27:20Estamos de volta para mais um Médico de Família. Bem-vindo aqui a este seu consultório da Novo Tempo Portugal. Comigo, e como já é habitual, tenho comigo a doutora Cláudia Neves, mas hoje temos um convidado especial, o informeiro José Pedro. Bem-vindo aqui a este consultório que é o Médico de Família. Um prazer, muito obrigado. Eu começo exatamente, Cláudia, por te pedir que tu possas fazer as honras da casa e explicar porque é que hoje temos aqui um ilustre convidado connosco. Olá, Daniel. Olá, Zé Pedro. É um prazer ter-te aqui conosco. A ideia realmente é transmitir a quem nos está a ver e quem nos está a ouvir que realmente um médico de família não trabalha sozinho. Nós trabalhamos sempre em contexto de equipa e há muitos temas que são ainda mais importantes no trabalho em equipa com os enfermeiros de família.
E hoje trazemos um tema em que realmente é preponderante o trabalho com o enfermeiro de família. Já falávamos em episódios anteriores sobre a diabetes e percebemos o quão complicada esta doença e quão grave pode ser, mas também como se pode ter uma vida plena e saudável mesmo convivendo com a diabetes. Mas hoje, até por maioria de razão, vamos falar da questão do pé diabético e por isso escolheste um enfermeiro para estar connosco hoje. E sendo assim, eu começo mesmo por te começar a perguntar Até que ponto é que a diabetes é realmente um problema grave de saúde?
Talvez possamos começar, seria interessante fazer aqui uma viagem histórica, porque hoje ouvimos falar muito na diabetes, mas a diabetes não surgiu agora. Ela, na realidade, já é uma doença muito antiga e nós recuamos até pelo nome, não é? Porque cada doença tem o seu nome, como todas as coisas no nosso mundo. e diabetes é um nome que vem de algum lado, terá sido escolhido algumas por alguém e foi escolhido por ter um significado. E isso talvez seja interessante para nós introduzirmos já a questão da diabetes, ou seja, o termo terá surgido na Grécia Antiga, portanto por um físico, um antepassado dos atuais médicos, chamado Arteus de Cappadocia, Isto terá sido lá pelo ano 80.
Ele viveu entre 80 e 138 d.C. Estão a ver já a distância que nos separa dele. E foi ele o primeiro a escolher o nome diabetes, que vem na realidade da língua grega. E que significa, portanto, um canal de drenagem. Era um termo que era utilizado nas antigas construções que os gregos e romanos faziam para a água circular, portanto. E ele terá escolhido esse nome hoje com a medicação, com o estilovícuo, com toda a abordagem que podemos fazer junto dos nossos utentes diabéticos para que eles tenham uma melhor qualidade de vida, não temos tanto essa percepção. Mas antigamente não havia os meios e os métodos que há hoje. Conclusão, a doença era muito identificada por sintomas que se iam complicando na vida das pessoas e um deles era que as pessoas urinavam muito, então daí a questão da drenagem da água.
Depois isso passou para aos romanos e os romanos introduziram-lhe um outro nome que é o Mélitus, ou seja, é o nome pelo qual a doença é hoje conhecida. Diabetes, Mélitus. Mélitus significa algo que tem mel ou que é como o mel, ou seja, associando já ao doce, não é? E ao açúcar, que iremos falar depois, mais daqui a pouco. Mas, portanto, estão a ver, já na Antiguidade havia esta associação a determinados aspectos da doença. e é isso que diabetes mellitus significa. Mas depois isto saltou para 1812, que foi o ano em que surgiu em Inglaterra um jornal, que ainda hoje existe e é muito importante, que é o The New England Journal of Medicine, e que, portanto, identificou oficialmente a doença em termos clínicos.
Portanto, então passámos a ter, não sintomas, mas sim uma doença clinicamente identificável e que ainda hoje persiste. Agora, desde a época da Grécia até aos nossos dias ela teve uma evolução e a evolução infelizmente tem sido exponencial e estamos hoje numa época em que realmente se tornou um problema de saúde pública muito grande. Alguns dados que nós podemos referir. As mortes, por exemplo, globalmente, só entre 2000 e 2019, para termos uma ideia, as mortes aumentaram 70%, mortes devido à diabetes, aumentaram 70%.
