29:02Estamos de volta para trazer mais um médico de família. Bem-vindo a este que é o seu consultório da Novo Tempo Portugal. Comigo tenho, mais uma vez, doutora Cláudia Neves. Cláudia, mais uma vez, bem-vinda. Muito obrigada, é um prazer. E comprometido, voltamos a ter connosco o enfermeiro José Pedro, até porque ficámos a dever algumas coisas aos nossos ouvintes, aos nossos espectadores. Mais uma vez, bem-vindo. Muito obrigado, muito boa tarde a todos. Paola, este é o segundo programa que nós estamos a fazer sobre a questão concreta do pé diabético, mas antes do assunto que nos vai trazer à conversa hoje, pedi-te o favor de fazer um resumo daquilo que foi o episódio anterior. Falámos do conceito de pé diabético no contexto de uma das complicações da diabetes, uma doença cada vez mais comum no mundo e também no nosso país.
Pé diabético é uma complicação que leva a muitas amputações, a principal causa de amputações em Portugal. Pé diabético tem a ver realmente com os problemas da circulação do sangue, da parte neurológica, perder a sensibilidade, ter úlceras depois feridas que não cicatrizam. Vimos os sinais e sintomas e vimos realmente a importância da vigilância dos pés em qualquer diabético na sua unidade de saúde, no seu enfermeiro de família, o seu médico de família. E essa vigilância ao pé deve ser anual, se for um pé de baixo risco, semestral se for de médio risco e se for um pé de alto risco, três em três meses. Muito bem. Então, no programa anterior, por questões de tempo, não tivemos oportunidade de
falar sobre determinados assuntos. Um deles foi como prevenir. O que é que é possível fazer? Quando a pessoa já tem uma diabetes instalada, o principal de qualquer diabético é ter a diabetes controlada. Porquê? Porque quando nós temos uma diabetes controlada, o que é que isso implica? Níveis picos de açúcar, de glicose elevada no sangue. Isso é lesivo para os vasos sanguíneos e para todos os órgãos, em geral, sobretudo os órgãos álveos. e ter a diabetes controlada previne realmente também o pé diabético que está relacionado com o problema circulatório e neurológico. Outro fator que já vimos no programa anterior que também agrava o problema do pé diabético é a tensão arterial. Então esta tensão deve estar controlada.
Voltando um bocadinho atrás, o que é que é uma diabetes controlada? Já falámos aqui em programas anteriores da diabetes. É uma análise que nós pedimos, pelo menos semestralmente, a todos os diabéticos, que é a hemoglobina glicada. É como se fosse a quantidade de açúcar que está agarrada aos globos vermelhos que circulam no sangue e dá uma média dos últimos meses. Dá um valor percentual e tem de estar abaixo de 6,5, num diabético considerado controlado. Tensão arterial abaixo dos 140-90, que as pessoas vulgarmente dizem os 14-9. Num diabético ainda um bocadinho menos. Colesterol também deve estar controlado, que num diabético nós somos mais exigentes. diabetes, maior risco de complicações dos vasos sanguíneos, colesterol vai somar esse problema e o risco de obstrução.
Então, num diabético, o colesterol total tem que estar abaixo dos 170. Não é aquilo que vulgarmente as pessoas chamam os 200, não. Abaixo dos 170 o total. Depois, dependendo da história de cada pessoa, O mau colesterol pode ter que estar ainda mais baixo, porque o mau supostamente devia estar abaixo dos 100. Nalguns diabéticos tem que estar abaixo de 70 e nalguns abaixo dos 55. O mau colesterol que é o LDL. Outro fator de risco realmente que podemos prevenir não utilizando é o tabaco, porque o tabaco é altamente lesivo para os vasos sanguíneos. Não fumar ajuda a prevenir o pé diabético. O que é que também podemos fazer em termos agora do nosso estilo de vida? Mexer-nos. A atividade física, exercício físico regular pode ser a marcha rápida, pode ser bicicleta, pode ser natação.
