Hoje recebemos um homem cuja vida se confunde com a própria história da Igreja Adventista do 7º dia, não só de Portugal, mas também de Moçambique. Um homem que atravessou continentes, serviu em tempos de guerra, formou pastores, construiu escolas, abriu igrejas e testemunhou a mão de Deus em algumas das circunstâncias mais extraordinárias que alguém pode viver. José Albino Freitas Vieira. Nasceu a 1 de março de 1940 na freguesia de Santo António, no Funchal, Ilha da Madeira. Filho de Beatriz Vieira e Horácio Vieira. Cresceu num lar humilde, marcado pela ausência do pai e migrado, e pelo exemplo de fé e dedicação da mãe. Verdadeira. Aos 20 anos, entrou pela primeira vez numa igreja adventista do sétimo dia, levado por um amigo, Aníbal Fraga.
O que começou como uma simples visita, como resultado de uma aposta perdida, transformou-se numa experiência que mudou para sempre a sua vida. Foi batizado pelo pastor Fernando Mentes, a 25 de março de 1962, e pouco depois decidiu dedicar-se inteiramente ao Ministério. Aos 26 anos casou-se com Dolores Umbertino Oliveira Ribeiro, a mulher que conheceu na igreja e que se tornaria sua companheira inseparável de missão. Poucos dias após o casamento, embarcou num paquete infante Dom Henrique, rumo a Moçambique. Durante sete anos serviu como professor, diretor escolar, formador de futuros pastores, departamental da juventude, missionário, tendo ajudado a construir aquilo que é hoje a Universidade da Beira. Viveu aventuras extraordinárias, enfrentou estradas minadas, doenças tropicais, cobras venenosas e inúmeras situações em que viu diretamente a intervenção de Deus.
Mais tarde estudou em Colonge, na França, serviu como pastor nos Açores, Porto Alegre, Avintes, Santa Aranha, Espinho, Matozinhos, Vila do Conde, Guimarães, Braga, Guarda, Covilhão, Fundão e muitos outros lugares. Pai de três filhos, avô, pastor, professor, missionário e contador de histórias, continua hoje a inspirar novas gerações com a sua fé, a sua simplicidade, mas sobretudo a sua profunda confiança em Deus. É com muita honra que recebemos no programa de hoje o pastor Albino Vieira.
Muito bem-vindo, Pastor Albino. Obrigado. Tudo isto que eu disse, acho que só peca por escasso, porque viveu muito mais do que tudo aquilo que eu disse. Chega. Já chega. Quero agradecer o convite que me foi feito e rogo a Deus para que isso sirva para aqueles que nos estão a ouvir para acreditar justamente em Deus. Comece por dizer que o Pastor Albino é a pessoa, como é que eu ia dizer isto, não é mais velha, é aquela que tem a data de nascimento que ocorreu há mais tempo, que está aqui no nosso programa. O Pastor Albino tem 86 anos. Nunca tivemos um convidado com essa idade tão bonita. E eu começaria por pedir que nos mostrasse o que é que trouxe aqui e o que é que colocou aqui em cima da mesa, que é nada mais nada menos do que a história da sua vida.
Sim. Isto é um... o manual que eu escrevi, com 60 e tal páginas, 66... 167, creio eu, porque enviou-me 167. Enviou-me e eu não imprimi, mas coloquei num Kindle. Exatamente, é 67 páginas. 167, não é? Exatamente. Eu fui entusiasmado pelos filhos, pessoas conhecidas, amigos, para contar a história, essa história que é uma história entre mim e Deus. Porquê que digo isso? Tudo aquilo que eu descrevo aqui é um testemunho vivo, como o Deus de Abraão, de Isaac, de Jacó, de Adão e, assim sucessivamente, é o mesmo Deus dos nossos dias.
Ele não muda, nem nunca mudará. A proteção, a ajuda que lhe deu a esses homens, com tantos opostos e etc., eu vi a mão de Deus precisamente igual. Teve episódios muito difíceis, em que vi justamente a mão de Deus sobre mim, naquelas alturas. Já vamos conhecer algumas dessas histórias, vamos também ver algumas imagens dessa época, mas a minha primeira pergunta é, porquê é que resolveu escrever esse livro, que é mesmo assim, depois de entrar na Idade da Reforma, ou foi escrevendo ao longo da vida? Não, isso foi depois da Idade da Reforma. Como vos disse, fui entusiasmado, também por pessoas amigas, pessoas de igreja, com quem conversava.
Nunca fiz disto como exemplos em sermões. Não, contávamos assim. Eu disse, porquê não escreve isso? Eu disse, sabe, eu não sou muito de denunciar determinadas coisas, não é? Os meus filhos disseram ao pai, escreva. Mesmo que isso não seja publicado. Depois entreguei isto à publicadora. Não quero absolutamente dinheiro nenhum disto. Entreguei à publicadora que ela vai fazer aquilo por melhor entender. Mas se isso não for possível, que os meus filhos, pelo menos, leiam aquilo que é a vida de um...
de um missionário, de um pastor. De um homem de Deus, eu até posso acrescentar. Eu fui um privilegiado em ter tido a oportunidade de ler e acredito que o programa de hoje vai ser um bocadinho na linha de tudo aquilo que aí está escrito, mas contado pelo seu autor. Pastor Albino, eu pedia que me ajudasse a comentar algumas das fotos que nós temos aqui para partilhar. Aqui temos a foto dos seus pais, não é? É, o meu pai e a minha mãe. Temos mais fotos deles que eu acho que é possível mostrar. Aqui é já mais antigo, não é? Essa foto vai levar à altura do namoro do meu pai e da minha mãe, antes de casarem. Ah, então aqui ainda não tinham casado os seus pais, não é? Não. Isso é em Ponta Delgada.
