26:57Estamos de volta para lhe trazer mais um médico de família e mais uma vez connosco tenho a doutora Cláudia. Mais uma vez Cláudia, bem-vinda. Obrigada e mais uma vez é um prazer estar aqui no programa médico de família. Bem-vindos a todos também os nossos ouvintes e os nossos telespectadores. Tu escolheste para o programa de hoje falarmos de obesidade. Portugal já reconhece obesidade como doença há mais de 20 anos, seguramente, mas ainda há muito para fazer, não é Cláudia? É verdade. A obesidade é tão importante que realmente foi considerada uma doença. Ela celebra-se até em Portugal um dia específico, que é o Dia Nacional da Luta contra a Obesidade, que costuma ser no penúltimo sábado do mês de maio.
Portanto, é variável a data de ano para ano. E este dia visa essencialmente sensibilizar toda a população para esta problemática, esta doença que é a obesidade, para a importância de um estilo de vida saudável e da realização realmente de uma atividade física regular para prevenir a obesidade. O que é obesidade? Pela Organização Mundial de Saúde, é o excesso de gordura corporal que se torna patológico, que pode trazer outras doenças. Existe mesmo uma definição um bocadinho mais complexa, mas mais enriquecida até, da doutora Paula Freitas, que é presidente da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo, que ela diz que é uma doença crónica, Portanto, só daqui já vemos que é complicado.
Complexa multifatorial, ou seja, tem na sua origem vários fatores. Recidivante, nós podemos deixar de ter obesidade, mas ela, a qualquer momento, pode voltar. E que aumenta o risco de outras complicações a longo prazo e reduz a esperança média de vida. Reduz o número de anos que uma pessoa pode viver. Vemos assim, então, que a obesidade é uma situação muito complexa. Ela foi considerada em 2024 pela Organização Mundial de Saúde como uma doença crónica. Até aí era considerada um fator de risco, um sinal de doença, não propriamente como doença, mas hoje em dia é uma doença. Portugal foi dos países pioneiros a considerar também a obesidade como doença. É verdade. Foi nesse mesmo ano e foi no mês de março.
E... 25 de março de 2004. Para ser mais concreto. Exatamente, estava aqui à procura nas minhas cábulas. Ela é considerada mesmo uma epidemia deste século, deste século XXI, como a doença crónica. Porquê? Porque é um problema de saúde pública mundial e como não poderia deixar de ser, o nosso país também é um problema de saúde, porque é muito frequente. E como é que ela surge? Como é que nós vamos explicar isto em termos práticos? Surge quando a quantidade de energia que nós ingerimos, em calorias, é superior às unidades em calorias à energia que nós dispendemos na nossa atividade no dia-a-dia, seja nas atividades em casa, seja nas atividades laborais, no trabalho que nós temos, quando há este desequilíbrio.
E quando nós pomos mais energia que gastamos, o organismo acumula. nas dispensas, por assim dizer, sob a forma de gordura. Em termos de estatísticos, Isto é um bocadinho assustador e por isso é que realmente a obesidade é uma epidemia e por isso é que as estatísticas são assustadoras por causa realmente dos grandes números que nós temos. Em 2022, a World Obesity Atlas estimou que o número de indivíduos que sofrem de obesidade vai continuar a aumentar. E pensam, isto são estimativas, que cerca de 1,5 mil milhões de pessoas em 2030 vão ter o problema da obesidade.
Isso no mundo? Podemos dizer que Portugal acompanha essa tendência? Sim, claro que sim. Nós temos que em Portugal, 67,6% sofre de excesso de peso ou obesidade. Eu já vou mais adiante explicar qual é a diferença. Mas vemos que mais de metade da população, só em Portugal. Estes dados são do estudo realizado em Portugal, o custo e a carga do excesso de peso e obesidade em Portugal, em outubro de 2021. E só de obesidade, portanto, excesso de peso e obesidade, 67,6%. Só de obesidade, 28,7%. E de acordo com a Federação Nacional de Obesidade, cerca de 39% dos portugueses serão obesos em 2035.
Isto, adultos. Isto será uma estimativa, portanto, eu dizia de longo prazo, mas não é assim tão longo. Sim, 2030 já é forte. É verdade. E quando nós, em 2021, temos 28,7, eles apontam para 39%. Ou seja, é realmente uma estimativa de que será em crescendo. O que significa que os 60 e tal por cento, incluindo também os com excesso de peso, também aumentará certamente.
