Os Avós
Ser FamíliaT1 · E6

Os Avós

12 de Maio de 202525 min 36 s

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O papel dos avós

Estamos de volta para trazer mais um Ser Família. Começo por cumprimentar todos aqueles que nos escutam através da rádio, nos 91.2 ou através da TV, no canal 186 da Mel. A todos, bem-vindos. Já que estamos nas boas-vindas, começo também mais uma vez, Daniel, por te cumprimentar. Bem-vindo. Muito gosto. Estamos ainda neste ciclo familiar. Se calhar alguns dos nossos telespectadores ou ouvintes até pensavam que já tínhamos terminado aquilo que é a composição da família e os desafios de cada um de que elemento familiar. Mas não. Ainda vamos ter pelo menos mais dois programas sobre este assunto. No programa de hoje falamos sobre os idosos, eu diria os nossos avós, aqueles que muitas vezes por circunstâncias da vida acabam por voltar para os lares dos seus filhos e portanto mais em um elemento familiar ou por outro lado também acabam por ser institucionalizados.

Isso é mais um desafio para as famílias e para o contexto familiar. Como é que é este elemento, em particular, numa população cada vez mais envelhecida? Nós não poderíamos falar da família sem falar dos avós. Agora, a maneira como a figura do idoso, dos avós, se relaciona com esta mesma família, também vai mudando, vai variando. Eu lembro-me que há uns 30 anos atrás, ou já há pouco mais do que isso, eu estava na Suécia, eu era estudante e estava a fazer um trabalho de verão, e lembro-me de ter conversado com um senhor porque, de alguma forma, fiquei um pouco chocado Na altura, por perceber que a grande parte ou uma parte significativa dos idosos viviam em lares, era uma realidade um bocadinho diferente da nossa, cá em Portugal, na altura.

E percebi que a grande parte dessas pessoas tinha um contacto mínimo com o resto da família. Poucas visitas. Pelo menos, a minha percepção foi essa. Se estarei correto, é outra questão. Mas, na altura, eu tive essa percepção. E eu discuti esta questão com o senhor, porque na minha sensibilidade aquilo não estaria muito bem. E o que este homem me disse foi Eles já viveram o seu tempo, agora é o meu tempo. E eu disse-lhe, e se o seu filhinho... Estava a brincar ali ao lado, era uma criança de três ou quatro anos, hoje já deve ser da idade da pessoa com quem eu conversava.

Ele fizer isso quando o senhor chegar à idade mais avançada. Ficava contente e ele respondeu-me de uma forma muito fria. Ele disse, está no direito dele. Está no direito dele. mas certamente que ninguém gosta de ser esquecido, colocado na prateleira, abandonado nesta fase da vida.

Realidade da terceira idade

E em relação a isto, à terceira idade, à velhice, se quisermos. Deixa-me partilhar, Daniel, um pouco a nossa realidade. Nós somos, provavelmente, o país da Europa que está a envelhecer mais rapidamente. É quase um quarto da nossa população. Agora, com a imigração, talvez as coisas estejam a recuar um bocadinho, mas dados de 2021, 21% destes dois milhões e meio, quase, dois milhões e quatrocentos, se quisermos ser precisos, viviam sozinhos. Quase metade viviam ainda com o cônjuge, com o companheiro, com a companheira, menos mal, não é?

Exato. E cerca de 30% viviam, então, noutros em outros agregados, eu diria que a grande parte com a família dos filhos, com algum filho, com alguma filha. Cerca de 720 mil viviam, portanto, em outros agregados que não o próprio, ou a própria casa, vamos dizer assim. O que me chamou a atenção por estes dados estatísticos, é que destes 720 mil, só 78 mil vivem em lares. Ou seja, temos aqui uma fatia muito substancial. Eu diria que mais de 600 mil idosos vivem na casa dos filhos.

Portanto, quando falamos sobre ser família, nós não podemos deixar de falar do avô ou da avózinha, que também está lá. As coisas têm os seus contornos. Há aspectos positivos, há aspectos negativos. Por exemplo, houve-se falar sobre a violência contra os idosos. Até temos um dia no nosso calendário, que é o dia 15 de junho, para nos tornar conscientes desta problemática. A APAV diz que quatro idosos em Portugal são vítimas de violência por dia, quatro por dia.

E que não é necessariamente só violência física, violência psicológica e até violência financeira, não é? Financeira, todo o tipo de... Porque vamos pensar... o idoso está numa posição, normalmente, de maior vulnerabilidade, mais frágil. Mas nós temos que pensar também que o idoso lá em casa, quando isto acontece, ou a interação possível que possa existir, mesmo que não coabitem, tem grandes vantagens. Muitas vezes são os avós que ajudam a cuidar dos netinhos, Ou nas várias tarefas, porque o casal ou o adulto tem tantos...