Estão o meu pai, a minha mãe, os meus três filhos, ou dois filhos e a minha filha. Eu e a minha mulher naquela altura eram mais novos. Esta aqui já é uma foto mais recente. Esta é a antiga, ainda estou ali em criança. Nessa altura o meu pai estava embarcado e travam essas fotografias para... Há antes dele ter embarcado para a Venezuela. Sim, essa também foi para depois enviarmos, nos acompanhando o nosso desenvolvimento. Pastor Albino, vamos então pelo início. O pastor nasce num lar, posso dizer, pobre. Não gostaria de ser ofensivo se eu disser que numa ilha também ela é pobre, digo eu, nos anos 40. na altura da guerra, ainda para mais, na altura da Segunda Guerra Mundial, foi quando o pastor Albino nasceu numa ilha ali no Atlântico, com muitas
necessidades, não é? Como é que foi a sua infância? Olha, a minha infância não posso dizer que foi difícil, não foi difícil porque Porque era comum, naquela altura, nós olhávamos para as outras crianças e colegas da minha idade e vivíamos mais ou menos as mesmas situações. Como é que era a década de 40 na Ilha da Madeira, em plena Segunda Guerra Mundial? Não era fácil, era muito difícil, havia carências. Não sei se aqueles que me estão a ouvir se lembram ainda do que chamávamos a senha do açúcar. Portanto, havia certos produtos que era através de uma senha, justamente o açúcar, que ele costuma lembrar, que era 250 gramas por família, o merceeiro ia descontando.
E assim que vivia, o pão muitas vezes era escasso, de várias maneiras. E, na altura, o que nos valia era a farinha de milho, Nós fazíamos a farinha de milho cozida à madeira que aquilo depois de cozido, quando arrefecia, ficava frio, não é? Cortávamos aos cubitos. Ainda quem vai à madeira hoje, uma comida recomendada na altura era a comida das pessoas com necessidade. São aqueles cubos de milho, não é? É, aqueles cubos de milho, não é? Que ou era frito ou era comida quente ou mesmo frio, não é? Na altura era com uma lasca de bacalhau, porque não vinha muito, não é?
E um tacinho de cebola, um tacinho de vinagre. E era assim que nós vivíamos. E sonhava, tinha sonhos em criança de algo? Que tipo de sonhos é que uma criança nos anos 40 na madeira tinha? O medo, a pena, o temperamento era melancólico, aflomático, não é? E o Ancólico é aquela pessoa que sonha muito, assinadora dos poetas e dos escritos, portanto... Dos artistas. Dos artistas, não é? Muitas vezes imaginava coisas, não é? Mas nunca imaginei ser aqui que era hoje. Nunca. E quando penso, justamente, na minha história, e vou recuando até onde me possa lembrar, E até chegar aqui, estive duas vezes à morte, em que o médico dizia mesmo que eu não escaparia, graças a Deus.
E só pode ter uma palavra levada a Deus, como ele o conduziu toda a minha vida, passando por várias dificuldades. Eu cheguei a uma altura, quando tinha os meus 16, 17 anos, que deixei de acreditar em Deus. Não acreditava no amor. não acreditava que alguém gostasse de mim. Procurava não gostar de... Gostar, amar, de ninguém. Depois, só quando aceitei Deus, Deus deu-me a capacidade de amar, a capacidade de viver e a capacidade de aspirar um futuro, ou seja, um futuro sólido.
que acabaria por ser o que teve também, com muitas experiências e histórias. Mas aquilo que eu lhe pedira é que regressássemos agora à madeira, novamente, nos anos 40. Filho de uma bordadeira, não é? Bordadeira, presumo que seria alguém que costureira um bocadinho mais aperfeiçoada. Bordados da madeira. Ah, bordados da madeira. Ela fazia bordados da madeira, é isso. Que depois se vendia para qualquer lado, era assim que funcionava o trabalho dela. Ela trabalhava para uma fábrica, E essa fábrica então exportava. Exportava para a Inglaterra, para a América, para a Alemanha, não é? E o seu pai... Era carpinteiro. E que a dada altura, numa tentativa de procurar melhores condições de vida, vai para...
Para Venezuela. Quer dizer, para a ilha do Coração, não é? Coração. É engraçado, sabe? Vou lhe explicar porquê. Porque eu estava a pesquisar e percebi que o Coração está no Campeonato do Mundo do Futebol. E então eles vão jogar e a seleção que vai... Enfim, a seleção dessa ilha é precisamente do país onde o pai do pastor foi morar. Sim, ele foi trabalhar para a Shell. Para a pelotonista Shell. Depois terminou o contrato. Ele não atingiu os objetivos financeiros que queria e mudou-se para a Venezuela. Quando fui para a Venezuela, eu estive 39 anos sem saber se ele era vivo ou morto. Só vim encontrá-lo 39 anos depois. Ou seja, a sua infância foi sem saber se sequer tinha pai, no fundo.
Sem saber. Se era morto, se era vivo, não sabia. Mas... E se incomodava ou, na altura, vivia uma angústia grande? Sim, porque é o seguinte, aquilo que Deus faz, faz bem feito. E Deus faz um pai e uma mãe. E qual é a razão que é de um pai e de uma mãe? Porque a criança desenvolve-se de uma maneira harmoniosa. Ele precisa da mãe para a efetividade e precisa do pai para ser racional. ser pragmático.
Portanto, ele vai crescer com essas duas coisas. A mim faltou-me uma. Fui criado com afetividade, com a parte feminina, que é bonita, da mãe. Faltou-me outra parte, que era a parte do pai. Terá sido por isso que começou a fumar, a beber? Fala-me no vício do cinema também que tinha. Gostava muito de cinema, era isso? Gostava, porque é o seguinte, todas essas coisas, e permita que, sem ofensa para ninguém, quando as pessoas entram para o tabaco, para a bebida, ou outras coisas quaisquer, é uma falta que as pessoas sentem.
e tem a necessidade de preencher este vazio que a pessoa sente. Chamo-lhe vazio existencial. Então, a maneira de eles preencherem esse vazio é justamente com isso. Vale para a experiência própria. De altura, e também para outra, que não é menos importante, que é para se firmar, ser igual aos outros. Se os amigos fumam, porquê que eu não fumo? Eu quero me enquadrar, quero me entrar nesse grupo. E o problema das jovens quando vão para as escolas, colégios, universidades, é a necessidade.
