28:30Mais uma vez, muito bem-vindo a mais um Médico de Família. E hoje volto a estar na companhia da Dra. Eunice Parcelas. Eunice, mais uma vez, bem-vinda. Obrigada. Já tínhamos prometido no programa lá atrás que hoje voltaríamos à questão da anemia. E hoje, mais concretamente, a anemia por déficit de ferro. Enfim, conhecida como anemia ferropénica. Apesar deste palavrão, queres começar por nos explicar o que é isto? Portanto, a anemia ferropénica é uma anemia que é causada pelo déficit de ferro. Anemia por si só, nós já falámos no programa anterior, portanto, significa que temos uma hemoglobina diminuída, o que traduz uma diminuição dos glóbulos vermelhos no nosso corpo e, portanto, está comprometido aqui o fornecimento de oxigênio às nossas células, aos nossos tecidos, aos nossos órgãos.
Normalmente, diagnostica-se quando temos uma hemoglobina abaixo de 12 nas mulheres, ou abaixo de 11 de forma grávida, sendo que no segundo trimestre é abaixo de 10,5, ou quando temos uma hemoglobina abaixo de 13 nos homens. Isto acontece porque os homens, como têm uma maior quantidade de testosterona, há uma maior produção da hormona que produz os glóbulos vermelhos, que é a eritropoetina, e os homens também têm mais massa muscular, portanto têm mais necessidades de oxigênio nos seus tecidos e, portanto, têm uma hemoglobina normalmente superior à das mulheres. Portanto, aqui o diagnóstico é diferente de um para o outro. E, portanto, ferropénica significa que é devido ao déficit de ferro. O déficit de ferro pode existir porque há uma diminuição da ingestão, do consumo de alimentos com ferro, porque há um aumento das perdas de ferro ou porque há uma diminuição da absorção desse ferro no organismo, basicamente.
Há aqui uma, eu diria, não sei se é mito ou se é verdade, mas a noção de que isto só acontece nas grávidas ou então nos vegetarianos. Explica-nos lá um pouquinho esta história. A anemia ferropénica é a causa mais comum de anemia, portanto mais de 50% dos casos de anemia são devido à falta de ferro e também já vimos no programa anterior que a anemia é um problema muito prevalente. 25% do mundo inteiro sofre de anemia, cerca de 2 bilhões de pessoas, portanto é muita gente a sofrer de anemia e mais de 50% é causado por falta de ferro. Até se estima que em Portugal cerca de 32% da população tem déficit de ferro. E muitos não sabem, não é? E muitos não sabem, exatamente.
Portanto, desses 32% que têm déficit de ferro, a maior parte não são vegetarianos nem grávidas. Portanto, a maior parte das pessoas que têm anemia ferropénica Não é devido à gravidez, nem é devido ao vegetarianismo. Não quer dizer que essas condições não aumentem a predisposição de ter uma anemia ferropénica, claro que sim. A gravidez, por ser um estado em que há maior consumo do ferro, há um aumento das necessidades de ferro, porque ele é utilizado na formação do bebê, do embrião, do feto. e na alimentação mais tendencialmente vegetariana ou mesmo vegetariana estrita realmente há uma diminuição da absorção do ferro. Porquê? Porque há dois tipos de ferro e podemos abordar esse tema dos tipos de ferro que é o ferro-m e o ferro-não-m.
O ferro-m é um ferro que só existe nos alimentos de origem animal. Portanto, existe na carne, existe no peixe, existe nos ovos, nos laticínios. O ferro não heme. É o ferro que existe nos vegetais e, portanto, a sua absorção é um bocadinho diferente. Enquanto que o ferro heme, portanto, o ferro dos alimentos de origem animal, mesmo que seja pouco, sabemos que alguns alimentos de origem animal não têm muito ferro. Por exemplo, a carne vermelha tem muito ferro, mas há alguns tipos de peixe que não têm muito ferro. Mas esse ferro é como se tivesse ali uma via verde dentro do nosso intestino, ele vai rapidamente para a corrente sanguínea. Por outro lado, o ferro de origem vegetal, o ferro não-heme, ele precisa ali de alguns transportadores especiais e ele é muito influenciado por alguns nutrientes e algumas questões que diminuem a sua absorção.
