À Descoberta da Inteligência Emocional

À Descoberta da Inteligência Emocional

02 de Setembro de 202527 min 51 s

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Seja muito bem-vindo a mais um episódio deste que já é o seu programa, Mentes que Sentem. É sempre um prazer e um privilégio poder estar consigo, seja nosso habitual ouvinte ou espectador, ou quem sabe até pela primeira vez que nos está a sintonizar, porque não, andar para trás e ver todos os outros episódios que têm sido sem dúvida pertinentes e acreditamos e oramos por isso. seja uma benção na vossa vida ou, quem sabe, até para vos preparar, para vos ajudar a ajudarem outros que possam ter esses desafios. Estamos aqui com o coração aberto para que Deus nos possa continuar a ousar, eu e a doutora Cristina Dias, que está connosco sempre, a psicóloga deste programa.

E obrigada, Cristina, mais uma vez por estares aqui e por falarmos mais algumas coisas importantes. Obrigada, Milu, e põe em prática aquilo que abordamos no episódio anterior. Sinto-me grata. Amém. Por estar aqui, por estar contigo, por estar consigo. Por termos este espaço onde podemos partilhar, tirar dúvidas, adquirir informações.

Inteligência emocional

Que bom, que bom. Louvado seja Deus por esta oportunidade. Nós, no episódio anterior, como falaste muito bem, portanto, nós falamos sobre a gratidão enquanto mecanismo de comportamento que contribui para a nossa saúde e bem haja aqueles que já fizeram essa prática, esse exercício, esse TPC, não é? Que nós deixamos para casa. Perdão. No entanto, no episódio de hoje, nós gostaríamos de centrar sobretudo a nossa, portanto, o nosso estudo ou a nossa reflexão sobre um tema que, creio, ultimamente tem trazido muita atenção sobre ele, que é a questão da chamada inteligência emocional. E gostava de perguntar, para começar, neste título tão rebuscado, o que é isto da inteligência emocional e porquê é que tem vindo a ser tão falado ultimamente?

Obrigada, Milú, mais uma vez. Já nos vamos conhecendo e sabes que um dos meus processos de aprendizagem é através de perguntas. Eu aprendo muito com as perguntas, porque me obriga a procurar respostas. Então, para poder responder a esta questão, eu tenho uma questão prévia. E a questão prévia é, afinal, o que é a inteligência? Ser inteligente. E eu creio que se eu fosse fazer esta questão, saia deste espaço, ia à rua, escolhia aleatoriamente dez pessoas e lhes fizesse esta pergunta, define a minha inteligência, eu iria ter dez respostas diferentes, embora pudessem ter pontos em comum. Então nós precisamos primeiro de clarificar do que é que estamos a falar. E eu gostava, para começar, de fazer uma pergunta que eu peço que tu sejas muito espontânea na resposta, não penses muito tempo.

Ser inteligente e ser esperto são exatamente a mesma coisa? Não. Exatamente a mesma coisa? Não. Ok. Agora imagina que nós elevávamos o nível e eu colocava a questão. Então e ser inteligente, ser esperto e ser sábio são exatamente a mesma coisa? Também não. Ou seja, nós temos uma noção, que vem mais uma vez do senso comum, de que podem ter algo relacionado, mas não são exatamente a mesma coisa. E vulgarmente nós associamos a inteligência à capacidade cognitiva, à capacidade de aprendizagem, à capacidade intelectual, ao conhecimento, e à reflexão e à ação sobre esse mesmo conhecimento. Enquanto que, por exemplo, a esperteza nós associamos à astúcia, à sagacidade, à capacidade de tu encontrares uma solução ou rápida ou inusitada para um determinado problema.

Até há aquela definição rápida, o chico esperto. Exatamente. Até lhe atribuímos, muitas vezes, um pendor de malandres ou nem sempre positivo. Por exemplo, eu sou capaz de dizer, olha, já viste aquele cãozinho esperto que arranjou maneira de fazer um buraco e fugir ali pela rede? Ou já sou capaz de dizer, visto aquele jovem, como ele é inteligente, como ele fala tão bem sobre aquele assunto. Portanto, nós vulgarmente tratamos disto. Então, a pergunta é, porque é que se fala em inteligência emocional e não em esperteza emocional? É porque, derivado do senso comum, nós temos a noção que a inteligência é um conceito mais amplo, mais abrangedor. Eu gostava de partilhar contigo e convosco alguns pensamentos, algumas reflexões de vários profissionais nesta área, e entre eles há um nome que é sonante, é o Dr.

