Adoção
Ser FamíliaT1 · E43

Adoção

23 de Março de 202626 min 9 s

Capítulos

Transcrição

Gerada automaticamente

Adoção em foco

Mais um Ser Família. Estamos na sua companhia para lhe trazer mais uma vez o assunto dos filhos. Nesta série de programas onde estamos a tratar alguns assuntos que acabam por afetar as famílias contemporâneas. Nos últimos programas estamos a falar dos filhos. Quem quer ter filhos, quem não quer ter filhos. E hoje, Daniel Bastos, eu diria, vamos falar do plano B, ou se calhar do plano C, que é a adoção, não é isso? É verdade. Esta questão da adoção é também um assunto bastante complexo e bastante desafiante para muitas famílias. Eu até diria, no contexto português, bastante complicado por alguma burocracia.

É verdade que as coisas estão melhorando, estão a melhorar, mas continua a haver ainda muita burocracia, muitos tempos de espera e, portanto, continua a não ser um assunto fácil e um grande desafio para as famílias. Sim, continua a ser um assunto que gera alguma ansiedade, alguma preocupação. O número de crianças adotadas vai oscilando, um bocadinho mais, um bocadinho menos. anda ali por volta das 200 todos os anos, o certo é que existem cerca de 7 mil crianças, mais ou menos, entre 6 e 7 mil crianças institucionalizadas, a provar verdade as fontes que estive a ler, e em média uma família acaba por esperar 7 anos para poder adotar uma criança.

Portanto, é complexo e num país como o nosso é uma realidade que também suscita

Motivos da adoção

alguma animosidade, não é? Mas isto da adeção não é nada novo, não é? Não. Este é um assunto já muito antigo. O documento, o Código de Hammurabi, Um conjunto de leis da Babilónia Antiga, criado pelo rei Hammurabi por volta de 1754 antes de Cristo, já fazia referência à questão da adoção. Também era uma prática comum. entre os gregos, os romanos e alguns outros povos antigos, não é? Portanto, não é nada recente, não é nada novo, não é? Também há muitos motivos que podem levar uma família a querer optar pela adoção e não só questões de dificuldade de infertilidade.

Há muitos mais motivos, não é? Exatamente, pronto. Há esta possibilidade, impossibilidade de serem pais biológicos, Mas muitas vezes o que leva também a que uma família queira adotar alguém pode ser muitas vezes até o cimentar os laços do cônjuge, no caso de adoção da esposa ou do marido com o cônjuge anterior, por exemplo, não é? trazer alguém que não é meu filho e que agora passa a ser, pronto, de um casamento anterior, às vezes é o sentimento de solidário, de missão, quando observamos crianças ou conhecemos crianças com verdadeiras necessidades, não é?

É uma motivação. Também existe a ideia de fomentar a integração racial no caso de adoção interracial. É comum e tem existido ao longo do tempo uma família adotar uma criança de uma outra raça e desta forma quebrar preconceitos. Pronto, aquela necessidade que ainda não tinha, aquela satisfação de ser-se pai ou de ser-se mãe, que não pôde ser concretizada de outra forma. Muitas vezes a iniciativa para a adoção é também um mecanismo de compensação. quando há uma perda, quando há um filho ou uma filha que morre, não é?

E agora aquela família vai, de alguma forma, compensar, mitigar essa dor, adotando uma nova criança. Muitas vezes também é para atenuar a solidão que se sente. para tornar um filho único, para dar um irmão a um filho único, não é? Às vezes é um pedido, não é? Eu tenho uma única filha e quantas vezes ela me pediu um filho e uma filha. Nós nunca nos pusemos de acordo, mas há famílias que tomam esta decisão, não é? E muitas vezes também há uma vantagem, é que é possível escolher o sexo da criança.

Isto pode ser também algo que seja interessante ou aliciante para quem pensa na adoção, não é? Eu diria que é um desafio, eu lembro-me que antes de termos o nosso segundo filho, nós estávamos precisamente a pensar em adotar uma criança, até porque a minha esposa já tinha passado pelo privilégio de ter sido mãe, enfim, e achávamos que seria algo, há um pouquinho de egoísmo, mas as dificuldades foram uma barreira também para nós e entretanto a minha mulher acabou por engravidar e

Exemplos bíblicos

o assunto ficou resolvido por natureza. A verdade é que isto também traz muitas questões. E mesmo no contexto cristão, enfim, tens mencionado o exemplo bíblico nos programas anteriores, em que falámos sobre questões da infertilidade e por aí fora. O que é que nós podemos encontrar na Bíblia? Temos também exemplos na Bíblia da adoção, é algo que biblicamente pode ser visto como uma boa prática? Claro. Eu penso que a Bíblia também deixa algumas histórias para nos inspirar ou para nos orientar, não é? O primeiro caso que poderíamos mencionar aqui é o caso de Moisés, por exemplo.