Nos homens, houve um aumento de 80% graças à diabetes. Aqui podemos ter uma ideia do complicado que isto é. Mas em termos globais, por exemplo, No mundo há 463 milhões de pessoas adultas, ou seja, estamos a falar de pessoas entre os 20 e os 79 anos de idade, que têm diabetes. Isto dados de 2019, o último censo. Portanto, estão a haver 463 milhões de pessoas. Isto é uma enormidade, não é? Não conseguimos imaginar. Estima-se que o número dos diabéticos, que nem todos estão diagnosticados, estima-se que o número atingirá seguramente os 700 milhões em 2045.
Portanto, estão a ver 463 milhões atualmente. A evolução que se prevê até 2045. Fora os pré-diabéticos, não é? Fora os pré-diabéticos, os que não se conseguirem diagnosticar, portanto, estamos a ver, estamos a falar de um mundo de pessoas, portanto, que vão ter que lidar com esta doença, já lidam ou vão ter que lidar com esta doença, e para a qual teremos que encontrar respostas adequadas para que eles possam ter melhor qualidade de vida, ou seja, como dizia no início, aprender a conviver com a doença. Em 2019, uma em cada cinco pessoas com mais de 65 anos já sofria desta doença. Ou seja, estamos em 2025, seguramente que hoje o número será muito maior.
O próximo censos vai nos revelar isso, seguramente. Portanto, uma doença que é responsável, ou já foi, aliás, responsável por 4,2 milhões de mortes. Pronto, e isto dá-nos um medo. Assusta-nos, não é? É mais do que qualquer catástrofe racional. É verdade, às vezes as pessoas ficam muito impressionadas. Eu vejo, por exemplo, muitas vezes conversando com os meus utentes na consulta, fazemos sempre um cabragelo, conversamos de um tema ou outro antes de iniciar a abordagem da doença propriamente dita. E as pessoas comentam muito ou porque houve um desastre de autocarro ou porque um avião caiu e ficamos todos impressionados com isso. Quando comparamos com estes números, realmente nós ficamos...
muito impressionados. Sobretudo quando são doenças como esta que está muito direta, pelo menos a tipo 2, com o estilo de vida, não é? Exato. Hoje o nosso assunto é a questão do pé diabético, mas é apenas uma das complicações da diabetes. Para introduzir o tema, quais são essas principais complicações que podem advir
da diabetes? Porque o pé diabético é só mais uma, não é? Sim. Portanto, nós temos que ver o ser humano como um todo. Olhando, os nossos ouvintes e espectadores compreenderão facilmente. Olhamos para nós. Nós temos cabeça, tronco, membros, ou seja, nós somos um conjunto desde a cabeça até aos nossos pés. Um conjunto que tem um uma série de sistemas integrados. A Dra. Cláudia depois explicará isso mais sucintamente, mas imaginemos desde a cabeça até aos pés, há um conjunto de sistemas. Esses sistemas comunicam, não é? E um dos sistemas que nós temos é o sistema circulatório, chamado sistema circulatório, ou seja, o nosso sangue, não é?
que comunica todas as áreas, comunica em todas as áreas do nosso organismo. Então, eu costumo dizer que, tendo em conta que a diabetes, depois falaremos disso mais tarde, mas creio que aqui no programa também já falaram, já abordaram a questão da diabetes, ou seja, há aqui uma acumulação de açúcar no sangue, que pode ser também em paralelo, uma acumulação de gorduras, o chamado colesterol e os triglicéridos. Esta acumulação pode, ao circular o nosso organismo, eu até costumo explicar isto aos meus atentes, nós temos no sistema circulatório autostradas, Pode lá ir gordura, pode lá ir açúcar, em grande quantidade ou em pequena, passa, não é? Circula. Mas depois, essas autostradas derivam para as estradas nacionais, depois para as estradas municipais, depois para as estradas de bairro e às vezes para becos sem saída.
