O Fariseu e o Publicano

O Fariseu e o Publicano

31 de Janeiro de 202229 min 46 s

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Olá, seja bem-vindo mais uma vez. Estamos juntos para mais um programa em busca da verdade. Muito obrigado pela sua escolha de estar conosco nesta hora e de podermos abrir juntos a palavra de Deus. É um prazer podermos voltar a fazê-lo. Vamos, antes de lhe apresentar o tema deste estudo, vamos pedir a bênção de Deus, como sempre fazemos para este momento em que juntos vamos abrir a sua palavra. Vamos orar então juntos. Nós te agradecemos, Nosso Deus e Pai, pela certeza que Tu estás aqui connosco, que Tu abençoas aqueles que vão à Tua Palavra em busca de inspiração e verdade. Que na busca da verdade que hoje vamos fazer, o Teu Espírito Santo esteja connosco, é o que pedimos em nome de Jesus.

O fariseu e o publicano

Hoje vamos prosseguir a nossa pesquisa na vida de Jesus, momentos importantes da sua história, mas também alguns ensinos, histórias até que ele contou. Hoje vamos precisamente focar a nossa atenção numa dessas histórias, o fariseu e o publicano. O que é que numa história tão antiga, com uma classe de pessoas que hoje já nem existem entre nós, o que é que isto significa? E vamos descobrir aqui um tema muito pertinente para a nossa vida cristã. Ora, o que é que há então para descobrir? O que temos registrado na Palavra de Deus. E vamos ler por isso o Evangelho de Lucas, hoje no capítulo 18, E vamos ler a partir do versículo 9. Antes de fazermos a leitura, lembrá-lo que nós estamos sempre à sua disposição.

Desde logo, assim que terminar este programa, pode pedir para receber a nossa apresentação, para ficar com este tema e poder revê-lo. Mas também, se quiser entrar em contacto connosco, pedir alguma forma de apoio, se quiser estudar a Bíblia com algum instrutor bíblico ou enviar uma pergunta, já sabe, O nosso endereço é através do site novotempo.pt barra em busca da verdade. Se fizer esta pesquisa vai poder então entrar em contato connosco. Vamos então fazer a leitura do Evangelho de Lucas a partir do versículo 9, onde lemos. E disse também esta parábola a uns que confiavam em si mesmos, crendo que eram justos e desprezavam os outros. Dois homens subiram ao templo a orar, um fariseu e o outro publicano.

O fariseu, estando em pé, orava consigo desta maneira. Ó Deus, graças te dou, porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adultos, nem ainda como este publicano. Jeju duas vezes na semana e dou os dízimos de tudo quanto possuo. O publicano, porém, estando em pé, de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo, ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador. Digo-vos que este desceu justificado para a sua casa, e não aquele, porque qualquer que a si mesmo se exalta, será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha, será exaltado.

História muitíssimo interessante esta, não é mesmo? É uma história que nos fala sobre, por um lado, a confiança própria e o desprezo em relação aos outros. E surgem-nos por isso algumas perguntas importantes para nós. Onde é que nós podemos encontrar segurança e justiça? Poderá acontecer que nós confiemos tanto em nós mesmos que isso nos leva a desprezar os outros? Depois de conhecer Cristo e de procurar fazer a sua vontade, será que eu ainda devo considerar-me como pecador e indigno? Ou, ao seguir Cristo, eu já sou automaticamente merecedor da salvação? Uma coisa que nós podemos dizer é que, pior do que alguém que ama o pecado, é aquele que é crente, que até vai à igreja, por exemplo, mas que o faz cheio de justiça própria e se vê a si mesmo como um exemplo para todos os outros e que deixa de ser capaz de ver as suas próprias falhas.

Neste quadro, cada ação que esta pessoa pratica, ou a decisão que toma em relação a mais variados temas, são vistos por si como concedendo um mérito, uma recomendação diante de Deus. E a pessoa que assim é, ela vê-se como separada dos outros, sempre para melhor. Ora, o segredo desta satisfação que é completamente ilusória, que é a satisfação própria de nos compararmos com a conduta de outros, em vez de nos compararmos com a conduta de Cristo, tem trazido muito prejuízo à vida dos crentes. E é por isso que, quando assim fazemos, nós vamos nos tornando cada vez mais orgulhosos, orgulhosos em nós mesmos e intolerantes para com os outros que estão à nossa volta.