Claro, sim. Estamos a falar de um problema que depois afeta muitos, eu diria quase todos os órgãos. Gostaria mais à frente de podermos abordar esse assunto. Mas como é que é feito o diagnóstico? Ou seja, como é que eu posso definir que um adulto já é obeso? Existem vários parâmetros. Claro que existem vários fatores que contribuem para isto. Vou voltar só um bocadinho atrás, Daniela. Mas porquê que isto está a aumentar? Podemos perguntar-nos. Um dos fatores, e se calhar podem achar-se um bocadinho estranho, é a inflação. E nós estamos numa grande crise económica que está a aumentar a inflação. Porquê? As pessoas têm menos poder económico, compram os alimentos mais baratos, que normalmente têm menos valor nutricional. Mais refinados, por aí faz.
Mais refinados, com mais quantidade de calorias sob a forma de açúcares e de gordura. São os menos saudáveis, por assim dizer. Infelizmente, são os mais baratos. Este é um dos fatores. E que leva a população a buscar esses alimentos e a aumentar de peso no conjunto, no geral. Mas, voltando à tua questão, ainda nos números, nós temos aqui que, e isto é muito importante para os nossos políticos, os nossos governantes, estes números têm peso em termos monetários no nosso país. Tem um custo. Um custo. Tanto a nível mundial como no nosso país. A nível mundial estima-se que 2 a 8% do total de despesas de saúde nos países ocidentais está relacionado com obesidade.
2 a 8%. Todas as despesas de saúde. E a estes custos, estes são custos diretos, não podemos esquecer os custos indiretos com a ausência das pessoas com obesidade ao trabalho, a diminuição da produtividade, que são também custos indiretos na saúde. No total, este mesmo estudo diz que 2,8% do PIB mundial vai ser no futuro dedicado à obesidade. Eu diria a obesidade e depois outros problemas associados, como as doenças cardiovasculares, entre outras, não é? Ou seja, não é concretamente só a obesidade, mas o problema é que a obesidade traz um conjunto de problemas associados a ela, não é? Sim, sim, sim.
Se nós formos a considerar as doenças, todas dependem da obesidade, tenha noção que isto ainda vai aumentar muito mais. Passando agora então à tua questão, que é o diagnóstico. Existem vários fatores, mas é importante nós sermos objetivos quando avaliamos uma situação. E para nós avaliarmos obesidade existem diversos números objetivos para avaliar. O mais utilizado é o índice de massa corporal, que é a relação peso-altura. Portanto, pega-se no peso de uma pessoa em quilos e divide-se pelo quadrado da sua altura em metros. Vou dar um exemplo prático para quem nos está a ver e ouvir para perceber. Alguém tem 1,70 m? Portanto, em metros é 1,7. Multiplica 1,7 por 1,7 e isso vai ficar no denominador desta fração.
E se pesasse 70 quilos? Portanto, é 70 a dividir por 1,7 vezes 1,7. Vai dar um valor, um número, que é em quilos. por metros quadrados. O normal, o desejável, é que esse valor seja abaixo de 25, o índice de massa corporal. Mas há outros fatores importantes, que é o perímetro abdominal, por exemplo. Porquê? Dá um bocadinho uma estimativa da gordura acumulada a nível da nossa cintura. Que muitas vezes é negligenciado, não é? Exatamente. Porque há pessoas que até podem ter um índice de massa corporal adequado, mas podem ter mais gordura acumulada só nesta zona. Já aumenta o risco de outras doenças, já lá vamos. Perímetro abdominal. Mete-se facilmente uma fita métrica ao nível do umbigo.
E não é encolher a barriguinha. É o espontâneo e natural e de preferência por cima da pele ou de uma peça de roupa mais fina. Em centímetros, perímetro abdominal em centímetros. Quando é que é considerado obesidade? Quando o índice de massa corporal é igual ou superior a 30 quilos por metro quadrado. Ou seja, até 25, a exclusiva, é normal. 25 já é excesso de peso. Vem aquela diferença que estávamos a falar há pouco. porque nós temos uma grande porcentagem da população com excesso de peso e outra porcentagem com obesidade. No conjunto, excesso de peso e obesidade é que têm os tais 67,6% em Portugal. Excesso de peso é os que têm índice de massa corporal entre 25 e 29,9.
