A Verdade da Oração

A Verdade da Oração

25 de Janeiro de 202252 min 12 s

Capítulos

Transcrição

Gerada automaticamente

Abertura

Olá, estamos de regresso para mais um programa em busca da verdade. É um prazer estar de novo consigo, aí desse lado, e juntos podermos abrir a Bíblia, a Palavra de Deus. É nela que aqui neste programa nós buscamos inspiração e é ela o alvo da nossa pesquisa. Por isso, muito obrigado por mais uma vez estar connosco. Hoje temos um tema que eu considero muito, muito, não apenas um tema lindo de se estudar na Bíblia, mas também um tema talvez um pouco até mais prático do que aqueles que temos visto nestas últimas semanas ou programas, e por isso acredito que vai ser uma bênção estarmos juntos. Nós, na verdade, vamos falar sobre oração. a verdade sobre a oração e o impacto que a oração tem sobre a nossa relação com Deus, mas também, claro, o que a Bíblia nos ensina sobre o que é a vida de oração, como é que a podemos praticar, por isso acredito que este vai ser um tempo muito útil para nós.

Vamos começar orando, precisamente, pedindo a Deus que esteja connosco, comigo aqui deste lado, enquanto abro a palavra de Deus e vou explanando-a à medida que o tempo avança, mas também aí desse lado consigo. Vamos juntar-nos então nesta oração. Nosso Bom Pai, a Ti que estás no mais alto dos céus, nós rendemos honra e louvor. Reconhecemos-Te como Deus e Senhor, o Sobrano sobre a nossa vida. Neste momento pedimos-te que nos dês inspiração para compreender a Tua Palavra. Pedimos-te, Senhor, que ao buscarmos entender o que é a oração e o plano que Tu tens para a nossa vida de oração, Senhor, que esta mensagem, que este estudo, ele tenha um grande impacto e produza muito bom fruto na vida de todos nós pela presença do Teu Espírito.

É a nossa oração e fazemos-la em nome de Jesus. Amém. Muito bem, venha comigo então para mais um tempo de pesquisa e procura de descoberta na Palavra de Deus. Vá ficando atento, tome as suas notas se quiser, mas já sabe que no final deste programa estará disponível para si um pequeno questionário que pode encontrar no nosso separador do site da Novo Tempo, novotempo.pt em busca da verdade.

Anseio profundo

Faça o teste deste que é o quinto programa sobre a verdade da oração E, portanto, já sabe que depois pode pedir, então, estes materiais que temos alegria de poder enviar para si. O que é que há para descobrir sobre oração? Eu vou partilhar consigo, em primeiro lugar, quatro conceitos que nos vão ajudar a entender o papel da oração numa dinâmica, se quiser, num tema mais abrangente, que é o nosso relacionamento com Deus e a nossa necessidade de Deus como Senhor e Criador das nossas vidas. Primeiro conceito que vou partilhar consigo, obviamente são conceitos formulados a partir do que está na Bíblia, eu neste caso, como tenho feito, vou formulando estes conceitos para depois ao lermos os textos da Bíblia ser mais fácil verificar aí em casa que eles comprovam estas verdades que vamos afirmando.

Então, primeiro conceito, há um anseio no ser humano, um anseio muito profundo que só é saciado numa relação ou numa dinâmica de relacionamento pessoal com o Criador. E fora desse relacionamento pessoal, em certo sentido, há uma permanente sede, uma busca por alguma coisa que é difícil preencher fora desse relacionamento. Vamos analisar alguns textos, como são uma série de textos muito parecidos, mas é intencional, é para mostrar como é alguma coisa que na Bíblia encontramos diversidade de informação. Eu vou começar agora por ler aqui no ecrã, aqueles que neste momento estão a ouvir-nos na rádio RCS, naturalmente. Vão escutar, claro, a leitura que eu vou fazer.

Acompanha-me então. O primeiro texto que vamos ler, Salmo 63, e o primeiro versículo. Lemos o seguinte. Ó Deus, Tu és o meu Deus, de madrugada Te buscarei. A minha alma tem sede de Ti, a minha carne Te deseja muito, em uma terra seca e cansada, onde não há água. Repare, portanto, aqui como o salmista vai associar esta ideia de uma sede profunda e ele vai usar estas metáforas de desejo e de terra seca e cansada. Portanto, numa terra seca, que é neste caso comparada à vida, à alma humana, Deus cumprirá esse papel de uma água que vem, que jorra, que refresca, que traz vida.

Fora de Deus ele sente esta necessidade. O salmista Davi, no Salmo 42, volta a esta mesma ideia. Os primeiros dois versículos do Salmo 42, assim como o servo brama pelas correntes das águas, assim suspira a minha alma por ti, ó Deus. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo. Quando entrarei e me apresentarei ante a face do Senhor? Nós vemos aqui um homem realmente sedento do relacionamento com Deus. E o Salmo 143, no versículo 6, ainda nos diz, expressando a mesma ideia, o mesmo conceito, estendo para ti as minhas mãos, a minha alma tem sede de ti como terra sedenta. Mais uma vez, a terra vai funcionar aqui como uma metáfora.

Agora, vamos adicionar uma segunda camada, neste caso um segundo conceito, que

Resposta ao clamor

vai numa lógica em relação ao ensino da Bíblia sobre esta necessidade profunda de Deus. E neste caso a Bíblia tem uma afirmação, uma resposta. É possível encontrar resposta a este anseio, esta tal sede, este clamor por Deus, de alguém que se sente seco e no deserto, sem o seu Criador, a Bíblia ensina-nos que há um lugar uma forma, um instrumento para saciar essa sede. Ou seja, não é uma sede que tenha, inevitavelmente, que se manter até nos levar à morte espiritual. De maneira nenhuma. Vamos ler alguns textos que comprovam isto. Continuamos nos Salmos. Salmo 88, vamos ler o versículo 2 e depois o 13.

