Trombose Venosa

Trombose Venosa

02 de Julho de 202528 min 25 s

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Estamos de volta para lhe trazer mais um médico de família e eu volto a estar na companhia da Dra. Eunice Parcelas. Eunice, mais uma vez, bem-vinda. Obrigada. Eunice, tu hoje escolheste como tema para abordarmos aqui no médico de família a trombose, mais especificamente trombose venosa. Porquê que escolheste este tema? Porque realmente é uma doença, é uma ocorrência de saúde bastante frequente e que está muito relacionada também com os internamentos, as cirurgias, alguns procedimentos médicos e que é bastante relevante e também porque tem muito a ver com os fatores de risco que podem levar a essa trombose. Então vamos começar já por aí.

O que é a trombose

O que é que é a trombose? Uma trombose é a formação de um trombo dentro de um vaso sanguíneo, neste caso de uma veia, ou da circulação onde circula o sangue venoso, em que realmente há a formação desse trombo e o alojamento desse trombo dentro de um vaso sanguíneo, o que faz com que haja uma dificuldade na passagem do fluxo sanguíneo através desse trombo. Portanto, pode haver uma obstrução total em que o sangue não passa sequer ou pode haver uma obstrução parcial em que o sangue passa, mas com mais dificuldade. No fundo é como se fossem os canos entupidos, não é? Em que temos lá algo a obstruir, no fundo. Que tipos de trombose há?

Porque eu sei que há mais do que um tipo de trombose. Exatamente, portanto nós temos a trombose arterial e venosa, mas neste caso vamos falar sobre a trombose venosa. A trombose venosa divide-se em trombose venosa profunda, portanto temos a trombose, é uma trombose que ocorre nas veias mais profundas, portanto não são aquelas veias tão superficiais ao pé da nossa pele, mas as veias mais profundas, como aquelas veias maiores, por exemplo, que trazem o sangue. das pernas cá para cima. Sim, as veias superficiais são veias mais pequenas e não são tão importantes. Portanto, esta trombose venosa profunda é a mais comum. Depois temos o tromboembolismo pulmonar.

que são assim os principais. Depois temos a trombose venosa superficial, que esta ocorre em veias mais superficiais, mais perto da pele, que não é tão grave, é um bocadinho mais ligeira. E depois temos outras tromboses em locais que não são tão comuns, como no território da veia porta, da veia esplénica, as veias cerebrais e também a veia renal. Falando da trombose venosa profunda, é a formação de um trombo, de um coágulo numa veia, maioritariamente do membro inferior, portanto acontece maioritariamente nas pernas. E realmente nós sabemos que é muito importante o sangue voltar ao coração e neste caso há aqui uma obstrução à passagem do sangue.

A principal complicação da trombose venosa profunda é o tromboembolismo pulmonar, portanto podem desprender-se bocadinhos deste coágulo, como se fossem aqui um miolo de pão que está ali entupido, que liberta umas migalhinhas e essas migalhinhas podem migrar para a circulação pulmonar, portanto neste caso são artérias pulmonares, apesar de se falar em tromboembolismo venoso, são artérias pulmonares. E realmente essas migalhinhas podem-se alojar lá nas artérias do pulmão e dar o tromboembolismo pulmonar. Pode até, em situações mais graves, ser fatal, não é? Sim, sim, sim. Já vamos falar sobre isso. Depois, essa trombose venosa profunda também pode originar um síndrome pós-trombótico, em que realmente é como se fosse aqui uma trombose crónica e que os sintomas perduram mais tempo porque não há uma recanalização, vá lá.

E esta trombose venosa profunda, para além de poder dar o tromboembolismo pulmonar, pode progredir, pode ficar uma trombose maior e pode recorrer, portanto pode repetir-se no tempo. O tromboembolismo pulmonar realmente pode ser mais grave, não é? Porque temos aqui uma oclusão de artérias, neste caso chamam-se artérias porque são, no fundo, são aqueles vasos que vão levar o sangue a ser oxigenado no pulmão, portanto vão desde o ventrículo direito, depois vão para o pulmão e é suposto ser oxigenado e voltar ao coração. Portanto, não havendo este processo, realmente isso pode ser fatal, não é? Mas depende do grau de tromboembolismo pulmonar. Pode ser um tromboembolismo pulmonar que acomete ali umas artérias pulmonares mais pequeninas, não tão importantes, e pode acometer um território maior e realmente ser mais extenso.

