Há histórias que, de tão verdadeiras, parecem impossíveis. É o caso da história de vida do nosso convidado. Uma história de queda, de sonhos interrompidos, de escolhas erradas, de batalhas interiores, mas de reencontros inesperados com Deus. Tiago Miguel Pereira Moreira Albino nasceu em Lisboa em 1985. Viveu entre extremos. Cresceu num lar adventista, mas afastou-se da fé. Procurou sentido nas festas, álcool, vícios e numa vida sem direção. Sonhou entrar na Força Aérea, conseguiu ultrapassar todas as expectativas e tornou-se oficial. mas mesmo vivendo aquilo que muitos consideram um sonho, continuava vazio por dentro. A decisão de guardar o sábado mudou tudo, colocou em risco a carreira militar, enfrentou a pressão, que o levou à detenção.
Mais tarde, estudou Teologia, mas a montanha russa ainda não tinha parado, porque afastou-se novamente de Deus, mergulhando em hábitos destrutivos e numa vida longe da fé. Mas esta não é apenas uma história de quedas, é sobretudo uma história sobre um Deus que nunca desistiu. Hoje, pastor, missionário, marido apaixonado e alguém que conhece o peso da dor, mas conhece ainda melhor a força da graça. Hoje, olhos nos olhos, vamos conhecer a história de alguém que descobriu que mesmo no fundo do poço, Deus continuou a chamar pelo seu nome.
Olá, Tiago. Olá, Esquiel. Sentes que Deus continua a chamar pelo teu nome? Sem dúvida. Todos os dias. Esta introdução que eu fiz, achas que resume um bocadinho da tua história de vida? Resumo bastante a minha história de vida. Só uma questão. Eu nasci em 86. Não faz mal. Nasceste em 86 em Lisboa. Ou seja, fazes este ano 40 anos. Já fiz. Já fizeste 40 anos. Ou seja, tens 40 anos. Sentes que estes 40 anos da tua vida podem de alguma forma inspirar quem vai ver este programa? Olha, eu não sei se podem inspirar. Podem, se calhar, alertar do que não fazer. Se calhar podem motivar alguém que pode ter as mesmas batalhas.
Ou podem, se calhar, também motivar os jovens a escolher outros caminhos. Nós seríamos muito inteligentes se aprendéssemos com os erros dos outros, mas às vezes temos de passar pelos nossos. E foi um bocadinho esse o teu lema de vida, tu conhecias os erros dos outros, mas disseram, não, eu quero os meus próprios. Era já assim em criança? Eu acho que, mesmo em criança, sempre gostei muito de experimentar muitas coisas. Acho que por personalidade, por questão de ver, de experimentar. E eu achava sempre que, se aconteceu com ele, mas não quer dizer que vai acontecer comigo. Por isso, eu tenho que ir experimentar, tenho que ir tentar. Mas às vezes, isso pode ter uns resultados que nós não estamos bem à espera. Mas temos algumas fotos que eu vou partilhar contigo. Fotos de quando tu eras bem pequenino.
Esta é uma delas. Que idade é que tu terias aqui, Tiago? Vamos ver esta foto. Recordas-te? Esta foto eu teria, se calhar, os meus quatro, três, quatro anos. E onde é que é isto? Lembras-te? Salvo o erro, isto parece-me... Eu não consigo ver muito bem, mas se calhar parece-me as Caldas. Eu não sei se é o parque... Porque tu nasceste em Lisboa e cresceste nas Caldas. Exatamente. Eu nasci em Lisboa até os meus três anos, vivi com os meus pais até aí, depois os meus pais separaram-se e eu fui viver para as Caldas. Então, a partir daí, a minha vivência, ou a maior parte da vivência, passou a ser nas Caldas da Rainha, apesar de que de 15 em 15 dias estava sempre em Lisboa com o meu pai. Ok. Temos ainda uma outra foto. Esta já é um bocadinho mais velha. Que idade é que terias?
Esta aqui já deveria ter os meus 13, se calhar, 12, 13, se calhar 14 anos, por volta dessa idade. O que é que tu gostavas de fazer na infância? Olha, eu acho que sempre adorei desporto. Desporto sempre foi uma coisa que, graças a Deus, a minha mãe sempre me permitiu fazer. Gostava muito de estar com os meus amigos. e tive uma benção. Ou seja, eu, por estar a viver nas caldas, eu vivia num bairro, literalmente num bairro. Os meus avós eram retornados de Angola, juntamente com a minha mãe, e a minha avó vivia num bairro de ciganos. E então eu estava sempre na rua a brincar com os miúdos do bairro. Eu gostava muito destas interações. Estávamos sempre a jogar à bola, ou o que na altura eu chamava de jogar às pistolas.
Nós tínhamos várias pistolas de luminantes e uns iam-se esconder. É tipo escondidas, mas nós fazíamos... Hoje deve ser proibido isso. Hoje deve ser. Hoje há uma evolução disto. Hoje nós temos paintball, airsoft, mas naquela altura era o mais parecido com o que nós vínhamos na televisão, de brincar às guerras. Mas isto sempre me permitiu ter uma aproximação muito grande até a pessoas que, se calhar, de outra forma, não teriam nenhuma ligação. Podemos dizer que cresceste numa família adventista. Como é que era a tua ligação com a fé e com a religião? Sempre vivi dentro de uma família adventista, nesse sentido. A minha avó foi uma das fundadoras da Igreja das Caldas da Rainha. Que já não é viva. Já não é viva, faleceu ano passado.
Mas foi uma verdadeira missionária, uma pioneira no Evangelho. O meu avô era coportor, um dos grandes coportores aqui em Portugal durante muitos anos. E esta relação, ou seja, porque a minha mãe trabalhava muito, minha mãe é enfermeira, então, se calhar a relação mais ao Adventismo vem por parte da minha avó. Era com ela que eu ficava quando a minha mãe estava a trabalhar. Era muitas vezes com ela que eu ia à igreja ou quando a minha mãe também estava, claro, com ela. Mas eu sempre vivi dentro da igreja até certa altura. Até ali aos meus 17 anos, vamos dizer, 17, 18 anos, onde eu comecei a tomar outras decisões. Mas durante todos esses anos eu sempre fui alguém que ia aos acampamentos, que era um desbravador, que cantei no couro. Isso, falamos dos pais da tua mãe e dos pais do teu pai.
não são Adventistas, ou seja, são Católicos, e nunca tivemos, apesar de terem respeitado, e até certa altura, depois, quando eu já tinha mais alguma idade e comecei a tomar essas decisões de ir à igreja, até era o meu avô, aqui em Lisboa, que me começou a levar a certas igrejas. Eu dizia, avô, olha, eu quero ir ali. E o meu avô era o meu... Mas eles ainda são vivos. Sim, eles ainda são vivos. E olha, eu acho que eles gravaram uma mensagem para ti, Tiago. Homem-Atalha, como vês, aqui estou eu, A tua avó, como sabes, está quase com 100 anos, eu estou quase com 99, e estamos a lembrar exatamente dos teus tempos. Estavas aqui na sala onde nós estamos agora neste momento, a brincares no chão, e sei lá, trita de uma linha que fazias.
Sei que estás bem, que estás ótimo. Olha, sabes qual é o nosso entretenimento? É ouvir os teus sermões aqui na tábua. A avó também é fantástica, não quero outra coisa se não o ver. E olha, cá estamos, felizmente, como tu vês. Ainda temos quase aos 100 anos, pá. É preciso saúde, que Deus nos acompanhe e sei que é preciso. Sabias disto? Sabias que eles viam os teus sermões no tábua? Sabia, sabia, porque ele manda-me sempre fotos. É? Sim. Tem 100 anos e 99? É mesmo assim? Ele não estava a brincar, estava mesmo a falar a sério.
A minha avó vai fazer 100 anos no dia 1 de Julho. e o meu avô tem 99. Ou seja, tem 98 a fazer 99. Mas eles continuam a ser católicos, é isso? Sim, a minha avó sempre foi católica, é educada na fé católica. O meu avô nunca teve uma fé professada, vamos dizer assim, de firmada. E desde que eu comecei a ler a Bíblia, desde que eu comecei a ter uma posição mais firme, vamos dizer assim, na minha própria fé, é claro que isto também, de alguma forma, interagiu com eles Eu já lhes ofereci umas bíblias, é claro que é sempre difícil, porque não deixa de ser uma vida toda numa crença. Mas é muito interessante agora que até é mais a minha avó que faz esta questão de ver, de querer ouvir o neto.
E quando pregas, sabes que às vezes pensas, os meus avós devem estar a ver isto, ou raramente acontece. Não, já aconteceu várias vezes, principalmente porque nós nunca sabemos. Nós acreditamos que é o espírito que transforma, mas às vezes pode ser por uma palavra, um gesto, um ato. Por isso, foi assim comigo, quem sabe pode ser assim com outras pessoas. E acredito que o teu sonho poderia ser batizar os teus avós.
Sem dúvida, um dos meus grandes sonhos seria esse. Mas eu acho que, mais do que o batismo aqui na Terra, o meu grande sonho é vê-los no céu. Há mais alguém que gravou uma mensagem para ti, Tiago. Vamos ver. Vai ser giro. Olá, Mano. Então... Tu és um ser muito especial. Não fosses tu o meu irmão. E a tua maneira de ser extrovertida, divertida e alegre cativa muitas pessoas. Não deixes de ser assim. Olha filho, eu tenho muito orgulho na pessoa em que tu te transformaste. Tiveste boas referências, referências da avó, do avô e tornaste uma pessoa espiritual, cresceste imenso e se a avó fosse viva e o avô fossem vivos, teria um imenso orgulho em ti.
Obrigada por seres quem és. Os teus avós souberam que tu tornaste pastor? O meu avô nunca chegou, porque faleceu antes. A minha avó sim. Graças a Deus. Eu costumava dizer que ela era uma das minhas grandes âncoras. Foi graças a ela, sem dúvida alguma, uma das pessoas que eu devo a minha fé e devo a minha crença foi, sem dúvida, graças à minha avó. Tu passaste por muita coisa, já vamos falar sobre isso, mas a tua avó sempre, de alguma forma, a tua mãe, não é? Vimos aqui a tua mãe, mas a mãe da tua mãe teve um papel muito especial na tua formação desde pequenino, porque nunca, apesar de tudo o que viveste, nunca te revoltaste ou nunca viraste completamente às costas a Deus?
