Fernando Ferreira

Fernando Ferreira

24 de Abril de 202656 min 39 s

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Seja bem-vindo a mais uma edição do Olhos nos Olhos aqui na TV Novo Tempo. Hoje temos connosco um homem cuja vida poderia ser contada em capítulos muito diferentes, mas todos unidos por uma mesma linha condutora, um profundo amor pela Palavra de Deus. Fernando António dos Santos Ferreira nasceu em Gulpilhares, Vila Nova de Gaia, em 1950. Filho mais velho de seis irmãos, cedo aprendeu o valor do trabalho. Ainda criança, já sonhava em pregar, imaginando que alguém poderia passar na rua e ouvir a mensagem que ele lia em voz alta da lição da Escola Sabatina. A vida a levou por caminhos muito variados, passou pela tropa em Angola, viveu o ambiente intenso dos anos da Revolução em Portugal, trabalhou em profissões técnicas e quase por acaso iniciou uma jornada que marcaria décadas da sua vida, a culportagem, levando livros e esperança a milhares de pessoas.

Foi músico, maestro de coros, ancião de igreja durante muitos anos, diretor do departamento das publicações da União Portuguesa dos Adventistas, sétimo dia, e mais tarde ministro do culto em diversas comunidades. Ao longo deste percurso deixou livros, estudos bíblicos, amizades e histórias espalhadas por muitos lugares. Mas a sua vida também conheceu momentos difíceis. Depois de 40 anos de casamento, acompanhou a doença da sua esposa até à despedida final, uma experiência que o marcou profundamente a si e à sua caminhada espiritual. Hoje continua ativo, continua a estudar, a escrever, a servir. A sua biblioteca ocupa paredes inteiras da casa e ele próprio diz que o seu verdadeiro tesouro são os livros, especialmente a Bíblia.

Infância e memórias de família

Fernando Ferreira, muito bem-vindo. Muito obrigado. Trouxe o seu maior tesouro para o programa de hoje. É verdade, trouxe a minha bíblia. Porquê que trouxe? Há alguns programas que pedimos a alguns convidados que tragam alguma coisa, no caso do Fernando não fizemos, mas ainda assim o Fernando trouxe e deixou a bíblia aqui ao seu lado. É porque a história da sua vida não pode ser contada sem olharmos para este livro. faz parte da história e, além disso, nós nunca podemos estar desprevenidos. Se é preciso ler um texto bíblico, a Bíblia está ao lado, não é? O Fernando já disse que nasceu em 1950, por isso é fácil fazermos as contas, tem atualmente 76 anos, ou 75, não é? 75. Olhando para esta história de vida, acredita que as diversas experiências que viveu ao longo da sua vida podem inspirar alguém que vá ver este programa?

Eu penso que, particularmente, quando nós olhamos para trás, e quando temos tantos anos para olhar para trás, podemos ver como é que Deus tem conduzido as coisas. e tem conduzido de uma forma maravilhosa, de uma forma muito interessante, porque muito variada. Há pessoas que fazem a mesma coisa ao longo da vida e às vezes saturam-se. Eu fui, não por iniciativa própria, mas por convite, convite da igreja, diversos convites. Eu acabei por ter diversas fases do meu ministério, em diversas áreas, e, portanto, percebendo que Deus tem dirigido as coisas da maneira que melhor lhe agrada. Uma vida que, no fundo, podemos dizer que são várias vidas das diversas valências que o Fernando viveu. Mas, se calhar, vamos então começar pelo início.

Tenho aqui uma foto que eu podia, que o Fernando pudesse comentar, que é, acredito eu, uma das primeiras fotos que tiraram ao Fernando. Que foto é esta, Fernando? Pode-nos ajudar. Esta é uma fotografia onde, é claro, que ele tinha cerca de 13 anos. Eu dizia que era uma das primeiras, mas ainda temos uma ou outra, mas já lá vamos, sim. Portanto, eu tinha 13 anos, tem o meu irmão mais novo, depois nasceu uma outra irmã, que era o Carlos, portanto, eu tinha 13, ele tinha 13 anos, porque ele é mais novo de 10 anos que eu. E, portanto, já era uma família novrosa, como se vê, uma família Ficou uma orientação muito especial.

O meu pai era um homem de trabalho. Ele trabalhou na Constituição Civil, depois trabalhou por conta própria, portanto tinha empregados, etc. Mas era uma pessoa que tinha uma orientação muito especial e isso via-se na forma como se apresentavam. Naquela época, estávamos aqui em 1963, nem todas as pessoas que trabalhavam nestas áreas tinham aquela forma de estar, de ter a família orientada, unida, e era muito interessante a forma como realmente fomos vendo, porque realmente havia uma filosofia cristal por trás da nossa forma de viver. Temos ainda mais duas fotos que eu gostaria de comentar-se, também mais ou menos dessa altura, que acredito que podemos vê-las. Esta aqui... Esta aqui é de 1961, é o ano em que eu me batizei.

foi um grupo grande, mas normalmente o pastor que estava na igreja era o pastor Elisão Miranda. e ele tinha grupos de 12, 18, eram assim, grupos muito grandes. Foi uma altura em que ele teve um crescimento incrível. Portanto, eu tinha 11. A igreja de Canelas, à qual eu pertencia, inaugurou depois um segundo templo em 1964, portanto, quatro anos depois disto, três anos depois disto. E, portanto, era uma igreja de franco crescimento. Portanto, esta é uma fotografia do meu batismo. Temos ainda uma outra final nesta sequência de três fotos que eu gostaria que pudéssemos ver. Esta aqui... consegue nos ajudar? Esta aqui é uma fotografia que me parece que foi... já tem ali netos, já estava casado, a minha filha mais velha está no colo da minha irmã, portanto já eu tinha 20, devia ter perto de 30 anos.

Primeiros passos na fé

Mas então, Fernando, ajude-me aqui a perceber. O Fernando Podemos dizer que nasceu com uma propensão especial para a espiritualidade. Porquê que eu digo isto? Porque batizou-se muito cedo, se calhar numa altura em que era raro haver batismos de adolescentes. Quantos anos tinha? Faltava três dias para fazer 11 anos. Então tinha 10 anos. Mas foi uma iniciativa própria. Sim, eu falei com o meu pai, disse eu quero me batizar. E ele falou com o pastor e eu acabei por me batizar nessa altura. E sentia realmente uma atração particular pelas coisas espirituais. E diversas vezes, como na música. Uma ocasião fui ter com o meu pai e queria tocar. Eu devia ter aí, eu imagino, uns quatro anos. máximo cinco, queria tocar piano.

Então ele foi falar com a esposa do pastor se eu podia. Nunca era piano, era um órgão, era um hormônio daqueles que funcionava com o fole, os pés acionavam o fole e produzia o som. E eu lá fui experimentar aquele órgão e tinha a potência para isso. Nós em casa, eu e o meu irmão, ponhamos as molas da roupa em cima da mesa da cozinha e começávamos a tocar órgão. em cima da mesa da cozinha. Portanto, havia essa orientação, fazia parte da nossa cultura espiritual. Disse-nos que o seu pai era um empresário da construção civil. Quem foi a primeira pessoa que conheceu, no fundo, o Evangelho na sua família? Foi o meu pai mesmo. Foi o meu pai e depois ele começou a dar conhecimento aos irmãos. Temos uma família muito grande, nós reunimos em 2006 com toda a família e nós fizemos um coro com mais de 80 elementos, tudo elementos da família.

