28:30Voltamos a estar no Médico de Família e mais uma vez tenho comigo a doutora Cláudia Neves. Cláudia, mais uma vez, bem-vinda. Muito obrigada e sinto-me bem-vinda aqui no programa Médico de Família. Cumprimento também, mais uma vez, todos aqueles que nos ouvem através da Rádio RCS e que nos escutam através da TV Novo Tempo no canal 186 da Mel. A todos, mais uma vez, bem-vindos. Cláudia, voltamos no programa de hoje a falar de diabetes. Já falámos sobre este assunto num programa. lá atrás, mas ficou muito por dizer. Hoje vamos falar de sintomas diagnósticos e fator de risco. Realmente é importante também abordarmos estas questões, não é?
A diabetes como doença, eu utilizaria até uma expressão que é um mundo. E é muito difícil, é quase impossível. Ou então iríamos falar muito pela rama, falar num programa só de tudo sobre a diabetes. Por isso é que dividimos isto em vários programas e hoje vamos falar especificamente dos fatores que tu referiste. Bem, eu vou começar o programa a fazer-te uma pequenina provocação, se me permites. Tu trazes como título para o programa de hoje, logo o primeiro, sintomas. Mas sabemos nós que esta doença também é conhecida como a doença silenciosa. E ainda é mais gritante quando percebemos que cerca de 40% das pessoas que têm diabetes tipo 2 nem sabem que o têm.
Como é que nós falamos de sintomas? É verdade, a grande maioria das pessoas são assintomáticas, mas existem alguns sinais de alarme em algumas pessoas. Eu vou começar pelos mais simples, que nós chamamos, são os três P's. Polidipsia, poliúria e polifagia. Poli quer dizer muito. Polidipsia, muita sede. Poliúria, urinar muito. E polifagia, muita fome, comer muito. São os três P's da diabetes. As pessoas que começam a ter glicose elevada, o próprio organismo começa a eliminar o excesso de glicose pela urina. E o sistema urinário, para tentar compensar o excesso de concentração de glicose na urina, a glicosúria, aumenta a libertação de água pelos rins.
Por isso, urinam muito. Ao urinar muito, vão realmente ter mais sede porque vai faltar volume sanguíneo, por assim dizer, de água no resto do volume plasmático do sangue. Por outro lado, ao eliminar muita glicose, vão perder também calorias pela urina. O corpo vai precisar de energia, por isso a polifagia, a vontade de comer ou comer muito. Essencialmente, os mais frequentes. No entanto, nem sempre é assim. E quando surgem estes sintomas, muitas vezes a pessoa, estes que eu vou dizer a seguir, já tem glicémias elevadas há mais tempo, alterações da visão, a visão mais turva, não ver bem ao longe.
Eu lembro de um caso de um diabético, por acaso foi uma diabetes rara, a lá da tal diabetes autoimune, é um tipo de diabetes tipo 1 que surge nos adultos, em que não tinha os três pés, nenhum deles, começou a notar que na autostrada não via bem o que estava escrito nas placas, ao longe. E foi ao oftalmologista. O oftalmologista disse que da parte visual estava tudo bem, senão seria diabetes. Eu, diabetes? Não. Fiz análise já há um ano ou dois e estava tudo bem. E realmente foi-se fazer análise e tinha diabetes, como nós já vimos, esta diabetes rara. Sendo que é muito frequente. Por isso, por exemplo, agora os testes mais recentes das retinopatias exatamente para ajudar a detectar a diabetes. Mas é muito frequente as pessoas irem com problemas de visão e perceberem que têm diabetes, não é?
Sim, mas o rasteiro de retinopatia diabética é num contexto um bocadinho diferente. É. Uma das complicações da diabetes, já lá vamos, é a retinopatia, que é uma doença na retina, uma parte do nosso globo ocular, e tem a ver com as glicémias elevadas. E então, o diabético deve fazer um exame manual aos olhos, o rastreio de retinopatia diabética, a ver se não está a desenvolver essa doença, que é uma das principais causas de cegueira no nosso país. Então, já vimos estes sintomas que podem surgir mais tardiamente, visão turva, o cansaço, Perda de peso, pelaquela perda de calorias, com a glicose que vai sendo eliminada pela urina, a perda de calorias, apesar da pessoa comer muito, continua a perder peso. A sonolência, por causa das alterações das glicoses e que leva realmente ao cérebro a não estar tão alerta.