E uma coisa que eu penso que vale a pena refletirmos a partir desta história é que se a nossa experiência cristã se assemelha a esta realidade que eu estive aqui a descrever, isso significa apenas uma coisa. Não é que estamos sem solução, mas significa que ainda não somos de facto cristãos. Porque o exemplo e o ensino de Cristo são totalmente diferentes. Jesus focou-se depois na história daquele publicano que dizia, ó Deus, tem misericórdia de mim. É-nos difícil crer e é-nos também difícil aceitar que ainda que tenhamos vivido mil anos de vida cristã, mesmo que pudéssemos tentar ter uma devoção perfeita a Deus, se isto tudo fosse possível, ainda assim nós deveríamos olhar para nós próprios como publicano e com sinceridade de coração nós deveríamos sempre dizer Senhor tem misericórdia de mim, que sou um pecador.

uma eternidade, se fosse possível, de devoção e de obediência a Deus, não conseguirão acrescentar nenhuma grama de justiça e de mérito à nossa vida. Ainda que nós possamos apresentar-nos, até com um certo brilho, no nosso modo de agir, no nosso falar, no nosso vestir, nós não deixamos de ser pecadores, sem mérito próprio. Só o Espírito Santo pode fazer-nos entender e aceitar esta nossa realidade, como sendo exatamente o que descreve a nossa vida. Ora, isso realmente está declarado nas palavras de Jesus. Ele dizia que qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado.

E quão diferente seria se todos os que se dizem filhos de Deus reconhecessem com verdade e com humildade qual é a sua real condição. Talvez assim outros pecadores tivessem coragem de se juntar a eles. como tinham muitos desses, afastados de Deus, acabavam por descobrir o desejo e o prazer de se aproximarem de Cristo. E, no entanto, ele sim viveu sem qualquer mancha de pecado. Por isso é que eu trouxe este tema para refletirmos hoje, porque é um tema muito importante, talvez não tantas vezes abordado como uma grande verdade bíblica, mas eu considero que é uma grande verdade, porque é um dos grandes desafios da vida do crente.

O perigo do orgulho

é sermos capazes de ter Cristo no coração e olharmos para os outros com a mesma benevolência que desejamos que olhem para nós mesmos. E por isso é que nós hoje somos confrontados. O que torna isto um tema mais atual é que nós somos tantas vezes confrontados com apelos que, aliás, vêm nas mais diversas formas a nos colocarmos a nós próprios no centro de tudo. Nós vivemos, aliás, num tempo muito característico de um... eu vou chamar de uma espécie de um humanismo moderno e que é muito atraente. E ilude-nos com uma ideia falsa, mas uma ideia atraente de que nós somos uma espécie de deuses. Uma centralidade em nós próprios. A ideia de que o verdadeiro segredo para ter sucesso na vida é encontrar-se em nós próprios, na autossuficiência.

Eu reconheço que isto é um conceito é facilmente agradável aos nossos ouvidos, pode até ser útil numa ou outra situação, quem sabe até para autoconfiança, para autoestima, mas este conceito é muito enganador e é perigoso, sobretudo quando é aplicado à nossa relação com Deus e à relação com os outros e à nossa vida cristã. Por isso é que a história que Jesus contou nesta ilustração muito sábia do fariseu e do publicano que são estes dois homens que vão ao templo orar. E, portanto, esta história coloca-nos diante algumas perguntas importantes. Será que nós somos capazes de reconhecer a nossa fraqueza e a nossa dependência de Deus? Outra pergunta, será que nós conseguimos ter com os outros, até aqueles que nós não gostamos tanto ou que pelo menos não fazem parte do nosso ciclo de relações e de amizades, será que nós conseguimos ter para esses a graça e a misericórdia que nós próprios necessitamos e que nos é dada por Deus?

