28:45Olá, bem-vindo. Estamos no programa A Mensagem. Há alguns anos, uma criança de seis anos ficou perdida no meio de uma multidão num parque. Os pais estavam desesperados e chamavam pelo seu nome. Os seguranças foram chamados e os altifalantes do parque ecoavam o nome daquela menina, mas ela não respondia. Já quase a entrar em pânico, a mãe percebeu algo curioso. A sua filha estava sentada tranquilamente num banco a brincar com as folhas. Quando a mãe perguntou, porquê que tu não respondeste? A menina disse, ouvi muitas vozes, mas nenhuma era a da mamã. Eu só saio quando ouvir a sua voz. Esta história simples, mas poderosa, ilustra um princípio essencial.
No meio de tantas vozes, precisamos de aprender a reconhecer e ouvir a voz de Deus. Deus nunca grita para ser ouvido. Ele fala com quem está disposto a escutar, dizia Tozer. E esta é precisamente a experiência que nós encontramos na Bíblia no texto de hoje. E se tiver uma Bíblia consigo, convido-a a abri-la em 1 Samuel, no capítulo 3. Se não tiver, não se preocupe, eu farei a leitura para si." Então, o texto bíblico diz assim, a partir do verso 1 diz assim, o jovem Samuel servia ao Senhor sob orientação de Eli, e naqueles dias raramente o Senhor falava e as visões não eram frequentes. Certa noite, Eli, cujos olhos começavam a enfraquecer-se ao ponto de já não conseguir ver, estava deitado no seu lugar habitual.
A lâmpada de Deus ainda não se tinha apagado e Samuel estava deitado no Templo do Senhor, onde se encontrava a Arca de Deus. E então o Senhor chamou Samuel e ele respondeu, aqui estou. Correu até ali e disse, aqui estou porque me chamaste. Mas ele respondeu, eu não te chamei, volta a deitar-te. E ele foi e deitou-se. E o Senhor voltou a chamar Samuel. E Samuel levantou-se e foi ter com Eli e disse, Aqui estou, porque me chamaste. Mas Eli respondeu, Eu não te chamei, meu filho. Volta a deitar-te. Ora, Samuel ainda não conhecia o Senhor. E a palavra do Senhor ainda não lhe tinha sido revelada. O Senhor chamou Samuel pela terceira vez e ele levantou-se.
E foi ter com Eli e disse, aqui estou porque me chamaste. E então Eli compreendeu que era o Senhor que chamava o jovem e disse-lhe, vai deitar-te. E se ele te chamar de novo, responde, fala, Senhor, que o teu servo escuta. Samuel voltou, deitou-se no seu lugar. O Senhor veio, pôs-se junto dele, chamou como das outras vezes. Samuel, Samuel. E Samuel respondeu, fala, que o teu servo escuta. Hoje vamos refletir juntos sobre o que significa ouvir a voz de Deus num tempo de crise e como é que nós podemos, como Samuel, reconhecer essa voz no meio do ruído do mundo. Certamente nós estamos num tempo de crise.
Naqueles dias, raramente o Senhor falava, diz o texto. E as visões não eram frequentes. 1 Samuel capítulo 3, verso 1. Este versículo parece uma simples introdução narrativa, mas carrega uma declaração teológica profunda. É que quando a voz de Deus se torna rara, é sinal de que algo está errado no coração do povo. Então, esta primeira nota deste texto, esta crise, esta crise de Israel, este pano de fundo é realmente um pano dramático. Estamos no final do período dos juízes, uma fase da história de Israel marcada por ciclos de rebelião, de sofrimento, de arrependimento e libertação. A frase que encerra o livro dos juízes ecoa tristeza, porque diz-nos o texto, cada um fazia o que parecia certo aos seus próprios olhos.
Juízes capítulo 21, versículo 25. Não havia rei, não havia direção espiritual clara, a aliança feita no Sinai tinha sido esquecida. O povo vivia como se Deus fosse uma tradição antiga e não uma presença real. E é neste ambiente de decadência moral e de confusão religiosa que nós encontramos o velho sacerdote Eli, cansado, espiritualmente apático, e os seus filhos, Ofni e Fineias, que profanavam o culto com imoralidade, ganância e abuso de poder. O silêncio de Deus, como consequência, a Bíblia realmente diz que raramente o Senhor falava. Não é que Deus tivesse perdido o interesse, é que o povo tinha endurecido o coração.