Deve ser regular, não esporadicamente, uma vez por mês ou uma vez por semana. Deve ser ao longo da semana. E claro que o exercício físico deve ser adequado às capacidades ou às limitações de cada pessoa, dependente das suas doenças ou da sua idade. Sendo que, muitas vezes, até há a noção, precisamente, que o diabético não deve fazer exercício físico, que é exatamente o contrário. É o contrário. Exatamente por alguns dos riscos associados, mas a verdade é que se tiver os cuidados necessários, com equipamento adequado à atividade física que vai a fazer, não é um malefício, pelo contrário, é um benefício. Exatamente. A atividade física é essencial para estimular a circulação sanguínea e o que já vimos que um dos grandes problemas da diabetes é a circulação de sangue e é o sangue que leva os nutrientes, o oxigênio, o sistema imunitário a todas as partes do nosso corpo, aos sistemas e aos órgãos.
E realmente a atividade física é essencial. O diabético não se mexe, tem mais probabilidade de ter a diabetes descontrolado, colesterol alto, tensão alta e as complicações da diabetes, entre elas o pé diabético. Claro que na prevenção é importante também ter conhecimento sobre o assunto, por isso é que nós, na equipa médica e enfermeira de família, transmitimos esses conhecimentos. Educação das pessoas da diabetes, os seus familiares, aqueles que cuidam das pessoas com diabetes, a importância de controlar a diabetes, cuidados alimentares, atividade física, vigilância do pé. Aquilo que nós estamos a fazer aqui neste programa, já estamos a tentar prevenir o pé diabético, porque estamos a transmitir conhecimentos aos nossos ouvintes e aos nossos espectadores.
Já ajuda também na prevenção. Claro que Como o enfermeiro José Pedro já disse noutro programa, muitas vezes o pé é um órgão, uma parte do corpo um bocado esquecida. É importante as meias que usamos, os calçados que usamos. Também ajuda, por causa da diminuição da sensibilidade, a pessoa pode ter lesões, uma bolha, um calo, e não sentir. Então é importante as meias, o calçado adequados, que mais daqui a pouco no nosso programa o enfermeiro José Pedro já vai falar nisso, na importância também. Claro que é importante ensinar também a higiene adequada dos pés, o tipo de produtos utilizar, o secar bem os pés, a hidratação, o creme para evitar a pele seca, pele seca mais facilmente abre úlceras, feridas, saber que coisas não utilizar, transmitir, voltamos ao mesmo, educação para a saúde, aquilo que não usar quando estamos a cortar as unhas, por exemplo, não andar descalço, transmitir estes conhecimentos às pessoas, vinculamos normalmente Nas consultas, eu penso que todas as unidades de saúde têm informação escrita, em forma de um panfleto, um folheto, com estes cuidados a ter com os pés.
O uso de palmilhas ou de suportes plantais, em alguns casos, é necessário. A remoção das calosidades é essencial também, por causa do traumatismo constante naquela zona. As zonas que são as zonas de maior desgaste, não é? Maior traumatismo, sim. Mas, para quem o problema já está instalado, como tratar?
Ou seja, não foi preciso prevenir? Às vezes até surge mesmo com todos os cuidados. O que é que é possível fazer para tratar? Portanto, tudo depende do problema. Por isso é que é importante, para saber o tratamento, a pessoa tem realmente que ser vigiada e ir às consultas de diabetes com o seu médico e o seu enfermeiro de família. Pele seca. Tão simples quanto hidratar. Um creme hidratante. Evitar que a pele fique seca. É essencial pôr um creme nos pés e nas pernas diariamente. Até porque é uma zona do corpo que mais facilmente perde a circulação sanguínea, mais facilmente a pele fica seca por falta realmente dos nutrientes e do oxigênio. Há que hidratar a pele, por exemplo, se tem escalosidades, tira as escalosidades, já faz parte do tratamento. Muitos diabéticos fazem, e fazem-no muito bem, vão regularmente a um podologista, e muitos realmente têm uma experiência excelente a vigiar o pé dos diabéticos.