Como identificar? Como é que nós percebemos os sinais, os sintomas?

Sinais e sintomas

Pronto, aqui numa trombose venosa profunda, o principal sintoma é dor. Portanto, dor na perna, se ocorrer na perna. Também pode ocorrer nos membros superiores, mas é mais raro. O principal sintoma é dor. Também pode ocorrer alguma sensibilidade maior. A pessoa pode não ter dor, mas sentir a perna com uma sensação esquisita. pode ficar mais vermelha com o aumento da temperatura, portanto quente, e pode haver também inchaço. Portanto, uma perna inchada normalmente é só uma, não são as duas inchadas da igual forma, é só uma. Esses são os principais sintomas da trombose venosa profunda. Do tromboembolismo pulmonar ou do embolismo pulmonar.

Pode haver falta de ar, que é o sintoma mais comum, é falta de ar. Pode haver também o aumento da respiração, uma respiração mais acelerada. Pode haver mesmo desmaio, se for um tromboembolismo pulmonar mais grave, pode haver o desmaio, a síncope, a perda dos sentidos. E se envolver uma parte do pulmão, ou seja, em que no fundo o pulmão deixa de funcionar, ali numa certa parte, a parte que é irrigada, por exemplo, podemos ter mais sintomas pulmonares. Podemos ter dor no peito, podemos ter até tosse, tosse com sangue, pode haver alguns desses sintomas mais graves, mais preocupantes. Se for também extenso, pode levar mesmo Também é cianoso, que é a coloração mais azulada dos lábios ou de outras partes da pele.

E, realmente, basicamente é a tensão mais baixa também. Normalmente é uma condição que as pessoas sentem que têm, apesar de raramente ser assintomática. A questão é que esse tipo de sintomas que tu mencionas podem ser por variedíssimas outras questões, não é? Exatamente. Uma dor na perna, uma tosse, isso deve nos levar de alguma forma mesmo quando temos esse tipo de sintomas a ir logo ao médico a tentar perceber o que se passa? Temos que ver aqui o contexto, não é? Por exemplo, se eu tiver... eu for fazer um treino de pernas, que já não faço há muito tempo, ou vou fazer uma corrida de 10 km e eu nunca corro, e no dia a seguir me doer as duas pernas, isso é expectável, não é? Agora, se eu de repente, por exemplo, eu fiz uma cirurgia, ou por exemplo, parti a perna e estive imobilizada em casa durante um mês, a mexer-me muito pouco, e de repente começo com uma perna muito inchada, a doer-me, uma dor forte, uma dor moderada a forte, normalmente, que é só de um lado, a perna inchada só de um lado, aí realmente eu devo ir ao médico.

Tal como se eu tiver falta de ar, basicamente a falta de ar quase sempre deve motivar a ir ao médico, a não ser que a pessoa já tenha asma, já tenha uma doença pulmonar conhecida e tenha falta de ar frequentemente e tenha medicação para isso, mas normalmente uma falta de ar, por exemplo, ou a pessoa não se sentir bem ou desmaiar, deve motivar a ir ao médico. Exato. Agora, o porquê que acontece? Em senso comum, nós ouvimos falar de um, eu diria, do papão, que é o colestrol, o entupimento das veias, olhando para aquilo que nos estás a dizer, mas pode ser muito mais complexo do que isso, ou até mais simples.

Causas e fatores de risco

Podes nos explicar porquê que acontece? Portanto, no fundo do nosso corpo nós temos um grande equilíbrio entre a coagulação e a hemorragia. Portanto, o nosso corpo está feito e muito bem feito para que quando eu me corto, por exemplo, esse sangue que está a começar a correr seja estancado. Vai acontecer ali coagulação a nível local, mas eu não quero que haja uma coagulação a nível do corpo todo, porque senão vai haver formação de coágulos. Portanto, há um equilíbrio entre. nem muita hemorragia, porque senão eu deito muito sangue e o sangue não para quando eu faço uma ferida, quando eu sou à prada. É uma defesa do próprio organismo. Exatamente. E também não queremos coagulação a mais, senão vai haver formação de coágulos.

