Volvido a mais uma semana, cá estamos para lhe trazer mais um Ser Família. E chegamos ao fim de uma série ainda longa, com cerca de oito programas, onde trouxemos a temática fel e mel. E claro, estes últimos programas tivemos a falar sobre a parte mel dos relacionamentos e terminamos a falar sobre sexualidade. Mais concretamente, a sexualidade criada por Deus. Comigo, e como sempre, Daniel Bastos, mais uma vez, bem-vindo. Obrigado. Este é um assunto que muitas vezes é tabu. De certeza que vamos falar sobre isto, Daniel. Sim, e parece que também já não é a primeira vez, não é? Ele tornou-se tabu, por alguma razão, mas o certo é que não deveria ser, porque
quando nós abrimos a Bíblia, a primeira coisa que nós encontramos é o texto bíblico na sua descrição da criação, E quando chegamos a Génesis capítulo 1 e 27, no fim do primeiro relato sobre a criação, nós lemos que Deus fez homem e mulher, Deus os fez, à sua imagem e semelhança. E é interessante que quando termina a descrição deste dia da criação, o texto diz que Deus disse que era muito bom. Nos outros cinco dias, a palavra que aparece é bom.
Era bom. Mas quando chega ao sexto dia, quando o homem como ser sexual e a mulher são criados, o texto diz que Deus viu e disse que era muito bom. Ora, se assim é, quem sou eu? Quem é o homem para contrariar? Portanto, o sexo, a sexualidade, é de facto algo que Deus criou. O prazer sexual faz parte da nossa fisiologia masculina e feminina e está concebida para a criação do prazer, portanto, porque é que não haveríamos de falar sobre isto?
Mas a verdade é que, durante muitos anos, a sexualidade foi tabu. Hoje em dia, na sociedade, eu diria que há a banalização da sexualidade. mas no contexto cristão ainda continua a ser tabu. Na tua opinião, qual é o motivo? Eu creio que temos sempre que recorrer à história.
Há um determinado momento na história do cristianismo em que o cristianismo vê-se influenciado pela filosofia corrente, neste caso de Platão, com o dualismo que faz uma divisão entre aquilo que é do corpo e aquilo que é do espírito, da mente, considerando sempre o corpo inferior àquilo que é da mente, àquilo que é o espírito. Nós vemos isto... A noção, desculpa, do carnal e do espiritual, não é? Carnal e espiritual. Isto foi incorporado por Agostinho, entre outros, no cristianismo, e então, na Idade Média, chegou-se a considerar virtude ou piedade o descuido com o corpo.
mesmo no que toca a higiene, uma pessoa que não tinha uma boa higiene pessoal ou que acumulava muita falta de higiene, se quisermos, para não estar a descrever os promenores, não é? Essa pessoa era considerada muito pia, muito... Isto tudo, claro, que é uma deturpação daquilo que era a ideia inicial de Deus, não é? A procriação é vista como sendo o único objetivo da sexualidade, dentro deste paradigma teológico, não é? A relação sexual por prazer começa a ser vista como algo imoral, algo que o sentir prazer era uma paixão humana, era uma fraqueza da carne, se quisermos, não é?
Quando estudamos de uma forma mais profunda a Bíblia, vemos que as coisas são relativamente diferentes. Quando Paulo, por exemplo, diz que o corpo é o templo do Espírito Santo, ora, se o corpo é o templo do Espírito Santo, O corpo é santo também e não poderemos dizer que se trata de algo mau, mas algo que foi criado por Deus, que tem o seu papel, que tem o seu lugar e, portanto, não podemos desmerecer este lugar também do corpo. Eu diria que, mesmo como sociedade e dentro das comunidades cristãs, hoje ainda se paga algum preço de isso ter sido tabu durante tantos anos.
Talvez estas gerações sejam as menos afetadas, mas se calhar as nossas gerações foram muito afetadas por se ter mantido este tabu, não foi? Foram muitos séculos e dizer, por exemplo, que o prazer sexual estava associado à imoralidade. Na Idade Média, um homem que quisesse ser correto com aquilo que ele aprendia, conforme lhe era também ensinado, ele abstia-se de ter relações sexuais com a esposa a menos que fosse com a clara intenção da procriação, e depois, porque também era um homem e tinha suas fraquezas, iria desfrutar do prazer sexual com prostitutas ou com amantes.
Portanto, é esta conotação que surge embrunhada numa mentalidade que esteve presente durante séculos, que depois vai fazer com que a sexualidade hoje continue com uma certa conotação. Para alguns, conjo é uma espécie de obrigação, não é? Que tem que ser suportada. Olha, tem que ser, não é? É uma obrigação. Logicamente que não havendo um interesse maior do que cumprir uma obrigação, há sempre alguém que se vai queixar porque não é uma relação de que se desfruta, que se procura, que se quer, não é?