E foi o meu pai que começou esse trabalho. Depois os meus tios, os meus primos, fomos casando e tal. Então, no fundo, o pioneiro foi ele. O pioneiro foi o meu pai, sim. E em que ano é que ele o conheceu? Justamente antes... Naquela altura em que eu nasci. Eu nasci em 50 e ele em 49 já frequentava a igreja. Ok. Então o Fernando nem sequer tem memórias porque a sua vida foi sempre integralmente... Sempre na igreja. ... no ambiente de igreja. Sim, sim, sim. E tenho memórias muito, muito, muito claras. Quando eu tinha os meus 13 anos, na igreja, por aí fora, eu tenho essas ideias, essas ideias muito claras. E voltando então a esta questão do... uma criança com 10 anos. Uma criança com 10 anos hoje em dia não é o mesmo que uma criança com 10 anos em 1960. Que tipo de influências é que recebia para com 10 anos dizer, não, eu quero ser batizado. Uma coisa de adultos.

Eu tinha essa sensibilidade. Há bocadinho na introdução falou num episódio interessante e aí eu devia ter menos, eu devia ter os meus 8, 9 anos e eu estava no quarto da frente, era o quarto onde a minha mãe... o quarto de casal, onde a minha mãe ficava, e eu estava a ler o trimensário da Escola Sabatina, e como disse há bocadinho, eu lia em voz alta, porque eu pensava, se alguém passar na rua, pode ser que ouça eu a pregar e que seja uma mensagem boa para ela. Portanto, eu tinha oito, nove anos. mas na verdade sempre tive essa propensão. Até mesmo o meu pai, que era um pregador, ele estava a pregar e eu ficava preocupado se ele estaria a falar coisas que as pessoas compreendessem, sobretudo as pessoas que vinham de fora. Eu tinha sempre essa ideia. Ele estava a pregar, era um ancião da igreja, ele teria uns 30 e poucos anos, e eu estava a pensar, será que as pessoas percebem o que ele está a dizer?

Eu tinha sempre essa necessidade de compreender e explicar, era uma coisa que estava... E fazer correções às pregações do seu pai no final e até com ele dizer que foi assim. Isso não fazia, mas tinha sempre essa preocupação. Recordo-me da prisão. Será que as pessoas, as visitas que estão aqui estão a compreender o que ele está a dizer? Tinha essa preocupação. E com esta visão privilegiada que tem dos últimos 70 anos, mais ou menos, é diferente falar para as pessoas hoje em dia do que era nesta altura, nos anos 70? Sim, eu acho que a exigência é diferente, as pessoas também tinham necessidades muito diferentes, hoje as pessoas parecem que não têm necessidades, têm, mas têm às vezes a percepção que não as têm. Naquela altura as pessoas eram muito mais receptivas, a nossa cultura assimilava muito mais facilmente as coisas do Evangelho que a cultura que temos na sociedade atual, como é lógico.

E a primeira apreciação que fez, recorda-se? É verdade. Tivemos um pastor que passou pela Igreja de Canelas, pastor Eugênio Rodrigues. Sei que ele faleceu há pouco tempo. Ele era de Espanha, mas fez aqui o ministério durante alguns anos. E ele fazia formação para os jovens adolescentes. eu devia ter os 13, 14 anos, e ele fez uma formação e então aos domingos, tínhamos reuniões ao domingo à noite, ele fazia equipas. Uma pessoa mais velha e dois adolescentes. Então, nós fazíamos uma parte, que ele nos orientava a preparar, eram uns 15 minutos, depois o adulto fazia, digamos, o corpo central, o outro fazia a parte final. E, portanto, nós tínhamos essa percepção.

Recordo-me que essa primeira pregação que eu fiz, cheguei ao fim e não sabia como concluir. E o pastor estava ao fundo da igreja. E eu terminei o meu discurso e disse o que eu tinha para dizer, já disse. E o que eu disse é o que eu tinha para dizer. O pastor ao fundo da igreja ria-se. Eu fiquei lá realmente sentado, assim, um bocado envergonhado. Mas foi interessante. Foi essa a primeira ocasião que tive para falar assim, para o público.

Liderança e influências

E sempre teve muito esta propensão para a liderança? Porque foi ancião também muito cedo a conquistar? Sim, a partir dos 27, 28 anos fui nomeado ancião. Fazia sentido para si ser ancião tão cedo? Eu recordo-me que na altura houve alguns irmãos, mais velhos, que acharam que era demasiado cedo. De qualquer forma, nessa altura também já trabalhava no departamento das publicações, portanto havia uma experiência de comunicação também própria do trabalho. E acertei com normalidade e responsabilidade, mas foi por essa altura que iniciei o meu ministério com mansião. E olhando para trás, quais foram aquelas pessoas que o marcaram no seu ministério, mais neste início da sua vida?

luta, adolescência, etc. Quem é que recorda que o influenciou? Quem ainda hoje pensa muitas vezes nessas pessoas? Hoje, eu ainda hoje pensava, e penso frequentemente, há um dos nossos irmãos, pastores, que passou por aqui, que eu vejo muito como um grande professor, o pastor Isaguiel Quintino. Eu assisti, porque ele fazia diversos seminários, um seminário sobre Daniel. Ele fez um seminário muito detalhado, depois ele fazia recortes e fotocópias e dava-nos muita coisa. Eu gostava muito da forma dele apresentar e guardei todo o material. Aliás, eu tenho esse defeito. Todos os papéis estão guardados, todos os documentos estão guardados. E então, ao passar de uns anos, fui pegar naquele dossiê que ele tinha apresentado e comecei a estudar, comecei a aprofundar e acabei por também me interessar muito por esses assuntos.

Portanto, nessa área foi o Pastor Ezequiel. nas outras, tive o pastor Eges Barria, o pastor, o que me batizou, o pastor Eliseu Miranda, que era um homem extremamente simpático, não era um homem que tinha o dom da pregação, ele às vezes até pregar transpirava, era uma característica dele, mas era um homem que ele batizou como nunca vi batizar. Aquilo como há bocadinho, nós estávamos, sequer éramos 10 ou 11 quando nos batizamos, mas ele tinha grupos de 18 e mais, aquilo era uma coisa incrível, foi uma altura de crescimento da igreja e esse pastor também marcava pela sua maneira gentil, muito afável, chamava-lhe o santinho, porque ele, todas as pessoas, ó o santinho, ó os irmãos, chamava-lhe os santinhos. e depois acabou por ficar com esse apelido.

Chamava-me de Santinho, era um homem também muito simpático. Mas, na verdade, na minha juventude já adulta, foi o Pastor Ezequiel. Foi uma altura em que eu estava muito receptivo, ele e a Irmã Natividade faziam muitas formações na área da saúde, na área das profecias, e depois ele gostava muito dos recortes, dessas coisas, e eu gostava muito também. E habituei-me a aprofundar essas questões. E quem, olha, enfim, que nós estamos aqui a apresentar, vê o trajeto de infância do Juventude do Fernando Ferreira, parece que nunca teve nenhuma crise de fé nem

A experiência da tropa

de identidade, parece que foi um percurso todo muito linear até que chega à tropa. Foi mais ou menos assim? Absolutamente, foi assim. Não, a minha grande dedicação era realmente a igreja. Na música, durante a adolescência, a juventude, nós tínhamos um quarteto, que era um quarteto misto, sempre tivemos. Éramos quatro, nós ensaiávamos, nós preparávamos, cantávamos muitas vezes. depois o coro, o coro também fazia parte logo desde a adolescência e, portanto, estivemos muito ali. Eu nunca tive aquela fase de desvio. Na verdade, o Serviço Militar foi uma surpresa. Foi uma surpresa e foi uma experiência muito marcante, porque eu que estava habituado à igreja, ao trabalho, à família, agora entro num mundo, como se pode imaginar, totalmente diferente e muito exigente.