sabemos que o nosso sangue tem essas características de, portanto, tem por um lado fatores de coagulação dentro do nosso plasma, nós temos fatores de coagulação que ajudam a coagular o sangue e temos fatores de anticoagulação que diminuem essa coagulação e até fatores também que vão desfazer esses coágulos. Portanto, temos aqui um equilíbrio. Exatamente. E, portanto, porque é que acontece uma trombose? Porque há uma coisa que se chama triades de Virchow, que são três fatores descritos por um médico no século XIX, em que temos aqui a estase venosa, O que é que é? O sangue não circula muito. Está mais parado. Como se fosse um rio mais parado. O rio mais parado parece que acumula mais sujidade.

E, portanto, nós sabemos que se nós deitarmos uma pessoa que já tenha sangrado muito, que tenha tido um acidente grave ou assim, sabe que se sangrar muito e o sangue cair para o chão e ficar ali no chão, o sangue não vai ficar igual. O sangue vai ficar coagulado. Vai começar a formar coágulos. Sabemos que as mulheres também, quando têm menstruação, se sangrarem muito, muito, muito, o sangue há formação de coágulos. E, portanto, se nos tirarem sangue para análise e o tubo em si não tiver anticoagulante, o sangue forma um coágulo. Automaticamente. Exatamente. Portanto, o sangue estar mais parado é um fator que predispõe a trombose. Por outro lado, a lesão endotelial, ou a lesão dos vasos, do revestimento dos vasos, também predispõe a trombose. Ou seja, se eu tiver ali um fator de traumatismo, uma inflamação nos meus vasos, há mais probabilidade de trombose, o que acontece em contextos de cirurgia, de traumatismos, de acidentes, etc.

Por outro lado, a hipercoagulabilidade, que acontece, por exemplo, no cancro, acontece na gravidez, é um estado normal protrombótico. Por exemplo, no Covid-19, na doença Covid-19 também havia hipercoagulabilidade. Aqui também há mais risco de tromboses. E, portanto, se houver estes três fatores juntos ou um deles mais evidente, podemos ter uma trombose. Sendo que alguma medicação também traz alterações na espessura do sangue, não é? Sim, pode haver, pode haver. Mas existem principais fatores de risco, mais do que a medicação, existem alguns fatores de risco predispõe a trombose porque desequilibram este equilíbrio que nós falámos.

Existem fatores mais genéticos e existem fatores adquiridos que não têm a ver com a genética. Portanto, os fatores genéticos, sabemos que existem algumas mutações genéticas que podem predispor a trombose, como a mutação do fator zincotilaidin ou a mutação do gen da protorombina. e depois os fatores adquiridos. Temos muitos, portanto, a obesidade, pré-dispõe a trombose, a imobilização, pré-dispõe a trombose, uma pessoa que esteja mais parada, uma cirurgia, a gravidez, também, é um estado natural, mas que realmente pré-dispõe mais a trombose, o cancro também pré-dispõe mais a trombose, o tabagismo, também. A contracepção hormonal, portanto a pílula, se for combinada tiver estrogênios também aumenta um pouco o risco de trombose.

A terapêutica hormonal de substituição, portanto as mulheres após a menopausa podem, existem mulheres que fazem esta terapêutica hormonal de substituição por causa de alguns sintomas que têm e realmente isso pode também aumentar um bocadinho o risco trombótico. Atenção, se alguém estiver a fazer algum destes medicamentos não fica assustado, não é? Isto é sempre pesar aqui o benefício e o risco, se a pessoa não tiver outros fatores de risco, sempre que tiver sido saudável. E o benefício desta terapêutica foi muito importante, não é? Aqui faz sentido fazer. E toda esta medicação é consultada através do médico de família, portanto que depois também dirige a todas essas pessoas. Exatamente. Depois temos um síndrome muito importante que é o síndrome antifosfolipídico, que é um dos mais importantes que predispõe para trombose também. E depois existem outros, os catéteres venosos centrais, também, e alguns medicamentos, etc.