Imagina que é alguém que tem uma micose, seja das unhas, que é muito frequente, seja da própria pele. Tratar essa micose. Tão simples como creme, comprimir, na alguns casos, tratamento com verniz nas unhas. E chama aqui a atenção que realmente é muito frequente nos diabéticos as unhas com micoses e infelizmente a grande maioria dos diabéticos são polimedicados, tomam medicação para muitas coisas. E os medicamentos orais para tratar a micose das unhas vão mexer com o fígado. E há utentes que não podem ter esse tipo de tratamentos. E nós médicos ficamos muitas vezes limitados. Ou seja, porquê que é mau a micose nas unhas? É uma porta de entrada para outros micro-organismos, nomeadamente bactérias, e provocar as infecções nos pés e nas pernas, que as pessoas chamam, conhecem por íris e pelas, as celulites.
E para isso é essencial tratar as micoses. Muitas vezes não podem tomar oral, tem que ser feito o que nós chamamos de tratamento tópico. O que é que isso quer dizer? O tratamento ali no local, com verniz nas unhas, mas tem que ser bem feito e é prolongado. O tratamento tem que ser, no mínimo, nos pés, seis meses. Ou seja, as pessoas têm que ser realmente cuidadosas, perseverantes, e isto faz parte do tratamento pé diabético. Também, claro que, em alguns casos, é necessário enviar mesmo a um médico especialista hospitalar. Úlceras mais complicadas, que não consigamos tratar nos cuidados de saúde primários, temos que enviar ao cirurgião vascular. Em casos extremos, casos mais graves, pode ser necessário mesmo cirurgia.
Aquele vaso está ali entupido naquela zona, faz-se o que se chama um bypass e buscar uma artériazinha de outro sítio e tentar circundar a circulação sanguínea noutro trajeto. Outro atalho, exatamente. Ou então colocar um balãozinho com um catéter que depois é aberto lá dentro. Nalguns casos coloca-se mesmo um setente, que é uma redezinha, que obriga aquela artéria a estar aberta. Isto, em alguns casos, é necessário. Mas, em outros casos, por exemplo, pode-se tratar no centro de saúde se tem uma úlcera. Importante fazer o tratamento curativo pelo enfermeiro. Não fazer o curativo em casa, que também já vi, não sei se também contigo acontece. As pessoas têm a tendência, às vezes, a tentar tratar a úlcera em casa. Não. As úlceras devem ser sempre tratadas por um enfermeiro de família, porque eles é que têm a experiência e os produtos adequados aos vários tipos de úlceras, porque há vários tipos de úlceras no pé.
Como é que eu consigo perceber se aquilo já é uma úlcera? É uma ferida? Ou se foi uma lesão, uma ferida qualquer? Basta uma bolha. Num doente diabético, no pé, deve ser visto pelo enfermeiro. Eu até diria, se me permitem, uma mancha. Eu olho para o meu pé, vejo lá algo que não estava lá antes e que não é... Normal. Uma mancha, uma mancha mais vermelha. Pode ser uma queimadura que depois vai derivar numa bolha, uma bolha que rebente. Qualquer coisa que note que não é o normal deve ir logo. Na dúvida mais válido. Muito bem. E claro que há situações, que também é muito frequente nos diabéticos, porque depois também o sistema imunitário, não há circulação, fica comprometido naquela zona, as úlceras infectarem. E aí normalmente, mais uma vez eu trabalho em equipe, é necessário antibiótico.
A grande maioria das vezes, felizmente, antibiótico é administrado de forma oral, em comprimidos. 8 dias, 14 dias, 15 dias, depende do tipo de pessoa que temos à frente e da úlcera e do tipo de infecção. E há casos mais graves em que os tecidos da úlcera começam a morrer e é necessário enviar um cirurgião para tirar aqueles tecidos mortos. chamamos um desbridamento, uma limpeza cirúrgica. Portanto, cada caso é um caso e para qualquer tratamento do pé diabético deve-se sempre, na dúvida, consultar o profissional de saúde. Se há alguma alteração no pé, como já disse o enfermeiro José Pedro, e em alguns casos, por exemplo, em que a pessoa não sente, mas começa a ficar com uma deformidade no pé, pode ser necessário usar gessos ou imobilizadores específicos para não fazer sempre pressão no mesmo sítio.