São os capilares, aquelas veias muito fininhas onde poderá ir parar açúcar, poderá ir parar gordura e depois depositar-se ali. E com o passar do tempo, haver ali, verificar-se ali uma obstrução. Havendo uma obstrução, as células ali à volta deixam de receber nutrientes que o sangue transporta, morrem. E morrendo trazem problemas. Então, problemas aonde? As zonas de maior risco são aquelas onde nós temos veias muito fininhas. Os capilares, pronto, muito fininhos, que é onde há maior risco de obstrução. Quais são? O nosso cérebro, se nós conseguíssemos ver aqui o cérebro, veríamos que há lá uma autoestrada ou duas, e depois as outras mais finas, não é? O nosso cérebro, que tem, portanto, o risco de obstrução e havendo AVC, depois os nossos olhos, eu olhando nos seus olhos vejo risquinhos vermelhos, e se eu olhar nos meus também vê, ou seja, capilares muito fininhos, obstruindo problemas de visão que podem, inclusive, derivar na cegueira, não é?
Precoce. Depois temos, portanto, o nosso coração. O nosso coração é outra zona onde há capilares fininhos, portanto, se obstruírem, infarto miocardo. Temos os nossos rins. os nossos rins, que filtram impurezas do sangue e que podem obstruir com essas impurezas, com o açúcar também, e depois haver os problemas das nefapatias, dessas do rim. Se nós formos, por exemplo, a uma clínica de hemodiálise, estão lá as pessoas sentadas a fazer a sua filtragem de sangue. Se nós perguntarmos um a um até, o senhor, qual é o seu diagnóstico? Está aqui porquê? Vamos ver que uma grande porcentagem das pessoas que lá estão têm diabetes.
Aliás, foram para a hemodiálise por causa da diabetes. E depois vamos descendo. Há a questão dos nervos periféricos, a sensibilidade nas mãos e nos pés. Fala-se pouco nas mãos porque o pé tem mais risco, já veremos depois porquê. mãos e pés, mas há ainda outras áreas, como sendo a área, por exemplo, falamos muito da questão dos órgãos sexuais, que são zonas do organismo, onde as veias também são muito fininhas, houvendo obstrução, a sensibilidade diminui e a sensibilidade sexual também. genericamente são estas, portanto, as áreas do organismo com o maior risco, não é?
Portanto, isto de cima até baixo, exterminando no pé, não é? É verdade, Cláudia, que a questão dos olhos é algo também com muita vigilância, muita preocupação por parte médica e até com muitos programas, exatamente, para manter um controle apertado. Mas a par disto, diria eu, enfim, sem conseguir dizer qual é que é mais importante, a questão do pé diabético provavelmente até no senso comum é aquela que é mais conhecida, que é mais ouvida. Explica-nos lá, como é que isto surge?
Quais são as causas do pé diabético? Como o enfermeiro José Pedro já referiu, é uma das complicações e também já referiu, está muito associado à circulação sanguínea e está muito associado à doença depois das terminações nervosas. Quando atinge os vasos sanguíneos é o que nós chamamos vasculopatia. Já tínhamos falado aqui noutros programas, sempre que referi uma palavra no final, patia quer dizer doença de algo, de vascularização. E neuropatia, quando é dos nervos, Os pés, por natureza, até pela questão da gravidade, se nós realmente não nos movimentarmos ou tivermos problemas que sejam mais proponderantes à má circulação, como é a diabetes, temos mais problemas na circulação.
Então, havendo atingimento das pequenas artérias, pequenos capilares e dos nervos, mais facilmente a pele deixa de receber os nutrientes que deveria receber do sangue. os nutrientes, o oxigênio. E isto dá-se porquê? Por causa da quantidade de açúcar que é lesiva para os vasos. Isto tudo leva realmente a que a pele, desde de receber os nutrientes, torna-se mais seca, mais quebradiça, pode abrir úlceras. Tudo isto constitui o pé diabético. por doença predominantemente das vasos ou dos nervos, pele seca e, por consequência, úlcera. E no estado mais desenvolvido e mais grave, leva mesmo à amputação. As pessoas, se calhar, no passado, Quando a diabetes não era tão vigiada falavam mais nas feridas que não cicatrizam, que era uma das características da diabetes.
