Planos para uma vida longa e saudável

Planos para uma vida longa e saudável

09 de Abril de 202528 min 22 s

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Estamos de volta para mais um Médico de Família. Especialmente para aqueles que nos escutam através da rádio, quero relembrar que agora também nos podem acompanhar através da televisão, mais concretamente na Mel, no canal 186, a TV Novo Tempo. Volto a estar na companhia da doutora Cláudia. Mais uma vez, Cláudia, bem-vinda. Muito obrigada. E mais uma vez é um prazer estar aqui no programa Médico de Família. Começo por perguntar, que tema escolheste para o programa de hoje? É um tema, assim, um bocadinho audacioso. Dei o título, planos para uma vida longa e saudável. Considerando nós, seres humanos, que temos um instinto de sobrevivência, queremos sempre viver quanto mais melhor.

Normalmente é assim. E a ideia é trazer aqui aos nossos ouvintes, aos nossos espectadores, a noção de que é possível nós fazermos planos para que aumentemos a probabilidade disso acontecer. Aliás, todos nós queremos ter uma vida longa e com saúde, que é bastante importante. Mas, segundo o título, tu referenciaste perfeitamente a questão de planos mais do que uma vez. Significa, então, que isso pressupõe que façamos estes planos? Tem que haver, da nossa parte, uma intencionalidade para que as rotinas e haja também um tempo e um compromisso com o estilo de vida saudável? Claro que sim.

É algo que nós temos que fazer, um hábito, nós falamos hábitos saudáveis. Normalmente nós demoramos 40 dias a formar um hábito e infelizmente, sobretudo os bons hábitos, perdemos em 3, 4 dias. E é claro que para formar um hábito tem que ser pela perseverança e persistência. E quando se fala em fazer planos para uma vida saudável e longa, tem a ver exatamente, como estás a dizer, Daniel, com o estilo de vida. Aquilo que eu escolho fazer ou não fazer no meu dia-a-dia, quais são os meus hábitos e como eles vão interferir na minha saúde no tempo que eu vou viver. São escolhas, portanto. São escolhas. E chamam-se então os hábitos saudáveis ou o estilo de vida saudável. Eu achei interessante e fui procurar isto. A própria DGS, a Direção-Geral de Saúde, tem este conceito.

E para eles existem realmente inúmeras vantagens. Claro que nós poderíamos dizer que têm vantagem de viver bem e mais tempo, assim resumidamente. Eles dizem mesmo que ajuda a cuidar do corpo e manter a mente mais alerta, parte física e parte mental. Mas eles dizem mesmo que as vantagens são mais notórias a vários níveis. Previno o aparecimento de doenças, como as doenças cardiovasculares, que são as mais comuns e as que mais matam no mundo e no nosso país também. Promove a sensação de bem-estar, combatendo assim as doenças mentais, ansiedade, depressão. Ajuda a prevenir e a controlar comportamentos de risco, consumo de substâncias que realmente nos prejudicam.

Ajuda a manter um peso saudável, diminuindo o risco de nos tornarmos obesos. E reduz o risco de morte prematura. Vejam, claro que tudo isto, no fundo, podemos dizer numa frase. Vivemos com melhor qualidade de vida e mais anos. Mas achei interessante porque especifica a vários níveis aquilo que nós podemos beneficiar. E o que é que a DGS recomenda, resumindo em termos de hábitos, o que é que eles consideram hábitos saudáveis? Praticar atividade física, evitar o sedentarismo, adotar uma alimentação equilibrada, saudável, já vamos dissecar um bocadinho cada um deles, evitar o consumo de bebidas alcoólicas, tabaco e consumo de qualquer tipo de drogas.

