Olá, seja muito bem-vindo, muito bem-vinda a mais um episódio Mentes que Sentem. Já há alguns meses que estamos juntos, em alguns episódios deste programa, que é o seu programa, o programa talvez de algum amigo, algum familiar, que entretanto também ao conhecer estes ensinamentos e estas informações que aqui vai recebendo também tem sido uma ajuda e um privilégio. É sempre uma alegria estar consigo, mesmo que seja aí um momento ou uma situação menos mais difícil, menos prazerosa. Continuamos em oração e sabemos que o Senhor está ao leme e o Senhor está a cuidar da nossa vida, da sua vida. Uma vez mais, tenho o prazer e a alegria de estar aqui com a doutora Cristina Dias.
Cristina, que bom estar contigo uma semana a mais, em mais um episódio. Muito obrigada pela tua presença. Obrigada, Melu. Obrigada, é muito bom estar aqui. É bom estarmos num espaço em que possamos colocar as nossas dúvidas de forma acolhedora, sem juízes de valor.
É muito importante isso. É verdade. E muito obrigada sempre pela tua informação e pelo teu ensinamento. Cristina, nos episódios anteriores nós falamos sobre aquilo que é a inteligência emocional. Nós conhecemos algumas emoções básicas, falamos sobre isto, quais as suas funções, e é interessante que, entretanto, eu li um pensamento de um autor, Daniel Goleman, que seguramente tu conheces, em que ele dizia que um aspecto do relacionamento bem-sucedido não é o quão compatível nós somos, mas como gerimos as nossas incompatibilidades. E eu achei isto maravilhoso. Podes desenvolver um bocadinho esta ideia porque eu acho que ela realmente é fundamental nesta questão da tal inteligência emocional.
Essa citação que tu trouxeste, esse pensamento, é dito por aquele que é considerado um dos autores-chave no âmbito da inteligência emocional. E, efetivamente, isto acaba por nos trazer aqui uma mudança, um bocadinho de paradigma. Quando nós falamos de relações, relações humanas, não importa se estamos a falar de uma relação de um casal, de pais com filhos, ou de outros genes a nível familiar. É muito interessante perceber que a maior parte das vezes nós dizemos que não somos compatíveis. Ou estamos à espera que haja uma mudança do lado de lá. E, na realidade, aquilo para o qual ele chama a nossa atenção é que não é a compatibilidade que garante o sucesso, mas sim a forma como nós vamos gerindo as nossas diferenças.
Então, há alguns pressupostos básicos que deveremos ter em atenção quando nós abordamos esta frase e o sentido que ela pretende atribuir às coisas. Primeiro, é natural haverem diferenças. Essas diferenças podem ou não resultar em incompatibilidades. Depende do quê? Da forma como nós as administramos. Então, a palavra-chave aqui tem a ver com gerir. Só que, em maior parte das vezes, nos relacionamentos, nós evitamos. E à medida que nós vamos desenvolvendo, lembra-te que esta frase foi dita no âmbito do contexto da inteligência emocional, à medida que nós vamos aprendendo a desenvolver esta característica da inteligência emocional, nós vamos adquirir resiliência perante os desafios.
e vamos adquirir um aspecto que é extremamente importante, que é a flexibilidade. Nós achamos, a maior parte das vezes, que somos flexíveis, mas a evidência vem nos demonstrar um bocadinho o contrário. Às vezes dizemos, eu sou assim e assim continuarei a ser. Estou à espera que o outro é que mude, quando, na realidade, isso está-me a dizer que o paradigma muda para o desenvolvimento de competências pessoais. E aqui eu gostava de dar um exemplo prático, eu gosto de exemplos. Imagina que nós as duas vamos num carro, não importa quem vai a conduzir e fura um pneu. E a determinada altura eu pergunto, Miluto, sabes trocar um pneu furado? E tu respondes, sim, sei. Eu, ótimo. Pelo menos sabes mais do que eu, vamos supor. Mas já fizeste isto muitas vezes? E tu dizes-me, eu nunca fiz, Cristina, mas eu já vi vários tutoriais no YouTube sobre como fazer.
