Diabetes – Conceitos e números

Diabetes – Conceitos e números

23 de Abril de 202527 min 44 s

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Estamos no Médico de Família e começo por cumprimentar todos aqueles que nos escutam na Rádio RCS e que nos veem através da TV Novo Tempo no canal 186 da Mel. Estou mais uma vez na companhia da Dra. Cláudia. Cláudia, mais uma vez, bem-vinda. E mais uma vez, muito obrigada. É um prazer estar aqui no programa Médico de Família, que tem tudo a ver com a minha profissão, não é? Claro. Hoje escolheste abordar o tema da diabetes. Vamos saber o que é os diabetes, tipo de diabetes e também algumas estatísticas. Por que é que tu escolheste trazer este tema? A diabetes é uma doença crónica. e que cada vez mais nós profissionais de saúde incidimos nela por causa do número de casos que tem surgido no nosso país e no mundo nos últimos anos e as consequências que daí advém, as complicações associadas à diabetes, que são muitas, e é uma doença ainda por cima que na maioria dos casos é possível prevenir.

Portanto, é uma doença que quanto mais as pessoas souberem sobre diabetes, mais

O que é a diabetes

podemos prevenir e ter menos casos de diabetes. Eu vou aproveitar a tua deixa, já que é importante nós sabermos como é a doença. Comece precisamente por perguntar então o que é? Como eu já disse, a diabetes é uma doença crónica que está associada ao aumento da glicose permanente no sangue, dando origem à chamada hiperglicémia. Eu vou dizer aqui alguns palavrões, alguns termos técnicos. Hiperglicémia, que em português se pode dizer hiperglicemia ou hiperglicémia, os dois termos estão corretos. No nosso país depende das zonas das faculdades onde nós aprendemos. Utilizam-se os dois termos. E hiper é excesso. Glicémia, o valor de açúcar no sangue. E estes níveis aumentados de açúcar no sangue nas pessoas com diabetes vai ocasionar vários problemas, complicações, sobretudo logo nos vasos sanguíneos.

E isto tem a ver com duas causas principais. Ou a falta de insulina. ou a resistência à insulina ou ambas. Tentando explicar um bocadinho mais fisiologicamente. Nós temos no aparelho digestivo vários órgãos. Temos o tubo digestivo e várias glândulas anexas. Temos, por exemplo, o pâncreas, que já todos ouviram falar. O pâncreas é como se fosse uma folhinha, assim, comprida, que fica por trás do nosso estômago. Ele produz várias hormonas e também enzimas importantes para a digestão dos alimentos. Uma dessas hormonas é a insulina, que é produzida nos iléus de Langerhans, nas células beta.

Quando o pâncreas liberta insulina é quando os valores de glicema estão elevados. Mediante os valores que nós temos de açúcar no sangue é libertada a quantidade adequada de insulina. E depois, num indivíduo saudável, isto funciona às mil maravilhas. De forma natural. De forma natural. O açúcar eleva-se, é produzida mais insulina. A insulina o que é que vai fazer? Vai fazer com que esse açúcar que circula, essa glicose que circula no sangue, entre para as células. É isso que a insulina vai fazer. Abrir, entre aspas, as células para a glicose sair do sangue para as células, para ser utilizada na forma de energia. que é utilizada diariamente em todas as nossas células, todas precisam de energia para o seu metabolismo diário, e também pode ser, quando é excesso, armazenada sobre a forma de gordura ou no fígado sobre a forma de glicogênio.

Tentando talvez explicar isto um bocadinho mais ainda. As pessoas podem perguntar, mas o que é glicose? Ok. Sabemos que isto tem tudo a ver com o que comemos. estas doenças como esta que é a diabetes. Quando nós pomos os alimentos na boca, Começa logo o processo de digestão. E qual é o grande objetivo da digestão? Dividir os alimentos nos seus vários constituintes, que são os nutrientes. Existem vários tipos de nutrientes. Os que nós utilizamos em maior quantidade diariamente, os chamados macronutrientes, que são os hidratos de carbono, as gorduras ou lípidos, pode-se dizer das duas formas, e as proteínas. E temos os micronutrientes, aqueles nutrientes que nós utilizamos em quantidades micro diariamente, que são as vitaminas e os minerais.

