Novas maneiras de fazer bebés
Ser FamíliaT1 · E42

Novas maneiras de fazer bebés

16 de Março de 202627 min 3 s

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Abertura e tema

Seja bem-vindo. Passada mais uma semana cá estamos de volta para lhe trazer mais um Ser Família. Estamos numa série de programas onde falamos daqueles que são alguns assuntos, alguns problemas contemporâneos que afetam as nossas famílias. No programa anterior começámos a falar de filhos, de crianças, sobretudo aquelas famílias que optam por não ter filhos, e hoje vamos falar de um assunto, eu diria, ainda mais difícil, mais doloroso e complexo, que são aquelas famílias que querem ter filhos, mas depois não conseguem. Daniel, mais uma vez, bem-vindo. Obrigado. Este é um assunto que para muitas famílias é extremamente doloroso, não é?

A realidade da infertilidade

É, a infertilidade é de facto um grande problema. Hoje, graças à tecnologia e ao desenvolvimento da ciência, existem algumas soluções interessantes para problemas que já são antigos, mas que também tem algumas questões no campo ético que se podem levantar. Mas é um assunto, de facto, já antigo. É interessante quando abrimos a Bíblia e começamos a ler sobre os primeiros seres humanos, Ali no capítulo 11 encontramos uma descrição genealógica sobre as famílias, este gerou aquele e depois veio este e etc., até que chegamos ao versículo 30 e encontramos este versículo.

naquela sequência e diz assim, Isaray foi estéreo, não tinha filhos. É assim uma interrupção no texto. Este é um problema que já vem desde há muito tempo. Em Génesis 1.28, Deus deixa este mandamento, não é? Sede fecundos e multiplicai-vos, mas quando isto não é possível. Então há aí uma pressão social, às vezes sentimentos de culpa, uma baixa autoestima em função desta situação. Sendo que naquele tempo essa pressão social era muito maior do que é nos dias de hoje, apesar dela continuar a existir, claro.

É verdade, mas hoje o sentimento de dor e de frustração não é menor e a prova disso são os milhões de pessoas que, afetadas por este problema, vão à procura de soluções e muitas vezes gastam fortunas para contornar isto. Isto é um problema que afeta 48 milhões de casais, algumas fontes falam em 70 milhões de casais. Encontrei a referência que há 186 milhões de pessoas inférteis no mundo. e as causas muito variadas, desde a idade, até questões relacionadas com os timings, o tempo em que o relacionamento sexual acontece, tentativas de engravidar, que às vezes depois comprometem uma gravidez, males decorrentes oriundos do trabalho que a pessoa faz, métodos contraceptivos prévios que podem também depois, mais tarde, transformar-se num impedimento, uma dieta e um estilo de vida que podem diminuir as chances da pessoa ser fértil, E depois há questões

de má formação e questões ligadas à fisiologia e anatomia das pessoas. Portanto, diante desse cenário da incapacidade de ter filhos, o que é que as pessoas fazem? Algumas chegam até a divorciar-se, outras resignam-se, aceitam e é mesmo assim, e outras vão à procura de soluções. e com a tecnologia e com a ciência que hoje temos, portanto, vão bater esta porta. Sendo que, desculpe lá a pequena provocação, já não é uma porta, são muitas

A reprodução humana assistida

portas, porque hoje em dia até já temos muitas soluções. Claro que não se aplicam a todos os casais, mas já há uma solução muito alargada para quem quer ter filhos mesmo tendo alguns problemas. Nós poderíamos dizer que há, sem dúvida, milhões de crianças hoje, pessoas que nasceram graças ou com a ajuda dos recursos que existem naquilo que nós chamamos de reprodução humana assistida. Poderíamos, por exemplo, citar a inseminação intrauterina, que basicamente é selecionar espermatozoides mais ativos e depois colocá-los diretamente no útero. Depois temos também aquilo que ouvimos muito, não é?

Fertilização in vitro, não é? Lá no Brasil, onde também vivi há alguns anos, falavam do bebé de proveta, não é? Pronto. Então, o que é que basicamente acontece neste recurso? Portanto, são administrados vários tipos de medicamentos para estimular os ovários a produzirem mais que um óvulo. Depois de aproximadamente 34 horas é realizado um procedimento para coletar os óvulos dos ovários e depois num laboratório especializado em fertilidade os óvulos são colocados numa placa de cultura com espermatozoides e que foram selecionados por serem os mais ativos, de modo que a fecundação possa ocorrer.