Ele também foi adotado. Era um contexto social, havia uma repressão. Aquela criança tinha pais, ela tinha uma família, mas o contexto político-social daquele tempo fazia com que aquela criança estivesse numa situação muito difícil. E é interessante que aquela princesa, a filha de faraó, ela vai mostrar uma grande compaixão, ela vai agir e vai adotar aquela criança. A partir dos 12 anos, não é? Acaba por ser o desenrolar da história. Temos também um outro caso, que é o caso de Esther, E aqueles que conhecem a Bíblia sabem que o tio, neste caso uma pessoa de família, vai fazer o papel dos pais.

Provavelmente Esther teria perdido os seus pais, ela era uma órfã, e agora o tio vai fazer esse papel. Ele vai ser um verdadeiro pai para Esther. Protegendo-a, orientando-a, dando-lhe aquilo que ela precisa para se tornar uma adulta e numa pessoa que depois vai ter um papel importantíssimo na história do povo judeu. Conhecemos bem a história e podemos lê-la no livro de Esther. Mas depois também existe na Bíblia o exemplo, algo relativamente diferente. Temos a história de Onésimo, que encontramos no livro de Filemon. Onésimo é um escravo, mas Paulo vai adotá-lo como seu filho espiritual.

E esta é uma figura também muito interessante. Quando eu acabo por ser um mentor espiritual, sinto-me responsabilizado e assumo este papel de pai no sentido de ajudar alguém no seu percurso espiritual. E depois também temos o caso, voltando agora ao Antigo Testamento, o caso de Samuel. Samuel é uma criança que é muito desejada porque a mãe, ela é infértil, ela não pode ter filhos. E em resposta à oração desesperada, poderemos dizer, de uma mãe, Deus lhe concede esta benção de ser mãe.

Então vem este menino. Mas ela entende que este é um presente do céu, não lhe pertence a ela. Então ela vai entregar este menino, a partir dos quatro anos, para uma família de acolhimento, que é quem? Bem, aquele que representa a Deus, que é o sumo sacerdote, Eli. E encontramos aqui uma relação muito especial, porque todos os anos Ana vai estar com o seu filho, mas para todos os efeitos ele agora passa a viver com uma outra família, que igualmente zela e cuida dele, e se afeiçoa por ele, e o ama. mas sem quebrar uma relação com a sua família biológica.

E ela o faz porque entende que assim o deve fazer. De alguma forma, retribuir a Deus o presente e a alegria que lhe deu. Até em cumprimento da própria promessa que ela faz, não é? Exatamente. A verdade é que podem existir vários motivos. Partilhaste connosco alguns deles no início. Eles podem ser mais egoístas. Posso pensar na minha solidão, como disseste, na minha velhice. Ou podem ser mais altruístas, pensando, enfim, nas necessidades daquelas crianças que estão institucionalizadas. Que princípios devem imperar quando pensamos em agredar por esta prática? Eu penso que o conceito que não existia até metade do século XIX, é bom que se diga, tradicionalmente a adoção quando nós estudamos a história, a adoção era

Princípios fundamentais

feita por questões muitas vezes secundárias ou que não eram necessariamente aquilo que era o interesse e a necessidade da criança, não é? Aliás, muitos dos adotados, que nós encontramos na história, eram adolescentes ou adultos, em alguns casos, e fazia-se a adoção por outros interesses, por exemplo, questões de herança, poder político, unir famílias através de alianças, preservar a descendência, mas um conceito relativamente novo que surge e passa a ser o standard para estas práticas e é introduzido em metade do século XIX, que é a adoção como uma resposta à necessidade de uma criança ou um outro indivíduo que precisa de ser nutrido e educado para se desenvolver e para ter uma vida equilibrada.

Então, este deve ser o princípio máximo, o básico, que deve reger esta prática, não é? ir ao encontro das necessidades, alguém que precisa. Nos casos bíblicos, entretanto, nós notamos aqui que há dois tipos de adoção. Aquilo que nós chamamos de adoção aberta, em que o adotado continua a manter algum relacionamento ou pode manter abertamente o relacionamento com a sua família biológica. e tem acesso a toda a informação, quem é, de onde veio. Existe um outro conceito de adoção, que é o conceito de adoção fechada, em que este conhecimento é vedado, não é?