Os hidratos de carbono, que são os macronutrientes e que nós precisamos deles diariamente, é aquilo que nos dá energia, são também de vários tipos. Temos moléculas grandes e moléculas mais pequenas. As moléculas mais pequenas são chamadas açúcares. Portanto, nos hidratos de carbono, nós temos açúcares, no fundo, que várias moléculas juntas formam os hidratos de carbono mais complexos. Vou dar um exemplo. A sacarose é o açúcar comum, que nós utilizamos para pôr nas bebidas, para. Adicionar... Mais ou menos refinado é o açúcar que nós ingerimos. Exatamente. A sacarose, por sua vez, é uma molécula que é formada por outras mais pequenas, que é a glicose e a frutose.

Frutose é um outro tipo de açúcar que nós vemos nas frutas, por exemplo, e nos vegetais. A lactose, que existe no leite, é uma conjunção de galactose e glicose, que juntas formam um açúcar um bocadinho mais complexo. E depois temos os açúcares ainda mais complexos, moléculas maiores que são os amidos, que existem. no pão, no arroz, nos cereais em geral, nas batatas e esses amidos, quando fraccionados em moléculas menores, através da digestão, vai para as células como uma forma de glicose. Mas essa é outra forma de glicose, ou seja, de termos glicose, porque nós normalmente associamos aos açúcares que ingerimos, não é?

Através dos doces, como falámos, os açúcares mais ou menos refinados. Só que o nosso organismo também produz glicose. naturalmente, a partir dos amidos, por exemplo. O nosso organismo vai buscar o glicose a partir do que nós comemos de açúcares simples, é mais rápido, essa é a diferença. As moléculas mais pequenas, ao ingerirmos esses açúcares, mais rapidamente aumenta o nível de glicose no sangue. Enquanto que os açúcares mais complexos, os hidratos de carbono, como os amidos, demoram mais e mantêm mais tempo o mesmo nível de açúcar, mas não deixa de se transformar em glicose através da digestão. E ainda mais, proteínas e gorduras que nós ingerimos, também o nosso organismo pode transformar algumas partes, não vou estar aqui a especificar agora, que era mais complicado, em glicose, para utilizar também para energia.

Ou seja, nós precisamos sempre de ter a glicose no sangue. É essencial para todo o nosso metabolismo e, por exemplo, o nosso cérebro trabalha só com glicose. Nosso cérebro é uma caixinha aqui fechada dentro destes ossos, que é o crânio, e realmente não tem como armazenar. Precisamos de um nível contínuo de glicose. Senão, quando baixa muito, nós desmaiamos, por falta de energia no cérebro. E essencialmente espero que os nossos espectadores, os nossos ouvintes tenham percebido este conceito do que é glicose, nutrientes, alimentos e depois como é que as pessoas podem ter diabetes pela falta de insulina que ajuda a glicose a entrar e então os níveis de açúcar ficam elevados no sangue ou até têm muita insulina mas as células fazem de conta que não reconhecem a insulina, são resistentes à insulina.

Tipos de diabetes

Essas diferentes formas das células lidarem com a glicose também nos vai dar diferentes tipos de diabetes, não é? Que tipos de diabetes, para além do diabetes tipo 1 e tipo 2, que são os mais comuns, que tipo de diabetes é que conhecemos? Ok, correto, o que tu disseste é isso mesmo. Temos essencialmente diabetes tipo 1, tipo 2. Essencialmente a tipo 2 é muito mais frequente, cerca de 90 a 95% dos casos. E temos a diabetes estacional, também, que surge durante a gravidez. Já vou explicar um bocadinho de cada uma delas. Temos outros tipos de diabetes, mais complexas de explicar. A diabetes tipo 1 é aquela que surge De uma forma simples, pela falta de insulina. Ou seja, o pâncreas, por alguma razão, normalmente é uma doença autoimune.

O nosso próprio sistema imunitário e as nossas defesas destroem as células do pâncreas que produzem insulina. E este é um tipo de diabetes que é mais frequente nos jovens, nas crianças, sobretudo antes dos 30 anos de idade. Mas pode surgir depois desta idade. E é constituído cerca por menos de 10% do conjunto de diabéticos que nós temos. Depois temos outro aspecto importante, é que realmente alguns adultos podem ter esta doença depois dos 30 anos, é uma doença autoimune conhecida como LADA, diabetes autoimune latente da idade adulta em português. É mais rara e é como que É diferente nas crianças.