Ou será que o nosso mote é bem-aventurado que possui justiça e confiança em si mesmo? Ou bem-aventurado aquele que, sem mim, se tornou perfeito? Foi isto que Jesus ensinou nas suas máximas? Não, estas são máximas que Jesus nunca proferiu. Mas há outras verdades que Jesus ensinou sobre verdadeira religião. Em certo sentido, eu poderia dizer que o tema da verdade que hoje lhe proponho encontrarmos na Bíblia é qual é o sentido da verdadeira religião. E Jesus tem verdadeira religião para nos propor. Vamos começar, então, com algumas perguntas importantes. Que grande verdade é que Jesus expressou, especialmente nas palavras daquele discurso, do seu sermão famosíssimo, que muitas vezes chamamos-lhe as bem-aventuranças?

Vamos focar-nos pelo menos numa delas, Mateus capítulo 5 e o versículo 3, palavras sábias e tão diretas. Leia comigo. Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus. Pobres de espírito. Quem são? Os que reconhecem que não têm poder em si mesmos para salvar-se e, por isso, estão conscientes da sua pobreza. Logo, isto não é uma pobreza negativa, muito menos pobre de espírito, que até na nossa língua às vezes é usada como um sentido muito pejorativo, aqui é exatamente o contrário. Os pobres de espírito são aqueles em quem não há justiça própria. Mas eles clamam a Deus em busca de justiça e quando clamam vão alcançá-la.

Porque nós sabemos que se há uma coisa clara que a Bíblia revela é que em Deus nós obtemos perdão, graça e também poder para vencermos o pecado. Não há homem nenhum que não tenha necessidades desta dádiva concreta, da graça de Deus, do seu perdão, mas só os que o reconhecerem e buscarem essa ajuda é que poderão recebê-la, como todas as bênçãos. Por isso podemos ter a certeza que nós não vamos precisar de lutas penosas, de dádivas para pagar a Deus essas suas graças, muito menos sacrifícios para alcançar justiça.

O fermento da hipocrisia

Porque sabemos bem que em Cristo essas dádivas tão importantes para o crente são gratuitas. A questão é que qualquer outra fonte de justiça é totalmente ilusória para o crente. Foi isto que Jesus nos ensinou. Ora, então de que atitude é que nós devemos nos salvaguardar e estar muito atentos? Aliás, uma atitude para a qual Jesus nos advertiu e os seus discípulos então ouviram-no várias vezes com estas advertências. Que atitude é esta que devemos ter muita atenção? Vamos ler o que Jesus disse no Evangelho de Lucas, capítulo 11, do 1º versículo. Ajuntando-se, entretanto, muitos milhares de pessoas, de sorte que se atropelavam uns aos outros, começou a dizer aos seus discípulos a cautelar-vos primeiramente do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia.

A hipocrisia e o orgulho são pecados dos mais difíceis de serem vencidos. é que quem mais necessita de os vencer é aquele que está mais cego e iludido em relação à sua condição. Por isso, conhecer Cristo vai ser sempre sinónimo de humildade e de submissão. E, de uma maneira geral, esta é a realidade do cristão quando ele começa a sua caminhada com Cristo. O problema é que com o tempo muitos acabam por se iludir a si próprios e desviam esse olhar humilde e submisso de Cristo e começam a fixar-se em si mesmos. E muitas vezes, quando se apercebem que há diferenças e progressos nas suas próprias vidas, que se calhar outros ainda não têm, esquecem que em princípio, se for real progresso, é obra ou é fruto da obra de Deus.

E, portanto, o resultado é embriagarem-se numa vaidade pessoal, espiritual ainda por cima, que é isso que Jesus chama o fermento dos fariseus. Ora, uma vivência cristã com mais e mais homem, eu se quiser, e menos e menos Cristo, vai resultar sempre em queda, em falha, mesmo que eu esteja escondido por trás de um manto de hipocrisia. E nós precisamos de estar muito atentos a isto. Este é o fermento dos fariseus contra o qual Jesus nos advertiu. Então, de que forma é que esta hipocrisia se pode manifestar na vida do crente? Em termos concretos, Jesus também nos deu resposta a isto, porque aliás este foi um tema sobre o qual Jesus muito falou.