Então é o pai, é a mãe que vão tratar daquele assunto que não podem tratar por questão do trabalho, não é? ir pagar aquela conta ou resolver aquele assunto. E, além disso, eles têm experiência. Eles têm um aporte de sabedoria adquirida pela vida. que faz-me lembrar a história bíblica de Ruboão. Quando Ruboão, o filho de Salomão, ia começar o seu período como rei, o seu reinado, ele deixou-se aconselhar pelos jovens da idade dele, em vez de procurar o conselho dos mais velhos.

E o resultado foi a divisão do reino. Foi o pior resultado possível. de maneira que há vantagens. há benefícios para a família, este contacto próximo, em coabitação ou não, mas esta relação próxima. Vantagens para o idoso, certamente, que não quer ser esquecido, que não quer ver estes laços que lhe são tão preciosos, tão queridos. E que continuam a sentir-se úteis, não é? Exatamente, e vai se sentir útil, mas também a própria família é muito beneficiada.

Claro que há desafios, não é? O idoso, ele precisa de alguma atenção, ele começa a ter necessidades acrescidas, nomeadamente na questão da saúde. E nem sempre os filhos conseguem estar à altura, ter esta disponibilidade de tempo para os acompanhar. E poderá ser necessário recorrer à ajuda externa. Mas, sendo esse o caso, este vínculo é muito importante. e há benefícios para todos quando ele é mantido, quando ele é cultivado, quando ele é lembrado, não é?

Seria que é a parte idílica, mas seria também não honesta a nossa parte no abordar o oposto, que é quando, muitas vezes, os idosos acabam por ficar sozinhos nos seus lares e sabemos que... Conhecemos uma frase, não é? Que é solidão mata. mas quando se começam a tornar dependentes de outras pessoas, ou então como dramas, como problemas na saúde mental, isso também é um problema muito grave na sociedade em que estamos a viver nos dias de hoje. Eu diria que a solidão mata. Há um estudo muito interessante que foi feito que comparou a solidão a fumar em termos de mortalidade.

Experimentar a solidão é o equivalente a fumar 15 cigarros por dia. E nós sabemos os malefícios do tabaco, nem sequer hoje isto levanta qualquer dúvida. Pois a solidão também. A solidão é algo que... provoca grande sofrimento, sofrimento moral, sofrimento espiritual, emocional no idoso. E depois, claro que nós temos o problema do declínio cognitivo do idoso. E quando a família tem consciência, está formada, está educada sobre estas questões, pode acompanhar até um certo ponto e ajudar muito a evitar que esse declínio seja mais rápido ou a atempadamente buscar ajuda de forma a que não aconteçam determinados problemas, que podem até ser graves, para todos.

Estamos a falar, por exemplo, da demência, uma das principais decorrentes da doença do Alzheimer. afeta 55 milhões de pessoas, cada ano há mais de 10 milhões de pessoas que são diagnosticadas, é a sétima causa de morte e uma das principais causas de incapacitação em todo o mundo. Eu diria que existe um livro muito bom que eu comprei há pouco tempo numa das nossas livrarias, do Dr. Dean e Ayesh Sharzai. O livro chama-se A Solução para o Alzheimer. Acho que todas as famílias deviam ter algum material para poder compreender os sinais.

Sinais que, por exemplo, começam com a perda da memória, noção do tempo, a pessoa perder-se em lugares conhecidos. Depois podem avançar para outros sinais mais avançados, mais preocupantes. Mas vamos lá ver. O importante aqui é, sobretudo, saber o que fazer. E saber como ajudar a prevenir que isto aconteça. Mas poderemos continuar a falar sobre isto. Então eu vou exatamente fazer o contrário. Vou fazer o contrário e pedir-te que agora possamos parar um pouquinho porque vamos fazer uns breves segundos de intervalo e já a seguir volto com uma oferta especial para si.

TV Novo Tempo, o canal da família, o canal da esperança.

