regressamos então ao sul do Brasil, nos anos 70, na década de 70, era uma criança curiosa, já percebemos, muito ligada à vida do pai, mas era inteligente, gostava de estudar, o que é que gostava de fazer? Eu sempre fui uma criança muito tímida.

Essa é uma característica minha, nunca fui dos mais inteligentes, tirava boas notas, mas não era o aluno destaque da turma, mas eu era tímido, eu tinha vergonha de falar com as pessoas. Eu lembro quando eu era criança, ainda me convidaram para pregar num camporida de esbravadores, um grande acampamento desse grupo que é parecido com os escoteiros também. E eu não sabia como olhar para as pessoas. Eu até lembro que meu pai me preparou um sermão, Escreveu para mim, eu memorizei aquele sermão e pensei comigo, quando eu chegar lá vai ter alguma mesa, algum púlpito, eu vou colocar o papel, vou me segurar e vou encarar as pessoas. E quando eu cheguei não tinha púlpito, não tinha onde pôr o papel e eu fiz um sermão de 12 páginas em 3 minutos e meio, porque eu não conseguia olhar para as pessoas, eu não tinha essa liberdade. E foi assim que eu vi uma boa parte do meu tempo.

Então hoje quando eu me vejo como pastor, como líder, conversando com você livremente aqui, essa não foi a minha realidade quando criança. Até hoje eu tenho traço de timidez, eu chego num lugar novo, eu não conheço as pessoas, eu fico quieto, fico no meu cantinho, ainda tem a ver com aquilo que eu trago da infância, mas esse era o meu caso. Gostava de ajudar, gostava de participar, quando meu pai era departamental, era líder de uma área da igreja, depois ele foi presidente da igreja naquela região, Eu voltava da escola, minhas aulas eram pela manhã, eu voltava, almoçava em casa e ia para o escritório. E ali eu passava o resto do dia ajudando as secretárias, preparando caixas, levando livros para as pessoas que estavam distribuindo na linha de frente. Eu lembro da minha vida. Quem sabe nos últimos anos o ensino básico, o ensino fundamental, totalmente envolvido.

Eu gostava de ajudar, de participar, de fazer alguma coisa. Talvez essas fossem as minhas duas marcas, timidez e vontade de colaborar. Então, uma das grandes características, pelo que eu vejo, era uma espécie de abelhinha que estava sempre, não conseguiria estar parado, estava sempre a ajudar e a fazer alguma coisa. É isso aí. Ainda continua assim hoje? Continua assim. Eu tenho que me policiar para parar. Eu tenho um feriado, eu estou nas férias, eu estou no final de semana, eu estou sempre ligado, atendendo, respondendo as mensagens, sabendo o que está acontecendo. É parte da minha personalidade, já era assim quando criança e não tem jeito, as pessoas melhoram, mas não muito. A única coisa que muda as pessoas é a conversão, mas é um tema espiritual. Esses traços de personalidade, eles vêm com você para a vida toda. E é isso que faz com que quando era criança já queria, e eu creio que até chegou a criar uma associação de filhos de pastores, com quantos anos?

Eu não lembro, mas eu devia ter uns oito ou nove anos de idade. Nós pegamos um porão de uma casa que estava do lado do escritório. Era um depósito de sujeira. E nós, com alguns amigos, filhos de pastores, limpamos e preparamos uma sede para nós. As mesas eram feitas de caixas de papel. Duas caixas, uma tábua em cima, o outro colega tinha uma mesa dele, e nós fazíamos as nossas reuniões pensando como a gente ia ajudar a igreja no porão daquela casa, com mesas feitas de caixas de madeira. E o pastor Ayrton era o presidente dessa associação. Eu era o presidente dessa associação? Que associação, imagina! Uma brincadeira, mas já me mostrava, sendo uma criança tímida, que já tinha uma capacidade de liderança e mobilizar as outras crianças para uma coisa até um bocadinho estranha. Eu imagino até que eu era o presidente, porque o meu pai era o presidente e eles pensaram assim, então cada filho vai fazer o que o pai fazia.

Mas é claro, hoje eu vejo que em tudo aquilo Deus foi me dando oportunidades, porque mesmo numa brincadeira, com crianças, você está aprendendo alguma coisa. Mesmo ajudando as secretárias e as outras pessoas no prédio, você está aprendendo alguma coisa. E hoje, quando eu tenho que exercer funções de liderança, eu penso, eu não tinha ideia de que tudo aquilo eram brincadeiras, eram coisas simples, mas eram parte de um aprendizado que Deus foi me dando com o passar do tempo e eu tenho uma profunda gratidão por isso. Pastor Ayrton, vamos fazer uma pequena pausa. Voltamos já a seguir para conhecer um pouco mais deste início de Ministério do Pastor Ayrton, o nosso convidado no programa de hoje. TV Novo Tempo, o canal da família.

Primeiros passos no ministério

O canal da esperança. Segunda parte do programa Olhos nos Olhos. Hoje estamos com o secretário executivo da Conferência Geral. Digamos que dentro da estrutura da Igreja Adventista do sétimo dia, a nível mundial, há o Presidente e depois há também esta figura de secretário. Não secretário do Presidente, mas secretário da Igreja. Já lá vamos. Mas para já, Pastor Ayrton, queria também que partilhasse um pouco connosco os grandes desafios que enfrentou, porque foi um pastor muito jovem e muito cedo, com 20 anos, 21 anos, sensivelmente. vai para uma igreja e começa aí os primeiros desafios de ser pastor local. Recorda-se desses tempos? Veja, no tempo de seminário, Deus me deu muitas oportunidades de liderar também. Nós tínhamos um diretório acadêmico, eles me colocaram para liderar esse diretório acadêmico da faculdade.

