A Verdade da Natureza do Homem

A Verdade da Natureza do Homem

25 de Janeiro de 202251 min 5 s

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Abertura e oração

Seja muito bem-vindo. Estamos de regresso para mais um Em Busca da Verdade. É um prazer estar novamente consigo e podermos desfrutar deste tempo para abrirmos a Bíblia, a Palavra de Deus e encontrarmos aí tesouros que não estão escondidos, mas precisam de ser procurados de forma diligente. E é isso que mais uma vez aqui vamos procurar fazer. Antes de desvendar o tema que vamos abordar neste programa, que já é o sexto desta série, vamos fazer uma prece, como temos feito, vamos pedir a presença de Deus e a sua bênção para este momento de estudo da sua palavra. Junte-se a mim nesta oração. Bom pai, tu que habitas no alto dos céus, mas também estás aqui connosco neste momento, com os teus filhos.

que queremos buscar luz e inspiração para a nossa vida e compreensão daquilo que tu deixaste revelado, Senhor, humildemente, mas com ousadia te pedimos que nos dês o teu Espírito Santo, o mesmo que inspirou os homens que escreveram esta palavra, Que ele esteja connosco e nos assista neste momento, para que, Senhor, sejamos abençoados por este estudo e que ele esclareça, que ele traga

A importância da antropologia

discernimento também espiritual à nossa vida. É a nossa oração, em nome de Jesus. Amém. Vamos hoje abordar um tema fascinante, mais uma vez, um tema que nos implica a todos. Vamos estudar a verdade da natureza do homem, quem somos essencialmente como pessoas. E note que da resposta a esta pergunta, ou a este questionamento, resultam muitas implicações para a nossa vida. desde logo para uma compreensão de quem somos e o valor que temos e o propósito de existirmos, mas também no relacionamento que temos com os outros, porque muito depende esse relacionamento do quanto valorizamos e como olhamos para o outro. Vamos usar, portanto, aqui a palavra homem, natureza do homem, como uma expressão da humanidade, do ser humano.

Já sabe que pode acompanhar de uma maneira mais pessoal este estudo, de maneira a que no final possa responder ao nosso pequeno teste, ao nosso questionário, basta ir depois no final a novotempo.pt barra em busca da verdade. Também terá a oportunidade, além de fazer o nosso teste e pedir para receber este material, há pelo menos mais duas opções que eu queria sinalizar hoje. Aí, nessa nossa página do nosso programa aqui, também poderá enviar sugestões de temas ou perguntas concretas que tenha sobre a Bíblia, sobre algum tema, de maneira que, quem sabe, possamos aqui procurar responder essas suas indagações. Mas, se porventura desejar um acompanhamento mais personalizado no estudo da Bíblia, ser acompanhado por alguém da nossa equipa, eu próprio poderei envolver-me em ajudar ou colaborar com aqueles que queiram estudar um pouco melhor a Bíblia, por isso também tenho oportunidade, tenho uma opção de pedir para o contactarmos e estudarmos mais pessoalmente consigo a Bíblia.

Vamos, por isso, ver o que há para descobrir numa introdução a este tema e depois então iremos à procura da Bíblia de uma forma mais profunda. Vou partilhar consigo dois ou três conceitos, neste caso são conceitos um pouco mais teóricos, mas que são muito importantes para enquadrarmos o estudo sobre a natureza do homem. Repare aqui no primeiro conceito que lhe proponho. E a verdade é esta, de forma mais ou menos consciente, porque muitos de nós acabamos por estar envolvidos mas nem tomamos consciência disso, mas a verdade é que tanto os indivíduos como as sociedades, o coletivo das pessoas, nos países, nos grupos que se vão formando, todos nós vivemos e nos organizamos a partir de uma certa ideia do homem.

Ou seja, a resposta à pergunta quem é o homem tem muitas implicações e explica muito da nossa maneira de vivermos e de nos organizarmos em sociedade. Curiosamente na Bíblia nós encontramos alguns autores a fazer já este questionamento. No fundo a colocar na forma de pergunta Este questionamento, eu proponho-lhe, por exemplo, o exemplo que encontramos em Jó, no capítulo 7 e no versículo 17, que podemos ler juntos, e o questionamento é muito simples. Quem é o homem para que tanto o estimes? Em Hebreus 2.6 encontramos o questionamento, que é uma citação, na verdade, do Antigo Testamento, mas que o apóstolo cita dizendo quem é o homem para que dele te lembres. Portanto, vemos que, em certo sentido, qualquer exercício de reflexão sobre a existência, sobre a vida e até o sentido da vida, Portanto, uma reflexão que no fundo é filosófica, mas repare que muitos de nós, se não todos, fazemos reflexão filosófica.

Claro, nós não o fazemos como os filósofos que sistematizam esse pensamento, escrevem livros, organizam o pensamento, mas todos nós nos comportamos e agimos de acordo com uma certa reflexão que fazemos sobre nós próprios. Por isso muitas pessoas vivem, vamos dar aqui alguns exemplos concretos, muitas pessoas vivem vidas muito atormentadas, até depressivas, porque foram educadas, por exemplo, pelos seus pais ou pelos seus pares, com a ideia de que não prestam, de que não valem nada. E isso gera, ao longo da vida, sentimentos de uma autoestima muito baixa, de dúvidas sobre o seu valor, e sabemos, lá está aqui, se consciente ou inconscientemente, vai afetar muito a nossa vida. Se, por outro lado, fomos ensinados e instruídos que somos melhores que os outros, de que os outros nos são inferiores, isso vai afetar muito a maneira como nos vamos relacionar.