Quando o altar é negligenciado, a palavra desaparece. Quando há zelo pelas formas, mas não pela presença, o sono, o som do céu, não se faz ouvir. Quando tratamos a santidade como um detalhe, a glória se afasta. O silêncio de Deus é muitas vezes o juízo mais severo, porque quando Deus deixa de falar, nós perdemos o rumo. Podemos ver então aqui o eco desta crise também nos nossos dias, porque nós não estamos num templo como o de Siló, mas os sintomas são realmente semelhantes. Há muitas igrejas, mas poucos lugares de quebrantamento. Há muito barulho religioso, mas pouca fome da palavra. Há liderança, mas falta de unção.
Há programação, mas falta de presença. Vivemos numa era em que a informação está acessível, mas a revelação tornou-se rara. Muitos conhecem versículos, mas poucos vivem com a voz do Espírito a guiar os seus passos. Quantos crentes já não conseguem distinguir entre a voz de Deus e a opinião de um influencer, por exemplo? Quantos líderes já não dobram os joelhos para ouvir? Quantos cultos já não passam de eventos sem fogo? Podemos ver aqui, então, nesta primeira nota deste texto, esta perda desta identidade espiritual. Israel tinha sido chamado para ser uma luz entre as nações, um povo distinto, portador do nome do Deus vivo.
Mas ao se misturar com os cananeus, eles adotaram os seus costumes, os seus deuses, o seu estilo de vida e quando se dão conta, eles perdem distinção, perdem a sua própria identidade. E quando se perde a identidade, perde-se a intimidade com Deus. E quando se perde a intimidade, perde-se a voz. O mesmo risco existe também para nós dois. Quando nós negociamos os valores do reino com os valores da cultura, nós perdemos a nossa referência. E pior, perdemos a escuta. Ficamos como é ali, acostumados, acostumados ao templo, mas longe da glória de Deus. Podemos, nesta parte, também aplicar como, no nosso tempo, um espelho e um convite também para cada um de nós.
Um espelho para nós olharmos com honestidade e perguntarmos a nós próprios, como é que está o altar da minha vida? Será que eu tenho cultivado esta reverência ou a rotina? Tenho escutado Deus ou apenas repetido aquilo que os outros dizem? Mas também é um convite, porque a história não termina no silêncio. Deus ainda está disposto a falar, a mover, a levantar vozes, como nós veremos a seguir. Mesmo num tempo de trevas, Deus ainda chama.
Então entramos aqui numa segunda nota deste texto, deste texto bíblico, que é a voz de Deus no meio das trevas. E o texto bíblico diz, ora, Samuel ainda não conheceu ao Senhor e a palavra do Senhor ainda não lhe tinha sido revelada, no capítulo 3 e no versículo 7. Deus fala, mesmo quando tudo parece silencioso. É impressionante como Deus escolhe os momentos mais improváveis para falar. Não foi durante o culto. Não foi num dia de festa nacional. Foi durante a noite, numa geração espiritualmente surda, num templo negligenciado. E é um menino. Samuel estava no templo, sim, servia também, mas ainda não discernia.
O texto diz claramente, ainda não conhecia o Senhor. Isto mostra que é possível estarmos num ambiente certo, com a intenção certa, mas ainda não termos a revelação. Quantas pessoas estão assim? Algumas até podem ir à igreja, participam em ministérios, sabem falar a linguagem de crente, mas nunca pararam para ouvir a voz de Deus por si mesmas. E Deus fala, mesmo no escuro, mesmo no silêncio, mesmo quando ninguém mais espera. Muitas vezes, Deus fala em sussurros porque está mais perto do que aquilo que nós pensamos, dizia C. S. Lewis. O chamado na noite podemos ver três vezes que Deus chama e Samuel corre para ali.
Ele pensa que é o sacerdote a falar. E isto mostra algo profundo. Discernir a voz de Deus é realmente um processo, requer orientação, requer sensibilidade, requer prática espiritual. Ali, já sem força e discernimento profético, ainda assim lembra-se do essencial. Se Ele te chamar, diz, fala Senhor, que o teu servo escuta. Às vezes, até quem está fraco na fé consegue apontar o caminho certo. É incrível, não é? E isso nos ensina que, por vezes, Deus usa quem já caiu para levantar quem está a começar. Vemos aqui a persistência de Deus. Deus chama Samuel repetidamente.