Não, isso que é. Eu posso me ter afastado, sem dúvida, como afastei outros caminhos, mas desde que eu tomei uma decisão de acreditar em Deus e de dizer que Deus existe, em certa altura... Tu tiveste dúvidas da existência de Deus? Da existência de Deus, não. Houve ali, quando somos jovens, aquela passagem do Deus dos meus pais para o meu Deus. E nessa altura, claro, não havia esta interação. Não havia esta crença de acreditar em Deus ou não. Havia aquela incerteza. Mas, a partir do momento em que ali, a partir dos 20 anos, eu tomei essa decisão, eu posso ter afastado, rejeitado, ouvir a voz de Deus, mas nunca duvidei que ele existisse. E a minha avó, mesmo estando afastada. E eu sei que isto, pronto...
A minha avó, a minha mãe, sempre foram pessoas que oraram muito por mim, apesar de eu estar a anos de luz, vamos dizer assim, do que é que fosse ser cristão ou o Deus da Bíblia. E elas sabiam. E elas sabiam, claro. E até quando eu precisava, quase como aquelas questões de refúgio, há muitas
histórias em que eu vinha para casa e ia falar com a minha avó. Experiências espirituais, coisas difíceis, às vezes até de eu perceber que estava na presença do inimigo ou que estava com batalhas espirituais, a minha avó sempre foi alguém que me puxou para cima. Sempre. Em todos os momentos. E tenho a certeza que ela vai estar no céu também, por isso. Tu viveste muito, falamos da tua infância, da tua adolescência. Vais estudar Engenharia dos Materiais, não é? É. E depois, a dada altura, o teu sonho é entrar na Força Aérea. Nós temos algumas imagens que eu creio que é possível mostrar desse momento em que tu estás na Força Aérea. Aqui é quando tu resolves fazer o pré-estágio para ser pastor, não é? Sim.
Isto já é depois, já é um bocadinho depois da Força Aérea. Sim, mas temos aqui, aqui é que é a Força Aérea, não é? Sim, aqui é a Força Aérea. Temos duas imagens dos tempos em que tu viveste na Força Aérea, em que tu sonhavas de entrar na Força Aérea, conseguiste, e depois é tipo aquilo, agora que conseguiste já não me dizes nada. Foi isto que aconteceu? Não, não. Então, que é difícil. Para já, como é que tu conseguiste? Tu querias ser piloto, mas usavas óculos, não é? Sim, sim. É nada menos que um milagre. Eu sempre sonhei ser piloto. Cheguei aos meus 8 anos. Ninguém me disse que com óculos não podia ser piloto, pelo menos não na força aérea. E então desmoronou a ser este sonho, incerteza, engenharia dos materiais. Tive que escolher um curso. Naquela altura, a engenharia pareceu-me... Eu estava a estudar ciências, por isso pareceu-me uma boa possível.
Experimentei durante um ano, aqui na Faculdade Nova de Lisboa. Não foi, sem dúvida, o curso que era para mim. Mas tu eras bom aluno. Não, nesse ano não fui nada bom aluno. Nada, porque não gostava. Estudava coisas que era só para ser um rato de laboratório, vamos dizer assim. Não tinha nada a ver comigo. Então juntei-me com mais alguns amigos e o nosso ano foi mais de passar na praia ou nas festas. E nesta altura eu já estava a tomar um caminho bastante longe de Deus. E a tua família já percebia isso? percebia mais ou menos, ou seja, eu sempre fui muito bom a manter uma aparência, a ser o grande amigo para os meus amigos, mas o filho perfeito para a minha família, porque eu não deixava de estar em Lisboa, só ia à Igreja das Caldas aos fins de semana quando ia, então conseguia manter, vamos dizer assim, esta fachada.
No entanto, as notas é claro que vieram. Eu lembro-me na primeira nota de Matemática que eu chego à pauta e digo, olha, tive 20. Ah, não, é um 2. Então, podes ver que eu não era bom aluno nesse ano, apesar de ter passado algumas cadeiras e ter feito algumas cadeiras. Desisto. Não quero nada disto. Minha mãe arranja-me trabalho. Passei por vários trabalhos aí. Passei pelas obras, passei por vender cartões de férias, aspiradores. Foste ator também? Sim, nos tempos livres. Ou seja, durante o 12º ano, eu participei num... Tive uma aula que se chamava Oficina de Expressão Dramática. E o meu professor, que eu gostava muito dele e ele de mim, então ele convidou-me para o grupo teatro dele. Então, participei em várias peças de teatro.
O meu grupo de amigos, durante o meu 12º ano, fizemos umas curtas-metragens, na
altura em que isto estava na vogue em Portugal, com filmes como Balas e Bolinhos e coisas parecidas, que eram amadores. Nós também fizemos a nossa curta-metragem amadora, que ainda existe. E que presumo que ninguém vê. Exatamente. Já esteve no YouTube há muitos anos, mas graças a Deus já não está, por isso está tudo bem. Mas sem dúvida que atuar era uma das grandes paixões. Que ainda hoje usas um bocadinho isso quando fazes algumas dinâmicas com os jovens. Já sei fazer isso na Albânia. Não sei se recordas, nós fomos juntos à Albânia e tu fazias muito isso com as crianças. Sabes que a expressão dramática sempre foi uma paixão minha. Para mim é um bocado mais, eu vou dizer assim, mais normal, vou dizer, inerente. Então, como é que tu chegas à Força Aérea?
Desistes do curso? Desisto do curso, faço esta questão toda de trabalhos, descubro também que trabalhar é duro e custa. E eu, naquela altura, concorro para várias coisas e uma delas é a Força Aérea. Não para piloto, mas para navegador. E quando concorro, existem apenas duas vagas. O sargento lá estava e disse, posso até ter uns bons testes, mas já existem duas pessoas que ocuparam as vagas, por isso não tenho hipótese nenhuma de entrar nisso, ok? Obrigado. e volto para a Engenharia de Materiais. Falo com a minha família e digo que já que entrei vou ter que manter e vai ter que ser para a frente. Estou infeliz naqueles primeiros meses, ou seja, isto foi no início do meu segundo ano de Engenharia de Materiais, e passado pouco tempo telefono-me da Força Aérea e digo que o Sr. Tiago Albino ainda está interessado em entrar para a navegadora.
Eu disse que sim, então apresente-se segunda-feira, isto era uma sexta-feira, apresente-se segunda-feira na base da OTA, para iniciar, então, o curso. E isto foi quase um milagre, das duas vagas abriu mais uma. Ninguém estaria à espera. E isto foi quase um sonho tornado realidade. Amei, vou dizer assim, era o trabalho dos meus sonhos. Ser oficial na força era ainda mais. Adorei as pessoas que conheci, adorei o ambiente. Tudo isto era fantástico. Era mesmo o meu sonho. Então, o que é que falhou depois? Porque é que tu não te sentias preenchido? Isquiel, Deus mostra-se de maneiras diferentes, certo? Durante aquele período, eu vou dizer mesmo, eu não era uma muito boa pessoa, era um jovem. Como eu te disse, gostava muito de experimentar muitas coisas. E eu tive um desgosto amoroso. Na altura, eu tinha tudo.
Eu vou dizer, eu tinha um carro novo, tinha namorada, tinha dinheiro, era jovem, tinha 20 anos, tinha uma promessa de uma carreira de futuro brilhante. O que é que eu podia querer mais? Então, eu também me deixei levar por... Já que eu tenho isto tudo, eu quero mais. E eu tinha outros relacionamentos, traí a minha namorada várias vezes, infelizmente. Mas isto levou-me quase outra vez a um vazio. E eu perco este relacionamento, com toda a legitimidade, mas isto leva-me a questionar muito as minhas prioridades. É interessante que o meu colega, o meu camarada de quarto, com quem vivíamos juntos naquela base, ele dizia-me sempre... E ele não era cristão na altura. Ele dizia-me, porquê não tens valores melhores? Tu não precisas disto. Tu és uma melhor pessoa do que isto. Eu na altura não percebia, mas depois deste break, vamos dizer assim, há um parar.
Como paramos e reavaliamos as nossas prioridades. E nesta reavaliação foi onde eu tive a minha primeira conversão. Uma das grandes questões que eu tinha era se Deus era real. Porque estamos a falar já de um afastamento, eu tinha uma vida completamente fora de Deus, apesar destes milagres todos, e eu lembro-me de estar sozinho a chorar e a dizer, meu Deus, tu és real ou não és? Mostra-me. Tu tens de mostrar-me agora. Aquelas questões que às vezes digo aos meus jovens. Não façam isto. Mas eu, na altura, não sabia melhor. E eu abri a Bíblia. Precisas-me responder. Não há outra forma. Não vais falar agora comigo, mas vais-me falar através disto. E eu abro no Salmo 91. E eu digo, preciso que tu me mostres que estás aqui comigo, que és um Deus real. E eu, ao ler o Salmo 91, eu leio debaixo das minhas asas, estás seguro.
Eu sou a rocha do teu conforto. Eu sou aquele que está contigo. E eu interpretei aquilo como uma resposta direta de Deus. Eu disse que podia ter aberto em qualquer parte da Bíblia. Eu podia ter aberto em olho por olho, dentro por dentro. Eu podia ter aberto em coisas completamente diferentes. Mas eu abri ali e a partir daí eu disse, então, se tu és verdadeiro, então eu vou estudar, eu vou ler. E foi aí que eu procuro alguém para me ensinar, pela primeira vez na vida, a ter estudos bíblicos. Quem foi essa pessoa? Foi o pastor António Rodrigues. Eu estava aqui relativamente perto de Lisboa e eu vou à igreja central. E na altura quem estava responsável pela igreja central era o pastor António
Rodrigues. Eu explico-lhe a minha situação. Ele diz, visto que tu até já tens bastante conhecimento do Adventismo, do Cristianismo em si, eu sugiro que nós comecemos por profecias. E ao começar a gostar das profecias, eu a apaixonei. Eu disse, como é que é possível eu ter 20 anos e não saber estas coisas? Como é que é possível que o Deus que disse que isto ia acontecer... É impossível, é impossível. Por isso este Deus é o meu Deus. E foi nesse contexto que, ainda não for sério, disseste, eu não vou fazer mais nada ao sábado e que ficaste detido. Sim, sim. Sabes que eu tomo a decisão de batizar no dia 7 de setembro de 2007, era a data do meu batismo, E justamente antes disto acontecer, eu sou mandado marchar a um dia de sábado, 10 de junho, uma coisa normalíssima, eu na altura era responsável por um pilotão de soldados, e nós teríamos de ir fazer esta apresentação.
