27:02Olá, que bom que é estar uma vez mais consigo, aí na sua casa, no lugar onde nos vê, onde nos escuta. Uma vez mais convosco, de todo o coração, com muita alegria e gratos a Deus, porque nos dá esta oportunidade de conhecermos coisas tão importantes, tão interessantes e tão valiosas para a nossa saúde mental. Seja bem-vindo, bem-vinda uma vez mais. mais um episódio deste que já é o seu programa, Mentes que Sentem, e com certeza já tem conhecimento quem está connosco é a doutora Cristina Dias. Cristina, se é muito bem-vinda, que o senhor continue a abençoar-te e obrigada uma vez mais por disponibilizares a estar connosco a dar-nos mais informações para a nossa saúde mental.
Obrigada, Milu. É muito bom estar aqui naquele que, como dizíamos há uns episódios anteriores, é o nosso cantinho do conforto. É verdade. Cristina, nós tivemos o privilégio de ter estado a ver alguns dos desafios que existem neste que é o processo do desenvolvimento da nossa inteligência emocional. e em relação, com certeza, aos quais nós precisamos tomar consciência de várias coisas como temos aprendido, particularmente nos dois últimos episódios. Hoje vais dar continuidade também a este assunto. É verdade, Milo. Nos dois últimos episódios nós estivemos a falar da complexidade do nosso cérebro a florar muito ligeiramente. Estivemos a falar da influência ambiental que tem sobre nós, ou que existe na forma como nós nos comportamos.
Estivemos também a falar da aprendizagem emocional que vamos fazendo e das
memórias corporais que desenvolvemos. E hoje, em particular, eu gostava de começar por abordar um outro desafio no âmbito do desenvolvimento da inteligência emocional, que são as estratégias de proteção e segurança. Ora bem, o que é que é isto? Vamos colocar a questão. É o desenvolvimento de vários mecanismos ao longo da nossa vida, de estratégias, quando nós percebemos, percepcionamos ou estamos perante aquilo que consideramos uma ameaça. Estão frequentemente ligados às nossas experiências iniciais de vida e à forma como nós aprendemos a protegermos. São ativados rapidamente e a maior parte das vezes foram-se desenvolvendo sem nós termos consciência disso.
E aqui, mais uma vez, volto a dar um exemplo. Imagina que eu estou numa sala, com um conjunto de crianças que eu conheço bem, e entro na sala e há um menino que está a fazer qualquer coisa. Pronto, imagina, está fora do lugar. E eu, num tom de voz um bocadinho mais elevado, digo, ó João, o que é que tu estás a fazer? E imagina que o João faça este movimento. Isto foi automático, foi instintivo, mas isto é uma estratégia de defesa, uma estratégia de proteção. Onde é que o João foi buscar isso? E antes de tentarmos, ou melhor, daqui a pouco iremos abordar com mais detalhe isto, mas há um aspecto que eu gostaria de ressalvar. Porque é que nós falamos nesta questão das estratégias de proteção e de segurança?
Porque a maior parte das vezes elas trazem-nos algumas desvantagens e impedem-nos de aprendermos novas estratégias mais saudáveis para lidar com aquilo que nós percepcionamos como sendo uma ameaça. Porque a aprendizagem de segurança tende a utilizar a mesma estratégia, não importa as situações em que nos colocamos. E aqui permite-me dar um exemplo que vai ser exagerado, propositadamente exagerado. Imagina que eu estou com febre. E digo, ai meu Deus, estou a sentir-me muito febreu. E tu dizes-me, toma um Benuron. Um Benuron é o nome de um medicamento, é um antipirético, analgésico, que também é utilizado, por exemplo, quando estamos com febre. E tu dizes-me, toma um Benuron. Agora imagina que uns dias depois eu te digo, ai Milo, estou cheio de fome.