E, portanto, se bem que a quantidade de ferro possa ser otimizada nos vegetarianos, eles realmente há uma predisposição maior para tal, se não for uma alimentação cuidada, porque tem que se fazer aqui uma conjugação de alguns alimentos e evitar outros. Para que possa ser absorvido também. Exatamente. Mas vamos falar disso depois mais à frente. Eu queria que abordássemos esta questão, é verdade que já falámos um pouquinho no programa anterior, mas os sintomas mais frequentes na anemia por falta de
ferro são em tudo semelhantes às outras anemias, mantendo esta curiosidade que podem ser graves, ligeiros ou até mesmo sem sintomas, não é? Como é que se diagnostica? Portanto, o diagnóstico da anemia, já falámos, é através da hemoglobina, não é? Portanto, uma hemoglobina inferior a certos limites e isso vê-se num hemograma, portanto, numa análise muito frequente que se faz, não é? A maior parte das pessoas que já foi ao médico, espero que todas, já fizeram um hemograma e aí diagnostica-se a anemia. Como já falámos, é muito importante investigar a causa da anemia, porque a anemia é uma doença por si só, mas é uma manifestação de outra doença. E, portanto, para diagnosticarmos se há anemia ferropénica ou se há outra causa, nós temos que fazer alguns exames, algumas análises, também a observação clínica, a história clínica.
Portanto, quando se vai ao médico há toda essa avaliação. Mas, portanto, uma análise importante para perceber se é devido à falta de ferro ou não é o estudo do ferro. Portanto, também nas análises. A ferritina e outros parâmetros. Não somente o ferro cérico. Na verdade, é também o mito de que o ferro cérico, aquele ferro que nós vemos nas análises, que é extremamente importante para diagnosticar a anemia ferropénica e nem sempre. Portanto, é mais a ferritina, a saturação da transferrina, portanto, e ali outros fatores. E também no hemograma, já dá para dar algumas evidências da presença de falta de ferro. E quanto aos sintomas, a anemia ferropénica tem algum tipo de sintomas diferenciados das outras anomias ou são os mesmos?
O déficit de ferro, por si só, pode dar sintomas. Portanto, imaginemos que de repente nós temos alguma condição e começamos a comer menos, menos quantidade. Podemos desenvolver essa falta de ferro, esse déficit de ferro, progressivamente. Ou, por exemplo, estamos a perder sangue continuamente por um problema no intestino. Estamos a perder sangue. É uma torneira que está aberta, está a pingar, a pingar, a pingar. Nós não reparamos, mas ao fim de um ano enche uma banheira. Esses sintomas podem não ser percebidos, eles são muito tenos e ocorrem ao longo do tempo e podem só ser percebidos numa fase em que dá anemia. Esta perda de ferro pode levar ao défice de ferro.
e pode levar a esse déficit de ferro antes de haver anemia. A anemia pode ocorrer só depois quando há um certo déficit de ferro. Já se usou as reservas para fazer mais glóbulos vermelhos, para produzir mais glóbulos vermelhos e só quando não há o ferro suficiente para produzir glóbulos vermelhos é que há menos glóbulos vermelhos. Mesmo antes de haver anemia pode haver alguns sintomas. A falta de ferro em si pode dar alguns sintomas. Pode dar também algum cansaço, pode dar também alguma queda de cabelo, as unhas mais frágeis. Isso pode acontecer não só pela anemia, mas também porque o ferro é muito útil em alguns mecanismos vitais. Ele é importante aqui na formação da matriz do cabelo, das unhas, etc. Pode também dar esses sintomas e depois a anemia ferropénica pode dar praticamente todos os sintomas da anemia.
Pode dar o cansaço, pode dar a falta de ar, pode dar a fadiga muscular, pode dar as palpitações, o coração a bater muito depressa. Muitas vezes as pessoas se referem à eu subi este lance de escada tão bem e agora sinto-me tão... Sinto-me tão ofegante. Não consigo respirar, não consigo respirar a fundo. Sinto assim uma sensação e o coração a bater muito depressa. Qualquer esforço dá o coração a bater muito depressa. Ou, por exemplo, a pessoa levanta-se muito depressa, muito de repente e sente aquelas tonturas, não é? Isso é o nosso corpo a tentar adaptar-se a uma nova posição, que ele o faz de forma natural, mas quando há anemia essa adaptação demora um bocadinho mais, não é? E, portanto, há aqui mais dificuldade em levar o oxigênio e o sangue aos sítios certos.