Daniel Goleman. Psicólogo, escritor, jornalista científico norte-americano, e que na década de 1995, no ano de 1995, ele lançou um livro que se tornou um best-seller mundial. Chamava-se mesmo, e chama-se, Inteligência Emocional. Ele não foi a primeira pessoa a investigar sobre este assunto, mas talvez aquela que trouxe o maior exponencial. Eu gostava de partilhar um pensamento que ele traz, que diz o seguinte, passo a citar. Na melhor das hipóteses, parece que o QI representa apenas 20% dos fatores determinantes para o sucesso. Ok. Primeira questão, que sucesso? Ele não refere. Então estamos a falar de sucesso nas suas várias dimensões, pessoal, relacional, profissional, entre outras.

E depois fala no QI. O que é isto do QI? O QI, refere-se ao quociente de inteligência, é um construto e tem a ver com uma série de processos que são envolvidos para a avaliação da inteligência. Portanto, há uma série de baterias, de testes que estão construídos, que avaliam várias dimensões da nossa inteligência. a parte da tua representação espacial, da tua capacidade linguística, da tua capacidade de gestão de conflitos, da tua capacidade matemática, lógica, abstrata. E depois o que vão fazer é perceber, face aos teus resultados, vão comparar-te com o chamado grupo padrão, ou seja, para a tua idade, para o teu sexo e para a tua escolaridade nós estaríamos à espera do quê?

Por isso é que nós muitas vezes ouvimos falar aquela pessoa tem um QI acima da média ou abaixo da média. E a verdade é que durante muitos anos a nossa sociedade se organizou sem função deste QI. Ou seja, os processos de aprendizagem, nomeadamente nas escolas, foram revistos, tiveram esta influência. Os escrutamentos para as empresas. E embora esta seja uma perceção deste investigador, na melhor das hipóteses parece que o QI representa apenas 20% do fator determinante para o sucesso, a

Definição de inteligência

pergunta que eu coloquei foi, então quais são os outros 80%? Onde é que residem os outros 80%? A verdade é que há uns anos, nesta parte, nós temos ouvido falar do que é o quociente emocional. E agora, eu já vou responder esta pergunta, mas agora eu gostava de partilhar uma outra definição de inteligência, que nos é trazida por uma investigadora na área, já tem décadas de investigação nesta área, que é a Linda Gottfriedson. Ela diz-nos o seguinte, e passa a citar, inteligência é a capacidade mental que inclui a habilidade de raciocinar, Planear, resolver problemas, pensar abstratamente, entender ideias complexas, aprender rapidamente e aprender com a experiência, o que é mais do que uma habilidade académica ou um processo de aprendizagem por meio de livros?

Estamos ou não estamos com uma dimensão muito mais alargada do que é a inteligência? Obriga-nos a refletir. Já não é apenas aquela noção que nós tínhamos do senso comum. Então, se eu tenho uma noção muito mais alargada de inteligência, e se eu tenho uma perspectiva que há qualquer coisa que não dependa apenas da parte cognitiva, cognitiva no sentido de adquisição formal de conhecimentos, Então, aqui entra a questão das emoções. E a verdade é que, embora possam haver definições diferentes, distintas, no âmbito do que é a inteligência pelos vários investigadores. Elas acabam por ter pontos em comum, em contacto. Uma delas é a inteligência multifatorial.

Portanto, é composta por várias dimensões. Por outro lado, é um fator decisivo para a inteligência a aprendizagem que tu fazes com a vida, com a experiência. E sabe se isto fez-me lembrar, quando estava a preparar este tema, fez-me lembrar algo que me deu vontade de rir. Nós temos um cãozinho. e sobretudo quando ele era mais cachorrinho. e ele gosta muito de vir cá para fora, para o jardim, e tudo o que voava ele tentava comer. Portanto, se passava uma mosca, ele tentava comer, se havia um gafanho ou outro que saltava, ele tentava comer. E eu me recordo de uma altura em que o cãozito estava cá fora, pronto, e começou a ganir, a ganir, a ganir, e nós não percebíamos o que era e ele não conseguia abrir a boca. Depois o que é que percebemos? Ele comeu uma abelha. Mas a abelha acabou por... Defendeu-se.