E foi uma experiência de fé. Como acontece? Quantos anos tinha? Tinha 20 anos. Ou seja, já estaria a trabalhar? Sim, sim, estava. Depois deixei o meu trabalho. Ou seja, estamos nos anos 70 em que todos os jovens, a partir de que idade? Era obrigatório. A partir dos 18? Tínhamos que fazer, digamos, inspeção, etc. antes, mas a entrada era normalmente nos 20 anos. E a partir do serviço militar é chamado para a guerra, literalmente. Exatamente. Eu quando fui para o serviço militar, e aliás a igreja tinha essa preocupação, para dar-nos algumas formações que pudessem ser úteis para condicionar a nossa orientação ali dentro. Eu fui fazer apresentar à Cruz Vermelha, eu e diversos jovens da Zona do Porto, Fizemos na Cruz Vermelha Portuguesa, lá no Norte, um curso de primeiros-decorres.

A ideia era que nós, ao entrarmos no Serviço Militar, pudéssemos entrar pela área de saúde. Eu também tocava piano, então também dei essas informações. O que é que eles me fizeram? Acabaram-me por como clarim. A minha especialidade era clarim. Nós temos uma foto desse período. Ah! Que foto é esta, Fernanda? Ajuda-me. Eu estava na Polícia Militar e estávamos ali na parada de manhã. Eu estava aqui na frente porque eu era o chefe da equipa dos Clarins e então nós tocavamos Tocávamos, portanto, a continência, a bandeira, etc, etc, e fazíamos este trabalho. Este era um trabalho muito interessante, porque eu, como disse, que tocava, portanto, que tinha algumas noções de música, e eles puseram-me na área da música.

E foi muito interessante, porque eu podia, ainda assim, ir para uma companhia militar que fosse para o interior, para a guerra, mas eu sempre orava ao Senhor. que ele me orientasse para que a especialidade, para que onde eu estivesse pudesse fazer a sua vontade. E então ele permitiu que eu fosse clarinho e que estivesse numa companhia da Polícia Militar que nunca saía da cidade. Estive sempre em Luanda. Depois de chegar a Luanda, eu mal cheguei lá, na primeira semana, fui falar com o comandante, com o segundo comandante, e disse-lhe que era adventista, e que normalmente no sábado ia à igreja, etc, e que gostaria, dali se pudesse, a igreja era perto, a igreja de Luanda, e era um alférez, ele foi falar com o capitão, que era o comandante da companhia, uma pessoa muito dura, muito severa, mas ele apresentou-lhe o meu caso e ele aceitou.

Aceitou passar-me uma dispensa para cada sábado. Houve uma ocasião que todas as unidades de Luanda estavam encerradas porque estava tudo em prevenção. Mas eu entreguei mesmo a minha dispensa na sexta-feira e no sábado eu saí do meu quartel e fui para a igreja. E fui apanhado por uma patrulha da Polícia Militar, do meu quartel mesmo. Aliás, os meus pés ficaram muito, muito aborrecidos com a pessoa que fez, porque estavam a abordar uma pessoa do mesmo quartel. Porque ele pensava que eu não tinha licença. E eu tinha a licença. Apesar de estar tudo de prevenção, eu tinha a licença e podia ir à igreja. Foi realmente emocionante. E sentiu a mão de Deus nesse episódio? Porque estamos a falar, hoje em dia, os jovens, e eu também, a gente olha para a guerra pela televisão e parece-nos que é uma coisa completamente, enfim, de outro planeta.

Não temos o que é noção. Mas a vossa geração teve noção do que era ir para a guerra. Claro, que eu estava numa companhia que nós estávamos envolvidos na guerra. Esse era o meu pedido a Deus. Mas pronto, os efeitos estavam no local de guerra, não é? Exatamente. Houve uma ocasião, inclusive, em que nós estávamos a fazer um ano da companhia. E o aniversário calhava num sábado. Então eles estavam a preparar para fazer uma grande festa no sábado. E eu fazia fotografias na companhia, eu era fotógrafo também. E eles estavam a contar que eu fosse fotografar. Eu orei a Deus aqueles dias para que para que me ajudasse a resolver o problema. Eu estava no gabinete do comandante, que eu trabalhava lá, e a meio da semana, na quinta-feira, o Alferes, o segundo comandante, fala para o comandante, meu comandante, nós não podemos fazer a festa no sábado porque o homem da lagosta não vem entregar as lagostas.

E a festa passou para o domingo. Foi uma coisa incrível. Eu trabalhava com fotografia, ganhava dinheiro nas fotografias. Ganhei algum dinheiro. Quando havia festas, só a gente queria fazer fotografias. Quando nós fazíamos desfiles da Polícia Militar na rua, eu ia acompanhar a Polícia Militar e fazia fotografias toda a gente. Eu fazia uma fotografia que lhe vendia 30 ou 40, porque a gente queria ficar com a fotografia. Mas, na verdade, nesse sábado foi uma coisa incrível. Para mim foi uma grande experiência o Serviço Militar. É que naquela altura eu estava preocupadíssimo com o sábado. Era um aniversário, não havia nada para adiar um aniversário. E o homem da lagosta não entrega às lagostas no sábado e a festa foi adiada para o domingo. Eu, oh meu Deus, estava de costas para o comandante e disse, oh meu Deus, obrigado, foi uma coisa incrível, foi uma experiência, para mim hoje era uma experiência marcante.

Como é que Deus pode ajudar a resolver um problema que nós não temos hipótese nenhuma para resolver? O que é que teria acontecido se fosse um sábado? O que é que teria acontecido ao Fernando, recusando-se? Eu teria que falar com o comandante. Aconteceu-me outra vez isso, porque era um desfile e era um sábado. E eu fui falar com o comandante, o meu capitão, sabe que eu não usava, costumo ir à igreja, etc. Mas havia lá um outro rapaz, que ele tinha feito a especialidade mesmo de fotografia. E eu pedi-lhe, ele disse, eu falo com o Miranda, o Miranda faz as fotografias, então pronto, vá lá. Só que o indivíduo, eu emprestei-lhe a máquina, porque a máquina era minha, era uma máquina de serviço. Ele foi fazer as fotografias e, no meio do desfile, lembra-se de abrir a máquina. Estragou as fotografias todas.

Ele entregou-me os rolos, eu mando revelar as fotografias. Quando eu chego junto para o capitão, meu capitão, as fotografias ficaram estragadas. Devem ter aberto a máquina, nenhuma fotografia se aproveitou. Ele ficou todo zangado. Manda-me chamar esse indivíduo. E lá fui eu chamar o indivíduo. Pronto. Foi lá. Foi lá um pandemónio. Mas, mesmo assim, aí eu consegui. Quer dizer, falei e arranjei uma substituição. Portanto, o rapaz substituía-me. Só que ele, na verdade... E ele é que era o especialista. Ele fazia por conta própria as fotografias. Ele era especialista em fotografia. Mas aquilo não funcionou. Mas, graças a Deus, foi interessante e Deus ajudou. Eu, quando fui para o serviço militar, sentia-me uma criança. Quando eu saí de lá senti-me um homem. A verdade é essa.