Porquê? Porque nas fases iniciais, a pessoa com diabetes recente ainda tem algum nível de insulina. Tanto que este tipo de doentes, que normalmente diabetes tipo 1 o tratamento é insulina, porque é isso que lhe está a faltar, não precisam assim de tanta insulina e têm muito mais variabilidade dos valores de glicemia, muito mais difícil de controlar. E até ao longo da vida, não é? Depois ao longo da vida. Torna-se mais fácil quando o pâncreas deixa de produzir radicalmente mesmo a insulina. Quando ocorre na criança, normalmente é mais drástica e precisa logo de quantidades de insulina mais fáceis de controlar no início. Porquê? Porque realmente o pâncreas deixa de produzir mesmo a insulina. A diabetes tipo 2, o pâncreas produz a insulina, mas as células não reconhecem a insulina.

Existe uma resistência à insulina. Numa forma do nosso organismo tentar compensar, aumenta até a produção de insulina. para tentar compensar porque isto funciona por feedback negativo, ou seja, níveis elevados de glicose no sangue, o pâncreas vai tentar. Então, mas isto está tudo tão descontrolado, vamos libertar para aqui mais insulina. Mas as células não a reconhecem e ele continua a libertar. Tanto que é uma diabetes que surge mais no adulto, mais frequente depois dos 30 anos de idade, Diz, diz. Desculpa, mas infelizmente cada vez mais aparecem em idades mais recentes e até em crianças, não é? Sim. Cada vez surge em idades mais jovens, sobretudo associada aos seus fatores de risco.

A obesidade é o principal. O excesso de peso e a obesidade são o principal fator de risco da diabetes tipo 2, que é um fator para esta resistência à insulina. Avendo esta resistência à insulina, nós normalmente medicamos com fármacos que aumentam a sensibilidade das células à insulina. Mas numa fase mais tardia, até os diabéticos tipo 2 precisam de insulina porque o pâncreas entra em falência e deixa de produzir a insulina. Mas isso depois será para outras núpcias, por assim dizer. Como já tinhas dito, e é verdade, vou só aqui confirmar estatísticas, cada vez mais a diabetes tipo 2 surge em pessoas com menos de 30 anos, mas ela é muito mais frequente nos idosos.

Diz que 30% das pessoas com mais de 65 anos têm a diabetes tipo 2. o que é muito, cerca de um terço. E a obesidade é o principal fator de risco. Diz que 80 a 90% das pessoas com diabetes tipo 2 têm excesso de peso ou obesidade. Grande número dos nossos diabéticos tipo 2 têm o excesso de peso ou obesidade. Diabetes tipo 1 já não está relacionado com excesso de peso ou obesidade porque tem a ver com a destruição do pâncreas e falta de insulina. Por isso é que nós temos diabéticos tipo 1 que não têm excesso de peso, até são magrinhos. Mas atenção, é raro, mas também existem diabéticos tipo 2 que não têm excesso de peso e obesidade.

Porquê? Porque pode ter sido um outro tipo de diabetes. Já lá vamos. Diabetes gestacional é aquela que surge nas grávidas e está associada a vários fatores. Alterações hormonais associadas à própria gestação, erros alimentares, o excesso de peso, o sedentarismo, falta de atividade física. Geralmente é controlada só com alimentação, cuidados dietéticos e exercício físico. Em alguns casos é necessária a insulina. Não se trata com comprimidos a diabetes na grávida. Atenção que, embora ela possa ser temporária, aumenta o risco dessa mulher que devia. Ter diabetes tipo 2 no futuro.

Exatamente, aumenta o risco de vir a ter diabetes tipo 2. Diz-nos que cerca de 20 a 50% das mulheres com diabetes na gravidez têm diabetes tipo 2 mais tarde. Mesmo assim é um número substancial, não é? É verdade. E cada vez nós temos mais grávidas com este tipo de diabetes, sobretudo associado também às idades tardias da gestação, que em termos hormonais e de risco de diabetes aumenta. Sendo que há outro tipo de diabetes, que eu diria que depois são muito específicos, não é? Sim. Que para além destes três, que eu diria que são os três grandes números em termos de diabetes, que depois pela sua especificidade tão concreta, que depois acabam por ser todos agrupados em outros, não é?