Depois de já termos aqui um embrião, ou mais que um, não é? Depois que os hipermetozoides são adicionados, os óvulos são deixados em desenvolvimento por aproximadamente dois a cinco dias e então um ou algum dos embriões resultantes são transferidos da placa de cultura para o útero. Os embriões costumam ser implantados dois a seis dias depois da fecundação. Estima-se, na América, por exemplo, que uma gravidez bem-sucedida pode acontecer em mulheres com menos de 35 anos um grau de sucesso de 45%.

Se a mulher estiver ali pelos 41, 42 anos, 9%. Agora, mais do que isso, aí com mais de 42 anos as chances são muito reduzidas, vamos para 3% e nestes casos começamos a ter aqui um problema ético. Porque o que se faz com estes casos, a recomendação é usar óvulos de outra mulher, uma mulher doadora. Uma vez que a taxa de nados vivos ou de nascidos vivos é muito, muito baixa, não é? Há aqui também uma situação que acontece nestes casos, é a possibilidade de uma gestação múltipla.

Também existem riscos aqui de defeitos congénitos entre bebés que são nascidos desta forma ou gerados desta maneira, diria, mas a verdade é que existem muitos bebés sem problemas congénitos que foram gerados dessa forma, não é? Ainda existe uma outra técnica, que é a injeção intracitoplasmática do espermatozoide. Portanto, é uma técnica avançada de reprodução assistida, onde um único espermatozoide selecionado é injetado diretamente no citoplasma do óvulo no laboratório.

Também aqui temos algumas questões éticas, é um método usado quase que in extremis, mas a chance de ocorrer defeitos congénitos é maior após esse procedimento porque provavelmente o procedimento pode danificar o óvulo, o espermatozoide ou o embrião. Portanto, são estas coisas que a ciência hoje nos traz e que têm alguns riscos, têm algumas questões, mas a realidade é que também têm já ajudado muitos a nascerem. Por mais do que uma vez tu mencionaste as questões éticas. Claro que eu percebo a questão da doação de óvulos, doação de esperma, certamente implicará algumas questões éticas.

Mas tens mais alguma coisa nessa área que queres referir? Porque elas têm que ser equacionadas também, não é? É. Há uma prática corrente que é de optar, quando há um problema grave, crescido, incontornável com o esperma ou com o óvulo, é recorrer a doadores. Ora, o problema é que estas práticas são mais ou menos comuns. O esperma normalmente utiliza-se a doação de espermas que são guardados em bancos de esperma, não é? São doadores normalmente anónimos, mas também podem ser pessoas conhecidas.

E com as mulheres há aqui o recurso à portadora gestacional, que é o caso em que a mulher empresta o seu corpo, vamos dizer assim, e ela recebe o óvulo de outra mulher, assim como também um espermatozoide, portanto, já fecundado no seu corpo. Ou então, a barriga da Luguer, que também é um termo bastante conhecido, em que, neste caso, o espermatozoide vai fecundar um óvulo da mulher que vai ter o bebê. E aí temos estas questões que se levantam e que de facto criam dificuldades porque agora já não são só dois.

Agora é preciso recorrer a uma terceira pessoa para que as coisas aconteçam. Vamos fazer um pequenino intervalo, se me permites, Daniel. Voltamos já a seguir para a segunda parte e adianto já que temos uma oferta muito especial para si. Então até já.

Questões éticas e sociais

TV Novo Tempo, o canal da família, o canal da esperança. Estamos de volta para a segunda parte do Ser Família de hoje e, como lhe disse antes de irmos para intervalo, tenho a oferta para lhe fazer do guia de estudo da revista Pais Preparados Filhos de Caráter. Um guia de estudo bastante completo, ele tem várias lições, chamemos-lhe assim, várias áreas de intervenção, sempre também com um determinado questionário e tem também, na parte final deste guia, um conjunto de sugestões de atividades e de testes que podem fazer também em família e que pode ser muito útil para nos ajudar como pais, como encarregados de educação, a lidar com os principais desafios que ser pai implica.

E o melhor de tudo é que é mesmo totalmente gratuito, não tem que dispender precisamente nada, enviaremos gratuitamente para si pelo correio. O que é que pode fazer? É simples. Enviar uma mensagem escrita, um SMS, para 933 93 92 91. Hoje estamos a falar de pais que querem ter filhos, mas que têm dificuldade. Acabámos a primeira parte a falar de questões éticas. Vimos que temos soluções na sociedade. Nem tudo é perfeito. Daniel, Olhando para estas duas realidades, os lados positivos e os lados negativos, como é que podemos olhar como sociedade para esta questão? É, estávamos a falar então sobre estes recursos a uma terceira pessoa, seja por exemplo na portadora gestacional ou na barriga de aluguel, nos bancos de esperma.

