Família: Graça ou Maldição?
Ser FamíliaT1 · E24

Família: Graça ou Maldição?

13 de Outubro de 202526 min 35 s

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Volvido a mais uma semana, cá estamos para lhe trazer mais um Ser Família. No programa de hoje, vamos dar início a uma série de quatro programas que terá como título Famílias, Graça ou Maldição. Para nos falar sobre este assunto, temos como sempre, mais uma vez, Daniel Bastos. Mais uma vez, bem-vindo, Daniel. Obrigado. Daniel, não deixa de ser, pelo menos, incrível e um título que estranhamos. Família, Graça ou Maldição. O que te levou a escolher e a preparar estes quatro programas com este título? Bem, eu espero que ninguém se assuste com este título. É verdade. Estamos aqui, mais uma vez, ao lado daquela família que nos ouve lá em casa e que quer ser uma melhor família.

E, nesse sentido, o objetivo deste programa é trazer ideias, recursos, que possam ajudar cada família no seu contexto. mas um livro que tive a oportunidade de ler, já foi publicado há uns anos, existe na língua inglesa, não creio que exista uma tradução portuguesa do livro, é este livro, nós poderíamos dizer Famílias Onde a Graça Está Presente, seria mais ou menos o título, o autor Jeff Van Vonderen, é um conferencista, autor internacional, relativamente bem conhecido, Escreveu vários livros e tem estado por todo o mundo.

Ele basicamente trabalha muito na área das dependências ou adições, também na área da família. É um cristão. e escreveu este livro que eu julgo ser muito interessante. De maneira que, nesta série de quatro programas, vamos explorar não apenas, mas basicamente ou essencialmente algumas propostas, algumas reflexões aqui do Jeff, vamos dizer assim, não é? Sendo que, para já, o desafio, até para podermos ficar com o quadro completo, é que quem assistir este programa possa assistir então aos quatro aos quatro, para perceber, então, na sua plenitude. Mas o título, quer que queramos, quer não, é um título muito obscuro, muito escuro.

E a minha primeira pergunta é mesmo essa. Como é que a família, eu diria uma benção, algo criado por Deus, pode ser,

Origem da maldição

então, também uma maldição? É... Nós... A família pode ser a maior alegria que nós temos nesta vida, ou a maior dor que nós temos. E às vezes temos dificuldade em compreender como é que é possível o melhor e o pior acontecer no mesmo contexto que é a família, não é? E, para compreendermos isto, é-nos sugerido que nós possamos ir à Bíblia para compreender como é que tudo começou. Para já, a família, o casamento é uma ideia de Deus, não é? Surge logo nas primeiras páginas da Bíblia. É preciso termos isso bem claro.

Mas, tendo ela, a família ou o casamento, sido instituído antes do pecado, depois do pecado ele, esta instituição ou este relacionamento é fortemente afetado. Quando Adão e Eva caem, Deus vai-lhes dizer qual é o resultado da entrada do pecado, não é? Eu não vou entrar aqui em muitos promenores, mas há um versículo que nos chama a atenção, que é o versículo 16, a última parte do versículo 16 do capítulo 3, que diz o teu desejo será para o teu marido e ele te dominará.

Ora, esta pequena frase tem um profundo significado. Antes da queda, Adão e Eva sabiam que era Deus quem supria as necessidades íntimas deles. Havia uma relação muito próxima. Eles viviam, portanto, uma relação de dependência de Deus, não é? Ou seja, logo essa necessidade não viria um do outro. Exatamente. Não estavam dependentes um do outro, mas dependentes de Deus. Até que surge a serpente, não é? E a serpente vai-lhes dar a ideia de que Elas podem, eles, ela primeiro, mas eles no fundo, podem controlar o seu próprio destino.

e tu vai ser isto, vai ser aquilo, não é? Portanto, há aqui um paradigma que é alterado de dependência para controle. E o que vai acontecer depois do pecado, e usando esta expressão, é exatamente isto. É que, por exemplo, a mulher vai tentar encontrar vida e nutrição no marido, o teu desejo será para o teu marido, Ela vai ficar dependente de ser suprida pelo marido, enquanto que o marido vai tentar reinar sobre a sua mulher, tentando mantê-la em silêncio em relação à sua desadequação para preencher as necessidades.

Bem, o que é que acontece com isto tudo? Há aqui uma inversão de fatores e como há este vazio que se instala, vai haver uma tentativa, uma atitude de tentar sempre controlar os outros. Porque eu dependo deles para que as minhas necessidades sejam supridas. Mas o pastor apenas está a falar de uma questão da mulher de submissão ao homem. Mas a dependência não é mútua e a tentativa de controle não é mútua. É. É. E isto é, portanto, a mulher, ela sente que necessita de ser amada, não é?