Diz o salmista, chega a minha oração perante a tua face, inclina os teus ouvidos ao meu clamor. Eu, porém, senhor, tenho clamado a ti e de madrugada te esperará a minha oração. Vemos agora aqui a introdução deste conceito de oração de clamor, especialmente na madrugada, quer dizer, num momento em que há um silêncio mais profundo, onde ainda não há um alvoroço da vida e, portanto, o salmista aqui diz que sabe que nessa hora, nesse momento e neste contexto de silêncio e de busca é possível clamar e encontrar a presença de Deus. E agora note nestas palavras maravilhosas de um livro da Bíblia um pouco esquecido talvez entre tantas outras opções de leitura, mas é um livro, Lamentações de Jeremias, um livro que tem textos absolutamente inspirados.

Repara nestas palavras que lemos no capítulo 2 de Lamentações, versículos 18 e 19. que confirmam esta ideia que estamos a explorar. O coração deles clamou ao Senhor. Ó muralha da filha de Sião, corram as tuas lágrimas como um ribeiro de dia e de noite. Cá está, mais uma vez, a metáfora da água da sede. Não te dês descanso, continua, nem parem as meninas dos teus olhos. Levanta-te, clama de noite, no princípio das vigias. Derrama o teu coração como águas diante da presença do Senhor. Levanta a ele as tuas mãos." Note a mesma ideia que lemos há pouco. Dês logo uma ideia de levantar as mãos. que pode ser uma ideia física ou real, porque também é uma posição adequada para buscar, para clamar por alguém, neste caso por Deus, mas voltamos a esta ideia também de que no clamor da noite, nas primeiras horas da madrugada, é um momento para buscar Deus e encontrá-Lo.

Portanto, há um grande anseio, uma sede na experiência humana por Deus, Mas é possível encontrar há um contexto, há uma hora, há uma oportunidade de esse encontro se dar. Qual é o terceiro conceito então que vem agora juntar mais uma ideia a estas duas? Quem busca a presença de Deus? E sobretudo quem o faz de uma forma sincera? e diligente, portanto, diligente aqui significa de forma consistente, ao longo do tempo, com todo o vigor e fervor, quem faz isto encontra em Deus respostas para os seus anseios, conforto para a sua vida. Note algumas palavras que vêm confirmar esta grande verdade.

Eu vou ler agora no perfeta Jeremias, no capítulo 29, os versículos 12 e 13 que dizem, então me invocareis e ireis e orareis a mim e eu vos ouvirei. E buscar-me eis e me achareis, repare, diz o Senhor, quando me buscardes com todo o vosso coração." Estamos a ler, portanto, aqui, através das palavras do profeta, que é o mensageiro de Deus, uma mensagem, uma confirmação que vem da parte do próprio Deus. O que quer dizer que quando nós lemos estas palavras, como povo, como filhos de Deus, encontramos uma confirmação de que se buscarmos a Deus de todo o coração, é possível achá-lo. Da mesma forma, o livro de Deuteronómio, portanto na pena inspirada do profeta Moisés, tem uma confirmação desta mesma ideia.

Versículos 29 e 30 do capítulo 4 dizem, então dali buscarás ao Senhor teu Deus e o acharás, quando o buscardes de todo o teu coração e de toda a tua alma. Quando estiverdes em angústia e todas estas coisas te alcançarem, então nos últimos dias voltarás para o Senhor teu Deus e ouvirás a sua voz". Sabe que o contexto destas palavras era uma advertência, um juízo que tinha sido apresentado pelo profeta ao povo, mas Deus dizia que ainda que estejas sob a alçada, o efeito de um julgamento que o próprio Deus trouxe sobre o seu povo, porque o povo se afastou dos mandamentos da vontade do Senhor, mas o Senhor diz, ainda que estejas a sofrer essas consequências e a viver um drama na tua vida, seja pessoal, seja neste caso também um drama coletivo, como povo de Deus, a promessa é clara, se buscares a face do Senhor, ou seja, é Deus a dizer, se me

Poder da oração

buscares de todo o teu coração, com intensidade, eu não deixarei de te ouvir. Portanto, chegamos agora, vamos dizer, a um último conceito nesta linha de reflexão, que podemos afirmá-lo agora com muita segurança, que a oração é o meio mais poderoso que nós temos disponível para um relacionamento pessoal com Deus. Note, portanto, que o que a Bíblia nos ensina é que nós podemos ter um relacionamento de intimidade com Deus. Quer dizer que a cada um de nós cabe um esforço diligente, pessoal, íntimo, de manter viva a chama desse relacionamento.

É verdade que Deus está longe, é verdade que há muitas coisas que nos separam de Deus, e nós vamos ter a oportunidade, com certeza, aqui no nosso programa, de estudar a origem desse forço que existe entre nós e Deus, mas a oração. É um instrumento através do qual nós podemos pessoalmente, interiormente, comunicar com Deus. Vamos encontrar mais alguns versículos que confirmam isto. Vamos ler novamente nos Salmos, agora o Salmo 4 e no versículo 3 diz o salmista, Ou seja, aquele que está interessado em buscar Deus e depois completa, O Senhor ouve.

Quer dizer, quando entramos numa dinâmica de oração, estamos a comunicar com Deus e podemos saber que Ele nos ouve. E agora vamos ao Novo Testamento, porque temos estado sobretudo em versículos no Antigo Testamento, mas o apóstolo Paulo, quando ele aliás no capítulo 6 de Efésios faz uma belíssima descrição, também uma metáfora da fé e da experiência do crente com a famosa armadura de Deus, em que ele vai identificar as várias peças da armadura e dar-lhes significado, no final de toda essa descrição o apóstolo vai dizer orando em todo o tempo, com toda a oração e súplica no espírito, e vigiando nisto com toda a perseverança e súplica por todos os santos.