E eu, quando tenho noção que é o sábado, dei por mim a questionar-me se deveria falar. Perguntei a várias pessoas este embate de... Será que eu devo pôr a minha carreira toda por causa de um dia? Faz sentido? Eu tenho uma promessa gigante. Será que não foi Deus que me colocou aqui? Mas olhando para trás e sabendo o que eu sabia na altura e tudo e mais, eu acho que voltava a tomar exatamente as mesmas decisões. Então eu tomei essa decisão. Eu disse, olha, eu não vou. Eu podia ter mentido. Eu podia ter dito do iá barriga ou do iá o pé. E aí eles iam arranjar outra pessoa. Mas eu tive que defender quem eu achava que estava certo e era a lei de Deus. E eu ao tomar esta decisão, é claro que isto foi uma cascata, não é?
De as pessoas que estavam lá dentro chamarem de maluco, dizerem, como é que tu vais pôr isto em causa? Tipo, ninguém te vai deixar isto. E, long story short, para abreviarmos, o que acontece é, eu não vou, desobedeço a uma ordem direta, por causa de eu não ir, eles disseram, ok, não vais, mas também não vais sair da base, vais ficar aqui retido, uma detenção quase como se fosse prisão, entre aspas, dentro do quarto, e eu fico tranquilamente, e pouco depois eu sou chamado ao meu comandante, e o meu comandante pergunta-me uma pergunta muito direta e diz-me, Albino, se tu amanhã fosses colocado como navegador num avião e fosses mandado ir bombardear umas aldeias no Iraque, na altura estávamos ainda na Guerra do Afeganistão, tu irias?" E eu pensei e disse...
Tenho em conta que aquelas pessoas não me fizeram mal nenhum e que eu estou a tentar seguir a um Deus. Não, se calhar não iria. Ele disse-me, então, se calhar estás no lugar errado. E eu disse, então, se calhar eu estou. E eu só perguntei, então, onde é que eu assino? E aí, então, há aquela parte de o dizer adeus ao sonho. Olhando para trás e sequer, eu posso dizer que eu não senti aquele sentimento de perda que eu pensava que ia sentir. Houve muita gente, a minha família, os meus amigos, que pensaram que eu era completamente maluco. As pessoas com que eu estava lá e com que eu me dava bem também disseram... Estás a pôr... Sentias essa pressão das pessoas à tua volta e questionavas, será que eu não estou mesmo a ser louco ou isso nunca te passou pela cabeça? Passou várias vezes. Tua fera tão grande?
Não, não. Sim. Passam várias vezes. Minhas dúvidas. Na altura, antes de eu tomar esta decisão, eu procurei o conselho de várias pessoas e uma das pessoas que eu procurei foi um médico que na altura estava na igreja das Caldas. Ele disse-me uma coisa que eu nunca mais me esqueci, que foi eu fazer-lhe a pergunta, será que eu devo aguardar este dia e ter as consequências disto? Ou, por ir-me achar, eu não estou a fazer mal nenhum. Qual é que é o mal? E poder ter, então, a influência que poderia ter dentro da Força Aérea. E ele diz-me, tu estás a ter essa luta porque tu já sabes a resposta. Aquilo foi tipo uma chapada de luva branca. E foi precisamente isso que tu fizeste e ainda hoje essa história acaba por inspirar outras pessoas.
Tiago, vamos para o nosso primeiro intervalo. Daqui a pouco já voltamos porque tu, em quatro décadas, parece que viveste 80 ou mais anos porque além da força aérea depois vieste a ser polícia e já vamos falar dessa fase. Fazemos aqui o nosso primeiro curto intervalo e voltamos já a seguir.
TV Novo Tempo, o canal da família, o canal da esperança. Na segunda parte do programa Olhos nos Olhos, estamos com o Tiago Albino, se quisermos ser mais concretos, com o pastor Tiago Albino, que estás a partilhar, no fundo, Tiago, muitas das tuas experiências. Já vimos o enorme desafio que foi teres abdicado o teu sonho, mas o sonho de Deus para ti era bem maior. No entanto, parece que a tua vida foi mesmo uma montanha russa, porque tu resolves estudar Teologia, Estás a estudar Teologia, um curso que exige muito da pessoa, porque não é só a parte académica, é também a sua vida que está ali em causa, e enquanto estudas Teologia, voltaste a... Perdoa-me a palavra, a descambar outra vez.
Não sei se é a palavra certa ou se encontras outra. E depois, parece que já nada mais fazia sentido outra vez. Como é que há esta montanha de oceano tão grande? Isquiel, eu gosto de... de olhar para trás e ver a vida do cristão. Porque uma das coisas fantásticas das histórias bíblicas é que as histórias não são só cor-de-rosa, não são só heróis da Bíblia. E quando olho para a minha vida, vejo exatamente isto. Eu decidi, efetivamente, depois da Força Aérea, depois daquilo tudo, eu queria ser missionário. Eu nunca quis, efetivamente, ser teólogo. Vou ser muito honesto. Mas, na altura, o que me aconselharam foi, se queres ser missionário, tens de estudar teologia. Eu disse, ok, se esse é o caminho, vamos para a frente. E eu chego a teologia e eu tenho um embate com a realidade.
Ou seja, eu pensava, na minha ignorância, que a teologia ia ser um lugar quase como o céu na Terra, onde eu vou encontrar pessoas que estão a estudar a Bíblia, que são quase... E, na realidade, não. Eu encontrei pessoas, como tu e eu, que têm os seus erros, têm as suas falhas, e que... Eu acho que foi um bocadinho de decepção pessoal, mas, acima de tudo, foi eu sentir-me um peixinho fora d'água. Eu era, se calhar, o único que tinha tido vida até ali, que nós já falámos, que tinha estado afastado, apesar de eu gostar muito dos meus colegas de turma, dos meus professores do sítio. Mas eu nunca me senti que pertencia, que era ali que eu devia estar.
E aí começa a minha grande luta com a parte, com Deus. Será que é aqui? Será que não é? Será que eu fui mesmo chamado para isto? E então eu começo a afastar-me gradualmente. No entanto, também o facto de estar afastado das pessoas de Portugal, porque eu fui estar para a Espanha, também não ajudou. O facto de desilusões amorosas no meio também não ajuda. Então isso foi quase como uma bolinha de neve. que me leva a cair outra vez. E eu lembro-me perfeitamente de eu estar a estudar Teologia e de assumir a minha derrota, vamos dizer assim, como ser humano. E eu que tinha deixado de beber e de fumar naquela altura, apesar de não ser um grande vício que eu teria mesmo durante a Força Aérea, eu lembro-me perfeitamente do dia em que voltei a beber.
Voltei a ir ao supermercado comprar uma garrafa de álcool para começar a beber outra vez. E a partir daí é claro que uma coisa juntou-se à outra. juntei-me a outro companheiro que lá estava, que também estava a passar por um mau bocado, e isto vou dizer que a fome juntou-se com a vontade de comer, e nós os dois caminhámos os dois de braço dado para longe de Deus. Ele conseguiu recuperar como tu? Não. Acho que também está no seu processo, mas também tem uma montanha russa na vida. Gosto muito dele, mas, ao mesmo tempo, isto tem a ver com decisões de vida.
Regressas a Portugal e tornas-te polícia de segurança pública. Antes disso ainda me tornei segurança aeroportuário durante um ano e depois sim os meus colegas de segurança disseram vamos todos concorrer para a polícia porque trabalha-se menos e ganha-se mais. Eu disse, parece fantástico. E é verdade ou não? Em comparação com a segurança aeroportuária, sem dúvida. Então o que tu fazias era passar os tapetes, as revistas, as caixas, isso tudo. É interessante, agora nunca tive a oportunidade de falar com ninguém que faz isso. É interessante esse trabalho. Eu gostei muito. Principalmente a parte do RAI-X. A parte do RAI-X é a parte mais interessante. Perceber tudo e analisar as coisas. Mas vocês têm uma formação muito específica para conseguirem ler tão rapidamente o Paralaxaró. Sim, temos uma formação de RAI-X, como todos somos certificados, é uma certificação.
Mas é relativamente fácil. No fim de perceber, principalmente... Quem está de fora, que olha para aquilo, parece magia. Exatamente, mas não. É uma coisa até bastante intuitiva. Tiago, nós temos imagens tuas enquanto agente da PSP. Tu estiveste numa das esquadras mais complicadas do país. Creio que são três imagens tuas. estiveste no Bairro Alto, não é? Que, enfim, eu presumo que aquilo deva ser algo bem complicado e bem difícil. No entanto, eu gostava que tu ouvisses aqui dois depoimentos de dois colegas teus, que eu não sei, vais-me ajudar a explicar se são desta altura ou não. E aí, amigo? Tudo bem? Já viste? Parece que foi ontem que nos conhecemos, mas já...
Com 15 anitos. 2011, em Torres Novas. A partir daí, começou aí uma grande amizade. Vivemos juntos, choramos juntos, rimos juntos e ainda hoje a nossa amizade prevalece. Aliás, sabes perfeitamente que para mim és um irmão. Porque pessoas como tu, há muitas poucas. Coração enorme, uma pessoa sábia, com uma maneira de viver única. Continua assim como és, puro, sincero e humilde. E a tua vida vai-te sempre prosseguir, porque és uma pessoa que mereces. Está bem, meu amigo? Olha, um abração. Fica bem. Daqui do teu irmãozinho mais novo, está bem? Vá, meu irmão. Boas, Alvim. Só para te dar um abraço, de termos trabalhado juntos, agora estes anos.
Muito obrigado pela sua participação. Um grande abraço. O primeiro é o Fábio, o Fábio Monte. Ele é um grande irmão. Nós conhecemos, fomos da mesma turma, desde o início da polícia e desde aquele momento que nos demos como irmãos, vivemos juntos, trabalhávamos juntos. Por isso, eu não sei o que quer dizer mais. Eu gostei muito das coisas que ele diz. Ele chamou-te uma pessoa sábia e com um coração enorme.