É a sua necessidade, vamos dizer assim. Mas quando ela projeta isto no homem, não é? E não se sente realizada, o homem, agora ele vai, ele que vai tentar controlar a mulher ou vai tentar escamutear o facto de não conseguir suprir as necessidades da mulher. Porque ele não consegue ser Deus, não é? Porque ele não consegue ser Deus. Então, este ciclo que se instala vai ser bastante cansativo e vai ser também esta maldição, não é? Onde existe, como resultado desta nova situação, Bem, em inglês a palavra curse, maldição, serve para um acrónimo.

Nós não vamos tentar transliterar aqui, porque é difícil com os acrónimos de uma língua, mas poderia dizer que o resultado desta maldição é a tentativa de controle, é o ressentimento, espírito não perdão, não é? É tornar-me-nos reativos, não é? Em vez de proativos, eu reajo àquilo que o outro faz, em vez de tomar eu a iniciativa. E depois há aqui uma carga de vergonha, de... enfim, de sentimentos de culpa. É um sentimento doloroso que nos faz, que denota a nossa falta de valor que sentimos enquanto pessoas.

Portanto, nisto também um egocentrismo muito grande, porque eu estou centrado em mim próprio, nas minhas próprias necessidades, Nem que seja. Para esconder as fraquezas, não é? Exato. Exatamente. O autor, o Jeff, ele depois usa um outro acrónimo. que é a palavra cansado, tired. E, no fundo, o que ele quer dizer é que isto é uma grande canseira, porque instala-se aqui este ambiente de acusação, de ressentimento, de conflito, de frustração. E ele usa, para esse novo acrónimo, algumas palavras. Uma delas, por exemplo, é a palavra Trapped ou apanhado, ou seja, o sentimento de que eu caí aqui numa situação e não consigo sair dela.

Isto não se resolve, não melhora, é sempre a mesma coisa. E aí o desgaste que se percebe muitas vezes nas relações familiares. Também o sentimento de que de culpa, não é? De que se é um mau conjo, de que se é um mau cristão, porque como é que eu posso estar a viver numa situação destas? E com a consciência de que eu contribuo por aí, porque eu também faço parte desta festa, entre aspas, não é? O sentimento de se sentir responsável por tudo e por todos, ou seja, tudo o que vai acontecendo é por minha culpa, porque eu também...

Não estou a saber lidar com a situação, não tenho as ferramentas certas... Exatamente, eu sinto... eu... meto a carapuça, não é? É tudo por minha responsabilidade. Isto é altamente depressivo, não é? sinto-me exposto, não é? E torno-me extremamente defensivo, não é? Qualquer coisa, estou pronto para... Bem, nós na gíria dizemos que a melhor defesa é o ataque, não é? Então, é isto que depois nas relações do dia-a-dia acaba por acontecer, chegando ao ponto de nós nos defendermos, mesmo que quando sabemos claramente...

Que não temos razão, não é? Que não temos razão, mas estamos ali, porque isto nós não podemos... É a defesa da honra. Exatamente. Por causa desta fragilidade e este sentimento de insegurança brutal, então eu tenho que defender, mesmo que a causa não seja defensível, não é? Este é, portanto, o paradigma da maldição que se instala a partir do Ede.

Guia de estudo

Muito bem, agora que já percebemos porque é que aparece esta maldita palavra, maldição no contexto da família, vamos certamente perceber agora como nos livrarmos dela. Mas isso fica para mais tarde. Para já vamos fazer uma pequenina pausa, são apenas dois minutinhos. Voltamos já a seguir para a segunda parte e com uma oferta muito especial para si. TV Novo Tempo, o canal da família. O canal da esperança. Estamos de volta para a segunda parte do programa Ser Família de Hoje e, como tinha prometido, tenho uma oferta especial para si. Daniel Bastos, no início do programa, falava que o objetivo do programa é dar-lhe os recursos necessários para ter uma família segunda vontade de Deus.

E um dos recursos que nós temos para si é precisamente esta revista, este guia de estudo Entre Família, com muitas dicas práticas, muitos conselhos e sobretudo também muitas ajudas para os maiores desafios que enfrentamos na família. Questões financeiras, dificuldades de comunicação, como lidar com os filhos e adolescentes, como lidar, por exemplo, com questões como traição, enfim, são muitos as lições que temos nesta revista e também toda ela acompanhada com exercícios bem práticos para poder aprender e crescer em conjunto. É assim também um dos pilares da revista. é que é totalmente gratuita. O que é que tenho que fazer para receber este Guia de Estudo?