E é com 20 anos, como eu dizia na introdução, que este seu amigo, Aníbal Fraga, o convida para ir à igreja. Foi à igreja porque perdeu uma aposta. Foi. Como acabou de dizer, um dos vícios que eu tinha era o cinema. E à quarta-feira não podia falhar porque eram as estreias do cinema. Ou seja, na Madeira era igual nos anos 50, aqui seria nos anos 60, não é? Já com 20 anos. Havia também estreias todas as semanas na Ilha da Madeira de filmes diferentes. Americanos, presumo eu, que deveria ser. Masercubós e etc. Fora o Oeste. Era quarta-feira e eu queria ir ao cinema. E o meu amigo Fraga disse ao Albino, tu sabes que a Igreja Católica não está verdadeira para as minhas custórias.
O pastor Albino era católico. Era católico. Ele disse-me, a Igreja Verdadeira e a Igreja Adventista. Eu disse, o que é isso? Olha, vem comigo. Eu disse, não vou, que eu vou ao cinema. Mas porquê que não vais e experimentas? Eu disse, não vou. Pronto, vamos terminar o assunto. Vamos pôr aqui dois papelinhos, sim e não. For sim, eu vou. Se for não, não vou. Mas eu é que escrevo. que eu tinha receio que ele pusesse os dois sims. Então escrevi sim, outro não. Fiz assim o mais bom e do lado. Agora vou baralhar desse. Não, quem vai mexer sou eu. Pus entre a mão, mexi, pitei, comecei a olhar e vou tirar este.
E fui eu sim. Uma das coisas que tenho que, a princípio, é cumprir a minha palavra, não é? Eu acho que... que é o mínimo, digamos assim, muito cotidiano. Fiquei tão aborrecido. Naquela altura, pensei, não pode estar a acontecer isto. Então, pronto, fui à igreja. Aqui é um episódio que é salientar. Entrei na igreja, igreja que ainda hoje é a mesma. O edifício é o mesmo. O edifício é o mesmo. Entrei, sentei-me e vi o senhor Forte. O casaco não conseguia atuar.
O casaco era mais curto do que a barriga dele. Com uma encheita de tinta, porque ele era pintor. Com o cabelo mal pinteado. E comecei a falar. Com um vocabulário muito simples. Muito. E comecei a pensar, um senhor como este, e que fala tão bem, muito melhor que um padre, que não será o pastor desta igreja. Acredito cada dia as palavras desse homem. Ele, de cinco palavras, quatro eram erradas. Depois eu soube que era um senhor muito humilde, e eu estava com um livro, que não era a Bíblia, e depois soube que era o livro de espírito de profecia.
Aquele homem te come. Muitas vezes não precisa de grandes eloquências. Eu acho que quando nós falamos de Deus e falamos de coração... Porque é o seguinte, desculpe-me por fazer aquilo, não é pastor quem quer. Não é pastor quem quer. O pastor é aquele que eu vou chamar de Deus e que tem a noção da sua responsabilidade. E porquê? O pastor não tem horário. O pastor não tem dias de descanso. Um pastor está 100% com a igreja. Um pastor é um servidor.
Está para servir e não ser servido. Então pensei, isso era quarta-feira, na sexta não podia ir, no sábado trabalhava, não é? E fui no domingo, fui ver o pastor Fernando Mendes. Interessante que nunca mais deixei de ir à igreja. O pastor Fernando Mendes, que era o pastor da igreja que existia no Funchal. Nunca mais deixei de ir. E foi nessa altura que já sentia desejo de ser pastor? Logo, isso acontece muito mais tarde. Muito mais tarde. Fiquei tão deslizmado. A primeira bíblia que tive foi uma bíblia católica, a de Soares. Fui ao palácio do bispo comprar a Bíblia. O senhor, o padre, que me vendeu, pergunta para que é que eu queria aquela Bíblia.
Eu disse para ler. Pronto, mas ele vendeu. Comecei a lê-la. O momento já era tanto que antes de ser batizado já dava estudos bíblicos. E, pastor, temos agora mais duas fotos que eu gostaria que me explicasse a transição disto que me contou para estas duas fotos, que eu gostava que pudéssemos ver agora, que são as fotos do batismo. Este é do seu batismo, não é? O meu batismo. Quem é o pastor que o está a batizar? Fernando Mendes. Ah, é o mesmo pastor Fernando Mendes. Não conseguia ver daqui. E esta aqui? É o batismo da minha mãe. Da sua mãe, que batiza-se primeiro ou depois? Depois.
Foi em que ano, nesta altura? Foi o pastor Jamaral de Matos. Ah, o pastor Jamaral de Matos batizou... Em que ano é que terá sido...? Isso foi em 66... Pois, o seu batismo foi em 62, então ela batizou-se mais tarde. Quatro anos depois. E como é que nós chegamos, e é aqui que eu quero, porque esta história é muito, muito bonita, ao seu pai, não é? Porque depois, o pastor Albino Vieira, muito depois, não está muito em que ano é que terá sido. O pastor Albino Vieira conseguiu encontrar o seu pai. De que maneira? Eu estava na Ilha da Badeira e eu andava com uma ansiedade de... Ao mesmo tempo que pensei que ele tivesse morrido, eu tinha, como nós chamamos na gíria, o tal Fininho.
Que ele estaria vivo. Pois eu soube que ele estava vivo. Ou seja, sentia algo dentro de si que o meu pai está vivo e vou encontrá-lo. Foi algo assim. Eu fazia deste assunto, fazia... Assunto de oração. Era motivo de oração durante muitos anos. Minha mãe disse que era um tio que tinha a direção dela. Eu não acredito em coincidências. Mas, quem é a selha da Madeira, eu vinha a descer a Santa Catarina, lá na Madeira, e o meu tio ia subindo. Eu olhei para o meu tio e disse assim, desta maneira, tio, dê-me a direção do meu pai.