Atenção, eu não estou a ler isto daquilo que eu fiz, não, isto está mesmo, podem ver no site da DGS. privilegiar uma boa higiene do sono, qualidade do sono, quantidade e qualidade, manter a sua higiene pessoal, achei interessante como a higiene é importante para a nossa saúde, é um bom hábito. Eu aqui poderia dizer de outra maneira, o uso externo da água, como a água, como nós podemos, por exemplo, usá-la na nossa higiene, é bom também para a nossa saúde, evitar o stress e procurar o lado positivo da vida, ser otimista e não pessimista, E eles aconselham também a fazer a visita regular ao médico, pelo menos uma vez por ano, sobretudo a partir de uma determinada idade, claro que é aconselhável, porque é quando surgem mais frequentemente as doenças.

Ou seja, ir ao médico de família, não estou aqui a puxar a brasa à minha sardinha, não só quando estamos doentes, mas para vigilância. Infelizmente, eu falo por mim, que como médica de família, muitos utentes vão a uma consulta, sobretudo de 20, 30, 40, 50 anos. Então porquê que marcou a consulta? Ah, é de rotina, é de vigilância. Não se queixa de nada? Não, não me queixo de nada. Mas isso não é de todo errado. Não, é correto. É isso que eu estou a dizer. Felizmente a população já começa a ter esse conceito. E eu penso que é importantíssimo. Por isso é que nós, médicos de família, seguimos o ser humano desde que nasce, antes desde o ventre, quando fazemos as consultas em que seguimos as grávidas, saúde materna, depois as crianças, por aí fora, em todas as idades.

Portanto, o ir ao médico é importante até para ter uma noção de como é que está o seu peso e fazer relação índice de massa corporal, peso e estatura, como é que está a tensão arterial, ver como é que está o colesterol, a glicose, porque muitas das doenças que mais matam no mundo, nós não sentimos nada. Há que rastrear, procurar. Claro que isto é um bocadinho bonito estar aqui a falar, mas isto não é fácil mudar hábitos, é das coisas mais difíceis num ser humano. Mas nós não queremos assustar ninguém e claro que ao falar aqui este programa como os quais são os bons hábitos e tentar incentivar quem está a ver e ouvir a mudar hábitos, não quero desanimá-los no sentido que é importantíssimo.

É, mas deve ser um de cada vez. E progressivamente, não é? Exatamente. Vamos mudando um de cada vez. Dou um exemplo prático. Passar a beber mais água, por exemplo. Ponho por alvo uma meta, planear este mês vou beber mais água. O mês seguinte, vou comer mais saladas, mais vegetais, mais legumes. Mas manter a ingestão adequada de água, manter o anterior, acrescentar um. Portanto, paulatinamente, progressivamente, ir tentando mudar aquilo que está mal e manter aqueles que já estão bem. É importante planear quais os hábitos que eu quero mudar e, como eu já disse, paulatinamente, dar um passo cada vez e seguir o seu próprio ritmo. Nós não somos todos iguais. Para algumas pessoas, beber mais água, pegando no exemplo anterior, é fácil, para outras é muito difícil, parece que não passa, parece que fica aqui preso.

As pessoas me referem isso muitas vezes. Eu não consigo, por exemplo, dizem-me isto na consulta, beber um copo de água inteira, tudo bem, bebo a meio, daqui a cinco minutos bebo o resto. Ou beber água em jejum, por exemplo. Por exemplo, é verdade. Portanto, um hábito cada vez e ao seu ritmo. tendo sempre o foco que é qualidade de vida e o seu bem-estar. Não estamos aqui para criar mais ansiedade em ninguém porque tem que mudar isto, tem que mudar isto, tem que mudar aquilo. E é importante definir as metas. E claro, se possível, que as metas sejam realistas e executíveis. Atingíveis, não é? Exatamente. Se eu vejo, por exemplo, eu tenho uma família em que ninguém colabora, por exemplo, quando eu quero mudar meus hábitos de sono e quero dormir mais seis horas, mas a família não concorda porque realmente continuam a fazer brulho até tarde, estão a fazer isto, estão a fazer aquilo e não consigo dormir.

