Estamos de volta para mais um Ser Família. Começámos uma nova série no programa anterior. Podemos lhe chamar Famílias Fé, Mel e Fel. Mas é no programa de hoje que vamos começar a olhar precisamente para algumas das características menos positivas que mencionámos no programa anterior. Comigo está, como sempre, Daniel Bastos. Daniel, mais uma vez, bem-vindo. Obrigado. Imagino que o programa de hoje, e talvez alguns dos próximos programas, vão ser mais pesados, porque vamos enumerar alguns dos aspectos menos positivos, diria eu. E logo hoje vamos dar início, precisamente, ao primeiro que tu enumeraste no
programa anterior, que é o narcisismo, que até apontámos, em jeito de brincadeira, que é algo que só acontece nos outros, não é? É. É nos outros, mas cada vez mais frequente, não é? Portanto, o narcisismo, o termo vem do mito grego de Narciso, que era um jovem bonito, e indiferente ao amor, depois de se ver refletido na água e apaixonar-se por si próprio, não é? Portanto, o conceito de egoísmo excessivo tem sido reconhecido ao longo da história como sendo este narcisismo, não é?
Que não é uma coisa recente, mas, portanto, é um traço, é considerado por alguns como um traço normal de personalidade. Alguém até sugere que é algo desejável. Eu não concordo necessariamente com isto, não é? Mas há quem considere algum narcisismo até desejável. É uma noção de autovalorização. Vivemos em sociedades que nem sempre as pessoas também podem, eu diria, podemos correr nos dois extremos, não é? Quando as pessoas não se valorizam a si mesmas. Mas percebemos que nos dias de hoje, eu diria que há um exacerbar dessa autovalorização, não é? Exatamente.
Portanto, eu preferiria usar outros termos para falar da autovalorização saudável, mas aqui estamos a falar de um egoísmo, de um conceito de si próprio demasiado elevado, que inclusivamente pode se tornar patológico. Este traço de personalidade caracteriza-se, portanto, por um forte amor próprio, um bocadinho aquela máxima falem mal, mas falem de mim. E este, tem-se abordado a questão, o que é que faz alguém ser narcisista, não é? Mas são as causas. As causas, exatamente.
E provavelmente acredita-se que está relacionado com a forma como a pessoa foi criada, com experiências da primeira idade, até alguns traumas que possam ter surgido. mas a forma como foi educada, normalmente pais permissivos, pais que excediam-se nos mimos pelos filhos, idealizavam a criança de uma certa maneira e não a disciplinavam corretamente, não é? Pensa-se que serão estas as principais causas do narcisismo. Sendo que, enfim, Para aquelas pessoas que estudam este assunto, há alguns
traços que nós conseguimos reconhecer na pessoa que tem esta forte autoestima do narcisismo. Podes partilhar connosco quais são alguns desses traços? Claro. O manual de diagnóstico de... Transtornos mentais, muito conhecido pelos profissionais, descreve nove características principais deste transtorno, quando se torna num transtorno. Então, sentimentos exagerados de superioridade e autoimportância, fantasias frequentes sobre poder pessoal, não é? Alguém a sonhar que é Napoleão, não é? Por exemplo. Uma firme crença na sua singularidade, uma forte necessidade de atenção, elogios e admiração de outras pessoas, comportamento autoritário com o como o desejo de tratamento especial, hábito de usar táticas de manipulação, portanto, o narcisista tendencialmente é um manipulador, não é?
Uma baixa empatia, portanto, enquanto ele tem este alto conceito, o que caracteriza, e já agora vale dizer que há na literatura e aqueles que escrevem sobre esta temática, que é hoje bastante conhecida, Há muitos tipos de narcisismo. Não há uma única forma de estar enquanto narciso. Sendo que nem todos têm todas estas características. Mas grande parte delas são vincadas no narcisista, não é? É, exatamente. Isso mesmo, Daniel. Mas há aqui algumas coisas em comum a todos. E uma delas é um egocentrismo exacerbado, tudo voltado para si próprio.
E a desvalorização do outro. E a desvalorização do outro. O narcisista, em geral, tem péssimos relacionamentos. As pessoas, a partir de uma certa altura, começam a sofrer no seu relacionamento com esta pessoa. Há uma espécie de fraca empatia também para com o outro. Exatamente. Uma dificuldade muito grande. Há mesmo uma certa arrogância, um certo desprezo pelo outro. E, como dizia, há vários tipos de narcisismo. Há quem diga que todos nós temos um ou outro momento em que somos narcisistas. Mas para que não nos deixemos enganar por alguém ou a nós próprios, acerca de nós próprios, eu também atrevo-me aqui a tentar fazer uma descrição.