Felizmente já não vemos tanto como há 50 anos atrás. Mas é uma das características. Porquê? Porque os tecidos não estão a receber os nutrientes que são necessários para a própria cicatrização. E às vezes também não há tanta vigilância, porque o pé está muitas vezes tapado, o que leva a quando é tetado, já é tetado numa fase mais tardia, não é? É, exatamente. E aí vamos então às causas. E as causas têm a ver exatamente com isto. Os vasos ficam mais estreitos, mais endurecidos, deixam de receber os nutrientes, a pele fica seca e há outros fatores que temos aqui que falam que agravam isto. O colesterol alto, a tensão, o tabaco. e a grande maioria dos diabéticos têm também problemas de hipertensão e de colesterol elevado. São fatores que depois se multiplicam nos seus efeitos, e isto também a nível circulatório.
A parte neurológica, as terminações nervosas, as pessoas deixam de ter sensibilidade, seja à dor, seja ao frio, seja ao calor, e, não tendo sensibilidade, qualquer corte, fissura, calo, a pessoa não tem dor, não nota e pode evoluir para uma úlcera crónica com difícil cicatrização e, em casos mais graves, depois a amputação. Muito bem, vamos só fazer uma pequenina pausa, até porque queremos conhecer mais sobre a questão do pé diabético, porque agora quero fazer uma oferta para si que está desse lado, nos está a ver e nos está a ouvir. Já conhece o nosso guia de estudo, a máquina humana, uma revista que temos totalmente gratuita para lhe oferecer e já vimos como o pé diabético é apenas um dos fatores de risco, uma das áreas que nos leva a preocupar bastante, mas o que está por detrás é a diabetes.
E aqui nesta revista vai encontrar muitas dicas, muitos conselhos sobre saúde, mas vai também encontrar no capítulo 5 um capítulo inteirinho dedicado a diabetes, a que neste guia de estudo chama esta doença silenciosa. Para receber a revista é muito simples, basta entrar em contacto connosco, enviar-nos uma mensagem com as palavras MÁQUINA HUMANA para o 933-939291. Vou repetir, 933-939291, uma mensagem a dizer MÁQUINA HUMANA, depois entraremos em contacto consigo para lhe enviar gratuitamente a revista. para a sua casa. Voltamos então ao nosso assunto. Vimos então já, de uma forma mais concreta, o que é o pé diabético.
Desculpa a pergunta, mesmo que seja muito lapalice, só é possível haver pé diabético se tivermos diabetes, mas quais são as causas? Ou seja, o que é que leva um diabético depois a ter o pé diabético? São os problemas da circulação, são os problemas neurológicos, isto tudo muitas vezes associado a diabetes prolongada no tempo ou descontrolada, com glicémias elevadas. Tudo isto associado à hipertensão arterial, colesterol e tabaco, como já referimos. Muito bem. É quase também, enfim, de senso comum as causas e os sintomas, mas nem tudo é
tão simples quanto isso. Por isso, mesmo assim, para quem nos está a ver e para quem nos está a ouvir, o que é que nos podes dizer sobre os sintomas? O que é que é possível perceber que estamos a ter ali um problema? Portanto, já falámos noutros programas, sintomas é aquilo que a pessoa sente, sinais é aquilo que se vê e a pessoa pode não estar a sentir. Nos sintomas a pessoa não sente, mas a falta de sensibilidade já é um sinal de pé diabético. Sensibilidade à dor, ao calor, ao frio, ao toque, à vibração. Outro aspecto importante é a pele sempre muito ressequida e que facilmente abre fissuras. Outro aspecto importante são as úlceras, as feridas que não cicatrizam. É também um sinal de alerta. É a sensação de formigueiros, dormência nos pés. Tem a ver com a tal neuropatia, a doença das terminações nervosas.