Há que tentar pôr uma meta mais executiva, ou seja, porque não falar com a família e dizer, vamos tentar pelo menos um bocadinho, nem mais de meia hora, sem barulho, para eu conseguir dormir. Mudanciar a mudança. Mas, na verdade, Cláudia, todas essas mudanças de um estilo de vida no contexto familiar implica, de alguma maneira, um reajuste de toda a família. É ou não é verdade? É. Independentemente, é verdade que estás a falar de uma coisa muito concreta, com o sono é preciso haver silêncio, mas se eu quiser mudar a alimentação, claramente já vai afetar o contexto familiar todo. Claro. É muito mais difícil quando um elemento de um agregado familiar decide mudar hábitos alimentares. Ele pode conseguir durante um tempo, mas depois é mais difícil, não só em termos de cozinha, preparar as refeições, mas estar a comer uma coisa diferente do que o resto dos elementos da família.

Sendo algo negociado com toda a família, até pode ser a toda a família ir mudando dessa mesma maneira e com essa progressão esses mesmos hábitos e ganham todos, não é? Sim, e quando são mais que uma pessoa, dois ou mais, a tomar a mesma decisão, de mudar o mesmo hábito, é mais fácil não desistir. Incendiam-se, claro. Porque quando eu tenho companhia para ir caminhar, estou a dar um exemplo, decidi fazer caminhada 30 minutos por dia. Se eu arranjar companhia, é mais fácil não desistir do que se for sozinha. Se for sozinha, consiga ali uns dias, uma semana, duas semanas. Depois, estou cansada, dormi pouco, está a chover. Mas se eu tiver companhia, tiver o compromisso que aquela pessoa está à minha espera para eu ter com ela ou vice-versa, mais dificilmente nós temos as duas a mesma desculpa ou uma desculpa no mesmo dia.

Há uma responsabilização. Exatamente. Outro aspecto importante é não desistir ao longo do processo. Claro que somos humanos, falhamos. Apesar, por exemplo, pegando no exemplo do exercício. Ai, agora tive uns dias que não consegui fazer a caminhada. Tudo bem, recomece outra vez. E é importante, acima de tudo, pensar depois nas recompensas. Vai perder peso se tiver excesso de peso, vai se sentir melhor, vai se mexer melhor, aumenta a autoestima. E essas recompensas vão alimentando esses bons hábitos e incentivando a continuar a mudar os hábitos. Já que estás a falar nisso, vou exatamente por aí. Porque eu acho que todos nós sabemos que mudar é benéfico para a saúde, traz vantagens. Mas quais são essas principais vantagens?

Já falámos aqui em algumas delas. Diminuir o risco das doenças mais preponderantes no nosso país e no mundo, doenças cardiovasculares e o cancro. Melhorar a nossa saúde mental, começa logo por aí, diminuindo, portanto, a probabilidade de depressão, de ansiedade, de estresse a excesso, porque o estresse QB é importante para nós vivermos. E, acima de tudo, ajuda-nos a viver melhor também no relacionamento uns com os outros. Porque quando nós estamos bem, mais facilmente vamos estar bem na relação uns com os outros. Temos benefício a todos os níveis. Ou seja, vamos produzir mais no trabalho, maior produtividade no trabalho, vamos ter melhores relacionamentos na nossa família porque nós estamos bem. Ou com os colegas de trabalho.

Portanto, são só vantagens. Ter bons hábitos, ter um estilo de vida saudável, que é outra forma de dizer, não tem nenhuma desvantagem. É só vantagens. Exatamente. Então, se calhar, avançaria já por aí. Quais são então os melhores hábitos de vida? Já podemos ter alguns que são bons, mas quais são aqueles que podem ser esses

Os melhores hábitos de vida

bons hábitos saudáveis e que devemos todos adotar? Cada entidade, cada instituição, cada estudo, refere a hábitos diferentes, mas eu vou tentar referir aqueles que são mais preponderantes em termos de estabelecimento de qualidade de vida e prevenção realmente das doenças. Temos logo o fumar. E já vimos que é o que mais afeta a nossa mortalidade. Importante simplesmente é não fumar. Não é reduzir o tabaco, é não fumar. Eu posso até dar dados estatísticos no nosso país, em Portugal, a prevalência do consumo de tabaco aumentou de 48,8% para 51% de 2017 para 2022.