Não perguntei se ele tinha ou não tinha. Eu sou licenciado em Psicologia Social. A gente estuda tudo isso. Além da Teologia, tirou depois um outro curso. Sim, uma licenciatura. Eu disse, olha, tio, dê-me a direção do meu pai. Ai, não sei se tenho, tenho, tenho. Fazia a favor dele. o doutor abriu a carteira e deu-me. Cheguei aos Açores, tinha lá a direção dele, era de uma loja de ferragem. Aos Açores? Agora não precisa... Sim, cheguei aos Açores. Fui e voltei para os Açores. Ah, ok, porque era pastor na ilha dos Açores e estava na ilha da Madeira de Férias, ao próprio magazão, encontrou o seu tio, ok. Estava na ilha de São Miguel.
Como pastor de igreja já nessa altura. Exatamente. Cheguei a casa e telefonei. Disseram sim, que ele estava lá, pedi se eu podia falar com ele. Disseram que ele diz que não consegue. Pronto, então pergunto-lhe se ele quer vir para a minha casa. Eu disse logo que sim. Vim e entrei num grande problema, que não tinha dinheiro. Agora, como é que eu vou trazê-lo para cá? Ou seja, o seu pai estava na Venezuela sozinho e não tinha condições de voltar, mas também sentia que tinha alguma vergonha, talvez. Era vergonha mesmo de falar com o filho e explicar o que poderia ter acontecido naqueles 30 anos. O meu pai era uma pessoa que se comovia com muita felicidade, assim como eu.
Melancólico também. Era muito melancólico. Na altura, era presidente dos Açores. uma pessoa que era muito minha amiga, fez-se, para aquele livro de Consciência e Liberdade, é lá de sempre lhe oferecer aquilo. Que seria o Dr. Mota Amaral, que era o Presidente do Governo Regional dos Ações. Era o Mota Amaral, está a faltar aqui o nome. E nisto eu disse-lhe, vou falar com ele, vê se lhe ajuda de alguma maneira. Quando lá cheguei, o secretário disse, mas tem entrevista. Digo, não tenho, então tenho que marcar uma entrevista. Diga ao senhor doutor que é o pastor da igreja Adventista.
Ele entrou, ele imediatamente abriu uma porta, o que é que o senhor Vieira deseja e tal. Contei-lhe a história. Ele olha para o secretário e diz, olha, trate o assunto do senhor Vieira o mais rapidamente possível. E o senhor disse-me de estar com o seu pai para o Natal destacar. O meu pai estava lá clandestino. Fizeram-me fazer o passaporte, aquilo tudo. E o que é que sentiu quando ouviu dizer que o seu pai vem para cá? Eu só penso numa coisa. Quem estava a conduzir isto era Deus. Porque a lembrança que eu tive de falar com o Mato Amaral, nunca pensei que ia dar algum resultado, não é?
Que eu sei que às vezes começam as coisas, não é? E há tantos pedidos, era só mais um. Era mais um. Passado algum tempo depois do Natal, um mês mais ou menos, recebo a notícia que ele vinha. E agora arruquei um drama, que era o meu pai e a minha mãe. Como é que eu ia fazer isto? Quantos anos o pastor tinha na altura? Já teria... Quarenta... Quarenta e... Quarenta anos mais ou menos. Já tinha filhos? Já tinha. Já tinha os meus três filhos. Como é que ias gerir tudo isso? Tudo isso, não é? Na véspera, pago a passagem à minha mãe para vir para a minha casa. Para os Açores? Para os Açores. Porque o meu pai viria dois ou três dias depois.
Fui ao aeroporto de Portugal. E a sua mãe foi consigo? Não, não quis que ela fosse. Também não disse o porquê. Fui buscar-lhe. Foi um choque muito grande, não é? O meu pai vinha sem uma perna, não é? Tinha amputado uma perna. Quando o meu pai entrou em casa, quando os dois se... Foi um drama muito grande, não é? Só lhe digo uma coisa. Nessa noite, nem eu nem a minha mulher dormimos. Levei a minha mãe para um quarto. O meu papo era separado. Amanhã eles juntaram-se a conversar.
A mãe disse, olha, traz as minhas malas para aqui. E viveram assim em volta de sete anos, sete ou oito anos. Convosco nos Açores? Não. Depois foi para Madeira. Minha mãe tinha uma casa na Madeira. E viveram... O meu pai ainda viu as noras, os netos, viu tudo isso. Sentiu que, no fundo, foi Deus que, de alguma forma, deu uma oportunidade ao seu pai, mas também retirou-lhe aquela ansiedade... Sim, por completo. ...que não iria conseguir lidar com isso, sem saber o que tinha acontecido. Sabe... Ou nós acreditamos ou não acreditamos, ou temos fé ou não temos. Porque a fé não é nossa, a fé é de um Deus. E isso considerei um milagre.
Trinta e nove anos. Não são trinta e nove dias, nem nada. Trinta e nove anos. Eu lembrava de um meu pai novo, com quarenta e tal anos. Ele já veio com a qualidade, como vimos ali naquela foto. A sua mãe batizou-se. O seu pai, de alguma forma, conseguiu ainda sentir algo a nível espiritual? Ele esteve a receber estudos bíblicos lá na Madeira. Mas, derivado por Zé Calapérnico e tudo, depois, passado algum tempo, um ano ou assim, ele teve uma pulmonia mal curada. Fui para o hospital, fui na altura que ele faleceu.