Portanto, a resposta a estas perguntas que já a Bíblia nos traz, quem é o homem, E claro, há um questionamento também diante de Deus, naturalmente, perguntando porque é que tu valorizas o homem ou Deus. A resposta a estas perguntas vai determinar muito do que é a essência da experiência humana. Por isso eu acrescento, vamos dizer aqui, mais uma camada a esta reflexão, alargando-o um pouco, embora o conceito é o mesmo, de que as grandes correntes ideológicas Repare, correntes que têm orientado e sido a base para quê? Para a formação de sociedades, dos grandes impérios do passado. Numa linguagem mais próxima de nós, os sistemas políticos que têm basicamente servido de base para a estrutura governamental em muitos lugares do mundo, em muitas sociedades, mesmo muitas filosofias, elas sempre se sentaram ao longo da história em quê?

Numa determinada visão do homem. Isto é o que Na ciência nós designamos como antropologia. as ciências humanas e sociais, que no fundo a antropologia é uma palavra talvez um pouco complexa, mas que significa apenas o conhecimento sobre o homem. O conhecimento sobre o homem tem determinado realmente estas grandes correntes que têm organizado as sociedades. Note dois exemplos muito rápidos. Quando nós pensamos na história recente da Europa em particular, que talvez a maior parte de nós conhecemos melhor, quando pensamos em em sociedades como as sociedades fascistas que originaram, por exemplo, a Segunda Guerra Mundial, e aquele pensamento tremendamente violento e inefasto que deu origem ao nazismo e à guerra que daí ocorreu, nós percebemos que muito da base filosófica dessa guerra, teve a ver com uma certa antropologia, uma certa visão do homem.

Uma raça superior à outra, raças que valem menos do que as outras. Mas se pensarmos nas ideologias marxistas, por exemplo, que marcaram muito mais para o leste da Europa e que tiveram resultados terríveis, com muita violência ao longo dos anos, com as pessoas privadas de liberdade, nós percebemos que uma certa visão do homem, uma certa antropologia, também justificou essa forma de organização da sociedade que se mostrou realmente um enorme fracasso. para não dizer para muitas pessoas que continuas à morte, à fome e ao sofrimento. Repare, dois exemplos na nossa história mais recente que nos ajudam a compreender que realmente a visão do homem determina muito o que a sociedade se torna.

Mas agora vamos chegar ao ponto onde nós queremos, claro, é estudar a Bíblia. E a verdade é esta, é que o ensino bíblico sobre a natureza do homem é

O ensino bíblico essencial

absolutamente essencial. E aquilo que eu proponho hoje podermos descobrir juntos na Bíblia é precisamente qual é o ensino bíblico sobre o homem. E porquê que é essencial? Três razões que eu gostava de analisar ou apresentar-lhe. Compreender a origem, o destino e o papel do homem. O ensino bíblico, a antropologia bíblica, dá-nos uma resposta clara a isto. qual é a nossa origem, para onde vamos, a que destino podemos ascender e qual é o papel do homem neste momento na Terra. Mas também o ensino bíblico sobre o homem e a natureza do homem é muito importante para nós construirmos uma ética, que tem a ver com a forma como vamos construir o nosso sentido coletivo, como nos relacionamos com o outro, como nos comportamos.

Finalmente, o ensino bíblico sobre a natureza do homem é muito importante para corrigir erros históricos no cristianismo. Há um cristianismo histórico que tem dominado, mas especialmente durante séculos e séculos dominou o panorama do ocidente cristão e o cristianismo histórico foi responsável por erros na compreensão do ensino bíblico sobre o homem que justificou doutrinas cristãs, completamente fora do ensino da Bíblia, e que tem, portanto, levado a uma compreensão de Deus, do homem, da salvação, completamente errada, e nós hoje vamos claramente aqui evidenciar isso. Vamos começar, portanto, por um texto, ainda nesta lógica de uma introdução ao tema da natureza do homem, um texto absolutamente maravilhoso, do salmista, no Salmo 8, e nós vamos ler os versículos 3 e até aos 5.

E vamos descobrir aqui, vamos dizer, como que uma primeira base para esta tal ideia de homem, da natureza do homem. Acompanhe-me então na leitura, Salmos 8, 3 a 5. Quando vejo os teus céus, dizia o salmista Davi a Deus, quando vejo os teus céus, a obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que preparaste, o que é o homem mortal para que te lembres dele? E o filho do homem para que o visites? Contudo, Pouco menor o fizeste do que os anjos e de glória e de honra o coroaste." Veja como esta indagação entre o homem e o seu Deus pode realmente levar-nos a grandes conclusões.

Neste momento imediato nós podemos tirar três grandes conclusões da observação deste texto. A primeira delas é que o homem é um ser pequeno diante da imensidão do universo. Ou seja, o universo e a obra criada por Deus, porque aqui o salmista claramente reconhece de imediato que tudo o que existe, incluindo a própria essência, a existência do ser humano, se deve a Deus, mas o homem não é mais do que uma pequena porção diante da enorme dimensão do universo. Esta é a primeira lição sobre o homem, que dá uma certa perspectiva sobre quem nós somos quando comparamos com tudo o que existe. Mas há uma segunda dimensão que encontramos neste texto de forma clara, que o homem é um ser mortal e limitado.