Ou seja, em vez de estarmos a diminuir, apesar de tantas campanhas neste sentido, nós estamos a aumentar o consumo de tabaco no nosso país. Nem que sejam os tabacos alternativos, chamemos-lhe assim, não é? Estou a incluir tudo. Claro. Aproveito já para dizer que neste mesmo estudo, nesta estatística, o consumo de álcool também aumentou, de 2017 para 2022. Não sei se pelo meio a pandemia influenciou. Temos a pandemia Covid-19, aumentou de 49,1% para 56,4%. Este, eu posso dar os dados, é do 5º Inquérito Nacional do Consumo de Substâncias Psicoativas na População Geral, que foi publicado em 2022. E é interessante que entre as substâncias psicoativas, ou seja, as substâncias que interferem com o nosso sistema nervoso central, onde se inclui o tabaco, as bebidas alcoólicas, o café e as outras drogas, o tabaco é a segunda abaixo do álcool com a experiência de consumo mais generalizada.

diz que 50% da população entre os 15 e os 64 anos, 50%, já consumiu alguma vez tabaco na sua vida. É muito, 50%. Referiu realmente a este inquérito que foi publicado em 2022. É uma responsabilidade da investigação do Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais da Universidade Nova de Lisboa. Segundo a Organização Mundial de Saúde, o tabaco mata mais de 8 milhões de pessoas por ano no mundo. Destes 8 milhões, cerca de 7 milhões são o uso direto do tabaco, são os fumadores. Cerca de 1,2 milhões são aqueles fumadores passivos, que fumam indiretamente.

E diz-nos que o hábito, isto é a Organização Mundial de Saúde, a OMS, que diz, não somos nós, o hábito de fumar diminui em esperança de vida em cerca de 10 anos. Isto é média. Substancial. De um fumador para quem não fuma, portanto são menos de 10 anos de vida. O que é muito, é muito tempo. Mas olha, eu vou aproveitar a deixa que estás a falar de maus hábitos para fazer a nossa oferta da revista do Guia de Estudo, a Máquina Humana, que está repleta de conselhos e dicas com boas práticas para que possa ter um estilo de vida saudável e beneficiar daquilo que a Dra. Cláudia já mencionou no início do programa. e também ter a consciência de que Deus o acompanhará a tomar todas essas decisões difíceis que é mudar esses hábitos.

O que é que pode fazer para poder usufruir deste guia de estudo totalmente gratuito? É simples. Basta entrar em contacto connosco, mandar-nos uma mensagem, um SMS, para o número habitual. É o 933 923 923 923 923 923 923 923 923 923 923 923 923 923 923 Cláudia, desculpa ter interrompido o teu raciocínio. Também é importante para os nossos espectadores 923 923 923 e ouvintes, não é?

Continuando aqui no que eu estava a dizer. Isto foi um estudo que foi publicado no New England Journal of Medicine, que analisou realmente o histórico de fumadores e não fumadores e chegou à conclusão que diminuiu a esperança de vida em 10 anos. Mas há uma boa notícia. É possível recuperar muito deste tempo perdido de fumador, se deixar de fumar. Este estudo comprova que deixar de fumar entre os 25 e os 34 anos devolve, entre aspas, os quase 10 anos perdidos. se deixou de fumar entre os 25 e os 34 anos de idade. O que é indicado, então, para si que nos está a ouvir é já. É quanto mais cedo, melhor. De imediato. Porque vão perceber isso, do que eu vou dizer mediante este estudo.

Se deixarem de fumar entre os 25 e os 44, menos 9 anos. Se for entre os 45 e os 54, seis anos. E entre os 55 e os 64, quatro anos. Ou seja, quanto mais cedo deixarem de fumar, maior é a esperança de vida.

