Gratidão – A Importância dos Pequenos Gestos

Gratidão – A Importância dos Pequenos Gestos

29 de Julho de 202528 min 5 s

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Olá, seja muito bem-vindo a mais um episódio deste que é o seu programa Mentes que Sentem. É sempre um prazer estar consigo, desejamos muito que vá sentindo as bênçãos de Deus e, porque não, considerar também este momento que está connosco, um momento abençoado, um momento em que nós falamos das coisas da nossa vida, particularmente das coisas da nossa mente. que é algo de maravilhoso, mas ao mesmo tempo pode ser algo de bastante complexo e bastante desafiador. E para isso, como sempre, nós temos a presença da nossa querida doutora Cristina Dias. Olá Cristina, seja bem-vinda mais uma vez. Aqui estamos juntas novamente para falar das coisas interessantes e das coisas importantes à nossa vida e que bom é que estejas connosco.

Obrigada, Milu. É sempre uma alegria e um prazer podermos estar juntas. Muito bem. Então, nós hoje vamos iniciar, pela graça de Deus, um outro ciclo de temas em que vamos estar juntas a pensar e juntas e juntos a pensar sobre estes temas importantes.

O que é a gratidão

E hoje o episódio é sobretudo dedicado à questão da gratidão. Para mim, pessoalmente, é um dos temas que mais me fascina e eu acho que é algo de maravilhoso quando nós sabemos viver e experimentar isto na nossa vida. Mas perguntar o que é que isto de gratidão, qual é o impacto que a gratidão tem sobre a nossa saúde. Milo, obrigada por essa questão. E sabes que o senso comum diz-nos que a gratidão é associada a uma atitude positiva perante a vida. E é algo que nos acompanha desde sempre. Mas a verdade é que a ciência tem vindo a demonstrar que este senso comum tem algo muito mais profundo do que a percepção que nós temos.

Eu gostava, para poder responder à tua questão, de poder partilhar duas pequeninas experiências. Algum tempo atrás eu conversava com alguém que conheço e que tem um menino com cerca de 5 anos. E o menino virou-se para a mãe e perguntou-lhe, mamã, gosto tanto de ti, podes continuar a ser a minha mãe para sempre? E eu tive exatamente a mesma reação que tu tiveste agora. Rima? E além de achar óbvio que aquela criança ainda não tinha percebido algumas coisas, alguns faxos da vida, portanto a mãe não iria mudar em termos de papel, naturalmente. Mas isto trouxe-me e linkou-me à memória algo que tem a ver com este tema. E a segunda partilha que eu gostava de fazer contigo, e já vamos associar, há alguns anos atrás uma amiga entregou-me um bilhetinho, uma coisa muito simples, e o bilhete dizia algo muito simples do género, gosto muito de ti, estou aqui se precisares.

E aqui ele encheu umas medidas, se é que nós podemos dizer. Tanto que esse biquinho ainda hoje está na minha carteira, me acompanha. E a pergunta que eu gostava de te colocar, e de uma forma rápida, é o que é que tu achas que estas duas situações têm em comum? Bom, talvez seja a questão de sentir a necessidade de exprimir os seus sentimentos, ou a necessidade do outro, não sei, talvez. Alguém exprime, e quem recebe, como é que fica? Eu acho que é algo de abençoado, ou seja, sentimos-nos felizes e sentimos-nos bem. Provocou algo positivo em ti. Exatamente. Agora a pergunta que eu te coloco é, isto foi extraordinariamente difícil de fazer? Pois não. E repara, não teve nada a ver contigo, mas tu sorriste quando eu estava a partilhar estas duas experiências.