Mas ele disse-me que és uma pessoa sábia, mesmo tendo vivido tudo o que tu viveste, mas ele considera-te uma pessoa muito sábia e com um coração enorme. E que há poucas pessoas como tu. É tal coisa. Eu acho que, apesar de longe, os princípios mantiveram-se. Alguns deles, vamos dizer assim. Nunca me considerei uma pessoa ruim. Como é que quisesse o mal dos outros? No entanto, nós sabemos que isto não é nosso. O bem que está em nós não vem de nós. Hoje eu sei isto. Na altura, não é alguma coisa que fosse quase intrínseco. Mas os relacionamentos que eu procurei sempre ter, até nestas alturas, foram relacionamentos sinceros, honestos, verdadeiros, sem máscaras.
E eu posso dizer-te que, com este meu irmão, é sem dúvida uma destas relações. Eu gostava de partilhar contigo uma foto muito, muito bonita. Não sei quem tirou. A foto chama-se Reencontro. Olha para esta foto e explica-me em que medida é que esta foto, esta imagem, este frame, pode resumir, se calhar, toda a tua vida. Porque ali atrás não dá para perceber, mas temos a tua esposa. E isto foi no momento em que, não sei se ainda eras PSP ou não, ainda eras PSP, e que novamente decides, não, afinal, não é isto, não é Força Aérea, não é PSP, afinal, eu quero ser outra coisa. Podemos resumir esta foto como se calhar a imagem mais importante da tua vida? Uma das, sem dúvida.
Por causa dos altos e baixos. E só falando um bocadinho da polícia, eu conheci pessoas fantásticas, que ainda hoje são meus irmãos. Como deu para perceber aqui. O outro é o Carvalho, que também tem uma história fantástica e que hoje tenho o privilégio de poder estudar a Bíblia com ele e falar com ele e de partilharmos. Foi precisamente isso que ele disse. De polícias no bairro Alto para estudarmos a Bíblia juntos e sermos irmãos. em Jesus. E é fantástico. Ou seja, esta parte de termos esta ligação também. E não só eles, tantos outros. Seriam, se calhar, demasiados, até para enumerar, que eu hoje continuo a considerar como parte da minha família.
Podem não ter as mesmas visões, as mesmas crenças, mas durante este percurso de polícia, depois de cair e voltar, e foi nesta altura também, que te meteste ali na foto, que eu... depois de muita coisa, e depois de chegar a um fundo muito baixo. Nós temos uma imagem dos teus colegas e tu, mesmo à porta da esquadra, presumo. Algumas das caras estão escondidas, por razões óbvias, mas são muitos dos teus amigos aqui, não é, nesta foto? São, ainda estão, e alguns deles. E sim, esta é a porta da esquadra do Airwolf, não é? Como é óbvio, muitos deles, tanto na foto como os que não estão, e tantos outros, continuamos a ter um relacionamento de amizade que, se calhar, seria pouco provável caso eu tivesse, se calhar, outra atitude ou se calhar eu tivesse sido uma pessoa que não me tivesse dado bem, que não tivesse tratado as pessoas de uma forma correta.
E eu posso dizer que Eu olho para trás e vejo que não tinha nada a ver com algo inerente meu, vamos dizer assim. mas sempre com uma presença que Deus manteve e que, por alguma razão, me levou sempre a tomar, se calhar, atitudes honestas, íntegras, de não tratar mal, de ser uma pessoa correta, apesar das consequências que isto pode trazer. Ou seja, enquanto foste agente policial ou agente da polícia no bairro alto, sentias que, ok, não estou nos caminhos de hoje como deveria estar, mas também não estou a fazer nada de errado, porque eu estou a ajudar pessoas e, intrinsecamente, sentias que estavas a fazer alguma coisa de bem.
Tiveste ali situações que, afinal... Se há coisa que foi destruído no meu primeiro mês de polícia, foi que existiria um certo e um errado. Há aquela questão de nós dizermos que existe o cinzente, que tem muito a ver com as situações, e só quando estamos nelas Qualquer pessoa, ser humano, posto nelas, é que poderia tomar estas decisões. Se calhar para explicar para quem não conhece, o bairro Alto é uma zona muito turística de Lisboa, muito conhecida pelo álcool e pelas festas noturnas, e por algo que eu não conheço, mas certamente tu conheces muito melhor do que eu. Ok. Durante o dia não se passa nada. É uma zona super turística, ou seja, onde as pessoas vão visitar por causa das ruazinhas peninais. À noite transforma-se completamente.
Bars, discotecas, porque a Escola do Bairro Alto apanha a parte do Bairro Alto e do Caixo de Sodré, por isso é só zona efetivamente de vida noturna. E tudo o que isto implica. Desde a parte da socialização, mas a parte dos excessos. Álcool, drogas e também de tudo o resto que vem. Conjuntamente com isto, de roubos, de agressões, de tudo o que leva a este entorno. Então, as pessoas que lá vivem e as pessoas que trabalham lá também têm estes hábitos. E eu não era exceção, como é óbvio. Ou seja, às vezes ias como polícia, outras vezes ias como civil lá. Eu estava sempre lá. Vou ser honesto. Uma das alcunhas que eu tinha na Esquadra Bairro Alto era o regidor. Porque eu passava mais tempo na esquadra ou lá, mesmo quando não estava a trabalhar.
Eu saía do trabalho e ficava lá. E havia outros colegas que faziam exatamente a mesma coisa. Nós saímos e ficávamos na noite. Ou seja, comíamos, saímos na noite e depois, se calhar, passávamos a noite inteira na noite e começávamos trabalho de manhã e seguíamos nesta linha, nesta montanha russa, vamos dizer assim, de emoções. Aquilo que eu, afinal, à bocado dizia não é bem verdade. Não, nada é verdade. Por isso, a questão de eu fazer sempre o certo ou o correto ou errado, completamente ou lá, está bem, Eu tomei decisões de fazer e muitas vezes sou errado. Está bem? E eu olho para trás. Agora, mesmo fazendo o errado e mesmo estando neste mundo, às vezes nós podemos pensar ou poder ter a noção de que são só pessoas perdidas.
E não. Eu conheci pessoas fantásticas que não têm os mesmos hábitos de um cristão. Mas no coração eu olho para elas e vejo que são boas pessoas. E que são pessoas honestas e que são pessoas íntegras. E é isto que eu acho que é um dom de Deus, eu vou dizer assim, de conseguir ver o bom nas pessoas. Há pessoas que só conseguem ver o mal. E nós entramos nos sítios e só conseguimos ver o mal. Podemos estar rodeados de pessoas fantásticas e só conseguimos ver o pontinho negro. Eu acho que eu, rodeado de muita coisa má, eu consegui ver o bom. E ainda consigo. Eu hoje, se for ao bairro alto, eu consigo estar com aquelas pessoas e conviver com um monte de pessoas que continuam naquela vida normal, para eles, e que são pessoas fantásticas.
No entanto, eu sei que, para mim, uma coisa não conseguia jogar com a outra. E se algum dia for aberta uma igreja inaugurada no bairro Alto, serias um pastor ideal para lá? Seria uma igreja pós-moderna, sem dúvida. Mas Tiago, como é que então acontece daquela foto, e eu pedi que se pudéssemos
voltar a colocar aquela foto, porque tu estás neste meio, não é, em que vives intensamente o bairro alto, seja como polícia, seja como, não sei que palavra usar, utilizador, ou não sei, sócio, até chegares a este momento em que estás ajoelhado com a tua esposa num evento em que decides voltar a mudar a tua vida toda. Aqui que não era tua esposa, nem se esquecesse de ser tua namorada na altura. Não, nada. Isto foi a primeira vez que voltei a estar presencialmente com a Catarina, passados muitos anos. Tanta coisa passou até chegar aí. Eu quando... Eu cheguei a um ponto, a um limite, nesta vivência. Muitas coisas passaram.
Tive um bar também. Muita coisa. Tiveste um bar? Tive. Fui basicamente ajudante. Trabalhava num bar que eu e a minha companheira na altura explorávamos. Houve tanta coisa que se passou que eu cheguei a um limite, a um ponto quase como se fosse o mais baixo. Mais baixo que aquilo para mim não existia. E não era, apesar de todo o álcool, toda a droga, todo o tabaco, tudo o que eu pudesse ter, não havia mais nada, eu sentia sempre um vazio. E foi aí, depois também de um termino, de um break dessa relação, de um parar outra vez e ver prioridade de reconstruir, de eu pensar efetivamente o que é que faltava na minha vida.
E a resposta era sempre a mesma, foi a mesma na altura da Força Aérea e foi a mesma dez anos, onze anos depois, que era Deus. E é aí que eu tento voltar outra vez a estudar a Bíblia, tento voltar a ir à igreja, a reconectar com pessoas de um passado que eu tinha completamente alienado. Ou seja, com a Catarina, nós tínhamos até feito um break completo de elite bloco num contacto. E é nesse ponto que eu tento voltar a ir à igreja. Eu já tinha voltado, tentado voltar, durante alguns momentos da minha vida policial, mas sem hipótese nenhuma. Era eu sair da noite às 5 da manhã para ir à igreja às 9 da manhã.
Não resultou, por muito que eu tentasse. Mas quando eu tomo esta decisão de voltar a estudar a Bíblia, de voltar a ter este relacionamento, alguém... que do meu passado, tá bem, e que nós se calhar não temos tempo para contar essa história toda, pois não, que eu volto a entrar em contato com a Catarina. E a Catarina, tínhamos tido uma história fantástica antes de eu ir estudar Teologia. Nunca chegámos a namorar, nunca chegámos a ter nenhum relacionamento, mas foi alguém que quase como especial, mas com a qual nós nunca tivemos um relacionamento. E só depois, ela na altura até tinha um relacionamento também, e eu voltei a entrar em contacto, apesar disto, nós depois afastámos outra vez. E aqui, quase que as estrelas alinham-se, vamos dizer assim, né?
Deus permite. E nós começámos a falar, ela também já estava sozinha, voltámos a falar, e ela convida-me para ir a um evento. E esse evento era o GAM, Geração Adventista Missão. E eu digo, ok, está bem, vou. E eu, nesta altura, só para vocês terem noção, eu continuava a fumar, continuava a beber, continuava a ser polícia no Largo Alto. Apesar da minha tentativa de estar a voltar para Deus, todas as minhas adições não desapareceram de um dia para a noite. E durante este evento, e até foi o Justus que tirou aquela foto, durante este evento, eu lembro-me de orar só por uma coisa. Eu lembro-me de orar só por uma conversão racional, não uma conversão sentimental.
