28:31Bem-vindo a mais um programa médico de família. É um prazer enorme estar na sua companhia. E por falar em companhia, hoje estou pela primeira vez com a doutora Inísio Parcelas. Inísio, mais uma vez, bem-vinda. Obrigada. Como é a primeira vez, vamos fazer aqui uma pequenina apresentação. Tu és especialista em imunoeterapia, mas também... Imunoemoterapia. Emoterapia, muito obrigado, mas também com formação em medicina estilo de vida. Comece por nos explicar o que é concretamente a tua especialidade. A imunohematropia é uma especialidade que se relaciona muito com a área do sangue, é uma especialidade que tem toda a responsabilidade das transfusões de sangue, todo o processo de uma transfusão de sangue, desde a dádiva, seleção dos dadores, processamento do sangue, depois as análises que são realizadas, que são necessárias realizar devido a uma transfusão de sangue, quando é necessário uma transfusão de sangue.
E, portanto, todo o processo do laboratório, a gestão do laboratório, também a parte clínica das anemias, portanto doenças mais benignas do sangue, doenças da coagulação, portanto é uma área assim um bocadinho vasta que em alguns países está dentro da mesma especialidade que é a hematologia, mas em Portugal são duas áreas distintas. Muito bem, e bem a propósito disso trouxeste para o programa de hoje e também para um próximo programa falarmos precisamente sobre a anemia.
Vamos saber os sintomas, as causas, o diagnóstico, tratamento e prevenção ao longo destes programas, mas começo desde já por te perguntar porque é que tu achas importante abordarmos este assunto? A anemia. Bem, porque realmente a anemia é uma condição, é um problema de saúde pública, é muito prevalente, quer seja no mundo inteiro como em Portugal também. Portanto, estima-se que no mundo inteiro 25% das pessoas sejam afetadas com anemia. Isto é incrível, não é? Se nós olharmos à nossa volta provavelmente não vemos estes números, mas sabe-se que esta é uma doença também subdiagnosticada. Portanto, há mais pessoas com anemia do que aquelas que se pensa. E em Portugal também se fez um estudo em que se percebeu que cerca de 1 em cada 5 pessoas tem anemia.
E, portanto, cerca de 20% da população portuguesa tem anemia, o que é bastante impactante. A anemia tem uma curiosidade, e por isso eu levantava já esta questão, que é... Todos nós conhecemos aquela expressão que quando vemos a pessoa com a pele muito clara, muito branca, dizemos, parece que estás com anemia. Portanto, há um sintoma que eu diria que é bastante conhecido. Mas a anemia tem esta questão que é, por vezes, Os sintomas podem ser ligeiros ou graves ou até mesmo assintomáticos. Como é que é? Como é que se consegue perceber esta relação tão disparada à anemia? Bem, é assim, a anemia pode ser desde ligeira à grave, não é? Portanto, a anemia pode acontecer de uma forma aguda, quando há uma perda de sangue, por exemplo, ou pode acontecer de uma forma crónica.
E de uma forma crónica pode ser algo muito progressivo e muito ligeiro que a pessoa nem repara, porque o corpo tem tempo de se adaptar. E, portanto, de forma crónica e ligeira pode não haver esta perceção e as pessoas acabam por não saber e por confundir alguns sintomas. Mas eu acho que antes disso tudo é importante falarmos do que é que é a anemia. Exatamente. Fala-se muito de anemia, de lastrada de palidez e de alguns sintomas, mas realmente a anemia por si só significa uma diminuição da hemoglobina. e portanto uma diminuição abaixo de alguns níveis. Sabemos que nos homens a anemia significa que temos uma hemoglobina abaixo dos 13 gramas por decilitro e nas mulheres abaixo dos 12.