Foi uma experiência muito interessante. Há um pormenor que eu me recordo, na altura, até já nem me lembrava desse detalhe, que na companhia nós tínhamos, como é lógico, um armazém, era uma arrecadação de material de guerra. E eu estava muito bem com o indivíduo que era o chefe daquela secção. E então, nós falávamos sobre a Bíblia, etc. E nós começámos a fazer estudos bíblicos na arrecadação de material de guerra. A igreja emprestou-me uma máquina de projetar slides, aquelas antigas. Deram-me slides e eu fazia... Tinha lá quatro ou cinco soldados e nós juntávamos. Aqueles soldados começaram a ir à igreja, começaram a ir à igreja ao sábado. Foi muito interessante. Mesmo lá no quartel, Era possível estudar a Bíblia.

A igreja apoiou-me nesse sentido, porque tinham lá os slides, essas coisas que eu não tinha comigo. E também, quer dizer, mesmo naquele ambiente era possível realmente nós conseguirmos viver e ser orientados por Deus também e ajudar alguém. Às vezes ainda penso nesta semana ou refleto sobre isso, porque já nem me lembrava disso, não é? Eu fiquei a pensar o que é que será desses homens, os homens, que eram rapazes muito interessados. Houve um que ainda foi lá acima, ao norte, para estar comigo e tal. Mas pronto, mas ficou uma semente que eu não sei. Mas muito interessados no estudo. E a esta distância disse que entrou no serviço militar um menino, saiu de lá um homem. Que lições espirituais é que retira? desse período, que presumo que terão sido dois, três anos, não sei ao certo, que agora olha para trás e vê claramente que se hoje o Fernando Ferreira que está aqui, é o Fernando Ferreira que está aqui e tem a ver também com esse período que vive hoje.

Sim, esse período obrigou-me a depender de Deus. Quando nós estamos em casa, no trabalho e na igreja, nós temos todo o ambiente favorável, ali não. Ali nós tínhamos um ambiente hostil, não, porque aqui era muito respeitado. Por acaso tínhamos lá um outro jovem de uma outra denominação que ele não era respeitado. Percebo que ele era quase que ridiculizado. Porquê que acham que o respeitavam mais assim? Que tipo de postura é que tinha que fazia com que um adventista do sétimo dia, acredito eu, não fosse fácil de ser respeitado no mundo militar? Mas ainda assim era respeitado, porquê? Eu penso que se calhar era uma questão de postura, não faço ideia. Sei que a forma como ele lidava, como ele resolvia, as pessoas respeitavam-me bastante.

Aliás, o próprio comandante. o próprio comandante para ele. Ele podia dizer que este indivíduo quer ir à igreja ao sábado. Nós estávamos na guerra, não há sábado para ninguém. Mas, como eu digo, ia à igreja, participava na igreja, participava no coro da igreja, eu tocava acórdion e acompanhava as crianças do Ministério da Criança. Eu ia lá, tocava para eles, já tinha lá uma secção onde eu tocava os hinos para as crianças. E, portanto, isto realmente ajuda-nos a perceber e ajuda-me a perceber como nós dependemos de Deus, porque quando tudo é fácil, É diferente, mas quando as coisas têm problemas para ser ultrapassados e que às vezes são complexos, nós aí temos que perceber. E essa experiência que eu contei do sábado, para mim é uma das incríveis.

É uma daquelas experiências incríveis. Como é que o senhor da lagosta ia falhar naquele sábado, não podia entregar lagostas. A festa passa para o domingo. E eu fiquei descansado, pude fazer o meu negócio e não percebi que estava preocupado com a questão do sábado. Fernando, vamos por um curto intervalo.

O ministério da colportagem

Voltamos para a segunda parte, onde estamos olhos nos olhos com o Fernando Ferreira, para conhecer um pouco da sua vida e da sua história. Daqui a pouco, para aqueles que nunca ouviram falar nesta palavra, vamos falar sobre colportagem. TV Novo Tempo, o canal da família, o canal da esperança. Segunda parte do programa Olhos nos Olhos, aqui na TV Novo Tempo. Estamos com o Fernando Ferreira a falar um pouco sobre o trajeto que viveu em Angola, regressa a Portugal logo depois do 25 de Abril e depois chega a Portugal depois de todas essas experiências e o que é que acontece na sua vida? Eu cheguei e ainda fui fazer uma formação a nível profissional e terminei e um dia estava no Porto.

Fui dar um passeio em fevereiro de 1974. 75. Já depois do 25 de abril, quando regressam. 75, exatamente. E encontrei-me com um irmão, muito bem conhecido lá na Zona Norte, o irmão Abel Mota. Me encontrou-me no Porto e perguntou-me o que eu estava a fazer. Disseram-lhe, acabei agora o meu curso, estou à espera de colocação, etc. Ele disseram, amanhã venha comigo. E no dia seguinte eu fui até à casa dele. E então, ele trabalhava no Porto e não sabia o que ele fazia propriamente. Ele era cooperador evangelista. Portanto, ele divulgava a nossa literatura. O que é então ser cooperador evangelista para quem nos vê e nunca ouviu sequer falar nesta palavra? A palavra colporteur vem de uma palavra francesa que é colporteur, que é cortar o pescoço.

Porque antigamente os colporteuros levavam uma sacola ao pescoço e levavam os seus livros, as suas revistas, etc. Entre nós é aquele que divulga a literatura, que transporta a literatura e a divulga. E, portanto, eu fui trabalhar com ele. Trabalhámos ali um dia. Fiquei cansado. Era uma coisa que não estava muito habituado. Porque, no fundo, é andar a pé o dia todo, carregando muitas coisas, muitos livros, e vender os livros às pessoas. Apresentá-los. Tínhamos a revista Soli lá, na altura. E o irmão Abel Mota disse para eu... Fui no dia seguinte, fui depois um outro, que ele continuou a insistir para que eu fosse. E recorda-me que nós andamos na pasta de um João I no Porto. Havia ali um banco. que era o Banco Pinto Ceuta Maior, e ele conseguiu a autorização para nós visitarmos os diferentes pisos do banco a falar de secretária e secretária com todos os empregados bancários.

Hoje é impossível. Mas na altura nós falávamos, apresentávamos livros de secretária e secretária e era uma altura muito interessante. porque as pessoas estavam muito motivadas para a leitura, compravam com muita facilidade. Então literatura sobre saúde e não só, educação, a literatura que nós tínhamos era muito bem recebida. E então o irmão Abel Mota convidou-me, passado umas semanas ele falou com o diretor das publicações e ele foi-me iniciar no Porto. e eu comecei a trabalhar, portanto, ainda no mês de Março, Abril, já estava ali, recordo-me que em Abril já fui à Amadora assistir a uma convenção de comportadores nacional. Que tipo de experiências é que os culportores vivem que lhes permite, enfim, desenvolver outras capacidades e que o homem comum, digamos assim, não sabe o que é isto.

Bater de porta em porta para vender livros deve ser uma profissão difícil, às vezes até violenta, mas a verdade é que o Fernando sempre gostou disso porque houve uma altura até que deixou de dizer ser culportor e depois pediu para voltar e continua a trabalhar como culportor. Era um trabalho muito interessante e aliciante. Porque, na verdade, nós saímos de manhã... Aliás, o Abel Mota dizia, os colportores são como os passarinhos. quando acordam sabem que têm comida, só que têm que procurar, não sabem onde é que ela está. E então nós falávamos efetivamente com as pessoas, tínhamos de falar com todas as pessoas, nós para estar num banco tínhamos de falar com pessoas de diversos níveis culturais, nós para falar na rua tínhamos outras pessoas. Nós recordo-me que numa ocasião, já numa outra situação, na avenida Fernando Magalhães, no Porto, entrámos numa casa que nós não tínhamos noção de que era, e depois percebemos que era uma casa onde havia prostituição, etc.