Não há qualquer hipótese de ter conhecimento ou de estabelecer qualquer relação. mantém-se este isolamento entre o adotado e a sua família biológica. Ora, nos casos bíblicos que nós tivemos a ver, é sempre possível perceber que o caso aqui é de uma adoção aberta. Portanto, acredito que, na perspectiva bíblica, a criança Ela é-lhe dado conhecer a sua família de origem e, de alguma forma, ela parece ter esse direito, não é? A julgar pelos casos que nós temos aqui.

Não lhe é vedado conhecer as suas raízes biológicas. Sendo que pode também dar-se o caso de falecimento de pais, pais desconhecidos. Lembramos que, historicamente, em Portugal, conhecemos muitas instituições as crianças eram largadas à porta. Às vezes, sim, com um objeto que no futuro podia fazer ligar aquelas crianças a determinada pessoa, a determinada família, mas nem sempre isso acontece. Mas pelo menos é dado, quando é dado a conhecer, quando se sabe alguma coisa, pelo menos o historial dos pais, quem foram, o que fizeram. E essa é a prática mais corrente, não é? Eu ainda posso mencionar um outro princípio, o princípio da permanência.

Alguém que é adotado é permanentemente filho, recebe um nome, recebe os direitos de um filho. E este é um conceito muito interessante e que pode ter aplicações à vida espiritual também, não é? Porque a Bíblia menciona que somos adotados na família de Deus. Obrigado. Vamos só fazer um pequenino intervalo, são apenas alguns segundos, e voltamos já a seguir para a segunda parte. TV Novo Tempo, o canal da família, o canal da esperança. Estamos de volta para trazer a segunda parte do Ser Família de hoje e como já é habitual, relembro a oferta que temos para si.

Estamos a falar de filhos, por isso falamos de educação e o guia de estudo que temos para si hoje é Pais Preparados Filhos de Carata. Um guia fantástico com várias lições, várias áreas e os principais desafios que encontramos na educação e também com várias atividades e propostas de atividade para fazer em família precisamente para crescermos como família, crescermos juntos, sermos nós pais preparados e, claro, prepararmos também os nossos filhos. E o que é melhor, é que é mesmo totalmente gratuito, basta enviar-nos a mensagem PAIS PREPARADOS para o 933 93 92 91. 933 93 92 91. Daniel, estávamos a falar antes do intervalo, precisamente, da adoção e de alguns princípios que deviam estar por detrás quando tomamos esta decisão de

Histórias inspiradoras

adotar uma criança, mas a pergunta que eu te faço agora é, como sociedade, deveríamos incentivar esta prática? Eu acredito que é uma prática muito nobre, necessária e altruísta. Se pensamos que existem crianças que precisam de um lar, de uma família, que estão desprotegidas, fazê-lo é um gesto necessário e muito digno, portanto acredito que esta prática deveria ser incentivada. Marcia Ebbinger escreveu um artigo em 2015 e o título deste artigo é você já pensou em adotar um filho?" E ela conta uma história, uma história de um casal, Renato e Márcia, que têm uma família equilibrada, estável.

Têm dois filhos, a Paula e o João. Eles vivem um contexto de família fantástico, A Paula depois vai enveredar pela medicina. É adulta já, uma jovem adulta. O João também segue o seu caminho. Vamos dizer que era uma família bem-sucedida, não é? Só que a Paula, no seu curso de medicina, no hospital, no seu estágio em pediatria, vamos dizer, vai ter contacto com uma criança com muitas dificuldades. Ela, esta criança, ela tem, portanto, vamos chamá-la a Manu, é assim que ela é tratada, Ela respira com auxílio mecânico, alimenta-se também com ajuda, não é capaz de o fazer por si própria, ela tem dificuldades, ela não pode urinar ou defecar por si própria, ou seja, é uma criança com sérias limitações e por isso a família a abandonou.

O hospital fica com a custódia daquela menina, procura alguém que queira adotar aquela criança, porque ela é um ser vivo, é uma criança com muitas necessidades. E o que acontece é que a Paula vai falar muito com os pais daquelas conversas de família sobre esta criança. E ela começa a transmitir um entusiasmo e um afeto que os pais vão assimilar. E o que é que acontece é que eles decidem, depois de já terem dois filhos adultos, praticamente, eles vão decidir adotar esta pequenina criança, tão carente, tão dependente, E nas palavras que a autora do artigo usa para descrever a atitude de Márcia e Renato, dizem que eles se tornaram pais, cuidadores, enfermeiros, guardiões, enfim, tudo, não é?