e, portanto, pode haver os sintomas da doença de base. É muito importante perceber o que é que está por trás desta anemia ferropénica, este défice de ferro, e pode haver os sintomas relacionados com isso. Falaremos mais tarde disso, não sei. Muito bem. Olha, então antes de nós continuarmos, até porque quero também perceber a importância de tratar também a doença que está na raiz do problema, mas se me permites vamos fazer uma pequenina pausa só para oferecer a revista, o guia de estudo, a máquina humana para quem está do outro lado, quer dos microfones, quer das câmaras. E, sobretudo, lembro agora de todos aqueles que nos escutam através da rádio, que também nos podem acompanhar através da televisão, no canal 186 da Mel, onde estamos também a transmitir.
E, como estava a dizer, então, se quiser receber esta revista, A Máquina Humana, um conjunto de vários estudos onde trazem muitas dicas práticas para um estilo de vida saudável, mas também mostram a vontade de Deus para a sua vida, para que tenha uma vida plena e com saúde. E é totalmente gratuita. O que tem a fazer é apenas enviar-nos uma mensagem para o número de telefone já habitual, o 933-939291. Vou repetir. 933-939291. Basta ser uma mensagem a dizer Máquina Humana para sabermos que é este o guia de estudo a que se refere e depois enviaremos gratuitamente este guia de estudo para a sua casa. Vamos voltar à nossa conversa e estávamos a falar precisamente sobre a questão do déficit de ferro e mencionaste também as consequências, mas isso mostra que é
extremamente importante perceber o que é que está a causar esta carência de ferro, qual é a causa, ir à raiz do problema para depois resolver a questão da anemia. Exatamente. Exatamente, Daniela. E, portanto, há várias causas que podem levar a essa diminuição do ferro. E quando nós falamos do ferro, nós falamos do ferro no corpo, não necessariamente do ferro no sangue ou nos tecidos. Portanto, há ferro em circulação e há ferro nos tecidos, não é? Portanto, nós temos o fígado que tem uma grande quantidade de ferro, o ferro está nos tecidos, está reservado para quando é necessário. E, portanto, quer a diminuição das reservas, quer a diminuição da circulação do ferro, podem traduzir essa diminuição.
E, portanto, o que é que pode levar à diminuição do ferro, propriamente isso? Aquela que nós podemos falar primeiro, que é muito comum, é a diminuição do aporte. Portanto, eu vou ingerir menos ferro. O ferro é um micronutriente muito importante, como já falámos, essencial à formação da hemoglobina, para transportar o oxigênio a todas as nossas células. Mas ele adquire-se através da alimentação. É através da alimentação que nós vamos pescar o ferro, os tais dois tipos de ferro. Mas o que interessa é o ferro, o produto final que entra dentro do nosso sangue e depois dos nossos tecidos. Se nós, portanto, diminuirmos a ingestão desse ferro, nós diminuímos, há uma tendência mais para déficit de ferro. Como é que se pode diminuir essa ingestão, portanto?
Numa dieta hipocalórica, uma pessoa está a tentar perder peso, come menos ou come menos calorias, há aqui mais risco para déficit de ferro. ou então alterar para uma alimentação que tem menos ferro. Portanto, consumo de menos alimentos com... ricos em ferro. Nas pessoas idosas, por exemplo, isto é muito comum. Nas pessoas que vivem sozinhas, ou as pessoas que não fazem uma alimentação tão estruturada, há aqui mais esta tendência. Ah, eu não janto! E depois é aquele pãozinho, aquela manteiguinha ou queijinho e são realmente refeições que acabam por encher o estômago, mas têm muito pouco ferro. Portanto, são pouco nutritivas e realmente há aqui essa... há esse risco de desenvolver ferropénia, que é o déficit de ferro. Depois há certos regimes alimentares, por exemplo, a alimentação tendencialmente vegetariana ou mais vegetariana, se for menos cuidada, se não for planeada, pensada, realmente pode potenciar o déficit de ferro porque o ferro não é tão bem absorvido.