Portanto, tu partilhaste um senso de bem-estar. Sabes que há duas citações que eu acho que se encaixam muito bem neste tema. Uma delas foi dita por Cícero, um filósofo, escritor e político romano, e passa a citar, diz o seguinte, a gratidão É não apenas a melhor das virtudes, mas a mãe de todas as outras. E olha a riqueza do conteúdo que aqui diz. E nós se dedicássemos o programa, o episódio inteiro, apenas a isto, teríamos muito por onde explorar. Mas vamos complementá-la. Existe uma outra citação de Epíteto, um filósofo grego, que diz o seguinte, e passa a citar, Sábio é aquele que não chora pelas coisas que não possui, mas rejubila com as que já tem.

e mesmo no seu senso comum de observação da realidade, Ambos traduzem algo que... Eles conhecem a importância de uma atitude e de um comportamento que envolve o estar grato. E por outro lado, tal como eu tinha dito no início, a ciência vem demonstrar isso. Agora, a palavra gratidão deriva de uma palavra que vem do latim, que é grácia. E o significado dessa palavra é muito interessante. É sentimento de graça para com alguém. Benevolência, auxílio, benefício. Então, o que eu gostava que nós começássemos a abrir um bocadinho a nossa perspectiva é que gratidão não é um sentimento. Gratidão é um comportamento.

E quando nós perspectivamos que a nossa vida pode, intencionalmente, ser constituída por comportamentos de gratidão, isto muda um bocadinho a forma como nós equacionamos este tema. E se me permites, e de uma forma relativamente rápida, Eu gostava de partilhar, no âmbito da ciência, alguns estudos que têm vindo a público, científicos, sobre este tema em particular. Então, e vou ter que acompanhar aqui alguns dos apontamentos, pesquisadores da

Impacto científico no cérebro

Harvard Medical School em Boston, eles foram associar o impacto que a gratidão tem no cérebro. E quando falamos de gratidão, mais uma vez voltamos a referenciar atitudes, comportamentos, sentimentos, ok? Portanto, não é apenas algo que tu me dizes, é algo que eu também faço intencionalmente. Então eles verificaram que quando nós somos alvo ou quando nós nos predispomos a algum comportamento desta natureza, são ativadas zonas no nosso cérebro que são responsáveis pela recompensa, pela moralidade, pelas interações sociais positivas e pela capacidade de entender o que o outro pensa. Por outro lado, a auxilia no bem-estar, aumenta a nossa resiliência e aumenta a capacidade de lidar com estados como, por exemplo, a depressão.

Contribui para o nosso sistema imunológico, torna-o mais forte, apresenta uma pressão arterial baixa e dorme melhor. Fortalece e estabelece as ligações neuronais, para o nosso centro de recompensa também. Aumenta a produção de serotonina e dopamina, que são neurotransmissores associados à sensação de bem-estar e de felicidade. reduz o medo e a ansiedade ao regular as nossas hormonas de stress. Portanto, imagina tudo num estudo e nós dizemos como é que é possível que uma atitude tenha este impacto. Um outro estudo feito em 2018 por Wong e associados diz-nos que quando nós temos comportamentos de gratidão ou somos alvos desses comportamentos de gratidão, que há outras duas estruturas no cérebro que são ativadas, que é o hipocampo e a amígdala, que regulam as emoções, a memória e o funcionamento corporal.

O que é que eles verificaram? Verificaram situações de pessoas que estavam em acompanhamento psicológico, tiveram processos de recuperação muito mais rápidos pelo fato de adotarem este tipo de atitudes. Um outro estudo feito em 2003, por Emmons e associados também, associou a gratidão à redução da dor física. Ou seja, o que é que eles perceberam? Que pessoas que tinham como hábito ter comportamentos de gratidão, acabavam por recuperar muito mais rápido, e acabavam por ter uma menor perceção da dor. Mas isto causou-lhes alguma estranheza, estranheza de curiosidade.