Pastor Albino, nós já vamos voltar, até porque temos muitas outras histórias também de Moçambique, histórias impressionantes. Vamos para o nosso primeiro curto intervalo e já voltamos. Segunda parte do programa Olhos nos Olhos. Hoje estamos a falar com o pastor Albino Vieira e a traçar um pouco deste
percurso que vai desde o Funchal até Cidade da Beira, Moçambique e depois por todas aquelas cidades que eu falei no início. Mas agora eu queria que revessássemos ao Funchal, até porque, por uma questão de justiça, queria que visse esta foto. Pastor Albina, esta foto é no Funchal. Ali temos o pastor Fernando Mendes, já o vimos. E depois este é o grupo do Funchal na altura. Era o grupo que tinha feito um curso bíblico. E o pastor está ali incluído? Estou, estou no lado esquerdo. Esquerdo do ecrã, será o terceiro? Do ecrã, apontar assim com o dedo. Ah, ok. Vê muito melhor do que eu, porque eu não consigo ver daqui, mas o pastor Albino vê lá em casa, com certeza, que também estão a ver.
Eu não consigo perceber, mas sim. Ele está no lado direito, por trás de mim está um membro de igreja, estou mesmo à frente. Estou assim com a Bíblia e assim a pondar o que eu devo. Ah, ok. Lá em casa certamente vai dar para ver. Eu é que já não consigo ver bem. Pastor Albino, temos ainda mais aqui algumas imagens que eu gostaria que partilhasse connosco. Esta seguinte é o Pastor Albino. Não, esta... Esta é em Colónia. Ah, ok. Ou seja, vai para Lisboa e depois vai para Moçambique. Quando volta de Moçambique é que vai para Colónia. Sim, sim, sim. Esta é interessante. E esta aqui é antes de ir para Moçambique, não é? Sim, isto aqui era onde nós chamávamos a República, que era quando nós estávamos a tirar o curso bíblico, e é onde nós dormíamos e estudávamos, era nesse quarto.
E temos ainda também uma foto do Pastor Albino no exército, no serviço militar, que é esta aqui, não é? É, sim. Eu fui militar, foi aqui que isto teve quase a surpresa. Por causa do sábado. Ou seja, o pastor Albino terá sido uma das primeiras pessoas a sofrer, vou usar muitas aspas, perseguição religiosa em Portugal, em razão do sábado, porque estava a cumprir serviço militar, mas para si havia algo sagrado. Não importa o que eu esteja a fazer, eu vou cumprir a lei de Deus. Porque o sábado é sagrado, o sábado é santo, não podemos tocar. O sábado não podemos tocar. Nem o Sábado está subjugado, seja qual for a circunstância, seja a ideia que eu tenho e tenho hoje. O Sábado não podemos subjugá-lo a absolutamente nada.
Absolutamente. Naquela altura, eu estava mesmo preparado para ser preso. Felizmente, Deus tomou a mão, pôs a mão por cima disso tudo e teve um filho Lindíssimo, não é? E eu neguei em fazer um trabalho ao sábado. Fui levado ao chefe de Estado-Maior. Ele era presidente da Conferência Qualquer Coisa Católica. Eu disse para não olhar para as divisas, ele era major. E nós conversamos e não sei... Não sei o que disse. como disse, qual foi o efeito que aquilo teve. Alguém falou por si, porque nem se lembra dessa conversa. Não, até mesmo de maneira como argumentava.
Eu não tinha argumentos para defender o próprio Deus. Não era eu que estava em jogo. Meu amigo, não era eu que estava em jogo. Quem estava em jogo era o Sábado, não era eu. Eu transfermo-me para a Infanteria para que, se eu não me trabalhasse ao sábado, para me prender. Mas, pela graça de Deus, eu fui sempre um militar correto. Eles não podiam me pegar absolutamente em nada. Depois eu subo. Estive uma semana ali num corredor, amanhã à noite. Passar ia ser... Passar pelo ridículo.
ser maltratado verbalmente. Ou seja, colocaram o pastor Albino num corredor durante uma semana inteira... Uma semana inteira, porque eu não sabia para onde ia. Só para as pessoas passarem por ti e olharem para ti. Não sei qual era a ideia, mas sei que passavam e gozavam e etc. E não tinha nada para fazer, ficava só Albino. Não, não, não. Uma semana. Chegou-se à sexta-feira, quando sai a ordem, E na ordem me diz que eu tenho que me apresentar à companhia de mobilização, no sábado, às 9 horas. Fazer. O que é que eu ia fazer? Sauda-se deste senhor, eu já não posso.
Ou seja, estava esgotado psicologicamente de uma semana... Completamente. Já não consigo. Torturosa, não é? Sauda-se deste senhor e não consigo. E não vou me apresentar. Eu não me apresento e pronto, eu faço o que quiser. Eu depois fui para casa, na sexta-feira à noite, e pelo caminho pensei, não vais fazer isso. Agora, veja, quem é que me disse isso? Eles não me puderam pegar em ponta nenhuma, não vai ser agora. Tu vais-te apresentar. Vou falar comigo. Tu vais-te apresentar e vais dizer aquilo que tens de dizer. No sábado de manhã, fardei-me, entrei na companhia de mobilização, para aquelas apresentações que era da praxe, e o comandante da companhia de mobilização é o único que me deixou falar.
Disse, oh rapaz, tu vais para aqui trabalhar? Essa coisa do sábado, à sexta-feira, a que horas as chás devem sair, os sás, embora só voltes na segunda-feira. Anda, vá para a tua igreja. Coisa tão simples. Como é que Deus trabalha? É com coisas complicadas. O que é que consegue recordar-se desse dia? Acredito que sim. O que é que sentiu nessa altura quando viu... Indescritível. Não podemos descrever. É muito mais do que... Sei lá. Muito mais se a pessoa tivesse recebido, olha, uma herança. Muito mais do que isso. Eu, desde o corteal até a igreja, fiz desse trajeto só uma oração, porque não podia.