Portanto, não apenas na perspectiva estamos diante de um universo que é superior a nós, Portanto, somos uma porção da obra criada, mas somos seres finitos, limitados, mortais. Logo, não temos vida em nós próprios, não somos independentes e autónomos para a nossa existência. É isso que nesta linguagem poética do salmista nós encontramos. Mas depois, uma terceira dimensão muito importante neste texto é que o homem foi criado com valor E repare que fica claro na descrição que lemos, não é apenas um pequeno valor. O homem foi criado com um grande valor. Aqui o salmista vai comparar-nos aos anjos e vai dizer mesmo que Deus coroou-nos com glória e com honra.

Logo, o homem foi criado com um propósito. Estas três dimensões estão na base desta tal visão do homem, da natureza do homem, da antropologia bíblica.

As cinco grandes verdades

Agora, na continuação deste estudo, eu vou propor-lhe uma análise muito mais detalhada deste texto da Bíblia. o primeiro e o segundo capítulo. Claro que não vamos ler aqui estes dois capítulos de forma completa, mas vamos olhar muitos dos textos que estão nestes dois capítulos e que são, na verdade, a base para a antropologia bíblica. No fundo, eu depois vou também mostrar-lhe vários outros textos da Bíblia, claro, que nos vão ajudar a reforçar o ensino que Deus inspirou Moisés a escrever logo no primeiro livro da Bíblia, um livro que, de facto, nos ajuda, sobretudo nestes primeiros capítulos, a compreender a essência do plano de Deus para toda a criação, ajuda-nos a compreender o projeto divino para esta Terra, em particular, porque a descrição é da criação da Terra, mas de maneira muito especial, nestes dois capítulos, nós vamos encontrar uma claríssima apresentação de quem é o homem, qual é a sua origem, qual é o seu destino, qual é o seu valor, e a sua relação com os outros.

No fundo, a natureza do homem é descrita em cinco grandes verdades, que eu vou organizar aqui esta informação através de cinco grandes verdades. Por isso, vamos agora procurar para encontrar, porque Deus não nos deixou sem respostas sobre estes assuntos. E vamos então ver estas cinco grandes verdades, que eu acredito que vão ser muito importantes também para si, não só para a sua compreensão da Bíblia, da verdade bíblica, mas eu acredito que também podem ser muito importantes numa perspectiva mais existencial, numa reflexão sobre nós próprios. Vamos então a estas cinco grandes verdades. Primeira delas, o homem é portador da imagem do Criador. E isto tem realmente um significado tremendo em relação a quem nós somos e ao valor intrínseco que temos.

Somos portadores da imagem do nosso Criador. Não portadores da imagem de antecessores animais ou seres vivos, mas somos portadores da imagem de um Deus Criador. Vamos ler isto em Génesis, e agora vou abrir a minha bíblia e manter-me por aqui, porque é nestes dois capítulos que vamos centrar, como já lhe disse, a nossa atenção. Génesis no capítulo 1, neste caso. Vamos ler os versículos 26 e 27. Lemos então o seguinte, e disse Deus, façamos o homem à nossa imagem conforme a nossa semelhança. uma decisão divina, que depois vamos ler o versículo 27, que descreve a consumação desse plano divino, dizendo, criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou.

O homem, portanto, é um ser criado, O homem não tem vida em si mesmo. Esta é a primeira grande evidência de sermos portadores da imagem do Criador, ou seja, nós somos o resultado de uma decisão de Deus o Criador e depois de uma ação. Isso é que nos formou. Portanto, o homem não tem vida em si mesmo. O homem, logo, segundo a grande conclusão deste texto, o homem não é o resultado de forças naturais ou casuais. Ora, nós temos como uma evidência de que as explicações naturalistas, vamos dizer assim, para o surgimento da vida nesta Terra, e particularmente para o homem, estão hoje, e nos últimos séculos mesmo, diríamos, em grande voga, não tem parado de crescer como uma tese ou uma hipótese que é, na verdade, apresentada em muitos meios não como uma hipótese, mas como a grande verdade científica.

Ora, o ensino da Bíblia opõe-se totalmente a esse tipo de explicações e nós temos que o afirmar categoricamente se estamos a estudar a Bíblia. O homem não é o resultado de qualquer força natural, evolutiva ou casual. O homem, na verdade, existe porque Deus existe. E o homem, portanto, é um ser distinto, mas é indissociável de Deus. Esta expressão que eu estou a usar aqui é, no fundo, uma forma de explicar o que é ter a imagem de Deus. Significa que nós somos seres distintos, obviamente, somos outros seres, No entanto, estamos indissociados do nosso Criador.

Somos, no fundo, portadores de uma certa genética que nos vem do Criador. Finalmente, as características do Criador estão projetadas no homem. Porque se Deus nos criou à sua imagem, logo quer dizer que ele projetou algo de si em nós. E repare que Não entrando agora num grande detalhe sobre o que significa ou os vários significados da expressão ter imagem e semelhança divina, há pelo menos um ponto que é muito importante estabelecer. É que o ser humano foi o único ser em toda a criação criado à imagem e semelhança. Logo, para compreendermos o que é ser criado à imagem de Deus, A base para essa compreensão é reconhecer que trata-se de alguma coisa que só existe no ser humano, em nenhum outro ser.