Dizer sobre esta questão da barriga de aluguel e portadora gestacional, que em alguns países isto é proibido, E noutros, penso que é o nosso caso também, existem regras muito específicas sobre como isto pode acontecer. Só que nós temos aqui uma interferência. nestes casos em que há uma terceira pessoa envolvida, nós temos aqui claramente uma questão ética, não é? Porque a relação, o ter filhos, vamos dizer, é atribuído à relação única, exclusiva, de um homem com uma mulher, naquilo que é o casamento.

Biblicamente, por exemplo, nós sabemos que não havia a tecnologia que existe hoje, mas sempre que houve a tendência humana de recorrer a uma... envolver uma terceira pessoa, lembramos do caso de Hebrão e Sara. As coisas não correram lá muito bem, não é? Não correram nada bem. Ou de Elcana e Ana, com Penina. Os problemas que surgiram a partir dali. Por isso, se nós olharmos as coisas com esta noção, ou estabelecermos até aqui algum princípio, alguma baliza, até onde podemos ir e até onde não devemos ir, nós também temos que perceber uma coisa.

É que ter filhos é uma coisa fantástica, muito boa, é uma bênção, mas não é isto que torna, em última análise, uma vida realizada ou não, não é? Jesus viveu nesta terra, ele nunca se casou, não teve filhos e não se pode dizer que ele não tenha cumprido o seu ministério, atingido o potencial máximo de realização para o qual ele teria vindo a este mundo e nasceu, não é? Mas Jesus vinha com um ministério muito curto, não é? Mas, por exemplo, Paulo fê-lo de consciência e até disse claramente e alertou que era bom, mas aqueles que não o quisessem ter também não havia problema nenhum.

Claro, claro. E é verdade que é legítimo, nós não podemos condenar um casal por querer ter filhos, não é? Mas há algumas questões que nós precisamos ter em conta. O ser humano foi criado como um ser racional, com a capacidade de pensar, não é? Seria eticamente correto expor uma terceira pessoa também a ter riscos de saúde por causa de uma gestação, porque eu quero ter filhos desta maneira. É preciso sempre considerar o risco muito frequente de, em vez de ter um filho, ter dois, ter três ou mais por causa destas questões.

Depois, estávamos a falar há bocadinho, antes do programa, antes de começarmos a gravar, que há riscos, não é? E há casos. A sociedade vai nos dando a conhecer com os bancos de esperma, por exemplo, não é? Numa revista, em 2020, a revista Atlantic Magazine foi descrito um caso com um doador, claro que era anónimo, era o 9623, era só assim que ele era descrito, mas por algum erro daquele banco de esperma, algumas mães acabaram por conhecer a identidade. Quando elas compraram estes serviços, foi-lhe dito que o doador era alguém com QI por volta dos 160, dominava quatro línguas, era um doutorando em neurociência e era parecido com o Tom Cruise, por exemplo.

Só que quando elas tiveram conhecimento sobre quem era, era fácil, foram ao Google e descobriram quem era esta pessoa e descobriram um perfil um bocadinho diferente. Portanto, tratava-se de uma pessoa que tinha sido hospitalizada com problemas psiquiátricos, com tendências suicidas, com uma ficha criminal por roubo, E, portanto, imagina o que é que aquelas mães e aquelas famílias... Não se trata aqui apenas de indemnizações e de se ter comprado gato por lebre. que riscos, que segurança, que confiança podem ter as pessoas quando recorrem a este tipo de situação sobre a herança genética que estão a transmitir aos seus tão desejados filhos.

Portanto, depois claro que existem também questões legais, cada país é uma realidade diferente, mas também questões financeiras envolvidas, não é? em alguns casos são muitos milhares de euros. Numa sociedade em que existem tantas necessidades, tantas crianças em extrema pobreza, a precisarem. Até de serem adotadas, não é? Temos muitas crianças a precisar de famílias. Para suprir as necessidades básicas, não é? Poderíamos fazer a diferença na vida de tantas crianças. Seria legítimo? Seria moralmente correto? gastar fortunas para poder ter um filho biológico, incluindo com questões questionáveis do ponto de vista ético.

Portanto, é uma questão a refletir e que cada pessoa tem que decidir por si própria, não é? Então, isso levanta-nos muitas questões, quer queremos, quer não, Daniel. E certamente muitos dos nossos ouvintes neste momento estarão a pensar, então o que pensar sobre a reprodução humanamente assistida?

Princípios e reflexão cristã

Tem lados bons, tem lados maus, falámos de questões éticas, o que é que podemos dizer sobre isto? Olha, eu gostava de utilizar aqui um pequeno parecer com algumas ideias que acho que são muito úteis para a nossa reflexão, de um instituto, Instituto Bíblico de Pesquisa, que escreveu um documento sobre esta questão. Ele começa por enaltecer o desenvolvimento da ciência médica e aquilo que tem conseguido fazer neste domínio para assistir à procriação humana. E, sem dúvida, não desmerecer os grandes avanços e as boas soluções.