Defendeu-se. A pergunta que eu coloco é, será que ele voltou a comer abelhas? Eu não sei se sim ou se não, deduzo que não, mas ele teve um processo de aprendizagem pela experiência. Então faz parte de todas as definições de inteligência o processo de aquisição de conhecimento pela experiência. E também faz parte de todas as definições de inteligência a questão de tu identificar os problemas e operacionalizar estratégias e soluções para esses problemas. Então agora a pergunta é, e o que as emoções têm a ver com isto? E vamos mais uma vez permitir que seja um profissional, um investigador na área que nos responda. E o Dr. Daniel Goldman tem uma citação muito interessante que diz o seguinte, e passo a citar.

Se as tuas habilidades emocionais não estiverem em dia, Se tu não tiveres autoconsciência, se não fores capaz de gerir emoções angustiantes, se não puderes ter empatia e teres relacionamentos eficazes, então não importa o quão inteligente tu sejas, tu não vais chegar muito longe. Esta afirmação é, no mínimo, surpreendente. e ele está a falar de duas coisas extraordinariamente importantes. Ele está a falar das tuas habilidades emocionais, da tua autoconsciência e da tua gestão de emoções. Se nós pudéssemos traduzir isto em termos práticos, ele estaria a dizer que tu tens que perceber o que são emoções, qual é o impacto que elas têm em ti, como geri-las e como identificá-las.

Mas depois ele diz que não importa quão inteligente tu sejas, se tu não conseguires fazer isto, Tu estás com uma elevada probabilidade de lidar com um sucesso em várias dimensões da tua vida. Então ele está a falar do quê? Ele está a falar dos relacionamentos, está a falar da empatia, está a falar da construção emocional. Mas ele está a falar de algo, ele está a falar da intencionalidade do comportamento. Ou seja, é aquela velha máxima. Como é que eu poderei chegar a um sítio que eu não sei para onde ir? Ou melhor, como é que eu posso atingir algo que eu não tenho definido? Então, quando nós olhamos para esta questão da inteligência emocional, em primeiro lugar temos que sair um bocadinho da caixa e perceber que nós não estamos numa perspectiva descritiva de emoções.

Nós estamos numa perspectiva de reflexão. numa perspectiva de perceber qual é o impacto que elas têm em mim, como é que o meu corpo funciona, quais as consequências no meu comportamento e de que maneira é que eu posso vir de encontro a adaptar isto, a gerir isto de forma mais saudável. É o que em termos clínicos chamamos de processo de autorregulação. Muito bem. Estavas a falar e eu gostava de me lembrar também deste nosso manual de estudos, porque é em relação a este assunto que trazemos hoje e que refletimos hoje, a questão da inteligência emocional. Este manual de estudos, portanto, Sentimentos, a Ciência do Existir, pode proporcionar para si e trará para si estes assuntos e outros que nós já temos falado também noutros episódios.

que pode acompanhar aí em casa, porque lhe podemos enviar gratuitamente. Basta apenas enviar uma mensagem para o 933 939291 e nós teremos toda a alegria e o prazer de poder enviar para si este mesmo manual.

Autorregulação e comportamento

Portanto, é gratuito para si e para os seus queridos e, portanto, não deixe de escrever, não deixe de pedir, porque é sempre uma mais-valia e é uma formação, uma autoformação com este manual de estudo tão interessante. Cristina, estava a pensar, enquanto estavas a falar realmente sobre esta questão, e é pertinente, porque durante muitos anos só esta questão do coeficiente de inteligência é que falávamos e aprendemos a pensar nisso e a falar sobre isso e a refletir sobre isso, e ser agora acrescentada à questão do coeficiente emocional. também é isso, faz-me pensar que talvez nós não temos conseguido gerir muito bem, até por vezes, aquilo que nós ambicionámos, por exemplo, para os nossos filhos nas escolas, porque a questão tem sido muito centrada na questão do coeficiente de inteligência.

e nem sempre atentos e tendo esta sensibilidade para perceber qual é o seu coeficiente emocional, porque ele está inerente e está ali junto a esse coeficiente. Porque nem sempre todo o futuro profissional está ligado só à questão do coeficiente de inteligência. Às vezes pode estar ligado até mais a uma questão emocional, não é? Nem todos nascemos para ser exatos, matemáticos exatos, não é? Há pouco tempo eu li um artigo muito interessante para não exigir dos filhos que eles podem estar a crescer para ser qualquer outra coisa que não é aquilo que eu imaginei que queria que ele fosse, não é? Portanto, esta questão do cofício, ou seja, a inteligência emocional, é um aprendizado. Ou seja, nós temos que aprender sobre isso, mesmo em nós próprios e naqueles que nos rodeiam, porque é algo de pertinente e que inevitavelmente está a incidir sobre a nossa vida.