Isto não é acaso, é graça. Deus poderia ter chamado uma vez e passado ao próximo. Mas ele não. Ele espera. Ele insiste. Porque o nosso Deus é paciente com quem tem o coração certo. Mesmo que ainda não saiba ouvir. E este é realmente um conforto para nós, não é verdade? Talvez tenhas perdido oportunidades também de ouvir Deus. Talvez já estejas confundido ou confundido a voz de Deus com a tua própria vontade. ou com as vozes humanas, mas Deus não desiste de quem Ele ama. Ele volta a chamar. É uma presença que se aproxima. O versículo 10 diz algo maravilhoso, o Senhor veio e pôs-se junto d'Ele.
Isto é mais do que uma chamada, é uma aproximação. Deus não está longe, afinal. Ele vem, Ele chega perto, Ele fala junto, não de longe. E mais, Deus chama pelo nome, Samuel, Samuel. No hebraico, esta repetição, ela transmite intimidade e urgência. Foi assim com Moisés, foi assim com Moisés quando ele se chamou Moisés, Moisés. Com Abrão, Abrão, Abrão. Com Marta, Marta, Marta. E com Paulo, Saulo, Saulo. Quando Deus repete o seu nome ou o teu nome, é porque tem algo profundo para te revelar.
Então, nós podemos ver aqui uma diferença entre a informação e a revelação de Deus, que realmente não começou com instruções, começou com relacionamento. Chamou o nome, expor a resposta e só depois falou. Muita gente hoje quer saber o que fazer, mas não quer parar para ouvir quem é Deus. Quer direção, mas sem devoção. Quer ministério, mas sem escuta. Quer frutos, mas sem raiz. Mas a fé verdadeira não nasce do fazer, ela nasce do escutar. A fé, aliás, vem pelo ouvir e ouvir a palavra de Cristo, diz Romanos capítulo 10, versículo 17.
Podemos olhar para Elias quando estava na caverna. Lembra-se de Elias, o grande profeta? Depois de vencer os profetas de Baal, ele fugiu para o deserto desanimado, desejando morrer, e Deus chamou-o para um encontro no monte. Houve vento forte, terremoto, fogo, mas o Senhor não estava nessas manifestações. Depois veio um sussurro suave. Elias cobriu o rosto, porque Deus fala, mas fala baixo para nos atrair para perto. Samuel teve também essa mesma experiência. Deus não gritou, Deus chegou perto. Talvez podemos encontrar aqui uma aplicação para a nossa vida prática.
Talvez a tua vida esteja num tempo de noite. Talvez te sintas sozinho no templo, servindo sem entender muito bem para quê. Talvez já tenhas ouvido o teu nome, mas pensaste que era só mais uma ideia, mais uma emoção ou mais uma palavra de alguém. Mas hoje Deus está a chamar com intenção, com ternura, com o nome próprio, com o teu nome. E Ele espera o que Ele espera, uma resposta. Fala Senhor, que o teu servo escuta. E essa é uma oração poderosa, porque quem escuta a Deus transforma-se, quem escuta a Deus recebe até a missão e quem escuta a Deus torna-se resposta para o tempo em que ele vive.
Não é preciso ser o mais sábio. nem o mais experiente. Basta ter um coração disposto, uma alma sensível, uma vida aberta. E a pergunta de hoje não é, será que Deus ainda fala? Mas a pergunta é, será que ainda o escutamos? Podemos olhar aqui para como isto mudou tudo na vida deste pequenino, deste menino, deste jovem. De um menino desconhecido, ele tornou-se um profeta. De juiz conselheiro, ele tornou-se um juiz conselheiro de reis dos reis. Mas tudo começou com uma frase simples. Fala, Senhor, que o teu servo escuta.
E agora, nós podemos ver que tipo de coração Deus procura quando Ele quer levantar alguém. Podemos olhar aqui e ver esta voz de Deus nas trevas. Deus não procura perfeição. Deus procura atenção. Samuel ainda não era um homem formado, nem conhecia profundamente as Escrituras, nem era reconhecido como profeta. Ele era apenas um rapaz disponível, sensível, presente, e foi o suficiente. Deus não chamou o mais experiente, chamou o mais atento. Porque quando Deus fala, Ele não está à procura de currículo, está à procura da disposição. Quantos de nós adiamos a escuta de Deus esperando um momento mais espiritual, uma fase melhor, ou quando estivermos mais preparados?