Nós entrámos, nós falámos com a senhora que era responsável pelo estabelecimento, apresentámos os livros, a ela gostou muito, e eu estava... nós estávamos a acabar a apresentação sobre um livro de saúde e aparece uma criança dos oito, nove anos, que era filho dessa senhora, a perguntar se nós tínhamos bíblias. Eu fiquei muito surpreendido com aquilo, uma criança num ambiente da criança a pedir uma bíblia. Aqui por acaso não temos, mas amanhã podemos trazer uma bíblia. Eu apresentei-lhe o grande conflito e numa casa deste estilo ficou um livro, o Assunto dos Alimentos do Dr. Ernesto Schneider, que falou o grande conflito de Lenowaitis com uma bíblia. Portanto, quer dizer que nós tínhamos que estar preparados para falar com todas as pessoas e responder a todas as circunstâncias. Isso, na verdade, desenvolve em nós uma capacidade de comunicação muito grande e também um conhecimento muito grande da literatura que levamos, que, efetivamente, nós ajudámos os outros, mas somos muito ajudados também por esse Ministério.

E o que é que significa para o Fernando o contacto direto com as pessoas? Gosta muito de contactar com pessoas diferentes, que não conhece, que nunca viu. É uma pessoa muito ligada às pessoas. Eu tive uma altura, como o referiu, que eu voltei. Eu estive no departamento dez anos e depois pedi para voltar. Ou seja, esteve na liderança de todos os co-portores do país. A nível nacional, durante dez anos. E depois saiu e resolve voltar a trabalhar de porta em porta. Já tinha feito dois quinquénios e eu disse agora eu quero voltar a trabalhar. E fui trabalhar. e estive mais 10 anos ali, portanto tive mais 2 quinquénios na comportagem e estive na zona de Famalicão e Santo Tirso. Quando fui convidado para sair de novo para voltar ao departamento Eu tive que me despedir de algumas pessoas, porque eu tinha uma amizade tão grande com elas, que me custou imenso deixar as pessoas que eu conhecia em Famalicão, que eram meus amigos verdadeiramente.

Eu tive que me despedir, não fui capaz de vir embora sem, ou nunca mais aparecer. Criavam-se verdadeiras amizades, verdadeiros relacionamentos, e era realmente um

A família e os filhos

trabalho muito bom. No âmbito da sua vida mais familiar, teve três filhos. Eu creio que podemos mostrar uma fotografia deles, ainda bem pequeninos, dos três meninos juntos. Aí estão eles. Vamos então começar por apresentá-los. Quem é que nós temos aqui? O que está na frente é o Walter. É o mais novo. Esta fotografia foi tirada no jardim zoológico da Maia. A seguir está a Débora. que hoje trabalha aqui na zona de Lisboa, é médica dentista, e a Sara, que é a mais velha. Portanto, são os três filhos. E temos também uma fotografia, precisamente, do casamento da Sara, que acredito que também podemos mostrar agora, que aqui está ela. Ah, aí está. Sim, senhora. Aí já estava também a Débora com o Sérgio, mas ainda eram namorados.

Mas vamos então ver o vídeo que a Débora gravou para o Fernando. Vamos então ver esse vídeo. Olá, papá. Espero que... a entrevista esteja a correr bem. Quero aproveitar esta oportunidade para te dizer que tenho muito orgulho em ti, na pessoa honesta que tu és, o homem que tenta sempre ser fiel aos seus princípios. Quero-te dizer que te considero uma pessoa muito inteligente e cheia de dons, e não só Deus te deu os dons como tu foste capaz de os desenvolver. E mesmo não tido as oportunidades que nós tivemos, conseguiste sempre desenvolver-te imenso e fazer coisas extraordinárias.

Também te quero agradecer porque ao longo do tempo que cuidaste de nós, nunca nada nos faltou de importante, mesmo quando éramos sete em casa, sempre tivemos tudo o que precisamos. E também te quero agradecer pela forma carinhosa e dedicada como cuidaste da mamãe quando ela precisou. Muito obrigada também, porque eu sei que sempre que eu preciso, tu estás lá para me ajudar. Mesmo estando distante, se eu precisar, eu sei que tu vens-me socorrer e por isso agradeço-te muito. Um grande beijinho. Gosto muito de ti. Também gosto. Ela diz aqui coisas muito interessantes. Eu, se calhar, vou começar por algumas coisas que ela vai dizendo. A primeira é que o Fernando não teve as mesmas oportunidades que conseguiu dar aos seus filhos.

Mas isso também nunca o impediu de ser uma pessoa muito ligada ao estudo, ao conhecimento. etc, mesmo sem nunca, por exemplo, ter feito um curso de Biologia, ou pelo menos nos moldes que nós conhecemos, porque é um conhecedor profundo da Bíblia, tentou dar aos seus filhos estas oportunidades que acabou por não ter, como a Débora disse? Quer dizer, eu não via nessa perspectiva. O meu dever era dar o máximo. Dei o máximo. Dei a possibilidade de estudarem até onde quisesse e onde pudesse e realmente sinto-me feliz por isso. Na verdade, não tive a mesma oportunidade. O mundo daquela época era um bocadinho diferente, as exigências eram diferentes, nem os pais pensavam nessa possibilidade. Se tivesse sido diferente, seria, mas eu acho que nós não podemos ficar limitados a isso.

O estudo tem que ser contínuo. Eles fizeram com que o Estilogia talvez tivesse sido muito útil tê-lo feito. Bom, estudaria durante 3 ou 4 anos intensivamente. mas eu tenho a possibilidade de estudar há 70 anos. Eu me recordo da minha mãe me contar uma história da Bíblia. Quando eu era pequeno, eu tinha uns 3, 4 anos, e chovia. O meu pai, nessa altura, não tinha carro, era bicicleta. Ele não podia ir a Canelas, que era longe. E a minha mãe ficou a contar uma história em casa. Recordo-me, no sábado de manhã, estávamos na cama, estava a chover muito, e ela contou uma história de quando Jesus curou aquele homem paralítico que foi descido do teto. Eu recordo-me disto. A minha mãe contou-me isto. A minha mãe não se lembra. Coitada, ela hoje já está com 98 anos quase.

Mas ficou. O seu pai já faleceu, mas a sua mãe é viva. A minha mãe ainda vive. E, portanto, tudo isso é formação. Esse carinho que ela teve. E, portanto, o aproveitamento tem que ser constante. Nós temos que estudar diariamente. E então não podemos estudar três anos, ou quatro, ou doze que sejam. Nós temos que estudar a vida inteira. E, portanto, essa formação contínua... Eu costumo dizer que há pessoas que dizem que são autodidatas. Eu costumo dizer que sou pneumodidata. Um pneumodidata é ensinado pelo espírito. O Espírito Santo ensina-nos, portanto ele promete ensinar-nos. Até porque o autodidata tem muito de si próprio. Eu fui capaz de me formar, mas se nós fomos formados pelo Espírito Santo a coisa é diferente.

O Espírito Santo vai nos dando ferramentas e nós devemos utilizá-las. A Débora diz também algo muito interessante que agradece.

