É com regozisco que estamos de volta para lhe trazer mais um Ser Família. Nos últimos programas temos falado de filhos, de crianças e mais concretamente no último episódio falámos de estabelecer limites. No programa de hoje tenho mais uma vez comigo Daniel Bastos. Daniel, bem-vindo. Hoje vamos falar também de colocar limites, mas para algo que é muito difícil, até diria para nós mesmos, mas sobretudo para os nossos filhos, que é a parte dos ecrãs. Saber estabelecer limites nos ecrãs. Muito importante nos dias de hoje, não é? É, vamos dizer que desde os anos 90, com a ideia dos smartphones, que depois se tornaram acessíveis, a partir do ano 2007, com o lançamento do primeiro iPhone, nós tivemos coisas fantásticas.
Por exemplo, o mundo mudou, não é? A possibilidade de ter uma lista de todos os nossos contactos, fazermos as nossas chamadas, termos os nossos e-mails, tirarmos fotografias com qualidade de máquinas profissionais, que tínhamos que fazê-lo há uns anos atrás, ter acesso a tudo o que precisamos na internet e, ainda por cima, o GPS. Bem, esta pequenina máquina é, de facto, uma inovação que muda o mundo. Mas, Daniel, há sempre um mas, não é? E esse mas é o facto comprovado de que, por exemplo, vou citar aqui uma jornalista, Joana Pereira Bastos, que escreveu no Expresso de 21 de dezembro de 2022, 60% dos nossos jovens passam mais de quatro horas na internet.
99% deles usam as redes sociais e 20% jogam a dinheiro online. Ou então ainda mencionar Um outro estudo que foi feito, o Barema Internet, da Marctest, que dizia que 45% dos jovens entre os 15 e os 24 anos passavam mais de 6 horas na internet. Tudo isto graças a esta maravilha que vem a introduzir-se nas nossas vidas desde há algum tempo. Tudo isto tem levado muitas pessoas a analisar este fenómeno, perceber os perigos e os riscos, E algumas decisões, eu diria, a nível mundial têm vindo a ser tomadas.
Por exemplo, a Unesco. através de um relatório, depois do relatório anual da Organização da Unesco de 2023, ela emite este parecer. A utilização dos smartphones nas escolas deve ser exclusivamente limitada às atividades curriculares, mas nos casos em que se perceba que esta integração não beneficie a aprendizagem ou perturbe o funcionamento das aulas, deve ser proibida. Então, aqui entramos novamente numa área interessante, a proibição. Proibição dos smartphones nas escolas.
Por exemplo, no nosso país, em escolas, mesmo aqui na região de Lisboa, Almeirim, poderíamos dizer, Lourosa, esta interdição está feita. Um estudo da Unesco diz que um quarto dos países já tem algum tipo de proibição ou restrição à utilização dos smartphones no espaço escolar, na escola. países como a França, a Itália, a Grã-Bretanha, a Holanda, a Austrália, estão na vanguarda deste tipo de medidas. E é interessante notar que quem o faz acredita que isto é importante para melhorar o QI das crianças, o comportamento, a sociabilidade e diminuir os níveis de bullying.
Mas esta ideia de proibir os smartphones não é uma ideia consensual. Existe também quem, por outro lado, diga que é verdade que limita alguns riscos, como o cyberbullying, o sexting. mas depois diminui o nível de distração. Eu estou aqui a citar, por exemplo, Eduarda Ferreira, que escreveu em 2023, mas ela diz também que proibir nas escolas Limita, também, a possibilidade de uma aprendizagem mais ativa, de uma comunicação entre os colegas e, sobretudo, de preparar os jovens para lidar com uma sociedade onde as distrações são omnipresentes, não é?
Então, há aqui um debate aberto, onde há um consenso limitado ou cada vez mais
abrangente em relação a proibir os smartphones nas escolas, mas por outro lado também há aqueles que defendem que isto não deve ser feito, não é? Eu diria que a proibição também é um limite máximo, mas é mais consensual a necessidade de estabelecer limites. O problema, Daniel, já não se prende tão só no contexto escolar, mas e em casa? Como estabelecer esses limites? Que regras estabelecer? O que é que é aceitável, o que é que não é aceitável? Esse continua a ser agora, eu diria, um grande dilema. É. Aí é que está a questão. Se nas escolas algumas, pelo menos, tomaram essa decisão, e até estão muito satisfeitas com a medida porque vêem os resultados, em casa, como é que isto pode ser feito?