Talvez a expressão mais correta seja esta, curiosidade. Então vamos investigar mais profundamente e perceber qual é a associação que existe entre uma coisa e outra. O que é que eles perceberam? Perceberam que a atitude de gratidão ajuda-nos a regular o nível da dopamina. E isto reduz os sentimentos de dor. Imagina. A gratidão, diz-nos um outro estudo publicado em 2009, por Zann e associados, melhora e regula a tua qualidade do sono. Ou seja, ativa o hipotálamo, que é uma estrutura cerebral, que entre outras funções é uma das estruturas que regula a questão do sono. e diz que nos ajuda a ter períodos de sono mais equilibrados, mais controlados e mais pausantes.

Um outro estudo, e estes são apenas alguns, feito em 2004 por McCrathy, diz-nos que a gratidão acaba por ajudar na regulação do stress. Portanto, imagina, cada vez mais estamos sujeitos a vidas que têm altos índices de stress. Então, o fato de eu ter uma atitude que não é pontual, passa a ser um investimento de gratidão, a tal intencionalidade, ajuda-me a controlar o impacto que o estresse tem em mim, melhora o nosso funcionamento cardíaco e ajuda-nos a sermos mais resilientes. Alguns acabam por comprovar aquilo que outros estudos já referiram.

E nós poderíamos continuar e continuar. Mas se me permites, e não vamos estar aqui a abordar todos os estudos, eu fiz só aqui um pequenino apanhado das conclusões que vários estudos científicos no estándar demonstram do impacto da gratidão na sua saúde física e emocional. Então, eles disseram, tem uma interferência direta, por exemplo, na questão da depressão e da ansiedade, reduz o stress, promove a resiliência, ajuda-nos a um processo de envelhecimento com maior qualidade. Portanto, querem envelhecer com mais qualidade? Sejamos gratos. Desempenha um papel fundamental na recuperação de traumas. Proporciona menores taxas de estresse pós-traumático.

Nós já abordamos, num outro episódio, esta questão do estresse. Melhora a qualidade de sono. Faz com que as pessoas tenham uma menor percepção de fadiga. Menor incidência de processos inflamatórios. Às vezes coisas que nós dizemos, como é possível que haja uma associação? Melhor saúde cardíaca. Promove melhores relacionamentos, combate o isolamento que hoje é um dos grandes problemas da nossa sociedade. Leva as pessoas a terem uma maior predisposição de se relacionarem e de ajudarem os outros. Melhor a autoestima. E aqui, fazendo referência aos mais jovens, que passam muitas vezes por um processo em que esta questão da autoestima é mais evidente, da baixa autoestima, então, às tantas, começar a olhar para esta atitude de gratidão com outros olhos é algo que também vai ter um impacto direto na nossa autoestima.

acaba por nos ajudar a reduzir, a controlar emoções que às vezes têm uma consequência mais tóxica para o nosso organismo, como a inveja, a frustração, o arrependimento, o ressentimento. Leva as pessoas a equacionarem mais facilmente a questão do perdão. E nós depois iremos ter a oportunidade de falar no perdão e a associação que tem com a nossa saúde enquanto estratégia. Vamos ter a oportunidade de abordar isto. E leva as pessoas a terem um comportamento mais generoso. Portanto, se eu fosse uma vendedora, neste momento, eu iria questionar aqueles que nos ouvem se já estamos plenamente convencidos para comprar este produto. Sim ou não? Eu creio, Cristina, que sem dúvida a questão do sentimento ou de uma escolha, ou seja, escolhermos poder encontrar no nosso dia-a-dia motivos realmente para poder sermos gratos, para reconhecermos aquilo que temos que nos leva à gratidão.

E pensar nisso também, e já agora aproveito esta oportunidade para mais uma vez nós podermos fazer a proposta lá em casa de poderem ter convosco este manual, este manual de estudos, esta revista, portanto, Sentimentos, que fala sobre vários assuntos da saúde mental e, portanto, está aqui disponível para vós, para si, se já tem, se já recebeu, pode ver como realmente é pertinente e poderá oferecer aos seus amigos também. Portanto, entre em contato connosco, 933-939291, e teremos muito prazer de poder enviar para si ou para algum querido seu este manual de estudos. Mas eu estava a pensar, Cristina, exatamente nessa reflexão que tu estavas a ter, se é tão bom e tão extraordinário, e realmente esses estudos científicos acabam por confirmar aquilo que no fundo, aquele que é o nosso Criador e o Criador da nossa mente, e quando nós vamos à palavra de Deus encontramos vários versículos sobre a questão da gratidão, e o Senhor até acaba por dizer em tudo dai graças, ou seja, e nós questionamos, então, mas se isto é tão bom, porque é que eu nem sempre sinto assim?