No entanto, Algumas destas soluções que já até minimamente estivemos aqui a descrever levantam algumas questões éticas para todos os cristãos, para todas as pessoas que moralmente querem assim raciocinar e sobretudo aqueles que querem conhecer a vontade de Deus sobre estes assuntos, não é? É uma vontade muito forte esta de ter filhos e é uma decepção muito grande quando existe a questão da infertilidade, não é? Agora, é preciso realçar que o poder da procreação é dom de Deus e deveria ser utilizado tendo em conta Deus e o seu plano para abençoar a humanidade.

Então, ao estudar a Bíblia de uma forma muito criteriosa, nós podemos encontrar aqui alguns princípios fundamentais que podem nos ajudar, podem nos orientar na tomada de decisões. Então, estes princípios eu vou mencionar. O primeiro seria a reprodução humana é parte do plano de Deus. Os filhos são uma benção do Senhor. As tecnologias médicas que ajudam os casais inférteis, quando praticadas em harmonia com estes princípios bíblicos, podem ser aceitas com boa consciência. Não temos que nos opor a elas, não é?

Os casais sem filhos, um segundo princípio, não deveriam carregar nenhum estigma social ou moral e ninguém deveria ser pressionado a ter filhos com ou sem assistência médica. Estas decisões para usar as tecnologias reprodutivas são uma questão profundamente pessoal para ser resolvida entre uma esposa e um marido, sem pressão exterior. Depois, o terceiro ponto que cumpro aqui mencionar é que o ideal de Deus é que as crianças tenham os benefícios de uma família estável, com participação ativa tanto do pai como da mãe.

Por esta razão, os cristãos podem procurar reprodução cientificamente assistida somente dentro dos limites da fidelidade e continuidade do casamento. O emprego de terceiras pessoas, tais como doadores de esperma, doadores de óvulos, barriga de aluguel, introduz um número de problemas médicos e morais que deveria ser evitado. Este é o parecer desta entidade bíblica de estudo profundo da Palavra de Deus. Um quarto ponto que poderíamos mencionar aqui é que a vida humana deve ser tratada com respeito em todos os estágios do seu desenvolvimento. A reprodução assistida requer sensibilidade com o valor da vida humana.

Procedimentos tais como fertilização in vitro requerem, por vezes, decisões antecipadas sobre o número de óvulos a serem fertilizados e questões morais concernentes ao descarte de alguns pré-embriões que restarem. Portanto, aqui levanta também uma questão a ter em linha de conta. Depois, poderíamos também mencionar aqui como quinto ponto, que para uma decisão, uma tomada de decisão, é importante e é um direito o acesso à informação completa e acurada. O que é que vai acontecer? Que métodos vão ser utilizados? Que riscos estão em causa? Que riscos, que questões éticas poderão estar aqui envolvidos?

E por último, poderíamos apenas mencionar os princípios da mordomia cristã, não é? São muito importantes. A mordomia cristã diz que eu não sou dono de nada. Deus, tudo vem de Deus. Devo eu utilizar os recursos que me são confiados desta forma? Devo gastar desmedidamente num recurso que não oferece garantias e levanta algumas questões? Portanto, seria o último princípio a ter em linha de conta. Enfim, são muitas questões que certamente nos deparamos quando temos que decidir ter ou não ter filhos. Mas se decidimos ter, e se eles já cá estão, muitas outras questões se levantam.

O que fazer em determinadas questões? Como lidar com eles? E é precisamente por isso que uma equipa de especialistas preparou esta guia de estudo, Pais Preparados Filhos de Caráter, para nos dar algumas ferramentas, algumas ajudas a lidar precisamente com as principais questões da educação. E é totalmente gratuito. Basta enviar uma mensagem a dizer Pais Preparados, depois entraremos em contato consigo. O número de telefone é o mesmo, 933-9392-91. Vamos voltar a este assunto num próximo programa, dizer que se não teve a oportunidade de ouvir os programas anteriores, estão disponíveis em podcast na rádio rcs.pt e também no YouTube da Novo Tempo Portugal.

Queremos nos despedir, agradecer por estar desse lado e não hesite em pedir este manual porque é realmente totalmente gratuito. Marcamos o encontro no próximo programa. Até lá, se Deus quiser.

Sobre este episódio

Neste episódio, o programa Ser Família aborda um dos temas mais sensíveis e complexos da atualidade, a infertilidade e os desafios da reprodução humana assistida.

Série
Ser Família · 66 episódios
Temporada e episódio
Temporada 1 · Episódio 42
Estreou
16 de Março de 2026
Categoria
Família