Os doentes, por terem realmente alterações da sensibilidade, acabam por ter com o tempo mais calosidades e mais deformidades nos próprios pés. Devido à má circulação, podem ter dor na barriga das pernas, é muito comum, quando andam. Andam X metros, têm a dor na barriga das pernas. Param, deixam doer. Andam X metros, dói outra vez. É o que nós chamamos de claudicação intermitente. Tem a ver com o sangue, os músculos estão a movimentar-se, precisam de mais oxigênio porque estamos a fazer exercício físico. Como os vasos estão entupidos, não chega lá o oxigênio, o músculo dói. Acumula mais ácido e dá a dor. Isto é típico também por causa da má circulação. É outro sinal realmente do pé diabético.
Outros doentes e que se queixam quando estão a dormir têm dor nos pés, mas se os pés ficarem pendurados deixam de ter dor. Alguns dormem mesmo com os pés para fora da cama pendurados. É interessante que eu já tive vários doentes que me descreveram isto. Isto depois gera outros problemas até em termos circulatórios, mas tem a ver realmente com essa dor, tem a ver com a neuropatia. Claro que num caso já avançado de não ter sensibilidade ele já nem tenha dor. Num caso mais avançado de pediabetes não tenha dor nos pés sequer. e a ferida realmente que não cicatriza e que cria o risco de amputação é o outro realmente sinal de alerta de pé diabético. Sendo que tu falaste repetidamente sobre a questão dos pés secos, mas há também o contrário, ou seja, muitas vezes tem que se ter cuidado com o calçado e com os meios que se usa por causa da umidade e da transpiração dos pés, que também pode causar problemas, Eu estou-me a lembrar também de um fator comum que antigamente carecia de maior vigilância, certamente vamos falar nisso mais à frente, que é a zona entre os dedos que fica mais escondida.
Ou seja, são pequeninos pormenores que levam a maior preocupação também, não é? Sim. Os cuidados a ter com os pés é algo que nós em equipa de saúde, tanto o médico como o enfermeiro, e hoje o enfermeiro José Pedro vai falar disso, no exame dos pés é algo que nós também vigiamos. Por isso é que é importante o olhar para os pés, porque eles não se sentem muitas vezes. Falaste que nós, Equipa de Saúde, é São Paulo Norte, uma universidade interessante, que é o Sistema Nacional de Saúde, exatamente porque reconhece a importância da vigilância, do cuidado do pedibético. Ele tem um conjunto de programas, até multidisciplinar, exatamente não só de aconselhamento e de vigilância, portanto, deste problema em concreto do pedibético. Existe mesmo uma orientação da Direção-Geral de Saúde, é antiga, de 2011, mas ainda aplicamos, em que é importante a vigilância do pé diabético em todos os diabéticos, seja nos cuidados de saúde primários, que as pessoas vulgarmente conhecem como Centros de Saúde ou SFs, Unidades de Saúde Familiares, e que é feita em equipa com a enfermeira e com o médico de família.
E existem também equipas a nível hospitalar do pé diabético, constituído por médicos de várias especialidades, cirurgia vascular, o endocrinologista, medicina interna, pode ter também podologista, cirurgião geral e enfermeiros também. E todas estas equipas têm os seus objetivos. E é essencial em qualquer destas equipas ensinarmos a pessoa diabética e os seus familiares ou acompanhantes nos cuidados a ter com os pés. Estamos a falar especificamente no pé diabético, mas também ensinamos no diabetes em geral. A avaliação do risco do pé e as suas medidas preventivas, os cuidados nas lesões que têm que não sejam úlceras, não sejam feridas, seja uma calosidade, uma deformidade, é importante ensinar-me.
Seja uma pele seca, seja uma micose, por exemplo. e o tratamento das úlceras superficiais ficou a cargo dos cuidados de saúde primários, úlceras mais complicadas enviamos para a equipa hospitalar. Muito bem, é aí que depois entra o enfermeiro que vai não meter as mãos na massa, mas as mãos nos pés.