Vamos ler Mateus no capítulo 15, os versículos 7 e 8, numa advertência tremenda da parte de Cristo. Hipócritas. Bem me profetizou Isaías a vosso respeito, dizendo, este povo honra-me com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim." Tremendas palavras. Merecem profunda reflexão. Quase sempre, até onde é possível ver, estes crentes que Jesus chamou de hipócritas, são pessoas aparentemente consagradas. É um pouco como a imagem que o próprio Jesus criou do joio e do trigo. Ou seja, não há grandes diferenças exteriores. As diferenças são interiores e essas são gigantescas.

E, a estes, o próprio Jesus classificou com muita clareza, e eu até diria com uma coragem tremenda, quando indicou que estas pessoas que tinham este tipo de experiência eram sepulcros caiados do branco. Ou seja, por dentro são ossos e morte e por fora uma aparência de coisas boas e puras. Então, a hipocrisia é onde é que ela se manifesta? Numa diferença profunda entre o que é dito, mostrado, e o que se passa, na verdade, no íntimo da vida da pessoa. Ora, então podemos perguntar ainda, então que tipo de atitudes é que caracterizam a vida cristã, esta vida cristã, que é medíocre? Que é isso que se trata, é uma vida cristã falsa e medíocre.

Própria destes que Jesus chamou hipócritas, como é que é a realidade da vida deste tipo de crentes? Vamos novamente a Jesus. Porque estamos a fixar-nos no que Jesus ensinou e nos advertiu sobre este tema. Mateus 6 e o versículo 5, Jesus dizia... Muitos até podem mostrar-se disponíveis para algum tipo de sacrifício, desde que isso traga atenção sobre si mesmos. Só que não estão despertos para que o único esforço que realmente merece investimento àquele que é crente é a sua entrega, a sua submissão, a submissão da sua vontade à vontade de Deus.

Esse sim é o esforço que merece ser feito. Porque uma vida cristã de sucesso, ela vai se revelar muito mais na vida íntima, pessoal, por exemplo, no lar, na casa, como marido, como esposas, como pais, ou na seriedade que nós temos no trabalho, para com o nosso patrão ou até para com os nossos empregados, nas relações que mantemos, no dia-a-dia, nas decisões que tomamos. É muito mais aí que se vive a verdade da vida cristã do que, por exemplo, nos púlpitos. E eu digo os púlpitos para me colocar a mim mesmo, que era um púlpito que estou neste momento, e colocar-me a mim mesmo aqui dentro desta reflexão. É na vida real, não é na aparência, do que pode ser a vida cristã.

E por isso Jesus declara que as atitudes que caracterizam esta vida de mediocridade são atitudes de falsidade. Ora, eu ainda acho importante perguntarmos então como é que se revela a hipocrisia de um cristão diante das faltas dos outros? E até mesmo das suas próprias faltas. Porque este crente, esta falsa religião, Ela tem um olhar sobre si e um olhar sobre os outros. Jesus também nos advertiu a respeito deste assunto. Mateus, capítulo 7, versículo 5, dizia Jesus, Hipócrita, tira a primeira trave do teu olho e então cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão.

Estas advertências são para crentes que vivem na fama de, como dizia Apocalipse 3, de serem ricos e de nada terem falta, mas que na verdade são mortos. São aqueles que acusam facilmente os seus irmãos dos seus pecados, mas que têm muita dificuldade em reconhecer os seus próprios. e, portanto, em vez de uma inspiração para os outros e uma inspiração para que os outros deixem as suas falhas, são antes uma pedra de tropeço, porque professam amar a verdade, mas depois não são capazes de concretizá-la. E ainda que este tipo de cristianismo possa dar uma ilusão de segurança, na verdade, Este tipo de cristianismo está carente de uma obra profunda do Espírito Santo no coração, que é aquela obra de convencer do pecado.