Eu disse a Deus, eu quero voltar para ti, porque eu acreditei em tu és, o que tu fizeste na minha vida, o poder que tu tens, tudo o que tu deste, porque o teu filho morreu por nós, e por causa disso eu quero ter este relacionamento contigo. Mas eu não quero ter apenas o sentimento. Porque eu acredito muito que a minha primeira conversão tenha sido muito sentimental, às vezes é aquele primeiro amor, não é? Eu gosto tanto e quero... Mas naquele momento, acho que com uma... com uma crença mais madura, eu queria mesmo voltar, mas Genuinamente. Não para sair outra vez. E foi um evento muito impactante. Adorei os pregadores que lá foram. Mas não foi transformador. Não vamos dizer que o Tiago saiu dali.
Tipo, fantástico, a partir daí não... Mais nada. Mas, efetivamente, depois daquele evento, alguns meses mais tarde, comecei, então, a namorar com a Catarina. Apesar de ter sido um relacionamento à distância. Ela estava no Porto, estava em Matozinhos, e eu estava em Lisboa. E isto teve as suas dificuldades, vamos dizer assim. Mas continuaste a ser polícia enquanto namoravas com a Catarina. E depois, como é que dá o clique para... Não, afinal, vou regressar à teologia. Uff, muitos anos depois já. Isto, ou seja, para ser mais resumido, nós passámos este namoro, altos e baixos, eu continuava com as minhas lutas, ela sabia, e existe aqui um ponto de, vamos dizer assim, que eu acho que é muito importante na minha vida, que é o ponto em que Deus faz o maior milagre que eu já vivi.
que é... eu já estava noivo, já tinha pedido à Catarina para irmos casar, nós íamos casar no dia 24 de setembro, e no dia... eu estava num limite, ou seja, eu continuava a namorar com ela, eu já estava a ir à igreja, mas eu nem sei como é que as pessoas olhavam para mim naquela altura. Eu lembro-me de ir até a algum evento aqui em Lisboa, fardado, porque estava a trabalhar, e apareci no evento, e as pessoas diziam, mas está aqui a polícia. Não, não, vêm só assistir. E eu, apesar destas lutas todas, chegou ali ao dia, vejam bem, quase um mês e pouco antes do meu casamento, em que eu estou completamente derrotado. Eu senti-me derrotado. Eu disse, meu Deus, eu não consigo mais.
Eu não consigo largar o álcool, não consigo largar o tabaco. Só para vocês terem noção, eu bebia uma garrafa de uísque por noite, fumava dois a três maços de tabaco por dia, consumia outras drogas, outros pacientes, em grandes quantidades. É impossível eu largar isto. Já tinha tentado. Houve várias vezes que eu comprava o maço de tabaco, fumava meio cigarro, mandava o cigarro fora, mandava o tabaco fora, mandava o chiqueiro fora, e passadas umas horas estava a comprar outra vez o maço de tabaco e o chiqueiro. E neste ciclo... O antiexto incapaz de conseguir largar o vício, mesmo do ponto de vista físico, do ponto de vista químico. Eu acho que nem era tanto do ponto de vista químico daquela adição que muita gente tem à nicotina, por exemplo. Eu era mesmo pelo vício mental e de mão, de stress.
Eu ainda sou uma pessoa bastante stressada. mas ainda hoje eu tenho cicatrizes, vou dizer assim. Às vezes estou a esfregar as mãos ou com a mão na boca por causa desses tantos anos. E é interessante que eu cheguei a um ponto em que eu lembro-me de acordar e de me ajoelhar e chorar e dizer, meu Deus, eu não consigo mais. E eu não caso se eu tiver estes vícios. Eu não vou trazer a minha mulher, a minha futura esposa, para este mundo. Eu não quero. Não quero, é algo que é completamente contrário ao que eu vejo. A Catarina nunca teve nada disto e ela é uma pessoa fantástica, ela não merece. E Deus, nesse dia, faz um milagre fantástico. 18 de Agosto, Deus faz como se fosse um clic.
E eu, a partir daí, entreguei tudo e nunca mais toquei nada. Continuei a ser polícia nos mesmos sítios, E foi quase como um verdadeiro
milagre. Eu lembro-me dos meus colegas me oferecerem tabaco e me oferecerem álcool, porque eu estava no mesmo meio, não é? E eu dizia, não, eu bebo só água. E eles puxavam o cigarro e eu puxava a garrafa de água. Eu olho para trás e digo, aquilo era uma loucura. Quem visse de fora era isto. O que é que está a acontecer aqui? Até hoje, muitos dos meus amigos diziam que é impossível. Impossível porquê? O albino, quer dizer, isto não joga. E é por isso que eu vejo que Deus, ainda hoje, tem milagres fantásticos para fazer nas vidas das pessoas. E acabaste por casar. E acabei por casar. E porque casámos, a minha mulher sempre disse que eu tinha um gosto muito pela missão. E nós fizemos um trato, vamos dizer assim, já que ela tinha mudado de cidade, dissemos, então, já que vamos casar, e ela havia deixado o trabalho, vamos o primeiro ano, logo ali, pouco depois de casarmos, vamos para a missão.
Vamos fazer um ano de missionários. E fomos. Mas isso antes da teologia? Antes da teologia. Podemos dizer que a Catarina te salvou de alguma forma. Sem dúvida. Se quisesse encontrar um grupo de pessoas, a Catarina seria aquela pessoa. Não é por acaso que ela é a minha melhor metade. Ela gravou também um vídeo para ti. Love, tu foste e continuas a ser o maior desafio na minha vida, mas também o maior presente que Deus alguma vez me poderia ter dado. Tenho tanto orgulho no homem que és, na tua coragem, na tua fé destemida, na forma prática e intensa com que vives a vida e abraças cada pessoa à tua volta. Tens uma capacidade única de cuidar, de amar e de fazeres com que os outros se sintam vistos.
A vida contigo nunca é monótona. És a maior aventura da minha vida, sem dúvida. E tornas tudo muito mais bonito, mais leve e mais cheio de propósito. E a verdade é que seja para onde Deus nos levar, eu vou estar sempre em casa. Porque tu és a minha casa. Amo-te imenso e vou amar-te sempre. Porque nem na eternidade te quero deixar. É a pessoa mais importante da tua vida? Sem dúvida. Ela é a pessoa mais importante da minha vida. Deus acima e ela aqui. E ela levou-vos para vários lugares, não é? Vamos só fazer aqui. Egito, Palau, Camboja. Primeiro Palau. Palau, Egito, Camboja. E Espanha também. E Espanha. Há uma família que quis gravar uma mensagem para ti em Espanha.
Eu acho que já estás a imaginar quem é. E que eu gostava que visses. O que é que eles vão dizer? Olá, Alvino! Olá, Alvino! Que tal, Alvino? Saludos desde Valência, desde Espanha. Bom, já faz... Há alguns anos que nos conhecemos, que viste a nossa pequena igreja de Líria, junto com sua esposa Catarina. E a verdade é que a ilusão, o empurro, essa força que vocês têm e essa energia, nos contagiou a todos e a verdade é que pegamos muito carinho, tanto os grandes como os pequenos, com os quais você trabalhou ao seu máximo no clube e com os quais deixou uma marca imborrável. Bom, depois vocês decidiram empreender outros caminhos, novos desafios, novos projetos.
E, bom, vocês se aleijaram de nós, mas vocês sempre estão presentes no nosso coração. Já sabem que fizemos alguns lançamentos que não podemos esquecer e espero que durem por toda a eternidade. Foi um prazer conhecê-los, aproveitar a sua companhia e confiamos e pedimos ao Senhor que que os acompanhe sempre, que pode sempre a sua palavra por onde for, e que deixe uma marca desse amor que tem por cada um de nós. Um abraço grande e até à próxima! Os queremos! Porquê esta família é tão importante? Foi uma família especial que nos acolheu muito bem na Igreja de Líria.
Tivemos um grande relacionamento com eles e com outras famílias sociais lá naquela igreja, que foi uma igreja fantástica. Durante os anos que estivemos em Espanha, fomos, sem dúvida, acolhidos em casa por uma comunidade Fantástica. Nós sentimos porque, culturalmente, tudo o que aquela igreja tinha parecia as igrejas portuguesas. Nós sentimos-nos muito bem lá. Era uma igreja cheia de nós e de jovens. Nós adorámos trabalhar com jovens. Tivemos esse privilégio de trabalhar com os filhos deles, com os filhos de tantos outros. Mas era um clube pequenino, uma igreja relativamente pequena. que de um momento para o outro deu um boom e pudemos ver Deus a trabalhar.
E é incrível, é incrível isso que ele... Mas eles já foram quase como... Já passámos por muitos outros sítios. Esta questão da missão levou-nos a muitos outros sítios e pessoas fantásticas. Eles foram os mais próximos que temos aqui de Portugal. Tu falas muito em pessoas fantásticas, tu gostas muito de pessoas. Gostas, sim. Onde tu vais, seja qual for o lugar, tu não consegues vir embora sem deixar lá dois ou três amigos. Eu tento, pelo menos. Eu gosto muito de falar, como se nota, eu falo pelos cotovelos. E esta questão das amizades, acho que nós não vamos levar nada para o céu sem os relacionamentos que temos aqui. Por isso, que bom será nós podermos ter estes relacionamentos para a eternidade.
E há um amigo espanhol que também gravou uma mensagem para ti. Quem é este teu colega? É pastor agora? É pastor em Espanha. É o Miguel, um dos meus camaradas de curso de Teologia. Foi um prazer estar com ele. É uma pessoa fantástica. Tem uma história de vida fantástica, de Nuzelando.
e uma pessoa super dedicada a Deus. E uma pessoa que, em muitos aspectos, eu tiro-lhe o chapéu porque ela é uma pessoa que sai do metodismo para o adventismo e que, por causa disto, tem uma fé fundada. E eu acho que é tão necessário nos dias de hoje cimentarmos, sabermos aquilo que acreditamos. Então, nas nossas muitas conversas, nos nossos muitos debates, nas aulas, foi fantástico. Antes de falarmos da tua parte missionária, tenho aqui uma curiosidade. Em que medida é que a tua primeira passagem por Sagunto, onde tem a Faculdade Adventista de Teologia, mudou para a tua segunda passagem? Porque na primeira passagem tu dizes que não te identificavas com ninguém lá, excepto com aqueles que não tinham muita ligação com o mundo pastoral, mas parece-me que na segunda passagem, quantos anos foi depois? Não sei...