Porquê é que eu não vivo assim?

Estratégias para praticar

Porquê é que há pessoas que têm dificuldade de encontrar na sua forma de viver, ou na sua família, ou nas suas coisas, ou no seu dia-a-dia, essa gratidão? Porquê é que não experimentamos mais gratidão? Porquê é que carecemos disso? Porque eu creio que um dos nossos grandes desafios é nós atribuirmos sentido às coisas. Nós achamos que devemos sentir para fazer as coisas. E eu quando olho para alguém que me diz, um profissional que me diz, tu tens que praticar exercício físico. Porque ele vai ser pertinente e vai ter impacto na tua recuperação. Mas os resultados desse exercício físico não são imediatos. Eu não posso estar à espera de sentir para eu tomar a decisão de fazer.

E eu creio que nós vivemos numa sociedade muito egocêntrica. Aquilo que ocorre é que nós estamos muito centrados na satisfação das nossas necessidades pessoais. E nem sempre nos apercebemos, e vocês vão nos ouvir dizer isto, aqueles que nos ouvem, que nos veem, vão nos ouvir dizer isto imensas vezes, que no âmbito da saúde mental e até da saúde física, as grandes melhorias, os grandes ganhos, vêm por acumuladas. A longo prazo. Pequenas escolhas. Às vezes nós não conseguimos implementar porque não valorizamos. Às vezes nós começamos a valorizar porque estamos desesperados, mas aquilo não tem o impacto no tempo que nós desejamos e abandonamos.

E às vezes não percebemos que isto tem de ser uma atitude consciente, intencional, diária. Porque o processo de ganho que eu tenho é um processo que eu não vou perceber naquele momento. Eu vou utilizar uma expressão um bocadinho mais do comum. Eu diria, temos que ser salvavelmente teimosos. Ou seja, se aquilo de alguma forma eu tenho a percepção que pode contribuir, por que não experimentar? E por que não experimentar vez após vez? Eu gostava de partilhar contigo, convosco, algumas pequenas estratégias. São muito simples. E outras tantas que existem e que poderão encontrar. E que cada qual possa olhar para isto e perceber o que é que fará mais sentido para a minha realidade e selecionar o modo hoje e começar a fazê-lo.

E fazê-lo durante um mês seguido. E reavaliar após isso. Olha, uma estratégia que existe, e é muito conhecida, é o chamado diário da gratidão. E a pessoa, embora diga a palavra diário, eu acho que isto tem que se ajustar à realidade de cada um, e a pessoa pode dizer, vou fazer isto uma vez por semana. E o que é que pode ser o diário da gratidão? O diário pode ser dividido em tópicos. Por exemplo, uma coisa que eu gostaria de referir como positiva em mim, hoje, e nós às vezes estamos à procura de grandes coisas, A palavra de Deus é extraordinária porque ela leva-nos aos detalhes, aos pormenores. Nada é deixado por acaso. Então, isto leva-nos também a não querermos avaliar as coisas pelas emoções e pela percepção da grandeza, mas centrar-nos nos detalhes.