Logo, é uma projeção das características dos atributos divinos, é uma capacidade de relacionamento com Deus que nenhum outro ser tem de forma consciente e intencional, é obviamente a natureza moral do ser humano que nós já abordaremos aqui mais à frente. Proponho-lhe o texto que encontramos em Atos 17-28, em que o apóstolo Paulo vai dizer que nele vivemos, nos movemos e existimos. A nossa existência, a nossa capacidade de respirar, viver e nos movermos, ou seja, de agirmos enquanto seres autónomos, está totalmente dependente de Deus. Portanto, numa frase, poderíamos dizer que Deus é necessário ao homem, mas o homem não é necessário a Deus.

Portanto, o nível de dependência tem apenas uma direção. Nós, seres humanos, dependemos de Deus e a sua imagem está em nós. Como prova disso, Deus obviamente não depende de nós.

O homem indivisível

Vamos então à segunda grande lição ou ensino bíblico no Génesis sobre a natureza do homem. O homem é um ser indivisível. O homem é uma alma vivente, para usar a expressão literal da Bíblia. Eu vou agora demorar-me um pouquinho mais nesta segunda definição da natureza do homem, da antropologia bíblica, porque ela é muito importante e, sobretudo, esta em particular, este ensino, tem sido alvo de muita confusão e muito engano, especialmente na história da Igreja e da doutrina cristã. O homem é um ser indivisível. O que é que significa isto? Vamos ler. O texto bíblico que serve realmente de base a esta compreensão, que depois é alargado ao longo da bíblia, mas note Génesis 2 e no versículo 7 lemos aí com clareza.

E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra e soprou em seus narizes o fogo da vida e o homem foi feito alma vivente. Nós teremos, portanto, aqui, note, três elementos claros que nos ajudam a compreender esta natureza indivisível, esta unidade ou totalidade do ser humano. Portanto, Génesis 2.7 acaba, no fundo, por ser, na Bíblia, como a pedra angular daquilo que estamos a chamar como a antropologia bíblica, que é o que a Bíblia nos ensina sobre quem somos como seres humanos, o que é o homem. Aqui está realmente a pedra angular. Ora, eu proponho-lhe aqui uma forma um pouco mais gráfica de compreender o que é que o texto nos diz.

O texto diz-nos que Deus formou-nos a partir do pó da terra. O que quer dizer que a primeira base ou essência que vai ajudar-nos a compreender a natureza do homem é que nós somos feitos de matéria. É por isso que o homem é um ser que tem uma natureza carnal, física ou material e não somos seres etéreos. de natureza espiritual, porque desde o início Deus criou-nos a partir de uma matéria já existente, o pó da terra. O que Deus fez a esse pó que formou, poderíamos dizer portanto do barro, Deus suprou. o sopro de vida ou o folgo da vida. Esse sopro que vem de Deus é o quê?

É esse ânimo que nos dá vida, que nos permite respirar. É a centelha de vida que começa a partir do momento em que um ser começa o seu coração a bater e os seus órgãos a funcionar. É uma centelha de vida que não há sequer uma explicação de onde é que ela vem. Eu, se chego ao meu carro, ao meu automóvel, eu sei que ele tem ali a capacidade de funcionar, mas ele está totalmente parado. Para ele funcionar é preciso realmente uma força que já está criada no carro, mas que é-me dado o poder de, na minha mão, acionar esses mecanismos que permitem que aquele instrumento totalmente inanimado pareça ter vida e ânimo de repente.

Ora, é preciso uma força exterior à máquina para que ela possa arrancar. Esta explicação bíblica é de que Deus nos deu esse mecanismo de ter fogo, de estar animados de vida. Ora, o que é que o texto nos diz? Que do pó da terra e do sopro de Deus foi feito o homem. E o homem tornou-se, portanto, uma alma. A expressão alma ou alma vivente é, portanto, uma forma de definir o homem, não uma parte do homem. A alma é o todo do homem. Poderíamos, portanto, dizer isto, alma vivente, eu coloquei ali por uma questão até de curiosidade, mas também porque muitos têm estado a pedir esta apresentação, relembre-se, e ao enviar esta apresentação ficam com estas pequenas curiosidades, eu não vou entrar aqui em detalhes de uma natureza técnica, embora estas expressões, alma vivente no seu original, no hebraico e no sentido destas expressões, nefesh hayah, são realmente frases ou expressões de grande intensidade e riqueza de significado, mas que no contexto Nós não precisamos de ler hebraico ou saber hebraico para entender o que está escrito, confiando que a tradução que nos é dada está bem feita e nós entendemos, portanto, que alma vivente é a designação do que o homem se tornou.

Porque o homem tornou-se ou foi feito uma alma que vive. Uma outra expressão que poderíamos usar perdão, é que o homem foi feito um ser vivo. E essa já é uma expressão talvez mais comum para nós e que menos confusão daria. Somos seres vivos. Almas. viventes. Deus é o único ser que é. Por isso, aliás, é que o Senhor se apresentou como o Deus eu sou. Porque ele tem vida em si mesmo. Não depende de ninguém para existir ele. É. O ser humano, essencialmente, não é. O ser humano tornou-se. E este é o texto que nos mostra quando e como nos tornámos dentro dos limites do que é possível descrever em palavras.

Mas a descrição é clara. Deus pegou no pó da terra, formou um ser que era inanimado porque era apenas matéria sem vida e superou-lhe ou deu-lhe o folgo da vida. É da conjugação do poder de Deus e da matéria que já estava criada por Deus que surge A alma vivente, nós, seres humanos, tornámonos almas viventes. Agora, vamos detalhar um pouco mais para compreender porque é que daqui se tem originado muita confusão em termos da compreensão da natureza do homem. É que a unidade e a totalidade do homem, que é o que este texto descreve, o homem é um ser único, é uma alma vivente, esta visão, ao longo da história, tem sido substituída por aquilo que muitas vezes se chama E na história está conhecida como uma visão dualista.