Sono, stress e atividade física

É a conclusão a que chegamos. Segundo hábito, muito importante em todos os estudos, tenham sono adequado. Em termos de qualidade, claro que depende da idade, para um adulto deve ser de 7 a 9 horas por noite. E nós sabemos que é importantíssimo para termos energia para trabalharmos. Trabalhamos melhor se dormimos bem. Dormimos bem se trabalharmos. Também é importante. Melhoramos também a nível mental, a nível físico e se dormimos pouco vamos estar mais cansados, menos eficientes e não esquecer que muitas pessoas descobrem até que são mais produtivas quando dormem as tais nove horas por noite e notam essa diferença. Terceiro hábito importante que vou aqui referir é o stress.

Claro que é impossível passarmos um dia sem uma situação de stress que nos obriga a algo inesperável e que temos que fazer alguma coisa ou decidir tomar uma decisão. No entanto, eu achei muito interessante que este estudo foi feito comparando as grandes cidades, população das grandes cidades, com... Este estudo chama-se o Projeto Blue Zone. com as pessoas que vivem em situações mais rurais, por assim dizer, com menos estimulantes, menos estressantes. E diz-nos que as pessoas que vivem em zonas menos cidadinas, que não trabalham tanto, têm momentos de lazer, participam nas atividades comunitárias, praticam algum hobby e cuidam da sua espiritualidade.

Claro que, vivendo na cidade, nós perdemos muito mais tempo noutras coisas. Não é só a correria, mas também no trânsito, por assim dizer. É um exemplo. Mas é importante, então, termos um sono adequado, termos não fumarmos e controlar o stress. Claro que... Quem nos está a ver e ouvir pode dizer, mas eu estou na cidade, agora vou mudar de casa. Nós temos que nos adaptar. Claro que se puder, mediante a sua atividade laboral, mudar de casa para um sítio mais sossegado, melhor. mas tente no seu dia-a-dia ver onde é que, entre aspas, perde tempo aquilo que pode recuperar em termos de atividades de lazer, nem que seja ir caminhar um bocadinho 15 minutos de manhã, 15 minutos à tarde, para realmente estar mais apto para lidar com circunstâncias adversas.

E sempre que tiver oportunidade der essas escapadelas para o campo, para as zonas mais rurais, não é? Por exemplo, aos feriados, fins de semana, para recuperar a energia, por assim dizer. Outro hábito importante, ser fisicamente ativo. Esta é uma grande luta a nível nacional e dizia mesmo da Organização Mundial de Saúde, o combate ao sedentarismo. Muitos estudos revelam que realmente a atividade física regular é um dos melhores preditores de uma vida longa. E a Organização Mundial de Saúde recomenda para um adulto, pelo menos, atividade física moderada 150 minutos por semana. De outra maneira, 30 minutos, 5 dias por semana. E dizem que também é benéfico se for repartido. Pode ser 15 minutos de manhã, 15 minutos da tarde.

Ao longo do dia. Ao longo do dia. Estamos a falar de atividade e não propriamente de exercício físico. Basta ser moderada, ligeira, consoante o tempo. Exemplo, uma marcha rápida, andar de bicicleta, natação, são excelentes exercícios porque movimentam um maior número de músculos e são excelentes para a nossa parte cardiovascular também. Há aquelas pessoas que costumam dizer, eu não preciso fazer exercício físico porque eu já trabalho 8 horas por dia. Não é disso que estamos a falar. É verdade que há, naturalmente, profissões com maior desgaste e sobretudo também com maior parte física, mas majoritariamente as profissões hoje em dia são muito sedentárias. Portanto, não implica trabalhar 8 horas, é para além disso, temos que nos mexer.