Mas há muitas estratégias que se podem utilizar para que esse ferro seja melhor absorvido e, aumentando um pouco o consumo de ferro, não haja problema nenhum e seja perfeitamente possível ter uma alimentação vegetariana sem ter défice de ferro. Mas precisa ser cuidada, como disseste, e desculpe falar de ser interrompido, porque muitas pessoas têm noção que por estarem a ingerir alimentos vegetarianos que sabem que têm ferro, que têm o problema resolvido. O problema é que eles têm que ser complementados com outros alimentos para que haja essa absorção por parte do organismo. Exatamente, exatamente. Já vamos falar disso um pouco mais tarde. Realmente aqui nas causas de ferro que nós devemos terem em conta e quando a pessoa vai ao médico isto é tudo pensado e planeado.
Como vimos, a diminuição da ingestão do ferro pode levar à diminuição do ferro em si, portanto é muito importante as pessoas terem atenção a isso. Se estão a ingerir o ferro suficiente e as tais questões que já vamos falar da absorção, Depois, podem ver condições em que existe um aumento das necessidades, como por exemplo a gravidez. Como já falámos, na gravidez há aumento das necessidades, então se a pessoa vai consumir a mesma quantidade de ferro que consumia antes, vai haver mais tendência para o déficit de ferro, porque as necessidades vão ser maiores, vai ser mais ferro utilizado. Está a ser partilhado, não é? Exatamente. Portanto, a prioridade é o bebê numa gravidez. E, portanto, o bebê não sofre de falta de ferro. Muitas vezes fica a mãe com anemia, com falta de ferro. Mesmo que aqui na gravidez o limiar seja maior.
Portanto, só com 11 de hemoglobina, abaixo de 11, é que a pessoa está com anemia. Mas, portanto, o bebê é poupado. Tal como os nossos órgãos mais nobres também são poupados quando há anemia, não é? O cérebro e o coração são poupados. Aqui também o bebê é aquele que é logo poupado. E depois há outras situações em que há um aumento das necessidades do ferro, como por exemplo num crescimento acelerado. Ali, por exemplo, dos 6 aos 12 meses de vida, há um crescimento acelerado das células, portanto os bebés crescem muito dos 6 aos 12 meses. E, portanto, sabe-se que há um período que há, portanto, mais tendência para o déficit de ferro. Até há países onde se faz o reforço a todas as crianças do ferro oral. Em Portugal não é obrigatório, é só naquelas populações de mais risco.
Mas também há vigilância, não é? Exatamente, sim. É assim, não se faz análise, mas quando há algum sintoma, aí sim ou suplementa-se mesmo sem fazer análise, não é? Portanto, se for um bebê que come muito mal, que come muito pouco, que come poucos alimentos com ferro, lá está os vegetarianos ou vegetarianos mais estritos, aqui também pode ser importante fazer a suplementação nesta fase da vida. E depois temos a diminuição do ferro pela diminuição da absorção. Portanto, há muitas situações em que há uma diminuição da absorção do ferro. Doenças autoimunas, doenças inflamatórias intestinais, a doença celíaca, também a doença de Crohn pode originar a diminuição da absorção. Por exemplo, a cirurgia bariátrica, pessoas que foram submetidas à cirurgia de obesidade, a cirurgia bariátrica faz um bypass, ou seja, No fundo, o trânsito intestinal vai do estômago e vai diretamente para uma parte mais longe do intestino.
Ou seja, há ali uma parte em que se faz um atalho. Basicamente é isso, é um atalho. E aquela parte do atalho é a parte mais importante para absorver o ferro. Portanto, ali a parte do ODN e da parte inicial do jejune, portanto do nosso intestino delgado, aquela parte muito no início, logo a seguir ao estômago, Essa parte é muito importante para a absorção do ferro. E quando essa parte onde os alimentos não estão a passar, porque está-se a fazer um atalho, a diminuição do ferro ocorre porque há a diminuição da absorção. E isso, no fundo, é um mecanismo que é importante para a cirurgia bariátrica porque é isso mesmo que vai fazer funcionar. A pessoa vai comer menos porque fica mais facilmente saciada. e a digestão vai ser mais rápida e há uma diminuição da absorção dos nutrientes.