Há aqui alguns problemas com os quais os pais se debatem. A quantidade de tempo que os filhos gastam com os ecrãs, particularmente estes telemóveis que têm todas estas funções. Depois, que tipo de conteúdo eles estão a ter acesso? Com quem é que eles estão a contactar? E os pais, claro, eles sentem-se impotentes para controlar, até porque eles não estão em casa muito do tempo em que os filhos lá estão. E porque muitas vezes também os filhos dominam mais a tecnologia do que propriamente os pais. Exato, é exato. E depois os pais ficam absolutamente prostrados ou mesmo desanimados quando percebem que por causa disto os filhos estão desinteressados de algumas coisas que seriam importantes para o seu desenvolvimento.
De maneira que este é, de facto, um problema. Eu queria apenas citar a Associação Americana de Psicologia, que diz que, num artigo de 2019, e citando uma pesquisa feita dois anos antes, Ela dizia que 94% dos pais já tomaram pelo menos uma medida para restringir ou disciplinar esta questão do uso dos telemóveis. Sendo que 48% desses mesmos pais admitiam que o controle deste pequeno objeto era uma batalha constante.
58% dos pais estavam muito preocupados com a influência que as redes sociais tinham no desenvolvimento físico e mental dos seus filhos. Por outro lado, a Academia Americana de Pediatria, estabeleceu algumas regras, ou eu diria guidelines, diretrizes, para orientar os pais. E é interessante deixar aqui neste programa essas diretrizes, porque também têm alguma utilidade. Para esta entidade oficial de pediatria, crianças com menos de 18 meses, um ano e meio, deveriam ter acesso ou exposição a ecrãs única, exclusivamente para alguma interação com os vovós, por exemplo, videochamadas, não é?
Dos 18 meses aos 24 meses, apenas para algum programa de excelente qualidade em que os pais estivessem com os filhos. Dos dois aos cinco anos, a diretriz destina-se uma hora no máximo por dia, com, novamente, programas muito bem selecionados, de grande qualidade. E, a partir dos seis anos, a recomendação era de estabelecer limites consistentes no tempo utilizado para a exposição mediática.
Estamos a ter, então, aqui, limites muito concretos e bem específicos. Mas como é que os pais normalmente agem nessas circunstâncias? Bem, e aqui nós temos os estilos de paternidade. Então, assim, muito rapidamente, talvez quem nos ouve e vê, vai se identificar com algum deles. Existem, tipicamente, os pais autoritários, que é, não podes e pronto. Acabou. Acabou-se. Depois há os pais permissivos, que dizem, claro que podes, é como tu quiseres. E depois há também os pais negligentes, que dizem, olha, faz como te apetecer, eu não quero saber de nada. A recomendação não seria nenhum deste modelo, mas seria mais dos pais autoritativos, que seria, olha, vamos conversar sobre isto juntos.
Estes pais envolvem os filhos no processo de decisão, são solidários, são sólidos, procuram ser justos. Eles estabelecem as tais regras, é isto que nós preconizamos. Eles comunicam de uma forma adequada, adaptada ao nível de entendimento e de maturidade dos seus filhos. Eles são carinhosos enquanto, ao mesmo tempo, conseguem ser firmes. têm expectativas elevadas para os seus filhos e eles, de facto, conseguem estabelecer os limites. São mais assertivos, não é? Muito bem. Vamos fazer um pequenino intervalo, voltamos em breves segundos e eu tenho, logo a seguir, uma oferta para lhes fazer que tem precisamente e vai precisamente ao encontro destes limites e é uma ferramenta que vai ser útil para si, de certeza absoluta.
Até já, se Deus quiser. TV Novo Tempo, o canal da família, o canal da esperança. Estamos de volta e, como lhe disse antes do intervalo, tenho uma oferta para si. O Guia de Estudo Pais Preparados Filhos de Caráter. Estamos a falar de limites, estamos a falar de ecrãs e vai encontrar precisamente aqui, neste Guia de Estudo, no capítulo 7, um capítulo dedicado aos ecrãs. como fazer, como lidar, que tipo de limites, como estabelecer esses limites, como negociar, vai encontrar tudo aqui. Mas não só, como lhe disse, é um guia bastante abrangente, cheio de dicas e conselhos para os pais, para nos ajudar na educação dos nossos filhos.
e, melhor do tudo, é que é totalmente gratuito. Basta enviar-nos uma mensagem para o nosso telemóvel, que é o 933-939291, 933-939291. Depois entraremos em contacto consigo, para que lhe possamos enviar este guia de estudo para a sua casa, através do correio. Ficamos a aguardar o seu contacto, não hesite, é mesmo totalmente gratuito. Daniel, O que fazer então?