Veja, portanto, a ênfase que é dada nesta ideia de que nós podemos e devemos orar, suplicar, vigiar, perseverar, porque é desta forma que a oração nos permite alcançar esse fruto. Portanto, a conclusão desta primeira análise que nós fizemos eu coloco neste momento diante de si. É uma frase que a mim enche muito o coração e que é uma grande verdade revelada na Bíblia. Precisamos de orar porque precisamos de Deus. A nossa necessidade de oração não é uma necessidade ritual. Dito de outra maneira, não é Deus que precisa que os cristãos culpam determinados rituais e repitam esses rituais como de uma obrigação ou de uma lei se tratasse.

Os muitos textos que nós já acabámos de ler nestes minutos iniciais mostram-nos que nós precisamos de orar porque precisamos de Deus. E é na oração que nós encontramos, precisamente, essa oportunidade de relacionamento. Agora, gostava de o convidar a seguirmos, com base nesta premissa que já estabelecemos, à procura de uma grande verdade e seguindo o modelo que basicamente temos estado a seguir neste programa, nesta série, nesta primeira série do programa Em Busca da Verdade, nós vamos olhar para Jesus.

Exemplo de Jesus

Jesus deve servir-nos como referência. A sua vida como crente em Deus, especialmente o seu relacionamento com Deus, são o perfeito exemplo para nós. Por isso, vamos olhar para o exemplo supremo de Jesus no que diz respeito à vida de oração. E vamos fazê-lo de duas maneiras. Vamos primeiro abordar a prática da oração de Jesus. Portanto, vamos analisar alguns textos que nos mostram como Jesus orava. e tirar daí lições para a nossa própria vida de oração e portanto para o tema da verdade da oração. Depois vamos também ver o que Jesus ensinou, porque ele não apenas praticou, Isso foi o principal, mas ele também falou e ensinou sobre oração. O que podemos aprender então da prática de Jesus no que diz respeito à oração?

A primeira coisa que aprendemos é que Jesus teve uma vida de oração muito consistente. Isto quer dizer o quê? Jesus não orou de vez em quando. Jesus não orou se surgiu uma necessidade especial. Jesus não orava de uma forma ritual aos sábados quando ia à sinagoga. Não. Jesus orava de uma forma permanente e consistente. A oração, portanto, dito isto de outra forma, era o seu estilo de vida. Vamos ler precisamente o que encontramos em Lucas no capítulo 6 e no versículo 12. Agora vou folhear aqui um bocadinho a minha bíblia também, embora claro que temos sempre o texto aqui afixado. para ser mais fácil acompanhar aí em casa onde nos vê neste momento. Lucas capítulo 6 e o versículo 12 note que nos diz o seguinte.

Aconteceu que naqueles dias subiu ao monte a orar e passou a noite em oração a Deus. Repare, portanto, que a consistência da vida de oração de Jesus não era fazer uma oração, ou duas, ou três, num horário fixo, de uma maneira ritualizada. Jesus passava noites inteiras em oração. Tal era a dimensão da sua necessidade de relacionamento com Deus. Mas em Mateus, no capítulo 14, E, portanto, vamos agora um bocadinho atrás ao Evangelho, ao primeiro dos Evangelhos, dos quatro Evangelhos, e no capítulo 14 de Mateus vamos encontrar a seguinte descrição, aliás muito próxima desta, mas que nos ajuda a mostrar qual era o ritmo de oração e o estilo de vida que Jesus mantinha nessa área. Então, Mateus 14, eu vou ler os versículos 22 e 23.

Diz-nos que logo ordenou Jesus que os seus discípulos entrassem no barco e fossem adiante para a outra banda enquanto despedia a multidão. E despedida a multidão, diz o versículo 23, subiu ao monte para orar à parte e chegada já tarde, ele estava ali só. Dois textos que nos ajudam, portanto, a ver a consistência do tempo que Jesus passava em oração. Mas em segundo lugar, a prática de Jesus mostra-nos algo ainda especial para lá desta vida quotidiana de oração. É que Jesus fez da oração a prioridade nos momentos mais exigentes. Note que se calhar muitos de nós, e daqueles que me ouvem, não sei se é o seu caso, mas muitos cristãos que são cristãos fervorosos, praticantes, muitas vezes quando a nossa vida é mais exigente, a nossa agenda até pessoal, profissional, é mais difícil, normalmente o que é que acontece?

Começamos a recuar na nossa vida de oração, no tempo de relacionamento com Deus, porque a vida é ocupada, falta tempo para tanta coisa. Mas Jesus mostrou-nos que nos momentos de mais necessidade e de mais exigência, a oração deve se tornar a prioridade. O exemplo que temos na vida de Jesus encontra-se em Mateus, onde estamos, aqui na nossa leitura, mas agora vamos ao capítulo 26 e vamos a um momento absolutamente excepcional, único mesmo na experiência de Jesus, em que ele foi ao jardim chamado Gethsemane. E ali no Gethsemane Jesus vai ter um momento de oração, vai também pedir aos seus discípulos, aos que foram com ele, para orarem, mas vamos focar-nos agora aqui em apenas alguns destes versículos para não lermos toda a passagem.