Sim, é outros. Claro que os endocrinologistas não os chamam assim, mas de uma forma genérica são outros tipos de diabetes. tem a ver com alterações genéticas nas próprias células beta dos ilhéus de langarãs do pâncreas que produzem insulina, defeitos genéticos na própria ação da insulina, destruição do pâncreas, por exemplo, por fármacos, ou uma pessoa que, por exemplo, teve um tumor no pâncreas que precisou de ser operada, tirou uma parte do pâncreas e isso foi exatamente parte ou toda aquela parte que produzia a insulina, são pessoas que ficam com diabetes tipo 1 porque lhes foi retirada a produção de insulina. E alterações de outros hormonais que podem levar realmente a estes outros tipos de diabetes.

Muito bem, e que já agora, como estamos a falar da diabetes, quero aproveitar para oferecer a todos aqueles que nos veem e que nos ouvem esta revista, este guia de estudo, A Máquina Humana. Um guia de estudo com dicas práticas para um estilo de vida saudável, mas que, curiosamente, tem na lição número 5 um capítulo exclusivamente dedicado à diabetes. Se quer saber mais sobre esta doença, sobre este problema, pois bem, tem a oportunidade, através deste guia de estudo, de conhecer mais sobre a diabetes. E ainda, se quiser fazer um teste sobre fatores de risco e saber se, por acaso, tem um ou mais destes fatores de risco para contrair diabetes, pois bem, também aqui na revista A Máquina Humana temos para lhe oferecer.

E é muito simples. Quer saber o que é que pode fazer para receber gratuitamente esta revista? É tão simples quanto enviar-nos uma mensagem com a palavra Máquina Humana, com estas palavras, apenas para sabermos que é este o guia de estudo a que se refere, para o 933-939291. 933-939291.

Estatísticas da doença

Ficamos à sua espera. Claudine, o número de diabéticos no mundo tem estado a aumentar, eu diria até exponencialmente. E em Portugal os números são aterradores. Quase 10% da população portuguesa já está diagnosticada com esta doença que chamamos de diabetes. Isto é um flagelo, não é? É verdade. Mediante o grupo etário, dependendo do grupo etário em Portugal, até são mais do que 10%. Mas já lá vamos. E isto implica não só em termos de morbilidade, mas aumenta a mortalidade e risco de outras doenças. Porque o facto de uma pessoa ter diabetes só por si já é um grande risco, elevadíssimo risco cardiovascular, das doenças cérebro-cardiovasculares, as tromboses, os AVCs e os enfartes agudos do miocárdio, que são a principal causa de morte no nosso país e no mundo.

Mas eu trago aqui alguns números realmente estatísticos de diabetes globalmente no mundo. A Federação Internacional de Diabetes diz que em 2021, são os dados que temos, 529 milhões de pessoas em todo o mundo tinham diabetes. Estima-se que estes valores vão subir desde 2021 para 2050 de 6,1% para 9,8%. Isto é um aumento de 59,7%. Não sendo uma doença contagiosa, significa que está previsto a deterioração dos hábitos de vida e de saúde, não é? Exatamente. É uma doença crónica não transmissível, que são o principal flagelo no mundo, enquanto há uns anos eram as doenças efetocontagiosas.

Isto, pensa-se que se realmente subir estatisticamente nestes valores, teremos 1.310 milhões de pessoas a viver com diabetes. Isto são muitos zeros. Isto, em termos de gastos, são 900 mil milhões de euros, com previsão do aumento para 1.000 milhões de euros até 2045. Agora, no mundo. As pessoas podem pesquisar isto online, o relatório anual do Observatório da Diabetes de 2023. Mais de um milhão de portugueses tinham diabetes. Cerca de 1,1. Cerca de 40% dos portugueses com diabetes tipo 2 não sabem que têm a doença. Isto é grande preocupação. Subdiagnosticada a diabetes, como outras doenças como a hipertensão.