José Pedro, o que é que nos podes dizer, até porque estamos a falar de algo que certamente alguns daqueles que nos ouvem, nos veem, podem estar a passar por isso e ter os tais familiares que a Cláudia mencionou, o que é que nos podes dizer sobre a avaliação e a vigilância do pé diabético? Deixem-me começar por dizer que o pé sofre de um grande mal antes de sofrer de outros males, que é o ser uma zona considerada menos nobre no nosso corpo. Está lá embaixo, está quase sempre escondida dentro do sapato. Nós nem sempre valorizamos. Preocupamos-nos com outras zonas do corpo, o pé fica muitas vezes crescido. Mas tem que nos suportar a todos, não é? Exatamente, tem que nos suportar a todos. Então é muito importante que nós olhemos para ele com mais atenção e, sobretudo, se houver uma diabetes, não é?
O Serviço Nacional de Saúde tem, portanto, um programa de vigilância, integrado no programa de vigilância de diabetes, relacionado especificamente com o pé. Portanto, é muito importante que os utentes, anualmente, venham à consulta de enfermagem para fazer a vigilância do pé. Portanto, essa vigilância rege por determinadas regras, padrões, e é aí que depois nós vamos conseguir perceber e explicar se já há riscos, se não, e como prevenir caso ainda não haja, ou como minurar caso já haja riscos. Portanto, o programa o que é que faz? A pessoa vem à consulta da diabetes, é monitorizada de diferentes maneiras que já vou explicar, e é classificada em três níveis.
No programa do computador até é muito interessante porque aparece o verde, o amarelo e o vermelho. Isso já nos dá indicação. Portanto, se a pessoa responde de determinada maneira, é classificada como risco baixo. Verde, cor verde. Se responde de uma maneira que dá a entender que há ali já a instalar-se algumas dificuldades, amarelo. Portanto, o risco médio. E depois há o vermelho que é o risco alto e aí essas pessoas terão que ser acompanhadas mais vezes. Portanto, uma pessoa com risco baixo bastará vir uma vez à consulta fazer a monitorização. Uma pessoa com risco médio virá uma vez por semestre, ou seja, duas por ano. e depois há o risco alto que esse tronco-vírus teria menstrualmente. E o desafio que eu lanço aos nossos ouvintes e espectadores é que vão mesmo, que não falhem essas consultas, porque pode parecer que é estar ali a tocar no pé, a fazer alguns exercícios, mas é muito importante, porque é isso que vai dar depois, que nos vai fornecer a informação, se a pessoa está ou não em risco e de que forma, e vai permitir ao médico depois medicá-la e acompanhá-la de uma forma mais concreta e que poderá ajudar mais.
O que é que fazemos no exame do pé? Bem, a primeira coisa é olhar para ele. A pessoa vem, descalça-se. É engraçado que as pessoas às vezes, sobretudo as senhoras, ficam muito envergonhadas constrangidas. Às vezes até trazem meia colã, mesmo que eu peça, olha, já sabe, na próxima consulta, traga-me colã, traz só meia de pé, para poder descalçar-se. Mas mesmo assim dá bem com o colã, não é? Mas temos que, pronto, pedir para tirar, não é? Porque temos que ver o pé. O que é que nós vemos? Vemos a cor. do pé, que é indicativa já de problemas ou não, vemos o estado da pele, pele mais seca, pele menos seca, pele descamativa, aquelas peles que estão a descamar, peles com gretas, pés com deformidades, calos, portanto os vanetes, que podem ser zonas de pressão ou de fricção no sapato e que contribuam depois para um maior risco de feridas ou outras situações.
Vemos as unhas, as unhas, por exemplo, vão ganhando as micosas, as famosas micosas. Muito frequentes. Que são muito frequentes. Até a forma como são cortadas por causa, precisamente, das unhas encravadas, enfim, Sim. A forma como a pessoa corta a unha, isso é muito importante também. Portanto, nós explicamos à pessoa que tipo de instrumentos usar. Por exemplo, tesouras nunca de ponta bicuda. Canivete que eu já vi. Nada, pronto. Nunca cortar muito reto. Eu por acaso até tenho um folheto já antigo que uso nas consultas, muito interessante, que associa determinados objetos, por exemplo, tesouras de bico. É um diabo que está segurando a tesoura. E eu mostro, a pessoa fica um bocadinho mais impressionada, mas vê o diabo com a tesoura na mão, percebe que tem que ter cuidado com ele. Mas pronto, o que fazemos é a observação.