Na faculdade tinha uma missão que eles chamavam de missão iaense, porque o nome do colégio era Iaê na época, então também me escolheram para liderar essa missão. Foram oportunidades que Deus deu, mas o momento desafiador Foi quando veio o chamado para ser pastor de um distrito. Como o meu filho, eu nunca tinha sido filho de um pastor de igreja. E eu lembro que no ano que eu fui presidente da missão iaense, que era essa missão para os estudantes de teologia, o meu papel era visitar as igrejas onde os estudantes faziam sua prática pastoral. E saber como eles estavam, falar com os líderes. E teve uma das igrejas que eu visitei que eu não fui bem recebido. Uma igreja com um muro alto que escondia a igreja, no fundo um portão pequeno, Aí o pessoal foi frio comigo, eu pensei, nossa, essa igreja não deve ser fácil de ser membro aqui, eu não conseguiria ficar aqui, pois quando eu me formei, foi exatamente aquela igreja que eles me deram para ser pastor.

Então foi um duplo desafio, porque eu tive que ir para uma igreja que num primeiro momento eu não tinha tido uma boa relação, já me provocou medo, e segundo, pela inexperiência e pela pouca idade. Eu era solteiro, não era ordenado, sem experiência, já tendo que assumir direto, saindo do seminário, com o pastor daquelas... eram três pequenas igrejas. Então, não foi fácil. Foi um tempo de muito aprendizado, muita oração, muito trabalho. Fizeram mesmo um abaixo-assinado ou alguma coisa mais formal? Na segunda, na segunda. Porque eu fiquei dois anos nesse primeiro distrito, que é como nós chamamos um grupo de igrejas que um pastor cuida. Fiquei dois anos ali, solteiro. Eu não era noivo ainda. Já namorava minha esposa, mas fiquei dois anos. E no final do segundo ano, a sede da igreja me transferiu para uma outra igreja.

Era uma das maiores igrejas de São Paulo. No registro, nós tínhamos 1.620 membros na igreja. Então você imagina uma igreja grande, sempre teve pastores de nome, famosos, aí mandam para lá um pastor com 23 anos, solteiro, nem noivo era, a igreja ficou revoltada, mas estão brincando com a gente, não vai poder fazer um batismo, não pode aconselhar os casais. Como que ele vai poder fazer um bom trabalho aqui? Então eles fizeram abaixo, assinado uma lista com 460 assinaturas e enviaram para a sede da igreja. E o que é que sentiu nessa altura? Eu não estava lá. É interessante que eu fiquei sabendo da mudança e saí de férias. Isso tudo aconteceu durante as férias, eu não sabia de nada. Quando eu cheguei das férias e fui à sede da igreja, o escritório, a primeira pessoa que me encontrou foi assim, Que pena que está acontecendo isso com você.

Eu falei, está acontecendo o quê? Eu não sabia de nada. Só que já tinha passado o problema. Aí me contaram tudo. O presidente me chamou e disse, olha, nós mandamos você para lá, você foi anunciado, eu já sabia disso. Mas durante as férias, eles fizeram a Baixa Senada. Eu tive três reuniões com a liderança da igreja e ele falou, e finalmente eles aceitaram você. Vai lá e não nos decepciona. Você imagina, como que eu vou encarar essa igreja? sabendo que pelo menos quase 500 pessoas não me querem lá. E recorda-se da primeira vez que teve que pregar para 400 pessoas que assinaram a dizer nós não queremos esta pessoa? Não era casado, não tinha esposa comigo, fui sozinho. O presidente não foi porque eu acho que ele estava cansado das discussões. Mandou um pastor aposentado para me apresentar, ou seja, alguém que não estava vivendo aquela realidade.

E eu lembro que eu preparei um sermão, A Igreja dos Meus Sonhos, até hoje eu lembro o título do sermão. Porque eu queria dizer para eles, eu tenho um sonho para sonhar com vocês. Só que teve tanta apresentação, tanta conversa, tanta coisa, que sobrou oito minutos para eu fazer o sermão. E eu nunca fui de falar pouquinho. E naquela hora eu pensei, e agora? Se eu fizer o meu sermão, eu vou falar meia hora? Pô, vai para casa muito tarde, a primeira impressão vai ser a pior. Para quem já tem uma impressão ruim, vai ficar pior ainda. E Deus me ajudou naquele dia que nos oito minutos eu fiz o sermão inteiro que eu tinha preparado. E ali foi como talvez a primeira ponte com a igreja. E vou dizer para você, eu fiquei dois anos e meio ali e foram quem sabe os dois anos e meio mais felizes do meu ministério. E quando eu saí eu lembro das despedidas, eu até falei para os irmãos, Lembrem, quando eu cheguei aqui, nós éramos inimigos e agora somos uma família.

Nunca mais façam isso. Aceitem aquilo que a Igreja enviar para vocês, porque Deus pode ter um plano. E realmente foi uma virada. Desde a chegada até a saída, eu aprendi muito naquele lugar. Muito, muito, muito. Igreja da Alvorada. num dos bairros da zona sul da cidade de São Paulo, no Brasil. E que hoje, certamente, terão lá muitos amigos. Sem dúvida. Tem origens alemãs, não é? O apelido Köhler é alemão. É família de pai, avó? Vó, tem alguma origem na Ucrânia, para aquela região ali. Nunca me aprofundei muito. Eu sei que ela tem alguma base, família Marquardt, tem alguma base pela Ucrânia e a família Keller na Pomerânia, na região, ali na Alemanha.