Porquê? Porque habitualmente não têm sintomas e não vão ao médico. Cerca de 90 a 95%, já referimos há pouco, dos diabéticos têm a diabetes mais frequente, que é a diabetes tipo 2. A Sociedade Portuguesa de Diabetologia, em 2023, estimou uma prevalência de diabetes de 14,1%, isto entre os 20 e 79 anos, corresponde aos tais 1,1 milhões de pessoas. 2021, a pré-diabetes em Portugal atingiu 28,6% da população entre os 20 e os 79 anos de idade. É que temos a diabetes e depois ainda temos a pré-diabetes, que é realmente aquelas pessoas que já não têm valores normais de glicose, mas ainda não estão nos valores de diabetes.

E isso corresponde a valores elevados de pessoas que, dentro da pré-diabetes, existem duas entidades. Anomalia da glicose em jejum ou tolerância diminuída à glicose. Teremos depois a oportunidade de explicar isto noutra ocasião. Juntando estes dois valores, então nós temos 14,1% mais 10,8% das pessoas têm glicose elevada no seu sangue, seja pré-diabetes ou diabetes. Isto são valores elevadíssimos. Relativamente à diabetes tipo 1, aquela em que realmente tem a ver com a falência do pâncreas e que é preciso administrar insulina, fazendo um levantamento estatístico do registro dos médicos, porque nós, todos os nossos doentes, nas consultas nós temos que codificar as doenças em termos de antecedentes dos doentes.

e isso dá ótimos dados estatísticos. Por exemplo, um doente meu vai à consulta de diabetes. Eu tenho nos seus antecedentes se ele é diabético, se é tipo 1 ou tipo 2, se é pé tenso, se tem dislipidemia, que é o colesterol elevado, se tem excesso de peso e obesidade, se já teve algum problema oncológico, se tem vertigens. Está tudo nos antecedentes do doente, por códigos. E então, levantando esses dados estatísticos, revela que em 2021 nós tínhamos 3 mil Perdão, 2023. 3.608 pessoas com diabetes tipo 1 até aos 19 anos de idade. E 12.445 pessoas até aos 39 anos de idade, isso de diabetes tipo 1. Mas, de qualquer forma, vemos que são números muito inferiores à diabetes tipo 2.

Que está diretamente ligado a um estilo de vida. Exatamente. Fator de risco principal é a obesidade. Alimentação, erros alimentares, dentarismo. Em 2021, a diabetes estacional disse que esteve presente em Portugal em 8,8% das grávidas e sobretudo nas mulheres grávidas depois dos 40 anos de idade. A maioria foi tratada sem medicação. Em termos de percentagem, aumenta o risco de cesarianas. Diz que as grávidas com diabetes têm partos mais vezes por cesariana do que as grávidas que não têm diabetes. E não podemos esquecer que também aumenta o risco de depois virem a ter diabetes tipo 2 mais tarde. Em termos de custos, isto é muito interessante aqui para o nosso Sistema Nacional de Saúde, em 2021 nós, Portugal, gastámos 532 milhões de euros só na diabetes.

E estes valores são divididos em vários tipos de despesas. Nos medicamentos, são cerca de 79% destes encargos. E nas tiras teste e nos sensores de glicose representaram 15% dessa despesa. Grande maioria nos medicamentos. Aproveito para fazer aqui um parênteses. Por favor, tome os medicamentos, não é? Não é comprá-los e deixá-los numa gaveta. Eles são caros, não só para o tendo que os compra, mas para o SNS que paga, que compartilha a sua parte. É importante tomar a medicação. Cláudia, desculpa lá interromper-te, mas ainda mais importante do que isso é não deixar descontrolar a doença. Porque, eu diria, deixar de tomar uma medicação, mesmo que seja periódica, mesmo que seja só um dia ou dois, pode trazer algumas complicações e algumas até bem graves, para além do fator económico, claro.

Sim, sim. E quanto mais tempo a pessoa está com a glicemia elevada, maior é o risco dessas complicações da diabetes? Os internamentos por diabetes representam uma grande despesa também e diz que representaram cerca de 6% destes encargos, destes 532 milhões. Adicionalmente, temos os internamentos em que as pessoas foram internadas por outro problema, mas, adicionalmente, também tinham diabetes. Em 2021, 15% das admissões e 20% dos internamentos nos nossos hospitais corresponderam a atentes com diabetes. Eu até vou repetir. 15% das admissões e 20% dos internamentos nos nossos hospitais em 2021 corresponderam a utentes com diabetes.