Sabe, quando nós aceitamos que as coisas vêm de Deus, não há palavras para descrever. É difícil aquilo que nós sentimos, porque sentimos que é Deus que está a trabalhar com isso e não somos nós. Porque a minha ideia não era esta. A minha ideia era não aparecer Eu acredito que foi Deus que me colocou na minha mente, que falou comigo e disse, tu não vais fazer isso. O teu problema está resolvido. Tu vais e o teu problema está resolvido. E foi essa confiança naquilo que não se sabe, que no fundo é a fé. O meu amigo disse assim, então nós acreditamos ou não acreditamos.
Ou nós temos fé ou não temos. Não há de ter fé aqui e aqui não. Ou nós acreditamos ou não acreditamos.
Sendo que o pastor Albino Vieira sai, então, do serviço militar, é quando conhece a sua esposa Dolores. Sim. Já em Lisboa, não é? Não, não, lá na Madeira. Ela é madeirense também, a sua esposa, eu não sabia. Temos aqui uma foto do vosso casamento, presumeu. É o vosso casamento, não é? Sim, sim. Que acontece em 1967. Exatamente. No dia 30 de setembro. 30 de setembro de 1967. Ou seja, o pastor Albino tinha 27 anos, a sua esposa é um bocadinho mais nova. 23. Ah, sim. E depois, basicamente, vai-me ajudar aqui a perceber o que é que acontece. O pastor já tinha recebido um chamado para ir para Moçambique, não é?
Sim. E então disse, isto não pode ser, então eu saio do serviço militar e vou para um país em guerra. Não, eu vou falar com a Dolores e ela vai dizer, certamente, não, claro que já não vai, não sejas louco. Mas aconteceu o contrário. A minha mulher não queria ir. Ela não queria ir? A minha namorada, na altura. Ah, ok. Ela esteve três ou quatro noites a sonhar com pessoas da África. Ah, então ela soube disso e ela não queria ir. Não queria ir. Eu escrevi, porque na altura era escrita. Ela disse, não, para lá eu não vou. E ela esteve uns três ou quatro noites a sonhar Com África. E contou à mãe.
E nunca tinha ido à África. Nem ela, nem o pastor Albino. Não conheciam a África. Não, nem sabiam de onde é que se ficava. E a minha sogra lhe deu para a filha. A filha cedeu-lhe e lhe disse que tinha de ir para lá. Simples. Foi muito simples. Então, recebi ordens, o fitting. Casámos no dia 30 e no dia 10 de outubro fomos para Moçambique. Assim, sem saber para onde. Ou seja, entrou num barco? Pois, do barco levar-se nós íamos. Sem saber onde é que ficava. No trajeto, principalmente quando chegámos aqui a Limana, fomos de um jeep. Pescar à missão demorou à volta de umas 14 horas.
A carro, depois de uma viagem, de quanto tempo de barco? 18, 17, 20, 21 dias. No fundo foi a vossa lua de mel, foi no barco. Foi, foi, foi. Casei no dia 30 e embarquei no dia 10. E a minha mulher só dizia, onde é que vamos, vamos para o fim do mundo? É ver os perilamos andando de um lado para o outro, não é? Mas diga-me, eu tenho saudades disso. Olhando agora para trás destes 86 anos de vida e destes 60 de ministério, foi o período que mais o marcou, este período que esteve 8 anos em Moçambique. 7 anos, sim. Olha, marcou-me muito. Porque em África, as missões, em tempo de guerra, ou nós acreditamos em Deus ou não.
Ali não há espaço para dúvidas. Não dá. Estávamos em plena Guerra Colonial. Colonial. Eu recebi um convite de um diretor do Banco Príncipe Maior, mas esse banco acabou, para eu trabalhar para lá. Eu tinha a Escrituração de Contabilidade, que era hoje em dia o TOC. Técnico Oficial de Contas. É. Eu tinha o quinto ano completo. Disse-lhe, não preciso fazer isso, não preciso de nada. É só hoje diz-me que sim e amanhã já venho trabalhar para aqui. E ganhava nessa altura a volta de 4 mil contos. Isto em Moçambique? Eu acho que podemos ir vendo algumas imagens de Moçambique que temos aqui à medida que o Gustavo vai falando.
Eu ia ganhar para o banco nada menos do que entre 20 e tal, 30 mil euros. Euros não, contos. Valeu à pena, não é? Tinha casa de graça, carro de graça. As pessoas que estavam lá a trabalhar dentro de casa, pessoas de servir, de graça. Tinha subsídios de todo o lado, não é? Tentador, não é? Olhei para o cima, falei com a minha mulher, E chegámos à conclusão que éramos para lá não para ganhar dinheiro. Fomos para lá para servir a Deus. E não há dinheiro que pague isto.
Não há. E Deus acabou por se mostrar em muitas histórias. Enfim, neste livro de 167 páginas tem inúmeras histórias e experiências em que o pastor Alguinho viu diretamente a mão de Deus. Nós já lá vamos. Vamos para o nosso último intervalo e já voltamos. TV Novo Tempo, o canal da família, o canal da esperança. Terceira e última parte do programa Olhos nos Olhos, estamos com o pastor Albino Vieira, 87 anos, pastor da Igreja Adventista do Sétimo Dia durante... Quantos anos é que nós podemos falar de ministério? Ministério? Olha, eu entrei em 67.
E em 2019, 20, foi quando eu terminei. Sim, na verdade mais de 50 anos. A verdade é que mesmo depois de ter entrado na reforma, ainda voltou, ainda continua e ainda está muito ativo, como vocês podem ver. Nós já falamos aqui de Moçambique, mas ainda não vimos as fotos dos seus filhos. A sua filha nasceu em Moçambique e os seus dois filhos nasceram na França. Helena e o Pedro nasceram em Moçambique. E o Filipe, o mais novo, nasceu em França, em Colónia. Agora, para vermos, temos também fotos. Aqui... Helena, Filipe e o Pedro e o Filipe. Temos ainda mais outra foto, creio.