Foram muitos anos depois. Ou seja, tu foste PSP, foste... Só assim por alto, eu fui para Teologia o meu primeiro ano foi em 2008, e eu volto, ou seja, nem nunca pensei em voltar para a teologia, mas eu volto para a teologia em 2021, primeiro ano de Covid, ou seja, foi naquela altura do Covid. Foram uns 14, 15 anos que, entretanto, foste PSP, casaste, estiveste no Camboja... Não, não, estive no Palau, estive no Egito, e depois volto para a teologia. Ah, ok. E depois é que vais para o Camboja. O Camboja é depois da teologia. E como é que, então, sentes Eu é que mudei ou é que as pessoas é que mudaram quando regressas à Faculdade de Teologia? Foi muito interessante porque, primeiro, eu nunca pensei em voltar, não é?
Logo, esta questão de voltar para aquele lugar e depois era o que é que eu vou encontrar? Será que as pessoas ainda se lembram de mim? Será que se lembram do que é que se lembram de mim? Os professores lembravam-se de ti? Alguns, sim. Sem dúvida. Quanto se viram ali sentados na primeira fila. Se calhar é. Eles lembravam-se de mim como um jovem que dormia em todas as aulas. Literalmente. E estamos a falar de aulas não de 100 pessoas, como na faculdade, que dormiram ou adormiram. Hoje não faz mal. Eram aulas de 5, 10 pessoas. Eu que dormia nas aulas. Por isso, se calhar alguns não tinham muito boas recordações minhas. Mas, ao mesmo tempo, eu pensava que iria ser uma recepção menos calorosa, vou-te dizer. Quando lá cheguei, fui recebido muito bem. Por pessoas que, se calhar, eu até pensava que teriam razões até para não receberem bem.
E, apesar do sítio não ter mudado, eu mudei. Eu, quando lá fui pela primeira vez, era um jovem, não sabia para o que ia, que tinha muitas ideias e nenhuma delas concretas. e principalmente eu não tinha um relacionamento com Deus. Quando eu volto, eu volto como esposa, volto depois de dois anos de missão em países completamente diferentes. e volto com a certeza de que estou a estudar para o meu Deus. Eu já não estava a estudar para mim. Eu já não queria ter notas para mim, basicamente. Eu vou fazer o meu melhor para o meu Deus. E isto mudou completamente a minha visão do lugar. Tanto que hoje olho para Sagundo com muito carinho. Tenho lá amigos fantásticos. Tenho pessoas que considero também como minhas irmãs e que espero ver no céu. E é isto que mudou, percebes?
Não foi provavelmente o sítio. O sítio é exatamente igual. Continua lá no meio dos laranjais. Mas, efetivamente, a minha mudança... E eu acho que isto acontece com muitas pessoas, que é a nossa perspetiva. Ao mudarmos a nossa perspetiva, mudam também os sítios ou as interações que nós temos nos sítios. Tiago, vamos para o nosso último intervalo, mas daqui a pouco quero que nos faças uma viagem para o Palau, para o Egito e para o Camboja. Voltamos daqui a bocadinho. TV Novo Tempo, o canal da família, o canal da esperança.
Terceira e última parte do programa Olhos nos Olhos, com o Tiago Albino. Muitas histórias, muitas experiências, e agora vamos às viagens. Quantos países já visitaste, ou muitos? Nem deves ter contado. Nós temos um mapa em casa. Ah, são daqueles que colocam um pinzinho ou um ímã? Um pinzinho e uma etiqueta a dizer quando é que lá estivemos. Ah, estão muito organizados. É a minha mulher. Não sou eu. Mas já visitámos, pela graça de Deus, tivemos o prazer de passar por vários países. Nós, ao ir para a missão, até fazemos escalas mais largas. Se ao invés de fazermos escalas curtinhas, fazemos uma escala de 24 horas. Ou uma escala de um dia e meio. Para podermos visitar pelo menos aquele país que fazemos a escala. Então já passámos, assim por cima, a ver se não me esqueço nada, por Taiwan, pelo Palau, por Seul, por Egito, passámos por Marrocos também.
E depois passámos pela Tailândia, pelo Camboja... Acho que foi só. E Espanha... Sim, aqui pela Europa. Mas estes países aqui na Ásia, a primeira viagem missionária que vocês fizeram foi mesmo para lá. Para lá, certo. Porquê? Como é que aparece para lá? Vocês casam, a Catarina deixa um emprego muito bom, porque ela é gestora... Ela é gestora, trabalhava numa multinacional, Ou seja, tinha uma vida super estável, largou tudo para juntamente contigo, que na altura não eras pastor, já não eras mais polícia. Não, não, ainda era polícia. Ainda eras polícia, mas... Era polícia sem vencimento, nessa altura, porque era só para um ano. Mas a minha mulher disse, vamos experimentar.
Ah, o objetivo era ir para o Palau. Sim, experimentar. Vamos experimentar alguns meses. Vamos experimentar um ano, era um ano de missão. Na altura, ser missionário, ou ser esta questão de voluntário, que é o Adventist Volunteer Service, era bastante complicado aqui em Portugal. E nós, se calhar, fomos um dos iniciais, ou se calhar um dos poucos que foram ainda pelo sistema antigo. Então tivemos de passar por várias barreiras, tivemos de fazer um curso, tivemos de fazer uma ata de coisas. mas nós, ao escolhermos as chamadas, isto era um site muito antigo, parecia quase como o MS-DOS, com umas letrinhas, o acordo que tínhamos feito foi, tu escolhes as tuas, as chamadas que tu gostas, eu escolho as minhas, e depois comparamos e vemos qual é a primeira que temos no mesmo lugar. E, estranhamente, a primeira que nós tivemos no mesmo lugar foi o Palau.
Nós dissemos, ok, foi isto que nós decidimos, então vamos pôr isto em primeiro lugar. A segunda foi Tailândia e a terceira já não sei o que tinha sido. Pedes uma licença sem vencimento, metem-se no avião e vão para o Palau. Simples assim. Simples assim. Mais ou menos. Fomos efetivamente para o Palau, com muitas peripécias no meio. Não íamos para o Palau, fizemos uma escala em Londres, que depois era, nós não sabíamos, mas o Palau só se pode entrar se tivesse bilhete de saída. E nós só tínhamos comprado bilhete de ida, porque era para um ano. E a curiosidade é que o Palau é quase o ponto mais longe de Portugal. Ou seja, se tivéssemos de marcar quase um ponto de área ali no meio do Pacífico, mas ali mais perto, o Palau está exatamente no meio do Pacífico, ali a duas horas das Filipinas de avião. E nós não conhecíamos o Palau, não fazíamos nem ideia do que era. Só depois de começarmos este processo é que descobrimos que o Palau era uma ilha no meio do Pacífico.
E fomos como professores. Eu fui como professor de Educação Física e de Saúde. A minha mulher foi como professor de Matemática e professora de Computadores. Temos algumas fotos que podemos ir mostrando à medida que vais falando. Quantos habitantes tem o Palau? Tem 20 mil. 20 mil habitantes e é um Estado soberano dos mais pequenos do mundo. País independente, apesar de ser independente, tem uma... ou seja, pertence, entre aspas, ou tem uma grande ajuda dos Estados Unidos, porque militarmente pertence aos Estados Unidos, tem a parte dos Correios pertence aos Estados Unidos, ou seja, tem uma grande ligação, vamos dizer assim. E é um protetorado, ou seja, os impostos ali também não existem. Então isto tem ali muitas dinâmicas. E o idioma no Palau? É inglês. Toda a gente fala inglês.
Mas é mesmo a língua materna? Não. O idioma materno é paluano. Mas o paluano é uma mistura da língua indígena inicial, depois com os espanhóis, que foram os primeiros a lá passar. Nós, portugueses, descobrimos o Palau. Está no pavilhão dos descobrimentos. Nós tivemos a curiosidade de ir lá. E está na nossa grande viagem de chegar às Índias. pelo outro lado. Então, para lá, nós descobrimos, mas como não o conquistámos, não tínhamos... Vamos ver a capacidade. Nós vimos o mapa aos espanhóis. Os espanhóis foram os primeiros a lá estar. Os espanhóis deram a ilha aos alemães durante a 1ª Guerra. Os alemães cederam a ilha aos japoneses durante a 2ª Guerra. E essa ilha foi conquistada pelos americanos durante a 2ª Guerra. Então, o paluano é a mistura de todas as línguas anteriores, exceto o inglês.
Então podem ver a mistura. Tem palavras em espanhóis. Porque eles, por exemplo, dizem Deus, Dios. mas depois tem palavras em alemão e em japonês. Por exemplo, a palavra dos pavos vegetais é yasai, que é japonês pavos vegetais. Então tem esta mistura toda. O palauano é superdifícil de aprender. Temos aqui algumas pessoas que também gravaram mensagens para ti. Do palau? Do palau, que certamente vais reconhecer. Tiago, meu irmão, a gente está aqui fora. Quero te dar um grande abraço e respeito. Desde a nossa época no Palau, servindo como missionários, até a hora que eu vim te visitar em Portugal, até a hora que eu vim visitar de novo. Estou ansioso para isso. Mas eu quero dizer, cara, algo que eu realmente amo e admiro sobre você é a sua paixão pela vida.
Isso é algo que eu consegui ver, você ensinando classes de self-defense e ensinando os filhos em Palau, e a forma como você serviu lá, e a forma como você me serviu quando eu vim para o seu país, e teve uma ótima introdução para a sua cultura e seus povos. E, especialmente, eu sei que isso vai acontecer de novo quando eu vou visitar de novo. Mas quando se trata da paixão que você tem por ministério e serviço em geral, para ver o ensino que você tem alcançado, a educação que você tem feito, seu serviço através de Pathfinders e tudo isso, você só tem uma paixão por vida que é contagiosa e muitas pessoas estão sendo beneficiadas. com o que você traz para a mesa, especificamente. Há muitas pessoas que vão ser positivamente impactadas por causa de você, que não seriam se não fossem por você.