Mas Deus chama agora. Chama no meio da noite. Chama no tempo em que nós estamos. Ele não espera perfeição. Ele espera resposta. O impacto de uma resposta é incrível. A resposta de Samuel não foi um gesto espiritual bonito. Foi o início de uma nova estação para Israel. A Bíblia diz que, depois disso, o Senhor continuou a aparecer em Siló e ali revelava-se a Samuel por meio da sua palavra. 1 Samuel 3, 21. A voz de Deus, que era rara, voltou a fluir porque alguém respondeu. O silêncio foi quebrado. A palavra voltou. O profético foi restaurado. E tudo começou com, fala Senhor, que o teu servo escuta.
E tu estás a escutar. É aqui que o ponto nos confronta. Será que nós reconhecemos a voz de Deus quando Ele nos chama ou estamos tão acostumados à rotina espiritual que nem percebemos mais que Ele fala? Será que temos feito silêncio suficiente para podermos escutar Deus? A noite pode ser escura, a visão pode parecer rara, mas Deus ainda está a chamar. E pode ser hoje, pode ser agora, que Ele esteja a dizer ou a chamar pelo teu próprio nome. Aqui entramos num ponto importante. Deus procura corações disponíveis. Fala Senhor, que o teu servo escuta. A resposta de Samuel é realmente curta, mas Deus muda tudo.
Ela é a viragem da história e é neste momento que Deus encontra um coração que escuta com intenção de obedecer. E quando Deus encontra um coração assim, Ele pode confiar a sua voz, a sua vontade e até o seu povo. A humildade que atrai a revelação de Samuel não exige nada. Não faz perguntas. Não pede sinais. Apenas diz, fala Senhor. E esta frase conta em tudo. Reconhecimento da autoridade. Senhor. Desejo de intimidade. Fala. Disposição submissa. Que o teu cérebro escuta. Realmente Samuel não quer ouvir para se sentir especial. Ele quer ouvir para obedecer.
E isso é raro. tanto ontem como hoje. Ouvir para obedecer, não por curiosidade. Hoje muitos querem ouvir Deus, mas querem ouvir Deus com filtros. Querem ouvir revelações que confirmem os seus desejos. Querem profecias que animem, mas não confrontem. Querem direção, mas não responsabilidade. Samuel ensina-nos que ouvir a Deus é um ato de rendição, não de curiosidade. A primeira Palavra de Deus foi realmente um teste e que a Palavra de Deus realmente muitas vezes nos testa para ver até que ponto é que nós estamos disponíveis. É realmente uma mensagem difícil que ele tinha de transmitir.
Uma mensagem que Samuel tinha de transmitir mesmo de juízo. Samuel teria de entregar uma palavra dura ao próprio Eli, o seu mentor, a figura paternal que o acolhera, que o tinha formado até aquele momento. Imagina este peso. Entregar um juízo à casa que o criou. Mas Samuel obedeceu. Ficou acordado, esperou e falou. Isso mostra que Deus testa primeiro a nossa fidelidade antes de confiar-nos à autoridade. Deus confia em quem responde bem ao primeiro chamado. A fidelidade de Samuel, naquele primeiro momento, abriu caminho para tudo o que Deus faria através dele. A palavra diz, o Senhor estava com ele e nenhuma das suas palavras caiu por terra.
Samuel tornou-se profeta, juiz e líder espiritual de Israel. Foi ele que ungiu os dois primeiros reis da história do povo, por exemplo, Saúl e Davi. Foi o verdadeiro canal da vontade de Deus. Mas tudo isso começou com uma resposta humilde. Fala, que o teu cérebro ouve. Podemos perguntar, e nós? Se Deus falasse contigo hoje, estarias pronto também a obedecer? Mesmo que fosse algo até desconfortável? Mesmo que contrariasse até os teus próprios planos? Mesmo que implicasse o confronto ou entrega? Deus ainda fala, mas não com qualquer um, porque Ele procura corações disponíveis. Não apenas mentes inteligentes, mas corações quebrantados.