E agora a pergunta que eu coloco é, ao ouvir isto da tua parte, qual é o impacto que tu achas que isto terá em mim? Ficas apreensiva, não é? Não tão confiante assim. Exatamente, ou seja, eu poderei numa primeira perspetiva dizer, bom, pelo menos sabe mais do que eu porque viu vídeos no YouTube ou tutoriais, mas nunca pôs isto em ação, nunca pôs isto na prática. Então, uma coisa que nós temos que ter noção é que as frases são sempre muito bonitas, os pensamentos são sempre muito bonitos, mas o conhecimento adquire o seu pleno potencial quando ele é posto em ação. E para nós podermos vir de encontro ao que este pensamento nos traz, nós temos que aprender a desenvolver a nossa inteligência emocional.
Só que nós muitas vezes esquecemos-nos que por muito que determinadas coisas até possam fazer sentido para nós, o desenvolvimento de algo implica um processo. E até podemos entender o conceito de uma forma simplista, mas pô-lo em prática vai acarretar uma série de desafios e constrangimentos. Por outro lado, o caminho não é linear. Há algum tempo atrás eu vi uma imagem que achei muito interessante. Alguém falava, utilizava aquela imagem, seja para atingir um objetivo, uma meta que tu tens, não interessa. E dizia, sempre que nós pensamos em atingir algo, nós achamos que o caminho é assim, linear de forma ascendente. Mas, na realidade, o caminho para atingir algo, não importa o que é em concreto, é assim, é uma linha ondulada, embora sempre na direção ascendente.
Só que quando nós estamos no período menos bom, no período mais desafiador, nós não temos a perceção que mesmo assim nós continuamos a ascender, ou seja, mesmo assim nós continuamos a evoluir. E isto é importante percebermos, porque daqui a pouco vamos falar de alguns desafios, percebermos que o fato de eu poder estar a passar por um período mais desafiante, Apesar de ter consciência da minha necessidade de desenvolvimento de inteligência emocional, não significa que eu não esteja a crescer. Por outro lado, fica bonito, numa conversa entre amigos, dizer sim, eu sei que sou humana, eu sei que eu tenho que aceitar isto. Mas aceitar a nossa humanidade implica aprendermos a desenvolver compaixão, e nós não sabemos fazer isto.
E iremos ter oportunidade de refletir na importância que a compaixão tem no âmbito do desenvolvimento da inteligência emocional. Já agora, Cristina, e ao falar sobre estas questões, e realmente para mim faz logo-me lembrar que isto é imprescindível nos relacionamentos.
porque esta questão de realmente nós entendermos a questão do outro, ou entendermos o que o outro realmente queira dizer, ter esta capacidade que, com certeza, com a ajuda de Deus, não é? E nós que somos cristãos e que confiamos que o Senhor a gera e pode e quer gerir todas as nossas emoções, a questão que se coloca é, talvez, como é que nós possamos desenvolver, então, esta inteligência emocional. Como é que isso se faz? Sabes? Estavas a falar que isto é importante para os relacionamentos. Mas tu não podes dar o que tu não tens. Pois, exatamente. Então, a primeira coisa que nós temos que perceber é como é que eu desenvolvo a inteligência emocional em relação a mim própria. E o Daniel Goleman tem uma frase que eu aprecio particularmente e que diz assim, passo a citar, A autoconsciência é a base da inteligência emocional.
E, mais uma vez, uma daquelas frases bonitas que nós dizemos, ah, que bonito, mas, na realidade, o que é que isto significa e que impacto é que isto tem? Nós, em episódios anteriores, já falamos um bocadinho sobre isto. Mas a autoconsciência é esta capacidade de nós entendermos o que pensamos, o que sentimos e a forma como nos comportamos e, ao mesmo tempo, mantermos ligados àquilo que são os nossos valores, o que nós consideramos importante. À medida que nós vamos desenvolvendo esta autoconsciência sobre como eu penso, como eu sinto, como eu ajo, e se isso está enquadrado ou em conformidade com aquilo que eu considero importante, nós vamos desenvolvendo um mecanismo que é o mecanismo da regulação emocional. Nós já falávamos disso também em episódios anteriores. Que basicamente é a capacidade, de uma forma muito simplista, é capacidade de aprender a gerir as minhas emoções de uma forma mais equilibrada.