Depois as grávidas é um valor um bocadinho mais abaixo, o 11, e no segundo trimestre os 10,5 e também nas crianças tem os valores diferentes consoante a idade, mas não há necessidade de estarmos aqui a especificar. Mas basicamente é isto, abaixo destes valores no homem e na mulher. Como é que nós podemos saber que estamos com anemia, sobretudo se estivermos sem sintomas? A única forma de sabermos é se formos ao médico. Se formos ao médico e fizermos análise de rotina, a análise de rotina mais frequente provavelmente é o hemograma. Quase todos nós já fizemos análise de rotina e sabemos que uma das primeiras que é pedida é o hemograma. O hemograma tem lá a hemoglobina e é assim que se diagnostica.
Por vezes não temos sintomas, mas existe uma alteração da hemoglobina e se faz o diagnóstico. Não temos sintomas, mas por vezes também podemos ter sintomas, o que significa
que alguns deles são bastante confundíveis com outros sintomas de outras doenças. Mas eu começava por te perguntar, que tipo de sintomas, para além destes que já mencionámos, a questão da pele mais clara, que sintomas é que nós podemos ter? Basicamente, a anemia traduz uma diminuição dos glóbulos vermelhos. Sabemos que no nosso sangue temos os glóbulos vermelhos, os glóbulos brancos, as plaquetas. A anemia traduz uma diminuição desta massa dos eritrócitos, dos glóbulos vermelhos. dessa série vermelha do sangue. Isto devido à diminuição da hemoglobina. Porquê? Porque a hemoglobina é uma proteína essencial ao funcionamento do nosso corpo.
A hemoglobina é essencial para transportar o oxigênio. O oxigênio é o nosso combustível. É a nossa gasolina, o nosso gás óleo. As nossas células funcionam ao oxigênio e a glicose, basicamente. O oxigênio é super importante para todas as nossas células. Ora, quando nós temos anemia, nós temos uma diminuição dessa hemoglobina e desse transporte de oxigênio. Portanto, o que é que acontece? Há uma diminuição da chegada de oxigênio às células e pode haver essa diminuição da chegada de oxigênio em todos os tecidos e em todos os órgãos. Portanto, a anemia, de forma teórica, pode afetar qualquer tecido e qualquer órgão do nosso corpo. E, portanto, os sintomas são muito vastos, por vezes, são indespecíficos, ou seja, são sintomas que se confundem muito com outras doenças, como disseste.
Talvez aquele que se fala mais, o mais frequente é o cansaço, não é? Uma pessoa sente-se cansada. É a fadiga, não é? Fadiga muscular, cansaço, às vezes falta dar, portanto, às vezes o cansaço pode ser mais das pernas, mais dos músculos, ou pode ser mais do peito, da respiração, não é? E, portanto, isto traduz aqui mecanismos diferentes da anemia, mas, portanto, são tudo sintomas são tudo sintomas da anemia. Este cansaço está associado à diminuição da chegada de oxigênio, da profusão de alguns órgãos e de alguns tecidos. A parte neurológica também pode não funcionar da melhor maneira. Por vezes há aqui alguma maior irritabilidade, por vezes há aqui também a depressão e o agravamento da depressão pode estar relacionado.
Mas também há aqui muitas vezes a confusão deste cansaço, não é? Por vezes as pessoas sentem-se cansadas porque estão com anemia, mas justificam outras coisas, não é? Ah, eu estou cansada porque fui mãe há pouco tempo, não é? Ou estou cansada porque estou a trabalhar muito. E, na verdade, pode haver uma doença física mesmo. Para além de realmente uma vida mais acelerada, pode haver realmente aqui uma condição física, uma condição de saúde. E depois temos mais alguns sintomas. Temos, por exemplo, as palpitações, o aumento da frequência cardíaca. Isto aqui, no fundo, é um mecanismo compensatório. O corpo a tentar compensar a anemia. Como há esta diminuição da chegada de oxigênio, o corpo tenta compensar aumentando a frequência cardíaca, aumenta o ritmo cardíaco. Portanto, o coração bate mais vezes para o sangue chegar ao corpo.