Essa é a junção, minha avó e meu avô, e meu pai vem com o sobrenome Keller, que ficou mais a marca dessa ascendência alemã. Mas nunca viveu na Alemanha, nunca teve grande ligação? Nunca. Não falo mais o quê? Sete ou oito palavras em alemão. Mas sente que tem algo europeu dentro de si, na sua forma de ser? Acaba tendo, porque... Você traz a herança com você, né? Então, às vezes, quando eu vejo alguns alemães fazendo algumas coisas, eu me identifico com algumas delas, eu sou muito focado, eu gosto de ter resultados naquilo que eu faço, eu não sou de discutir demais, eu gosto de discutir o que tem que ser discutido e avançar para a ação. E eu vejo que muitas dessas coisas têm a ver um pouco com a cultura de lá, a gente traz no sangue tudo isso, né? É uma pessoa muito pragmática. É parte da minha característica. Vamos conversar e não vamos filosofar demais.

Vamos conversar sobre como podemos fazer, quando pode acontecer, que recursos são necessários e vamos avançar. Senão a gente se perde nas confabulações e acho que isso tem um pouco a ver com essa origem alemã também. Mas prefere pedir licença ou pedir desculpa? Não, eu prefiro dar os passos que têm que ser dados um de cada vez. Só não gosto de que esse espaço demore demais. Eu gosto de respeitar o processo, respeitar as pessoas, respeitar a liderança delas, mas de ajudá-las a entender que elas têm que andar um pouco mais rápido. Eu não vou atropelar essas pessoas para chegar onde eu quero. Elas vêm comigo, mas elas vão ter que andar um pouco mais rápido para a gente poder chegar onde a igreja espera que a gente chegue. Por quê? Por natureza, uma denominação, eu não falo só da Igreja Adventista, uma denominação, ela é lenta porque ela envolve opiniões, reuniões, etc.

Então, ela já é muito lenta e o meu papel, eu penso como líder, é tentar fazer com que isso seja um pouco mais rápido, mas sem desrespeitar os processos, porque se eu desrespeito os processos, eu posso chegar onde eu gostaria, mas eu ponho a Igreja em risco. E esse não é o meu papel, especialmente como presidente que fui, como secretário que sou em ambas as posições. O meu papel é fazer a igreja avançar, mas proteger a igreja e respeitar os

Liderança de jovens

processos. E olhando agora para trás, ou seja, o pastor Ayrton com 34 anos torna-se diretor do Departamento de Jovens da Divisão, ou seja, estamos a falar quantos milhões de jovens, muitos certamente, da Divisão Sul-Americana. Com 34 anos, olhando agora para trás, porquê que acha que Deus o escolheu e que, no caso, a comissão que decidiu nomeá-lo encontrou características específicas Sendo que o pastor Eça não é aquele pastor exuberante nas apresentações, como muitos dos pastores jovens, ou dos pastores que lidam com os jovens, não é? Eu nunca imaginei que eu fosse trabalhar com jovens. Porque na minha cabeça, o líder de jovens, ele gosta de música, ele é cantor, ele gosta de contar histórias engraçadas. Nada disso tem a ver comigo. Nada disso.

Então eu imagino que eu fui entrando nessa área por uma direção de Deus. Quando eu fui nomeado diretor de jovens na primeira associação, que foi nessa mesma que meu pai foi presidente, ele já não estava mais lá há muitos anos, eu tinha sido chamado para ser pastor distrital nessa associação, pastor de um grupo de igrejas. E eu não aceitei, porque eu estava em São Paulo, estava no início do meu ministério, eu achei que não era bom. E eu pensei comigo, eu fechei a porta desse lugar. Uma vez que eu disse não para eles, eu nunca mais vou ter oportunidade de voltar para a minha terra. pois meio ano depois eles me chamaram para essa função. Então eu vi naquilo uma direção de Deus, que foi um fato totalmente fora do comum. E assim eu fui para diferentes... trabalhei num escritório regional, que é uma associação, depois numa união, que é um escritório maior, depois também na divisão, por continente, e eu me admirava.

Por que estão me dando outras oportunidades se essa não é a minha característica? Mas eu acho que uma das coisas que, quem sabe, abriu portas para isso, foi o meu foco muito claro na missão. Desde o começo, na igreja local, o meu desafio. Eu tenho duas palavras que são muito claras para mim, ministério e missão. Onde quer que eu esteja, eu preciso lembrar que eu sou pastor, naquele lugar, e eu preciso estar focado na missão. Esse é o papel da igreja. Nós temos uma identidade, nós temos uma mensagem, mas tudo isso aponta para uma missão. E como eu defendi muito isso no distrito, quando eu era pastor de igreja, e no Ministério Jovem, eu entendo que naquele momento a igreja queria envolver mais a juventude na missão, dar uma bandeira para eles, e quem sabiam, em mim, alguém que podia criar essa motivação especial para os jovens.