Oferta do programa

Estamos de volta e, como tinha prometido, tenho uma oferta para si. Provavelmente já a conhece, mas agora dou-lhe a oportunidade de também poder adquirir, poder receber gratuitamente este Guia de Estudo Entre Família, que, para além de ter muitas dicas práticas, tem também algumas sugestões de atividades que pode fazer em família e, claro está, os nossos idosos, os nossos avós, não ficam de fora. É totalmente gratuito. Para além disso, tem também um conjunto de indicações bíblicas onde lhe mostram a vontade de Deus, as instruções de Deus para que tenhamos uma família plena. E, como lhe disse, é totalmente gratuito. O que tem que fazer é enviar-lhe uma mensagem, enviar-nos uma mensagem com as palavras ENTREFAMÍLIA para sabermos que é este o guia de estudo que se refere para o 933, 939291.

Vou repetir 933939291. Depois entraremos em contacto consigo para que lhe possamos enviar este guia de estudo totalmente gratuito para casa através do correio. Ficamos a aguardar então a sua mensagem. Daniel, voltamos à conversa e depois de termos abordado as circunstâncias específicas dos nossos idosos nos dias de hoje, a pergunta é, o que é que os nossos idosos mais precisam? Como famílias, qual é a melhor forma de os podermos ajudar e certamente também

Necessidades dos idosos

beneficiar da sua ajuda? Então, é um tema importante. o que podemos fazer para melhorar, ajudar os idosos que fazem parte da minha família. Segundo o casal Sherzai, os autores deste livro sobre o Alzheimer, a solução do Alzheimer, eles criaram um acrónimo. com a palavra neuro. Claro que nem todas as letras têm tradução equivalente em português, mas neuro significa nutrição, exercício, o U seria unwind ou desligar, o R seria descansar, rest, no original em inglês, e otimizar.

Criar um ambiente, um estilo de vida que favorecesse a saúde física e mental do idoso. Incentivar e promover esse estilo de vida. Por exemplo, a nível da alimentação, uma alimentação, diz o casal Sherzai, uma alimentação rica em frutas, grãos, vegetais, feijões e legumes, além de nozes e sementes. Na parte do exercício, o movimento. Movimentos a cada hora. Haver sempre movimento. Há a tendência de estarmos no sofá a assistir o programa Ser Família ou muitos outros programas, não é?

E essa inatividade. favorece a melhor saúde e a prevenção que se quer para o problema do Alzheimer. Depois, ter tempo para desligar. O stress é um fator também de agravamento desta situação de declínio. Então, a pessoa conseguir desligar também, ter aqueles momentos livres. Um quarto fator que tem a ver com o descanso é dormir 7 a 8 horas. Bom sono à noite. E, por último, ser sociável.

Encontrar coisas que desafiem o cérebro. A interação. Não aquelas mesmas conversas repetidas, mas diálogos que estimulem. E atividades. Aprender coisas novas. Há até quem fale de aprender uma língua nova. Ou um instrumento musical. Tudo isto contribui para atrasar ou prevenir o declínio cognitivo. Os idosos. Além destas necessidades que têm a ver com a sua saúde, eles precisam de ser apreciados e valorizados. Eles têm ainda muito para dar, como tu dizias há pouco.

Basta olhar para as nações mais poderosas do mundo e ver que os líderes destas nações são idosos. É verdade que alguns podem ser um bocadinho contestados, mas se eles estão lá é porque a grande generalidade das pessoas, no fundo, ainda reconhece o seu valor, a sua sabedoria, baseado na sua experiência e, portanto, precisamos de apreciar e valorizar o que esta geração mais antiga ainda tem para dar. Eles também precisam de ser, de alguma forma, recompensados. Ao longo da vida eles fizeram muitos sacrifícios.

em nosso favor, em favor dos filhos e dos netos, e passaram por muitas angústias, ou passam por muitas angústias, aflições, E era bom que esta última fase da vida também tivesse este ponto positivo. É preciso deixá-los gozar esta fase da vida com alegria, com contentamento. Afinal de contas, eles merecem, por tudo que já fizeram, não é? E eles precisam de simpatia e de empatia. É verdade que as conversas muitas vezes não são as mais interessantes, porque repetem-se.

É verdade que já não conseguem fazer as coisas com a mesma rapidez, com a mesma celeridade. Eles precisam de ser aceitos nas suas limitações, compreendidos. E ajuda-nos muito a todos a pensar que, se tudo correr bem, nós também vamos chegar lá, não é? Se tudo correr bem. Porque não são todos que se podem gabar disso, não é? Ter esse privilégio. Ter esse privilégio. E faz-me lembrar uma pequena história. que ouvia uns anos atrás.

Parece que numa determinada localidade, algures no mundo, uma tribo tinha a prática de, quando chegavam à conclusão de que o avô já tinha chegado ao limite, já não tinha mais nada para dar, Então, de uma forma gentil, entre aspas, o filho convidava o pai idoso para ir fazer um passeio e levava com ele um cobertor. Iam até um lugar distante, normalmente numa montanha, algures, bem longe dali, e no final O filho entregava aquela coberta ao pai e dava-lhe um abraço e sem palavras despedia-se.