Claro que para muitos não é novidade, para outros poderá ser o que é que é isto de falar de um dualismo. Na verdade o dualismo é uma explicação alternativa à Bíblia, que nasce aliás no universo da filosofia. E essa explicação dualista apresenta uma alternativa, que eu lhe mostro aqui, para que fique mais claro em comparação com o gráfico que vimos há pouco, que expressa o que está na Bíblia. Qual é a explicação alternativa? Que o homem é formado por corpo, a parte física, e uma alma, ou seja, uma parte divisível, diferente do corpo, que, em certo sentido, ela própria tem vida em si. E isso é que seria o homem, o conjunto de um corpo, e de uma alma.

Ora, esta visão dualista divide o homem em duas essências, em duas entidades. O que quer dizer que, se o corpo desaparecer, ficaria uma alma. E esta explicação dualista tem dado, portanto, corpo e justificação a muitas explicações sobre quem é o homem, o que acontece no homem quando morre e a realidade da alma, que realmente são heresias em relação ao ensino da Bíblia. Eu posso, de uma maneira simples, mas deixar-lhe aqui esta nota, talvez informativa, de que na verdade Esta explicação veio desde a filosofia clássica à filosofia grega, especialmente, e acabou por se introduzir no cristianismo, particularmente o cristianismo de Roma, na igreja de Roma, que como sabemos, historicamente, se tornou a igreja.

padrão que durante séculos e séculos dominou e instruiu o mundo cristão e, portanto, esta passagem da filosofia grega ao cristianismo histórico tradicional de Roma, eu apenas trago aqui três nomes, porque eu não quero entrar em detalhes da história, mas a verdade é que estes três nomes, vamos dizer que são nomes-chave nesta passagem. Platão foi realmente talvez o primeiro grande responsável por elaborar e escrever uma ideia dualista, lá está, duas entidades que fazem parte do homem, uma entidade mais espiritual ou totalmente espiritual, não física, e uma entidade física que é o corpo. O neoplatonismo assim chamado, já no século III d.C., veio sobretudo a ser bastante vulgarizado através de um homem chamado Plotino e Agostinho, muitas vezes designado como Santo Agostinho, um dos pais da igreja e, portanto, da teologia da igreja de Roma, foi realmente o responsável por beber destas fontes e introduzir no cristianismo romano uma visão dualista.

Ora, nesta visão a ideia, portanto, seria que o homem é constituído por um corpo e tem a sua alma. Logo, a explicação teológica que foi encontrada e que incorporou as doutrinas cristãs ao longo de muitos séculos e que ainda hoje estão presentes em muito do que é crença cristã, já não apenas no domínio da Igreja de Roma, é que realmente o homem tem uma alma e que essa alma é um ser, vamos dizer, que tem vida própria, é uma entidade viva. E, portanto, isto tem ajudado-as a fundamentar ideias, por exemplo, que explicam que quando o homem morre, a sua alma vai para o céu, vai para a presença de Deus, ou vai para o inferno ou para outros lugares. Nós falaremos aqui, já num próximo capítulo deste programa, sobre a realidade da morte, Aqui estamos mais a falar sobre a natureza do homem, que é algo que está um pouco antes da ideia de morte.

Mas a verdade é que esta explicação, corpo e alma formam o homem, está em total oposição àquilo que a Bíblia ensina. Porquê? Porque na Bíblia a alma não é uma entidade separada do corpo. Nós já vimos isso em Génesis 2.7 e eu agora quero mostrar-lhe isto de uma maneira mais abrangente na Bíblia. A alma é a expressão da vida, do que é o homem, porque nós fomos feitos almas, almas viventes. Em Ezequiel 18.20, por exemplo, temos esta expressão. A alma que pecar, essa morrerá. Obviamente que o termo que está ali em alma é nefesh, portanto exatamente o mesmo termo que nós encontramos em Génesis 2.7, quando dizia que o homem foi feito alma vivente.

Portanto, quando se diz a alma que pecar, é o mesmo que dizer a pessoa que pecar. O ser humano, a vida, porque o ser humano é indivisível, não é constituído por corpo e alma. O ser humano é uma alma. Mas no Novo Testamento vamos encontrar uma expressão exatamente semelhante, traduzida agora claro na língua grega, lemos isto em Atos 2.41, mas existem diversas situações em que a palavra almas é usada como uma referência coletiva ao número de pessoas. Por exemplo, naquele dia, diz Atos 2, agregaram-se quase 3 mil almas. Falando do momento, no início da história da Igreja Cristã, em que no mesmo dia, depois do Pentecostes, 3 mil pessoas se batizaram e juntaram-se à Igreja, à fé cristã.

Ora, dizer 3 mil almas é o equivalente a dizer, obviamente, 3 mil pessoas. Estas três mil almas não é uma referência a uma certa entidade que saiu das pessoas e o corpo ficou para ali e as almas é que se juntaram à igreja. Obviamente que não. Parece quase ironia, mas isto seria o corolário de dizer que as almas são coisas ou entidades separadas do corpo. Foram almas que se batizaram, foram pessoas. Mas repare. A Bíblia é tão clara na sua descrição desta visão da unidade do homem, que na Bíblia a mesma expressão, corpo, ela é referida muitas vezes como a manifestação humana, porque não se pode separar o corpo da vida humana. O homem é um ser indivisível.