Notemos então no versículo 36 primeiro que lemos o seguinte, então, Chegou Jesus com eles a um lugar chamado Getsemane e disse aos seus discípulos, assentai-vos aqui enquanto vou além orar. Agora note o que aconteceu nessa oração. Versículo 39. Indo um pouco adiante prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo, meu pai, se é possível, passa de mim este cálice. Todavia não seja como eu quero, mas como tu queras. Versículo 44, deixando-os de novo, foi orar pela terceira vez, dizendo as mesmas palavras. Note, portanto, que este momento era de uma tal exigência que Jesus estava numa luta e numa tremenda angústia na sua oração com o Pai, mas neste momento ele tomou o tempo para poder estar em oração.

A terceira O terceiro ensino que aprendemos da prática de Jesus sobre oração são a existência de diferentes dimensões na nossa prática de oração. Veja que vamos observar estas dimensões num momento absolutamente excepcional, mais uma vez, da vida de Jesus, agora talvez de uma exigência ainda maior. Vamos ler três momentos, três situações em que Jesus ora ao Pai, E eu estar na cruz naquele momento. Portanto, num momento de extrema dificuldade, física, espiritual, psicológica, mas Jesus vai orar. E ele vai orar três vezes enquanto está a ser crucificado.

É interessante porque estas três orações, por isso estamos a olhar à prática de Jesus, elas vão-nos mostrar três diferentes dimensões, ou se quiser, três tipos de oração. A primeira destas orações, vamos lê-la em Lucas 23, e os versículos 33 e 34, que lemos o seguinte. Quando chegaram ao lugar chamado a Caveira, ali lhe crucificaram, e aos malfeitores, um à direita e outro à esquerda. E dizia Jesus, Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem. Que oração! Jesus busca Deus, o Pai, em oração, mas busca fazendo o quê? Orando a favor dos outros. A primeira oração que Jesus vai fazer na cruz é uma oração que podemos designá-la como intercessão.

Ou seja, uma oração que se coloca em ponte. Jesus coloca-se como ponta entre os seus carrascos e o Pai dizendo perdoa-lhes porque não sabem o que fazem. Ele dá-nos, portanto, aqui um exemplo, em termos de prática, de orarmos de forma intercessória. Quer dizer, colocarmos-nos ao serviço dos outros orando por eles. Porque estão doentes, ou porque estão abatidos, ou porque têm uma decisão para tomar, ou porque estão num momento difícil. Nós intercedemos pedindo a Deus que honre, que abençoe, que cuide, que perdoe. Depois vamos encontrar, agora em Mateus no capítulo 27, o mesmo relato da crucifixão, mas note que os vários evangelhos, que todos naturalmente têm o relato de Jesus na cruz, eles vão dando detalhes que uns não deram e isso dá-nos uma riqueza grande e uma melhor compreensão do que se passou naquele momento.

Ora, Mateus 27, 46, note o que vamos ler neste texto. Diz que perto da hora nona exclamou Jesus em alta voz, dizendo Eli, Eli, lema sabachthani? Que quer dizer, ou isto é, Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste. uma frase de Jesus que pode causar, obviamente, alguma admiração, mas que precisamos de entendê-la bem no seu contexto e como podemos interpretá-la. Por um lado, há uma evidência de que Jesus estava aqui a citar um salmo, um salmo que já com uma natureza profética apontava para o tremendo sacrifício e a experiência da cruz e do sacrifício e da morte de Jesus no salmo 22.

Jesus estava a citar esse texto, mas óbvio que ele não escolheu ao calhas essa citação, ou por um acaso esta citação implica que Jesus estava a passar por uma experiência absolutamente única. E esta experiência era a sentir a sua enorme dependência do Pai e como ao sentir a morte aproximar-se e os pecados que ele sentia espiritualmente sobre si, Jesus sente essa separação do Pai. Não é que ele estivesse, ele pessoalmente, pelos seus atos ou pelas suas escolhas, separado de Deus, mas ele sente o peso da separação. Na verdade, esta é uma oração de dependência. Jesus exclama a sua total dependência do Pai e sente-se na aflição de perder.

essa dependência. Portanto, nós encontramos aqui uma oração de confissão. Para nós que somos pecadores, esta oração de Jesus equivale a dizer Senhor eu reconheço o meu pecado, eu reconheço a minha fraqueza, eu reconheço o quanto dependo de Ti. Se quisermos mesmo dizer Senhor, eu neste momento estou longe de Ti. É esta oração de confissão que somos chamados a fazer. Mas ainda vamos encontrar na cruz uma última oração de Jesus diante do Pai. E que oração? Uma pequena frase, mas uma profunda exclamação, que nós encontramos em Lucas no capítulo 23 e o versículo 46, onde Jesus ora desta seguinte maneira. As últimas palavras de Jesus antes da sua morte foram uma oração.

E que tipo de oração se tratou? Uma oração de submissão. Jesus entregou completamente a sua vontade, a sua vida. Entregar-se a Deus é reconhecer a sua soberania e a sua vontade como superior. Isto é o que nós podemos designar como adoração. Jesus, portanto, termina a sua vida antes, naturalmente, da sua ressurreição, mas ele dá o seu último suspiro numa nota de adoração, que é tudo o que implica reconhecer Deus como Senhor e submeter-se a Ele. Veja então estes magníficos ensinos que nós obtivemos através da prática de Jesus. Mas agora vamos olhar para o ensino, porque Jesus não apenas orou e praticou,

Ensinamentos de Jesus

Jesus também ensinou muito sobre oração. E nós vamos olhar para esse ensino. Vamos ver quatro ensinos principais que encontramos nas palavras de Jesus. Primeiro deles, a oração é o reconhecimento de duas coisas que se completam e a vida e a experiência da oração serve para fazer a junção, se quiser, destas duas verdades, a fragilidade do homem e a autoridade de Deus. o Senhor Jesus ensinou claramente isto. Ou seja, quais são as implicações desta frase? É que reconhecer a fragilidade do homem que ora, e reconhecer a autoridade do Deus a quem oramos, significa que nós não podemos orar com jactância, com soberba, como se pudéssemos exigir, seja o que for de Deus.

