Joana Toderian

Joana Toderian

08 de Maio de 202655 min 28 s

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Abertura e apresentação

Seja muito bem-vindo ao programa Olhos nos Olhos, aqui na TV Novo Tempo. A vida tem uma forma curiosa de nos surpreender. Às vezes imaginamos um caminho muito claro para o futuro, traçamos planos, fazemos promessas a nós próprios, mas muitas vezes Deus escreve a nossa história de uma forma completamente diferente. A convidada de hoje é alguém cuja vida mostra exatamente isso. Joana Toderian cresceu num ambiente familiar desafiante, numa casa onde a mãe assumiu praticamente sozinha a responsabilidade de criar os filhos. Nesse contexto, uma figura tornou-se especialmente marcante na sua vida espiritual, a sua avó Laurinda, que todos os dias de manhã se levantava cedo para ler a Bíblia e a lição da escola sabatina. Foi também na igreja, nos desbravadores, nas atividades missionárias e nas experiências com os jovens que Joana foi moldando a sua identidade e a sua fé.

Mas a sua história não é apenas feita de espiritualidade e missão, é também uma história de persistência. Na escola enfrentou dificuldades, repetiu o 12º ano por causa da matemática e mesmo assim decidiu-se por um curso universitário onde a matemática era central. E conseguiu. É também uma história de viagem e descoberta. Joana viveu em várias cidades e países, Coimbra, Cascais, Lisboa, São Paulo e Milão, sempre procurando crescer, aprender e reinventar-se. Mas talvez um dos capítulos mais inesperados da sua vida tenha começado numa oração muito sincera. Durante anos dizia que não queria casar com um estrangeiro, Até que numa noite de oração disse a Deus, se essa for a tua vontade, muda o meu coração. E a resposta a essa oração começou a desenhar-se numa missão nas Filipinas. Hoje é casado com Artem, um ucraniano que conheceu neste contexto missionário numa história que atravessa continentes.

Esta noite, queremos conhecer melhor esta jornada. Olá, Joana. Olá. Tudo certo nesta introdução? Uau! Faz sentido? Só mudava ali algumas palavras na oração, porque eu fui mesmo direta com Deus. Foi enquanto eu morei em Cascais, ajoelhada na minha cama, que eu disse, Senhor, Tu sabes que eu não quero um estrangeiro. Porque eu nunca tinha dito isso a Deus. Eu dizia às pessoas, mas nunca me tinha atrevido numa oração em dizer a Deus, todos menos um estrangeiro.

Nunca tinha verbalizado isso e foi a primeira vez que verbalizei e que disse, senhor, tu sabes que eu não quero um estrangeiro, mas se essa for a tua votada, então muda o meu coração. E ele mudou. Nós já vamos conhecer melhor essa história, que é uma história muito bonita. Se calhar a palavra certa é mesmo bonita no sentido, em todos os sentidos. Vocês são também um casal bonito. Já vamos gerar algumas fotos que nós temos do vosso casamento.

Raízes e memórias de família

Mas antes disso, eu gostava que comentassem algumas fotos que nós temos aqui. que, no fundo, retratam as tuas raízes. Joana, ajuda-me aqui nesta sequência de imagens, que vamos agora ver, e explica-me quem são estas pessoas e quando foram tiradas estas fotos. Ui, quando... Talvez não saibas, mas... Quando foi antes de 92, porque não existiu o meu irmão mais novo ali. É o meu irmão mais velho, é Noque. o meu primeiro amigo e o meu primeiro inimigo também, porque naquela idade andávamos sempre à luta, ou melhor, ele não me deixava acompanhar nas brincadeiras dele com os amigos dele, às vezes. E eu ia dizer, oh mãe, ele não me deixa brincar. Essa fase que quem tem irmãos e que são de sexo oposto passa, mas com o tempo isso passou e o meu irmão é uma das pessoas mais importantes da minha vida.

Mais algumas fotos que eu gostaria que nos ajudasse a comentar. Esta aqui também é o teu irmão. Já um bocadinho mais velho. É em Arganil. Aqui, quem é que temos aqui? Aqui é o meu irmão mais velho, o Enoch, e no meio está o Ruben, que é o meu irmão mais novo. Ou seja, dois irmãos que tu tens. Sim, e esta foto foi tirada em 2015 ou... não, 2012 ou 2013. Mais algumas fotos que eu gostaria que nos ajudasses a comentar, quem é que temos aqui? Isto foi na minha investidura de edição, isto foi por aí em 1995. Eu lembro-me que tinha sete anos. E quem são aquelas pessoas mais velhas?