Que normalmente também às vezes é conhecida e às vezes também é compensada automaticamente através da medicação, não é? Normalmente quando se percebe que há essa cirurgia, há essa vigilância e logo é esse reforço. Há um reforço de alguns nutrientes, muitas vezes de ferro, e por vezes o ferro oral não é suficiente, tem que se fazer mesmo ferro na veia, ferro endovenoso, porque a absorção realmente está comprometida, mesmo que a quantidade de ferro esteja lá. Depois temos outras situações em que há a diminuição do ferro por perda. Portanto, a única forma de perder ferro é perda de sangue, porque o ferro, lá está como falámos, ele tem um mecanismo no nosso corpo de reciclagem, de reutilização e a forma de o perder realmente é perder sangue. Por isso é que uma das formas, a forma mais fácil de tirarmos o ferro do corpo quando aferra mais, é fazer uma sangria, é tirar sangue.
Não parece nada agradável mesmo, vindo da boca. Temos muitos exemplos a fazer. Mas sim, quando há excesso de ferro ou excesso de glóbulos vermelhos, que é o contrário do que estamos a falar, é um tratamento que se faz, é tirar sangue. Porque ao tirar-se sangue, é como uma dádiva de sangue, não é? Já parece mais simpático. Já parece mais simpático, não é? Porque aí é com o objetivo importante ajudar o outro, não é? Aqui, realmente, retira-se ferro do corpo. E, portanto, numa perda de sangue, especialmente se for aguda, Há muitos sintomas, não é? Se for uma perda de sangue aguda, a pessoa de repente tem um acidente e perde meio litro de sangue. Uma hemorragia. Uma hemorragia, exatamente. Perde meio litro de sangue. Há muitos sintomas associados. O corpo está a tentar compensar aquela perda e há muitos sintomas agudos da anemia. Se for uma coisa crónica, uma perda ligeira, um bocadinho mais todos os dias, não há tanta percepção, às vezes só a longo prazo.
Mas, portanto, esta perda de sangue, quer seja aguda, quer seja crónica, pode levar ao défice de ferro. Por exemplo, as mulheres já perdem todos os meses sangue, não é? Naturalmente. Por isso é que as mulheres também têm uma hemoglobina mais baixa que os homens, não é? Porque as mulheres, para além daquelas questões que falámos das hormonas, da testosterona, da massa muscular, etc., as mulheres também perdem sangue todos os meses e, portanto, têm uma hemoglobina mais baixa, não é? Mas se houver um aumento destas perdas menstruais, por um mioma ou por outro mecanismo que esteja a comprometer, portanto no útero, por exemplo, pode haver realmente anemia devido a este déficit de ferro. E há outras situações que podem levar a uma perda de sangue crónica, por exemplo, problemas urológicos, em que há uma perda de sangue através da urina, problemas gastrointestinais, por exemplo, uma úlcera.
que pode levar a uma perda de sangue crónica, mesmo que seja em pequena quantidade, varizes no esófago, portanto são como se fossem feridazinhas no esófago. Então, me desculpe pela atitude rompida. Mostra-nos que é bastante importante, sobretudo, prevenir essa falta de ferro e estarmos atentos. O que é que podemos fazer para garantir que não haja carência de ferro?
Pronto, realmente aqui em termos de estilo de vida, de alimentação, há algumas questões que podemos fazer. Mesmo que seja uma pessoa que consuma todo o tipo de alimentos, é importante ter atenção a algumas questões. A primeira questão é garantir o aporte adequado de alimentos com ferro. Portanto, os alimentos que têm mais ferro. Portanto, a carne vermelha realmente tem muito ferro. Não é a fonte que eu acho melhor para a saúde de ferro, mas realmente uma pessoa que já consome carne é importante terem atenção que é uma boa fonte de ferro, não é? As carnes vermelhas. Alguns peixes também, outros nem tanto, não têm tanto. Depois da origem vegetal e que são muito interessantes são as leguminosas. As leguminosas são ótimas para a saúde e têm muito ferro. Feijão, grão, lentilhas, têm imenso ferro.
Alguns vegetais, por exemplo, os espinafres, as folhas de beterraba, por exemplo, outros legumes de folha verde escura. Em coreano se tu disseste as folhas de beterraba e saltaste a beterrada quando sabemos que muitas vezes as mães quando querem pingir beterraba aos filhos para que eles gostem Come beterraba porque isso é muito rico em ferro, mas não necessariamente. Sim, na verdade a beterraba não é dos vegetais que têm mais ferro. Isso na verdade é um mito. A beterraba, claro que é um alimento ótimo e tem algum ferro, mas há vegetais que têm mais ferro. Os leguminosos têm muito mais ferro, por exemplo. Sim, exatamente. Às vezes a pessoa tem anemia e dizemos como carne e beterraba, que isso passa e por vezes não passa só por isso.