Portanto, isso tem que ser sempre visualizado, vigiado, monitorizado e tratado pelo profissional de saúde. Muito bem. Eu até já lanço a pergunta. A seguir vamos fazer uma pequenina pausa, exatamente porque queremos ter na prática todos esses cuidados que devemos ter com os pés. Acho que seria interessante e muito importante para quem nos ouve. mas porque também é importante. Vou lhe oferecer, mais uma vez, como já é habitual aqui no Médico Família, a revista, o guia de estudo, a Máquina Humana. Sou um conjunto alargado de dicas, conselhos muito práticos que pode usar no seu dia-a-dia para que tenha uma vida com mais saúde, plena e sobretudo mais saudável. Tem também um conjunto de textos bíblicos que o ajudarão a conhecer a vontade de Deus para a sua vida.
Ele que é o autor desta máquina que chamamos máquina humana. e o melhor de tudo é totalmente gratuita. É uma oferta que lhe fazemos, basta enviar-nos uma mensagem através das nossas redes sociais ou através do nosso telemóvel para o 933 93 92 91. Vou repetir, 933 93 92 91. Depois enteraremos o contacto consigo para lhe podermos enviar a revista A Máquina Humana pelo correio para a sua casa. E como prometido é devido José Pedro, cuidados a ter com os pés. Já vimos, por aquilo que a Cláudia partilhou connosco, que é complexo.
Exige uma monitorização constante, mas na prática, até, enfim, pelo que ouvimos, já podemos ter umas ideias. Mas mais concretamente, para quem nos está a ouvir, o que é que é possível fazer? Assim, primeira coisa, é muito importante que o tente diabético interiorize, perceba bem que deve fazer parte de uma equipa. Ou seja, não é mais ele sozinho, é ele, é o seu médico, é o seu enfermeiro. E os três, com a ajuda também de outros familiares, que eventualmente possam também colaborar na vigilância, mas participar em equipa da vigilância do seu pé. A doutora Cláudia falou que é muito importante vir às consultas, No programa anterior falámos da importância de perceber se a sensibilidade está mantida, se a circulação está mantida ou se há alterações, porque é isso depois que vai determinar algumas situações menos boas e se as pudermos evitar, melhor, não é?
Portanto, mal se apercebe qualquer coisa, venha à sua equipa de saúde, ao seu enfermeiro, ao médico e depois ativamos todo um conjunto para o ajudar. Agora, como em tudo na vida, há o ideal E é o possível. O que é que é o ideal? O ideal é que a pessoa diabética, precisamente porque o seu pé corre alguns riscos, nunca ande descalça. Mesmo em casa. Agora vão-me dizer, mas isso não é possível, eu andar sempre calçado. É verdade. Precisamos é de perceber que nos momentos em que andarmos calçados podemos estar com o nosso pé mais protegido. Nos momentos em que andarmos descalços podemos não estar tão bem protegidos. Porque nenhum utente diabético pode dizer com segurança quando é que o seu pé vai começar a perder sensibilidade.
E no dia em que ele perder a sensibilidade podem acontecer situações que depois deem em problemas mais sérios. Vou só dar dois exemplos. Tive em tempos um utente que trabalhava nas obras e um dia apeteceu descalçar. Estava com calor, descalçou-se, espetou um prego no pé e não sentiu. Andou com o prego lá vários dias, um dia calçou uma meia clara, Branca, creme, já não sei bem. E aquilo depois, quando a descalçou, foi até a mulher que percebeu, quando foi lavar a roupa, que aquilo que tinha lá uma mancha de pus enorme. Foram a ver, tinha o prego lá. Ele andou vários dias com o prego lá espetado e não se apercebeu. Quando o deu por ela, claro, foi ao centro de saúde, mas já estava num estado muito avançado e foi muito complicado, não é?
Mas significa que também já falhou algumas etapas anteriores, como, por exemplo, não ter vigiado a sensibilidade do pé. Exatamente, era eu ia chegar, portanto, é preciso que o utente, todos os dias, olhe para o seu pé, na sua higiene, para já lave muito bem o pé, observe, seque muito bem o pé, sobretudo entre os dedos, que são zonas, portanto, como o pé depois vai para dentro do sapato, se ficar humidade, também temos a transpiração que ajuda, não é, que haja umidade, mas se nós não o secarmos bem, as zonas, os passos interdigitais, ou seja, entre os dedos, ficando com umidades, aquela a pele ali fica mais frágil, não é? E ganha mais facilmente gretas, gretas podem apanhar fungos, fungos podem dar infecções, infecções dão feridas e depois é uma grande complicação.