Então, porquê olhar para uma coisa positiva em mim hoje, um comportamento positivo em mim hoje? Porque isso vai me trazer um senso de bem-estar e vai elicitar em mim a vontade de voltar a praticar um comportamento desses. Por exemplo, uma coisa tão simples como, no meu local de trabalho, eu meti papel numa fotocopiadora. E as pessoas não valorizam isto. Mas foi algo que ninguém me pediu para fazer. Ok, é positivo. Outro parâmetro, outro tópico deste diário da gratidão, Pode ser, eu ia elencar os desafios pelos quais eu estou a passar agora. Olha, partir um braço, por exemplo, é um desafio. Não é uma coisa que eu desejaria. Isto vem a responder um bocadinho à tua pergunta de há pouco, que tu dizias, quando de alguma forma temos dificuldade em fazê-lo. Primeiro, ninguém gosta de estar a sofrer.

Nós não gostamos de estar a passar por períodos desafiantes. Mas a perspectiva com a qual vamos lidar, nesse momento, é uma coisa que eu não consigo alterar. Eu parti o braço, eu não consigo alterar esta realidade. Mas eu posso posicionar-me perante ela de uma forma que seja mais fácil percorrer este caminho ou mais penoso para mim. Então, pegamos no exemplo do braço. O que é que poderá haver de positivo no meio disto tudo e pelo qual eu seja grato? Apesar de ser um desafio, estou a aprender a utilizar a outra mão para escrever. É um desespero, mas eu estou a aprender. E às tantas, estou a perceber que o meu nível toleranciador até é um bocadinho diferente daquela perspectiva que eu tenho. E às tantas, até estou a obrigar, entre aspas, a recondicionar um bocadinho a nossa dinâmica familiar para que nós possamos reajustarmos.

Um outro tópico desse diário da gratidão são pessoas pelas quais eu sou grata. E sabes que quando, por exemplo, nós temos feito esta estratégia lá em casa e quando nós perguntamos, então, pessoas pelas quais nós somos gratos, vem-nos sempre à mente os mesmos. E depois, às vezes, até já lá em casa já não queremos fazer isto porque parece que não saímos disto, deste registro, perdão. Há uns meses atrás aconteceu algo que me marcou e eu gosto de partilhar esta experiência porque ela me abriu os olhos. Um daqueles dias de inverno, chuva, daqueles dias em que nos dá vontade de ficar na cama. Eu estava a acabar de estacionar o carro e estava chato, o dia estava chato, cinzento. E eu estava atrapalhada, estaciono o carro, pego no guarda-chuva, pego nos sacos.

E nesse momento estava a sair de uma zona habitacional uma senhora que claramente se percebia que era a avó e uma menina, deveria ter uns 4 ou 5 anos. Eu não as conhecia. Elas não me conheciam. Mas aquela menina... Eu fui grata e ainda hoje sou grata por aquela menina. Ela não fez nada em direção a mim. Mas aquela menina vinha tão feliz. Porque estava a chover. E porque ela tinha umas galochas. E tinha um guarda-chuva transparente. A menina saltava em tudo que era tocinhas. Era o melhor dia da vida. E eu olhei e pensei, eu estou aqui aborrecida porque está a chover. Esta menina está feliz porque está a chover. A chuva não muda. Então eu tenho que ser agora... Tenho que infantilizar as coisas.

Não, eu não tenho que infantilizar as coisas, mas às tantas eu também não tenho que as tornar tão adultas, tão pesadas. Então, pessoas pelas quem eu sou grata. Eu sou grata pela pessoa que me cumprimentou no supermercado. Eu sou grata por alguém que possa ser aleatório. Isto faz sentido. E, neste mesmo diário, registar coisas pelas quais eu sou grata no presente. Este exercício obriga-nos a um momento de reflexão e nós somos muito pouco gratos porque não estamos habituados a olhar para as coisas nesta perspectiva. Outra estratégia, há pessoas que não se sentem bem a escrever. Então, porque é que não tiram uma fotografia com o telemóvel? Tiram uma fotografia de algo que lhe elicite um sentimento positivo. Um álbum de gratidão. Um álbum fotográfico de gratidão.