Não apenas pessoas com dons, mas com disposição. Não apenas oradores, mas ouvintes. Um servo. Antes de ser profeta, Samuel não se apresenta como o futuro líder. Ele não diz, fala, Senhor, porque eu tenho um ministério. Nem, fala, Senhor, porque eu estou pronto para agir. Ele diz, eu sou servo. E esta é a postura de Samuel, como também a postura de Isaías. Quando ele diz em Isaías 6.8, eis-me aqui, envia-me a mim. Esta é a postura de Maria quando ela diz, cumpra-se em mim, segundo a tua palavra. Lucas 1, 38. Este é o Espírito de Jesus quando ele diz, não se faça a minha vontade, mas a tua.
Lucas 22, 42. Deus procura este tipo de coração. Hoje Deus ainda continua à procura. Em 2 Crónicas, no capítulo 16, no versículo 9, a palavra de Deus diz-nos assim,
os olhos do Senhor passam por toda a terra, para mostrar-se forte para com aqueles cujo coração é totalmente Dele. Isto significa que Deus continua à procura. Deus continua a procurar alguém que esteja disposto a dizer, mesmo sem saber tudo, estou disponível. Mesmo com medo, eu escuto. Mesmo se for difícil, eu obteço. Deus não existe perfeição. Ele responde à entrega. Lembras-te de Moisés? Tímido, inseguro, cheio de desculpas, mas disponível. Lembras-te de Jeremias? Um jovem sem palavras, mas sensível à voz de Deus. Lembras-te de Pedro?
Impulsivo, frágil, mas disposto a lançar as redes. Todos eles tiveram um momento em que ouviram a voz de Deus e responderam, e a pergunta que fica é, estás também disponível? Se Deus te chamasse esta noite ou neste momento, nesta hora, o que é que lhe responderias? Deus revela-se ao nível da entrega. A intensidade da revelação de Deus, ela está muitas vezes relacionada com a profundidade da nossa entrega. Samuel não recebeu logo todos os detalhes do plano de Deus. Recebeu apenas o suficiente para o próximo passo. Porque Deus fala a quem escuta e continua a escutar. E há pessoas que querem grandes revelações, mas não estão dispostas a obter aquilo que é básico. Querem visões profundas, mas ignoram os pequenos sussurros do Espírito.
Querem ser usados por Deus publicamente, mas vivem desconectados dele em privado. Samuel ensinou-nos que Deus fala com quem se posiciona como servo e não como exigente. Deus espera constância, não apenas momentos, mas Deus procura disponibilidade. Não é só no momento da oração do altar, é uma postura de vida. Samuel continuou disponível durante toda a sua caminhada. Ele serviu ao longo dos anos, resistindo à corrupção, à pressão, à manipulação. Na sua velhice, Samuel pôde olhar para o povo e dizer, justifiquei contra mim perante o Senhor, a quem eu defraudei, a quem eu oprimi. A Bíblia diz-nos em Samuel, mais à frente no capítulo 12, diz, não nos defraudaste, nem oprimiste, nem tomaste coisa alguma de mão de ninguém.
Este é realmente o legado de quem vive como servo. Deus procura disponibilidade contínua, não só entusiasmo momentâneo. Ele valoriza a constância, a integridade e a humildade. E nós? Talvez a tua oração de hoje deva ser esta. Senhor, não preciso de conhecer todos os planos, só preciso de conhecer a Tua voz. Talvez tenhas esperado por respostas grandes quando Deus só quer ouvir a Tua voz dizer, sim, Senhor, fala, eu escuto, eu estou aqui. E se fizeres isso, estás no lugar onde tudo pode mudar. Porque quando alguém escuta com o coração de servo, o céu responde com direção, com revelação, com presença.
Deus chamou Samuel e Samuel respondeu. E o ciclo de silêncio foi quebrado. O povo voltou a ouvir a voz de Deus e, no tempo certo, Israel voltou a ver a vitória. Tudo começou com o coração disponível. Podemos lembrar, então, do ponto de partida. Aquela história daquela menina no parque. Porque, no fim de contas, tudo se resume a isso. Reconhecer a voz certa.