Sabes identificar? É o meu avô Manoel, com a Cristiana Okolo, e a minha avó Laurinda, com o meu irmão Rubén Okolo. Também já falamos dela na introdução e quero que fales um bocadinho mais sobre ela mais à frente. Mais algumas fotos que ainda temos nesta sequência inicial de fotos para comentários. Aqui, isto deve ter sido o vizinho ali ao 12 de Setembro, que era o aniversário da minha avó. A avó Laurinda também. Da minha avó Laurinda, que é a mãe da minha mãe. E aqui é a minha família materna, está ali à esquerda. O pequenino é o Samuel, depois o Ruben, o Enoch. A minha tia Cristina, a minha avó Cristiana, a minha mãe, eu e o meu avô Manuel. Só falta o meu tio Vítor, porque foi ele que tirou a foto.

Não sei quantas mais fotos ainda temos, creio que temos ainda mais duas ou três. Esta é a minha avó Angelina, fez agora em Fevereiro 99 anos. E está bem ela? Como é que ela está? Ah, graças a Deus. Ela é um espetáculo, tem uma história de vida que dava um bom programa. O meu avô era 23 anos mais velho do que ela. E eu gosto muito de picar e de brincar com ela e dizer que ela ficou com o velho. E ela diz sempre que ele não era nada velho, mas eu gosto de picá-lo. Ela aqui estava com 93. 93 anos. Isto foi em 2019. Impressionante. Foi no meu casamento. Mais algumas fotos. Aqui estás a fazer algo que tu gostas muito, presumo. Sim, isto foi no Impacto 2011. Que no fundo é um encontro de jovens para partilhar Jesus às pessoas que não o conhecem, mais ou menos é isso.

Sim, é aquela altura do ano em que não te sentes diferente porque todos com quem tu estás comungam da mesma fé, das mesmas ideias. O telemóvel fica de lado. E os dias parecem curtos. Quando chegou ao fim, querias que houvesse mais e aquele primeiro dia, quando se chega à casa, era uma dor no peito e era ir ver as fotos dos acampamentos. E temos, creio que é a última que nós aqui temos, exatamente. Esta foi em 2017, a minha primeira viagem missionária, onde eu conheci o Ártem nas Filipinas. O Ártem é o teu marido? Sim. Isto é em Negros Oriental, Filipinas. Joana, posso perguntar a idade porque és uma jovem, não é?

Marcos difíceis e superação

Tenho vinte e dezoito. Vinte e dezoito, pronto. Tens vinte e dezoito anos. Achas que tens uma história de vida que pode inspirar quem vai ver este programa? Em alguns aspectos, talvez. Não acho que seja melhor do que alguém, mas há certos aspectos da minha vida que Deus permitiu que viessem à minha vida e que eu acredito que podem encorajar alguém que esteja a passar pela mesma situação. Que aspectos é que achas que poderão ser esses? Sem entrares em concreto, em muito pormenor, só para perceber que traços da tua história de vida podem influenciar alguém que veja este programa. Assim, resumidamente, alguns marcos que Deus permitiu...

Alguns marcos tristes que Deus permitiu na minha vida que, com a ajuda dele, foram ultrapassados, ou estão a ser, porque a vida é uma caminhada, não é? E nós, com uma mochila maior ou uma mochila menor, vamos carregando algumas coisas que, por mais que queiramos que elas fiquem para trás, elas acabam por nos acompanhar. Então, a primeira grande seria o divórcio dos meus pais, a separação, o sentir deixada para trás. Aos 13 anos foi esse o meu sentimento. A doença e morte da minha avó Laurinda. A doença do meu irmão Enoch.

E depois a minha parte a nível de relacionamentos. dizia e achava, dizia, achava e continua a achar, que queria alguém da igreja, que fosse, que pertencesse à mesma comunidade e quando se diz da igreja que tivesse os mesmos objectivos de vida, que estivesse a caminhar na mesma direção. Só que eu não tinha preparo, hoje sei que não tinha preparo para essa escolha e aos 19 anos comecei a namorar com a pessoa errada frequentar a igreja não é o mesmo que ter o Espírito de Deus no seu coração. Ou melhor, estar convencido e convertido não é a mesma coisa.