30 ou mais já é obesidade. Depois há vários níveis de obesidade mediante esse índice de massa corporal. Claro que essa gordura abdominal é avaliada também pelo perímetro abdominal, porque essa gordura aumenta o risco de doenças metabólicas como, por exemplo, colesterol elevado, diabetes e também cardiovasculares como a hipertensão arterial. A tensão arterial é elevada. Porquê? Porque a gordura que vai estar acumulada aqui é um sinal da gordura que está acumulada nos nossos órgãos internos, nas nossas vísceras. Agora, imaginarmos a quantidade de gordura, nós vemos por fora, mas que deve estar à volta dos nossos órgãos, que vai sobrecarregar em termos de funcionamento, e nas nossas artérias, que são os vasos sanguíneos por excelência, que levam os nutrientes, o oxigênio do coração para as outras células.
E é diretamente proporcional, ou seja, quanto mais gordura abdominal. Maior apelabilidade de. Exatamente. Aumenta o risco também, portanto, da acumulação da gordura nas artérias, chamada aterosclerose. E já sabemos, artérias a ficarem entupidas, maior risco de enfarte agudo miocárdio, doença coronária e, no cérebro, o chamado AVC ou trombose. Não é? É um exemplo. Agora, pegando no perímetro abdominal, agora pegando nos números. Vamos aqui repetir, porque eu sei que são muitos números. Índice de massa corporal até 24,9. Normal. 25 a 29,9. Exceve de peso. 30 ou mais. Obesidade. Perímetro abdominal.
Varia no homem e na mulher. É diferente. Por quê? Porque o homem e a mulher têm uma estrutura anatómica diferente. Assim, no homem o ideal é que este perímetro abdominal esteja abaixo de 94 centímetros. Na mulher, que esteja abaixo dos 80. Ou seja, acima destes valores, há um risco aumentado já das doenças cardiovasculares e metabólicas. Muito aumentado se no homem for acima de 102 e na mulher acima de 88. Ou seja, o desejável é que no homem esteja abaixo dos 94 centímetros e na mulher abaixo dos 80 centímetros. Cláudio, eu quero muito ainda saber sobre as causas da obesidade, mas permite-me agora fazer uma pequena pausa para oferecer a revista Máquina Humana este manual para si que está desse lado das câmaras e dos microfones.
Esta revista é totalmente gratuita, já lhe digo o que é que tenho que fazer para a receber e tem precisamente No capítulo 4, um capítulo sobre a obesidade. Mas não só. Tem outros como o stress, tem também as questões da diabetes e como cuidar da sua mente. São muitos os capítulos para que eu possa ter uma vida mais saudável. E mais importante ainda, tem o plano de Deus para si. Aquilo que Deus quer que seja a sua vida, porque Ele conhece como ninguém. Esta máquina humana que Ele mesmo criou. Para fazer o que é que tenho que fazer para receber a revista é tão simples quanto nos enviar uma mensagem com as palavras máquina humana para o 933-939291.
Vou repetir 933-939291. Noisitos, estamos à espera da sua mensagem. Cláudia, agora sim vamos falar das causas. Eu sei que, a parte dos nossos comportamentos, aquilo que nós comemos é uma das principais causas para o excesso de peso e para a obesidade. Mas não é só... Quais são aquelas que tu queres enumerar? É verdade que existem múltiplas causas. É uma doença multifatorial, como já falámos. E eu penso que é importante aqui nós referirmos que a obesidade é uma doença e não devemos estigmatizar as pessoas que têm excesso de peso ou obesidade Tipo, se ela está assim é porque come mal, é porque não se mexe, é porque é sedentário. Não devemos pôr rótulos nesse sentido.
A pessoa que tem obesidade tem uma doença e precisa de ajuda, precisa de tratamento. Como qualquer doença. Porque existem múltiplas causas. Como tu já disseste, essencialmente causas comportamentais, também influência do ambiente e a genética também é importante. Há pessoas que geneticamente estão predispostas para um metabolismo que acumula mais gordura. Claro que, dentro disto tudo, os principais fatores realmente são a alimentação, que não está correta, seja pelo excesso, seja porque seja pobre em nutrientes e muito rica em calorias, seja pela falta de atividade física, o sedentarismo, e um outro fator que muitas vezes não pensamos é o sono. A quantidade de sono, o sono qualidade também interfere, porque interfere aqui na hormona que controla a saciedade.