E tu respondes, toma um Benuron. E algum tempo depois eu digo, Milo, eu não sei como é que eu vou fazer face a esta despesa. E tu respondes, toma um Benuron. Isto embora pareça um exemplo um bocadinho disparatado, exemplifica a forma como muitas vezes os nossos mecanismos de defesa, de reação, funcionam da mesma forma, independentemente da circunstância em que estejamos colocados. E isto provoca uma grande resistência à vulnerabilidade. porque ninguém gosta de se sentir vulnerável. E nós olhamos para a vulnerabilidade como algo que não é positivo. A verdade é que a vulnerabilidade devidamente trabalhada é uma força motriz em nós para a mudança.
Só que quando nós somos confrontados com termos que reequacionar, reeducar as nossas estratégias de segurança e de defesa perante uma potencial ameaça, Isso leva-nos a sentir vulneráveis. E leva-nos a criar uma outra resistência, que é a resistência à mudança. O ser humano é um animal de hábitos. Portanto, gosta de coisas que consiga controlar. Sempre que é confrontado com a questão da mudança, isto traz desconforto. E, em última instância, leva a pessoa também a ter dificuldade no desenvolvimento de habilidades sociais.
E eu vou exemplificar isto. Vou dar três exemplos concretos para nós percebermos o que é que se passa dentro do nosso cérebro quando falamos de estratégias de segurança ou de estratégias de defesa perante uma potencial ameaça. Mas vamos falar de uma forma muito básica, muito simplista, está bem? Imagina a Alice. A Alice é uma jovem adulta que cresceu num contexto em que a mãe era uma pessoa extremamente crítica e o pai uma pessoa bastante ausente. Quais são alguns dos medos que a Alice desenvolveu? O medo de ser criticada pelos outros? O medo de se sentir inadequada? O medo de que os outros se aproximem demasiado dela e não gostem daquilo que vêm?
Quais foram algumas das estratégias automáticas, algumas delas até inconscientes, que a Alice foi desenvolvendo para lidar com isto que é uma potencial ameaça? Então, vamos tentar agradar às pessoas. Vamos tentar descobrir o que é que elas gostam e vamos tentar agradar, porque assim eu não sou confrontada com a crítica. Por outro lado, eu não posso evidenciar aquilo que eu verdadeiramente sinto. Vamos esconder os nossos sentimentos, caso eles, de alguma forma, possam chatear a pessoa. É aquilo que, no senso comum, nós chamamos uma people pleaser. Portanto, eu estou constantemente em função do outro. Quais são algumas das consequências que esta estratégia de defesa, que não está adequada para esta situação que eu percepciono como ameaçadora, poderá ter?
leva-me a manter a distância por parte dos outros. Ou seja, eu permito algumas coisas, mas eu não permito uma presença profunda em relação à minha intimidade. Isto leva-me a não perceber que poderão haver outras pessoas que estejam a passar exatamente pelo mesmo processo que eu estou a passar. Segundo exemplo, eu fico sozinha e incapaz de aprender. E, além disso, eu começo a tornar-me extremamente autocrítica e fico muito facilmente incomodada. Eu fiz isto com aquela pessoa. Às tantas, eu deveria ter feito aquilo. Mas se eu fiz aquilo, eu deveria ter feito isto. Isto é só um exemplo muito simples, mas que mostra a forma como estas estratégias de segurança e de defesa, automatizadas em nós como respostas, ilicitadas em situações diferenciadas, nos levam muitas vezes a escolhermos coisas que não potenciam o desenvolvimento da inteligência emocional.
Preciso de um segundo exemplo. Vamos imaginar o João, um adulto, neste momento. Cresceu com pais amorosos, mas pessoas que estavam extremamente ocupadas e que raramente tinham tempo para o João. Ninguém com quem falar, com quem discutir emoções e ausentes naquilo que ele considerava um momento chave. Por exemplo, uma festinha da escola, mas os pais não estavam lá. Quais são os medos chave que o João passou a acalentar ao longo do seu crescimento? As pessoas terão sempre coisas que precisam ou querem fazer antes de estar comigo. Eu não sou importante o suficiente. Isto leva-me a sentir profundamente sozinha. E como eu não me sinto confortável a lidar com este sentimento de sozinho, quais são algumas das estratégias que eu fui desenvolvendo, as estratégias automáticas.