Temos necessidade de criar limites, mas muitas vezes nós próprios temos que criar esses limites, sobretudo aos ecrãs de respeito, a nós mesmos. Como agir então? Como ser esses pais assertivos? Esta é, certamente, uma questão importante. Eu queria, mais uma vez, recomendar um livro. Infelizmente, não está traduzido em português. Alguém recomendou-me. O título, Left To Their Own Devices, isto poderia ser traduzido em português por Entregues a Si Mesmos, mas, na língua inglesa, há aqui um sentido duplo. Entregues aos seus próprios aparelhos eletrónicos, ou dispositivos, neste caso, os telemóveis.
Escrito por Catherine Hill, ela é diretora de uma organização britânica que se chama Care for the Family, Cuidado da Família, e em 2017, apercebendo-se que este era um problema, um dilema dos pais, ela então preparou este trabalho. muito interessante, como um guia que pode ajudar os pais. Ela percebeu-se, por exemplo, que muitos pais estão muito aquém do conhecimento que os seus filhos têm sobre estas coisas. Segundo ela, ela diz que os pais são visitantes digitais, enquanto que os filhos são residentes digitais.
Eles vivem lá, naquele ambiente. Eu e tu, na nossa geração, nós vamos à internet quando precisamos de alguma coisa. E isto, parecendo que não, é uma diferença bastante grande. Desculpe-me por ter-te interrompido. Aqueles é o ecossistema deles, não é? Exatamente. Isso faz com que os pais muitas vezes sintam-se incompetentes e desconhecedores de muitas coisas que se passam na internet. Então, o objetivo desta senhora é guiar os pais, dar-lhes alguma literacia para ajudá-los a perceber o que é que está em causa, o que é que pode acontecer e o que é que eles devem fazer. Ela entra em assuntos como o tempo que passamos em frente à internet, ela fala sobre o ciberbullying, sobre a possibilidade de contacto com estranhos maliciosos, despesas indevidas que surgem da utilização, a exposição à pornografia, a dependência dos jogos e de outras coisas na internet, e os problemas ligados à saúde das crianças, dos filhos, em face de uma utilização massiva da internet.
Agora, a tua pergunta, o que fazer, ela começa por responder o que não fazer. Exato. Muitos pais acham que devem ser, vou usar a expressão em inglês, cool ou fiches, e devem estar ali e concordar com tudo. Ela diz, os pais, eles devem ser amigos dos filhos, mas eles são pais, eles têm uma responsabilidade. E se há que impor alguma restrição, os pais devem se sentir à altura de o fazer. Mas fazê-lo com conhecimento. E para isso é preciso ser intencional, saber o que está a fazer, saber o que se quer fazer. Ela diz que é preciso ser também positivo, porque se a lógica for apenas restringir, logicamente os conflitos vão ser imensos.
Por exemplo, é preciso saber dizer sim, assim como dizer não. Por exemplo, um determinado pai, ele vai dizer aos filhos, olha, peguem os vossos telemóveis e vamos sair, vamos passear, vamos fotografar, vamos filmar, vamos brincar, utilizar a tecnologia, mas com a presença dos pais, que também acabam por se familiarizar. Aliás, o terceiro ponto ou conselho que ela dá é que os pais devem desenvolver o seu conhecimento, a sua literacia, em relação aos meios digitais. Dou o exemplo, por exemplo, dos jogos.
Para muitos pais, a questão é apenas a quantidade de tempo. Só que o conteúdo, o que é que eles estão a fazer no muito ou no pouco tempo, é absolutamente fundamental e mais importante até do que a quantidade de tempo. E às vezes, desculpa lá acrescentar, que nem importa tanto o que eles estão a jogar, mas a forma como eles estão a comunicar dentro do jogo com outros pais, não é? Exatamente. Por exemplo, uma mãe que diz, olha filho, a tal hora, É refeição e o filho está a jogar e ela chega lá e diz ao filho para vir imediatamente almoçar e o filho não vai. Então ela começa a entrar em histeria porque o filho está a ficar viciado e dependente daquilo.
O que a mãe não percebe é que o filho está a jogar um determinado jogo e ele está praticamente a passar nível, qualquer coisa desse gênero. e ela não percebe o timing do jogo. Portanto, ela precisa de compreender, se ela há de permitir que o filho jogue, ela há de perceber como é que as coisas funcionam. Quem sabe até, se essa sua postura permitir, talvez até julgar com ele. Para, por exemplo, antes dele começar, perguntar-lhe, olha, quanto tempo é que esse jogo vai demorar? Para que a sua disciplina não seja difícil demais e possa ser adequada. Há outras questões aqui que são muito importantes, como, por exemplo, a questão do dinheiro.
Às vezes, os pais não se percebem que os filhos podem correr, às vezes, em despesas, inteirar-se. Ou, por exemplo, saber como é que funcionam os contactos. Com quem é que o filho está a julgar? Com quem é que ele está a comunicar? É que o João de 15 anos bem pode ser o António de 60. Ou outra coisa assim do género, não é? O fenómeno do cyberbullying em que pessoas são alvo de uma agressão, jovens pelos seus pares, e que podem trazer danos graves à sua vida e à sua parte emocional.