A segunda doutora, Paula Freitas, que já referimos aqui hoje neste programa, 70% do nosso peso é determinado geneticamente. O que é uma grande porcentagem. Há até uma noção de obesidade familiar, não é? Quando tem essa carga genética muito grande. Maior probabilidade de, é verdade. Claro que também muitas vezes é consequência de outras doenças que já estão determinadas geneticamente nessa mesma família. Ou à toma de determinados medicamentos, também pode acontecer. Mas realmente existem múltiplas causas, mas não podemos deixar de referir realmente que essencialmente são o estilo de vida, e a genética, os fatores? Quando olhamos dessa forma para a obesidade como doença, percebemos que até as questões sentimentais, mentais, olhando para elas não com normalidade, muitas vezes tendemos a crer que a pessoa devia ter a plena consciência de como está a engordar e de como evitar, devia conseguir controlar os seus apetites.
Mas se olharmos para ela de uma forma mais abrangente, como uma doença multidisciplinar, percebemos que aquela mulher, aquele homem, podem não ter em si mesmos, eu diria, a força de vontade necessária para conseguir mudar esses hábitos, não é? Normalmente está associado a outros problemas também mentais, é verdade, e emocionais. E que normalmente, já lá vamos quando falamos do tratamento, a equipe é multidisciplinar exatamente por esse motivo. Para abranger todas as áreas que podem interferir nas genes da obesidade. Quais são os principais fatores de risco? Agora, como é que, imagine alguém que não tem obesidade, qual é o risco de vir a ter obesidade? Os fatores podem interferir. Claro, se eu começar a ter uma alimentação que não é saudável, seja em quantidade, seja em qualidade, é logo um fator de risco.
O estilo de vida sedentário, falta de atividade física. Se eu tenho uma atividade essencialmente intelectual e estou um passo mais tempo sentado no computador, maior risco. Porquê? Porque voltamos àquele equilíbrio. Eu estou a ingerir calorias, mas não estou a gastar. Existem os fatores genéticos, se realmente os meus pais, os meus irmãos já têm um problema de obesidade, maior probabilidade eu tenho de vir a ter esse problema. Existem também os determinantes sociais, porque nós somos um ser físico, mental, social, espiritual. O social também é que é importante. Também é importante as condições em que vivemos, aquilo que aprendemos com os outros, como trabalhamos é outro fator importante. Alguém que acabou de deixar de fumar. Não é que seja o tabaco que nos tira o peso, mas o tabaco tira grande parte do nosso paladar.
E quando as pessoas deixam de fumar, uma das coisas que notam logo é que a comida passa a saber-lhes melhor e tem tendência a aumentar a quantidade daquilo que comem, para compensar esse paladar, mas também para compensar a falta do tabaco, nos dois sentidos. E há um maior risco, e está comprovado, que as pessoas que deixam de fumar podem aumentar de peso no ano seguinte e podem recuperar em um, dois anos. Normalmente esse aspecto é logo vigiado. Sim, sim, sim. Depois, normalmente nas consultas de cessão tabágica, é um dos fatores que é avaliado realmente é o aumento de peso. Outras doenças, sobretudo com distúrbios hormonais, podem levar ao aumento do peso, que a pessoa realmente pode até ter um estilo de vida saudável, mas as hormonas dão para alterar o seu metabolismo e acumular mais gordura. E há alguns medicamentos que podem realmente dar mais aumento do peso, seja porque aumenta o apetite, por maior retenção de líquidos, como por exemplo as corticoterapias, tratamento com corticoides ou com alguns tipos de antidepressivos.
E, claro, a própria gravidez. Claro que a gravidez Não é um fator de risco, quer dizer que aquela mulher vai ficar obesa, mas durante a gravidez, inerentemente porque está-se a desenvolver um ser no seu útero, a mulher tem maior apetite. Tem que ter atenção para não aumentar muito o peso durante a gravidez e no pós-parto é essencial realmente a amamentação até para ajudar depois a reduzir o peso para o seu peso adequado para a sua altura. Portanto, a gravidez também acaba por ser um fator de risco. Desculpa lá, a minha próxima pergunta é matreira, porque quero falar sobre as complicações, mas sabendo nós que a obesidade afeta quase todos os órgãos do corpo humano, mas mesmo assim quais são as principais preocupações ou quais são as complicações que podem a devir daí?