Porque a oração não é uma exigência que fazemos a Deus. A oração é antes uma súplica humilde diante do Deus que pode todas as coisas. Note o que Jesus ensinou a este respeito em João no capítulo 15, versículos 4 e 5. Eu sou a videira, vós as varas. Quem está em mim e eu nele, este dá muito fruto, porque sem mim nada podeis fazer." Esta última expressão é fortíssima e ela encerra totalmente esta primeira lição sobre oração. Sem mim nada podeis fazer.

E Jesus ao ensinar que sem Deus Neste caso, Ele, o Deus, Verbo, Palavra, o Deus Jesus Cristo, Ele ensina-nos que não podemos nada sem Ele. E é por isso que a oração é a resposta para essa grande necessidade. Note, portanto, que em Mateus, no capítulo 6 e no versículo 8, nós temos o registro de que Jesus disse, porque o vosso Pai sabe o que vos é necessário antes de vós lhe o pedirdes. Ou seja, a autoridade, a omnipotência de Deus, o Deus que sabe tudo e que pode tudo, omnisciente, omnipotente. Quando nós oramos, vamos em busca deste Deus. e, portanto, reconhecemos o quão frágeis somos.

Em certo sentido, ou numa outra formulação, podíamos dizer que o poder da oração não está em quem ora. Por isso é que, repara, se é o seu caso, porque há muitos cristãos que têm esta prática e esta convicção, segundo as palavras de Jesus, não se convença que o poder está naquele que ora. Logo, não pense que há uma pessoa, um líder espiritual, um pastor, um sacerdote, um apóstolo, seja qual for a designação de uma pessoa, não pense que essa pessoa tem um poder sobrenatural ou especial em relação ao que a sua oração tem. Também não se convença que há pessoas que são mais santas ou mais queridas para Deus e, portanto, que a oração delas deve ter mais influência ou mais poder.

Porque a oração e o poder da oração não está em quem ora, mas A quem se ora? Por isso Jesus disse, sem mim nada podeis fazer. Não em vós que está o poder, em mim. E por isso Jesus dizia que Deus sabe tudo. Ele conhece até o que vamos pedir. Mas pedimos porque reconhecemos a sua soberania. A segunda grande lição de Jesus no seu ensino sobre oração foi este. Oração é o meio para manter um relacionamento pessoal e íntimo com Deus. Note porque é que isto é muito importante. Porque muitos cristãos foram ensinados, e foram ensinados durante séculos e séculos, a que a oração é, na verdade, uma vida de rezas.

Ou seja, de forma repetitiva, apresentar a Deus, ou se quiser, de forma ritualizada, apresentar a Deus rezas, textos, e ao cumprir esses textos a nossa vida de oração está cumprida. Por isso é verdade até que muitos cristãos nem nunca se habituaram a usar a expressão oração. E o que é que isso retira? O problema não está no uso das palavras. Está que ao retirarmos o conceito de oração, retiramos-lhe o sentido de relacionamento pessoal e íntimo. Ora, Jesus ensinou o quê? Lemos em Mateus capítulo 6, que é aliás o texto onde encontramos o mais denso ensino de Jesus sobre oração, encontramos o seguinte no capítulo, no versículo 6. Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e fechando a tua porta ora a teu pai que vê o que é oculto e teu pai que vê o que está oculto te recompensará.

Portanto, uma evidência clara de que Jesus instruiu todos os que o ouvem, portanto nós também hoje que estamos a estudar a sua palavra, instrui-nos a fazer o quê? A ir para o silêncio da nossa intimidade e ali buscar a Deus as coisas que estão ocultas, portanto não são coisas escritas, já pré-fabricadas, é o que está no oculto, é o que está no nosso coração, é o que está no nosso íntimo, portanto podem ser as nossas fraquezas e o nosso pecado, podem ser os nossos anseios e medos, podem ser as nossas súplicas. É isso que apresentamos a Deus. Mas em Lucas no capítulo 18 e no versículo 1, nota um texto que ainda vai reforçar esta ideia de que a oração tem o propósito de nos manter num relacionamento íntimo com Deus.

Jesus disse, contou-lhes também uma parábola sobre o dever de orar sempre e nunca desfalecer. Note que este conceito, agora não vamos estar a ler esta parábola, que é muito interessante, mas pela gestão do nosso tempo nós não vamos lê-la, mas Jesus introduz esta parábola, neste caso nas palavras de Lucas, mostrando que o objetivo de Jesus ao contá-la era mostrar que o dever de todo discípulo de Jesus é orar sempre e nunca desfalecer. Portanto, a oração mantém-se de uma forma consistente, porquê? Porque é um estilo de vida. Tal como nós já vimos em Jesus que ele passava noites em oração, que ele fosse qual fosse a sua vida, ia buscar o Deus, o seu Pai, para ir buscar força e inspiração para a sua vida.

Oração é relacionamento índimo com Deus. Mas não apenas. A oração torna-nos espiritualmente despertos e vigilantes. Porque nós temos uma grande tendência pessoal, mas também à nossa volta muitas coisas que acabam, muitas vezes, por nos fazer adormecer espiritualmente, distrair-nos. E Jesus adverte-nos para esta grande dimensão de vigilância, de despertamento espiritual. que a oração serve para cumprir esse propósito. Vamos ler alguns textos. Vamos começar em Mateus 26, que já há pouco lemos aqui, mas aí o foco na prática de Jesus e agora vamos focar-nos no que ele ensinou aos discípulos quando os levou lá ao tal jardim do Getsemane e onde esteve a orar numa luta tremenda com o Pai.