Eu queria falar contigo ainda sobre os fatores de risco, mas se me permites vou fazer uma pequenina pausa porque quero oferecer este Guia de Estudo à Máquina Humana. Já conhece esta revista, este Guia de Estudo tem um conjunto de capítulos que lhe trazem muitas áreas da saúde, também os principais fatores de risco, tudo isto acompanhado de muitos conselhos práticos para que tenha um estilo de vida saudável. Também vai encontrar aqui um conjunto de textos bíblicos para conhecer a vontade de Deus para a sua vida e também para o encorajar a tomar decisões que tragam saúde e bem-estar para si e para a sua família. E o mais importante de tudo é que até gratuito apenas está ao alcance de uma mensagem, é isso mesmo?

envie-nos uma mensagem com as palavras Máquina Humana, para sabermos que é este guia de estuda que se refere, e depois entraremos em contacto consigo para lhe enviar a revista pelo correio para a sua casa. Deve fazê-lo para o número de telefone 933 939 291, até fácil de decorar, 933 939 291. Não hesite, estamos à espera. É apenas uma mensagem. Desculpa, deixa-me então voltar ao nosso assunto. Quais são os fatores de risco, quer sejam comportamentais ou não, em que situações é que nos pode colocar em risco a ter uma trombose? No fundo foram estas que eu falei ainda há pouco, não é? Portanto, se tivermos obesidade, se tivermos uma cirurgia, uma imobilização, é sempre importante, quando temos um destes fatores de risco, por exemplo, se uma pessoa tem uma fratura, parte de uma perna, tem que ser operada.

Portanto, tem aqui dois fatores, não é? Tem aqui a lesão, o traumatismo, tem aqui a imobilização, que vai ficar mais parada algum tempo, porque não pode andar ou mexer aquela perna tanto, não é? Ou seja, os fatores multiplicam. Se eu tiver mais do que um. Fator, o perigo multiplica-se também. Exatamente. E portanto, no fundo, é tentar, se um fator for inevitável, portanto eu parti uma perna, ok, vou ter que ser operada, vou ter que estar imobilizada, então eu vou tentar otimizar todos os outros fatores de risco, por exemplo. a tentar andar mais rapidamente logo quando consiga, não estar tão parada. Por exemplo, uma pessoa que faz terapêutico hormonal de substituição ou que faz, por exemplo, a pílula que falámos combinada, evitar ao máximo fumar, porque já são dois...

Aliás, está contraindicado fumar e fazer a pílula combinada, por exemplo, porque realmente são duas coisas que se acumulam. E, portanto, se eu tenho um fator que é inevitável, é tentar evitar todos os outros, não é? A vigilância é também um fator importante, no sentido de quando se tem um fator de risco, estar nas suas consultas habituais, não propriamente pela trombose, mas se eu estou numa situação de gravidez, não faltar às minhas consultas, não faltar à presença do meu médico-família, vai ajudar também os exames, de me lembrar, por exemplo, os exames de rotina que todos nós devemos fazer, são tudo coisas que pelo menos nos podem ajudar a perceber se há alguma complicação, se há alguma alteração no sangue e perceber se aumentam ou não os fatores de risco, não é? Claro, exatamente. Portanto, em qualquer gravidez, qualquer doença, é muito importante o seguimento médico e mesmo pessoas saudáveis é importante ir ao médico de vez em quando.

E no caso de realmente termos algum sintoma, há bocadinho como perguntaste como é que eu sei se é uma trombose, porque são sintomas às vezes banais, como é que eu sei se pode ser uma trombose ou se pode ser outra coisa qualquer, é realmente na dúvida ir ao médico, porque o médico tem as ferramentas para diagnosticar estas doenças e para as tratar, não é? E, portanto, às vezes a pessoa fica na dúvida, mas vale ir ao médico, E realmente o médico tem as ferramentas para identificar e tratar de forma que é muito importante também parte do tratamento da trombose. Já que estás por aí, não hesitamos. Como é que funciona o tratamento? Portanto, o tratamento tanto da trombose venosa profunda como do tromboembolismo