Eu tento fazer de mim uma pessoa importante, mas suficientemente distante dos outros. Eu sobrecarrego-me com compromissos, com trabalho. exatamente o mesmo padrão que eu vi ocorrer na minha casa com os meus pais, porque criar estas exigências sobre mim dá-me uma falsa perceção de que eu sou importante para alguém, de que sou útil para alguém. Mas isto leva a que eu mantenha as minhas próprias necessidades emocionais no limite mínimo. Eu não dou asa que elas ocorram, porque eu sei que elas não vão ser atendidas. Quais são algumas das consequências que isto traz na vida, no dia-a-dia do João? As necessidades emocionais não são desenvolvidas, permanecem insatisfeitas.
O João fica exausto, emocionalmente exausto deste tipo de... necessidade de responder, acaba por trazer alguma irritabilidade e depois sente-se ainda pior. É um ciclo vicioso. Não trabalha em relacionamentos íntimos, acaba por não trabalhar. Portanto, a solidão mantém-se. E se tu perguntares ao João, mas João, como pessoa, o que é que tu gostas? O que é que te satisfaz? O que é que te traz alguma noção de valor próprio? O João não te vai conseguir responder esta pergunta, porque a única coisa que ele sabe e com a qual ele tem contacto é com o trabalho. E provavelmente alguns daqueles que nos estão a ouvir estão sem dúvida a encaixar-se em algumas destas coisas ou a fazer sentido para eles.
Terceiro exemplo. Vamos imaginar a Sara. A Sara dizia, olha, eu sempre percepcionei como se eu fosse uma carta fora do baralho. Parece que eu não me encaixava. E, ao mesmo tempo, eu acabei por crescer num contexto em que eu via muito bullying na escola, para comigo, e tive pais bastante controladores. Quais são alguns dos medos-chave que a Sara foi desenvolvendo ao longo do tempo? Estar sob o controle das pessoas. Sentir-me vulnerável à crítica dos outros. Então quais são algumas das estratégias que a Sara implementou para lidar com esta potencial ameaça? Eu vou encontrar coisas que eu possa controlar. E uma das coisas que eu consigo controlar é a minha alimentação, é o que eu como.
Portanto, cada vez que eu controlo o impulso de comer ou a vontade de comer, mais no controlo eu me sinto. Parece que isso prova que eu tenho uma vontade forte. Mas quais são algumas das consequências destas estratégias? Primeiro, é uma distração dos verdadeiros problemas. Porque esta perceção de que eu estou no controle e que tenho uma vontade forte quando controlo o meu impulso alimentar é ilusória. Segundo, como eu não aprendi a lidar com emoções desconfortáveis por causa do medo que eu sentia, aquilo que ocorre é que eu sou facilmente alterável, o meu estado de ânimo é facilmente alterável e oscila entre emoções.
Eu não consigo ser assertiva, não consigo geri-las de uma forma produtiva. Por outro lado, eu não tenho um senso de mim própria mais uma vez. Porquê? Porque a minha vida gira à volta da comida e do controle que a comida me permite ter. E só para dar aqui mais um pequenino enquadramento. A verdade é que a reação instintiva do nosso cérebro Quando percepciona algo que pode achar que é ameaçador, é o velho adagio, mais vale prevenir do que remediar. Então vamos agir. Então, é muito mais fácil serem ilicitadas as emoções de proteção contra as ameaças, do que regressar a um estado de equilíbrio e de tranquilidade.
Com certeza que continuaremos nesta reflexão e vamos ter a seguir alguns assuntos também muito pertinentes e interessantes que a doutora Cristina está a trazer até nós. Lembrar-vos, mais uma vez, para aqueles que já têm em casa, já sabem que é muito precioso este manual de estudo sentimentos, portanto, a ciência do existir, que poderá receber na sua casa de forma completamente gratuita. Basta entrar em contacto connosco, 933-939291, e para si vai diretamente para a sua casa ou para a casa de algum amigo ou familiar que acho que seja pertinente e interessante estes assuntos que temos estudado ao longo de todos estes episódios neste que já é o seu programa Mentes que Sentem e que poderá, com certeza, ter na sua casa de forma gratuita.