Então acabei por escolher a pessoa errada, apesar de ser igreja. E depois, como apanhei uma grande decepção, baixei a fasquia. Então não é assim tão importante. E namorei com o meu melhor amigo da faculdade. E terminámos pelo motivo que já existia antes. E isso eu tenho pena, porque faltou também a maturidade. Para perceber a maturidade espiritual também, essencialmente. para perceber que não valia a pena comprometer uma amizade porque o desfecho ia ser na mesma, porque nós não mudamos ninguém.

No fundo ele tinha a esperança de me mudar e me colocar a pensar como ele e eu também e ao fim de quatro anos terminámos e terminámos-a bem. Eu sinto que foi a melhor decisão e mais difícil que tomei na vida e esta é uma das partes que eu acho que pode também inspirar alguém. Porque nós terminarmos com alguém que não quer um dia estar no céu não faz de nós... não é más pessoas. É algo muito difícil. Nós achamos na altura que nunca vamos gostar assim de alguém, mas literalmente nós não sabemos nada. Então foi algo bastante difícil, mas valeu-me muito a pena confiar em Deus e Deus deu-me mais e melhor do que aquilo que alguma vez pedi ou pensei.

Ou seja, no fundo, tu acabaste de relatar quatro situações da tua vida, quatro, cinco situações da tua vida, todas elas negativas, que tu olhas para elas como tendo sido importantes para inspirar alguém. Sentes que os momentos mais negativos da vida são aquilo que moldam a pessoa? Foi o que aconteceu contigo? Sinto. Aliás, a Inclusive Ashes diz que é melhor ir à casa onde há luto do que ir a onde há festa e banquete. Porque a dor faz melhor o coração. E nós aprendemos com a dor. Há uma frase que eu li na minha adolescência e que nunca mais esqueci, que nem sei quem é o autor, mas diz, a dor alimenta a coragem, não podes ser corajoso só de acontecerem coisas maravilhosas. Na altura eu lembro-me de a ler e achá-la ridícula. Mas agora, do alto dos meus 20 e 18 anos, acho que faz todo o sentido.

E acho que estas situações negativas que eu te enumerei criaram em mim empatia para com os outros. Por exemplo, para com uma doença mental, para com um cancro. para com uma separação, para com uma mãe que fica com os filhos. São situações corriqueiras do nosso dia-a-dia e que facilmente encontramos. na sociedade, mas o facto de que me aconteceu a mim me ajuda naquilo que eu faço agora, que tenho uma página, que não é sobre estes temas, mas onde muita gente me escreve e abre o seu coração, em que me dá uma certa bagagem e empatia para responder às pessoas, para ouvir as pessoas, para me colocar no lugar.

Caminho profissional e redes

Talvez por aí, mas só dizer que estas coisas contribuíram para me fazer mais forte. Eu acho. Então vamos começar por mostrar a tua página do Instagram. Temos aqui um pequeno print da tua página, a qual tu geres há algum tempo. Não sei quantos seguidores tens atualmente. Talvez ali esteja desatualizado, mas pessoas que acompanham mais ou menos o teu trabalho. Quantas pessoas são mais ou menos, podes, sabes dizer? Assim, à redondade estão no Instagram 77.700. Ou seja, estamos a falar de um grupo de pessoas muito, muito vasto que gosta de acompanhar o que tu fazes. Já vamos também explicar melhor o que tu fazes, mas a minha pergunta vem um bocadinho da linha do que estavas a dizer. Tu és demasiado empática e o facto de seres tão empática torna-te, por um lado, uma pessoa que sofre mais, mas por outro lado também alguém mais genuíno.

Alguém que ama mais, se calhar. E mais autêntico e que faz com que as pessoas se identifiquem. Será por aí? Não sei. Não sei, uma coisa que o Ártam me disse... O teu marido? Sim. Ao longo do nosso namoro e quando me pediu em casamento, uma coisa que ele gosta é do meu coração. Talvez seja por aí, não sei. Ele não é assim tão puro, infelizmente. Mas... Acho que sim, não sei. Joana, como é que tu chegas então até este momento deste print que nós mostramos de setenta e tal mil pessoas, contas que te seguem? Comecei com um seguidor e esse um seguidor era eu na minha conta privada. Sim, mas antes de tudo isso, porque tu tens muitas Enfim, nós já falamos muitas histórias de superação.