Por isso, repare que em Romanos 12.1, o apóstolo Paulo vai dizer o seguinte, rogo-vos que apresenteis o vosso corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus. Reparem, o apóstolo Paulo está a dizer o quê? Que nós apresentamos o nosso corpo como um sacrifício vivo, santo a Deus, mas não a nossa alma? Obviamente que não. Ele usa a expressão corpo para se referir a nós, como seres humanos. No fundo, o corpo, como somos seres indivisíveis, também serve para se referir à entidade humana, o ser vivo, o homem. Em 1 Coríntios 13, o apóstolo, no versículo 3, falando daquele maravilhoso hino ao amor, o apóstolo vai dizer, ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.

Ora, fica evidente que quando o apóstolo diz, se eu entregasse o meu corpo, é a vontade própria, se alguém ainda que quisesse fazer esse sacrifício, portanto, entregar o corpo, seria dar a sua vida. Seria outra tradução possível de uma forma livre. Claro que a tradução de estar o meu corpo, porque é essa a expressão que está escrita no texto original, mas nós percebemos que se refere, portanto, à manifestação humana. O homem, portanto, é um ser indivisível, esta é a grande verdade que já afirmámos, ele é formado a partir do pó da terra, o sopro da vida de Deus formou almas viventes. Terceira grande lição, esta foi muito importante e agora vamos avançar, é que o

Complementaridade e cooperação

homem e a mulher, agora estamos a voltar ao Génesis, porque é ali nos primeiros dois capítulos que estamos a basear esta antropologia bíblica. Outro grande ensinamento é que o homem e a mulher foram criados para uma relação única e especial de complementaridade e cooperação. E, portanto, repare que há aqui duas notas importantes. Por um lado, que esta relação foi criada por Deus, portanto, a natureza do homem foi criada para a relação entre um homem e uma mulher, e isto é uma verdade do ponto de vista biológico e uma verdade do ponto de vista teológico, ou seja, foi a intenção de Deus, mas além dessa primeira parte da verdade, a segunda é que a relação entre homem e mulher foi criada e pensada por Deus para complementaridade e cooperação, não para autodomínio ou sujeição de um ao outro, foi criada por Deus, a lógica humana, agora, já vimos que o ser humano é indivisível, mas foi criado para o coletivo.

Onde é que nós encontramos isto na Bíblia? Vamos ler aqui alguns versículos. Começamos em Génesis 1, repara, versículos 27 e 28. Vamos juntar aqui uma porção do que já lemos agora. Diz que criou Deus o homem à sua imagem, macho e fêmea os criou. E Deus os abençoou e Deus lhes disse, frutifiquai, multiplicai-vos e enchei a terra. Nós entendemos aqui, portanto, esta lógica que tem uma natureza já biológica de Deus ter criado macho e fêmea e de os ter criado para uma relação única que daria a oportunidade de frutificar, portanto de consumar a continuidade da espécie, de haver multiplicação e de a terra poder ser cheia da raça humana.

Mas depois em Génesis, agora no capítulo 2, repara alguns versículos que podemos selecionar que nos falam desta natureza complementar e cooperativa. Note, disse o Senhor Deus, não é bom que o homem esteja só, far-lhe-ei uma adjutora, que esteja como diante dele. e da costela que o Senhor Deus do Homem formou uma mulher e trouxe a Adão. Portanto, deixará o varão o seu pai e a sua mãe e apegar-se-á à sua mulher. Uma descrição, portanto, clara de uma ideia de relação íntima entre dois seres que foram criados precisamente para esta relação. Entendemos, portanto, que a lógica de Deus é uma lógica de complementaridade e cooperação entre dois seres que precisam um do outro e que a própria espécie que eles representam, portanto estamos a falar de ser humano, A espécie depende dessa complementaridade e dessa cooperação.

Quarto grande ensinamento sobre a natureza do homem em Génesis.

Domínio e cuidado

O homem tem uma responsabilidade de domínio e de cuidado sobre toda a criação. E aqui já temos uma dimensão ética e relacional que é trazida para a esfera da compreensão de quem nós somos como seres, como seres vivos e particularmente como seres humanos. Vamos ler a descrição que encontramos aqui em Génesis. Vamos voltar ao versículo 28 e ler uma pequena porção ali que há pouco não lemos, mas também em Génesis 2 e no versículo 15. Lemos o seguinte nestes textos. Deus os abençoou e Deus lhes disse, enchei a terra, sujeitai e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus e sobre todo o animal. E tomou o Senhor Deus o homem e o pôs no jardim do Éden para o lavar e o guardar." Note, portanto, que expressões que, muito importante, que foram dadas no plural, portanto, ao macho e à fêmea e ao homem e à mulher, foram as expressões de que ambos sujeitassem e dominassem.