Basta enviar-nos uma mensagem para o 933-939291, 933-939291, com as palavras ENTREFAMILIA, para sabermos que é este Guia de Estudo a que se refere e que

Codependência e conflitos

gostaria de receber. Daniel, voltamos ao nosso assunto. Mencionaste esta maldição, agora já percebemos qual é a maldição, mas é quase inevitável perguntar-te como é que depois, como famílias, porque todos nós entramos num relacionamento para que dê certo, Temos filhos para que o nosso relacionamento com os filhos possa ser um sucesso, sobretudo por eles, porque os pais amam os filhos e querem o sucesso dos filhos. Mas como é que nós depois nos permitimos ter este tipo de relacionamentos que esteja debaixo dessa maldição que nos trouxeste hoje? Bem, não é, certamente, um cenário muito feliz, não é? Quando instala-se este paradigma, que, aliás, se tem perpetuado por séculos, não é?

Eu acho que todas as famílias experimentam, não é? Exatamente. Acho que todos nós sabemos do que é que este livro está a falar, porque sabemos por experiência própria. E o que se instala na prática é um vazio existencial muito grande, porque as minhas necessidades não estão a ser supridas. E eu tenho a ideia clara, dentro deste paradigma de pensamento também, que elas não estão a ser supridas por causa do outro. A culpa é do outro. E então, eu vivo este dilema, não é? Estou absolutamente convencido que a culpa é do outro.

Aliás, isto nota-se muito bem quando, por exemplo, em terapia familiar, nós recebemos um casal, não é? Normalmente por insistência dela. Ela queria muito, porque já não suportava, não é? O homem parece que disfarça melhor a coisa. Ela não. Ela quer muito. Então, ele lá concorda em ir. E vão os dois a uma terapia, a uma sessão, com um terapeuta familiar. Ele foi porque foi obrigado, não abre a boca, está lá caladinho. Ela então começa a falar tudo o que há de problemático na vida dele.

Ou seja, com a premissa de que o terapeuta se for mesmo bom, vai consertar este indivíduo. Está aqui ao meu lado, não é? Quando ela verbaliza a sua amargura a tal ponto que ele diz, bem, isto é suficiente, finalmente decide falar. E quando ele fala, vai apontar os problemas dela. E, então, Lá lançam um SOS também. Espero que este terapeuta consiga pôr a minha mulher em ordem, porque ela já se passou, não é? Mas a ideia sempre é que o problema está no outro. Este paradigma instala um ciclo de codependência.

Aliás, os especialistas dizem que esta codependência emocional é mais comum, mais prevalecente, que a codependência química, por exemplo. Álcool, imagina, não é? Drogas e outras substâncias. É mais comum esta codependência emocional do que estas que nós estamos, do que as dependências, nesse caso, das substâncias químicas. O que mostra que há uma fragilidade emocional em cada um de nós. Exatamente. Muito, muito grande. E então, não funcionando as coisas, arrastando-se no tempo os problemas, porque estamos confrontados com um paradigma.

Embora não tenhamos essa noção, muitas pessoas não têm sequer um conhecimento da Bíblia e sabem aquelas coisas e de certeza que a culpa é dela, não é? Ou é dele. Então, o que acontece é que as pessoas tentam lidar com isto de diferentes maneiras. Consciente ou inconscientemente, uma das formas é a negação. Quando, por exemplo, há uma crise muito forte no casamento, e então, finalmente, eles vão a uma terapia, o terapeuta pergunta, e quando é que as coisas começaram a ficar mal? E um deles, talvez ele, vai dizer, bem, isto, olha, foi há seis meses atrás.

Seis meses. aquilo já se arrastava há 20 e tantos anos. Só que há este mecanismo, não é? É este idealizar as coisas, mas a realidade é esta. É que neste paradigma nunca se é feliz. Enquanto eu estou a depender do outro. Outra forma de abordar isto é tentar mudar o outro. e como ele não está a fazer o seu papel, eu vou começar a tentar forçá-lo a fazer o que ele deve fazer. Se, por exemplo, o problema é comunicação ou tempo de...

Então, eu vou criticar o facto dele não conversar. E ele vai dizer assim, mas está bom, eu estou aqui para conversar contigo. E depois... E vamos falar do quê? E depois ela vai voltar a dizer, olha, estás a ver, tu nem sabes o que dizer. Porque se tu soubesses, se tu realmente estivesse preocupada comigo, até tu sabias, não é? Portanto, ali não é uma questão... A comunicação é essencial, não estou a desmerecer isto. Mas há aqui uma tentativa, ou então, quando há um comportamento errado, esta tentativa pode ser pela negativa, não é? Dizer, olha, tu és uma vergonha, tu faz isto e... Então, tentar culpabilizar, envergonhar o outro para forçá-lo a mudar de comportamento.