É. É importante nós, como seres humanos, desenvolvermos as duas partes, física e intelectual. Pensei que era isso que estavas a dizer. E realmente, se nós temos uma atividade essencialmente, como estavas a dizer, intelectual, é importante também irmos um bocadinho à física. E quem tem uma atividade essencialmente física, seja trabalhar numa horta, numa quinta, numas obras, é importante também ter atividade intelectual. É importante este equilíbrio. E, como tu estavas a dizer, eu posso até, por exemplo, ser empregada doméstica e não ser sedentária porquê? Porque tenho atividade física, mas não faço exercício físico. São coisas diferentes. Porque o exercício físico é intencional, arritmado, sempre ao mesmo ritmo. É diferente em termos de benefícios de saúde, mas mexer-se na atividade física já é bom.

Já é bom. Vamos continuar aqui com os nossos conselhos. Temos agora a parte da alimentação. Só dentro deste gigante da alimentação podemos falar de muitos conselhos.

Alimentação saudável e conexões

De uma forma geral, há umas décadas os portugueses até tinham uma alimentação mais ou menos saudável. A tal dieta mediterrânea. Exatamente. Mas isto foi-se perdendo com o copiar os hábitos das chamadas sociedades ocidentais. E porque não voltar a essa alimentação que eram gorduras mais saudáveis, que era essencialmente o azeite? Acrescentaria aqui os frutos secos, têm uma gordura saudável. Evitar as gorduras saturadas, as manteigas, as carnes, os queijos. Escolher hidratos de carbono mais complexos, o que é isto? Explicado por miúdos. Quando as pessoas falam de arroz, massa, batata, são os grandes vilões, porque são hidratos de carbono. Nós precisamos de hidratos de carbono, é o que nos dá energia.

Mas devemos escolher hidratos de carbono com fibras. Que é, no caso dos grãos, seja da massa, do pão, do arroz... Lentilhas... Não, estou a falar dos cereais. Ah, ok. Desculpa. Integrais. De preferência integrais. Leguminosas. Importante. As lentilhas, o feijão, o grão. E os vegetais e as frutas. Tudo isto são fontes de hidratos de carbono também. Mas riquíssimos em fibras que são importantes. Depois, outro conselho prático que é tomar sempre um bom pequeno almoço. Isto pode ser... O que é que isso tem a ver com o que eu como? Tem a ver com o que eu como e como eu como. Porque eu até posso ter uma alimentação saudável, mas decidir, por exemplo, comer grandes quantidades ao jantar não é o mais adequado e fisiológico.

Porque depois nós vamos dormir e não vamos gastar essa energia. Tomar sempre um bom pequeno almoço, que inclua a parte das proteínas, seja bebida vegetal, seja de leite, depois a parte dos cereais, de preferência integrais, não estou a falar de cereais de pacote, por exemplo, seja no pão, seja uns flocos de aveia, Seja frutos secos, uma mão cheia, e fruta fresca ao pequeno almoço. Ou seja, fruta da época o mais aconselhado. E claro, não esquecer beber muita água. Isto faz parte também deste conselho. Dentro da alimentação, a água faz parte até da roda dos alimentos. E nós devemos ingerir cerca de 6 a 8 copos de água por dia, de preferência fora das refeições, para realmente não atrasar a digestão.

Um conselho muito prático ainda, Tem a ver com a quantidade do que comemos. Ou seja, é parar de comer antes de estar cheio. Tipo meia hora antes. Se for meia hora antes, as pessoas. Podem comer 2, 3 pratos em 15. 20 minutos, não é? Segundo sei, a resposta do organismo para essa sensação de estar cheio é tipo meia hora de estar trabalhando. Sim, sim, sim. Eu percebi o que está a dizer. E se a pessoa comer muito rápido e comer grande quantidade, não vai ficar assim. A noção de saciedade demora, o nosso cérebro dá-nos sinal. É importante sair da mesa com vontade de comer, ou seja, como aquele prato de comida bem equilibrado. Metade do prato deve ser as saladas, os legumes.