E então alguém vai sentir sempre que gostaria de ter um relacionamento mais intenso, mais frequente, não é? Aliado a isto também há uma profunda ignorância, eu diria sobretudo nos homens, sobre fisiologia, a fisiologia da sexualidade. Alguém escreveu e disse que o número de mulheres frigidas corresponde ao número de maridos que não se satisfazem as suas necessidades. A grande verdade é esta, é que apesar de vivermos numa sociedade, se por um lado na igreja ou nos ambientes mais religiosos não se fala tanto sobre sexualidade ou em alguns casos não se fala de todo, não é?
E quando eu digo igrejas e comunidades religiosas, eu também poderia estar a falar de famílias, não é? Quem são os pais que se sentam e de uma forma aberta, adequada, falam com os seus filhos sobre a sexualidade? Bem, não acontecendo isto, o outro lado da moeda é que na sociedade Não se fala de outra coisa. Exato. Não pelos melhores motivos, na maioria das vezes, não é? Exatamente. A sexualidade é utilizada para o marketing. Portanto, há mensagens extremamente sensuais que têm um objetivo que é vender qualquer coisa. Depois existe o fenómeno da pornografia. Depois, existe o interesse natural por este assunto, porque faz parte da nossa natureza, e muitas vezes é no ambiente de cafés, ou no ambiente de escola, no ambiente de conversas particulares que o assunto vai sendo tratado, nem sempre da forma mais correta, da forma mais adequada, logo, Nós ainda vivemos numa sociedade onde a marca do tabu que existiu, ou que ainda vai existindo em alguns casos, e depois uma avalanche, uma montanha de informações erradas, desadequadas.
Certamente que a pornografia não é o lugar para se aprender sobre a sexualidade que foi criada por Deus, idealizada por ele para o ser humano. Eu ainda quero ir mais longe, que é entre o próprio casal, porque muitas vezes há também, eu diria, corrija-me se eu estiver errado, mas a noção de virilidade masculina que leva sobretudo o homem a não querer abordar esses assuntos com a sua própria esposa e crescerem juntos, descobrirem a sexualidade juntos, perceberem o que é que cada um gosta, o que é que cada um não gosta, o momento em que as coisas acontecem, a ver aqui uma sã partilha para que descubram ambos a sexualidade.
Muitas vezes o homem retrai-se e não quero dizer que a mulher também, não estou a falar isto pela maioria, nem sempre isso se pode generalizar a todas as pessoas, mas haver esta descoberta em conjunto, com uma partilha franca e sã, eu diria, pode ser o primeiro passo para se resolver essas situações que estás a dizer, pelo menos entre o casal, não é? Aquilo que estás a dizer é exatamente a comprovação de que dentro do próprio lar existe ainda o tabu, existe o pouco à vontade, É interessante como, na descrição do Éden, no plano original de Deus, diz que o homem e a mulher estavam nus e não se envergonhavam. Portanto, havia ali uma avontade para lidar com a sua nudez física.
Não tinham a carga que nós temos da negativa da sexualidade. Exatamente, porque era este o plano original de Deus. E nas famílias e na sociedade, e sobretudo na vida de cada pessoa, o objetivo é voltar ao plano original. Ora, não havia problemas, não havia vergonha naquela relação, fisicamente falando, porque também não havia emocionalmente falando. Eles podiam falar, podiam trocar as suas próprias ideias num ambiente são, puro, e eles não tinham qualquer constrangimento em relação a isso. Eu diria que até só o ato da descoberta em si já é algo maravilhoso.
O poder descobrir ambos juntos é maravilhoso. Vamos tentar também falar na parte prática e perceber o que podemos fazer, mas já a seguir é um pequenino intervalo. Voltamos já a seguir. TV Novo Tempo, o canal da família, o canal da esperança. De volta para a segunda parte do programa de hoje e, como habitualmente, neste momento é o momento em que eu lhe faço a oferta. E no programa de hoje, mais uma vez, vou-lhe falar do Guia de Estudo Entre Famílias, feito por vários especialistas, um conjunto alargado de lições que abordam os diferentes aspectos e áreas do relacionamento.
E, claro, a sexualidade também nela. não é deixada de lado. Também aqui vai encontrar algumas dicas práticas sobre este assunto, mas também vai descobrir em si mesmo aquele que é o assunto do programa de hoje, que foi Deus que fez e criou a sexualidade e que Ele também a abençoa. O que pode fazer para receber este guia de estudo, como tenho lhe dito, é simples. Envie uma mensagem. é um SMS a dizer entre família e depois nós mesmo entraremos em contacto consigo para lhe fazer chegar esta revista pelo correio. O contacto para o qual deve enviar a sua mensagem também é o do costume 933-9392-91. 933-9392-91.