E à medida que nós vamos desenvolvendo este processo, eu já vou responder à tua pergunta em concreto, mas à medida que nós vamos desenvolvendo este processo, isto permite-me, enquanto eu adquiro uma maior autoconsciência em relação a mim própria, desenvolver também a autoconsciência em relação ao outro. E aqui permite-me mais uma vez dar um exemplo. Provavelmente já o terei dado noutros episódios, mas ele para mim é claro. É um exemplo real. Uma mãe vai com uma criança, que terá ao volto dos 4, 5 aninhos de idade, e vão visitar uma escolinha, um infantário, supostamente para decidirem se vão ou não colocar a criança lá. E a pessoa que está a fazer a visita guiada, portanto vamos partir do pressuposto que é uma educadora, está a mostrar os espaços e nisto passam por uma zona onde tem desenhos afixados das crianças.
E o menino pergunta, quem fez estes desenhos feios? A mãe fica surpreendida com a observação da criança, até um bocadinho constrangida, e não sabe muito bem como é que há de reagir. Mas a educadora responde algo do género. Estes desenhos foram feitos pelos meninos. Não são feios, são os desenhos dos meninos. A visita continua. Passado um bocadinho, passam por outra zona e a criança vê um brinquedo que está partido e pergunta quem foi o menino mau que partiu este brinquedo? A mãe, nessa altura, dá-lhe um esticãozinho de leve no bracito, do género comporta-te, e a educadora responde algo. Olha, os brinquedos são para brincar. Às vezes os acidentes acontecem e partem-se. E a visita continua com este tipo de observações da criança e a mãe cada vez numa situação mais constrangedora.
E nós somos capazes de olhar do lado de fora e dizer, coitada da mãe. Provavelmente éramos capazes de não ter uma reação assim tão diferente da da mãe. Está caladinho que estamos a deixar numa situação complicada. Mas pensa comigo. Aquela educadora percebeu qual era a dúvida daquela criança. Será que se eu fizer um desenho que tu aches feio, tu vais deixar de gostar de mim? E será que se eu partir um brinquedo, eu vou ser mal? Na realidade, o que a criança está a colocar como questão é isto. E a capacidade de tu percepcionares que esta é a verdadeira questão da criança, significa que aquela educadora desenvolveu alguma inteligência emocional para perceber o que é que vai dentro do outro.
Agora, quando falamos no desenvolvimento da inteligência emocional, às vezes o ser humano, quando vê algo que faz sentido para si, enche-se de coragem. e de boa vontade. Faz lembrar as resoluções de final de ano em relação ao próximo ano. Mas depois quando nós vamos tentar perceber quantas é que ficaram na prática, preferimos até nem olhar para a nossa lista de resoluções. E quando falamos de inteligência emocional, vai acontecer exatamente a mesma coisa. Então, eu gostava de abordar contigo, convosco, alguns desafios que existem neste processo do desenvolvimento da inteligência emocional, não no sentido de nós olharmos para eles como obstáculos, mas no sentido de nós termos consciência que muitas vezes o processo não é linear, Pelo contrário, tem altos e baixos, porque isto interfere nesse processo.
Mas à medida que temos consciência, podemos agir sobre. E mais uma vez darei um exemplo. Imagina que eu, entretanto, no fim de semana, fiz uma caminhada. Estou a comentar contigo e disse, ah Milo, fiz uma caminhada fabulosa, o sítio é muito bonito, devias ir lá. E tu perguntas-me então, diz-me lá as recomendações, as orientações para lá chegar. E eu digo, olha, é uma caminhada de dez quilómetros, vai bem equipada, mas tu vais gostar. E agora vamos imaginar dois cenários distintos. Vamos imaginar que eu completo a frase e te digo, olha, os primeiros dois quilómetros têm uma subida puxadinha, mas depois tens que desforçar. Depois vai valer a pena. Depois o caminho é plano e a paisagem é fabulosa. Cenário A. Vamos ao cenário B.
Imagina que eu apenas te digo, me levai. É lindo. São 10 quilómetros, mas faz isso com facilidade. Agora, a pergunta que eu te coloco é, tu fizeste isso no fim de semana seguinte, como é que tu achas que o fato de eu ter dado a informação de uma ou de outra forma terá tido impacto em ti? Achas que isto faz diferença? Sem dúvida. Mas qual? Qual é a diferença que tu achas que faria? Creio que para a primeira que tu propões, ou seja, que me avisas desde já que vai haver, portanto, uma subida, eu já vou um pouco apreensiva e se calhar até pré-preparada para encontrar esse desafio para o qual tu me avisaste que eu ia ter. Na segunda hipótese, eu vou completamente ignorante, não é em relação àquilo que eu vou encontrar.