A vontade de vomitar e uma ferida que não cicatriza. E sobretudo este, isto são sinais ou sintomas, sintomas quando a pessoa sente, sinais quando os vemos. Uma ferida que não cicatriza não é propriamente um sintoma, é um sinal de que alguma coisa que não está bem. é quando realmente a pessoa já tem os níveis de glicose no sangue elevado já há muito tempo. Durante muito tempo, não é? Sendo que, curiosamente, muitos desses sintomas, desses sinais, raramente depois são associados logo à diabetes, que é outro problema. Podem ser associados a outras coisas, a outras doenças, mas raramente a pessoa diz, deixa lá ver se estou com diabetes, não é? É. Normalmente, grande maioria, nós já vimos dos diabéticos, são assintomáticos.
E alguns destes casos, a maioria são detectados em análises de sangue por alguma razão, seja por rotina ou porque a pessoa se queixou de alguma coisa. E, felizmente, mais raramente, mas também acontece, numa intercorrência hospitalar. Uma pessoa internada por alguma razão vai fazer umas análises... e já tinha realmente os valores de glicose elevados e até outras análises, a média do açúcar nos últimos meses muito elevada. E quando isso acontece, é porque a diabetes não é de há umas semanas ou meses, é
de há muito tempo. Muito bem, eu gostaria de falar sobre o diagnóstico, porque para mim até é bastante surpreendente e, enfim, são palavras minhas, até paradoxal, porque por um lado há tanta gente que não sabe que tem diabetes e, por outro lado, o diagnóstico pode ser uma coisa bastante simples através de um exame regular, não é? Exatamente. Existem várias formas de diagnóstico, mas o principal são as análises ao sangue. Desses tipos de análise, nós podemos chegar ao diagnóstico de diabetes por vários tipos de análise. Eu vou tentar explicar e tu aqui, Daniela, que me estás a ouvir diretamente, se achares que é complicado em termos de linguagem, podes intervir e pedir para eu explicar para aqueles que estão lá em casa poderem perceber o que é isto.
Claro que os critérios dos valores de glicose no sangue, existem critérios definidos pela Direção-Geral de Saúde, uma norma que em Portugal saiu em 2011. E isto é variável ao longo do tempo. Eu sou médica já há 26 anos e tenho de dizer que estes critérios já mudaram. Exatamente, já não são os mesmos. Vamos começar pela análise mais frequente. Nível de glicose no sangue. Uma análise de glicose em jejum é muito simples. É pedido uma análise de sangue. É importante que a pessoa esteja em jejum pelo menos 8 horas. Pode beber água, mas não pode comer mais nada, porque se não vai dar errado os valores, já não vão sair em jejum. E os critérios que nós temos é glicose em jejum. Depois temos, eu já digo os valores mais adiante, outro tipo de análise que é o que nós chamamos de hemoglobina glicada.
É uma análise também ao sangue, sangue venoso. O que é que isto quer dizer? É a análise de colheita de sangue que é feita num laboratório e numa veia, normalmente na zona do cotovelo. É diferente das análises quando fazemos picada no dedo. É sangue capilar. Estes critérios é para sangue venoso. A hemoglobina glicada é como se nos desse a média dos valores de glicose no sangue nos últimos três meses. Enquanto que a glicose depende muito do que eu acabei de comer ou não comer, se estou em junho de comer no dia anterior. O valor da hemoglobina glicada é uma média dos últimos três meses. E temos, em alguns casos, um outro teste que se chama Prova de Tolerância à Glicose Oral. faz-se a colheita de sangue em jejum, depois a pessoa bebe um copo de água com 75 gramas de açúcar, de glicose, e avalia-se a glicemia duas horas depois.
Novamente colheita de sangue. E porquê que às vezes é preciso esta prova? Porque depende dos valores da glicose em jejum. Ou seja, mais uma vez eu estou a referir à norma da Direção-Geral de Saúde de Janeiro de 2011. Para dizermos que uma pessoa tem diabetes, tem que ter glicose em jejum, no sangue venoso, de 126 ou mais, 126 é elevado, miligramas por decilitro de glicose. Ou ter sintomas clássicos, os tais P's, por exemplo, poliúria, polidipsia, polifagia, mais uma glicémia, a qualquer altura do dia, pode ser picada no dedo, por acaso até fui picar o dedo porque tinha alguém na família diabetes, piquei o dedo e tinha 200 ou mais.