E é por isso que eu acho que eu acabei entrando nessa área. Quando eu fui para liderar os jovens na América do Sul, com 34 anos, eu era muito novo. Em quase todas as minhas responsabilidades, eu fui o mais jovem de todos. Agora tá mudando, agora eu já não sou mais. Agora tem outros mais jovens vindo e o meu papel é abrir a porta pra eles, dar oportunidade pra eles como deram pra mim. Mas era muito novo. Graças a Deus, eu sempre dizia, gente, eu tô aprendendo, tudo é parte de uma experiência de vida, mas eu acho que aquilo que Deus me deu, Como filho de um pastor, filho de um administrador, desde criança, trabalhando, brincando e ajudando nos ambientes da igreja, me deu uma experiência que acabou, quem sabe, me dando alguns anos a mais. Ao invés dos 34, eu podia ter 38, 39 anos contando com a experiência.

Isso me ajudou um pouco. mas foi dependência de Deus. Mas com 34 anos, estamos a falar do início dos anos 2000, eventualmente. Eu fui escolhido no final de 2002 e assumi a responsabilidade em início de 2013. Os desafios dos jovens neste continente, na divisão sul-americana, neste conjunto de países, eram muito diferentes na altura ou mantêm-se ainda hoje? Não, eles são diferentes. novo que não havia na época, chamado redes sociais, internet. Isso mudou muito a postura jovem. Mas o que eu vejo é que as carências continuam as mesmas. Apenas agora a forma como elas se expressam é diferente. E quem lidera os jovens hoje precisa ter outras ferramentas que eu não tinha na época. Eles precisam ter. Mas quando você chega ao coração do jovem, Esse coração é o mesmo.

As lutas, as crises, os sonhos, as ansiedades, os conflitos, eles não mudaram. Mas nós temos que encontrar outras formas de abordar essas situações um pouco diferentes das que eu abordava quando estava nessa área.

Presidência sul-americana

E com quatro anos, aliás, quatro anos depois, com 38, torna-se presidente da divisão sul-americana. Recorda-se desse dia? Acredito que não lhe passaria pela cabeça que algum dia o telefone fosse tocar com esse convite. Eu era parte da reunião nesse dia, porque eu era o diretor de jovens, o presidente estava se jubilando, se aposentando e veio a liderança da Igreja Mundial para poder escolher. uma nova pessoa, então eu fazia parte da reunião, meu nome apareceu numa lista que colocaram de várias sugestões, eu pensei, imagina, alguém deve apreciar o meu trabalho e rápido, quando começarem as observações, esse nome não vai ter força. Mas veio um segundo momento de discussões e o nome continuou lá, e um terceiro, até que ficaram dois nomes e o meu era um deles, e pediram para os dois saírem da sala de reuniões, eu falei, meu Deus, o que está acontecendo aqui?

Eu não acredito, imagina, na minha mente, o primeiro pensamento de ser uma imprudência da igreja, como que eles vão fazer isso? Eu nunca fui um presidente, eu tinha sido eleito para ser presidente de uma pequena missão, quando era diretor de jovens, e foi uma coisa tão conturbada que eu pedi, eu não gostaria de ir, e não fui, fui eleito por duas horas, e aí depois desse diálogo, eles escolheram outra pessoa, então eu nunca exerci a função. Como coloca uma pessoa com 38 anos que nunca exerceu a função, é uma imprudência, eu não vou falar nada, vamos ver como Deus vai dirigir, porque eu imagino que na hora da análise dos dois nomes, o pessoal vai cair na realidade assim, não, não, nós precisamos ter um pouco mais de cuidado. E quando veio a análise, eu já não estava mais na sala, só mandaram chamar os dois de volta e deram a informação. Naquela hora você fica sem palavras, até pediram pra eu falar alguma coisa, foi uma vergonha pra mim, porque eu me levantei pra falar, eu falei um minuto e comecei a chorar, porque aquilo me tomou assim tão pesado, Não foi de surpresa, porque eu vi meu nome vindo no processo, eu já tinha que começar a imaginar que algo podia acontecer.

Então não era uma surpresa. Mas eu estava despreparado para aquilo. Então foi uma situação muito desafiadora para mim. E eu dizia sempre, nas muitas entrevistas que eu dei depois daquilo, as pessoas perguntavam como é assumir a liderança sem experiência. Eu só dizia quanto menos experiência, mais dependência. Esse é o meu princípio, dependência de Deus, dependência de outras pessoas. Eu não vou encarar essa responsabilidade com tão pouca idade, achando que eu sei, eu posso, eu consigo. Menos experiência, mais dependência, especialmente de Deus. E eu vi esses milagres acontecendo de maneira tão viva que me confirmaram. que quem sabe naquele momento era o jovem mais novo que o senhor queria lá. Aí a gente descansa nas mãos dele e vai em frente, né? Mas alguma vez sentiu que tinha um fardo pesado demais?

Ah, muitas vezes. Muitas vezes. Os momentos que eu tive que liderar reuniões complexas, quando tive que enfrentar problemas que você olha e avalia todas as possibilidades e todas elas são difíceis, porque é muito bom quando você tem um problema e tem uma solução mais fácil, mais difícil, ou melhor ou pior, mas há alguns que todas elas são difíceis. Nessas horas eu pensava, meu Deus, para onde eu vou? para onde eu vou. Especialmente quando se vai entrando na era de redes sociais, onde tudo é discutido, analisado, avaliado, haters, etc. Não é fácil, se torna muito mais complexo fazer o trabalho. E eu sempre tive uma presença nas redes sociais, porque eu entendia que, como líder, eu precisava interagir com a igreja e com as pessoas, então isso me expunha ainda mais a essas coisas. Não era fácil.