Por exemplo, o espinafre tem 3,6 miligramas de ferro por 100 gramas do alimento e a beterraba só tem 0,8. miligramas de ferro por 100 gramas do alimento e, portanto, é menos quantidade. Não quer dizer que não tenha, mas há alimentos que têm mais. Depois, outros alimentos que nós podemos incluir na nossa alimentação que também têm ferro. Os frutos secos, portanto, as originosas, cajus, nozes, amêndoas, etc. Algumas sementes também, as sementes de... Sésame, cânhamo, etc, linhaça, não têm muito mas se forem consumidas todos os dias e numa variedade é que há algum aporte de ferro. E depois é muito importante terem atenção que há alimentos que aumentam a absorção do ferro e há alimentos que diminuem a absorção do ferro. assim, de forma geral, alimentos que aumentam a absorção do ferro, a vitamina C.
A vitamina C é essencial. Portanto, vegetarianos, as fontes de ferro têm que estar sempre junto das fontes de vitamina C. Portanto, consumir uma laranja, uma tangerina, um kiwi, um pimento vermelho, com a refeição principal para aumentar a absorção do ferro que já vem dos outros alimentos e diminuir o consumo de alimentos que diminuem a absorção do ferro. Na refeição, por exemplo, um café depois da refeição diminui a absorção do ferro. Vinho tinta à refeição diminui a absorção do ferro. Chá, chá preto, chá vermelho, também diminui a absorção do ferro. Os laticínios à refeição. Comer um iogurte, comer queijo, comer manteiga com a refeição, como tem muito cálcio, diminui a absorção do ferro. Já percebemos porque é que há tanta falta de ferro, porque isso é bastante comum nas outras espações.
Exatamente, exatamente. É verdade. E depois alguns vegetais também podem, se tiverem muito cálcio, também pode haver uma diminuição da absorção do ferro. Se eu tiver alimentos com muito cálcio também pode haver essa diminuição. Ou muitos oxalatos, que estão, por exemplo, nos espinafres crus. Portanto, espinafres crus não é uma boa ideia. Espinafres cozidos. Muito bem. Já vimos então como a alimentação é fundamental para prevenir, mas também para curar. Quais são então as melhores estratégias? Como é que se pode curar?
Já percebemos que comer todos esses alimentos é por aí o caminho, mas o que é que a nível médico se faz para curar quem tem anemia? Imagino também que vá tratar o problema base, mas o que é que nos podes dizer sobre esse assunto? Portanto, temos uma anemia por défice de ferro, vamos falar da parte alimentar, pode não estar a ser cumprida. Para além da parte alimentar, vamos perceber se existe falta de ferro, vamos perceber porque é que existe a falta de ferro e vamos tentar perceber qual é que é a causa. Identificando a causa, por exemplo, miomas no útero, é por isso que a mulher está a perder mais sangue, é por isso que tem défice de ferro e anemia. Vamos tratar o mioma, vamos perceber se há alguma coisa a fazer. Se não houver nada a fazer ou mesmo que façamos, por vezes é muito importante se suplementar com ferro, medicar com ferro.
Há muitas formas de ferro oral, em ampolas, em comprimidos, em granulados, etc. Se não for suficiente ou se a pessoa não tolerar, há pessoas que têm alguns desconfortos, desconforto gastrointestinal, têm mais diarreia ou têm obstipação devido ao ferro oral, pode ser necessário mudar o ferro, portanto mudar a formulação do ferro ou mesmo fazer o ferro endovenoso. especialmente se não houver aqui uma boa absorção, como nos casos em que falámos de diminuição da absorção, pode ser muito importante o ferro endognoso, que é feito a nível hospitalar e com acompanhamento especializado adequado. A questão da transfusão de sangue, é transfusão de sangue normal ou é transfusão de sangue enriquecida com ferro? Porque sei que muitas vezes também se faz transfusão de sangue, sobretudo em questões rápidas, não é? Portanto, quando se fala de transfusão de ferro, não existe transfusão de ferro.