Exatamente. Então, quando nós vamos falar agora de desafios no âmbito da inteligência emocional, a lógica é exatamente a mesma. Estamos a preparar que no crescimento, no desenvolvimento da inteligência emocional, existirão desafios. Mas eles têm que ser encarados como alavancas no conhecimento. e não como coisas para nos travar e dizer desisto. Já agora, Cristina, e antes de avançarmos, porque está a vir a talho de força, antes de entrar exatamente nesses exemplos, como sempre, nós temos a tal revista, o tal manual de estudo, que acabamos por dar e por oferecer a todos aqueles que nos contactarem, seja por mensagem ou por mensagem de voz, para o número 933-939291, este manual de estudos, Sentimentos, a Ciência do Existir, onde pode encontrar estas coisas que nós estamos hoje a refletir e a pensar e muitas outras também que fazem parte deste desafio que é nós mantermos a nossa saúde mental.
Então, se quiser, se desejar, para si ou para algum amigo que queira oferecer, o 933-939-291 é o contacto pelo qual pode enviar a sua mensagem e o seu pedido, que receberá gratuitamente na sua casa. Muito bem, então vamos a esses exemplos, a esses avisos, pré-avisos que nos ajudarão no desenvolvimento da nossa inteligência artificial.
Emocional. Emocional, perdão. A inteligência artificial é outra coisa, emocional, exatamente. Ok. Então nós vamos abordar, não tudo hoje, portanto convido aqueles que estiverem a ouvir-nos a continuarem a acompanhar-nos nos episódios seguintes. Mas vamos falar sobretudo de cinco. Não quer dizer que não existam mais, mas estes são relevantes. Vamos falar da complexidade do nosso cérebro. Vamos falar do estamos aqui. Daqui a pouco eu irei explicar o que é isto do estamos aqui. Vamos falar da aprendizagem emocional e das memórias corporais. Vamos falar das nossas estratégias de proteção e segurança. E vamos falar do nosso sistema de recompensa e prazer. Tudo isto tem um impacto direto na forma como desenvolvemos a inteligência emocional.
Então vamos começar pelo primeiro. Pela complexidade do cérebro, vamos só reflorar aqui muito ao de leve. Nós somos concebidos de uma forma extraordinária. E este órgão, que é o nosso cérebro, tem uma complexidade fabulosa. Mas tem uma funcionalidade em que nada foi deixado ao acaso. E António Damasio, já tivemos a oportunidade de falar dele em episódios anteriores, médico, ele conseguiu, através de experiências e de investigações que foi desenvolvendo, demonstrar que existe uma base orgânica para as nossas emoções e para os nossos sentimentos. E aqui abro um parênteses para relembrar algo. Emoções é a expressão fisiológica daquilo que sentimos, dá para ver, Os sentimentos é a tradução do estado emocional.
Portanto, ele até utiliza uma frase interessante, ele diz, a emoção dá para ver, o sentimento dá para esconder. Ou seja, tu podes estar a sorrir e estás a fazer uma expressão fisiológica que eu interpreto, mas tu poderás estar profundamente triste por dentro. E isso é o sentimento. E agora pegando novamente num exemplo, se nós percebemos que todas as emoções têm uma função e que o nosso cérebro não foi concebido ao acaso, vai nos ser mais simples gerirmos o impacto que isso tem em nós. Imagina que tu partes uma perna, vamos supor. Estás naquele processo de recuperação que é chato, que pode ser moroso, que é doloroso até. Mas se tu compreendes que a dor tem como função proteger-te, porque se tu não sentisses dor irias continuar a utilizar a perna, por exemplo, então tu tens, apesar do desgaste e do desconforto, tu tens outra capacidade de gerir o impacto que a dor tem em ti.