Daniel, vamos então À parte prática, o que é que podemos fazer para, eu diria, contrariar este, enfim, tantos anos de mito e de má perceção para com a sexualidade? Não podemos deixar de começar por salientar que se há de haver satisfação sexual num casamento, num relacionamento conjugal, dizer que essa satisfação é o resultado da harmonia nas outras áreas do casamento. Portanto, as coisas estão interrelacionadas. Mesmo sendo um dom de Deus, Na verdade, ele existe porque tudo o resto, que também é dom de Deus, já existe num relacionamento.
Nosso corpo é um todo, não é? E eu não posso dizer que a minha mão está doente, mas o resto do corpo está bom. Quando a mão sofre, há uma inter-relação e eu sofro porque uma parte está mal. De maneira que... Havendo harmonia no todo da relação, isto significa na comunicação do casal, na entreajuda que deve existir, na complicidade, na educação dos filhos, no tempo, em conjunto, todas estas coisas contribuem para a satisfação sexual. Tudo tem a ver com a parte que também depois vai ser a satisfação sexual.
A natureza sexual de uma pessoa está ligada à sua natureza psicológica. Se uma pessoa se sente feia, ou se se sente inferior, tudo isto vai afetar o seu desempenho sexual. Por isso, tudo aquilo que, por exemplo, um marido faça ou diga que vai afetar a autoestima da sua mulher, pois isto vai se reverter depois, vai se vai se verificar, vai afetar o relacionamento sexual. Portanto, nós não podemos falar de sexo sem falar do resto. Mas ao falarmos de sexo, é bom que conversemos sobre sexo. Isto é uma redundância.
Ou seja, tendo em conta que tudo afeta o sexo, é importante colocar o sexo como uma parte também muito importante da vida do casal e não deve haver, como dizíamos antes do intervalo, não deve haver, neste caso, tabus dentro do casal para falar especificamente sobre isso. Alguns estudos têm sido feitos com casais e verificou-se, por exemplo, que Em 100 mulheres que disseram que falavam abertamente com os seus maridos sobre a sua sexualidade ou sobre a sua vida sexual, destas 88 descreveram a sua vida sexual como boa ou muito boa.
Vejamos aqui a relação. Entretanto, do outro lado, de 100 mulheres que disseram que não falavam abertamente com o seu marido sobre os seus sentimentos em relação à sua vida conjugal ou sexual, neste caso, 70 disseram que a sua vida era razoável ou pobre, para não dizer Má, não é? Portanto, aí vemos que há uma relação direta entre esta abertura para falar sobre o que se gosta, sobre o que não se gosta, sobre como se sente e como não se sente, uma conversa íntima sobre a intimidade sexual, como um fator muito importante para alcançar o objetivo final, que é a satisfação também.
Deixa-me fazer esta pergunta, até mesmo no contexto cristão, visto que é aí onde está atualmente ainda o maior problema. Como é que a religião pode afetar a vida de um casal? De alguma forma entendes que a religião, eu vou usar até a palavra de uma forma intencional, ou religiosidade, porque muitas vezes é a religião de forma deturpada, pode afetar de forma negativa o relacionamento sexual do casal? Nós já há bocadinhos estivemos a falar sobre o facto de que uma teologia influenciada pela sociedade e pela filosofia, neste caso grega, levou o ser humano a tomar certas...
a humanidade crista a tomar a sexualidade como uma coisa que tinha algo de pecado, não é? O pecado original até. Ora bem... É interessante, por exemplo, notar, e agora estamos a recorrer à ciência, em estudos que foram feitos nos Estados Unidos, por exemplo, e isto há não muito tempo, em comunidades seculares não cristãs e comunidades ou famílias cristãs, e quando eu digo cristãs, provavelmente são cristãos que que conhecem a Bíblia, que estudam a Bíblia, notou-se algumas coisas interessantes que surpreenderam muito a comunidade científica e todos aqueles que estudam este fenómeno da família.
É que as mulheres religiosas eram mais dadas a conversar com os seus maridos Portanto, havia maior abertura nas mulheres religiosas praticantes para falar sobre sexualidade ou sobre sexo com os seus maridos? E, segundo a revista Red Book, as mulheres cristãs eram melhores amantes, ou seja, eram aquelas que, de uma forma clara, demonstravam desfrutar ou ter mais prazer na relação sexual. Tim LaHaye, um cristão, que escreveu um livro e que influenciou uma geração imensa de gente, o livro chama-se O Ato Conjugal, vem dizer isso mesmo porque ele também se baseia na ciência para afirmar que realmente cristãos que compreendem a antropologia bíblica, a sexualidade do ponto de vista bíblico, têm a tendência de se sentirem mais confortáveis para desfrutar da sexualidade, para falar sobre a sexualidade de uma forma sã e, por consequente, isto foi uma surpresa porque, por causa do que vinha da Idade Média, muita gente associou a religião a alguma restrição no desfrutar deste prazer.