Tratamento e monitorização

pulmonar passa muito pela anticoagulação. Portanto, a anticoagulação são medicamentos que podem ser por via parentérica, ou seja, pode ser por injeções na barriga, ou por via intravenosa, aqui são as heparinas, já ouve-se falar muito, ou pode ser por via oral. E esta medicação o que vai fazer é, ela não vai tirar o coágulo, portanto ela não vai eliminar o trombo, mas vai controlá-lo. E vai fazer com que não se formem mais trombos. Porquê? O que é muito importante numa trombose é que, ao ocorrer uma trombose, isto é um dos maiores fatores de risco para a trombose. É a residência, não é? Sim, dos maiores fatores de risco para a trombose é ter havido uma trombose. Portanto, se eu tiver uma trombose, a probabilidade de eu ter outra é alta. especialmente se os fatores de risco continuarem presentes, não é?

E, portanto, é muito importante aqui a anticoagulação. A duração dessa anticoagulação depende da situação. Se ocorrer numa situação muito específica, com um contexto muito específico com fatores de risco que nós identificamos, por exemplo, uma gravidez mais uma imobilização, mais outro fator de risco qualquer, provavelmente aí vou fazer durante uns meses, normalmente é de três a seis meses, E depois vou reavaliar se é importante continuar. Mas há situações que vão perdurar para sempre, que me vão motivar a necessidade de anticoagulação para sempre. Tal como se eu tiver, por exemplo, várias tromboses. Tenho trombose, faço anticoagulação. Tenho outra trombose, então vou ter que continuar com a anticoagulação para o resto da vida. E realmente aqui o muito importante também no seguimento médico, como tu falaste há pouco, é realmente o seguimento da anticoagulação.

Porque há muita gente, muitos doentes, no médico de família, nos hospitais, com anticoagulação. Portanto, que fazem medicação anticoagulante. E acham que aquilo é mais um medicamento, pronto, como se fosse um medicamento de atenção. Portanto, mais um medicamento banal. E não é. Portanto, a anticoagulação é uma medicação que tem com potenciais fatores e efeitos adversos, como a hemorragia. Há mais probabilidade de hemorragia, lá está. Eu vou anticoagular, mas aumento o risco de hemorragia. Então tem que fazer realmente uma monitorização regular numa consulta trombosa, anticoagulação. Até a desincatização em termos de ferir os cortes. Sim, exatamente. Se a pessoa for operada tem que separar a anticoagulação um tempo antes. Normalmente até nesse aspecto em termos de cirurgia é feita a pergunta diretamente antes, até muitas vezes por escrito, exatamente para a equipe médica já estar preparada para a situação.

Claro, claro, a anticoagulação se for anticoagulação oral. Há dois tipos de anticoagulação oral. Há uns que são os mais aborrecidos de se fazer, que há mais anos eram os mais comuns, que é a varfarina, o varfine, como muita gente conhece, ou o acenoacumarol também, em que as pessoas tinham que ir todas as semanas, ou de 15 em 15 dias, ou de mês a mês, fazer o INR. tem que ir ao médico a fazer análise, fazer o INR e depois, consoante o INR, mudava-se a dose. Portanto, é uma medicação que tem um controle muito, muito, muito rigoroso. Mais recentemente surgiram os novos anticoagulantes orais que não necessitam desta monitorização e às vezes as pessoas desleixam-se um bocadinho no cuidado médico. Mas é possível que a monitorização não é a mesma, pelo menos semestralmente tem que obrigar uma visita ao médico.

Exatamente, porque esta medicação, apesar de não se ter que mudar a dose consoante Portanto, uma análise tem que saber sempre os fatores de risco da hemorragia e, por outro lado, tem que saber se o rim e o fígado estão a funcionar bem, porque esses medicamentos são eliminados através dessas vias e, portanto, se o rim ou o fígado não estiverem a funcionar tão bem, as doses também têm que ser modificadas. E, portanto, é super importante fazer um acompanhamento médico, seja no médico de família, seja na consulta de anticoagulação, de trombose, o que quer que seja. Bem, só pelos fatores de risco que tu mencionaste já percebemos claramente que nunca vamos conseguir evitar a 100%. Mas o que é que podemos fazer para evitar os riscos de trombose?