Portanto, sujeitar a criação percebemos que é um conceito de usá-la de maneira harmoniosa, de maneira a que tudo aquilo que existe possa ser fruído pelo homem. Obviamente que se for sujeitar implica não destruir, porque se se destrói deixa-se poder usufruir dos benefícios. Este domínio é, portanto, um domínio consumado e pensado por Deus para benefício, não apenas do homem, mas de toda a criação. O que nos fica claro na ideia de que Deus deu aquele jardim, portanto que representava, no fundo, a terra e o lugar de habitação do ser humano, e indicou ao ser humano que devia guardar.

este sentido muito interessante de um sentido ético, de uma responsabilidade pessoal, mas também coletiva, lembre-se que é o plural que está a ser dado, este plural naquele momento representa toda a humanidade. Porque Adão e Eva eram potencialmente os pais de toda uma humanidade, que mesmo que se ainda não existia em termos de número, já estava ali toda ela potencialmente na vida daquele casal. Portanto, o Senhor pede e dá indicações ao homem de guardar, de cuidar deste espaço comum. No Salmo 8 e no versículo 6, que nós ali já lemos hoje os primeiros versículos logo no início deste estudo, mas, na verdade, neste texto que é muito importante para a compreensão da natureza do homem, esta grande verdade também já estava ali descrita.

Repare como. Dizia o salmista, a Deus, fazes com que ele tenha domínio sobre as obras das tuas mãos, tudo puseste debaixo dos seus pés. É evidente que no contexto global da Bíblia, ter a terra e a criação debaixo dos pés não significa espezinhar, significa ter autoridade e responsabilidade sobre toda a criação. E note que podemos encontrar na Bíblia Uma ideia de que este domínio, esta autoridade sobre a criação, tem duas dimensões. Uma dimensão muito importante é a dimensão ecológica e ela nunca pode ser retirada de uma compreensão da natureza do homem, de quem nós somos.

Veja o que diz o apóstolo Paulo em Romanos 8.22, porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora. Portanto, note que o apóstolo Paulo vai usar uma metáfora. Agora, imagine que este homem viveu há mais de dois mil anos. E nós vivemos hoje num tempo que, na verdade, esta dimensão ecológica e estas dores com que a Terra geme, na verdade, são muitíssimo maiores. Esta que é a grande verdade. Quer dizer que esta verdade, dita nesta altura pelo apóstolo Paulo, ela intensificou-se ao longo do tempo e da história. Portanto, a criação geme precisamente porque ela sofre ao não ser cuidada. ao homem ter mantido, infelizmente, uma relação de sujeição com a natureza e com o mundo natural, que em vez de ser de guardar e cuidar, passou a ser de destruir, espesinhar e a explorar.

Mas na Bíblia há uma clara dimensão ecológica de que o homem tem a responsabilidade de manter a obra criada por Deus. Note que eu vou apenas citar aqui, mas em Apocalipse, No capítulo 11 nós encontramos mesmo uma dimensão profética de que Deus vai destruir, esta é a descrição clara da Bíblia, que Deus irá destruir aqueles que destroem a Terra. O que quer dizer que há uma dimensão ecológica no plano global que Deus estabeleceu para o ser humano. Portanto, de diante de Deus, é um crime, é um pecado a destruição daquilo que Deus nos deu para fruirmos, cuidarmos e sujeitarmos com amor. Mas também há, claro, uma dimensão de natureza mais teológica nesta ideia de que o ser humano é responsável por dominar.

e ter autoridade sobre a Terra. Onde é que nós vimos isso? Repare nesta expressão de Jesus em Mateus 11, 25. Naquele tempo, respondendo Jesus disse, graças te dou ao Pai, Senhor do Céu e da Terra. Porquê que há aqui uma dimensão teológica? Porque Deus, ele é o Senhor da Terra. Se Ele é o Senhor da Terra, nós, ao nos ter sido dada a ordem de cuidarmos e dominarmos sobre a Terra, nós estamos debaixo de uma autoridade divina, porque Ele é que é o Senhor da Terra. Portanto, nós não somos os senhores da Terra. Nós somos os mordomos da Terra. O nosso papel é cuidar daquilo que o Senhor criou. Quando o homem começa a destruir, a explorar aquilo que Deus criou, na verdade o homem substitui o seu papel de mordomo por um papel de destruidor.

A fazer violência contra aquilo que era suposto cuidar. Portanto há uma dimensão teológica neste conceito, neste quarto grande princípio do que o homem deve dominar. E a última grande lição que quero partilhar consigo é sobre a natureza do homem

Um ser moral

em Génesis, é que o homem é um ser moral. O que é que significa isto? Vamos ler em Génesis 2, versículos 16 e 17, talvez a primeira descrição na Bíblia sobre a moralidade do ser humano, que lhe é intrínseca à sua natureza. Vamos ler. Ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo, de toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore da ciência do bem e do mal, dela não comerás, porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás. Portanto, fica claro que desde o princípio Deus estabeleceu ao homem limites, e mostrou-lhe que havia bem e mal e que havia uma ordem para cumprir. Mas deu-lhe, obviamente, a capacidade de escolher, manter-se dentro desses limites e deu-lhe também as consequências à desobediência a esses limites.

O que quer dizer que Deus, desde o princípio, criou o homem como um ser moral, ou seja, capaz de fazer escolhas. Mas mais à frente, em Génesis, no capítulo 13 e no versículo 8, depois de uma descrição que nós vamos ter a oportunidade aqui mais à frente de podermos também estudar, de uma maneira mais concreta, mas a verdade é que depois de o homem ter moralmente feito uma escolha, infelizmente errada, Génesis 3.8 diz-nos que Deus veio então à procura do homem. E diz o texto que ouviram a voz do Senhor Deus que passeava no jardim pela viração do dia e escondeu-se Adão e sua mulher da presença do Senhor Deus entre as árvores do jardim. Ora, este conceito de fugir e esconder-se de Deus implica uma consciência moral, uma perfeita noção de se ter ultrapassado os limites.