Não é um prato, para quem nos está a ver assim, com uma grande altitude também, não. A comida espalhada no prato. E nunca repetir. E se quiserem repetir, repetem a salada e os legumes. Não sair da mesa com aquela sensação tão infartada. Não vou fazer bem a digestão. Eu costumo dizer aos meus utentes que é sair com comida até o pescoço. Tentar-se a eleve, porque até raciocina melhor, no caso de ter uma atividade intelectual, e se for física, faz melhor a digestão do que o ir com o estômago cheio para a sua atividade, seja ela que atividade for. E claro, teria que referir aqui também a parte social. É importante sermos socialmente ativos. Já John Donne dizia, nenhum homem é uma ilha completa em si mesma.

Todo homem é um pedaço do continente, uma parte de um todo. E nós fomos criados pelo nosso Deus para sermos seres sociais, para interagirmos. Quando nós não interagimos, alguma coisa não está bem. E, aliás, existem hoje em dia patologias, doenças dessa mesma parte, da parte social. Um estudo até desenvolvido pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, diz que as pessoas que interagem frequentemente com a família, com amigos e com a comunidade, são mais felizes, são fisicamente mais saudáveis e vivem mais tempo do que as pessoas que não interagem com os outros. E, claro, seja otimista.

Vários estudos comprovam que existe uma relação entre o ser otimista e o viver muitos anos. E quando eu digo muitos anos, é mais de 85 anos. Os otimistas vivem mais tempo e com melhor qualidade de vida. Aqueles que tentam ver o lado positivo da vida. Apesar das circunstâncias adversas, devemos olhar o copo meio cheio e não o copo

Considerações finais

meio vazio. Eu vou terminar, talvez, referindo aqui o resumo. Não fume. Tenha um sono adequado. Controle o stress. Seja fisicamente ativo. Opte por alimentos saudáveis. Seja socialmente ativo e seja mais otimista. Obrigado, Cláudia. E já agora que estamos a falar de boas notícias, vou-lhe dar também mais uma para que fique otimista. Tenho para lhe oferecer este guia de estudo, a Máquina Humana, um conjunto de lições muito alargadas que lhe dão alguns conselhos e dicas sobre saúde e, como mencionou a Dra. Cláudia, também como criador quer que cuide dessa máquina que ele mesmo criou.

Obrigado por estar desse lado, relembro que este programa estará disponível também em podcast em radio rcs.novotempo.pt, não só disponível no site, mas também nas diferentes plataformas de podcast que pode subscrever e depois receber diretamente. o programa, enfim, nos seus aparelhos eletrónicos. Dizer-lhe ainda que, se quiser fazer uma sugestão, tem alguma dúvida que gostaria que fosse debatida aqui no Médico Família, contamos consigo. Faça-nos chegar essa sugestão, faça-nos chegar essa dúvida. Nós teremos todo o gosto, todo o prazer, oportunamente, aqui no programa, falar sobre esse assunto. Mais uma vez, despedimos-nos, marcamos encontro para o próximo programa.

Até lá, se Deus quiser.

Sobre este episódio

Quer viver mais e com mais saúde? 🤔 Neste episódio de Médico de Família, Daniel Galaio conversa com a Dra. Cláudia sobre como criar "Planos para uma Vida Longa e Saudável"!

Descubra:
✅ A importância dos hábitos saudáveis (e como mudá-los!)
✅ Recomendações da DGS (alimentação, exercício, sono, stress) 🍎🏃‍♀️😴
✅ As VANTAGENS de um estilo de vida ativo e equilibrado
✅ Dicas PRÁTICAS para começar JÁ, passo a passo
✅ Como envolver a família nas mudanças

A Dra. Cláudia partilha conselhos essenciais e dados importantes (sabia que deixar de fumar cedo recupera anos de vida?). Aprenda a definir metas realistas e a manter a motivação. 💪

Transforme a sua saúde e bem-estar! Assista agora e comece a planear o seu futuro. ✨

Série
Médico de Família · 75 episódios
Temporada e episódio
Temporada 1 · Episódio 2
Estreou
09 de Abril de 2025
Categoria
Saúde