A doença da esposa

É muito interessante tudo o que ela diz porque ela basicamente só agradece. Agradece muito as oportunidades que teve e agradece também o facto de ter cuidado da mãe, no caso da sua primeira esposa, que acabou por falecer, infelizmente. uma doença que atinge muitas pessoas. No entanto, até aqui, aquilo que o Fernando fez foi simplesmente largar o trabalho que tinha na altura e, por um período muito específico, cuidar da sua esposa, que é uma coisa rara, difícil e, acredito, muito violenta. Como é que recorda esse período da sua vida, até pela relação que tinha com Deus? Foi uma altura difícil, mas interessante também. Eu peço que todas as alturas difíceis podem ser interessantes. E acredito que, se calhar, neste momento, não sei o que é que vai dizer, mas muitas pessoas podem estar em situações idênticas e podem se inspirar também com o que terá para dizer.

O que aconteceu, eu estava a trabalhar na altura na Igreja de Hermosinde e Pedroços, portanto... Ou seja, por calente com o portor, depois acabou por assumir a liderança de algumas igrejas. Sim, estive cinco anos na Igreja de Braga e São Mateus, depois estive mais dois anos e pouco na Igreja de Ismus e de Padrouso, e foi nessa altura que ela ficou com um problema sério de saúde, e eu nessa altura pedi uma licença sem vencimento, porque ela apoiou-me muito durante todos esses anos. Eu tive muitos anos em Lisboa, quando estava no departamento das publicações, depois nas igrejas, e eu pensei, agora é a minha hora de eu me dedicar, e então dediquei-me. E era interessante, porque realmente acompanhei, desde a primeira hora, durante aquele tempo. Houve uma altura que ela estava já muito debilitada, ela estava-se muito cedo, nove e meia, E depois acordava à hora, acordava lá por umas nove, oito, nove horas.

Ela deitava-se às nove e meia, eu ia estudar às vezes até às onze da noite. Eu levantava-me às seis da manhã, quando ela acordava já tinha chutado. Eu nessa altura estava a chutar o quê? Estava a fazer um aprofundamento das profecias do Apocalipse. Nessa altura fiz um seminário com cerca de setenta páginas sobre o Apocalipse. Na altura mais difícil. Quer dizer que eu durante o dia vivia o problema, mal aceitava, eu virava, tinha outra coisa para ocupar a minha mente. e então era Apocalipse. Foi a forma que encontrou de conseguir superar aquela situação tão violenta. Eu penso que é natural em mim. Nem pensou, foi espontâneo. Não foi nenhuma estratégia. É espontâneo. Esse seminário, é um seminário que até está... depois foi publicado e está aí no Novo Tempo. Foi um seminário versículo a versículo Apocalipse.

tinha diversa literatura, diversos autores conceituados, lia, estudava, fazia, tomava notas que eu gosto de descrever. Quer dizer, durante esse período mais difícil, eu quando cheguei no fim, tinha um seminário quase pronto. Foi um ano e tal. Eu depois terminei em 2016, logo a seguir. Portanto, tinha esse lado, um lado difícil, mas por outro lado, depois, quando eu ficava só, Eu recentrava-me no meu estudo do Apocalipse. Foi Apocalipse que eu estudei na altura mais difícil da minha vida. É um aspecto curioso. Não houve ali nenhum momento de revolta para alguém que dedicou a sua vida toda a Deus, ao trabalho para a obra de Deus, ao Avança, a partilhar a mensagem do Evangelho com milhares de pessoas, depois sentiu-se ali em algum momento abandonado ou isso nunca passou pela cabeça?

Nunca passou pela cabeça. Nunca passou pela cabeça. Nós temos que aceitar as coisas boas e as coisas más, quando elas acontecem na vida. Deus tem orientações para as nossas vidas e até soluções para os nossos problemas. E, portanto, foi uma altura, na verdade, catastrófica. Quase a pessoa fica desapoiada. mas de sofrimento, de ver sofrer, mas foi a forma que encontrei. Fomos estudando a palavra de Deus, continuando, ocupando a mente, porque o problema maior é se a pessoa tinha um problema tão grande durante o dia e à noite continua a pensar nele. A pessoa depois nem dorme. Quer dizer, eu durante o dia tinha um problema para resolver.

A partir daí eu desligava e começava a chutar Apocalipse e isso obriga-nos a desligar daquela parte mais difícil que é o sofrimento. Para quem nos vê e que esteja a passar uma situação idêntica, o que é que, olhando esta distância e tudo aquilo que viveu e a forma como lidou também com esta situação, o que é que poderia dizer a essas pessoas? Olha, eu costumo usar, e eu usava isto já nas igrejas, eu tive sete anos nas igrejas antes de acontecer isto, sete anos e meio quase. E às vezes aconteciam situações difíceis para resolver. Uma igreja grande tem às vezes problemas difíceis para resolver. E eu usava sempre uma expressão que para mim era reconfortante, que eu ainda hoje uso muitas vezes quando prego. Uso a última parte daquele livro, daquele encanto à sonete.

Oração pelos filhos

Deus sabe. Deus ouve, Deus vê. Portanto, quando as coisas correm mal, nós temos que pensar nisto. Deus sabe, Deus ouve, Deus vê. E Deus vai ajudar a encontrar o caminho. Fernando, vamos ver mais um vídeo. É o último vídeo que eu tenho de alguém que também resolveu gravar um vídeo para o pai. Olá, gostávamos de dizer que gostámos muito de ti. Obrigado pelo teu exemplo e queremos-te pedir que continues a orar por nós. Um beijinho, papá. Beijinho. Beijinho. Beijinho. Ele também faz o mesmo que a irmã, também agradece e também pede que o Fernando orme pela família dele.

Sabe que eu e a Olívia, agora voltamos a casar, naturalmente vai abordar essa questão. Já vamos falar daqui um bocadinho sobre isso. Eu voltei a casar passado algum tempo, e uma coisa que nós fazemos, nós no conjunto temos 12 netos. Eu tenho 8, a Olívia tem 4, 12 netos. Há uma coisa que eu tenho uma necessidade contínua, contínua, é orar pelos filhos e pelos netos, orar pelos meus filhos e pelos filhos de Oliveira. Às vezes até nas minhas orações evoco um grande amigo que costuma dizer, cuida dos meus filhos e cuida dos filhos do Mário. porque éramos grandes amigos e realmente acabámos por casar.

O Mário Flicante, que é o marido do Livio, que também faleceu. Posso também orar. Normalmente oro pelos nomes deles, mas se não oro, eu oro pelos meus filhos e pelos filhos do Mário, meu amigo. Eu sou, eu não sou o pai deles, mas tenho o dever de orar por eles, os netos dele, os meus netos, somos realmente uma família. E, portanto, nós continuamos a orar. E eu falo isso muitas vezes na igreja e às vezes mesmo digo à igreja, nós precisamos de orar pelos nossos filhos e pelos nossos netos. Eles vivem num mundo tão difícil. Nós vivemos um mundo diferente. Eles vivem num mundo tão difícil porque se não foram os anjos de Deus a guardá-los. eles não vão conseguir. Nós precisamos de fazer isso. E, portanto, o que o Valter diz é isso.

Nós continuamos a orar por eles, por um lado e outro, porque estão, ao fim e ao cabo, de certa maneira, é a nossa responsabilidade, é ser interessores diante de Deus por aqueles que estão à nossa guarda, o que o Senhor nos confiou. Fernando, vamos para o nosso último intervalo e voltamos já a seguir.