Prevenção e estilo de vida

No fundo é realmente controlar os fatores de risco, termos um peso saudável, evitarmos o tabagismo, numa gravidez tentar, por exemplo, a pessoa ser ativa e controlar os outros fatores de risco, tentar não ganhar muito peso, por exemplo. Se houver uma cirurgia, a pessoa ter uma alta precoce, não ficar muito tempo. Internada, Mas isso não está diretamente no controle da própria pessoa? Não, não, mas isso é uma coisa que já se faz. Pronto, eu também estou do outro lado, não é? E também sei que são estas coisas que se fazem para proteger as pessoas da trombose, não é? Porque é muito frequente, especialmente em termos hospitalares, é muito frequente. E, portanto, há medidas que se fazem que se chamam profiláticas, não é? São medidas de prevenção que também em termos médicos se fazem quando uma pessoa é internada, por exemplo.

Há pessoas que têm, hoje em dia, nem todas, mas há muitos Há muitos internamentos, pessoas que estão internadas por variedíssimos motivos, que precisam de fazer anticoagulação preventiva, ou seja, fazem anticoagulação para prevenir uma trombose, mesmo que ela não tenha ocorrido. Isso acontece. Depois, por exemplo... Estava-me a lembrar que há alguns anos atrás as pessoas faziam aspirina de forma permanente como uma espécie de anticoagulante natural, que não era, mas faziam de forma preventiva. Hoje em dia não se usa esse método. Aliás, nunca se devia ter usado esses métodos. Estou-me a lembrar apenas de alguns episódios no passado. Mas há pessoas que vão continuar a fazer algum tipo de medicação que seja mais ligeira para o resto da vida. A aspirina ainda há quem o faça de forma preventiva, mas a aspirina não é um anticoagulante.

É um antiagregante. Mas há pessoas que realmente acham que a aspirina está muito mais associada à trombose arterial, na verdade. Depois podemos falar disso noutro programa. Mas realmente, na verdade, há também aqui fatores de risco para trombose venosa em que não se faz anticoagulação, mas há pessoas, por vezes os médicos recomendam também fazer aspirina de forma profilática, na verdade. Os próprios médicos fazem as recomendações. Sim, mas são situações muito específicas. A situação que eu estava a referir. Por começando, que é mais daqueles mitos de automedicação que acontecia muitas vezes. Acontece muito, mas há situações em que pode ter indicação. Depois há outras situações que nós podemos, por exemplo, as meias de compressão. Podemos utilizar essa medida como a prevenção no caso, por exemplo, eu agora estou a usar as meias de compressão.

Por exemplo, pessoas que têm insuficiência venosa em casveia ou que têm varizes ou que passam muito tempo em pé ou sentadas. podem beneficiar de meias de compressão. Aliás, elas são quase obrigatórias em alguns procedimentos médicos e cirurgias. Exatamente. Em muitos internamentos a pessoa não faz anticoagulação, mas coloca as meias. Ou então as duas coisas. Durante uma cirurgia são colocadas as meias, muitas vezes são aquelas brancas que vão até cima. e, portanto, tanto em termos de internamento, cirurgias, como mesmo em casa. Após uma trombose, elas podem ser recomendadas a sua utilização, as meias de compressão, pode o grau 1, 2, 3 ou 4, mas também em termos de prevenção, mesmo quem não tenha tido uma trombose, mas que tenha ou tem algum destes fatores de risco, ou realmente está que esteja mais parada, não é?

Ou mesmo que já tenha alguma insuficiência venosa, as válvulas precisam de funcionamento, as válvulas das veias. E a melhor forma de elas funcionarem é o movimento. Portanto, o exercício é super importante, fazer exercício físico que é para as veias levarem o sangue ao coração melhor. As meias, é como se a pessoa estivesse sempre a fazer um bocadinho de exercício ali nas veias, mesmo estando parada, porque as veias têm ali uma força progressiva, elas apertam mais em baixo e progressivamente vão apertando menos. O que é que isso vai fazer? Vai fazer com que o sangue vá mais facilmente para cima e favorece o retorno venoso, que é o retorno do sangue ao coração. E, portanto, isso ajuda. Falaste na questão do exercício físico, portanto ligado ao estilo de vida. Dentro dessa área, daquela que nós controlamos de uma forma mais evidente, a questão do repouso, também por outro lado o exercício físico, se quisermos o contrário do sedentarismo, porque depende das profissões de cada pessoa, não é?