Eu aqui falei alguns exemplos. Por exemplo, não fizeste o exame do 12º ano. Não fui sequer ao exame. E depois seguiste um curso, precisamente, onde a matemática era a parte central. Viveste noutros países, Itália, Brasil. Chegaste a trabalhar num clube de futebol. Não vamos dizer qual é. Não podemos dizer que gosto das pessoas que lá estão. Tu trabalhaste em que área? No Sporting Club Portugal, mas em que área? Na contabilidade, era técnica. Tu trabalhaste em muita coisa, sendo que no fim vais desaguar naquilo que tu sempre gostaste. Como é que se faz este percurso? Como é que se consegue fazer este percurso, para os jovens que nos vêm, em que o sonho deve ser, certamente, de trabalhar naquilo que gostam? E como é que tu, depois de trabalhares e teres feito tanta coisa que não gostavas, chegaste lá? Ou que não gostava tanto?

Calhar é mais por aí. Eu já fiz muita coisa. Nos verões, nas férias, não sei se ainda há, havia uma coisa que era a ocupação de tempos livres, por uma vida pelo IPJ, TOTL, e ganhava-se acho que 50 ou 70 euros. Eu inscrevia-me sempre e ia para a Santa Casa da Misericórdia, para o lar, o que é que eu fazia no lar, companhia aos velhinhos, para a biblioteca, tipo de coisas que a Câmara da Loja... Ou seja, sempre gostaste muito de pessoas. Gostavas de estar com pessoas, de te conectar com pessoas. Acho que sim. Nunca pensei muito nisso, mas sim. Porque se gostavas de fazer esse tipo de atividade com pessoas, com velhinhos, etc, e se hoje em dia tens este trabalho mais na área do digital, apesar de seres uma formação mais ligada à parte dos números, contabilidade e afins, a verdade é que gostas das pessoas.

Sim. Depois, também fiz limpezas. Também fazia as férias da empregada do BES, do Banco Espírito Santo, lá na Lausanne, do Balcão da Lausanne. Eu também fazia as férias dela, também me ajudava a ganhar um dinheiro para comprar... Tinha lá notas perdidas no chão? Não, não tinha, mas ajudava-me a comprar aquilo que os outros miúdos hoje em dia recebem dos pais e na minha idade também já recebiam dos pais. Por exemplo, eu lembro-me que as minhas primeiras sapatilhas Nike foram compradas no ano de 2000, depois de um verão a tomar conta de uma criança e a limpar a casa daqueles pais. Ora, em 2000 eu devia ter uns 12 anos. Mas eu nunca mais me esqueci, foi no Arrábida Sovinha.

Eu lembro-me bem das escolher, das comprar e tudo mais. Então o OTL eram 50 ou 70 euros, mas era para comprar aquela coisa que eu queria, porque a minha mãe não podia dar. Então, nas férias eu também ia fazer limpezas. A gestão veio porque eu queria direito, tu fizeste direito. Mas depois comecei a achar, já no décimo ano, que se calhar esse não era um curso muito bom para mim. Erradamente também, porque há várias áreas, mas o que eu pensava era que não podia ir defender uma pessoa que tivesse culpa. porque eu sou... Tento ser muito justa e as coisas que são injustas mexem muito comigo. Sofres muito com as injustiças. Sofro muito com as injustiças.

Muito mesmo. Então, comecei a descartar um pouco e tinha uma professora que gosto muito, ainda hoje. Era a minha professora de técnicas de organização empresarial e nós dávamos contabilidade ali e eu... Ah, por que não? Só que eu gostava de várias coisas naquela área, então não me via de ser contabilista, então escolhi Gestão. Hoje não teria escolhido, sou sincera. Claro que fico contente, não sei onde é que foste buscar essa informação que é verdadeira de que eu naquele ano não fui ao exame e depois fiz o exame, estudava de manhã à noite, sentava na mesa da sala, não se levantava de lá enquanto não fizesse os exames do GAV todos que havia, porque tinha muita dificuldade e a explicação era...