Eu quero encorajá-lo nisso e afirmá-lo nisso e dizer que estou ansioso para o que mais Deus tem para você e eu sei que mais vai vir. Eu sei que o melhor ainda não chegou porque isso é o jeito. Eu te vejo, meu irmão. Muito amor. Quem é? Ainda lá está este missionário? Não, não, não. Eu tenho aqui o nome dele, mas não consigo. Corrie Johnson. Ah, ok. Corrie. Nguri Okai. Nguri Okai, exatamente. Esse é o nome paluano dele. Ah, ok. Ele é outro irmão. Gosto muito do Corrie. Ele é americano. Foi para o Palau como missionário. E a vida dele transformou-se lá. Ele já tinha um curso. Lá teve, acho que 5 anos de missão no Palau. E foi, efetivamente, uma experiência fantástica para ele.
Foi adotado pela rainha do Palau. Por isso é que ele tem o nome Paluano. Os paluanos, quando lá chegamos, dão-nos sempre uma família. Nós também tínhamos uma mãe paluana, que era uma das princesas de uma das tribos. Também foi uma família que nos acolheu excelentemente e nos tratou exatamente como filhos. porque é a cultura deles. Mas o Cory fez um trabalho gigante também com os paluanos lá, com os jovens lá. Ele era o capelão da escola. E muitos foram aqueles que foram batizados graças ao trabalho dele. Ele disse que tu davas aulas de defesa pessoal, ou seja, uma ilha invadida por alemães, japoneses, portugueses, espanhóis, americanos. Tu foste lá e acabou, agora ninguém invade mais isto.
Foi algo que eu... Temos de pensar que eu tinha acabado de sair da polícia. E eu gostei sempre muito. Eu dei a defesa pessoal também. E foste para uma escola adventista, não é? Uma escola adventista, PMI. Quantos alunos tinha mais ou menos a escola? Eu agora assim, de cor, não sei dizer, mas nós tínhamos cerca de 30 alunos por turma, por mais ou menos 4 ou 5 turmas, se não me engano, por isso deve andar à volta de cento e poucos alunos. Tinhas um contacto constante com criança. Constante. Apesar de termos também um internato, o internato existia na altura, apesar de não serem muitos os alunos que lá ficavam, tínhamos muitos alunos chineses também, e alunos japoneses que viviam no internato, mas também a grande maioria eram paluanos da ilha.
E tínhamos um contacto constante. No entanto, o Palau, apesar de serem 29 pessoas, eles não têm muito um contacto externo. Até as nossas próprias ilhas, aqui em Portugal, nós podemos dizer que sentem a insularidade. E eles, mais ainda, a serem um país independente, sentem muito esta insularidade. E há muitos problemas até com droga dentro do Palau. E eu, por ser polícia e por ter este background todo, propus fazer, não foi só defesa pessoal, mas foi... Nós chamávamos-no de self-improvement, onde nós tínhamos um safe space, era uma aula extraordinária, um safe space para jovens que eram os considerados mais problemáticos, onde podíamos falar sem problemas e sem julgamentos dos problemas.
da adição, de o que é que eu estou a passar, porque é que eu me estou a proteger das lutas que eu tenho com as pessoas do meu bairro por causa da droga ou por causa disto. E uma das coisas que eu lhes ensinei em alguns momentos foi, efetivamente fez a pessoal alguma coisa também, mas eu acho que O que eu mais quis ensinar, e foi esse o grande objetivo, foi quase como um grupo de alcoólicos anónimos. Eu gosto muito do conceito, que é haver esta frontalidade, de dizer, eu tenho um problema, eu sou pecador, eu sou drogado, eu sou alcoólico. E de porque nós partimos todos do mesmo ponto de todos temos um problema, então não há julgamento, e então podemos ser honestos uns com os outros. E isto eu vi naqueles jovens. O não-julgamento.
Eu não estava lá para apontar o dedo, eu estava lá para dizer, eu sei porque eu também fiz. E isso era uma coisa que eu lhes dizia sempre, porque eles sentiam-se muito julgados. Eu dizia-lhes sempre, se fosse uma competição, eu ganho. Se for para competir com pecados, ou se for para competir com adições, companheiros, eu ganho-vos a todos. Então vamos ver o que é que podemos fazer. Onde é que nós podemos melhorar? Quais são as decisões que nós podemos tomar? E eu só tinha duas regras naquelas aulas. Era o que acontece aqui, fica aqui. Era para nós não levarmos e para eles sentirem que era um espaço seguro. E a segunda regra era não sejas estúpido. Eu disse-lhes mesmo, mas don't be stupid. E eles, mas porquê? Porque a maior parte dos erros era porque eles faziam escolhas estúpidas. Literalmente. E eles aderiram muito.
E eles diziam uns para os outros. Passaram a dizer-lhes, não se fiquem estúpidos. Não faças isto porque estás a ser levado para outro caminho. Temos ainda, Tiago, mais um missionário. Vais-me ajudar a dizer quem é este próximo vídeo. Salve-nos. Meu nome é o Chefe Ferdinand Mouroui, conhecido como Missionário em Palau. Em 2018, tive o privilégio de trabalhar com o Tiago, um dos meus bons amigos. E durante esse tempo, ele estava trabalhando como professor de PE e de saúde. É um privilégio conhecê-lo e ter trabalhado com ele. Durante esse tempo, nós conseguimos nos interagir e ele era um homem de Deus. E eu estou muito privilegiado e honrado em recomendar um irmão que eu conheço.
E nós esperamos vê-lo de novo. Enquanto isso, Ele recomendou-te. Estou recomendado pelo Chief. Ele era o teu chefe? Não, o nome dele é mesmo Chief. Ah, ok. É mesmo. Chief Frederick Murury. Exatamente, pois ele falou só no Frederick Murury, mas não sabia que era Chief. Ele é o Chief. É uma pessoa fantástica. Ele é... Keniano? Sim, Salvador, do Quénia. Trabalhámos com ele, ele também tinha chegado ao Palau quando nós chegámos. E ele era o preceptor na altura. E foi fantástico também trabalhar com ele. Ela é uma pessoa super tranquila, como podemos ver no vídeo.
Está tudo bem, tudo na paz. O oposto de ti. Exatamente. Um bocadinho. Mas nós nos damos muito bem. Trabalhámos também, como irmãos. Nós, se calhar, também tivemos um relacionamento maior tanto com o Corey como com o Chief, porque se calhar eram os missionários mais velhos. Só para vocês terem noção, nós éramos os missionários cotas. Eu já fui com 31 anos, a minha mulher foi com 26, 27. Ou seja, 27 já. Eu fui com 31, 32. E nós éramos já os missionários mais velhos. Todos os outros eram jovens de 20 anos, que fizeram uma pausa na faculdade e foram fazer um ano para Deus. Então, a maior parte dos nossos missionários, que hoje já são médicos, já terminaram todos os cursos, já estão casados também, mas eram todos naquela altura com 20 anos.
Os mais velhos eram mesmo o Corey e o Chief. Quanto tempo estiveram no Palau? Um ano. Regressam a Portugal e depois disseram que queriam ir para outro sítio? Nós dissemos logo no Palau. Durante o Palau foi muito difícil, só para vocês terem noção. Foi o ano que eu, se calhar, chorei mais. Como homem forte, vejo polícia ali. Na altura ainda polícia, mas chorei muito. Porque nós vemos às vezes a nossa incapacidade, mas ao mesmo tempo a nossa dependência de Deus. Mas nós, durante aquele ano, decidimos que é isto que queríamos fazer para a vida. Já nada mais tem sentido. Já não consigo voltar para um trabalho e ganhar dinheiro para mim. Então, eu tenho que trabalhar para o meu Deus.
E nós, na altura, falámos até com o presidente, ou com o diretor, vamos chamar-lhe assim, da missão da One Micronesia Mission, ou seja, a missão da One e a Micronésia. e ele aconselhou-nos a estudar. Porque eu não tinha nenhum curso, a Catarina tinha, mas ele aconselhou-nos a estudar e tudo bem. E ao mesmo tempo, nós também experimentámos uma missão rica. O Palau, para todos os efeitos, é uma missão rica. É uma natureza 200 vezes, 300 vezes... Se vocês imaginarem, por exemplo, uma floresta amazónica, é isso vezes 10. A natureza lá é fantástica, é quase como se estivesse preservada. Vamos dizer assim. E nós, por termos experimentado esta parte e ser uma missão rica, quando digo uma missão rica é que nós ganhávamos 400 dólares por mês, está bem? Isto é uma missão rica.
Nós vimos também que não havia uma grande necessidade, ou seja, eles estão lá com necessidades, mas não havia aquela necessidade do que nós imaginamos, do missionário passar necessidades, ter... E então nós começámos a orar e começámos a pedir a Deus que nos mostrasse para onde ir. E aí ainda aparece o Egito. E nós fomos do 8 para o 80. Se nós achávamos que o Palau era uma emissão rica, nós fomos para uma emissão extremamente pobre. Temos pelo menos uma foto vossa no Egito. Este aqui é um clássico, não é? Sim, pronto, nas pirâmides. Mas esta é a parte bonita. Esta é a parte bonita. Esta é a parte super turística. E para quem já foi, até isto não é super fantástico, como às vezes nós imaginamos. Eu lembro-me de ter ido visitar as pirâmides e dizer, mas onde é que estão os aeroglifos e as coisas?
Estão tudo em Inglaterra. Então foi um choque. Mas o Egito foi o 80. Eu lembro-me de chegar ao aeroporto do Cairo. de malas, não é? E estar habituado, no Palau, a ver. Só vimos verde. Era impossível olhar para algum lado sem ver verde. E desde que nós entrámos numa carrinha super velha, com o Heiman, que é um dos nossos membros agora, na altura não era, era apenas um trabalhador lá no nosso colégio, e entramos numa carrinha super pequena, umas micro-vans, e nós andamos uma hora e meia de carrinha, e em que eu não vejo uma coisa verde. É só castanho e pó. E nós, quando começamos a entrar para a zona onde está o nosso colégio no Cairo, no Grande Cairo, eu começo a ver lixo a arder.
Era fogueiras por todo o lado. Não há estrada, era só pó. Era lixo, rios de lixo. E nós passámos por três ou quatro barreiras com soldados armados, com balas cribadas. E eu pensei mesmo, tipo, para onde é que nós viemos? Onde é que eu compro o colete balista e o capacete? Quanto tempo vocês ficaram no Egito? Não chegou a um ano por causa do Covid? íamos lá estar, em teoria, três anos, mas por causa do Covid e por causa de eu conseguir estudar. Lembram-se que, desde a saída do Palau, uma das grandes questões era eu conseguir estudar e ter alguma coisa que nos mantivesse depois na missão. Sem estudos, eu poderia estar lá e poderíamos estar lá tranquilamente, mas sem estudos nunca nos poderíamos manter, ser missionários de carreira.