Algum tempo atrás, falava com uma amiga que perdeu recentemente o pai. E a amiga dizia-me assim, este meu coraçãozinho não sabe o que há de sentir. Estou triste e contente ao mesmo tempo. E eu percebo triste pela ausência de alguém que te é querido, contente porque provavelmente a pessoa já estará numa situação ou deixa de estar numa situação que estaria mais limitada. Mas a pergunta que se coloca é, então conseguimos estar tristes e alegres ao mesmo tempo? Parece que sim. Isto só demonstra a complexidade do nosso cérebro. E a complexidade que nos diz que as emoções e os sentimentos despletam em nós ações, mecanismos de ação que direcionam a nossa atenção, o raciocínio e o pensamento.
E porquê que eu estou a trazer isto ao de cima? Porque não é incomum Eu ouvir pessoas que me dizem assim, olha, quando eu penso nesta questão das emoções e do autocontrolo e do autoconhecimento, às vezes eu sinto-me num barco à deriva, num rio de águas turbulentas. Parece que eu não controlo rigorosamente nada. E aquilo que eu quero dizer é isto, não é uma questão de força de vontade. E não é uma questão de tenho mais ou menos capacidade. Se eu percebo, se eu acolho que estou a lidar com uma estrutura altamente complexa, que consegue sentir alegria e tristeza ao mesmo tempo, ao acolher essa realidade, eu terei maior capacidade de lidar com ela do que estar aqui a querer dizer, olha, não deveria estar contente ou não deveria estar triste.
Deveria estar só uma das coisas. Outro aspecto que se pode tornar um desafio e em relação ao qual nós muitas
vezes não prestamos a devida atenção é o estamos aqui. O que é isto do estamos aqui? Estamos todos num processo de aprendizagem. Sabes que não me é incomum ouvir a frase eu não pedi para nascer. Sobretudo quando a pessoa está frustrada ou desconfortável ou num processo de dor. As pessoas dizem com alguma frequência, Cristina, eu não pedi para nascer. Pois olha, ninguém pediu para nascer. Estamos todos no mesmo barco. Estamos todos num processo de aprendizagem. Nós não pedimos, nós não tivemos interferência direta nos genes que nos formam. Não tivemos interferência no tipo de emoções, desejos, pensamentos, estruturas, temperamento. Não tivemos interferência na família na qual viemos a nascer.
Ser uma família mais acolhedora e calorosa, uma família negligente, por exemplo. não tivemos a interferência no espaço e no tempo, no sítio onde eu nasci, nem na época histórica onde eu nasci. E uma série de outras questões. Só que a verdade é que tudo isto tem um impacto profundo naquilo que eu sou, na imagem que eu construo de mim própria e nos meus valores fundamentais. não só a questão da genética, como também a questão das influências ambientais. E aqui eu recordei-me de algo que me ficou na memória desde pequenina. O meu avô paterno, que entretanto já faleceu, ele tinha como característica andar com muita frequência com um boneco.
E aquilo fazia tão parte daquilo que ele era que ele às vezes entrava dentro de casa e esquecia-se que estava com o boné. Mas eu recordo-me, miúda, que quando, não importa se ele estivesse num espaço exterior ou dentro de casa, quando entrava uma senhora na sala, ele tirava o boné para cumprimentar. E eu percebo que era uma questão cultural, uma forma de demonstrar respeito. Eu hoje não estou à espera de, se uma senhora entrar na sala, que eu tire um boné. Então isto mostra o impacto que esta estrutura, que este ensinamento teve nele. E nós até podemos sorrir perante isto. Mas como é que nós lidamos, por exemplo, com algo que o meu avô e a geração dos homens, os homens da geração dele, do meu pai e até ainda dos nossos filhos lidam com a máxima de homem não chora.
Homem que é macho, não chora, sofre em silêncio e lida com as coisas. Isto também é uma influência cultural. Mas é uma influência cultural que tem um impacto profundo na forma como tu lidas e geras as tuas próprias emoções. Então nós temos que estar atentos, de alguma forma, à maneira como as coisas impactam em nós. Por outro lado, ainda neste contexto, e de uma forma relativamente rápida, deixa-me dar três cenários possíveis. Imagina que eu agora comece a bocejar, com muita vontade. Não é incomum que daqui a algum tempo tu também estejas a bocejar. Primeiro cenário. Segundo cenário.