Em três palavras, como é que podemos resumir esta ideia antropológica sobre quem nós somos, de que somos seres morais? Três dimensões. Significa que o homem tem consciência. Atos 24-16 diz-nos. Por isso procuro sempre ter uma consciência sem ofensa, tanto para com Deus como para com os homens. Portanto, o homem foi dotado de uma capacidade de razoabilidade e raciocínio que lhe traz consciência sobre os seus atos. Portanto, o homem não pode afirmar-se inocente ou incapaz de ter consciência das implicações daquilo que faz. Mas não apenas tem consciência, porque isso não seria suficiente.

O homem também foi dotado de vontade, e é essa vontade que permite tomar decisões e agir. Na parábola contada por Jesus, a célebre parábola do filho pródigo, Deus através de Jesus Cristo, desta história, ilustra essa ideia de vontade, da força que há na vontade humana. Repare, diz a história que aquele filho, depois de ter saído de casa do pai, ter gasto tudo o que era do pai e que o pai lhe deu, diz a história que caindo em si, no século XVII, disse, quando os trabalhadores do meu pai têm abundância de pão e eu aqui pareço de fome, levantar-me-ei e irei ter como meu pai. Cá temos então a ideia de que o homem foi dotado de vontade, Portanto, a consciência é seguida da possibilidade de exercer vontade.

E, claro, sermos seres morais implica que temos livre arbítrio. Podemos usar a consciência e a vontade como entendermos, para o bem ou para o mal, e sofrer as consequências. Um texto muito conhecido e que eu partilho consigo neste contexto é o texto de Jesué 2415, que ele, como líder, falava ao povo de Israel e dizia, porém, se vos parece mal a vossos olhos, servir ao Senhor escolhai hoje a quem sirvais. Mas a conclusão a que ele chegou pessoalmente foi, porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor. Um excelente exemplo do que é a capacidade de livre arbítrio.

Conclusão e reflexão

Portanto, terminamos este estudo realmente ficando, desejo e espero eu de todo o meu coração, com uma compreensão muito mais clara de quem somos como seres humanos. E agora? que implicações isto tem para nós. Eu gostava de deixá-lo então finalmente com este pensamento. Vamos assumir por um momento que poderíamos analisar e pegar na tese de que o homem, ao contrário de tudo o que acabámos de ver através da palavra de Deus, o homem afinal É um ser que não foi criado, é apenas o resultado de um processo evolutivo e casual. Portanto, vamos olhar por um segundo para uma explicação que, em vez de ser teológica, uma explicação que tem Deus como origem, vamos olhar para uma explicação natural para o aparecimento da vida e do homem.

O que é que nos restaria diante dessa possibilidade? Eu vou lhe dizer três coisas e mostrar-lhe que realmente a explicação da natureza do homem na Bíblia é uma grande bênção para nós. Repare, se o homem nasceu a partir desta base natural e casual, então o homem não tem valor intrínseco. Na verdade, nós nem somos o produto final. Estamos aqui, daqui a um milhão ou dois de anos poderá ser outro ser. Nessa explicação, nessa antropologia humana, eu, e assim que me vê neste momento, somos seres desprovidos de um valor intrínseco. Mas sabe o que é que a Bíblia nos diz que tem uma alternativa a esta?

A Bíblia diz-nos, Jesus disse, Olhai para as aves do céu que não semeiam nem cegam, nem a juntam em celeiros, e o vosso Pai Celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas? Esta é a explicação da natureza do homem que a Bíblia nos dá. Mas se voltarmos à explicação naturalista, diríamos então que a nossa existência é fruto de um mero acaso. O que é que significa ser acaso? Significa que nós existirmos ou não, em certo sentido é mais ou menos igual. Se não fôssemos nós, seriam outros. Mas a resposta da Bíblia para este acaso é totalmente diferente. Em vez do acaso, a Bíblia diz-nos, Jeremias 1.5, antes mesmo de te formar no ventre materno, eu te escolhi antes que viesses ao mundo.

Eu te separei. A sua vida, na explicação bíblica sobre o que é o homem, não é fruto de um acaso. A sua existência não é igual à sua não existência. A sua existência é fruto de uma escolha, de um pensamento, de um propósito divino. Mas em terceiro lugar ainda lhe acrescento o seguinte, nesta explicação natural para a existência do homem, na verdade nós estamos todos em competição uns com os outros. Na verdade a explicação é de que nós lutamos para sobreviver e portanto sobrevive o mais forte. Essa explicação na verdade fundamenta escolhas e decisões que podem implicar a destruição do outro, porque os mais fortes é que sobrevivem e isso até é uma vantagem competitiva. Mas a Bíblia não, a Bíblia diz-nos nós que somos fortes Romanos 15.1, devemos suportar as fraquezas dos fracos e não agradar a nós mesmos.

Esta é a ética que a Bíblia nos propõe, uma ética em que todos os seres têm valor igual, mas mais os que são mais fortes, e isto pode ser fisicamente, materialmente, pode ser psicologicamente, os mais fortes ainda têm a responsabilidade. de cuidar e ajudar os mais fracos. Esta é a antropologia que a Bíblia propõe. Esta é a visão do homem que Deus deixou revelada. Eu desejo que ela seja uma grande bênção na sua vida. Voltamos a encontrarmos aqui no próximo programa. Que Deus o abençoe.

Série
Em Busca da Verdade · 20 episódios
Temporada e episódio
Temporada 1
Estreou
25 de Janeiro de 2022
Categoria
Espiritualidade