Por exemplo, temos aquele narcisista, que é o chamado narcisista aberto ou manifesto, típico, que ele chama a atenção para si próprio, para as suas capacidades. O eu está muito presente. Muito presente. Ele fala muito de si próprio, exalta-se a si próprio, chama a atenção. Ele exige um tratamento diferenciado para a sua pessoa. Ele reage com raiva, com ira, se se sente rejeitado ou ignorado. e trata os outros com desprezo. Mas depois existe o Narciso encoberto.
Mais camuflado. Portanto, ele também busca admiração. mas de uma forma indireta. Por exemplo, ele se autodeprecia para receber, para que os outros digam, não é assim, não, não, tu és bom. É uma outra forma, é um manipulador, não é? Jogos aqui. Ele espera também um tratamento especial, ele ignora as pessoas, sobretudo aquelas que ele acredita que lhe fizeram mal, ele guarda rancores prolongados e ele passa rapidamente para o próximo relacionamento quando a coisa não lhe agrada ou não vai na direção que ele quer.
O narcisismo, o narcisista, ele pode ser muito produtivo. Ele também é descrito como alguém com uma grande visão. Ele consegue ver o big picture, não é? Mas ele é avesso aos detalhes, não é? Portanto, os outros que cuidem dos detalhes. Ele é um visionário, ele tem muitos seguidores, é carismático, ele consegue envolver com o seu magnetismo as outras pessoas. O tal chamado carisma, não é? Exatamente. Eles preferem ser admirados do que propriamente amados, porque o narcisista típico não está propriamente centrado nos relacionamentos, não é?
Diz-me só uma coisa. Esse é o tipo de narcisista que também, com uma grande capacidade de oratório, não é? Sim, sim. A gente costuma dizer que tem uma grande conversa. Uma grande conversa. Eles destacam-se por isto. Agora, há outros aspectos que não são tão positivos em relação ao narcisista. Na maior parte do tempo ele está desconfortável com as suas próprias emoções. encaminham sempre as coisas de forma a eles serem afirmados, confirmados com as suas próprias ideias, nas quais eles estão centrados. Eles dominam tipicamente as reuniões, particularmente com os subordinados.
São extremamente sensíveis a críticas. Ai, de quem os criticar? e eles gostam de, portanto, estar sempre no centro, no centro das situações. Quando as coisas correm bem, eles querem receber os elogios. Quando as coisas dão erradas, a culpa tem que ser do outro, não é? São extremamente egocêntricos, como já dissemos, Se são confrontados com perguntas, sabem ser, sabem desviar as perguntas, dar respostas vagas para não irem ao que se pergunta.
Eles sabem evitar ser específicos e claros nas suas respostas. Acham que estão no direito de quebrar as regras quando convém, quando lhes convém. Geralmente negam qualquer facto sobre si mesmos que não os ponha numa luz favorável. podem tratar as pessoas muito bem. Quem os elogia, não é? Quem os elogia e quem está numa posição de poder superior, porque obviamente eles têm os seus próprios interesses, não é?
Eles podem ser hipersensíveis a qualquer ameaça à sua posição. têm dificuldade de demonstrar empatia, já falamos um bocadinho sobre isso, e frequentemente eles criam uma cultura interna, competitiva, que acaba por minar a confiança que as pessoas têm umas nas outras, não é? Ou seja, há uma espécie de manipulação e controle do meio que está à sua volta. Se alguma coisa afeta esse controle ou esse domínio, então há uma reação com essas circunstâncias ou com essas pessoas.
Não podem perder o controle e o domínio. Já voltamos à conversa sobre este assunto, Daniel. Agora vou só aproveitar para fazer um pequenino intervalo, e é mesmo muito pequenino, e já a seguir voltamos para esta segunda parte, um assunto bastante interessante e também com uma oferta muito especial para si.
Até já. TV Novo Tempo, o canal da família, o canal da esperança. Estamos de volta para trazer esta segunda parte do Ser Família de hoje. Hoje estamos a falar sobre o narcisismo e, portanto, o narcisista. E uma das características, precisamente, é que ele não tem consciência que é narcisista. Da mesma forma que muitas vezes nós não conseguimos ter consciência das atitudes que temos, da personalidade que somos e às vezes precisamos de uma ajuda para conhecer precisamente quem somos e através das nossas atitudes. Eu vou-lhe oferecer gratuitamente um guia de estudo chamado Entre Família.