Não é o dos outros, é o meu. E não existe ilusão maior que é o pecado na vida de quem não o reconhece e aqueles que o fazem E aqueles que assim procedem, esses são os que ouvem estas palavras de juízo, na verdade, da parte de Jesus. Hipócrita! Tira a primeira trava do teu olho, para então poderes preocupar-te com o que se passa no olho do outro. Nós precisamos de refletir seriamente sobre isto, porque se há alguma coisa que seria trágica hoje, neste tema que estou a refletir consigo, era nós ouvirmos esta mensagem e começarmos a pensar em alguém. E eu reconheço que, com frequência, isto acontece. Ouvimos uma mensagem de advertência sobre verdadeiro cristianismo, sobre verdadeira religião e, de repente, damos por nós e estamos a pensar em A ou em B, naquela pessoa ou na outra, que parece encaixar naquilo que está a ser descrito.

Mas esta mensagem, apesar de mim, vou ser honesto consigo, esta mensagem hoje é para mim. E eu desafio a que ao ouvir esta reflexão sobre verdadeira religião, pense em si. É o mesmo que eu aqui posso dizer-lhe à medida que vou aqui dizendo estas palavras, vou procurando em oração com Deus, refletir sobre a minha vida, não metendo outros nomes nem outras pessoas. Por isso a pergunta que faço é, humildemente, e claro, com a presença de Jesus, o que é que deve ser verdadeiramente visto? O que é que deve ser testemunhado na nossa vida? como cristãos, para que a nossa religião seja válida e boa.

A verdadeira religião

O apóstolo Paulo dizia, Romanos 12, 9, O orgulho, egoísmo, cobiça, ainda que possam ser socialmente aceitos e até trazer algum favor à vida, talvez no mundo, sei lá, dos negócios e em outras áreas onde há muita competição para Deus e no seu reino, isto são pecados, são rebeldia contra o coração de Deus, porque o coração de Deus não funciona assim. É por isso que cada ato de transgressão, cada negligência, cada rejeição da graça de Cristo, o que é que vai fazendo? Vai endurecendo mais e mais o nosso coração. Vai entrupecendo o entendimento e torna-nos menos inclinados a ceder, a ouvir a súplica e o chamar de Deus.

Precisamos, parecidos amigos, precisamos de estar muito atentos para os perigos de uma religião que é intelectual, de uma piedade cristã, mas que é formal e tantas vezes até fingida, sem que isso se traduza na purificação do nosso coração. E isso só trará ruína à vida das pessoas. Portanto, não podemos deixar-nos iludir por isto. Enquanto o pecado se espalha, o amor de muitos se esfria, como profetiza o Evangelho, o amor genuíno é o sinal do verdadeiro Filho de Deus. Dizia Jesus que o mundo conhecerá se somos seus discípulos quando nos amarmos e quando manifestarmos esse amor que vem do céu.

Amor e fé são os grandes segredos que podem fazer a diferença contra a indiferença, contra a falta de entrega. E por isso oremos pelo Espírito Santo, porque só o Espírito Santo pode trazer cura à cegueira, à cegueira espiritual, que é o quê? Uma incapacidade de ver a nossa própria condição. Ora, onde é que nós encontramos tudo isto, a solução para isto? Em Jesus Cristo, porque Ele viveu assim. Qual é o segredo para não vivermos, então, iludidos pelo orgulho e pela vaidade? Será que há algum instrumento que possamos usar? Claro que há. E a Bíblia dá-nos essa resposta. O apóstolo Paulo escreveu também aos Romanos, capítulo 12, os primeiros versículos.

Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis o vosso corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional, e não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, a agradável e a perfeita vontade de Deus. A experiência cristã implica uma mudança. E esta mudança tem que ser real, profunda. É uma transformação que na nossa vida acontece na medida em que nos achegamos a Cristo, que temos intimidade com Ele. Não se trata de mudar com medo das consequências, nem é isso que eu hoje estou aqui a tentar adverti-lo, assim a mim. Trata-se, e o que estamos a falar é de um despertar para a verdadeira natureza do pecado, para o sofrimento que isso traz ao coração de Deus.