Lá está, porque por causa da minha instabilidade na infância, eu chego ao décimo segundo e eu não tenho bases nenhumas de matemática, porque eu não tinha... a minha mãe não podia estar em cima de mim a ver se eu tinha os trabalhos de casa feitos. Hoje em dia é um problema da maioria dos pais, mas hoje em dia há muita gente que vai para salas de estudo e tudo mais e não foi esse o meu caso. Então eu fui andando sempre à margem até chegar ali, sem bases nenhumas, mas tenho que andar. E pronto, a minha mãe também encorajou-me a não desistir e a não ser Como é que eu hei de dizer? Se os outros conseguem, eu não sou menos que ninguém. Demora tempo cada morar, mas também hei de conseguir.

Ou seja, era a resiliência que tu sempre tiveste, no fundo. Sim, fiz matemática 1 com 11. Matemática 2, se calhar com 10 ou com 11. Mas fiz. Pronto. E fiz Estatística 1 e fiz Estatística 2. Adorei? Não, não adorei. Eu fiz pelos mínimos, fiz pelos mínimos. Mas as disciplinas de Direito tive 18. Mas lá está, devia ter ido para a Direito. Hoje teria ido para a Comunicação Social, porque lá está, gosto, ou para algo na comunicação, porque gosto de comunicar, sinto-me à vontade com isso. Mas a verdade é que isso não te impediu, mesmo tendo feito outros cursos, que se calhar agora olhando para trás podias ter feito de forma diferente, isso não te impediu de, no fundo, fazeres aquilo que tu fazes atualmente, que é lidar com as injustiças. Utilizas as tuas redes muitas vezes para quando vêes injustiças e trabalhas na área da comunicação, porque hoje em dia não há, se calhar, nada mais comunicacional do que ter uma rede social, gerir uma rede social com muitas pessoas.

No fundo conseguiste. Tenho marketing, tenho a contabilidade, porque também tenho que entregar o IVA. Exatamente. E todas essas coisas. Ou seja, se calhar mesmo por vias diferentes daquelas que seriam aquelas que poderiam ser esperadas mais normais e naturais, tu conseguiste chegar onde tu querias. Sim. Sim. Não tenho muito a dizer sobre isso. A única coisa, e que durante algum tempo ou bastante tempo tive algum receio de dizer por causa do que é que os outros iam pensar, porque é visto um bocado mal da pessoa não ter ambição profissional. Mas a verdade é que eu nunca quis uma carreira. Eu nunca tive um sonho de uma carreira, um sonho com nada disso. Os meus sonhos sempre foram outras coisas.

Mas tiveste dificuldade em encontrar emprego depois de terminares o curso ou também foi algo fácil? Depois de terminar o curso eu gostava de ir para a área das redes sociais, só que não havia oportunidades como há hoje. Mas na altura já tinhas essa ambição de trabalhar? Já, porque já tinha criado um blog. Eu criei um blog em 2011, 2012. Na altura em que os blogs estavam mais ou menos no ar, não é? Sim, comecei um canal do YouTube, que depois eliminei tudo, quando arranjei trabalho, para ninguém me encontrar e depois não gostarem comigo. Mas, de repente, de ter a pagar, estás a ver? Por causa do que é que os outros vão pensar. Então, tinha já este gosto. Comecei logo a trabalhar em contabilidade. Comecei a trabalhar em cascais.

Foi uma benção ter encontrado a casa que... que, no fundo, esta comunidade é que me ajudou a encontrar. A minha mãe conheceu a Margarete através dos encontros da amizade e a Margarete era da Igreja de Cascais e perguntou quem é que teria um quarto para arrendar e fiquei na casa da Cristina Gualdino, que era mesmo, mesmo, mesmo ali no Biscoito da Luz, no centrinho de Cascais. E Deus sabe tão bem a nossa história Que guia tudo de uma maneira perfeita, porque eu conseguia ir dali para o meu emprego, o meu primeiro, que era em Cascais, a pé, e depois, quando eu mudei para o Sporting, eu morava ao pé da estação de comboio. Ainda mais perto era do que para o trabalho. Para o outro trabalho. Portanto, foi também perfeito e quando precisei de mudar, Deus também conduziu as coisas de tal maneira que eu só precisava de atravessar a IC19, de um lado para o outro, para estar no estádio.