Eu realmente agradecia a Deus por ter me sustentado. Não foi fácil para mim. Veja, quando eu fui eleito presidente, Meu filho tinha seis anos de idade e a minha filha tinha quatro meses de idade. Ela tinha nascido há quatro meses, portanto a minha filha nunca me teve numa vida normal. Quando ela nasceu, eu era líder de jovens, era um pouco mais fácil, logo me tornei presidente, aí são reuniões, problemas, exposição pra família também, não é só pra mim, a família é exposta. E ela hoje faz psicologia, estudante universitária, e ela sempre conviveu comigo nessa realidade. Então, há um peso imenso, por isso os cabelos brancos aqui, as olheiras, o olho machucado, não é por isso. É pelo peso dessa responsabilidade. Mas sabe, quanto mais pesada a responsabilidade, maior é a oportunidade de ver Deus agindo e fazendo milagres diante dos olhos.

Então eu falo disso, eu não quero deixar de exaltar o nome de Deus aqui. Porque ele é aquele que está por trás. Se a gente perder a confiança em Deus, aí as coisas não acontecem. O pastor Ayrton falava nas redes sociais, tem perto de 100 mil seguidores à volta disso no Instagram. Utiliza ainda as redes sociais? Bem menos, bem menos. Eu entendo que quando era presidente, era o meu papel me comunicar com a igreja. No momento que eu sou secretário agora, Existe um presidente, o pastor Ted Wilson, ele está presente nas redes sociais. Não é o meu papel estar permanentemente e diretamente me comunicando com as pessoas. Acho que eu devo respeitar a minha posição, o meu lugar. É o lugar mais de apoio do que de exposição. Então algumas vezes eu compartilho uma viagem, algum pensamento interessante, mas a minha exposição hoje é muito melhor.

Mas não tem ninguém que faça a sua gestão, é mesmo o pastor Ayrton? Eu mesmo faço. Pastor Ayrton, vamos já para um curto intervalo. Este é o último intervalo do programa de hoje, olhos nos olhos. Estamos com o pastor Ayrton Köhler, ele que é um brasileiro, está atualmente nos Estados Unidos como secretário executivo da Conferência Geral, que é o órgão maior da Igreja Adventista do 7º dia e voltamos já a seguir. TV Novo Tempo, o canal da família, o canal da esperança. Terceira e última parte do programa Olhos nos Olhos, aqui na TV Novo Tempo.

Conferência geral

Já sabe que este e outros programas pode facilmente encontrar, ver e partilhar no canal do YouTube da TV Novo Tempo. Temos connosco hoje o pastor Ayrton Culler, ele que é o vice, aliás o secretário executivo da Conferência Geral. Pastor Ayrton, eu estava a dizer vice porque é uma espécie de vice-presidente, não é? Pelo menos fora da organização da Igreja não há muito este cargo de secretário, mas dentro da estrutura da Igreja é alguém que apoia o presidente. Já lá vamos a esta parte e antes de lá chegarmos eu queria saber, o convite para a Conferência Geral também acontece assim de uma forma que acredito que não estaria à espera? Bom, primeiro esclarecendo a questão do secretário, A Igreja Adventista trabalha normalmente na sua estrutura com três líderes, que a gente entende que na multidão das ideias sempre a sabedoria.

Então não é uma pessoa sozinha, não são apenas dois que facilmente podem combinar, mas três pessoas, o presidente, o secretário e o tesoureiro. Eles são todos iguais em termos de responsabilidade, mas é claro, o presidente é aquele que lidera o grupo. Então, esses três são os que se reúnem, são os que têm as pequenas comissões administrativas para discutir temas polêmicos. Os vice-presidentes, eles são pessoas que apoiam diretamente as responsabilidades do presidente, coisas que o presidente deveria fazer, ele delega vice-presidentes para que o representem nisso. O secretário, ele é um dos três administradores da igreja e naturalmente ele tem uma área de ação específica. E nós temos três elementos, a gente tem uma área que a gente chama de administrativa, uma área executiva e uma área de missão.

Então eu estou bem focado nesses três elementos do trabalho da igreja. Apoio o presidente, naturalmente faço parte desse corpo administrativo de três pessoas, mas eu tenho uma área bem específica na sede mundial da igreja. Nós temos quase 80 pessoas que trabalham na secretaria e tem sete organizações diferentes que fazem parte dessa secretaria. O meu papel é coordenar o trabalho dessa área e apoiar as questões administrativas da igreja como um dos três administradores. O presidente e o tesoureiro são norte-americanos? Não, o presidente é norte-americano e o tesoureiro é jamaicano. E o secretário, no caso, é brasileiro. Uma junção de culturas muito importante. A gente como igreja sempre zela muito por isso, que nas funções administrativas a gente tem a representatividade. Nem sempre é a representatividade perfeita, mas pelo menos diferentes contextos, diferentes perspectivas que podem ajudar nas decisões.

nas estratégias de trabalho, etc, da igreja. Você perguntou sobre a escolha. Ela foi totalmente inesperada porque ela aconteceu durante a pandemia. 2021, não é? 2021, exato. A pandemia começou em 2020, mas em 2021 tudo estava muito fechado. E, de repente, o secretário e o tesoureiro, o secretário-executivo e o tesoureiro eles decidiram se aposentar. Porque, na verdade, tudo aconteceu porque a igreja, a cada cinco anos, tem uma reunião mundial, que a gente chama de Conferência Geral, ou, em inglês, DC Session. E eles tinham planejado se aposentar em 2020, quando teria essa reunião. E essa reunião foi transferida, porque foi pandemia. E eles queriam parar, porque estava tudo preparado para a família, para a vida deles, e foi pedido que eles esperassem até a próxima. E foi marcado para 2021.