Por isso, é que a oração do publicano foi ouvida. Tudo isto veio, toda esta reflexão que estamos a fazer e este estudo veio, lá está, a partir dessa história incrível que Jesus contou. E aquele publicano, na sua oração, ele manifestou uma vontade de sujeição a Deus. Na verdade, ele mostrou disponibilidade para ser transformado. Porque quando eu digo que sou miserável e que preciso de misericórdia, eu estou a demonstrar-me disponível para que alguém faça alguma coisa por mim. E é exatamente isto que deve acontecer na nossa vida e aos crentes todos os dias. Quanto mais perto nós estivermos do caráter puro de Jesus, mais claras serão as formas através das quais nos encontramos longe de Deus e da norma que Deus estabeleceu.

Sabe, aquele que está morto Ou apenas o frio cumprimento de deveres e regras, que é uma forma morta de viver a vida cristã, não nos torna realmente crentes. Isto quer dizer o quê? Que para nos prepararmos para o encontro com o Senhor, nós precisamos de uma grande obra de transformação. E ainda que esta obra, obviamente, muitas vezes nos traga algum sofrimento, até alguma provação, através dela Deus vai purificando e vai transformando a nossa vida. Por isso não temos que nos entristecer quando por vezes esta obra é difícil, mas precisamos nos apresentar a Deus com este sacrifício vivo e crer que todas as

Sal da terra e luz do mundo

coisas contribuem para o bem daqueles que amam a Deus. Como diz o apóstolo. O que é que somos então chamados a fazer? Estamos a chegar ao final da nossa reflexão. O crente que alimenta esta genuína relação com Deus, não um cristianismo hipócrita, esse crente, o que é que ele é chamado a fazer? À medida que a sua relação com Cristo vai dando fruto, Jesus disse-nos então que temos um desafio. E eu deixo-lhe esse desafio também hoje. Mateus capítulo 5, partindo do versículo 13, Jesus dizia assim, Vós sois o sal da terra. Se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta-se não para se lançar fora e ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte.

Nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas nuvelador, e dá luz a todos os que estão na casa. Assim, resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras. e glorifiquem ao vosso Pai que está nos céus." Então, já percebemos, hipocrisia, longe. No entanto, somos chamados a ser a luz do mundo ou o sal da terra. Isto quer dizer que somos chamados a iluminar o mundo com a luz que recebemos de Cristo. E só o poderemos fazer se abandonarmos toda a falsidade, a hipocrisia, porque essa falsidade, essa mentira do nosso ser, essa hipocrisia religiosa, ela retira toda a eficácia do Evangelho. E, na verdade, não conseguimos ser luz.

É num coração humilde, é num coração mesmo vazio de si mesmo, reconhecedor das suas fragilidades, que há espaço para que a luz de Deus realmente brilhe. E nesse coração, Deus vai habitar. E então a luz de Deus vai resplandecer. Por isso, o desafio hoje é sermos estes homens e mulheres que são sábios e humildes a fazer esta escolha, lembrando-nos sempre das palavras do Senhor Jesus com as quais hoje começamos. Qualquer que a si mesmo se exalta, será humilhado. Mas qualquer que a si mesmo se humilha, será exaltado. E será uma benção para outros. Esta é a verdadeira religião.

Que Deus o ajude a conseguir fazer esta experiência no seu dia a dia. Se quiser receber este estudo, já sabe, entra em contato connosco e através do nosso site, especialmente novotempo.pt em busca da verdade, pode pedir para receber esta apresentação, até fazendo um pequeno teste com três ou quatro perguntas, para também ser como um momento de reflexão sobre aquilo que aprendemos. Obrigado pela sua presença mais uma vez. Voltamos a estar juntos para o próximo programa, que será já o último desta temporada. Por isso, até lá, se Deus quiser. Até para a semana.

Série
Em Busca da Verdade · 15 episódios
Temporada e episódio
Temporada 2
Estreou
31 de Janeiro de 2022
Categoria
Espiritualidade