Exatamente. Sabes que a investigação neste âmbito estimula as pessoas a terem actos de bondade aleatórias. Alguém me dizia algo aqui há tempos. Um senhor, na casa dos setenta e poucos anos, disse, olhe, eu passei por um determinado local e vi alguém numa cadeira de rodas que estava com dificuldade em subir uma rampa de acesso. E sem o senhor me pedir, eu fui lá e empurrei a cadeira de rodas. Fez-me tão bem que ainda hoje me faz sentir bem. E nós precisamos de descentrar da nossa necessidade e ir bem contra a necessidade outra. Estes atos de bondade aleatórias, em primeira instância, vão-nos beneficiar e a nós. É importante também dizermos àqueles que nos são próximos que somos gratos porque eles existem.

E nós damos comunidade adquirida àqueles que estão ao nosso lado. Há algum tempo atrás eu partilhava com uma amiga uma situação desafiante que a minha mãe estava a passar em termos de saúde. Esta amiga teve uma expressão que me ficou até aos dias de hoje. Ela disse-me assim, sabes, as coisas abanam e às vezes há momentos muito difíceis, mas a tua mãe está sempre lá. Me lhe bastou isto para eu olhar e dizer há quanto tempo é que eu não digo à minha mãe o quanto eu a amo e que ela está sempre lá. E alguns de nós não fomos ensinados a fazer isto. Temos dificuldade em fazê-lo. Tu podes lidar, por exemplo, com alguém que não esteja à vontade com esta situação. Então não estejas à espera que o outro faça, fazes tu espontaneamente.

Mesmo que a reação do outro não seja aquela que tu desejarias. E uma última estratégia. que em alguns lugares se chama o jarro da gratidão. Então, tu podes encontrar um recipiente e podes colocar lá, por exemplo, aleatoriamente, uma vez por semana, todos nós, vamos colocar algo pelo qual somos gratos e metemos lá. E numa ocasião específica. no final do ano, num aniversário, vamos rever. O impacto que aquilo vai ter em nós é reforçar na nossa memória aquilo que nós temos tendência a esquecermos, porque tem a ver com o curriqueiro do dia a dia. Isto altera a nossa percepção. Eu creio que é extraordinário. Aliás, é tal questão Parece que sabemos toda a teoria, a dificuldade é pôr isto na prática.

Mas estavas a falar, Cristina, e eu estava a me lembrar, que mesmo este espírito

Aprender a ser grato

de gratidão, aliás, tudo o que possamos ter de bom e de positivo na nossa vida, com certeza como crentes que somos e baseando todo o nosso conhecimento na palavra de Deus, é uma virtude, é um dom que Deus nos pode entregar e nos quer dar. Esta sensibilidade a sermos gratos, perante aquilo que está à nossa volta. E não é por acaso que o apóstolo Paulo dizia em Filipenses que aprendeu a ser grato em toda e qualquer situação. Ou seja, seja na abundância, ou seja na fome, ou seja nos desafios ou na tranquilidade da vida, ele dizia aprendi a ser grato. E realmente eu acho que isto é uma aprendizagem, acho que é algo de extraordinário quando vivemos na graça e no poder de Deus, porque só pode ser assim, sem dúvida. e para aqueles que já experimentaram, porque todos nós já tivemos momentos de gratidão, mesmo que não sejam contínuos, já houve aqui um ou outro momento que já experimentamos isso, e sem dúvida que vale a pena.

Sem dúvida que vale a pena. E sabes, Milo, esse artículo que tu estavas a falar é um dos meus favoritos. E se tu me permites, eu vou lê-lo. Ela diz assim, não digo isto como por necessidade, porque já aprendi a contentar-me com o que tenho. Sem estar abatida e sem ter abundância. Em toda a maneira e em todas as coisas, estou instruído tanto a ter fartura como a ter fome. Tanto a ter abundância como a padecer necessidade. Posso todas as coisas naquele que me fortalece." E nós vamos a correr para a última parte do versículo e dizemos, posso todas as coisas naquele que me fortalece, mas não desejaria estar na necessidade nem a padecer. Mas espera, Paulo não está a falar de resignação. E essa é a grande dificuldade que nós hoje em dia encontramos. Resignar-nos às coisas.