Então tu regressas do Egito para estudar Teologia. Exatamente. Ou seja, eu já estava a estudar Teologia online, Durante o Egito, tivemos uma benção de um familiar meu que me disse que ia-lhe ajudar a estudar online, em Endres, na nossa Universidade de Endres. Mas durante aquele ano do Egito, foi extremamente difícil. Eu trabalhava, vou dizer 24 sobre 24, porque era o preceptor de 90 jovens. Então, quando lá cheguei, eu disse, vocês têm os vossos pais em casa, mas eu aqui sou o vosso pai. Então eles todos chamavam-me de fadar. Fadar, fadar. E eles... Nós tivemos uma relação fantástica. Eu, se tivesse de voltar para algum lado de missão, o lugar por onde todos os anos passei, o mais depressa que eu voltava era para o Egito.
Nós temos algumas imagens de tu terminando o teu curso de Teologia, ou seja, regressas do Egito e vais estudar Teologia. Aliás, vais terminar o teu curso de Teologia, onde aí já começas a ter experiência, não é? Com igrejas. Aqui ainda é no Egito. Aqui já é em segundo. E creio que ainda temos uma outra imagem. Aqui é uma igreja. Ainda estamos no Covid. Está ali o Miguel, que te falou há bocadinhos no vídeo com a máscara. E aqui estás a pregar numa igreja em Espanha. Sim, numa igreja em Espanha. É depois de terminares o teu curso de Teologia que decidem ir para o Camboja. Ou seja, terminas os teus estudos, mas e quero continuar a ser missionário. Sempre foi esse o objetivo. não, Nós nunca, em nenhum momento, dissemos que íamos ser pastores. Até durante o curso.
Eu disse várias vezes, estou aqui a estudar, mas é para voltar para a missão. E foram várias as vezes, durante o curso, que eu ia agora ao nosso novo site, chama-se vividfaith.com. Para aqueles que estiverem interessados na missão, temos todas as chamadas mundiais dentro do ventismo para lá. Qual o site? Vividfaith.com. Podem se conseguirem pôr, é fantástico. Temos todas as chamadas mundiais. Tanto chamadas para a Europa, como chamadas para os Estados Unidos, como chamadas para sítios onde efetivamente há necessidade. Nós vimos necessidade no Egito. O Egito é um sítio super necessário. E por causa disso, havia esta questão de conseguirmos voltar noutra capacidade. Uma das coisas que senti muito na missão foi incapacidade.
Não ter a possibilidade de fazer mais. E era isso que te fazia chorar no Palau? A incapacidade? No Palau não tanto, mas no Egito sim. No Egito foi quando não estamos em alguma posição em que podemos fazer se calhar a diferença que queres fazer, de alterar aquilo que queres alterar. E isso só conseguimos através de estudos, de efetivamente seres alguém que pode fazer mudança nesse sentido. Apesar de nós termos feito mudanças fantásticas nos jovens e as interações, esta questão da vivência uns com os outros, Nós mudamos pessoas, mas nós queríamos estar mais completos. E foi por isso que estudámos durante três anos. Eu termino o meu curso de Eulogia e nem termino o mestrado, ou seja, havia a possibilidade de eu terminar o mestrado fisicamente em Espanha ou fazer um mestrado online.
E nós terminamos a minha licenciatura, a minha mulher já tinha feito um mestrado também, e ela faz na parte de Educação, eu faço na parte de Eulogia, para quando voltamos para a missão, voltamos de uma forma mais completa. Voltamos para missionários Falando do Camboja, temos aqui um último vídeo que eu gostava de partilhar contigo, de alguém também que marcaste na tua ida ao Camboja. Olá a todos, meu nome é Vishenang. Sou do Camboja. Hoje tenho algo especial para lhes compartilhar. Primeiramente, gostaria de apresentar um homem. O nome dele é Thiago Abino. Ele é de Portugal. Por que falo sobre ele? Porque ele é um missionário, que veio servir a Deus na província de Battambang, além da visão da ESC de Camboja.
E é por isso que eu quero falar sobre sua missão aqui. Além da visão da ESC, ele é um excelente treinador no clube de treinamento. Especialmente em treinamento físico e martial. Ele também foi um colega maravilhoso para mim, querido. Além disso, ele é o líder do grupo de jovens do clube Puck Finder na igreja Advantage na cidade de Batamboa. Ele compartilha suas memórias vivas neste lugar. Até hoje, estudantes que se amam com ele ainda se lembram do que ele ensinou a eles.
Dizem que gostam de cada temporada de treinamento com ele. Envelopando este guiante, David, este é o meu mensagem curto sobre ele. Ele me trouxe muito bom. E para o Youth Club. Treinando jovens e ensinando-os algo novo. Eu o abraço sexualmente do meu coração. E eu espero que Deus continue a abençoá-los. E eu espero que Deus te guie para fazer o grande clube e o grande líder para gerir todos os jovens para Deus.
E, no fundo, é isso que também estás a fazer agora, não é? Ou seja, estiveste no Camboja, agora és pastor, contra todas as probabilidades. A verdade é que és um pastor missionário, estás também num lugar, perdoem-me por dizer isto, mas é remoto, estás em Porto Santo e na Madeira, mas, apesar, enfim, não quero ofender ninguém, mas não deixa de ser um lugar um bocadinho mais distante dos centros urbanos aqui da Europa. E que desafios é que tu enfrentas lá, atualmente, enquanto pastor? Olha, é o que disseste, eu nunca pensei em ser pastor, por isso nunca tinha pensado muito tempo nos desafios do que é que ser pastor de uma igreja traria. Apesar de eu ter tido essa experiência, vamos dizer, de pregar, de ser ancião de igreja, eu fui ancião e o braço direito do pastor no Egito, por assim dizer, mas nunca tinha tido esta questão de estar encarregue de igrejas.
As igrejas são pessoas. E os desafios, seja na Madeira, seja no Porto Santo, seja no continente, seja no Camboja, ou no Palau, ou em qualquer parte do mundo, vão existir. O interessante é que os desafios que eu hoje olho para trás e vejo do Cambodge ou do Palau, se calhar são os mesmos desafios que eu enfrento hoje na Madeira e no Porto Santo, são desafios relacionais e são desafios principalmente da relação de pessoas com Deus. Não é fácil. Não é fácil sermos cristãos, se fosse fácil. Jesus, ao falar do caminho, não dizia que o caminho estreito é aquele que leva à salvação. Então, por causa destas dificuldades, eu acho que também elas existem para nos aperfeiçoar.
Se fosse muito fácil, nós mantínhamos como éramos. Então, hoje, as dificuldades são sempre as mesmas. É de conseguir levar outros a Cristo. E nós sabemos que existe um inimigo que não quer fazer isso. E já que falamos de Tiago Albino enquanto pastor, o último vídeo que nós temos para mostrar é precisamente das tuas ovelhas. Obrigado, pastor Albino, pelo seu empenho. Atrás da Igreja do Cristo! É uma das tuas igrejas. Caniço fica na Madeira, a outra fica no Porto Santo. Tiago, depois destas duas viagens que nos levaste, terminamos no Caniço, começamos se calhar no Bairro Alto, ou ainda é no Caniço, ou na Base da Ota, fomos às Caldeiras da Rainha, enfim, passamos pelo Palau, pelo Egito, pelo Camboja.
Depois de teres tanto mundo, usando esta expressão com apenas 40 anos, o que é que tu encontraste em comum em todos os lugares por onde tu foste? Olha, Ezequiel, somos todos seres humanos destituídos da glória de Deus. Precisamos muito da ajuda dele para nos relacionarmos bem. Seja aqui, seja do outro lado do mundo. Eu acho que esta questão de nós de ter havido uma quebra. E é interessante que, até na semana de oração que estou a fazer agora na Igreja da Alegria, estamos a falar sobre isso, da quebra da aliança. E a partir daí, a partir de haver uma quebra com Deus, nós vamos ter dificuldades.
Se nós pensarmos até na história bíblica, os primeiros irmãos um matou o outro. Quanto mais nós não vamos ter estas dificuldades aqui, Às vezes podemos pensar que aqui é melhor, aqui é pior, este não se melhora ou este não se piora. Acho que de tudo o que eu passei, o que descobri foi que somos todos seres humanos e que somos todos pecadores. E que precisamos todos deste grande Deus. E só com Ele somos transformados. Se algum dia alguém quiser escrever um livro sobre a tua vida ou até fazer um filme, tu gostas de filmes, aliás, já fizeste. Que título é que tu gostavas que tivesse, esse livro ou filme? Um título? Não, não te consigo, se calhar, dizer um título.
Acho que teria de ser a pessoa que eu poderia escolher. Mas... Sabes que... Eu poderia dizer... Nas palavras de Salomão, tudo é vão, tudo é fumo. Existe uma coisa que não é, e essa é o Deus Eterno. Mas de tudo o que eu aprendi, de tudo o que eu passei, é incrível como a conclusão era tão simples, apesar de eu ter de passar por isto tudo. E ainda hoje. As pessoas não pensam agora que é fantástico. O pastor Adventista é fantástico, perfeito. Não, nunca. E é isso. Nós só somos perfeitos por causa daquele que nos criou. E esse é o nosso bondoso Deus, que um dia amou de tal maneira ao mundo que deu o seu filho.
E é tão fantástica essa parte. Por isso o título devia ser Deus Transforma ou Tudo é Vão, Só Ele é que é Verdade. Todas estas questões que marcam no fundo a tua vida. Uma vida com tantas coisas em vão, mas que Deus conseguiu transformar. E recordo muito a frase que a tua mãe disse. Ela disse, eu tenho muito orgulho no filho em que tu te tornaste ou que tu te transformaste. E marcou muito o facto da tua mãe ter tido isso. Tiago, muito obrigado por teres estado aqui connosco e por teres partilhado e inspirado tantas pessoas com a tua vida. Obrigado. Obrigado.
Há histórias que mostram, de forma profunda, que Deus nunca desiste de chamar pelo nosso nome. Neste episódio de Olhos nos Olhos, conhecemos a história de vida de Tiago Albino, uma vida marcada por sonhos, quedas, escolhas difíceis, vícios, recomeços e reencontros inesperados com Deus.