É como que temos poucos trabalhadores, então os trabalhadores vão trabalhar mais. Portanto, vão fazer mais horas, vão andar de um lado para o outro, vão fazer mais piscinas. E depois temos muitos outros sintomas. Depois também depende se a anemia é aguda ou crónica, como falámos. Portanto, numa anemia aguda, que ocorre, por exemplo, numa perda de sangue. Tem um acidente e há uma perda de sangue grave, uma perda de sangue abundante. Nesse caso podem haver sintomas mais graves e mais agudos, por assim dizer. e que são sintomas mais graves que se relacionam com a perda desse volume, com a perda do volume de sangue, não é? Quando o nosso corpo está feito para ter um certo volume e quando há uma perda desse volume, também há os tais mecanismos compensatórios para tentar poupar o volume e para tentar otimizar o tal oxigênio a chegar às células.
E aí, por exemplo, há a sudorese, há o aumento da frequência cardíaca, a hipotensão, há a vasoconstrição, os vasos ficam mais contraídos para tentar, lá está, poupar o volume e fazer com que o sangue chegue aos tecidos. E, portanto, há aqui uma série destes sintomas da anemia aguda. Numa doença crónica, por vezes a pessoa está com anemia um processo de dois anos, de um ano, e, portanto, há tempo do corpo se adaptar e, por vezes, a pessoa nem repara. E, portanto, há realmente muito cansado, algum tempo. Os sintomas muito importantes também são os sintomas da doença de base. Que esta é uma coisa que não falámos, mas que realmente é muito importante. Que a anemia é uma doença por si só, mas principalmente é uma manifestação de outra doença.
Que deriva de uma a outra, não é? Exatamente. Portanto, nós temos que sempre perceber porque é que temos anemia. É muito importante. Não basta nós tentarmos tratar a anemia de forma superficial, por exemplo, dando ferro, fazendo uma transfusão, etc. É importante saber as causas. Exatamente, porque só sabendo a causa é que nós vamos tratar corretamente a anemia, que é tratar a causa. Sendo que também é comum pessoas que têm anemia passarem por questões de tendo tonturas até mesmo desmaios, não é? Sim, sim, sim, sem dúvida. Claro que isso pode acontecer de uma forma mais aguda, como falámos. Por exemplo, alguém que tem um acidente, tem uma grande perda de sangue ou, por exemplo, tem umas varizes esofágicas e há uma exacerbação e há uma hemorragia mais abundante.
Pode ser que é interna que é externa, não é? Ou seja, mesmo em situações de hemorragia interna. Exatamente. E, na verdade, depois há essas tonturas até demais mesmo e nessa situação no fundo é um mecanismo de proteção do corpo porque lá está esta diminuição da chegada de oxigênio às células acontece em todo o corpo mas o nosso corpo é muito inteligente e portanto ele poupa ele poupa os órgãos mais nobres e, portanto, aqueles que são ultimamente afetados, aqueles que são os últimos a ser afetados, são, por exemplo, o coração, o cérebro, que não são tão afetados, porque realmente são aqueles que têm funções mais importantes, não quer dizer que as outras não sejam. Mas, se calhar, por exemplo, a queda de cabelo, as unhas mais frágeis, pode acontecer primeiro porque são tecidos que não são tão poupados nessa situação e, portanto, sofrem mais cedo os efeitos da anemia.
Queria avançar na nossa conversa, mas como ainda temos alguns minutinhos, eu queria-te perguntar que sintomas é que devem ser os que nos devem chamar mais alerta, visto que alguns podem ocorrer e isso, no caso da anemia, implica nós fazermos análises, percebermos e irmos ao nosso médico para perceber o que temos. Aqueles que tu consideras, dentre todos os que falámos, aqueles que tu dizes estes são os sintomas de alerta? É assim, algum sintoma que seja muito diferente do que a pessoa sente habitualmente, do que a pessoa tem habitualmente, algo novo e algo súbito, é sempre de avaliar e de ir ao médico. Se alguém, por exemplo, não tem umas alterações gastrointestinais e de repente começa com muitas diarreias e por vezes até tem um bocadinho de sangue nas fezes, aí é de ir ao médico, como é óbvio.