E depois foi visto que em 2021 a pandemia não diminuiu, isso foi prorrogado para 2022, quando aconteceu. E esse pessoal já dizendo, nós não vamos ficar mais, não estão aguentando mais, a família está pedindo para parar. E a pandemia, muita gente morrendo, eles preocupados, estão expostos, queriam estar um pouco mais reservados. Então, chegou em 2021, os dois disseram, olha, não dá mais, é melhor escolher outra pessoa agora e nós vamos seguir a nossa vida de outra maneira. E aí, nessa época, quando ninguém esperava mudanças, ninguém esperava eleições, feito de forma virtual, foi uma comissão online, por Zoom, é que houve essa escolha e realmente foi complicado, porque nem eu esperava sair nessa época e nem esperava que a igreja mundial, em nível mundial, tivesse mudanças. Aconteceu isso até, foi problemático para nós, porque como família, nós ainda ficamos quase um ano no Brasil, até que as embaixadas abrissem, até que nós pudéssemos pedir um visto, tudo foi muito complexo durante o processo.

a maneira que eu imaginava que as coisas aconteceram, mas de novo, Deus tem planos que fogem ao nosso alcance. E depois vão, a família toda, presumo, foi morar nos Estados Unidos, mudaram-se para os Estados Unidos? Não, quando eu fui chamado pra lá, o meu filho estava fazendo o último ano de teologia. Já não podia ser. É, então ele tinha uma decisão pra fazer, ou ele iria conosco pra lá, pra começar a vida do zero, ou ele, ele tinha um convite de trabalho no Brasil, ele ficaria no Brasil e começaria o ministério dele. E ele não pensou nisso, não, eu vou ficar no Brasil, eu prefiro ficar aqui, quero ser pastor aqui, a minha cultura, o meu preparo é para esse lugar. Então ele decidiu ficar. A filha foi conosco para os Estados Unidos. Ficou um ano lá e decidiu voltar para o Brasil também. Então ela voltou para fazer o final do ensino médio num internato, numa escola residencial no Brasil.

E depois que terminou, nós pensávamos, bom, terminando o ensino médio, quem sabe ela volta para morar conosco. Decidiu continuar no Brasil e hoje faz faculdade ainda no Brasil, então só estamos, minha esposa e eu, morando nos Estados Unidos. E como é que foi esse desafio, chegando aos Estados Unidos? Acredito que a língua terá sido um desafio, a cultura também, que não é assim tão diferente, mas é um bocadinho ainda diferente da cultura brasileira. Isso para um europeu falando. Nós identificamos muito a cultura brasileira, muito semelhante em alguns aspectos com a cultura norte-americana. Foi difícil? Foi. Foi um desafio. Três coisas. A cultura, o idioma e a função. Eu tinha sido secretário-executivo por seis meses numa sede local da igreja. Uma experiência pequena, num contexto diferente. Toda a minha vida foi na área de jovens, que é uma área dinâmica, de movimento, e na presidência, que também é uma área com muito dinamismo.

Quando você vem pra secretaria, você tem que agora entrar em processos, no aspecto um pouco mais burocrático da igreja, coordenando equipes que trabalham muito pra dentro, menos pra fora. E também técnico, tem questões muito técnicas. Claro, claro. É claro que o secretário da sede mundial, ele lida menos com a parte técnica. Eu tenho uma equipe que cuida da parte técnica. O meu papel é um papel administrativo ao redor de tudo isso. Mas era novo pra mim. Então esses três, eu me virava no inglês porque como presidente da igreja na América do Sul eu tinha que vir para reuniões, mas era o básico para eu me manter e de repente agora eu tenho que trabalhar no escritório, dirigir reuniões, interagir com pessoas, viajar e pregar, tudo em inglês. Então foi um desafio. E eu acho que o que eu branquei de cabelos durante os 15 anos numa função administrativa na América do Sul, eu branquei em 3 ou 4 anos ali para me adaptar a toda essa nova realidade.

Mas há muitos brasileiros na Conferência Geral? Há um bom grupo de brasileiros. Na Secretaria, alguns poucos, mas em outras áreas tem alguns, alguns mais. Só que a sede mundial da igreja tem ali por volta de 400 pessoas que trabalham. Alguns no prédio, outros fazem trabalho remoto. A gente se encontra muito pouco. Está todo mundo viajando, quando você está no escritório outros estão viajando, então por mais que existam pessoas que sejam do seu país, você encontra com eles pouquíssimas vezes durante o ano. Pra poder, quem sabe, interagir no seu idioma. E outra coisa, você tem que se aprofundar no novo idioma, você tem que entrar lá e não ficar como que com uma muleta tentando se apoiar nesse pessoal. Então eu me encontrei, me encontro com eles, é muito bom, cultura, comer alguma coisa que a gente gosta, mas no dia a dia, a vida, naquela cultura e naquele idioma.

Mas quais são os grandes amigos que tem assim lá na Conferência Geral? Eu não sei, porque sabe quando a gente vem para uma função administrativa, diminui bastante o número de amigos bem próximos a você. Isso acontece naturalmente com todos. Então hoje minha esposa e eu somos dois grandes amigos. E eu tenho na secretaria, a minha equipe que trabalha perto de mim, é uma equipe com quem eu fiz muita amizade. Eu herdei essa equipe, praticamente toda, do secretário anterior, o pastor Diti, e a mantive porque ele escolheu muito bem a equipe, uma equipe que faz um trabalho excelente. Então eu cheguei, me aproximei da equipe e posso dizer para você que hoje eles são meus bons amigos, pessoas com quem eu interajo, posso falar de temas que vão além do trabalho. A gente forma uma grande família de trabalho, focados no trabalho, essa é a nossa prioridade, mas tentando construir relações que vão além do profissional.