E tu sabes que tu estavas a dar esse exemplo, por exemplo, nem todos nascemos com a mesma competência, por exemplo, matemática ou isto ou aquilo. Mas pensa comigo, quando nós temos pessoas na área da saúde que procuram ajuda a determinado nível, não é pela questão da aquisição do conhecimento, é pela questão das relações. Portanto, eu posso efetivamente ser uma pessoa com uma competência incrível numa determinada dimensão, isso não significa que eu seja feliz, que eu seja plena, que eu não me sinta... que não me falte algo, porque nós somos seres relacionados. Então esta questão da inteligência emocional, ela é muito mais vasta do que a classificação que nós lhe queremos atribuir.

E este processo de autorregulação, o que é que a ciência nos vem demonstrar? É que é um processo gradativo ao longo do tempo, e é um processo de maturação, e a verdade é que nos ajuda a fazer algo que é extremamente importante, que tem a ver com a modulação do nosso comportamento. E eu gostava de te dar aqui um exemplo muito simples. Imagina que eu tenho uma sala com crianças, na faixa etária dos dois anos, e estão a brincar. E uma criança, a criança A, olha para a criança B e vê que a criança B tem um brinquedo que ela quer. A criança A vai lá e tira-lhe o brinquedo. Normalmente tira-lhe o brinquedo e nós olhamos como adultos e dizemos, ah, mas não se faz, que menino mal educado, que isto, que aquilo.

Nós iremos ter a oportunidade de falar sobre esta questão das diferentes fases do crescimento e percebermos que neste contexto em particular, isto faz parte de uma característica do crescimento das crianças. Não quero com isto dizer que o comportamento é justificável. Portanto, teremos que ajudar a criança a desenvolver um mecanismo de autorregulação e outro comportamento. Mas agora imagina que temos exatamente o mesmo exemplo e estamos numa sala com jovens adultos com 20 anos, suponhamos. E o jovem adulto A vê que o jovem adulto B tem algo que lhe interessa. Porque normalmente tu não vês o jovem ir lá arrancar as coisas da mão. E por quê? Porque a pessoa foi aprendendo a modelar o seu comportamento em função do seu ambiente e em função da sua consciência emocional.

Por outro lado, o que é que a ciência tem demonstrado? Pessoas que têm dificuldades ao nível destes comportamentos de autorregulação, e autorregulação em termos práticos é o quê? É a capacidade de tu gerir e controlar as tuas emoções e as tuas ações. É isto, de uma forma muito simplista. Então, pessoas que têm dificuldade em pôr isto em prática, em evoluir no conhecimento e na aprendizagem em relação a esta situação, apresentam dificuldades de problemas interpessoais. É um fator de risco para o abuso de substâncias, porque as pessoas têm dificuldade em lidar, por exemplo, com a frustração ou com a perda. É um fator de risco para transtornos emocionais, como a depressão ou a ansiedade.

E conduz muitas vezes àquilo que nós chamamos de comportamentos de impulsividade e agressividade. Portanto, nós não estamos a falar de algo que seja apenas uma ideia do acho que. Por outro lado, às vezes as pessoas pensam que isto é uma coisa muito complexa. Não é. Eu vou vos dar três exemplos. de mecanismos de autorregulação que acontecem no nosso dia-a-dia. Nós não estamos é conscientes deles. Por exemplo, imagina autorregulação no âmbito do comportamento. Vamos supor que eu decido que tenho que cuidar melhor da minha saúde. Ok, o que é que eu vou fazer? Vou começar a prática de exercício físico, ter mais cuidado com a alimentação, planificar as minhas refeições, tentar não ter em casa alimentos que sejam mais predispostos a um consumo abusivo, pronto.

Agora imagina que o despertador de toca são seis da manhã e tenho que sair da cama para ir fazer exercício. Eu não vou ter o resultado daquele exercício imediato. A maior parte de nós vai querer continuar na cama. Porquê? Porque o nosso cérebro pretende a gratificação imediata. O nosso centro de recompensa é isso que deseja. Então estás a dizer que eu estou disponível para adiar uma gratificação imediata, para vir a obter uma gratificação que no tempo estimado, que pode corresponder ou não à ideia que eu tenho, mas será melhor, é um exemplo de autorregulação. Outro exemplo de autorregulação no âmbito da aprendizagem. Imagina que eu sou uma jovem que estou a estudar e me apercebo que tenho dificuldade numa matéria em concreto.