Um novo casamento

TV Novo Tempo, o canal da família, o canal da esperança. terceira e última parte do programa Olhos nos Olhos, com o Fernando Ferreira, onde já falamos de crianças que pregam à janela, de serviço militar, milagres que acontecem em ultramar, colportagem, falamos de dor e agora, Fernando, se calhar falamos em recomeçar. Há bocadinho o Fernando falava sobre isto que é de orar para um grande amigo, a história que o Fernando tem com a Olivia é uma história incrível. E é uma história que acho que também os nossos telespectadores vão gostar de conhecer. Antes de mais dizer que a Olivia é uma pessoa muito ligada, e um dia também temos que a trazer aqui naturalmente, é uma pessoa muito ligada à culinária, ao trabalho também com a própria comunicação social, enfim, há muitas pessoas que a conhecem certamente de programas que ela fez durante os anos 90, pelo 2000, ligados mais à culinária.

Cerca de 20 anos. Sim, por aí. Como é que o Fernando, depois de ter ficado viúva e já conhecemos esta história, a Olívia também ficou viúva, como é que vocês se encontram? Vocês já se conheciam, presumo. Sim, conhecíamos bem. Aliás, quando eu estava nas igrejas de Braga e São Mateus, fizemos o mês para o saúde na trofa. e cheguei a convidar a Oliva depois naqueles programas, depois da Expo ao Saúde, para fazer lá alguns programas sobre alimentação. Cheguei, e eu, e a Glória, o Mário e a Oliva, íamos no mesmo carro. O Mário, o marido de Oliva, na altura a Glória, a esposa do Fernando. Iamos para a trofa, e fizemos lá diversos seminários, conhecíamos. Inclusive ela fez também em Pedroso, na igreja onde eu estava na altura, conhecíamos muito bem ele.

Ela colportou também. Eu iniciei a Ana Colportagem, curiosamente, há muitos anos atrás. Sim, na verdade eu já a conhecia. Pouco tempo antes de nós termos casado, de pensarmos em casar, eu ia à igreja e houve, por acaso, um irmão que veio ter comigo e disse, então irmão, não pensa em casar? Ele disse, olha, mas vale estar só com o mal acompanhado. E ele riu-se. Eu até passado um tempo fui falar com ele, porque eu disse, olha, eu disse isto, mas eu vou casar. Quase que me pedi desculpa. Quer dizer, porque ele estava a dizer aquilo, parece que estava a mentir, mas não, ele estava a dizer o que sentia. Simplesmente, pronto, a vida é difícil. Nós tínhamos uma casa com sete pessoas. Na casa, antes, depois tinha a minha sogra, uma tia da minha mulher que vinha connosco, que era uma viúva e uma solteira já com quase 90 anos.

Depois faleceram. Depois os filhos casaram. Depois eu fiquei só, éramos só o casal, e ficou, e a Cláudia acabou por falecer. Quer dizer que eu fiquei sozinho na casa durante muito tempo. Uma casa com muitos quartos, como pode imaginar, uma casa grande para nós vivermos todos. E aquilo aí começava a tornar-se difícil. E um dia eu orei. Eu ia para as Róis, lá em cima, em Oliveira de Douro. Reuniões de oficiais de igreja. Reuniões de oficiais de igreja da Zona Norte. E eu disse ao Senhor, se alguém que pode ser o dono da minha vida, mostra-me hoje. porque eu sabia que ia estar gente de muitos lados ali, muitos lugares. E pronto, estava na reunião, e não vou agora entrar em detalhes, mas houve um momento em que realmente a Olívia veio ter comigo.

Nós estávamos numa reunião e ela estava sem lugar. Tinha ido a uma outra reunião, a um outro departamento, quando chegou não tinha lugar. Tinha ocupado o lugar dela. As coisas dela estavam no chão. Ela estava a apanhar as coisas e depois sentou-se ao meu lado. Aliás, ela estava a apanhar, e eu disse, olha, se quiser tenho aqui um lugar. E tinha um lugar ao meu lado, não havia há muitos lugares, tinha um. E ela sentou-se e disse, já estamos a ficar velhos, mas é que ainda é muito pior. Pronto, ela apanhou as coisas, sentou-se ali, a coisa continuou. Eu fiquei a refletir naquilo, porque eu tinha a pedir a Deus que ele me mostrasse alguém que pudesse corresponder às necessidades que eu tinha. Eu depois liguei à Olívia e disse-lhe o que tinha acontecido. Conversamos um bocadinho e disse-lhe que eu pedi isto a Deus, isto aconteceu, gostava de que a Olívia pensasse na hipótese de nós podermos organizar a nossa vida, etc.

Bom, a coisa não ficou decidida no primeiro encontro, mas pensámos que podíamos caminhar juntos, porque eu gostava de caminhar, ela também, caminhámos um bocado. E depois falamos com os filhos, pensámos que realmente seria uma boa solução. Primeiramente, antes que os filhos viessem contar aos filhos que nos tinham visto a passear juntos, falámos com eles, ambos os lados, e então acabámos por pensar que seria bom nós casarmos, podíamos casar. Tínhamos uma cultura muito idêntica. mesmo a nível de saúde, hábitos alimentares, éramos tão idênticos, tão idênticos, que era difícil arranjar alguma coisa a alguém tão parecido. Acabamos por decidir, casamos, e como nós lemos no dia do casamento, fizemos um documento para a igreja.

Fizemos um documento onde nós dizíamos que quase que naufragamos, mas o Senhor juntou os pedaços da nossa nau e fez uma nova embarcação. e para que nós continuemos a ajudar os barcos dos nossos filhos que continuam agora na vida. E foi assim que começamos, realmente, casamos. Fizemos dez anos agora de casados já. Fizemos sexta-feira passada dez anos de casados. Nós temos imagens desse dia. Podemos ver. Temos imagens... Ah, foi o Sr. Luís Rosa. Precisamente. Em que dia é que foi, Fernando? Foi 13 de maio de 19... 13 de março, sim. A Olívia está aqui. 13 de março de... 13 de março de... 2016. Foi, portanto, na altura...

Fez agora. Fez agora em 13 de março, aos 10 anos. Temos mais uma outra foto que eu acho que era muito interessante de partilhar, porque esta aqui é uma foto muito curiosa, porque é uma benção. Eu não sei quem é que está a colocar as mãos. É o pastor Luís Rosa e o pastor Jorge Machado. É, porque ele era pastor da igreja, Luís Rosa. Eu estava a trabalhar com ele nas igrejas de Irmãzinho de Pedroso. Portanto, estamos a trabalhar em conjunto. E eu pedi à Luís Rosa se podia fazer o nosso casamento. E temos ainda uma terceira imagem. E eles participaram ambos. Temos esta imagem. Ah, sim. Aqui é os filhos de ambos os lados. Nós estivemos ali em Espinho. Almoçámos só os filhos. Não tivemos que há casamento. Nós também não queríamos fazer festas. Estávamos viúvos há pouco tempo. Não era uma questão... Era uma questão espiritual. Nós fizemos esse documento.

Porque eu queria que ficasse bem claro que nós não queríamos casar, porque nós podíamos irmos à orgem civil, estava o problema a resolver, mas nós sentimos que não poderíamos ser felizes nem ter a benção de Deus se não pedíssemos que Deus estivesse connosco. E então fizemos essa, foi uma pequena cerimónia na igreja de Pedrouzo, depois os filhos de ambos os lados foram almoçar connosco, e foram os pastores que estiveram, o pastor Luís Rosa e o pastor Jorge Machado que estiveram connosco, E foi realmente... Fizemos agora esta sexta-feira uma fotografia no mesmo sítio, para ver como é que nós éramos passados dez anos. Passámos por lá sexta-feira e fizemos uma fotografia. Passaram 10 anos. É um marco muito importante. Nesta idade, já a representa bastante. Falamos de recomeços e, na verdade, foi um pouco isto. Ou de reconstrução, a reconstrução da nau.