também já é elevado. Ou seja, em jejum maior ou igual a 126, depois de comer, maior ou igual a 200. Ou, na tal prova de tolerância à glicose oral, naquela que se faz duas horas depois de ingerir as 75 gramas de glicose, ter os tais 200 ou mais. Ou uma hemoglobina glicada maior ou igual a 6,5%. Ou seja, basta ter um dês desalterado e sintomas, já é diagnóstico de diabetes. Mas atenção, eu não posso dizer que uma pessoa é diabética só com um único valor de análise elevado. Vou dar um exemplo, eu estive em consulta um senhor, primeira vez que vê a consulta comigo, eu tinha-lhe pedido umas análises porque ele tinha uma úlcera na perna e a enfermeira chamou-me há umas semanas para ver a úlcera.
Eu não o conhecia, pedi umas análises. Ele chega-me hoje a primeira vez e tinha glicose em jejum 129. Estou a dar um exemplo prático, um caso clínico. Já tem valor superior aos tais 125, portanto maior ou igual que 126. Mas eu perguntei-lhe, ele não tem mais nenhum sintoma, ou seja, eu não lhe posso dizer que ele tem diabetes porque só tem uma análise ainda. Então tem que-se fazer as análises mais daqui a um tempo, pelo menos uma ou duas semanas depois. Marquei-lhe consulta para daqui a três ou quatro semanas e pedi-lhe novamente análises para ver como é que está esse valor. Mas mesmo nós, quando queremos fazer uma avaliação mais regular, também convém que haja um conjunto alargado de vários testes para depois, nesse global, tentar perceber como é que está na realidade a nossa glicemia no sangue, não é?
Sim. Aqui para o diagnóstico, já sabemos, não havendo sintomas, temos de ter pelo menos dois valores, acima destes que eu estive a referir, seja na glicose em junto, seja na hemoglobina glicada. No caso de pessoas com diabetes, aí é diferente, aí tem que haver uma auto-vigilância, realmente, dos seus valores da glicose. Agora vamos falar de um conceito um bocadinho diferente, que é pré-diabetes. Aquelas pessoas que já têm valores elevados, mas ainda não é diabetes. Então, afinal, o que é que é os valores elevados? Chama-se hiperglicemia intermédia, a chamada pré-diabetes. E considera-se quando a pessoa tem em jejum maior ou igual que 110, mas está menor que os 126. Ou seja, o normal é até 109.
Quem tem entre 110 e 126 é pré-diabético. ou que tem, na tal prova de tolerância à glicose às duas horas, maior ou igual a 140 e menor que 200. Está entre os 140 e 200. Ou seja, uma pessoa tem valores normais se em jejum tiver menos de 110 e depois de comer a qualquer hora do dia ou na prova de tolerância à glicose oral, menor que 140. Resumindo, não é? E são estes, então, os critérios para diagnóstico de diabetes, tipo 1 ou tipo 2. Diabetes estacional existe em outras provas, outros testes. Também já mudou nos últimos anos e são mais rigorosos do que noutros tipos de diabetes. As grávidas normalmente fazem análise logo no primeiro trimestre, as primeiras 12 semanas.
Se tiverem uma glicose em junto maior ou igual que 92, já têm diabetes estacional. Se tiver acima de 126 é indicação que já tinham diabetes antes de engravidar. É diferente. Se a glicose em jejum tiver menos de 92, entre as 24 e 28 semanas de gravidez, porque a gravidez conta 100 semanas, normalmente uma gravidez de termo que vai até ao fim às 40 semanas, entre as 24 e 28 semanas fazem análise novamente e fazem uma prova de tolerância à glicose oral, em que tiram sangue em jejum, Bebem uma determinada dose de água com os 75 gramas de glicose e avaliam a glicose no sangue uma hora depois e duas horas depois.
Se em jejum tiver maior ou igual que 92, e basta um valor alterado, têm diabetes estacional. Se há uma hora maior ou igual que 180, tem diabetes estacional. Às duas horas depois de ingerir água com açúcar, maior ou igual que 153, diabetes estacional. E basta um valor alterado para ter realmente o diagnóstico de diabetes estacional. Sendo que normalmente já estão a ser seguidas e esse exame, eu diria, é pedido sempre, não é? Sempre. Todas as mulheres grávidas, sim. Muito bem, quero agora fazer uma pequena pausa para lhe oferecer este guia de estudo, a Máquina Humana. É um guia de estudo com várias lições e que tem também muitas dicas e conselhos práticos para uma vida saudável e também a vontade de Deus para que tenha uma vida plena e com saúde.