Note o que aconteceu nesse encontro. Vou ler então a partir do versículo 38. Então Jesus lhes disse, a minha alma está cheia de tristeza até à morte. Ficai aqui e vigiai comigo. Mas depois o que aconteceu? Voltando para os seus discípulos, achou-os adormecidos e disse a Pedro, então nem uma hora pudeste vigiar comigo? Vigiai e orai para que não entreis em tentação. Na verdade o espírito está pronto, mas a carne é fraca. Jesus advertia os seus discípulos para esta necessidade de vigiarem. Isto quer dizer o quê? Estarem atentos, não sonolentos. Portanto, a oração tem o papel de nos despertar os sentidos espirituais, mas também despertar o sentido para a realidade que se passa à nossa volta.

Porque os discípulos não percebiam, naquele momento, que estavam para enfrentar um dos momentos, se não o momento mais duro da sua experiência. Porque eles não conseguiam ainda conceber que Jesus ia passar pela morte. E, portanto, eles não vigiaram, adormeceram, não se prepararam. Mas, em Mateus, no capítulo 25, depois do grande discurso profético de Mateus 24, Jesus vai contar algumas histórias, algumas parábolas, e todas elas, no fundo, para ilustrar esta grande verdade que encontramos em Mateus 25, 13, no final da parábola que habitualmente chamamos das Dez Virgens ou das Dez Moças. E aí o Senhor disse, Porque não sabeis o dia nem a hora em que o Filho do Homem há de vir." Ou seja, como nós não sabemos os tempos que Deus tem preparados, incluindo o tempo da sua vinda, e muito em breve nós aqui falaremos da vinda do Senhor Jesus e estudaremos esse maravilhoso tema, ora Jesus aqui diz vigiem.

Orações rejeitadas

E este vigiar já percebemos que tem a ver precisamente com uma intensidade de oração buscando a Deus para compreender o tempo em que vivemos. Última lição que vamos aprender do ensino de Jesus é que há orações que não agradam a Deus. E é muito importante compreendermos isto porque pode acontecer que algum de nós esteja, porventura, não intencionalmente ou com maldade no seu coração, que seria o pior cenário, podermos estar a fazer as orações que não agradam a Deus. Vamos ver quais são. Há duas grandes áreas de oração que Jesus identificou, uma mais na forma, outra no conteúdo e que Jesus disse claramente que são orações que Deus não aceita.

Em primeiro lugar, é oração repetitiva ou ritualizada. Onde é que isto está escrito na Bíblia? Mateus 6 e o versículo 7. Noto que Jesus disse claramente, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios que pensam que por muito falarem serão ouvidos. Note, portanto, se porventura alguém me está a ouvir neste momento e tem essa prática ou até mesmo foi ensinado a ritualizar as suas orações e a repeti-las vez após vez, se alguém foi mesmo instruído por algum líder religioso para usar uma oração escrita ou uma reza que está estabelecida e que é um dever para obter perdão, para obter misericórdia, ou repetir incessantemente aquela oração, as palavras não são minhas, são claras e são de Jesus.

Não useis de vãs repetições quando orardes, precisamente porque nós já vimos que a oração serve um propósito de relacionamento de fervor espiritual. A segunda oração que Deus não aceita, que Deus não se agrada dela, é a oração, e agora tem mais a ver com a atitude, não com a forma como se faz, mas com o que está no coração. É a oração hipócrita e arrogante. E Jesus foi, aliás, muito contundente com este tipo de postura, especialmente na oração. Lemos, por exemplo, em Mateus, ainda no capítulo 6, mas o versículo 5, que Jesus disse, quando orares, não sejas como os hipócritas, Porque o que é que fazem estes hipócritas? Comprazem sem orar em pé nas sinagogas e às esquinas das ruas?

para serem vistos pelos homens. A oração hipócrita, a oração que não tem o intuito de ter relacionamento com Deus, lembra-se do que falámos no princípio. Esta oração não tem como intuito alimentar a nossa sede por Deus. Esta oração, que Jesus aqui assinala, tem como objetivo que os outros olhem e digam uau, que pessoa espiritual, que tem um bom relacionamento com Deus. Esta é a oração hipócrita. Mas em Lucas 18, Jesus contou uma parábola. Vamos ler toda esta parábola porque eu creio que vai ser muito importante. Jesus aí vai claramente identificar o problema da arrogância, da soberba na oração. Nota então que diz o seguinte. Diz-se também esta parábola a uns que confiavam em si mesmos, crendo que eram justos e desprezavam os outros. Dois homens subiram ao templo a orar, um fariseu, o outro publicano.

O fariseu, estando em pé, orava consigo desta maneira. Ó Deus, graças a tudo, porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos, adultos, nem ainda como este publicano. Jeju duas vezes na semana, dois dízimos de tudo quando possuo. O publicano, porém, estando em pé de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo, ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador? Digo-vos que este desceu justificado para a sua casa, e não aquele, porque qualquer que a si mesmo se exalta, será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha, será exaltado. Eu penso que não precisamos de comentários. A oração arrogante é uma oração que Deus não ouve.

E agora eu queria, no final deste estudo, chamar a sua atenção para um um ponto importantíssimo no ensino da Bíblia, de uma forma geral, sobre a oração, depois

Inimigos espirituais

de termos visto tudo o que Jesus praticou e ensinou sobre a oração. E eu gostaria de mostrar-lhe o fenómeno, a dimensão do poder ou da manifestação do poder na oração, porque Além de, como vimos até aqui, a oração ser essencialmente um meio de relacionamento com Deus, a oração também é um meio para obter poder. Vamos analisar isto. Porquê é que precisamos de poder na vida cristã? Temos duas grandes razões. Primeira, nós temos um inimigo poderoso. Esse inimigo é externo a nós, está identificado na Bíblia. Também teremos a oportunidade de estudar sobre ele, mas com certeza que já ouvimos declaradamente falar sobre este que a Bíblia chama o inimigo diabo satanás.