Depois da observação, fazemos a avaliação da sensibilidade. E a avaliação da sensibilidade faço através de diferentes formas. Primeiro, Nós palpamos, há os tais vasos sanguíneos que a Dra. Cláudia falava que atravessam o pé e que se dirigem para a extremidade dos dedos e quanto mais se aproximam dos dedos mais fininhos vão ficando, ou seja, maior risco de poderem obstruir. Então o que é que nós fazemos? Palpamos para ver se há pulsação. Há pessoas que eu palpo e não se sentem nada, não se consegue sentir nada. Depois, não sentindo, temos um aparelho que se chama o Doppler, um ecodoppler, em que nós tentamos perceber o aparelho, neste caso tenta perceber o nível de sensação.
Se há lá circulação sanguínea. E depois temos alguns instrumentos. Temos o monofilamento, que é um aparelhinho que tem uma espécie de um fiozinho na ponta que nós tocamos no pé e a pessoa vai nos dizendo, olhos fechados, vai dizendo, olha, está a tocar no dedo grande. Está a tocar no dedo pequenino. Está a tocar no meio do pé. Pronto. E aí nós percebemos que a pessoa teve sensibilidade ou não. Há pessoas que não sentem nada. Eu até posso fazer com força e eles não sentem nada. Como estão de olhos fechados, não me sabem dizer, não é? Depois temos o martelo, o martelo para ver, portanto, a parte dos reflexos tendinosos, não é? Se estão mantidos ou não. E temos, portanto, o diapasão. O diapasão é um instrumentozinho que nós tocamos, ele vibra e nós colocamos sob o pé.
E a pessoa diz, a maior parte diz, já estou a sentir aí um tremolique. Um formigueirozinho. Aí percebemos que tem sensibilidade. Ou seja, é todo um conjunto de exames que são feitos para perceber então e portanto é importante as pessoas não falharem e visitarem. São muito importantes mesmo, exatamente. Cláudia, não sei se concordas comigo, mas a importância deste assunto, até porque o tempo está mesmo a terminar. Mas vamos ter outro programa. Falaremos então numa próxima oportunidade. Voltamos a contar com a presença do Zé Pedro e para falarmos de assuntos ainda que não tivemos a oportunidade de falar hoje. Para quem está desse lado despeço-me de dizer-lhe e lembrar apenas que temos a revista Máquina Humana para lhe oferecer. É o número, já conhece, é o normal, é o 933 939291.
Prometemos então fazer mais um programa, voltar a este assunto e dizer-lhe que estamos também disponíveis no Youtube da Novo Tempo Portugal para acompanhar este e os outros programas. Até ao próximo programa, se Deus quiser.
Neste episódio de "Médico de Família", mergulhamos num dos aspetos mais críticos e frequentemente subestimados da diabetes: o pé diabético. Descubra porque esta condição, muitas vezes negligenciada por ser uma "zona menos nobre" do corpo, representa um risco tão elevado e silencioso para a saúde. Abordamos a sua complexidade, desde a sua antiga origem etimológica, que já revelava a essência da doença, até à crucial colaboração entre médicos de família e enfermeiros, que trabalham em equipa para garantir a melhor qualidade de vida dos doentes.
Prepare-se para dados impressionantes sobre a prevalência e o impacto global da diabetes, que se assume como uma das maiores preocupações de saúde pública da atualidade. Desvende como esta doença sistémica afeta diversas partes do corpo, desde a visão ao funcionamento dos rins e do coração. Compreenda as causas profundas e os sinais de alerta do pé diabético, essenciais para uma intervenção precoce.
Neste programa, fique a saber mais sobre: * A dimensão alarmante da diabetes a nível mundial e o seu crescimento exponencial. * Como a diabetes pode afetar os seus olhos, rins, coração, cérebro e sistema nervoso. * As causas e os mecanismos por trás do pé diabético. * Os sintomas e os sinais de que o seu pé pode estar em risco, incluindo alterações na sensibilidade e feridas que não cicatrizam. * A importância vital de uma vigilância regular e dos cuidados especializados.