Portanto, é muito importante vigiar, vigiar muito bem, ter uma higiene cuidada e depois há alguns cuidados que precisamos ter. Por exemplo, a escolha dos sapatos. Os sapatos são muito importantes. Porquê? Um sapato que não seja confortável, que não seja protetor do pé, o risco aí é
mais acrescido. Para já o sapato deve ser comprado no final do dia. Porquê? Porque ao longo do dia nós vamos andando e ao andar os nossos pés vão inchando, o que é normal, não é? Todo um peso em cima deles ao longo de muitas horas, não é? Vamos à sapataria de manhã comprar o sapato, o pé não está inchado. Chega ao fim do dia, o pé está inchado. Só que o sapato nós comprávamos de manhã para uma medida que já não corresponde à realidade do final do dia. O sapato sempre ao final do dia. porque assim temos a certeza que o modelo está mais calibrado adequado ao nosso pé. Depois, tentar evitar os tecidos sintéticos. Os tecidos sintéticos o que é que fazem? Podem até ser bonitos, podem até parecer confortáveis, mas têm um problema muito grande.
É que não permitem que o pé transpire para o exterior. Ou seja, o pé transpira, mas o suor fica acumulado dentro, entre o pé, entre a pele e o sapato, não é? Enquanto que os de couro, a transpiração passa para fora, não fica ali tão acumulada junto à pele. Logo, o risco é menor. Depois as meias. Ah, nos sapatos ainda, portanto, tentar que sejam de tacador ou de presilhas, ou seja... para poder ajustar. Se o meu pé está... se eu estou a sentir o sapato apertado, desaperto o atacador e dou um nó menos apertado. Ou então, a presilha não a colo tanto no velcro. Estão a ver? Portanto, é muito... Que possa ser ajustado, não é? Que possa ser ajustado, exatamente.
Depois, as meias. As meias é muito importante. Há meias de muito tipo. Muito tipo de tecido. E alguns são mais ásperos, outros mais confortáveis. A meia deve ser de algodão. o algodão, portanto, que é um tecido mais macio, mais natural, e de preferência cores claras. Há pessoas que gostam de cores escuras, como eu. Meia-frede, eu por mim uso sempre meia-frede. Mas tendo uma diabetes ou um risco de um pé diabético, a meia-clara é melhor. Para quê? Para um diagnóstico, claro. Para poder fazer melhor o diagnóstico. Agora, voltando só um bocadinho atrás, vou dar outro exemplo. O ideal é nós andarmos sempre calçados. mas há situações em que isso não é possível. Isso é o ideal. Tive uma vez um utente que foi à praia, a areia estava muito quente e ele não sentiu.
Apareceu-nos no centro de saúde com as plantas dos pés completamente queimadas. Andou um mês a fazer ali o tratamento. Então, a ver, há situações em que eu posso não sentir que algo está a agredir o meu pé e é muito importante que eu minorize essas situações. E aí tem que ter determinadas estratégias, não é? A meia. A meia, portanto, como disse, algodão, cor clara, para estar mais protegido. Depois há certas situações ao longo do tempo. Estamos no frio. Agora o tempo é frio. Temos braseiras, temos aquecedores, temos lareiras. É muito frequente as pessoas confortavelmente instalarem-se ao pé da lareira ou da braseira. Ah, o meu pé aqui está bem quentinho. Está bem quentinho, mas a sensibilidade está diminuída. E depois as queimaduras aparecem. E uma queimadura evolui para uma ferida, e depois primeiro que ela assar, é muito complicado, não é?
Havendo queimaduras e havendo bolhas, nunca devemos rebentá-las. As bolhas não se rebentam. Vamos ao centro de saúde e depois ali avaliamos. A equipa, nós, o utente, o médico, avaliamos, vemos o que é que é possível fazer, o que é que é o ideal, e seguimos com um tratamento, não é? Porque se a pessoa arrebenta, sobretudo se retira ao arrebentar, a bolha tem líquido, não é? Se eu arrebento e tiro o líquido, fico todo contente. Mas às vezes a pele, aquela pelezinha que fica lá colada, sai. Às vezes eu até, as pessoas até arrancam, não é? São elas mesmo que arrancam aquela pele pensando que estão a fazer bem. Errado. Porquê? Porque ali fica uma porta aberta para possíveis... Bactérias. Bactérias, etc. Que façam infecção. e depois da infeção se instalar, é muito mais complicado.