Então não se esqueça, ligue para o número ou mande mensagem para o número 933-939291 e teremos, com certeza, muito prazer em poder enviar este manual de estudo para a sua casa. Cristina, esta questão que já ouvimos falar de um sistema de recompensa, um
sistema de prazer, afinal o que é que é isto? O que é que isto significa? E diante de todo esse contexto tudesto e todo esse ensinamento, o que é que isto quer dizer? Esse era um dos aspectos que nós referenciávamos em relação aos quais teremos que ter sensibilidade e conhecimento. Ora bem, o sistema de recompensa e prazer é um conjunto de estruturas neuronais que nós temos, que nos motivam a comportamentos associados à sobrevivência, ao prazer e à aprendizagem. está intimamente ligado à motivação, às emoções, ao prazer, e um dos neurotransmissores-chave é a dopamina. Provavelmente já ouviram falar sobre isto. Qual é uma das funções principais?
É ajudar-nos a distinguir aquilo que é benéfico do que é prejudicial. Portanto, se há algo que eu interpreto como positivo ou como trazendo prazer, é algo a repetir. Se há algo que eu interpreto que me causa dor ou desconforto, é algo que eu vou tentar não repetir. E vamos tentar perceber em termos práticos como é que isto acontece na nossa mente. Imagina, por exemplo, uma criança que está na escola e que, entretanto, está a ajudar um coleguinha. E a professora, publicamente, diz assim... Oh, parabéns! Estás a ser muito generosa. Isto é que é ser um bom colega. O que é que acontece na cabecinha desta criança? A criança ouve este elogio e percebe-o como uma recompensa social.
Por outro lado, quando isto acontece, entre outras, mas há duas estruturas no nosso cérebro, que são a área tegmental ventral e o núcleo cúmulus, que são ativados e há a libertação da dopamina, deste neurotransmissor. Isto dá-nos uma sensação de bem-estar, de felicidade. E o sistema de recompensa associa que quando eu ajudo o colega, eu eventualmente poderei vir a ter um elogio. Então é uma ação que fica gravada na minha mente e a criança fica motivada para repetir esse comportamento. Agora vamos pegar um outro exemplo. Imagina um estudante que se aplicou bastante para um determinado exame e numa escala de 0 a 20 valores diz, eu vou tirar o máximo, eu vou tirar 20 valores.
Mas quando recebe a nota, vê que tirou 14 valores. E apesar de ser uma boa nota, percebe que foi uma perspectiva um bocadinho irrealista. Uma frustração. Então a pergunta que se coloca é, o que é que acontece no teu cérebro, neste sistema de recompensa e prazer, quando ele é ilicitado perante expectativas irrealistas? Aquilo que ocorre é, Quando o jovem está a pensar que vai tirar 20 valores, o cérebro antecipa a recompensa, mesmo que ainda não tenha tido a recompensa real. O fato de eu esperar 20 valores leva também à libertação da dopamina, leva à situação do prazer antecipado. Mas quando a realidade me mostra que há um desfasamento entre a expectativa e a realidade, chama-se um desalinhamento.
em que a recompensa esperada não é recebida, o nosso cérebro percebe que fez um erro de previsão. Mas isto faz com que haja uma queda nos níveis da dopamina. Ao haver essa queda nos níveis da dopamina, vem a frustração, vem a tristeza, vem o desconforto. E existem consequências ao nível de sentimentos negativos, irritabilidade, baixa autoestima, mas sobretudo existe também uma consequência que tem a ver com a desvalorização do esforço. O ser humano está muito habituado a olhar para algo como a sua meta final. mas esquece de valorizar o processo para lá chegar. Então a pergunta que se coloca é, então este jovem, o esforço que este jovem fez, não é válido?
Mas perante a decepção e a frustração, o jovem vai entender que não. E se tu fores confrontada com alguma frequência com este desfasamento entre a tua expectativa e a tua realidade, e que tem interferência direta no teu sistema de recompensa e prazer, isto pode levar a contribuir para estados ansiosos e para estados depressivos. E o que nós verificamos é que com alguma frequência, ou nós estamos perante um sistema de recompensa e prazer que está em subatividade, porque é porque eu fui tão ciclicamente, é exposta à frustração, que eu começo a descrever em relação ao esforço, e a começar a desenvolver até o que nós chamamos de anedonia, uma falta de prazer nas coisas.