Foi que era essa a expressão. A expressão é que nós quase que naufragamos, mas o Senhor juntou os pedaços de ambas as naus e fez uma nova embarcação. E acredito que esta história pode também inspirar muitas pessoas que nos estão a

O eterno estudioso

ver. Fernando, vocês hoje em dia fazem muita coisa em conjunto, eu diria tudo, porque vocês estão muito ligados, continuam, quer o Olívio, a trabalhar na área de seminários que vai fazendo, o Fernando também ajuda, vocês compuseram a vossa vida em torno do serviço, ou seja, Foram 10 anos de casamento equivalente a 10 anos de serviço, é assim que vocês vivem? Também, sim. Eu ainda fui, durante este período já de casamento, fui convidado pela União, ainda estive alguns anos como diretor de Mordomia, do Departamento de Mordomia da União, portanto a Oliva acompanhava-me aí. Mas também temos trabalhado, sim, nessa área. Porque a Olívia, bom, é uma especialista na área da alimentação. Nós agora estamos fora 3 dias, nós temos comido muito bem, mas eu sequer comi amanhã em casa. Eu posso ir a todos os restaurantes vegetarianos, mas eu sequer comer uma comida saudável e saborosa É o Lívio.

O Fernando cozinha lá em casa ou não? Atreve-se? Não, eu nem atrevo, porque não vale a pena. Porque o Lívio é uma pessoa realmente bom. Tem bom gosto, tem arte, tem experiência e é muito difícil competir, porque se eu fizer alguma coisa, tenho certeza que não vai estar ótimo. Não, realmente ela tem essa disponibilidade e tem gosto em fazer boa comida e, portanto, nós temos feito muitos seminários porque ela faz essa parte, ensina as pessoas a cozinhar. E eu quando estava nas escolas, quando eu estava às escolas como co-produtor, eu fazia seminários para os professores para os pais e para os alunos, sobre os alimentos, porque nós tínhamos os livros da Dra. Pamplona que falava muito sobre os alimentos, e às vezes as pessoas não conhecem os alimentos.

Então eu fazia seminários onde eu mostrava a importância de cada alimento, falava, por exemplo, sobre o tabaco, e então eu depois tinha trabalhos das crianças sobre o trabalho que eu fazia, e portanto eu fiz isso durante muitos anos. Agora juntamos Normalmente fazemos esses seminários e abordamos a saúde em quatro tempos, que é o tempo de conhecer os alimentos, o tempo de escolher o tempo de confeccionar, esse é com a Olívia, e o tempo de provar, que também é com ela. Portanto, primeira coisa, que eu acho que é uma das coisas que falha mais numa alimentação saudável, é a pessoa conhecer o que é que está a comer. Nós às vezes comemos as coisas e nem sabemos por que razão as comemos. E depois, quando vamos às compras, saber o que escolher. E depois o resto está com a Olívia. Então nós fazemos essa divisão nos nossos seminários, abordando essas quatro dimensões para uma boa alimentação.

Já falamos em tanta coisa, em tantas vidas dentro de uma só vida. Há ainda algo que gostasse de fazer aqui nesta terra? Escrever livros de poesia? Nem tivemos tempo de falar nisso, mas tantos seminários, tem uma biblioteca em casa com centenas, talvez milhares de livros. O que é que sente que ainda poderia fazer, que gostaria de fazer? O que eu gosto mais de fazer E o que eu me sinto mais vocacionado para fazer é ensino. Eu gosto muito de ensinar. Não ensinar como professor, mas ensinar como estudante. É uma pessoa que está a estudar com outra. Porque eu nunca me arrugarei ao papel de professor. Mas aquele que está a estudar com alguém. E então, nessa área das profecias, gosto imenso.

Por exemplo, nas igrejas, eu prefiro ensinar, seja a escola sabatina, seja pregar, seja fazer um seminário, prefiro isto do que dirigir. Eu hoje reconheço, e também isto é uma questão da idade, 76 anos, eu hoje fui líder durante muitos anos, fui líder do departamento das publicações durante 15 anos, fui líder de quatro igrejas durante sete anos, tinha que ter essa vocação de liderança, mas neste momento eu sinto que a liderança a mim não me... cria-me algumas dificuldades. O ensino não cria. Uma escola sabatina Estou sempre pronto e sempre com muito gosto que estudo para poder apresentar, se for necessário, um seminário qualquer que ele seja, sobretudo nas áreas das profecias, como eu digo.

Continuo a estudar, eu continuo a preparar. Agora estou a fazer revisões de seminários que eu fiz em 2012, porque se eles forem precisos para estarem atualizados, estou a acabar de atualizar um. Porquê? Porque há sempre uma progressão necessária e depois eu gosto de escrever. Tudo o que eu faço está escrito. Eu tenho os meus esquemas de pregação, eu nunca apresento nada escrito à mão, o manuscrito para mim confunde-me. Eu sempre, desde a máquina de escrever, que eu escrevia os meus esboços, agora claro que eu uso o computador, mas eu tenho pregações cultos, reuniões de oração, desde os meus 28 anos. Está tudo em pastas, está tudo arquivado. Se eu quiser ver estudos bíblicos que eu fiz em 1978, quando eu estava a ir-me-zinho de baixo, eu tenho-os lá em casa.

Quer dizer, que eu guardo, escrevo. Eu gosto muito de ter isso sempre à mão e depois utilizo às vezes quando necessito. Fernando, a última pergunta que eu vou fazer para o programa de hoje é aquela que eu faço a todos os nossos convidados. Se um dia alguém fosse escrever alguma coisa sobre o Fernando, Ou alguém tivesse alguma ideia, vamos escrever ou por exemplo dar o título a este programa. Como é que o Fernando gostaria de ser lembrado? Que título, que frase é que poderia resumir a sua vida? Olha, se calhar o estudioso. Gosto de estudar. Eu acho que desde o princípio gostei de estudar. Desde os meus 12 anos. Eu queria. Aliás, numa ocasião escrevi para a União a dizer que queria estudar Teologia. Mas as coisas não evoluíram. Tinha eu 12 anos naquela altura daquela fotografia. Escrevi ao Presidente da União. Queria estudar Teologia. E a minha necessidade de estudo continua.

Portanto, estudar não depende das oportunidades que nós tivemos, depende do uso que nós fazemos de estudo. Isso é contínuo. O eterno estudioso. Fernando, muito obrigado. pela oportunidade que nos deu de estar aqui e de conhecermos e sermos inspirados pelas suas histórias dentro da sua história de vida. Obrigado, Fernando, e que Deus o abençoe. Foi um prazer, Fernando, e obrigado pelo convite. Nós é que agradecemos.

Sobre este episódio

Neste episódio de Olhos nos Olhos, conhecemos a história de vida de Fernando Ferreira, um homem marcado por um profundo amor pela Palavra de Deus, pelo estudo da Bíblia e pelo serviço à missão.

Série
Olhos nos olhos · 30 episódios
Temporada e episódio
Temporada 1 · Episódio 22
Estreou
24 de Abril de 2026
Categoria
Outros