Para alguém que precisava de tudo mesmo. Nós podemos dizer, bem, Eles estavam numa fase da vida que já tinham feito o seu papel, não é? Já tinham cumprido a sua parte. Agora era planear um cruzeiro, aqui, ali, gozar a vida, porque as responsabilidades já estavam cumpridas, os filhos já estavam orientados. Mas eles, não, eles metem-se outra vez numa responsabilidade ainda maior, porque nenhum dos filhos tinha aquele grau de dependência, Certamente. Já com menos energia. Com menos energia e sabendo que aquilo, a menos que houvesse um milagre, aquilo era para a vida e ia permanecer.

pelo resto da sua vida. O que é que nós podemos dizer de um casal assim, não é? Nós temos histórias comoventes, em que muitas pessoas, num sentido muito altruísta, abdicam de facto de si mesmos pela constatação da necessidade do outro. E eu creio que esta devia ser a verdadeira motivação para a adoção. Nós na Bíblia encontramos um texto, que é o texto de Romanos 8.15 que diz, porque não recebeste o espírito de escravidão para viver-te outra vez atemorizados, mas recebeste o espírito de adoção.

baseados no qual chamamos Abba Pai. Ora, uma motivação muito forte e uma responsabilidade, poderíamos dizer, vem do facto de que nós também fomos adotados. Eu penso que alguém que foi fisicamente adotado, e eu conheço um outro caso assim, vai pensar que, de alguma forma, também poderia fazer o mesmo por alguém que outros fizeram por si próprio. Ora, nós todos, por causa da tragédia do pecado, tornámonos pessoas perdidas neste mundo e foi preciso que nós fôssemos adotados novamente na família de Deus através de Cristo Jesus, não é?

Portanto, aqui encontramos uma grande motivação, uma grande razão para o fazer. A autora cristã Ellen White, em 1893, ela escreveu alguma coisa assim. Necessitam-se pais e mães cristãs. Até que a morte seja tragada pela vitória, haverá sempre órfãos que reclamam cuidado, que sofrerão mais do que os outros se a eterna compaixão e o amorável cuidado dos membros de nossas igrejas não se manifestar em seu favor.

Órfãos, as guerras, a doença, a tragédia, os problemas deixam muitas crianças entregues a si mesmas, à mercê das contingências de vida. Muitas delas são temporariamente acolhidas numa ou outra instituição, não é? Mas aqui nós temos um chamado. Não é uma decisão que se deve fazer de forma impulsiva, certamente, É com muita reflexão, porque isto é de facto uma decisão para a vida toda, mas que gesto fantástico. E se o propósito da nossa vida é fazer a diferença na vida de alguém, não é?

que grande oportunidade pensar em fazer a diferença numa criança indefesa, desprovida de segurança, de apoio, de alguém que a possa amar e prover para as suas necessidades. Por isso, em resposta à tua pergunta, sim, há todo o mérito, há todas as razões para incentivar que assim se faça. e, portanto, esta deveria ser uma prática recomendada, sim. Obrigado mais uma vez, Daniel. E se, por vezes, toda a burocracia pode ser algo que desencoraje a adoção, por que não pensar em ser família de acolhimento? Há tantas crianças, mesmo que seja por breves momentos, pois ela pode fazer a diferença na vida dessas crianças.

E para fazer a vida também nas ruas, que provavelmente já tem lá em casa, temos este guia de estudo para lhe oferecer pais preparados a filhos de caráter. É um guia de estudo que não é para os filhos, é para os pais, mas que se reflete nos filhos. Queremos ser pais preparados, ter as ferramentas certas para lidar com os desafios da educação. E é totalmente gratuito. Basta enviar-nos uma mensagem para o 933 93 92 91. dizer-lhe também que este programa estará disponível em podcast em rado.rcs.pt e também no YouTube da Novo Tempo Portugal. Estamos a chegar ao fim desta série que preparámos para si com assuntos que trazem desafios para as famílias de hoje, mas ainda temos mais um programa para si, por isso marcamos encontro consigo no próximo programa.

Até lá, se Deus quiser.

Série
Ser Família · 69 episódios
Temporada e episódio
Temporada 1 · Episódio 43
Estreou
23 de Março de 2026
Categoria
Família