Claro que poderíamos pensar logo. naquelas que são mais frequentes. São as mais frequentes no nosso país, no mundo, e as que mais matam no nosso país e no mundo. As doenças cardiovasculares e as doenças oncológicas. E um dos grandes fatores que está nas suas genes é a obesidade. Ou seja, pegando nas doenças cardiovasculares temos o AVC, a hipertensão arterial, o infarto agudo do miocárdio, a fibrilhação auricular. O que é a fibrilhação auricular? É um tipo de arritmia em que o coração, em vez de bater ritmadamente, dá um comando para bater mais rápido. E isto normalmente está associado à acumulação de gordura à volta do coração, maior sobrecarga, por assim dizer. Precisa de mais energia para continuar a trabalhar. Exatamente.
Portanto, só nas cardiovasculares. Complicações cardiovasculares da obesidade. Temos uma grande complicação, e que cada vez também é mais frequente no nosso país e no mundo, que é a diabetes tipo 2. Uma diabetes mais tardia, associada à resistência à insulina e altamente associada à obesidade, sobretudo à gordura abdominal. As doenças respiratórias, que muitas vezes não pensamos nisso. As pessoas com obesidade E vou dizer uma que as pessoas associam logo, que é a apnea obstrutiva do sono. Um dos grandes fatores de risco dessa patologia é essencialmente a obesidade. E muitas pessoas com a apnea do sono, se reverterem a obesidade, podem deixar de ter a apnea do sono. E claro, podemos lembrar, quando tivemos a pandemia da Covid-19, que um dos grandes fatores para grandes complicações após a Covid-19, as pessoas tinham o problema da obesidade.
Os obesos que realmente tiveram Covid tinham mais probabilidade de vir a ter complicações respiratórias após a infecção. As pessoas se calhar já ouviram falar do fígado gordo, que nós chamamos de teatose hepática, é a acumulação de gordura na estrutura do próprio órgão e que aumenta o risco de outras doenças como, por exemplo, a própria diabetes. Vejam, isto depois está tudo em cadeia. Doenças renais. A obesidade há maior risco de doença renal crónica, que é quando o rim passa a não funcionar tão bem e um dos sinais que nós costumamos avaliar nestes doentes a longo prazo é a perda de proteínas pela urina. O rim é um filtro e quando funciona bem, o que é bom fica retido no sangue, o que não presta é eliminado pela urina. E passa por ali milhares de vezes durante o dia pelos filtros renais.
Quando realmente a pessoa tem obesidade, aumenta o risco dos filtros renais começarem a não funcionar bem e vir a desenvolver a doença renal crónica, ou até as pedras nos rins, a chamada litiase renal, e um fator muito Importante e que interfere muito com a qualidade de vida das pessoas, que é incontinência urinária. Mais frequente nas mulheres, porque é uma uretra mais curtinha do que os homens, mas está muito associado também à obesidade. E, claro, doenças gastrointestinais. Um exemplo muito simples, refluxo gastroesofágico. Deitar-se, sentir ter dor aqui atrás do externo, amargos de boca, azia, dor de estômago. O excesso de peso aumenta a probabilidade do conteúdo do estômago vir para o esófago e dar realmente o refluxo.
Aumenta a probabilidade da infertilidade naqueles casais que querem realmente engravidar. Claro que aumenta o risco das inflamações das articulações pelo próprio conceito físico, obesidade, excesso de peso sobre as articulações, as artroses, as doenças oncológicas e há cancro especificamente associados à obesidade como a mama, o do cólon e do recto ou do pâncreas, entre outros. Estes são os que estão mais associados. Mas seria quase que precisávamos de outro programa só para falar nesse aspecto da obesidade. O tratamento é quase que obrigatório dizer que a dieta é fundamental, mas também já vimos ao longo do programa de hoje que ele tem que ser multidisciplinar.
O que é que podemos fazer? Deixa-me só terminar nas complicações. Algo que falaste pegando no que disseste há bocado, que era a parte mental e emocional. As doenças mentais são realmente uma complicação da obesidade. Interfere com a autoestima da pessoa. com a sua capacidade de produção, maior risco de ansiedade, depressão, insónios, tudo associado ao seu estado de doença da obesidade. Importante no tratamento, claro que alteração de estilo de vida é essencial em termos de alimentação saudável. Em termos de equilibrar, as calorias temos de ingerir mediante a atividade que nós temos e isto pode ter a ajuda essencial do nutricionista neste sentido. É importante ter as refeições regulares, tomar-se sempre o pequeno almoço é essencial, reduzir ou omitir o jantar, é um bom jejum intermitente, comer devagar, mastigar bem a comida, sentar-se para as refeições.