Esta é a mais recente. Lá estamos ali. Ali é em Avintes, ali eu sei que é em Avintes, porque ali atrás é o Parque Infantil da Igreja de Avintes e está de sétimo dia em Avintes. Porquê é que eu sei isto? Porque o Pastor Alvino foi o meu pastor. Eu nasci em 81, o Pastor Alvino foi em 85, 83. para 20, então a primeira memória que eu tenho de um pastor, sequer de saber o que era um pastor para uma criança, isto tem mais impacto, o pastor Albino não viveu isso, porque só começou a frequentar a igreja nos anos 20, mas para uma criança que nasce na igreja, tem muito impacto o primeiro pastor de que se recorda, e o primeiro pastor de quem eu me recordo é precisamente o pastor Albino, é que para mim é uma honra também estar aqui a conversar consigo, e a recordar-me com 3, 4 anos nos bancos das igrejas, no banco da igreja, e ver o pastor sempre a falar de uma forma tão entusiasmada, E eu diria até colérica, porque é surpreso o pastor estar-me a dizer que é melancólica, porque a forma como o pastor prega é de uma forma muito inérgica, de alguém que tem mesmo aquilo que diz, ou se acredita ou não se acredita, de alguém que vive mesmo essa convicção, e eu cresci, as primeiras memórias que eu tenho de um pastor foi ver o pastor Albino Vieira.
Que Deus o seja louvado por isso. Pastor Albino, dois vídeos que eu gostaria que visse de duas pessoas que resolveram gravar um vídeo para o pastor. Olá! Então, papá? Desta vez estão-te a fazer perguntas a respeito da tua vida. Vida essa que foi maravilhosa, foi preenchida. Fizeste o que sempre amaste. Existem poucas pessoas que fazem o que gostam. Tu tiveste essa sorte. E foi um exemplo que nos deixaste estes anos todos. Quando fazemos as coisas com amor, não custa nada fazer. apesar das horas às vezes sem dormir, das visitas prolongadas fora de horas, da tentativa de...
curar feridas e também de resgatar almas. Quanto a mim, como filha, foste sempre presente, foste um pai sempre, ainda hoje continuas a ser, um pai presente, que ora por mim todos os dias, que vê nos meus olhos todas as minhas aflições e dores de alma e sei que estás já sempre a mim. Amo-te muito, papá. Beijinho. És o meu orgulho. Olá, sogro. Pastor Albino. Olha, desde já obrigado por me ter dado a sua filha, que é a melhor coisinha que eu tenho na minha vida, não é? Obrigado também pela inspiração que o seu ministério tem sido também na minha vida.
Que Deus possa continuar a abençoar e possa sempre contar connosco. Olá avô, queria dar-te uma mensagem de carinho, dizer que estou muito orgulhosa e feliz pelo percurso que tu tens feito ao longo da tua vida toda. Sempre foste uma pessoa que marcou muita gente e continuas a marcar. Ensinaste-me que quando se trabalha com amor o trabalho deixa de ser considerado isso mesmo e passa a ser gosto e que a vida nos dá coisas boas quando nos dedicamos ao próximo e quando nos dedicamos a Deus.
Sou uma pessoa muito abençoada e quero agradecer-te pelo exemplo que tens dado tanto a nós como a toda a gente que passa na tua vida. Beijinho grande. Temos aqui a filha, a neta e o genro. Sim, sim, sim. Falam assim porque são muito amorosos. Sabe uma coisa? A única pessoa que nós não enganamos, além de Deus, somos nós próprios. Nós não nos enganamos no exemplo que nós fazemos de nós próprios.
É um esforço muito grande mentalmente que nós fazemos quando nós queremos ignorar aquilo que nós somos. Nós podemos receber as maiores ilusões dos outros. Cai-lhes bem, gostei de ouvir. Mas quando nós nos colocamos completamente nus perante Deus, Aí é que vemos aquilo que nós somos. Uma ocasião eu estava a ver um programa sobre astronomia e nisto aparece o nosso globo, o nosso globo Terra. Depois aquele globo vai desaparecendo, entra na nossa galáxia e desaparece.
Eu lembrei-me daquela passagem que dizias quando diz que as nações são menos do que nada. Se uma nação, perante os olhos, é menos do que nada, o que é que é o Vieira? E quando penso que uma nação é menos do que nada, e quando penso o que é que é o Vieira, então penso, o que é que Cristo veio cá fazer? Buscar o quê? É aí que o Vieira fica muito maior que o Universo. Não sei se estou a fazer. Quando penso, O que eu ver assim em Cristo não é nada, porque uma nação é nada, e uma pessoa menos nada é. Mas quando eu penso, quando Cristo veio, aí eu torno-me maior que o Universo.
Não sei se essa ilustração está bem ou não. É que perante os homens, nada somos, perante eles somos grandes. Esse é que importa. E sempre teve essa preocupação ao longo da sua vida de perceber quem é o Vieira usando estas palavras? Quem é o Vieira? Quem sou eu? Quem sou eu? E mais ainda, eu, antes de ser pastor, trabalhei. E a mesma dedicação que eu dediquei ao seu pilonagem, ao meu trabalho, quando estava na tropa, Eu fui amanuense. Estava nessa companhia de mobilização. Fiz daqui um trabalho, uma profissão, de tal maneira que eles não queriam que eu saísse.
Eles não queriam. E Deus castigou-me. Porque eu fui fazer o segundo ano e chumbei. Porque se eu passasse, era obrigado a ir para a escola de sergentes. E a Deus chamou-me. Não, não, tu queres que sejas pastor, portanto não vais continuar. Nós dedicamos a mesma coisa nesta querida obra. Não sei fazer outra coisa. Sr. Vieira, ainda temos mais um vídeo que eu não sei se está disponível já para vermos. No entanto, antes de vermos este último vídeo, para aquelas pessoas que querem
ser pastores, o pastor Albino Vieira, já o disse aqui, é o pastor com mais idade que já passou aqui para este programa, quem quer ser pastor, que conselhos é que teria para dar? A coisa mais difícil é que me pedem. Já explico porquê. Eu acho que eles pensam muitíssimo bem. Mas não pensem demasiado. Pensem, mas não demasiado. Pensem o porquê e a missão que vão ter. Porque ser pastor não é um emprego. Como emprego, não tem horas. Como emprego, não tem redificações.