Não importa se é português, se é matemática, se é inglês. E percebo que ou eu tento ter um comportamento um bocadinho diferente ou os resultados não vão ser diferentes. Então eu tenho que me preparar melhor. Eu tenho que rever a matéria após cada aula. Eu poderei eventualmente até ter necessidade de explicações. Mas a verdade é que os meus amigos estão lá fora a divertir-se. Mas como eu tenho um objectivo, eu estou a autorregular uma consequência imediata para uma consequência futura. Um exemplo típico de autorregulação emocional, para podermos continuar com este assunto. Imagina que eu chego a casa e tive um dia mau. Todos nós temos aqueles dias que dizemos, ó, mais valia não ter saído da cama.

Tudo correu do avesso. E estou, efetivamente, ainda sob a influência deste dia mau. Chego a casa e o meu filho pequenino começa a fazer disparates e uma birra e pronto. A verdade é que a nossa reação natural é reagir em cima do acontecimento e da frustração. Mas agora imagina que eu estou mais consciente para isto e percebo que, calma, tu tiveste um dia mau. Então, seja o que tu for que vais fazer agora, não vai ter bom resultado, nem para ti nem para ele. Então, às tantas, vamos criar aqui algum distanciamento. Claro que também depende da situação pela qual estamos a lidar. Será que eu consigo pedir ajuda a alguém? Será que isto tem que ser resolvido já? Eu não posso afastar um bocadinho para recuperar aqui um pouco?

O que é que eu estou a fazer? Eu estou a distanciar-me da situação, embora emocionalmente a minha vontade seja reagir sobre a frustração. Mas estás a ser inteligente. Exatamente. E isto é um processo milúvio. Por que é que eu dei estes exemplos? Porque às vezes nós achamos que é uma coisa muito complexa de se fazer. Não é. Nós fazemos isto diariamente. Mas as consequências disto, porque não estamos sensíveis nem despertos para esta

Impacto das emoções

situação, são profundas. E de uma forma muito rápida, porque nós vamos ter oportunidade de falar nos próximos episódios sobre as emoções em concreto. De uma forma muito rápida deixando de partilhar contigo A autorregulação, quando este mecanismo é investigado no âmbito da ciência, é uma componente fundamental dentro da inteligência emocional, mas ela é composta por vários fatores. Autoconsciência, automotivação, autocontrolo, mas tem duas características que eu acho que são complementares, mas são incríveis. Uma delas tem a ver com a tua flexibilidade mental. Ou seja, teres consciência das tuas emoções, do impacto que elas têm em ti, da forma como te levam a reagir, ajuda-te a fazer uma adaptação ao meio de forma mais inteligente.

Porquê? Porque o nosso meio está em constante mudança. Tu tens uma criança que foi criada com os avós até aos três anos. Depois, aos três anos, entrou para o infantário. Depois, entrou para a pré-primária. Depois, entrou para a escolinha. esta criança está sempre a ser sujeita a alterações ao seu contexto. Ela tem ou não tem que ajustar? Agora imagina, por exemplo, uma outra característica deste mecanismo de autorregulação tem a ver com a inibição comportamental. O que é que é a inibição comportamental? É tu travares um comportamento e substituires por outro mais adequado. Um exemplo do senso comum. Na minha casa entra-se e não se tira o calçado, por exemplo. Na casa do meu amigo entra-se e tira-se o calçado.

A minha tendência natural é agir de acordo com os princípios de aprendizagem que eu tive. Mas eu estou a inibir um comportamento em função daquilo que eu percebo que o meio traz de frente. Agora, aqueles que nos estão a ouvir e a pensar poderão perguntar qual é o impacto disto em nós, porque tivéssemos exemplos do senso comum. Há bem pouco tempo eu falava com uma jovem, faz certa área dos 21, 22 anos, estudante universitária. Está a passar por um período de grande desmotivação, tristeza, apatia, ansiedade. E a determinada altura, na nossa conversa, ela faz-me esta pergunta. Olha, eu estando assim posso namorar?