Se a pessoa nas últimas semanas se sente realmente muito cansada e isso não tem explicação, portanto a pessoa não anda a dormir menos, não anda a trabalhar mais e portanto um cansaço inexplicável ou um cansaço extremo aí também deve motivar a ida ao médico. Qualquer perda de sangue deve motivar a ida ao médico também. E depois há sintomas mais específicos que têm a ver com as causas, que vamos falar mais à frente, que devem também motivar. Muito bem, então vou aproveitar a tua deixa agora para fazer uma pequenina pausa e dirigir-me para sair desse lado, que está desse lado. quer na rádio, quer assistir na TV, porque quero lhe oferecer este Guia de Estudo, a Máquina Humana.
É um Guia de Estudo muito completo, com dicas muito práticas para um estilo de vida saudável, mas também para conhecer a vontade de Deus na sua vida, para que tenha uma vida plena, mas também com saúde. E o que tenho que fazer para receber esta Máquina Humana? Este Guia de Estudo é tão simples quanto enviar-nos uma mensagem Uma mensagem escrita com as palavras Máquinas Humana para o 933-939291. Vou repetir, 933-939291. Desde já estamos à espera do seu contacto. Desculpa esta pequena interrupção.
Vamos então continuar. Já falámos um pouquinho dos sintomas. Sabemos que uma das causas mais comuns, eu diria que também é senso comum da anemia, como já mencionaste também, é a questão da falta de ferro. mas esta não é a causa última, ou seja, pode haver outros fatores, já mencionaste também a questão de outras doenças, mas de uma forma genérica, o que é que pode causar a anemia ou pelo menos este déficit de ferro? Pronto, como nós já falámos, a anemia relaciona-se muito com a diminuição dos glóbulos vermelhos, não é? Portanto, qualquer condição que leva à diminuição dos glóbulos vermelhos vai dar anemia. E, portanto, esta diminuição dos glóbulos vermelhos pode acontecer porque há uma diminuição da sua produção, pode acontecer porque eles são anormais, porque eles não têm uma maturação normal, ou pode acontecer porque a sua destruição está aumentada.
Ou mesmo porque há perda de sangue e eles são perdidos, entre aspas, não é? Portanto, nós temos uma fábrica do sangue no nosso corpo. É, nós temos uma fábrica. Temos fábricas de várias coisas dentro do nosso corpo. Mas temos a fábrica do sangue, que é a medula óssea. A medula óssea está dentro dos nossos ossos, especialmente os ossos longos. E, portanto, nessa fábrica do sangue, nessa medula óssea, é que são produzidas as células do sangue, como nós falámos há pouco, os tipos de células. E essas células... Portanto, há uma hormona muito importante que é produzida no rim e também no fígado, mas em menor quantidade, que é a eritropoetina. E essa hormona é que vai comandar aqui a produção de mais glóbulos vermelhos. Por exemplo, se nós tivermos uma condição em que temos menos oxigênio, portanto há mais necessidades de oxigênio, há mais necessidades de maior hemoglobina, há aqui um aumento da eritropoetina e há mais produção dos glóbulos vermelhos.
Portanto, vai haver um estímulo da medula óssea a produzir mais. Quando esses mecanismos estão comprometidos, também pode haver anemia. E, portanto, como eu estava a falar, pode haver anemia pela diminuição dos glóbulos vermelhos, da produção. Isso pode ocorrer por diminuição da eritropoetina por diversas causas, doenças renais ou outras alterações metabólicas. Pode acontecer porque temos um problema na medula óssea, portanto uma infiltração da medula óssea por uma metástase, por uma neoplasia. A aplasia medular sabemos que pode ser causada por muitas coisas também, há muitos fatores que podem originar a aplasia medular. Há infecções virais, há medicamentos, há mesmo muitos fatores e por vezes não se conhece o fator, nunca se identifica a causa.