Então, tu não gostavas de andar de bicicleta? Não me interessa neste momento. Perde a motivação. Perde a motivação, perde o prazer, literalmente o prazer que a atividade lhe fazia. Embora isto ocorra, o mais comum tem a ver com a hiperestimulação do teu centro de recompensa e prazer. A verdade é que o cérebro gosta de sentir prazer e ele não tem ali um limite a dizer, já basta. Quanto mais vier, melhor. Então, um dos fatores da inteligência emocional tem a ver com compreendendo como é que isto funciona, que estratégias é que eu posso pôr em prática para me ajudar a manter algum equilíbrio. Porque quando nós estamos com um sistema de recompensa e prazer hiperestimulado, regra geral deriva em comportamentos compulsivos.
Ou adição a substâncias, ou comportamentos compulsivos a nível alimentar, ou comportamentos compulsivos a nível de dependências, por exemplo, de jogos, uma série de situações. Então, Como é que nós podemos contornar este efeito? E lembra-te que aqui nós só damos pequenas estratégias. A primeira é percebermos que nós funcionamos assim, e se nós tentarmos adequar a expectativa à realidade, será mais fácil gerir. Então, por exemplo, no caso deste jovem, Eu espero tirar 20 valores. Eu estudei para tirar 20 valores. Mas se eu não tirar os 20 valores, o esforço que eu fiz é válido. Tenho que perceber onde é que eu poderei corrigir. O que é que eu estou a fazer? Estou a adequar uma expectativa à realidade.
Por outro lado, é esta valorização do progresso. E aprender com o tal erro de previsão. E aqui há uma coisa que nos pode trazer algum conforto. E vou dar um exemplo. Imagina que tu tens um bebê que está a chorar. Percebes que a criança está a chorar porque está assustada. Não tem fome, não tem sonas, as necessidades básicas estão asseguradas, a criança está a chorar porque está assustada.
A pergunta que eu te coloco é, como é que tu acalmas? O estar junto a ela, o segurá-la, o tocá-la, confortá-la. Ou seja, tu não vais chegar à beira da criança e não vais ter um comportamento de hiperatividade com a criança. Tu tens no seu... Serena. Exatamente. Tu tens que ter, não importa qual o tipo de mecanismos que uses, mas a palavra-chave é eu tenho que transmitir segurança à criança. A criança vai voltar a sentir-se tranquila quando ela sentir segurança. Então, quando nós perguntamos como é que eu equilibro o nosso sistema de recompensa e prazer quando eu percebo que estou num dos dois extremos, eu faço esta questão a mim própria.
O que é que me traz segurança? o que é que me ajuda a regressar ao equilíbrio novamente. E, por outro lado, há aqui um aspecto que também é importante alertarmos. Há pessoas para quem o sistema de ameaça e autoproteção está extremamente desenvolvido. Portanto, a ansiedade e a raiva são extremamente fáceis de sentir para essas pessoas e o regresso ao equilíbrio é mais difícil. Porquê? Ou porque essas pessoas nunca tiveram ou tiveram muito menos oportunidades de desenvolver a estratégia de acalmar E pelo contrário, com consequência, estas pessoas não estão habituadas a lidar com algum conforto, com emoções agradáveis.
Porquê? Porque as pessoas sentem que essas emoções não são reais. Eu recordo-me de alguém que dizia assim, quando tu sentiste raiva e ansiedade a maior parte da vida, as emoções positivas não parecem reais. É estranho ter que lidar com isto. Estranho e triste. Só que perguntamos, onde é que a pessoa desenvolveu isto? Mais uma vez lá atrás, por associação, vamos imaginar. A Ana, sempre que pensava que ia ter algo bom, que ela considerava, antecipava, tinha o tal prazer antecipatório, vou à festa de aniversário da minha amiga, vou passear com, vou ter este gelado, vou ter este brinquedo. Acontecia algo por exemplo, ou havia um imprevisto e os pais não podiam ir, ou a mãe estava com dor de cabeça, ou o pai aborreceu-se com alguma coisa e disse que não.