Isto demonstra não só quão frequente é a diabetes no nosso país, o número de pessoas que têm diabetes, mas as complicações que podem vir a ter por mau controle metabólico dos valores da glicose e, consequentemente, andarem em consultas hospitalares e internamentos. Ainda continuando aqui nos números, em termos de mortalidade, em 2021, a diabetes foi responsável por 3.474 mortes. Isto correspondeu a 2,8% das mortes em Portugal por diabetes como diagnóstico principal. Cerca de 10,5% dessas mortes ocorreram em pessoas com menos de 70 anos de idade

Mortalidade e prevenção

por causa da diabetes. A taxa de mortalidade atribuída especificamente à diabetes tem vindo gradualmente a diminuir, felizmente, no nosso país desde 2017, sendo o valor de 2021 mais baixo dos últimos anos. Também há maior sensibilização, divulgação dos cuidados, que leva também, sobretudo aos diabéticos, a uma também maior responsabilização para com os tratamentos e a vigia da doença. Exatamente. Aqui diz que o principal fator é realmente os cuidados de saúde primários, o seguimento destes doentes, consultas marcadas, vigilância da parte da equipa de enfermagem, equipa médica. O principal fator dos portugueses é alimentação inadequada, sedentarismo, obesidade, excesso de peso, tabagismo, que são alguns dos fatores nestes diabéticos em Portugal.

Mas segundo o relatório da OCDE, achei interessante, pelo menos esta é uma boa notícia, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, em Portugal o consumo de fruta e hortícolas é superior à média da União Europeia. Temos alguma coisa boa. Ainda consumimos muitos vegetais e fruta. Mas somos dos mais sedentários e, consequentemente, de excesso de peso e obesidade dos países analisados. Claro, infelizmente chegamos ao fim do tempo do nosso programa. Ainda ficou muito por falar. Teremos oportunidade num outro programa de falar dos fatores de risco, do

Encerramento

diagnóstico, também da prevenção, bastante importante. Mas quero agora dirigir-me para si de uma forma muito particular. Vimos no programa de hoje que a obesidade, por exemplo, é um dos principais fatores para a diabetes. e eu tenho para lhe oferecer um guia de estudo, a Máquina Humana. E na lição 4 deste guia de estudo fala sobre obesidade e a lição 5 fala sobre a diabetes. Se está interessado neste tema, se está interessada neste tema, entre em contacto conosco. Peça já o guia de estudo da revista A Máquina Humana, cheio de dicas para que tenha uma vida mais plena e com saúde, e também o desejo de Deus para si, ele que conhece como ninguém, porque foi o criador desta máquina humana.

Para pedir este guia de estudo é simples, entre em contato connosco enviando uma mensagem com Máquina Humana, para sabermos que é este estudo que se refere, para o 933 9392. Chegamos ao fim do programa, mas falta ainda dizer-lhe que este programa, bem como os programas anteriores, está disponível em podcast em rádio rcs.novotempo.pt e ainda que estamos disponíveis para receber as suas sugestões, as suas dicas e quem sabe também as suas dúvidas. Para o fazer, entre em contacto connosco por mensagem para o mesmo número que temos partilhado consigo. Temos todo o gosto em que oportunamente possamos trazer este assunto aqui ao seu médico de família.

Sobre este episódio

🚨 Diabetes em Portugal: Uma Realidade Preocupante! Neste episódio do Médico de Família, a Dra. Cláudia fala sobre a diabetes. Sabe o que é? 🤔

Descubra tudo sobre esta doença crónica:
🔹 O que causa a diabetes
🔹 O papel da insulina e do pâncreas
🔹 Tipos de Diabetes: Tipo 1, Tipo 2, Gestacional e outros! 👶👩‍🦳👨‍⚕️
🔹 Estatísticas chocantes em Portugal: Mais de 1 milhão de afetados! 📊
🔹 A ligação forte com a obesidade e o sedentarismo 🏃‍♀️🍎
🔹 Como prevenir e controlar para evitar complicações graves ❤️‍🩹

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Série
Médico de Família · 74 episódios
Temporada e episódio
Temporada 1 · Episódio 3
Estreou
23 de Abril de 2025
Categoria
Saúde