Portanto, podem haver outros problemas da módula óssea que levem a uma diminuição da produção dos glóbulos vermelhos. Pode haver também a inflamação. A inflamação também pode diminuir esta produção e, por outro lado, também diminui a absorção do ferro, que é um nutriente muito importante para a formação dos glóbulos vermelhos. E, portanto, qualquer mecanismo que leva a uma diminuição desta estimulação da eritropoietina na medula óssea pode levar à anemia também. Por outro lado, a deficiência de ferro, por si só, e como vamos fazer um programa futuro só disso, também não me vou alongar muito nessa questão, mas a diminuição do ferro, que é um nutriente muito importante para a formação dos glóbulos vermelhos, também vai levar a uma diminuição dos glóbulos vermelhos, porque eles não têm o substrato necessário para ser formados.
Depois, em relação a alterações da formação dos glóbulos vermelhos, eles podem ser anormais, por exemplo, nas talasémias, na drepanocitose, portanto, eles são... O que é que é isso? Expliquei-se por minutos. Portanto, são hemoglobinopatias, ou seja, as hemoglobinas Eu não sei se já falámos do que é a hemoglobina. A hemoglobina é uma proteína. Sim, já mencionaste no início do programa, mas não é mal relembrar. A hemoglobina é uma proteína muito importante que leva oxigênio ao longo do corpo todo. Ela tem quatro globinas, quatro cadeias muito importantes e cada uma tem um grupo M.
E lá nesse grupo M há sempre ferro. E é esse ferro que transporta oxigênio. Portanto, é essencial ter ferro, como já falámos, para a produção dos glóbulos jornais. E é essencial essa hemoglobina ser normal, ter uma estrutura normal. Esta proteína é uma proteína muito complexa, muito específica. E quando ela tem algumas alterações, ela não funciona da melhor maneira e, portanto, pode dar anemia. Na talissémia há uma alteração aqui das subunidades da hemoglobina. Na drepanocitose há uma hemoglobina anormal que é preponderante e, portanto, elas não funcionam bem. Agora já percebemos então porque é que uma das maiores causas é precisamente a questão da falta de ferro. Está precisamente como uma das principais causas de anomia.
Então isto significa que é extremamente importante para já e desde logo a visita regular ao médico de família para, eu diria, os análises regulares que todos nós devemos fazer, que por vigilância já vai despistar estas anomias. Mas é muito importante então, e torna-se extremamente relevante, esta necessidade, sobretudo daqueles que podem ter esta tendência para a anemia, de uma visita regular ao seu médico de família, não é? Exatamente. Portanto, muitas destas doenças são diagnosticadas na infância, por exemplo aqui as hemoglobinopatias, essas são geralmente diagnosticadas na infância, depende da sua gravidade, depende se é uma verdadeira hemoglobinopatia ou se eles só têm metade da doença entre aspas, ou seja, se eles são portadores e, portanto, claro que um acompanhamento médico...
Mas eles acabam por já ser vigiados naturalmente. Exatamente. Portanto, das outras causas todas é muito importante o acompanhamento regular, claro que sim. Ainda dentro das causas da anemia que estávamos a falar, portanto há essas alterações da maturação dos glóbulos vermelhos que pode ser porque temos uma hemoglobina anormal, como falámos, portanto as hemoglobinopatias, a drepanocitose ou anemia falciforme, não se provavelmente já ouviram falar, é das causas também mais frequentes de anemia no mundo inteiro. Há muita gente que tem anemia falciforme. Especialmente em populações africanas, há muitas pessoas com anemia falciforme. Portanto, no fundo é uma hemoglobina que não transporta bem oxigênio e portanto ela não é eficaz a transportar oxigênio. Depois temos também outros problemas da maturação dos glóbulos vermelhos.