Imagina que nós as duas estamos num restaurante, E estamos a almoçar e ao nosso lado está uma família que tem um bebê. E alguma coisa faz com que esse bebê ache engraçado, ache engraçada a qualquer coisa e desata a risse. Mas aquele riso muito espontâneo que as crianças têm. Quando damos por ela, nós estamos ou a rir ou a sorrir. Aliás, bastou fazer a menção e tu riste. Tu falaste na palavra contagiante e começaste a rir. Terceiro cenário possível. Imagina que tu estás a pegar numa panela com água quente e a tirar do fogão. E sem querer queimas-te. E eu estou a ver-te. Às tantas eu faço algo do género. Não foi comigo, mas quase como se eu tivesse sentido exatamente a mesma coisa. Estes três cenários que eu te coloquei, eles são possíveis graças à existência dos chamados neurónios-espelho.
São um tipo especial de neurónios que todos nós temos, que são ativados quando uma pessoa executa uma ação ou quando vê outra pessoa a executar a ação. Portanto, imagina, eu estou a apertar o botão da camisa, os neurónios espelhos foram ativados. Eu não estou a apertar o botão da camisa, mas tu estás a apertar o botão da camisa e eu estou-te a ver. Os neurónios espelho foram ativados. E esta foi uma descoberta feita na década de 1990 por investigadores italianos que começaram a perceber, faziam estudos com macacos, e começaram a perceber que certas zonas cerebrais e certas células no cérebro dos macacos disparavam, quer eles fizessem a ação, quer eles vissem, por exemplo, um humano a fazer essa ação.
Então a pergunta que se coloca é, mas afinal porque é que estamos a falar dos neurónios-espelho? O que é que isto tem a ver com a inteligência emocional? O que é que isto tem a ver com o Estamos Aqui? E qual é a importância deles? A investigação tem vindo a demonstrar que os neurónios-espelho são fundamentais no processo de aprendizagem. nós aprendemos novas habilidades por observação. Seja a observação por imitação, a aprendizagem por imitação, tu estás a comer a sopa com uma colher e dizes-me, Cristina, faz como eu, eu estou a imitar-te. Seja a aprendizagem por contágio, tu abriste a boca E eu tive uma ação involuntária de imitação do teu comportamento, de aprendizagem do teu comportamento. Os neurônios de espelho são também fundamentais no desenvolvimento da empatia.
Imagina, por incrível que pareça. No desenvolvimento da linguagem, por nós percebermos a associação entre conceitos e significados. E também por desenvolvermos a compreensão das intenções. Ajudam-nos a perceber a intenção do outro. E quero só terminar, porque nós no próximo episódio iremos abordar isto com mais calma. Quero só terminar dando este alerta. As crianças são altamente sensíveis ao seu ambiente, o que significa que elas retêm todos os estímulos, sejam eles visuais, auditivos, sejam expressões emocionais. E se nós vemos que temos neurónios-espelho e a função deles é levar-nos à imitação, fica registado na componente neurológica da criança este processo de aprendizagem.
E se tu és exposto a um modelo saudável de imitação, tu vais reproduzir esse modelo. Mas se tu não és exposto a um modelo saudável de imitação, de processo de aprendizagem, isto pode levar-te a desenvolver problemas como atrasos no desenvolvimento ou problemas de aprendizagem no âmbito das competências básicas ou no âmbito das nossas habilidades sociais. Então, o estarmos aqui é muito mais profundo em termos de impacto em nós e tem muito mais interferência na questão do nosso desenvolvimento da inteligência
emocional do que aquilo que atribuímos numa primeira instância. Cristina, obrigada mais uma vez. Com certeza que há muito, muito mais para aprender e por isso nós marcamos encontro já no próximo episódio onde vamos dar continuidade é esta questão da inteligência emocional e só pensar que realmente como o nosso cérebro é tão complexo, mas tão maravilhosamente criado, criado por aquele que sabe tudo da nossa vida, que conhece tudo sobre a nossa vida, que conhece as nossas emoções mesmo antes delas aparecerem inclusive, então nós estamos aqui para além destas informações e deste ensinamento que a Dra. Cristina nos traz, também para lhe dizer que está bem, porque está entregue a Deus. Que o Senhor o abençoe, a abençoe e até ao próximo episódio, se Deus quiser.