O único objetivo é ganhar almas. Eu tive um pastor em Colónes, o Baltiés, que dizia que um pastor é um ganhador de almas. Trabalhamos na cura de almas. E um pastor é um ganhador de almas. Se um pastor não ganha almas, não está a fazer nada. Pregar é a coisa mais fácil. Agora, ir casa em casa, conhecendo os problemas, orando e, além disso, ser confidente. Ser confidente. Já me... A mim, de crescer em público, já me disseram coisas que, se eu comunicasse à igreja, eram desvinculadas da igreja...
E morrem consigo. Morrem comigo. E já me perguntaram Desculpe, mas se falando, falando, não disse nisto, disse assim, sabe ao que eu respondi? Não, não disse. Será que estava a mentir? Porque verdade é aquilo que eu não digo, nem tenho a obrigação de dizer. Se eu tiver a obrigação de dizer, estou a mentir. Mas verdade é aquilo que eu não digo, nem tenho a obrigação de dizer. Na altura em que eu disse que era confidente, acabou. Na sua profissão também há a mesma coisa. Logo, um pastor é isto.
Chora quando tem que chorar, abraça quando tem que abraçar, conduz quando tem que conduzir. É um trabalho coração a coração. Mas com sinceridade. Não é fazer isso por profissão. Pastor Albino, estamos a chegar ao final, mas temos ainda um último vídeo para ver que eu queria só a sua atenção. Olá, pai. Resolvi agora fazer uma paragem para falar um bocadinho sobre ti. Como pai, como referência, amigo e companheiro, e já são, no meu caso, 54 anos desde que me conheço. A tua companhia, os teus conceitos, ainda os guardo, ainda os tenho.
Embora tenhamos vivido juntos altos e baixos, sempre tiveste ao meu lado, sempre acompanhaste e continuas a acompanhar. Como muitas pessoas que também tiveram a oportunidade e têm de privar contigo e ouvir as tuas palavras sábias, os teus conselhos, sobretudo. E isso é inegável, o amor e consideração que tenho por ti. Espero que Deus te dê muitos anos com muita vida e saúde. Eu, como filho, só tenho que ter-me um imenso orgulho e cada vez um maior amor. Fica bem, Pai. Este é o Pedro, o seu filho mais velho.
Do meio? Sim, filho mais velho. O que é que sente ao ver os seus filhos dizerem isto? Pai presente. É uma coisa às vezes rara de ser dito a um pastor, porque um pastor tem tantas necessidades de estar em diferentes lugares, etc. Mas eles sempre dizem que foi um pai presente. E é um pai presente. Sabe uma coisa? Deus dá-nos 24 horas para trabalhar.
E dá-nos tempo para a família. Quando nós dizemos que não temos tempo para fazer isto, aquilo ou aquele outro, principalmente para a família, estamos a ser mal organizados. Porque isso vai tudo de organização. Eu costumo dizer o importante e o urgente. Nós temos que saber fazer a diferença entre uma coisa e outra. Pastor Albino, nós estamos a chegar ao final do nosso programa, e eu só posso me sentir um privilegiado, eu e todos os telespectadores, por todo o conhecimento, mais do que conhecimento, por toda a sabedoria que foi partilhando connosco ao longo deste programa.
E a última pergunta que eu lhe vou fazer é aquela que eu faço a todos os nossos convidados, que é a de saber se algum dia alguém quiser escrever algo sobre o Pastor Albino, algum dos seus filhos, dos seus netos, que conheceu tão bem a sua vida, e que gostasse de dar um título à sua vida, o título de um livro ou alguma coisa assim, que título é que gostaria que tivesse quando falassem de si? Pergunta difícil. Porque é o seguinte, a única coisa, eu fui um homem que passei por aqui. Eu digo como Jeremias, que o Senhor me chamou desde o ventre da minha mãe. Eu acredito nisso. Nós não nascemos por um acaso. por um desejo de um homem e de uma mulher.
Diz, tem um plano para nós. Tem para si, tem para todos aqueles que nos estão a ouvir, tem um plano. Ele diz claramente qual é o plano que ele tem para nós. Se nós não conseguimos ver esse plano, orem. Nós não estamos aqui por acaso. Deus tem para nós algo muito melhor do que nós pensamos. Nós esperamos uma nova terra. Esse é o plano de Deus. O plano de Deus é nos encaixar lá. O que falta é saber se eu quero ou não quero, se eu desejo ou não desejo.
As coisas dadas, sem usar a palavra sem sacrifício, não têm valor nenhum, não têm sabor. E nós temos que lutar por isso. É o conflito dos séculos. Eu acho que a única coisa foi um homem que passou por aqui. Pastor Albino Vieira, e eu quero agradecer-lhe por ter sido muito mais do que um homem que passou por aqui, seja neste programa, seja também na vida de tantas pessoas, de tantos membros de igreja e tantas pessoas de quem inspirou. Muito obrigado, pastor Albino. Amo todos. Eu costumo dizer, só nesse minuto, que não deixei uma pessoa amiga nas igrejas. Não deixei, porque trouxeste todas comigo.
Eu só encontrei, nesses anos todos, Belíssimas igrejas. Não têm a mínima coisa contra nenhum irmão de igreja. Foram extraordinários. Foi a melhor coisa que eu vi de cada membro de cada igreja. Obrigado, pastor Albini. Que Deus o continue a abençoar. Obrigado. Foi uma honra para mim. Foi um privilégio de estar aqui falando consigo. E para aqueles que nos estão a ouvir, que Deus vos abençoe.
Uma vida marcada pela fé, pela missão e por experiências que só se explicam pela mão de Deus.