Ela foi desenvolvendo um mecanismo de associar algo que me dá prazer com uma consequência negativa. Então, eu vou querer ter prazer. Não, eu sinto-me assustada. O meu sistema de alerta é elicitado sempre que isto ocorre. E qual é o impacto que isto tem no nosso cérebro? A verdade é que, é mais ou menos como aquele ditado em inglês que diz que se tu não usas, perdes. Portanto, if you don't use it, you lose it. Portanto, quando nós temos um sistema de recompensa e prazer que não é... estimulado da forma mais adequada, com regularidade, enfraquece a sua capacidade de resposta e o nosso bem-estar geral.
Então, qual é a solução, ou uma das soluções? Por um lado é perceber qual é a origem deste medo, porque é que eu me sinto desconfortável com estas emoções. E estamos a falar de emoções que nós atribuímos a perceção de positivas. Eu volto a referir, não há emoções positivas nem negativas. Elas são funcionais. Agora, a nossa perceção e a nossa vivência das mesmas é que nos dá esta noção de positivo ou negativo. Então, por um lado, reconhecer porque é que eu tenho desconforto em relação a isto. Por outro lado, perceber que o caminho de regresso é expondo-me gradualmente a esse desconforto. A memória que eu tenho de quando ia comprar um gelado é que tudo corria mal. Às tantas, eu vou ter que comprar um gelado.
E o meu corpo vai dar sinal de tensão. mas eu vou ter que comparar e começar a experimentar uma vivência diferente. Há tantas, sempre que eu estava com pessoas, Aquilo que acontecia é que alguém dizia uma piada ou algo que me deixava constrangida. Às tantas eu poderei começar a ter que me expor com um grupo mais restrito de pessoas. Portanto, é construir o acesso emocional ao prazer gradualmente. No próximo episódio nós vamos ter, vamos voltar a este assunto, mas vamos ver Quais são algumas estratégias práticas que ajudam a posicionar de forma equilibrada o nosso centro de recompensa e prazer? Muito bem. Obrigada Cristina mais uma vez.
Com certeza que são coisas maravilhosas e interessantes que nós vamos aprendendo sobre nós próprios E eu estava aqui a pensar, a ouvir a doutora Cristina e estava a pensar, se for necessário rebobinar, passar tudo atrás e rever novamente todos estes ensinamentos, tomar as suas notas, porque não? No fundo estamos a ajudar-nos a nós próprios e quem sabe a aprender para ajudar outro alguém que tínhamos junto a nós. Que o senhor continue a abençoá-la, abençoá-la, é sempre um prazer estar consigo e por isso, pela graça de Deus, até o próximo episódio.
Neste episódio, mergulhamos nos intrincados labirintos da inteligência emocional para desvendar como as nossas mentes se organizam perante os desafios da vida. Exploramos as complexas estratégias que, muitas vezes de forma inconsciente, desenvolvemos para nos protegermos de ameaças percebidas. Descubra como estas defesas, embora criadas para nos manter seguros, podem paradoxalmente limitar o nosso crescimento, impedir a aprendizagem de novas abordagens e até mesmo sabotar o nosso bem-estar, mantendo-nos presos em padrões que anseiam por mudança. Este episódio é um convite à reflexão sobre a forma como processamos o mundo e reagimos a ele.
Prepare-se para uma jornada de autoconhecimento, onde irá explorar: * As estratégias de proteção e segurança que moldam as suas interações e decisões. * O impacto das expectativas irrealistas no sistema de recompensa do seu cérebro, e como isso afeta o seu sentido de valor. * Os perigos da sub-estimulação e da hiper-estimulação do prazer, e as suas ramificações em comportamentos compulsivos, ansiedade e depressão. * Exemplos práticos de como as experiências da infância se manifestam em medos e padrões de comportamento na vida adulta. * As chaves para reequilibrar o seu sistema de recompensa e cultivar uma relação mais saudável com as emoções.