E podemos olhar para esta história com que nós começamos esta mensagem, com esta menina de seis anos que estava ali sentada no meio do caos de um parque lotado. Chamavam por ela, o seu nome ecoava nos alto-falantes, os seguranças estavam preocupados, a sua mãe estava desesperada, mas a criança não se moveu. E porquê? Porque ela dizia ouvir muitas vozes, mas nenhuma era a da mamá. Eu só saio quando ouvir a sua voz. E esta imagem acompanha-nos até aqui, porque ela, no fundo, resume tudo aquilo que nós dissemos. Vivemos-nos rodeados de vozes e, muitas vezes, confundimos todas elas com aquela que mais importa, que é a voz do nosso pai. Ouvir essa voz.
Não era a voz mais alta, nem era a voz mais espetacular, mas era a voz certa. A voz que chamava com propósito, a voz que vinha com presença. E quando o respondeu, fala que o teu cérebro escuta, tudo mudou. A nossa geração precisa de voltar a ouvir. Estamos numa época de muitas palavras, de pouco silêncio. Muita informação, mas pouca revelação. Muita religiosidade, mas pouco temor. Como no tempo de Ali, a lâmpada quase se apaga. Mas ainda não se apagou e Deus continua à procura de corações disponíveis, como o de Samuel. A pergunta, podemos dizer, não é, será que Deus ainda fala? Mas a pergunta certa é, estás disposto a escutar e a obedecer?
A vida cristã começa com a escuta e avança com a obediência, dizia Dietrich Bonhoeffer. Escutar muda destinos. Samuel escutou e tornou-se um profeta de uma geração. Ungeu reis, repreendeu sacerdotes, restaurou a palavra. Mas tudo começou com uma simples frase, dita no escuro, por um rapaz com o coração aberto. E é assim que Deus continua a apurar, não à procura dos mais fortes, mas dos mais humildes. Não dos mais experientes, mas dos mais disponíveis. Não dos que falam mais, mas dos que escutam melhor. Podemos hoje ainda ouvir essa voz, através da Bíblia e da Sua Palavra, das mensagens que podemos ouvir de pregadores, Samuel, no final da sua etapa, ele dizia, Ebenezer, até aqui nos ajudou o Senhor.
Mais tarde, depois de liderar o povo à vitória contra os filisteus, Samuel ergueu uma pedra e disse, Ebenezer, até aqui nos ajudou o Senhor. E essa pedra não era apenas um símbolo de vitória. Era um memorial de fidelidade a Deus. Mas essa vitória começou no silêncio de um quarto, com uma escuta obediente. Hoje pode ser o teu momento. Talvez hoje estejas como aquela menina cercada de barulho, confuso, parado à espera de uma voz certa. E talvez Deus já esteja a chamar algum tempo. Talvez tenhas servido, orado, participado, mas ainda não discerniste essa voz de forma clara. Ou talvez tenhas escutado, mas hesitaste. Hoje Deus chama-te de novo com ternura pelo teu nome e espera apenas uma resposta.
Fala, Senhor, que o teu servo escuta. Se responderes assim com sinceridade, humildade e coragem, então poderás viver aquilo que Samuel viveu, ser uma resposta de Deus para a tua geração e um dia poder olhar para trás e dizer com confiança, Ebenezer, até aqui nos ajudou o Senhor.
Ouvir a voz de Deus em tempos de crise 🗣️
Neste episódio, mergulhamos na história de Samuel, um jovem que aprendeu a discernir a voz de Deus no meio do ruído do mundo. Inspirados por uma narrativa bíblica em 1 Samuel 3, exploramos a importância de reconhecer a voz divina em tempos de crise e decadência espiritual. Descubra como, tal como Samuel, podemos aprender a escutar a voz de Deus que nos guia em tempos de incerteza.
Num mundo repleto de vozes, informações e distrações, torna-se crucial saber identificar e priorizar a voz de Deus. A história de Samuel oferece-nos um guia prático para desenvolvermos a nossa sensibilidade espiritual e aprendermos a ouvir a mensagem divina que nos é dirigida. Através de exemplos bíblicos e reflexões relevantes, examinamos como Deus se manifesta e como podemos estar mais atentos aos Seus sussurros.
Junte-se a nós nesta exploração profunda e descubra como ouvir a voz de Deus pode transformar a sua vida e o seu propósito. Este vídeo é um convite à introspeção, à oração e à busca por uma conexão mais íntima com o Criador. Prepare-se para ser inspirado, desafiado e encorajado a aprofundar a sua relação com Deus e a trilhar um caminho de fé e obediência.