Para receber este guia de estudo é muito simples. Basta entrar em contacto connosco através mandando-nos uma mensagem com as palavras máquina humana, precisamos saber que é este o guia de estudo a que se refere, para o número habitual é o 933 939 291. 933 939 291. Daqui a pouco vamos falar de fatores de risco e nesta revista tem precisamente um teste que pode fazer se tem ou não fatores de risco para contrair diabetes.
Não hesite, entre em contato connosco, teremos todo o prazer de lhe oferecer gratuitamente este manual de estudos. Cláudia, fatores de risco são, enfim, muito preponderantes, acabaste de mencionar alguns, enfim, como o excesso de peso que seria, portanto, o principal dentro dos fatores de risco, mas são múltiplos, não é? Antes de passar propriamente, que tenho a certeza que estás a falar na diabetes tipo 2, fatores de risco, e é verdade, o GSP e a obesidade é um dos principais, eu vou ainda à diabetes tipo 1. Como pensa-se que é uma doença autoimune, como é o próprio sistema imunitário que acaba por destruir as células do pâncreas que produzem a insulina, é muito mais difícil identificar fatores de risco.
Nem mesmo carga genética. É um dos fatores conhecidos. História familiar diabetes tipo 1. Mais probabilidade da pessoa também vir a ter diabetes tipo 1. Mas nós temos muitos casos de diabetes tipo 1 e os casos que eu conheço não tem na família ninguém com diabetes tipo 1. Mas é um fator de risco. Aumenta a probabilidade de. Claro, como nós sabemos, a própria palavra, definição de fatores de risco é isso que quer dizer. Não quer dizer que venha a ter, mas aumenta o risco de. A idade é outro fator de risco de ter diabetes tipo 1. Porquê? Porque é mais frequente nos jovens. Nas casas é mais jovens, mais frequente. Ou seja, é muito menos provável que alguém com mais de 50 anos venha a ter diabetes tipo 1. Mas, no entanto, não podemos esquecer que pode surgir em qualquer idade, apesar de ser mais raro, aquela forma latente do adulto autoimuna chamada LADA.
Depois, agora pegando nos mais frequentes, porque a diabetes tipo 2 atinge 90 a 95% dos nossos diabéticos, os fatores de risco são realmente ter já pré-diabetes, a tal hiperglicemia intermédia aumenta o risco de vir a ser diabético. O ter tido diabetes estacional, qualquer mulher que durante uma das gravidezes teve diabetes estacional, não só aumenta o risco de ter diabetes estacional na outra gravidez, mas aumenta o risco de vir a ter diabetes tipo 2 mais tarde na sua vida. Como já falámos também, a obesidade, o excesso de peso, porque gordura acumulada aumenta a resistência à insulina e a própria obesidade em si é uma doença crónica e é um estado inflamatório crónico que também favorece realmente esta resistência à insulina.
Temos um fator de risco também muito frequente no nosso país que é a hipertensão arterial. A própria hipertensão arterial também já é uma doença vascular em que nós temos grande número no nosso país e quem já é hipertenso tem maior probabilidade de vir a ser diabético do que aqueles que não são hipertensos. Outro fator muito importante é o sedentarismo. a falta de atividade física, não só porque aumenta o risco de excesso de peso e obesidade, aumenta o risco de hipertensão, que já são fatores de risco em si, mas o sedentarismo também em si utiliza menos a glicose, vai passar a acumular-se, vai passar a ser maior o nível de glicose na circulação sanguínea. Um outro fator que temos que falar e que está associado ao estilo de vida saudável é o sono.
A privação do sono aumenta o risco de diabetes. Rapidamente, posso explicar isto. Durante o nosso descanso, o nosso sono, várias coisas acontecem no nosso organismo, em background, por assim dizer. Uma delas é o controle da libertação de várias hormonas, entre elas a insulina. É durante o sono que realmente é controlado esses níveis de insulina. Tabagismo, outro fator de risco. Porquê? Porque também, por um lado, é fator de risco de grande lesão dos vasos sanguíneos. Por outro lado, diabetes também, maior risco de lesão dos vasos sanguíneos. E claro, quando em conjunto, aumenta gravemente o risco cardiovascular. Como a diabetes está associada à insulina, está associada a resistência à insulina, doenças do pâncreas ou outras doenças de glândulas também aumentam o risco de diabetes.