Podemos ter o déficit de alguns nutrientes, que é muito importante para a formação dos glóbulos vermelhos normais, como o ácido fólico, a famosa vitamina B12, que também é muito importante para a formação dos glóbulos vermelhos. E depois temos também a toxicidade de alguns medicamentos, que pode sempre também alterar esta maturação. Do ponto de vista da destruição aumentada, temos a hemólise. A hemólise é, no fundo, a destruição dos glóbulos vermelhos. É normal haver uma destruição dos glóbulos vermelhos, porque isto é um mecanismo de... Natural e de renovação. Exatamente. Portanto, eles renovam-se. Há aqui uma destruição, depois o ferro é reaproveitado e há nova formação na medula óssea dos glóbulos vermelhos. E, portanto, há aqui um mecanismo de renovação normal.
Quando a degradação está aumentada, a destruição, há uma diminuição dos glóbulos vermelhos. Isso pode acontecer também por muitos mecanismos, mecanismos imunos, mecanismos não imunos. Pode haver uma hemólise também mecânica. Pessoas que têm válvulas, por exemplo, também têm mais tendência a ter hemólise. Nas hemoglobinopatias também pode haver hemólise. Portanto, há anemias que têm vários mecanismos para ter uma diminuição dos glóbulos vermelhos e, portanto, da anemia em si. Muito bem, ainda temos alguns minutos antes de terminarmos o programa.
De tudo o que foi dito, eu imagino que tudo é importante, mas o que é que tu gostarias de deixar, sobretudo sobre este tema, para todos aqueles que nos ouvem e nos veem, como o mais importante? Atenção a estes pormenores. Mais importante, a anemia muitas vezes é subdiagnosticada, portanto, muitas vezes os sintomas não são muito evidentes e, portanto, pode não dar sintomas ou pode dar muitos sintomas e, portanto, é muito importante fazer um acompanhamento regular do ponto de vista médico. A anemia é uma manifestação de uma doença de base e, portanto, é muito importante, para além de tratar, investigar a causa da anemia. Pode estar um problema grave, subjacente, um problema que temos que tratar especificamente e realmente tentar tratar sempre a causa e tentar, portanto, adressar a causa específica também da anemia.
Quando se trata a causa, trata-se também a anemia. Tu escolheste de propósito, quando preparámos estes programas, de deixar para um segundo programa especificamente a anemia por falta, por carência de ferro. Porquê é que tu sentiste a necessidade, para além de um programa sobre anemia, de também futuramente fazermos um programa especificamente sobre esse pormenor? Pela anemia por falta de ferro. Já porque é a anemia mais frequente, não é? A causa mais frequente da anemia, cerca de 32% dos portugueses têm déficit de ferro e mais de 50% das causas da anemia se devem ao déficit de ferro. É muito preponderante, é muito prevalente no nosso país e globalmente e muitas pessoas também realmente têm déficit de ferro e não sabem.
Especialmente as mulheres em idade fértil, as crianças, especialmente até aos 5 anos, os idosos. É muito frequente e também é muito fácil não haver esse diagnóstico porque as pessoas não vão ao médico ou porque não explicam os seus sintomas ou porque simplesmente os menosprezam. E também é perfeitamente evitável, não é? A nível de prevenção, essa específica, não é? Sim, sem dúvida. Em maior parte dos casos, não em todos.
Antes mesmo de terminar, e porque tu mencionaste também que tinhas essa formação em estilo de vida. Estilo de vida é parte fundamental deste programa. Em poucos minutos, o que é que é o estilo de vida e em que é que essa formação, essa área específica que temos aqui aborda? A metade da sua vida? Bem, aborda muito, no fundo, a prevenção, o tratamento e a reversão das doenças crónicas. E sabemos que as doenças crónicas são também muito frequentes no nosso mundo, especialmente nos países desenvolvidos. E, portanto, adressa muito a questão da alimentação, do exercício físico, do sono, da gestão do stress, da evisão de substâncias nefastas.
Engraçado. Desculpa ter-te interrompido. É porque há aqui a curiosidade. Nós estamos a oferecer, precisamente, este guia de estudo, a máquina humana, que tem uma espécie de oito remédios para um estilo de vida saudável. Na realidade, tu estás a mencioná-los. Há aqui uma semelhança muito grande. Sim, tem muito a ver com realmente esses remédios que a natureza nos dá para nós prevenirmos a doença e para nós mantermos a saúde. Em contexto, não é bem o teu caso, porque não tens um contexto de consulta, mas certamente não temos na área virada para o sangue, mas o que é que se pode ensinar? O que é que como médica tu podes ensinar às pessoas para esse estilo de vida saudável? O que é que se ensina?