Ou existe ferro endovenoso. Quando nós levamos ferro, é ferro endovenoso. Ou a transfusão de concentrado eritrocitário. A transfusão de sangue, dita comum, que é aquele sangue vermelhinho, é a transfusão de concentrado eritrocitário. Ou seja, o nosso sangue é separado. são colhidos os eritrócitos, é um concentrado dos eritrócitos e está-se a dar esses eritrócitos, ou seja, está-se a dar os glóbulos vermelhos ali numa solução aditiva, etc., dá-se diretamente os glóbulos vermelhos à pessoa e, portanto, isso trata diretamente a anemia. Quando ela é grave ou quando tem sintomas ali a partir de um certo valor da hemoglobina, quando é necessário e mais nada funciona, ou quando é uma perda de sangue aguda e realmente é muito importante tratar de forma rápida, Há pessoas que chegam à agência com uma hemoglobina de 3 gramas por decilitro, 5, 6, portanto, muito graves, não é?
E aí é muito importante fazer uma transfusão de sangue, que é a única coisa que resolve de forma rápida a diminuição dos glóbulos vermelhos. E, portanto, a transfusão é de glóbulos vermelhos. Para terminar, em caso de anemia ou de sintomas, rapidamente, médico é ali que se trata o problema, é ali que se sabe o que se passa. Exatamente. Muito bem, quero agradecer mais uma vez. Voltamos a encontrarmos num próximo programa. Adeus, até breve. Para quem está desse lado, ainda não fechamos o programa porque ainda tenho a oferta habitual para lhe fazer da nossa revista, do nosso guia de estudo, A Máquina Humana. É um guia de estudo cheio de várias lições, dicas muito práticas, até como confeccionar os alimentos, por exemplo. Estes alimentos que mencionámos ao longo do programa de hoje e a sua importância estão também mencionados aqui nesta revista.
E tudo o que tenho que fazer para que possa estar a par de todos esses pormenores e de todas essas dicas de saúde é enviar-nos uma mensagem muito simples para o 933-939291. Vou repetir. 933-939291. E depois enviaremos a revista totalmente gratuita para si, para a sua casa, para que possa acompanhar e não só ter estas dicas práticas, mas também. saber a vontade de Deus. Ele que criou esta máquina humana sabe melhor que ninguém como devemos cuidar dela. Tudo isto então de uma forma gratuita. Antes de terminar quero dizer também que temos todo o gosto, toda a satisfação de poder receber as suas sugestões aqui para o médico de família.
Tem um problema? Gostaria de saber qual a melhor forma de o curar, de o tratar? Pois bem, A sua consulta está marcada aqui no Médico de Família. Faça-nos chegar a sua sugestão para o mesmo contacto que acabei de lhe dar. Dizer-lhe também que este programa e todos os outros, se não tiver oportunidade de o ver na íntegra, estão disponíveis em podcast na rádio rcs.novotempo.pt e inclusive pode subscrever os podcasts na rádio e depois recebê-los automaticamente no seu aparelho. Mais uma vez foi um prazer estar na sua companhia. Marcamos encontro para o próximo Médico de Família. Até lá, se Deus quiser.
Neste episódio de Médico de Família, vamos mergulhar no mundo da anemia ferropénica, um problema de saúde comum, mas muitas vezes mal compreendido. 🤔
Junte-se a nós para desmistificar esta condição, explorando o que é, quais são as suas causas subjacentes e como é diagnosticada. A Dra. Eunice Parcelas irá explicar de forma clara e acessível como o défice de ferro pode afetar a sua saúde e bem-estar. 🩸
Descubra a importância do ferro para o nosso organismo e como a sua falta pode levar a sintomas como fadiga, fraqueza e falta de ar. 🌬️ Vamos analisar os fatores de risco, incluindo a gravidez e dietas vegetarianas, e como estas condições podem aumentar a predisposição para a anemia ferropénica. 🤰🥦 Além disso, abordaremos as estratégias de prevenção e tratamento disponíveis, desde a alimentação equilibrada e suplementação de ferro até opções mais avançadas, como a transfusão de sangue. 🍎💊 Este episódio é essencial para quem procura entender melhor a anemia ferropénica e aprender a cuidar da sua saúde de forma informada e consciente. Junte-se a nós nesta jornada de descoberta e bem-estar! 💪