Mas, portanto, ter muito cuidado com os calores, com as fontes de calor, lareiras, braseiras, aquecedores, o que seja. Os sacos d'água quente. Os sacos d'água quente. Por exemplo, às senhoras é muito comum fazerem queimaduras com sacos d'água quente, em pés, em pernas. e depois tem essa dificuldade. São situações que temos que, no dia-a-dia, nos lembrar. O ditado diz mais vale prevenir que remediar. E aqui na questão do pé diabético isso é muito importante. Depois, há outros cuidados que nós podemos ter também. em relação ao sapato. O sapato, voltando ainda a ele, eu estou a demorar aqui um bocadinho nos sapatos, porque os sapatos são onde os pés estão todo dia, não é?
Ou seja, se o sapato não for o mais indicado, o risco vai ser maior e é preciso que nós tenhamos todos a noção disso. Os sapatos, portanto, como disse, de preferência de couro, não sintéticos, e devem ser vigiados regularmente. Quando são novos, eu não devo usá-los muitos dias seguidos. Por exemplo, eu uso hoje um sapato... Ou se calhar até de uma primeira vez de muitas horas seguidas, não é? Exatamente. Porque não saem as lesões que eles podem causar. O sapato vai se moldando ao pé também, com o uso. Sabemos isso, não é? Agora, aí há outro pormenor importante. Ao experimentar o sapato, eu devo ter tentar perceber se o meu dedo maior, portanto o dedo grande do pé, fica apertado ou não.
Porque o sapato deve ter uma altura de 3 milímetros acima do dedo maior. Para quê? Para não haver a fricção dos dedos, sobretudo do dedo maior, que é aquele que, por ser mais gordo, chamemos assim, mais fricção pode ter, pode sofrer, para não haver esse risco. E experimentá-los, sentimos-nos confortáveis, ok? Não está apertado, não. Então, é de atacador, é de presilha, é de velcro, ok? Compramos. Vamos usando gradualmente, vamos dividindo o uso dos sapatos para que o mesmo sapato, se houver ali algum risco de pressão, não se repita por vários dias. Isso também é muito importante.
Outra coisa muito importante é nós verificarmos o interior do calçado com frequência. Ou seja, eu pego no meu sapato e, com o meu dedo, vou cutucando as várias zonas do sapato por dentro para ver se sinto alguma espresa. Os sapatos são cozidos, têm cordões, linhas, cordas. Com o uso, às vezes, essas linhas rebentam ou soltam-se e fazem uma espécie de um nó. esse nó depois faz pressão na pele ou faz fricção na pele. E fazendo pressão ou fricção, o que é que vai acontecer? Pode surgir ali uma ferida com o uso, se eu não observo, se eu não vejo. Estão a ver? Portanto, isso também é muito importante.
Depois, a largura do sapato. Nós temos um problema muito grande, é que gostamos mais as senhoras do que os homens, mas os homens também gostamos dos sapatos em bico, não é? A ponta do sapato faz ali um bico muito bonito, muito engraçado. Pode ser muito estético, mas se eu tenho diabetes, Isso pode ser um risco muito grande porque o meu pé vai ficar apertado, os dedos vão ficar apertados, vão encavalitar muitas vezes e vemos pessoas nas consultas que os dedos já ficaram deformados, ou seja, encavalitaram e já não voltam ao normal, já não é possível voltar ao normal mais. O que é que isso vai fazer? Que aqueles dois dedos encavalitados ou encostados demasiado um ao outro estão a fazer pressão e essa pressão pode, com o tempo, resultar numa ferida.