Demonstrou-se exatamente o contrário. Por isso é que nós temos este programa com este título hoje, a sexualidade criada por Deus, porque é um fator de mel, é um fator de felicidade para o casal. A Bíblia tem um livro inteiro que gerou muito debate ao longo dos anos, o livro de Cantares. E porquê? Porque, bem, se nós formos ver, durante algum tempo os teólogos tentaram alegorizar, espiritualizar aquela linguagem que está ali no livro de Cantares. A realidade é que é uma linguagem literal, física e explícita sobre o amor de um homem e de uma mulher.
Provavelmente, os comentaristas bíblicos acreditam que se trata de Salomão e a sua esposa, filha de faraó, com quem ele viveu uma relação monogâmica durante pelo menos 20 anos. E ali está a beleza do amor de um homem e de uma mulher que interagem, que sentem a necessidade um do outro, que se amam verdadeiramente. Os comentaristas e os estudiosos da Bíblia olham para este livro e acreditam que ele pode nos deixar alguns apontamentos, algumas notas que são extremamente importantes.
Eu passo a citar. Primeiro, verdadeiramente, em face daquilo que nós temos ali, a sexualidade foi criada por Deus, foi criada para um relacionamento heterossexual monogâmico, Pressupõe igualdade de dois parceiros no seu relacionamento amoroso. faz parte de uma relação holística, ou seja, ambos precisam da entrega do outro, e não apenas da dimensão física, porque o romance, a relação que está ali descrita, tem uma componente espiritual, tem uma componente emocional muito forte, relacional.
Nós vemos que, por este texto bíblico, o amor sexual deve existir num relacionamento exclusivo. Esse relacionamento deve ser permanente e íntimo. A finalidade do sexo ou da sexualidade não é apenas a de procriar, mas é a de expressar amor, embora claro que nós compreendemos que a procriação é um dos objetivos também da sexualidade, mas não é o único, não é exclusivo, não é? Quando Deus diz, multiplicai-vos e enchei a terra, certamente que está a indicar um objetivo da sexualidade.
Mas basta-me ler o livro de Cantares e eu percebo que não era preciso tudo aquilo para procriar, não é? Não se vê isto, por exemplo, no mundo animal, não é? Há ali componentes afetivos. E tudo isto nos leva a concluir que a sexualidade é um presente. Nós gostamos de receber presentes. E a sexualidade é um presente pleno, belo e alegre que Deus dá à humanidade. Porque Deus quer, um Deus de amor, um Deus relacional, quer que o ser humano viva em relações felizes e saudáveis e a sexualidade na sua dimensão correta é um contributo muito grande e muito forte para manter unido o casal e para fortalecer essa mesma relação e a família no seu todo.
É interessante, eu estava a me lembrar de um livro, penso que está editado em português também, que é A Sexualidade Começa na Cozinha, falando o objetivo do livro, não é falar sobre sexualidade, é a relação e as diferenças entre o homem e a mulher, significando que a sexualidade não é só o ato em si, mas é toda a evoluência. e que começa muito antes do ato em si. Para si que está desse lado, tenho uma oferta muito especial para si e terminamos o programa de hoje com o Daniel Basta a dizer que a sexualidade é muito importante para manter a estrutura da família. Esta revista que lhe estou a oferecer tem um capítulo que em brasileiro diz sexualidade cola super bondi. Uma marca de cola, enfim, mas para mostrar como a sexualidade pode ser, portanto, esta cola que une o relacionamento quando é vivida de forma saudável.
É apenas um promenor entre muitos outros e a revista é totalmente gratuita, basta enviar um SMS para o 933 93 92 91 e depois enviamos para si este guia de estudo totalmente gratuito pelo correio para a sua casa. Este programa fecha uma série de programas que nos levou durante oito programas a falar sobre a família Mel e Fél, mas estão todos disponíveis em podcast em radioxcs.pt e também no YouTube da Novo Tempo Portugal. Esta série termina, mas o Ser Família estará de volta na próxima semana. Marcamos o encontro consigo. Foi um prazer estar na sua companhia. Até lá, se Deus quiser.
Nesta semana, em Ser Família, chegamos ao final da série Mel e Fel com um tema essencial e muitas vezes evitado, a sexualidade criada por Deus. Neste episódio, somos convidados a olhar para a sexualidade à luz da Bíblia, sem tabus, sem distorções históricas e longe das banalizações da sociedade atual