Este guia de estudo fantástico preparado por especialistas para nos ajudar nos nossos relacionamentos familiares. mas o que é fantástico também neste guia de estudo é que tem um conjunto de testes e de autotestos e de testes para serem feitos em família e que nos ajuda a nós próprios conseguirmos olhar com mais clareza para nós mesmos e se calhar vamos encontrar alguns tracinhos narcisistas entre cada um de nós. E o melhor de tudo é que é totalmente gratuito. Está à distância de uma mensagem de um SMS para o 933-939291, a dizer, Entre Família. Depois nós mesmos entraremos em contacto consigo para lhe oferecer gratuitamente este guia de estudo. Daniel, eu interrompi-te para o nosso intervalo.
Tu estavas ainda a falar de algumas características do narcisista. Não sei se já tinhas enumerado todas. Querias partilhar conosco mais algumas. Em resumo, nós poderemos dizer que uma característica é a falta de empatia. Ele também tem muita dificuldade em aceitar responsabilidade pelos seus erros. Tente a colocar noutros. Numa situação de conflito, normalmente ele vai se colocar na posição de vítima e se alguém lhe faz uma crítica, ele vai imediatamente pôr-se numa posição defensiva, não é? Tem uma tendência a utilizar a manipulação para levar as coisas sempre para o seu lado.
recorrendo por vezes até à técnica que os especialistas chamam de gaslighting. Gaslighting. Gaslighting. Ora, o gaslighting é um termo que talvez nem todos estão familiarizados, mas vem de um filme, o termo vem de um filme com o mesmo nome e refere-se quando a uma situação em que alguém mina a confiança da outra pessoa em si próprio. Portanto... Mas manipulando a verdade, não é? Ou seja, ela com isso consegue alterar a realidade dos factos. Exatamente. Da perspectiva do outro. Exatamente. Ela, de uma forma persuasiva e manipuladora, faz com que a pessoa que está a ser vitimizada, verdadeiramente vítima, não o narcisista, chegue a duvidar de si mesmo.
Por exemplo, ela diz, olha, isto aconteceu assim, assim, assim. E o narcisista diz, não, isto não aconteceu assim, foi de outra maneira. E ela chega a duvidar, será que... É uma situação muito, muito, do ponto de vista da saúde mental, muito complexa. porque a pessoa chega a duvidar dos seus próprios pensamentos, da sua própria percepção da realidade. Dá-lhe a assertividade com que o manipulador diz as coisas. Ele é feito com uma sabedoria e com uma assertividade tão grande que a pessoa realmente acaba, se não tiver uma personalidade forte, acaba por duvidar e acaba mesmo por ceder.
É desconcertante, desesperador até, Então, já que estamos a falar sobre este tema, deixa-me deixar aqui algumas dicas para ajudar, por exemplo, como ajudar uma pessoa que é vítima de gaslighting, vítima de um narcisista. Muitas vezes podemos ajudar esta pessoa. explicando-lhe o conceito do Gaslighting, porque a pessoa normalmente não poderá nem sequer ter essa perceção, explicar o que é, ouvir a história da pessoa e acreditar nela, confortá-la, afirmá-la de alguma forma.
ajudá-la também a encontrar o seu próprio espaço, um lugar firme, novamente, a normalizar a sua experiência. A escolher, por exemplo, atividades para reequilibrar as suas emoções. Porque esta experiência pode ser absolutamente desestruturante e anular completamente a vida de uma pessoa que se torne vítima. Lembrar diz aqui, por exemplo, um autor, David Brooks, lembre-se que a pessoa que está debaixo, em qualquer estrutura de poder, tem uma consciência maior da situação do que nós próprios. Portanto, um servo sabe mais sobre o seu mestre do que o mestre sabe sobre o seu servo, não é?
Então, esta pessoa, ela precisa de ser validada, precisa de ser, de alguma forma, ajudada e apoiada, vamos dizer assim. Só quando referiste, portanto, os comportamentos do narcisista, nós só a conhecermos por como é o narcisista já nos dá algumas defesas, já nos ajuda a sabermos nos defender de uma personalidade assim. Mas, concretamente eu pergunto, como é que o narcisista afeta os relacionamentos onde está? Eu tenho aqui um autor, e ele está a falar aqui de um contexto, ele está a falar de pais narcisistas.
Porque na relação entre pais e filhos, na relação entre cônjuges, na relação entre colegas de trabalho, na relação entre patrão e empregado, nós podemos ter aqui um narcisista. E aí as coisas são completamente... Mas esta frase dele ajuda a definir o que é que se passa. O narcisista envolve uma tendência Há autoabsorção e uma incapacidade de sintonizar com os sentimentos e resposta dos outros. Basicamente, o narcisista vai anular a outra pessoa, não vai empatizar, não vai compreendê-la. Então, há alguém num relacionamento que vai sobrar, que vai ficar anulado.