A própria história familiar. Não só geneticamente, se tivermos alguém com diabetes tipo 2, temos mais probabilidade de vir a ter diabetes, mas porque infelizmente os hábitos que nós temos... Replicam-se, claro. Copiam-se. Aquilo que comemos ou não comemos, se fazemos exercício ou se não fazemos exercício, se temos excesso de peso ou não, normalmente é tendência familiar pelos próprios hábitos em si. Ter um recém-nascido com peso superior a 4 kg também aumenta o risco. Uma mulher que teve um bebê com mais de 4 kg, apesar de gostarmos de ter bebés grandes, mas aumenta o risco dessa mulher, porque em termos metabólicos, vir a ter realmente essa resistência à insulina. E, infelizmente, o género e a idade também, infelizmente, porque estou a falar contra mim, porque é para as mulheres, as mulheres acima dos 45 anos são mais afetadas realmente pela diabetes do que os homens.
Tem a ver com as alterações hormonais também, associadas, por assim dizer, à menopausa. São muitos, não é? Como já vimos, são muitos fatores de risco. O que eu queria dizer é que o problema é que se nós temos mais do que um desses fatores, eles não apenas se somam, como se multiplicam. Ou seja, é realmente problemático se, por exemplo, quem nos está a ver e a ouvir neste momento, possa até sentir na sua vida que tem mais do que um desses fatores, é mesmo sinal de alerta.
Queria-te falar agora sobre as complicações. Eu penso que é... Enfim, do conhecimento geral, senso comum, que a diabetes já é uma doença que por si só traz ou pode trazer muitas complicações, sobretudo se os níveis de glicose no sangue não estiverem controlados e, como falámos, se estiverem elevados durante bastante tempo. Que tipo de complicações? Eu sei que são várias, mas aquelas que tu queres destacar. Essencialmente os níveis elevados de glicose no sangue vão provocando lesões nos pequeninos vasos e consequentemente mais tarde nos grandes vasos, microvasculares, macrovasculares. E isto vai atingir alguns órgãos especificamente mais do que outros, sobretudo nos rins, E nós temos, consequentemente, a doença renal crónica, que pode evoluir em vários estadios até insuficiência renal.
Ou até própria falência hepática, né? Renal, desculpa. E realmente é uma das principais causas de doença renal crónica no nosso país, é diabetes. Lembrem-me agora de um pormenor. Não podemos esquecer que estas complicações são muito mais frequentes se a pessoa tem diabetes há muitos anos e, sobretudo, mal controlada. Diabetes bem controlada, menor risco de complicações e a pessoa pode estar muitos anos sem ter estas complicações. Continuando, além do rins, os olhos. Falámos um bocadinho disso há pouco. A chamada doença que atinge os olhos dos diabéticos é a retinopatia diabética. Por isso é que eles fazem rastreio anual desta doença e é a principal causa de cegueira no nosso país. Existem tratamentos. Pessoas com retinopatia diabética devem ser seguidas a nível hospitalar por um especialista de oftalmologia.
As próprias coronárias, que são as artérias que irrigam o próprio coração. São as artérias coronárias. Quando estas artérias começam a ficar com problemas, o que é que vai acontecer? Ao ficar obstruídas por formação de coágulos, de trombos, vem a chamada angina de peito, doença coronária, e isso obstrui totalmente uma das artérias um dia, o infarto agudo miocárdio. Uma das complicações que realmente é mais frequente no nosso país. o sistema vascular em geral, começar a ter problemas de circulação nas próprias pernas, e isso vai dar consequentemente também à chamada neuropatia diabética, que é quando começa a atingir os nervos, sobretudo das extremidades, e as pessoas dizem que têm formigueiros, dormências, ou dor tipo queimadura nos dedos dos pés, nos pés, com alterações mesmo da sensibilidade dos pés.
E um outro fator que é importante referir também é a parte sexual. A disfunção erectil, que muitos homens se queixam, infelizmente muitos ainda têm o tabu e não falam nisso, é muito frequente nos diabéticos mal controlados, porque funciona essencialmente à base de circulação sanguínea. Não havendo uma boa circulação sanguínea, vai haver realmente impotência sexual. Vou relembrar então, na parte dos grandes vasos, vamos ter o infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral e outros problemas da circulação. Na parte ocular, a retinopatia diabética. Na parte do rim, a nefropatia diabética, a doença renal crónica, que pode evoluir para o estadio mais complicado e tardio, que é a insuficiência renal crónica. Depois, atingindo a parte dos nervos, a chamada neuropatia, em que a pessoa realmente deixa de sentir determinadas coisas ou passa a ter muita dor.