Sim, claro. Há profissões em que a pessoa naturalmente já se mexerá mais do que outros. Para além disso, haverá alguma coisa em termos de estilo de vida que nós possamos fazer? Sim, o exercício físico, termos uma alimentação saudável. Sabemos que isso também ajuda a controlar o peso, que é um fator de risco muito bem reconhecido na trombose, a obesidade. Portanto, a obesidade não é uma coisa estética de todo e muitas vezes, hoje em dia, romantiza-se às vezes um bocadinho isso, mas realmente é um fator de risco muito importante para a trombose. Portanto, tudo o que seja para melhorar isso, para prevenir isso ou para tratar, é benéfico. Desculpa estar-te a interromper. Sim, sim. Porque não é só questão da obesidade ou do excesso de peso. A gordura abdominal tem também um problema em si mesmo, não é?

Sim, sim, sim. Porque é aquela gordura que se vai alojar também nos órgãos. Exatamente. Sim, sim, sim. E que também, diria que é o inimigo número um dos estomagócitos. Sem dúvida, sem dúvida. Portanto, tudo o que seja a que favoreça essa situação é ótimo. Portanto, também sabemos que os legumes, as frutas ajudam os vasos sanguíneos a funcionar melhor, não é? O repouso é muito importante também, o sono adequado, de qualidade e em quantidade, porque também ajuda a otimizar tudo o resto. O apetite melhora, não é? Mais controlado. Ajuda a pessoa também a ter mais energia para fazer exercício físico, não é? Beber água, tudo isso é muito importante. Enfim, é daquela parte que conseguimos controlar. Exatamente. Para si que está desse lado, tenho mais uma vez, e relembro mais uma vez, a oferta da revista do Quid Estudo, A Máquina Humana.

Vimos como é importante o nosso estilo de vida. E aqui neste manual vai encontrar oito remédios naturais. E não, não estou a falar de plantas medicinais que fazem alguns milagres. Estou a falar de coisas tão simples como o exercício físico. o descanso, a luz solar, entre outros. E para receberes esta revista a única coisa que tenho que fazer é enviar-nos uma mensagem para o 933-939291 com as palavras máquina humana. É tão simples quanto isto. Vou repetir o número 933-939291. Depois entraremos em contacto consigo para que possa levantar, para que possa receber, assim que é, a revista gratuitamente em sua casa pelo correio.

Vamos também dizer-lhe que este espaço é seu, é o seu Médico Família e que estamos disponíveis para receber as suas sugestões e quem sabe as suas dúvidas para que possamos num programa mais à frente abordar este tema aqui no Médico Família. Pode usar o mesmo número de telefone. Eunice, mais uma vez muito obrigada e até ao próximo programa. De nada, até à próxima. Este espaço é de todos e lembro também especialmente para si que me ouve na Rádio RCS, que também pode assistir a este programa através da TV, no canal 186 da MEU, na TV Novo Tempo Portugal. Fica à sua espera.

Sobre este episódio

Neste episódio, mergulhamos num tema crucial para a sua saúde: a trombose. Prepare-se para desvendar os mistérios por detrás da formação de coágulos sanguíneos, uma condição silenciosa mas potencialmente perigosa, que pode afetar qualquer um. Compreender o que são a Trombose Venosa Profunda (TVP) e a Embolia Pulmonar (EP), e como se manifestam, é o primeiro passo para a proteção e para uma vida mais plena.

Descubra os sinais de alerta que não deve ignorar, as situações que aumentam o risco e como a ciência e um estilo de vida consciente podem ser os seus maiores aliados.

Abordamos:

  • O que é a trombose e os seus diferentes tipos
  • Sintomas chave da Trombose Venosa Profunda e da Embolia Pulmonar
  • Os principais fatores de risco (genéticos, comportamentais e situacionais)
  • Quando é crucial procurar ajuda médica
  • As abordagens de tratamento e a importância da anticoagulação
  • Dicas essenciais para a prevenção através do estilo de vida
Série
Médico de Família · 72 episódios
Temporada e episódio
Temporada 1 · Episódio 13
Estreou
02 de Julho de 2025
Categoria
Saúde