Porque nós aqui no Novo Tempo temos também um grande amigo ligado à Conferência Geral, que é um amigo aqui da Novo Tempo e também do pastor Köhler, e que gravou uma mensagem para si. Vamos ver? Vamos! É, pastor Herto, eu lembro de muitos momentos significativos que passamos juntos. Eu lembro, por exemplo, da campal de Santa Helena, organizada, inspiradora. Lembro também da ocasião que nós fomos distribuir livros missionários num bairro de São Paulo, junto com pastores, com os irmãos, as irmãs. Nós fomos às ruas oferecer a mensagem de esperança e salvação para as pessoas.

Lembro também do seu esforço, da sua dedicação, do compromisso administrativo, convencendo os líderes das uniões a assumirem aquela parcela grande para comprar a geradora da Novo Tempo. Aquele impulso fez toda a diferença na obra de comunicação. Que Deus continue abençoando você, meu amigo, e que a sua vida continue sendo uma inspiração, não somente para as pessoas, não somente para a sua família, mas para toda a igreja. Que Deus lhe abençoe, lhe dê muita saúde, paz, felicidade e alegria. Um abraço. Pastor Williams é um amigo, nós nunca trabalhamos assim diretamente juntos, apesar de trabalharmos na mesma estrutura, porque na mesma comissão que me elegeu presidente da Igreja na América do Sul, foi a comissão que passou o convite para ele ir para os Estados Unidos para trabalhar na área de comunicação.

Então o momento que nós teríamos para trabalhar juntos Foi o momento da separação. E hoje trabalhamos juntos o mesmo prédio, ele é um grande apoio, um apaixonado pela missão, pela igreja, pela comunicação e agradeço muito a ele pela mensagem e a vocês também. Nós é que agradecemos e um abraço especial ao pastor Wilhelms Costa Júnior. Pastor Artem, estamos a chegar aqui ao fim da nossa conversa, mas eu gostava de

Desafios futuros

tentar perceber um pouco a visão que tem ao nível, uma visão privilegiada da igreja. Presumo que já visitou muitos e muitos países, conhece a igreja a nível mundial de uma forma como poucos conhecem. Qual acha que são os grandes desafios que a Igreja Adventista enfrenta e que terá de enfrentar num mundo tão diferente atualmente do que era ainda há dois, três anos atrás? Eu acho que nós como Igreja Adventista temos alguns desafios, talvez eu não mencione todos, mas alguns que me vêm rapidamente porque são aqueles com os quais a gente lida no dia a dia. Número um é a unidade da Igreja. Nós estamos vivendo uma época onde se fala de globalização, dando a ideia de que o mundo está cada vez mais junto, mas o que a gente vê não é isso. Cada vez mais ideias locais, cada vez mais polarização, pessoas matando e morrendo pelo seu próprio interesse, pela sua própria região.

E essa igreja, pela estrutura que tem, pelo legado profético que tem, ela foi uma igreja construída para caminhar junto. para levar a mensagem junto, para ver o Espírito Santo sendo derramado sobre uma igreja que dá as mãos e a gente vê isso se fraturando através de decisões administrativas, através de questões legais, através de opiniões pessoais e muitas coisas. Então, uma das nossas lutas e um dos nossos desafios é orar a Deus e trabalhar intensamente. para respeitar as culturas, as individualidades, mas tentar manter a igreja unida naquilo que é o core, é a essência daquilo que nós somos. Esse é o primeiro. Segundo grande desafio é a identidade da igreja adventista. Nós cremos como adventistas, nós temos um chamado especial, não é um chamado para ser melhor do que outros.

Nós respeitamos todas as denominações. Imagino todos amam a Deus e fazem o melhor de si. Mas nós recebemos um chamado para ser uma igreja profética dos últimos dias desse mundo, para preparar esse mundo para a volta de Jesus. E nós temos uma identidade, elementos bíblicos, doutrinas, uma relação com as três mensagens angélicas que formam a nossa identidade. E a gente vê cada vez mais isso vai se diluindo. E eu gosto de falar sempre por aí que nós precisamos ser mais óleo em água e menos açúcar em água. Em outras palavras, o óleo e a água convivem juntos, eles estão juntos, mas você sabe o que é óleo e o que é água. Quando você é açúcar em água, você não sabe o que é açúcar e o que é água porque misturam tudo. Nós temos uma identidade profética e nós precisamos, como igreja, encontrar maneiras de defender essa identidade de maneira equilibrada, sensata, focada, mas entendendo o chamado que nós recebemos.

E o último, que é o que mais me apaixona, e é o que eu tenho dedicado o meu tempo e a minha vida, é a missão da igreja, é não perder o foco, não permitir distração, e essa é uma pressão imensa que nós temos, de começar a fazer outras coisas, celebrar outras coisas, priorizar outras coisas, e não a missão, que é o nosso chamado, se nós somos chamados para preparar esse mundo para a volta de Jesus, Esse é o nosso papel. Vamos usar a nossa identidade e a nossa unidade a serviço da nossa missão. Isso não é fácil. E eu vejo esses três grandes desafios como desafios especiais pelos quais nós temos orado, pelos quais nós temos buscado sabedoria de Deus, e eu entendo que os três só vão ser vencidos se a Igreja viver o que a gente chama de um reavivamento e uma presença mais constante do Espírito Santo entre nós.