E a falta de sensibilidade leva a um outro problema que se chama pé diabético. Não só pela parte neurológica, mas pela parte dos pequenos vasos dos pés, em que a pessoa pode até ter uma pedra dentro do sapato, estar o dia inteiro com o sapato com a pedra e não sentir. Isso leva depois a outro problema que são as úlceras crónicas feridas que não cicatrizam e é muito complicado, por causa dos problemas circulatórios que o diabético já tem em si, muito complicado de tratar e a sua evolução é mais desfavorável. a disfunção sexual, claro, e tem que falar também na parte da saúde oral. Não estando bem a parte sanguínea, a própria dentição, gengivas, também pode não funcionar bem. Importante o diabético ir regularmente ao seu dentista.
Claro que também tem que referir outras complicações que são muito frequentes, mas não são muito referidas nos livros. A própria diabetes em si e as doenças associadas por quase todos os diabéticos têm outros problemas associados. Seja o excesso de peso e a obesidade, seja a hipertensão, seja o colesterol elevado. São os mais frequentes. Isto leva a problemas mentais e emocionais. As depressões, por aí fora. Depressão, ansiedade, os distúrbios alimentares, o comer compulsivamente ou simplesmente tardias sem comer para ver se isto controla, é péssimo. E estas doenças mentais, isto é como uma bola de neve, por sua vez, leva ao maior descontrolo do sono, da ansiedade e maior descontrolo, por sua vez, da dieta, da toma da medicação e descontrolo da diabetes.
Porque a parte emocional também afeta no controle da glicose ao longo do dia. Vejam, é para um lado e para o outro. Por outro lado, o próprio facto de ter uma doença crónica, a forma como a pessoa lida com essa doença, como a vê e como a gere, pode gerar realmente estes problemas mentais e emocionais que podem, nalguns casos, felizmente, durar pouco
tempo e noutros prolongar-se ao longo do tempo. O que significa então que é bastante importante não se negligenciar os exames periódicos e também a visita regular ao médico de família, sobretudo para quem já tem que lidar com o diabetes. Exatamente. Seja para o diagnóstico, como já disseste, se é diabético deve ter uma consulta no mínimo de seis em seis meses, é isso que diz as normas da Direção-Geral de Saúde, portanto não falta a sua consulta. E para si que ainda não tem diabetes, um estilo de vida saudável é muito, muito importante, porque como já vimos tem uma ligação direta, sobretudo com a diabetes tipo 2. Por isso, aqui no Médico Família temos uma oferta para si, é realmente uma oferta totalmente gratuita, a revista, o guia de estudo, a máquina humana cheia de conselhos, dicas práticas para o seu dia a dia e também a vontade de Deus para que tenha uma vida plena e com saúde.
E também aqui vai encontrar precisamente o capítulo 5 que fala sobre a diabetes. Para que possa receber totalmente gratuita esta revista em sua casa é tão simples quanto enviar-nos uma mensagem a dizer Máquina Humana para o 933 939291. 933 939291. Depois entraremos em contacto consigo para saber se quer levantar a revista nas instalações da Novo Tempo ou se prefere que lhe a enviemos totalmente gratuita. para a sua casa. Ainda dizer que se não teve a oportunidade de assistir a este programa na íntegra, se quer reouvir ou ouvir os programas anteriores, eles vão estar disponíveis em podcast em rádio rcs.novotempo.pt.
Vou repetir, rádio rcs.novotempo.pt, mas também pode subscrever as diferentes plataformas de podcast que estão disponíveis e depois receberá automaticamente o programa, precisamente no seu equipamento. Mais uma vez despeço, marcamos encontro para um próximo programa, ainda vamos falar mais sobre diabetes, temos que falar sobre tratamento e sobretudo prevenção. Até lá, se Deus quiser.
🤯 Diabetes: a doença silenciosa que afeta milhões! Mas como detetá-la a tempo? Junte-se à Dra. Cláudia Neves e descubra os sintomas, diagnósticos e fatores de risco que podem salvar a sua saúde. 🩺 Não perca este episódio revelador de Médico de Família e aprenda a proteger-se! 💪