Ora, o apóstolo Pedro escreveu na sua primeira carta, capítulo 5 e versículo 8, Cede sóbrios vigiai, o vosso adversário, o diabo, andem de redor rugindo como leão, procurando a quem possa tragar. Portanto, está muito claro, nós temos um inimigo, esse inimigo é que comparado a um leão, portanto ao poder, ele quer tragar. Portanto nós temos uma grande necessidade de poder para nos defendermos ou para lutarmos contra este inimigo. Mas nós também temos uma outra forma de inimizade, de perigo para a nossa vida, espiritual sobretudo. É que os nossos desejos, muitas vezes as intenções e anseios, mais carnais, como a própria Bíblia lhe chama, da nossa vida, são enganadores.

Este é o tal inimigo interno. Por isso é que o apóstolo Tiago, lemos isto no capítulo 1 de Tiago e o versículo 14, tem esta afirmação. Cada um é tentado quando atraído e engudado, noto bem, pela sua própria concupiscência. Ou seja, há alguma coisa em nós que nos engana, que nos engoda, que nos envolve Se formos analisar esta palavra, porque eu reconheço que para muitos pode ser uma palavra um pouco estranha, ou pelo menos fora do vocabulário normal, mas é uma palavra muito simples. Quando nós vamos realmente olhar para esta palavra, até de uma forma mais literal, poderíamos traduzi-la como maus desejos. São os nossos desejos que não estão consagrados a Deus, que não são bons e puros.

E há muitos desses desejos, dessas intenções em nós. Ora, isso também é um tremendo inimigo. E por isso é que nós precisamos de poder. A pergunta, portanto, que se impõe é, como ter poder sobre estes inimigos? Lembra-se que, há pouco lemos, e eu vou voltar a lembrar, que Jesus disse aos discípulos, lá quando estavam naquele monte, e ele pedia-lhes para orarem, Jesus dizia, vigiai e orai, para que não entreis em tentação. Cá está a ideia de que a oração é um meio que Deus nos concedeu, para quê? Para não entrar em tentação. Entrar em tentação ou ceder mesmo à tentação é precisamente permitir que os inimigos vençam sobre nós.

Como é que nós podemos ter poder sobre estes inimigos? Eu gostava de chamar a sua atenção de uma maneira muito especial neste momento e peço por isso que ainda me acompanhe mais uns minutos porque esta compreensão eu

Falta de poder

acredito que pode ser decisiva para a sua vida e por isso tenho a ousadia, se me permite o dizer, porque posso dar-lhe um testemunho. Esta compreensão na minha vida tem sido decisiva. Eu vou lembrar-lhe uma história que se passou na vida de Jesus. Não vamos ler aqui este relato todo, mas tratou-se de um homem que um dia veio a Jesus com o seu filho que estava possuído por um demónio. A bíblia conta precisamente muitos relatos em que esse tal inimigo, que já falámos, o diabo, se manifestava na vida das pessoas de uma forma concreta. Vejamos algumas partes desta história. Este homem veio e disse, mestre, portanto falou com Jesus, trouxe-te o meu filho que tem um espírito e eu disse aos teus discípulos que o expulsassem e não puderam.

Jesus, vendo que a multidão concorria, então o que é que ele fez? Repreendeu o espírito imundo, dizendo-lhe, espírito mudo e surdo, eu te ordeno, sai dele. E assim aconteceu, os discípulos puderam expulsar, os discípulos, melhor, não conseguiram ter poder sobre aquela manifestação do mal, do diabo e Jesus com uma palavra e teve poder sobre aquele espírito imundo, maléfico. Ora, quando terminou, eles saíram deste momento e o texto continua a dizer que quando entrou em casa os seus discípulos lhe perguntaram à parte, porque não pudemos nós a expulsar. Então Jesus disse-lhes, esta casta não pode sair com coisa alguma a não ser com oração e jejum.

Resposta curiosa, aparentemente muito simples. Esta história impõe algumas perguntas. Porque é que os discípulos não tiveram poder para fazer aquele milagre, exercer esse grande poder sobre o mal? O que é que distinguia então Jesus e o poder que ele tinha? que uma simples palavra foi suficiente para aquele espírito demoníaco ser vencido. Que lugar teve a oração e o jejum neste milagre? Porque Jesus disse que é preciso orar e jejuar. E a gente olha para a história e poderíamos perguntar, mas será que Jesus orou e jejuou por aquele caso ou por aquele jovem? Na verdade a explicação está na vida no estilo de vida, mas também nas palavras de Jesus. Porque um dia, e agora a explicação vai ficar mais clara, um dia Jesus disse o seguinte, encontramos este registro em Mateus 12, 24-28.

Os fariseus diziam, este não expulsa os demónios se não por Beelzebu, príncipe dos demónios. Note, portanto, que os fariseus acusaram Jesus de expulsar demónios, porque eles viam-no executar essa ação de grande poder sobre o mal, mas como Enfim, eles sentiam-se tremendamente desalentados de ver esse poder em Jesus e quiseram acusá-lo de fazer isso no poder do próprio diabo. Ora, Jesus então usou de lógica para falar com eles e disse-lhes. Jesus, conhecendo os seus pensamentos, disse-lhes. Todo o reino dividido contra si mesmo é devastado e toda a cidade ou casa dividida contra si mesma não subsistirá. Ora, se Satanás expulsa Satanás, está dividido contra si mesmo, como subsistirá, pois, o seu reino?