Mais uma vez, vigiar, observar muito bem. Até porque vai ser uma questão de atrito permanente ali entre os dois dedos, não é? Será um atrito constante, atrito, fricção, ali sempre constante. Porquê? Porque o pé apesar de estar dentro do sapato, mas ele move-se. Ele não está ali, encostou ali à parede do sapato e ali ficou todo o dia. Não! O pé vai-se mexendo, para cá, para lá, para frente, para trás. Isso faz fricções, pode fazer abrasões e feridas, pronto. E é muito importante que que também vigiemos isso. Bom, há aquelas zonas também dos joanetes, os joanetes estão na parte lateral do pé, mas também andam para cá e para lá, para frente e para trás, para frente e para trás. Estão a ver, vai raspando no sapato. Se ele é muito apertado, o risco é maior, não é?
O risco pode ser muito grande e aí temos que ser prudentes. Outros cuidados que devemos ter é o cortar. Tesoura, não de bico. Lembrem-se, no programa anterior eu disse que era o diabo, não é? A tesoura do bico está na mão do diabo. Nada de bicos e não cortar muito rente.
A nossa unha não é uma linha reta, é côncava. Tem uma curvinha. Se nós cortamos muito rente, sobretudo nos cantos, o risco da unha encravar é maior. E uma unha encravada dá-no-uma ferida e uma ferida pode infetar. Mas para tratar é muito mais complicado. Da mesma forma, ao cortar as unhas, depois devemos limar. E limar sempre com lima de cartão. Nunca usar limas de metal. Porquê? O metal aquece muito rápido. E eu posso não ter sensibilidade e não sentir que estou a queimar o meu dedo. Estou ali todo contente a limar a minha unha, mas estou a queimar a pele ao lado da unha. Exato. E lá vem uma bolha. Sendo que a unha, eu diria, se calhar em maioria de razão pelos cuidados e até a forma, eu diria, quase muito técnica como deve ser cortada, ela deve ser feita até, enfim, com algum especialista para ensinar, para a pessoa ser ensinada.
Os tecnologistas, como a doutora Cláudia falou. Para ser ensinada. Muito importante. Estamos mesmo a terminar em breves segundos. O pé diabético tem cura? É assim, o pé diabético não tem cura. No estado atual do conhecimento científico não tem cura e provavelmente nunca terá. Porquê? Porque houve ali uma alteração a nível circulatório e dos tecidos. Portanto, a cura não tem. Agora, podemos é primeiro vigiá-lo bem, Não é? Segundo, usar meios adequados para ele estar mais protegido. Há bocadinho eu ia falar nos calicidas e permitam-me só, em breves segundos, nunca usar calicida. Há pessoas que gostam de lá pôr o calicida para os calos. Calicida queima o calo, mas também queima a pele, os tecidos envolventes.
Nunca. É outro diabo. Está bem? Lembrem-se do diabo. Agora, o importante é que eu use as ferramentas que estão à minha disposição. primeiro vigiar, pedir apoio à família se for necessário ou aos mais próximos, recorrer à nossa equipa de saúde médica e enfermeira com regularidade e aí, pronto, tenho a certeza que conseguiremos minurar, se não na totalidade, mas na grande maioria dos problemas. Muito bem. Quero mais uma vez agradecer a presença de José Pedro. Foi bastante útil no contexto dos nossos programas. Cláudia, também mais uma vez, bem-vinda. Para si que está desse lado, foi um prazer estar na sua companhia. Lembrar a oferta que fizemos a meio do programa. Queremos lembrar então a revista o Guia de Estudo, a Máquina Humana, cheio de conselhos, dicas práticas para que possa ter uma vida plena, mas com saúde e também conhecer a vontade de Deus para uma vida saudável.
Dizer-lhe também que se não teve a oportunidade de ver o programa anterior, ele está disponível também no YouTube da Novo Tempo Portugal, bem como os programas que fizemos sobre diabetes. Até ao próximo programa, se Deus quiser.
Neste episódio de "Médico de Família", mergulhamos num tema vital para a saúde de muitos: o pé diabético. Sabia que a diabetes, uma doença cada vez mais prevalente, pode ter consequências devastadoras nos pés, sendo a principal causa de amputações em Portugal? Este programa explora em profundidade como podemos evitar estas complicações, desde o controlo rigoroso dos níveis de açúcar no sangue, da tensão arterial e do colesterol, até à importância de um estilo de vida ativo e da cessação tabágica, pilares essenciais na prevenção.