Evitar estar distraído com outras coisas quando estamos a comer. Temos a tendência a comer mais quando estamos a ver televisão ou estar no tablet, no computador, enquanto estamos a comer. Beber bastante água ao longo do dia entre as refeições. Praticar exercício físico é essencial, com a ajuda de um personal trainer, para adequar o exercício à capacidade que a pessoa tenha. Existem tratamentos medicamentosos que em Portugal alguns não são comparticipados, mas estamos a melhorar neste sentido e a fazer uma luta neste sentido. Existem também cirurgias para tratamento da obesidade. Todos estes aconselhamentos médicos são feitos numa consulta específica da obesidade e têm apoio de endocrinologia, psiquiatria, psicologia, nutrição. Vemos aqui que é uma equipa multidisciplinar para ajudar neste sentido.
E não podemos esquecer também o apoio psicológico constante que estes doentes também precisam, faz parte do tratamento. E muitas vezes o tratamento tem que implicar também toda a família e mudança de hábitos de toda a família, não só da pessoa que está com obesidade. Eu diria que quase por tudo que nos disseste até aqui, nem que fosse por exclusão de partes, já sabíamos quais são os benefícios. Em poucos segundos, quais são os principais benefícios de passar pelo tratamento? Em geral, logo, qualidade de vida. A perda de peso dá logo melhor qualidade de vida. E quem começa a perder peso nota logo. Diminui o risco de outras doenças e controla melhor as doenças que tem, associadas. Diminuição da mortalidade. Melhora a autoestima, níveis de energia, já consegue fazer mais coisas que não conseguia. Porque melhora a mobilidade e a sua independência até.
Redução das dores que têm osteoarticulares essencialmente. E o risco de desenvolvimento das doenças neurodegenerativas também. Muito bem, chegamos ao fim de mais um programa, mas quero relembrar a oferta que temos estado a fazer para si, este manual, esta revista, este guia de estudo, A Máquina Humana. Como já tinha mencionado no programa, tem um capítulo inteirinho dedicado à obesidade, mas mais do que isso, mudar hábitos de vida não é fácil. Exige persistência, muitas vezes até a cair e voltar a levantar-se. Fica a saber que nesta revista também vai encontrar um Deus que quer fazer esse caminho consigo. Se quiser conhecer estes e outros conselhos, eles estão todos disponíveis à distância de apenas alguns cliques no nosso site ou no nosso podcast em radio RCS.novotempo.pt.
Cláudia, mais uma vez, muito obrigado. Foi um prazer, até à próxima. Para si que nos acompanha, foi um prazer estar na sua companhia. Marcamos encontro no próximo programa Médico de Família. Não falte a sua consulta. Já está marcada.
Obesidade: Um Problema de Saúde Pública Global 🍎🩺
Neste episódio do programa Médico de Família, mergulhamos num tema crucial para a saúde pública: a obesidade. A Dra. Cláudia junta-se a nós para desmistificar esta condição, explorando a sua definição, causas, fatores de risco e, mais importante, as suas graves complicações a longo prazo. Prepare-se para uma discussão informativa e esclarecedora que o ajudará a compreender melhor este problema que afeta milhões de pessoas em todo o mundo.🌏
A obesidade é mais do que apenas um excesso de peso; é uma doença complexa e multifatorial que pode levar a uma série de problemas de saúde graves, como doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, apneia do sono, doenças renais e até certos tipos de cancro. Além disso, a obesidade tem um impacto significativo na qualidade de vida, autoestima e bem-estar geral das pessoas afetadas. 😞
Ao longo deste episódio, abordaremos a importância de um estilo de vida saudável na prevenção e tratamento da obesidade, destacando a necessidade de uma alimentação equilibrada, atividade física regular e sono adequado. Discutiremos também os vários métodos de diagnóstico, como o índice de massa corporal (IMC) e o perímetro abdominal, e os diferentes tipos de tratamento disponíveis, incluindo mudanças no estilo de vida, medicamentos e cirurgia. 🏋️♀️🥗