Mas se eu expulso os demónios pelo Espírito de Deus, logo é chegado a vós o reino de Deus. Note que Jesus vai usar uma lógica clara, que Satanás não vai expulsar Satanás. É impossível alguém que tenha a influência de Satanás, o diabo inimigo de Deus, é possível alguém que também não controla os seus inimigos internos, que são as suas paixões, as suas tendências, os seus desejos maus, essa pessoa não vai poder ter poder sobre o próprio inimigo. Isto mostra-nos então o quê? Que conclusões podemos tirar destas duas histórias e do que Jesus ensinou numa e noutra? Fica muito claro, talvez eu vou ajudá-lo a tomar também essa clareza comigo. Primeira conclusão, os discípulos não conseguiam ter poder sobre o mal porque o inimigo exercia domínio sobre eles.

Isto está muito claro ao longo da Bíblia. Talvez seja uma surpresa para alguns de vós poder afirmar isto, mas é uma conclusão das palavras de Jesus. porque os discípulos não só não manifestavam muitas vezes poder sobre o inimigo exterior, o diabo, mas muitas vezes revelavam isso através da sua incapacidade de controlar o seu inimigo interior, os seus desejos e paixões que não estavam controladas. Por isso, certas formas mais poderosas, sobretudo, da manifestação do mal, eles não tinham poder. Mas Jesus tinha autoridade sobre o mal, porquê? Porque o poder do Espírito Santo, tal como ele disse, estava sobre ele. Agora, de onde é que vem esta diferença? A origem desta diferença era o tempo que Jesus passava em oração.

E nós já lemos aqui, aliás começamos por ler Esses momentos em que Jesus passava noites inteiras, diariamente, em oração. Qual é a conclusão que podemos chegar? Que a prática dos discípulos podia, nesta história que nós lemos, podia assimilar-se, perdão, assimilar-se a isto. Os discípulos viam a manifestação do inimigo, neste caso, um jovem que estava possuído. Quando eles viam isso, eles oravam. Podemos imaginar os discípulos a tentar, tal como Jesus fez, a dizer àquele demónio para ser expulso e diziam, falavam ao Pai, Senhor, com poder. Mas essa oração, qual foi o resultado dela? Pouco, e neste caso concreto, nenhum poder. Esta era a prática dos discípulos e eu vou dizer-lhe é a prática de muitos nós cristãos.

Nós só quando vemos a manifestação do inimigo, só quando nós próprios vemos como o nosso inimigo interno por vezes tomou conta de nós, é aí que nos lembramos e vemos a situação em que estamos e então começamos a orar. E o resultado é pouco poder. Mas agora note, com tudo que vimos até aqui, qual era a prática de Jesus. Muito diferente. Jesus passava muito tempo em oração e jejum. Consistentemente, diariamente, era o seu estilo de vida. Logo, quando a manifestação do inimigo surgia à sua frente, fosse em que forma fosse, Jesus manifestava grande poder. A diferença estava onde então? No tempo que passava em oração.

Transformação dos discípulos

O que é interessante é que esta experiência na vida dos discípulos vai mudar totalmente. Quando Jesus ascendeu aos céus, nós vamos a ler no livro de atos e depois nas cartas também a história e a experiência dos apóstolos e vemos como ela é muito diferente. Por exemplo, Atos 1-13 diz-nos que subiram ao cenáculo onde habitavam Pedro, Tiago, João, André, Filipe, Tomé, Bartolomeu, Mateus, Tiago, Simão, Judas, ora quem são estes? Os discípulos. E agora anota o que é que diz o texto. que todos estes perseveravam unanimemente em oração e em súplicas com todas as mulheres e Maria, Mãe de Jesus e com os seus irmãos. Agora vamos encontrar os discípulos unanimemente em oração. Qual vai ser o resultado desta mudança de abordagem, de agora estar em tempo de qualidade, unânimes na oração?

Nós vamos ver, por exemplo, eu trouxe-lhe apenas um exemplo antes, no capítulo 5, em que nós vamos encontrar o quê? Que o apóstolo Pedro... Um daqueles que antes também não conseguiu expulsar aquele demónio, agora nota o que aconteceu. A multidão dos que queriam no Senhor crescia cada vez mais. Transportavam os enfermos para as ruas, punham-nos em leitos para que ao menos a sombra de Pedro, quando este passasse, cobrisse alguns deles. Até das cidades-circo-vizinhas concorria muita gente a Jerusalém. E o resultado qual era? atormentados, enfermos e atormentados de espíritos imundos, os quais todos eram curados. Este era o resultado. Porquê agora esta diferença?

Porque os discípulos agora estavam numa tremenda dinâmica de oração. Por isso, eu desafio a si, que me acompanhou neste estudo, a tomar em consideração a sua necessidade, tal como eu neste momento reflito sobre a minha, a nossa grande necessidade de orarmos, de sermos vigilantes, de orar e jejuar, que quer dizer lutar com Deus para que Ele abençoe, separar-nos do tudo aquilo que nos pode afastar de Deus e orar. Busque esse grande relacionamento com Deus. Não apenas vai saciar a sua vida e a sua sede espiritual, mas vai também encontrar poder sobre o mal, sobre os seus inimigos.

Por isso que Deus o abençoe e o ajude neste grande propósito de uma vida de oração mais semelhante à de Jesus. É isso que eu o desafio. Que Deus o abençoe. Nós voltamos, se Deus quiser, a estar juntos no próximo Em Busca da Verdade. Até lá, se Deus quiser.

Série
Em Busca da Verdade · 20 episódios
Temporada e episódio
Temporada 1
Estreou
25 de Janeiro de 2022
Categoria
Espiritualidade