Era a despedida, não é? Portanto, ele ia ficar ali sozinho para morrer. idosos, que conhecia muito bem as tradições e sabia para onde ia, teve o cuidado de levar uma tesoura consigo. Não foi para nenhum ato de violência, mas quando chegou aquele momento da despedida e recebeu então aquela encomenda, aquele pacote, aquela manta, Então, aquele idoso, de uma forma muito bondosa, pegou na tesoura, cortou a manta ao meio e devolveu ao filho metade da manta.

E o filho não entendeu e disse, mas pai, esta manta vai ser útil. Este lugar é um bocadinho frio à noite, tu precisas da manta. E o pai disse, não, não faz mal, filho, não faz mal. Agora, eu queria que tu guardasses essa outra metade contigo, porque pode ser que daqui a uns anos o teu filho se esqueça de trazer consigo a manta para te dar quando se despedir de ti. Então, olha, fica com esta metade, porque se for este o caso, tu já tens alguma coisa com que te cobrires quando chegares à minha idade." Aquele filho entendeu a mensagem, recolheu a manta, a outra metade que já tinha entregue, e disse ao pai, pai, anda comigo, vamos voltar para casa.

Terá sido assim que a tradição foi quebrada, esta péssima tradição de abandonar os idosos e deixá-los entregues a si próprios, quando eles, entre aspas, tornavam-se inúteis, já não tinham nada a oferecer. A realidade é que todos nós, se tudo correr bem, eu volto a dizer, chegaremos lá. Por isso, empatia é talvez a palavra-chave para expressar aquilo que os idosos também precisam muito nesta fase da vida.

Considerações finais

E que não sejamos nós, com pequenas atitudes, pequenas decisões do dia-a-dia, não sejamos nós a entregar pequenas mantas aos nossos idosos ao longo da vida e sobretudo quando estão connosco. Obrigado, Daniel, mais uma vez, para si que está desse lado. Lembro que temos uma oferta para si, estamos a oferecer-lhe o guia de estudo Entre Família é um guia de estudo com muitas dicas, muitas sugestões, muitas delas para os maiores desafios que as famílias enfrentam e, sobretudo e mais importante, a vontade de Deus para o seu lar. Deus quer ajudá-lo nesta tarefa difícil de gerir uma família. E é totalmente gratuito. O que tenho de fazer é enviar-me uma mensagem com a palavra ENTREFAMÍLIA para sabermos que é este o guia de estudo a que se refere para o 933-939291.

933-939291. Dizer-lhe também que este programa está disponível em podcast em rado.rcs.novotempo.pt e ainda que, para o mesmo número de telefone, estamos abertos para que nos envie as suas sugestões, as suas dicas, para, quem sabe, no próximo programa, abordarmos esse assunto aqui no Ser Família.

Sobre este episódio

Envelhecer com Dignidade: Cuidado e Respeito na Família 👨‍👩‍👧‍👦👵👴

Neste episódio de "Ser Família", mergulhamos num tema crucial e sensível: o papel dos idosos na dinâmica familiar. Exploramos como as mudanças na vida, muitas vezes, levam os avós a regressar aos lares dos filhos, ou, em alguns casos, a serem institucionalizados. Analisamos os desafios que estas situações acarretam para as famílias e como lidam com o envelhecimento dos seus entes queridos.

Apresentamos perspetivas sobre como a sociedade encara a terceira idade e discutimos a importância de valorizar e integrar os idosos na vida familiar. Abordamos as necessidades emocionais, físicas e sociais dos avós, e como a família pode promover um ambiente de carinho, respeito e dignidade. Falamos sobre a relevância de manter os idosos ativos, envolvidos e a sentirem-se úteis, combatendo a solidão e o isolamento.

Analisamos também dados estatísticos alarmantes sobre violência contra idosos e a crescente taxa de envelhecimento da população portuguesa. Refletimos sobre a necessidade urgente de criar políticas e estruturas de apoio que garantam o bem-estar e a qualidade de vida dos nossos idosos. Este vídeo é um convite à reflexão, ao diálogo e à ação, para que possamos construir famílias mais unidas e solidárias, onde a experiência e a sabedoria dos mais velhos sejam valorizadas e celebradas. 💖

Série
Ser Família · 66 episódios
Temporada e episódio
Temporada 1 · Episódio 6
Estreou
12 de Maio de 2025
Categoria
Família