Ora, isto, um relacionamento quer-se Quer-se aqui uma equidade, um relacionamento sempre de feedback, de igualdade e obviamente que, havendo aqui narcisismo, as coisas não vão funcionar. Por isso, é uma ameaça muito grande ao relacionamento. Mas o que é que acontece, então, se é que podemos mencionar desta maneira? Como é que nós, um filho, uma esposa, um colega de trabalho, como é que nós
podemos lidar com eles? Porque também convém nós termos algumas ferramentas que nos ajudem a lidar com essas pessoas, porque vamos lidar com elas claramente. O tema é extenso, é certamente um desafio. Eu sempre costumo pensar assim, Deus tenha misericórdia de quem tem que lidar com o narcisista, não é? É sempre um desafio. De qualquer maneira, imagina, por exemplo, numa situação de trabalho em que o patrão é claramente o chefe é narcisista. Talvez alguns conselhos, porque é melhor... eu não conheço uma cura para este problema, porque é um transtorno, é um traço de personalidade.
Então, o que devemos é tentar fazer o melhor da situação. Provavelmente será mais producente tentar empatizar com esta pessoa, apoiá-lo nas suas conquistas ou naquilo que há de melhor nesta pessoa, porque há qualidades sempre, mas é preciso também ter cuidado neste relacionamento. Por exemplo, se esta pessoa lhe pede uma avaliação honesta, é melhor compreender que provavelmente não é uma avaliação honesta que esta pessoa está a pedir. É preciso, portanto, ser cauteloso, e estar atento para algumas distorções, até às vezes paranoicas, que podem surgir aqui.
E a pessoa tem que se proteger, tem que se proteger. Imagina que estamos a falar de um chefe, ele pode ser extremamente desrespeitoso sobre o espaço e a pessoa deve proteger o seu espaço, o seu tempo também, não é? Conheço a história de um chefe narcisista que telefonava à meia-noite, se fosse preciso, para a casa do subordinado. Então, não se deixe esmagar por pedidos desadequados. É preciso pôr limites, porque senão a pessoa vai ser completamente destruída. Entretanto, na maneira como lidamos com os narcisistas, temos que ter o cuidado para não imitar o comportamento e não nos tornarmos nós, porque nós, pelo contemplar, somos transformados.
Então, se uma pessoa tem um comportamento desadequado, a minha tendência reativa é começar a fazer, é assim que tu és, então eu vou ser assim também contigo. E isto é um erro muito grande. É uma espécie até de defesa atacando. Porque estamos a institucionalizar ou estamos a normalizar um comportamento que não é saudável. Então, certamente que aqui nós devemos ter uma atitude de compaixão, estabelecer limites e procurar também ajudar esta pessoa a encontrar a sua identidade, uma entidade segura, e deixe-me dizer, em Cristo. E eu no início do programa dizia que eu não...
não entendia que o narcisismo, em que grau fosse, fosse saudável, porque é sempre um egocentrismo. A mim me parece que o exemplo supremo que nós temos, todos, todo ser humano, mas os cristãos de uma forma particular, é o exemplo de Jesus. E em Filipenses, no capítulo 2, eu encontro alguns versículos muito bonitos, que diz assim, se há algum conforto em Cristo, se há alguma consolação, E depois diz assim, nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade. Cada um considera os outros superiores a si mesmo. Não atente cada um apenas para aquilo que é seu, mas para o que é dos outros.
que haja em vós o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas a si mesmo se esvaziou." Para mim, este é o modelo. E quando este modelo é seguido, por cristãos ou não cristãos, os relacionamentos funcionam perfeitamente. Porque a humildade, em contraponto ao narcisismo, é a essência dos bons relacionamentos. Obrigado, Daniel. Vamos estar juntos para o próximo programa. Lembro que estamos numa série de programa Olhar para os Aspetos Menos Positivos da Família. Nuns episódios mais à frente falaremos então dos positivos.
Antes de terminar, e porque é muito positivo, tenho mais uma vez a oferta do Guia de Estudo Entre Família para lhe fazer um Guia de Estudo fantástico que fala sobre vários aspectos da família, as questões financeiras, o diálogo, a sexualidade, mesmo questões como a infidelidade e muitos outros aspectos E o melhor de tudo é que este Guia de Estudo é mesmo totalmente gratuito. Está à distância de um SMS, de uma mensagem para 933 939291. Depois entraremos em contacto consigo para lhe enviar este Guia de Estudo gratuitamente para a sua casa. Lembro que este programa está num contexto do programa anterior que falámos de como é que ia ser toda esta série.
Ele está disponível em podcast em rado.rcs.pt e também está disponível no YouTube da Novo Tempo Portugal. Por favor, mais uma vez, quero enviar-lhe um grande abraço, agradecer por estar desse lado e, como alguém dizia, faça o favor de serem felizes.