E a outra forma, que é muito mais subtil, inclusivamente muito defendida até mesmo por especialistas e seminários sobre família, é a ideia de que eu mudando-me a mim mesmo, vou mudar o outro. Mas que é uma espécie de falsa submissão. É uma falsa submissão porque é uma autorrepressão que eu faço de mim mesmo, eu imponho-me a mim mesmo e aquilo pronto, pode dar resultado durante algum tempo, mas chega uma altura que eu também estou farto. Então, eu vou debitar toda a coisa que ainda não aconteceu e todas as coisas e o que eu já fiz e etc.

Portanto, é um processo, não é? Como é que as famílias que começam a sentir o peso dessa maldição, mesmo não

Encontrar a verdadeira paz

tendo consciência como é que ela é gerida, o que é que tentam fazer? O divórcio é apenas uma tentativa de escapar dessa maldição ou há outras formas de fugir ela? Sem dúvida. O divórcio, o que acaba por resultar é uma tragédia e nós lamentamos e nos perguntamos como é que foi possível. Aquele casal, aquela família era tão feliz. Davam-se tão bem. Apareciam tão bem no Facebook, eram tão lindos e agora divorciados. Não entendo o que é que se... Pronto, mas o divórcio é um resultado muito lamentado. Outro, menos notado. Porque há aqui um enfoque muito em manter as aparências.

Ou em não admitir o fracasso. É, numa preocupação excessiva com o exterior. e deficitária em relação às necessidades íntimas, interiores, e à fonte que unicamente... Bem, o autor, sendo cristão, e nós vamos falar sobre isto, ele diz que estas necessidades, como no Éden, podem ser unicamente supridas por Deus. O coração deve ser cheio com o Espírito de Deus. E aí, cheio, pode levar aos outros, nos relacionamentos humanos, aquilo que os outros também precisam. Mas eu, em primeiro lugar, tenho que ter tem que ser cheio de Deus.

E o que acontece é que quando isto não acontece, nem o outro conseguiu preencher este vazio existencial, muitas vezes, e eu não me quero divorciar, até porque eu sou cristão e sou contra o divórcio, então o que acontece é que muitas pessoas vão se refugiar noutras coisas, vão centrar-se no trabalho, na televisão, na internet, ou em ganhar dinheiro, e às vezes vão construir outros interesses, que o autor vai chamar de adultério, disfarçado ou explícito, ou genuíno, no sentido que nós compreendemos. As pessoas mantêm o casamento, mas vivem outras realidades.

Substituindo, mas... Substituindo isto. E... O que, na realidade, é necessário, vamos dizer aqui, é compreender quais são as necessidades de cada pessoa, do ser humano. E é sugerido que cada um de nós, em primeiro lugar na vida, precisa de sentir que é aceito e que é amado de uma forma incondicional. Precisa de sentir o seu próprio valor, Precisa de saber que é precioso. Precisa também de saber que nunca estará sozinho. Aconteça o que acontecer, venha o que vier, nos momentos mais difíceis vai ter sempre alguém ao seu lado.

Ora, é pela ausência destas coisas que nós eu diria, deliramos e inventamos e transpiramos a farta, porque vivemos situações muito embaraçosas, muito difíceis, muito complexas, não é? Portanto, sem Deus, todos nós somos carentes deste preenchimento. E o casamento é, de facto, uma bênção muito grande, Mas, sem Deus lá, pode-se tornar uma maldição. Por muito bom que seja o meu cônjuge ou os membros da minha família, eles não são Deus.

Muito bem, quero agradecer mais uma vez, Daniel, por teres trazido este assunto. É verdade que no programa de hoje ficámos com uma imagem mais sombria ao termos olhado para esta maldição, mas a verdade é que não queremos ficar escravos dela. Nos próximos programas vamos falar precisamente sobre isso, como não estarmos debaixo desta maldição. E para já, antes de terminar o programa, quero lhe dizer que estamos a oferecer este dia de estudo Entre Família, precisamente uma ferramenta fantástica para o ajudar a não estar debaixo desta maldição e poder, como família, crescerem todos juntos na benção, sabendo também qual é o plano de Deus e aqui vai encontrar também um conjunto de textos bíblicos onde mostram a vontade deste Deus que criou a família para que ela possa ser realmente uma benção, não só para si, mas também para todos aqueles que coabitam consigo.

A fechar o programa, dizer-lhe que este programa e todos os outros estão disponíveis em podcast em rádio rcs.novotempo.pt ou também no YouTube da Novo Tempo Portugal. Mais uma vez quero agradecer por ter estado desse lado. Não perca o próximo programa. Ele será bastante importante, certamente até para entendermos este assunto. Mais uma vez, um grande abraço e até lá, se Deus quiser.

Série
Ser Família · 67 episódios
Temporada e episódio
Temporada 1 · Episódio 24
Estreou
13 de Outubro de 2025
Categoria
Família