Não. Quando ele diz, aprendi a contentar-me, é aprendi a ter um estado de espírito que me ajuda a identificar o positivo e a tirar o melhor, mesmo da situação mais difícil. Mas, eu almoço continuar a lutar. Se eu posso ascender a 10, porque é que eu irei ficar em 5? Isso me permite, se eu gostava de partilhar de uma forma muito rápida, a experiência de uma jovem que me impressionou profundamente. Há uns anos atrás eu vi o testemunho dela. Ela participou numa TED Talk, investigadora na área das neurociências e da gratidão, e entretanto ele descoberta um câncer. Não um linfoma, um câncer. A verdade é que ela passou por todo um processo extremamente difícil e as hipóteses de sobrevivência, é um câncer muito agressivo, eu não sei referenciar agora qual em concreto, mas não eram assim tão elevadas.

Então, ela passou por aquele período em que começou a colocar a questão. E se eu aplicasse na minha situação aquilo que eu ensino aos meus alunos? Porque ela era professora universitária. E ela começou a dizer, olha, eu comecei a ficar grata pela enfermeira que acertou com a veia quando me colocou a agulha. Eu comecei a tentar, intencionalmente, ficar grata pelo médico que segurou na minha mão quando eu tive que fazer uma cirurgia em que tinha que estar consciente. Eu comecei a ficar grata. pelo radiologista que durante os tratamentos punha a minha playlist. Eu comecei a ficar grata pelo pessoal administrativo que me fazia sorrir quando eu entrava no hospital. Esta jovem terminava este testemunho dizendo algo. Eu não sei o que vai ser o meu futuro, se eu vou sobreviver ou não.

Mas eu aprendi, por experiência própria, que a gratidão tem um impacto profundo na forma como eu lido com os desafios. Muito obrigada, Cristina. Nós ficaremos aqui muito mais tempo, mas o relógio corre e o que nós desejamos para si e também para nós é que Deus nos ajude a colocar estes óculos de gratidão e, porque não, começar hoje a olhar à sua volta e ver quais são os motivos que Deus lhe tem trazido à sua vida para permanecer grato e permanecer com saúde na sua mente, no seu corpo e louvado seja Deus por estas oportunidades. Ficamos por aqui neste episódio e encontramos-nos na próxima semana. Até lá.

Sobre este episódio

Descubra o poder transformador da gratidão neste episódio de "Mentes que Sentem", onde mergulhamos num conceito que, à primeira vista, pode parecer simples, mas esconde uma profundidade surpreendente. Iremos explorar como a gratidão vai muito além de um mero sentimento, revelando-se um comportamento intencional com impactos profundos na nossa saúde física e mental. Prepare-se para desvendar os segredos de uma vida mais plena e equilibrada, apoiados por evidências científicas que nos convidam a repensar a forma como encaramos o nosso dia a dia e os desafios que se nos apresentam. O que acontece quando passamos a ter a gratidão como parte ativa do nosso dia a dia? O seu cérebro e o seu bem-estar agradecem. Neste episódio, vamos abordar: * A diferença entre gratidão como sentimento e como comportamento. * Impacto da gratidão no cérebro e na saúde mental. * Como a gratidão fortalece o sistema imunitário e reduz o stress. * Benefícios na qualidade do sono e gestão da ansiedade. * Melhoria da autoestima e das relações interpessoais. * Estratégias práticas para cultivar a gratidão no quotidiano. * O que a ciência nos diz sobre a gratidão. * Reflexões sobre como a gratidão pode transformar a sua perspetiva diante dos desafios. Curioso para saber como aplicar estas descobertas na sua vida? Este episódio é o guia perfeito para iniciar essa jornada.

Série
Mentes que Sentem · 50 episódios
Temporada e episódio
Temporada 1 · Episódio 17
Estreou
29 de Julho de 2025
Categoria
Saúde