O sex-texting. onde há uma tendência, uma solicitação para enviar fotografias de si próprios nus, a exposição à pornografia com as consequências mentais, físicas e relacionais. Enfim, há uma quantidade de perigos que os pais fazem bem em compreender e estar atentos. Eu fiz-te uma pergunta há bocado que acredito que possa ser, estar ainda na
cabeça das pessoas, que é como. Como fazer. E é realmente difícil. Ela deixou-nos algumas ideias práticas que tu, nos breves minutos que temos, possas partilhar connosco. Claro. Então, Catherine Hill recomenda algumas, dá algumas sugestões. Por exemplo, os pais a perceberem-se como ajudar os filhos, por exemplo, a nível de controle. Isto exige algum conhecimento, mas, por exemplo, filtros, controle parental, é algo sobre os quais os pais deveriam informar-se. Depende, claro, da idade dos filhos, mas os pais não podem ser ultrapassados pelos seus filhos e eles precisam saber como utilizar estas ferramentas.
Não facilitar o acesso precoce. e sobretudo não deixar acesso ilimitado aos filhos à internet. Eu só posso referir aqui o caso de uma família muito querida, conhecida, quando um pai vai encontrar o filho de 5 anos a ver pornografia homossexual. Aquele pai ficou horrorizado, mas ele estava com o telemóvel do pai e o pai... não estava minimamente a pensar que uma coisa destas pudesse acontecer. Uma outra sugestão, e lá está a questão de regras, de limites, que devem ser de uma forma dialogada e negociada, ser discutida.
Mas, por exemplo, ela dá a sugestão de os telemóveis ficarem fora do quarto onde se dorme. Desligar as notificações para que os filhos não estejam a ser expostos a distrações constantes. Estabelecer tempo livre de tecnologia. nomeadamente nas refeições. Há uma família, por exemplo, que ela menciona, que tem um cestinho na mesa e, no momento das refeições, cada um começando pelo pai e pela mãe, deixam ali os seus telemóveis. Na refeição, ninguém responde. Chamadas, nem mensagens, nem nada. Portanto, determinadas regras. Muito importante, segundo Catherine Hill, estabelecer acordos familiares.
Este é um assunto de disputa, de ansiedade, então é importante que de uma forma assertiva sejam estabelecidas regras. Onde, por exemplo, ela menciona aquilo que se pode fazer, aquilo que pode, se for pedido antes, e aquilo que não é aceitável em momento algum. Isto tem que estar claro, tem que ser negociado, tem que ser estabelecido, às vezes até num próprio documento. Um outro conselho que ela menciona é que os pais, que também somos tentados com estes recursos, devemos dar um exemplo e sermos, portanto, consistentes. E, sobretudo, ela menciona isto.
Os pais devem semear sabedoria. Nós devemos pensar que estamos a criar adultos. Preparar os nossos filhos para autonomia. Não crianças ou jovens, nós estamos a criar adultos. Somos, e precisamos ter esta segurança, somos a maior influência na vida dos nossos filhos. Devemos ter uma comunicação frequente e curta, porque grandes discursos não são o que interessa aqui. E não podemos ajudá-los apenas controlando ou proibindo, precisamos de estar lá. Precisamos de ajudá-los a terem discernimento, autogoverno e a ter referências. Obrigado, Daniel, mais uma vez.
São muitos os conselhos que aqui foram deixados, mas quero dizer-lhe que tem a oportunidade depois de poder rever o programa e relembrar todos estes conselhos. Para já, por falar em relembrar, quero relembrar a oferta que estamos a fazer. Este guia de estudo, Pais Preparados, Filhos de Caráter, que é totalmente gratuito e que tem precisamente um dos capítulos o capítulo 7, onde aborda os perigos dos ecrãs e traz-lhe também muitas sugestões. É totalmente gratuito, basta enviar-nos uma mensagem para o 933 939291, com as palavras pais preparados, é apenas para sabermos que é este o estudo que se refere, porque temos outras ofertas, e depois entraremos em contacto consigo para lhe poder enviar este guia de estudo totalmente gratuito, através do correio para a sua casa.
Como lhe disse, este programa estará disponível também em podcast em rado.rcs.novotempo.pt, mas também no YouTube, no canal do YouTube da Novo Tempo Portugal. Estará onde demande. Poderá ir atrás, fazer o download e até, quem sabe, ver e rever em família este programa. Mais uma vez quero agradecer-te por estar desse lado. Marcamos encontro no próximo Ser Família. Até lá.