E eu tentei clarificar o que é que é estando assim. Estando assim como? Assim, triste, sem vontade de fazer nada. E quando exploramos a situação, basicamente a ideia que ela tinha era se ela ia contagiar a outra pessoa. Como se eu estivesse aqui a dizer-lhe, olha, não tragas o teu filho a minha casa porque ele tem varicela e vai contagiar. Agora a pergunta que eu te coloco é, Qual é o impacto prático no dia-a-dia desta jovem se ela continuar a olhar para isto na perspectiva de o que eu tenho é contagioso e vai contagiar as pessoas à minha volta? Nomeadamente o fato de estar triste, ansiosa e desmotivada. Isola-se. Isola-se.

Baixa autoestima. Uma culpa profunda. A questão da percepção de ineficácia. Agora vamos fazer a pergunta um bocadinho ao contrário. Qual será o impacto prático para o dia-a-dia desta jovem se ela aprender a olhar para a tristeza com normalidade e perceber que faz parte do fluxo normal do nosso dia-a-dia? Terá o mesmo impacto? De todo, não vai ter. Então, falar de inteligência emocional é algo muito mais abrangente do que a descrição de emoções. Tem este nível de impacto e nós vamos ter a oportunidade de o ver com mais calma. tem a ver com aquilo que, em última instância, sejam processos psicoterapêuticos, sejam intervenções da medicina, por exemplo, até do estilo de vida, sejam intervenções até no âmbito farmacológico, procuram que a pessoa entre no que nós chamamos de estado de regulação emocional.

É, sem dúvida, um campo bastante alargado e, com certeza, nos próximos

Encerramento

episódios, nós daremos continuidade. Estavas a falar e eu estava-me a recordar de um versículo que nós encontramos do apóstolo Paulo, no livro de 2 Coríntios, no capítulo 10, no sentido de aprendermos a gerir e a entender esta questão da nossa necessidade e desta inteligência emocional que precisa de ser aprendida, assim como nós aprendemos a gerir outras coisas da vida. é interessante que nós não temos muita hipótese de aprender sobre isto, na questão emocional. Temos muita hipótese na escola e todos os nossos anos que passamos a nível escolar de aprender no coeficiente de inteligência, e é muito desenvolvido, e esta questão da inteligência emocional nem sempre, e muito pouco a gente desenvolve, e realmente faz parte do nosso dia-a-dia.

E estava-me a recordar deste versículo, que é nada mais nada menos uma grande ajuda, para nós aprendermos a conhecermos a nós próprios e a gerirmos da melhor forma a nossa inteligência emocional. Quando o Senhor diz assim, toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus e leve em cativo todo o vosso pensamento à obediência a Cristo. E eu acho isto maravilhoso. Ou seja, nos nossos desafios do dia-a-dia, também passa por levar as nossas emoções, essa tal inteligência emocional, que ativa o nosso pensamento ao Senhor Jesus. E Ele nos dará, sem dúvida, a ajuda necessária que nós precisamos para cada dia. Obrigada, Cristina, mais uma vez. Até o próximo episódio.

E ficamos por aqui hoje. Desejamos muito que o Senhor continue a trabalhar na sua vida, na vida daqueles que ama e na graça do Senhor. Nos encontraremos na próxima semana, se Deus quiser. Até lá.

Sobre este episódio

Neste episódio, mergulhamos no fascinante universo da inteligência emocional, um conceito que se tornou crucial para o nosso bem-estar e sucesso na vida. Desafiamos a noção de que apenas o Quociente de Inteligência (QI) define as nossas capacidades, explorando como a capacidade de gerir emoções pode ser ainda mais determinante para a nossa jornada pessoal e profissional. Descubra a visão de Daniel Goleman e outros especialistas sobre como a inteligência vai muito além das competências cognitivas e por que é que a sociedade, mais do que nunca, se volta para a compreensão das nossas emoções. Prepare-se para refletir sobre o impacto que a sua inteligência emocional tem na sua vida diária. Abordamos tópicos essenciais que o convidarão a repensar as suas interações e a forma como lida consigo próprio e com os outros: * A distinção entre inteligência e esperteza. * O papel transformador da experiência na inteligência. * A relevância do Quociente Emocional (QE) para o sucesso. * Autoconsciência e gestão de emoções como pilares de relacionamentos eficazes. * A auto-regulação emocional: um caminho para a adaptação inteligente. * As consequências de uma inteligência emocional subdesenvolvida. * Flexibilidade mental e inibição comportamental como ferramentas essenciais.

Série
Mentes que Sentem · 50 episódios
Temporada e episódio
Temporada 1 · Episódio 18
Estreou
02 de Setembro de 2025
Categoria
Saúde