Eu faço muito contexto-consulta. É mais voltado para a parte do sangue, da anemia e de outras doenças. O que é que nós podemos ensinar as pessoas? No fundo... É muito na área da prevenção, não é? Sim, claro que sim. Terem uma alimentação mais adequada, aumentarem o consumo de legumes, de frutas, de leguminosas, diminuírem aqueles alimentos que são mais prejudiciais, que têm mais gordura saturada, que têm mais colesterol. que têm menos fibra, aumentar o consumo de fibras, tentar criar estratégias para conseguir ter algum exercício físico. Na verdade isto quase que trata todas as doenças, as principais doenças ou 90% das doenças e mesmo na minha área até.
Sim, sim. Nós temos muitos doentes, por exemplo, que têm policitémia. Esta policitémia tem a ver, por exemplo, com o aumento da hemoglobina, ao contrário daquilo de que falámos hoje. E o tabaco é uma das causas principais. E falarmos muito sobre a cessação tabágica, sobre como é que podemos otimizar o estilo de vida para realmente haver aqui uma produção normal e uma diminuição da hemoglobina nestes casos é algo muito frequente na minha consulta. Quero-te agradecer mais uma vez a presença. Fica em contramarcado para um próximo programa, exatamente, para falarmos mais nesse assunto. Para si que está desse lado dos microfones e dos ecrãs, então, porque não? E sobretudo pelo que estamos a falar de estilo de vida e estilo de vida saudável.
porque não encomendar desde já, até porque é totalmente gratuita, a revista A Máquina Humana, este guia de estudo com várias dicas e que tem também cá os oito estudos, eu diria estes oito remédios para um estilo de vida saudável e não só, tem também a vontade de Deus para a sua vida, para que tenha uma vida plena. e com saúde. Para o fazer é tão simples quanto enviar-nos uma mensagem para o 933 939 291. Vou repetir 933 939 291 e quero lhe dizer também que se quer sugerir um tema aqui para o Médico Família temos todo o prazer, todo o gosto em receber a sua sugestão, pode fazê-lo para mesmo contacto. E, por fim, dizer-lhe que este programa estará disponível, como todos os outros, em podcast em radio rcs.novotempo.pt Vou repetir, rádio RCS No exito, estamos à espera do seu contacto.
A revista, depois entraremos em contacto consigo para saber se a quer receber gratuitamente em sua casa pelo correio ou então se gostaria de a levantar aqui nas instalações da rádio. Mais uma vez, despeço-me. Marcamos encontro no próximo programa. Até lá, se Deus quiser.
Junte-se a nós numa análise detalhada sobre a anemia, uma condição 🗓️ surpreendentemente comum que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. Neste vídeo, desvendamos os sintomas, as causas subjacentes e as opções de tratamento disponíveis, com o objetivo de fornecer informações valiosas para a sua saúde e bem-estar.
Começamos por explorar o que é a anemia, esclarecendo os seus diferentes tipos e como esta condição afeta o nosso corpo. Abordamos os sintomas mais comuns, como fadiga, palidez e falta de ar, e explicamos por que razão estes sinais devem ser levados a sério. Além disso, discutimos as causas da anemia, desde deficiências nutricionais até condições médicas subjacentes. 👩🏽⚕️
No decorrer deste episódio, analisamos a importância do diagnóstico precoce e das opções de tratamento adequadas para a anemia. Abordamos os métodos de diagnóstico utilizados pelos profissionais de saúde, incluindo exames de sangue e avaliações médicas. Além disso, exploramos os tratamentos disponíveis, desde suplementos de ferro e mudanças na dieta até terapias mais avançadas. Este vídeo é uma ferramenta essencial para entender e combater a anemia.