Porque quando eu falo de unidade, identidade, missão, não sou elementos humanos, eu não estou falando de uma empresa, de uma corporação, estou falando da Igreja de Deus na Terra, e só quem pode gerar tudo isso é Deus. Ele pode nos usar, a gente pode ter boas ideias, fazer boas reuniões, mas ele é quem vai dar o elemento que une, o elemento que marca a identidade. Então, eu creio que o reavivamento... é que vai nos dar condições de avançar. Essas três áreas são grandes desafios para nós. O que é que ainda o emociona atualmente na igreja, ao fim de tantos anos a conviver na igreja em diferentes níveis? A missão é a minha paixão e a missão me emociona. Quando eu vejo a igreja avançando em lugares desafiadores, o meu papel hoje é trabalhar muito com áreas não alcançadas pela igreja, áreas novas, difíceis.

Cada vez que eu vejo a gente mandar um missionário para um lugar onde nós não tínhamos antes, quando eu ouço de pessoas que entregaram a vida a Jesus em áreas desafiadoras, ou mesmo nas igrejas que nós já temos, a missão, a entrega, o batismo, isso para mim ainda é a minha grande paixão e é o que me causa, sempre toca muito o meu coração. Qual é o seu grande sonho, Pastor Ayrton? Humanamente falando, é ver essa igreja alcançando os lugares não alcançados e as pessoas não alcançadas. Espiritualmente falando, é estar com minha família preparado para a volta de Jesus e para nós vivemos no céu. Graças a Deus, minha esposa dedica a vida dela a cuidar dos nossos filhos nessa vida mais agitada que eu tenho. Eles são fiéis a Deus, estão firmes na fé, estão servindo essa igreja e eu peço a Deus, espiritualmente falando, que ele nos mantenha unidos entre nós e preparados para ver Cristo voltar e vivermos juntos no céu.

Pastor Artanel, a última pergunta que eu tenho para si, eu faço a todos os convidados que aqui vêm, que é como é que eu gostaria de ser lembrado? Eu gostaria de ser lembrado como alguém que confiou em Deus e alguém que procurou fazer o seu melhor pela missão da igreja, é nisso que eu tenho colocado a minha vida. Não que as outras áreas não sejam importantes, eu procuro cuidar de todas elas, mas a gente tem uma paixão, a gente tem uma identidade. E eu queria ser lembrado como aquele que acreditou que a missão era possível, que Deus podia fazer milagres e que aquilo que parecia difícil poderia acontecer pela graça e pela misericórdia de Deus. Gostaria de ser lembrado como alguém que deu a vida pela causa e pela missão.

Se alguém escrevesse um livro sobre si, seria o homem da missão? Uma vida pela missão. Puxa, dei o título aí, hein? Mas seria isso, porque desde que eu assumi o trabalho na igreja local até onde eu estou hoje, em todos esses lugares, a minha prioridade sempre foi essa, porque eu entendo que ela não é minha. A missão vem de Deus, pertence a Ele e é a prioridade dEle. O meu papel como um servo dEle é simplesmente defender, refletir aquilo que é a prioridade dEle. Professor Ayrton, muito obrigado por ter aceitado o nosso convite a viver aqui à Novo Tempo Portugal e que Deus continue a abençoar a missão que tem pela frente. Muito obrigado, professor Ayrton.

Sobre este episódio

Neste episódio cativante, mergulhamos na inspiradora jornada do Pastor Erton Carlos Köhler, um líder notável que, desde a infância no Rio Grande do Sul, sentiu o forte chamamento para a vida pastoral. De menino que brincava aos "pastores" a assumir o segundo cargo administrativo mais importante da Igreja Adventista a nível mundial, a sua história é um testemunho de dependência de Deus e compromisso inabalável. Descubra os desafios iniciais de um pastor local jovem e as reviravoltas inesperadas que o levaram a posições de liderança global, revelando como a timidez pode coexistir com uma vontade inquebrantável de servir e de fazer a diferença. Quais foram os momentos mais difíceis e como os superou com fé e determinação?

O Pastor Köhler partilha ainda as suas perspetivas sobre os grandes desafios que a Igreja Adventista enfrenta atualmente, desde a manutenção da sua unidade e identidade profética num mundo polarizado, até à forma de se manter focada na sua missão primordial. Reflete sobre a solidão inerente à liderança, a importância do apoio familiar e como a fé guia cada decisão. Uma conversa profunda que oferece vislumbres únicos sobre a vida de um líder espiritual e o panorama futuro da Igreja. Não perca esta partilha honesta e inspiradora, repleta de experiências que moldaram um percurso de dedicação ao serviço divino.

Tópicos abordados no programa:

  • Da infância no Rio Grande do Sul à liderança global: uma vocação precoce.
  • Os desafios de ser pastor local e a inexperiência da juventude.
  • A solidão da liderança e a importância do apoio familiar.
  • O papel do Secretário Executivo na estrutura da Igreja Adventista mundial.
  • Os três grandes desafios da Igreja Adventista: unidade, identidade e missão.
  • Liderar na era digital e a comunicação nas redes sociais.
  • A cultura e as raízes alemãs na formação da sua personalidade.
  • Histórias de superação e a paixão pela missão evangelística.
Série
Olhos nos olhos · 31 episódios
Temporada e episódio
Temporada 1 · Episódio 4
Estreou
04 de Julho de 2025
Categoria
Outros