E também foi algo guiado por Deus a encontrar esse quarto. Portanto, eu sinto que Deus tem conduzido, tem-me guiado. Ele ouve as orações das mães e da minha, eu ouvo de certeza. Joana, vamos para o nosso primeiro intervalo. Nós voltamos já a seguir. Estamos Olhos nos Olhos com Joana Toderian. Ela que tem um trabalho muito ligado às redes sociais. Mais concretamente, à rede social Instagram. E vamos conhecer mais em pormenor aquilo que ela faz e como é que utiliza esta

Exposição e mundo digital

rede social para falar da sua fé e também partilhar o amor de Jesus. Até já. TV Novo Tempo. O canal da família. O canal da esperança. Estamos de regresso, Olhos nos Olhos, com Joana Toderian. Joana, há um bocadinho dizias algo interessante. Tu criaste um canal no YouTube em 2010, 2011, criaste um blog por aí, numa altura em que o YouTube não era nada daquilo que é hoje. No entanto, quando foste trabalhar, foi para o Sporting, foi isso? Ou para outro sítio qualquer? Foi até antes, mas aí então... Tu não gostas de pagar tudo, não é? O blog ainda está. Ainda existe, sim. O blog é joaninhavoo? É joaninhavoo. Disseste que não querias que as pessoas fizessem pesquisas sobre ti e te encontrassem e soubessem ou, não sei, fazer ponto?

Tinha vergonha porque eu gravava sem luz com uma câmera que me ofereceram no aniversário e eu não sei se aquilo era 8 megapixels ou coisa assim. já tinhas a vontade de dizer algo ao mundo e utilizar as redes chefs para dizer algo ao mundo. A minha questão é, a esta distância, já passaram 14, 15 anos desde esse momento, a verdade é que tu tens a necessidade de expor a tua vida ao mundo. Isso não é propriamente uma preocupação. Presumo que tens muitos filtros e muitas camadas para saber dividir isso. Pequenos frames da minha vida ao mundo. Não é a minha vida ao mundo. de todo o que não é a minha vida ao mundo. E como é que tu selecionas esses pequenos frames da tua vida ao mundo para que possas ter uma vida normal sem estar preocupada com aquilo que as pessoas pensam? Há a vida privada, há o pessoal e depois há a outra parte que não há qualquer problema.

Eu acho que aquilo que faz parte do grupo privado nunca é para publicar. No pessoal é preciso usar um bom filtro. está muito colado ao privado. O pessoal é aquilo que cria conexão com a pessoa que está lá em casa. Por exemplo, se eu partilhar que sofri muito por ser muito magrinha e gozarem muito comigo na escola, eu estou a partilhar algo pessoal. A pessoa que está do outro lado identifica-se. E eu estou à vontade de partilhar esta parte. Agora, há outras coisas da minha vida que eu acho que nem tenho que saber. E pronto, não partilho. Mas também tens uma segurança muito própria para poder partilhar fragilidades tuas a pessoas que não conheces.

É preciso ter... Eu falo por mim. Enfim, eu tenho as redes sociais que uso, mas praticamente não uso nada. Tenho lá aquilo que praticamente nem uso. Eres um observador. Sou o típico observador. É a câmara de vigilância, como eu digo. No entanto, eu acredito que deve ser difícil para, individualmente, expor alguma fragilidade sem saber que repercussão aquilo vai ter. Há um risco elevado de receber comentários infelizes e mensagens infelizes. E lidas bem com isso. Como é que vou dizer? Está aquela coisa de dizer-me sempre que sim, mas a verdade é que eu acho que ninguém lida. Eu ouço podcasts e gente com contas maiores que as minhas e que diz isso, mas depois alguma coisa fica.

Ninguém fica indiferente a uma mensagem infeliz. Posso-te dizer que recebo dezenas de mensagens felizes e já houve uma ou outra que me ficaram cá a martelar e que fiquei triste com aquilo e... e me afetaram, porque sou humana, tenho sentimentos, é normal. O que tento, o trabalho que eu tento fazer é, isto é só a opinião dela, que não me conhece de lado nenhum, que viu isto, não sabe contexto, e mesmo que soubesse, é a opinião dela, eu tenho o direito de ter a minha. E sentes que te tornaste mais forte ou não fez diferença? Ah, estou mais forte agora do que quando queria página. Mas porquê? O que é que aconteceu, entretanto, para... Porque querias calo, não é?

A prática dá-te calo. Por exemplo, no início eu não conseguia aparecer se não pusesse um filtro. Agora já apareço. Tinha vergonha de falar para a câmara. Agora já não tenho vergonha. Eu acho que vai pela repetição e o facto de praticarmos lança fora o medo, o receio e depois é o outro lado. Ok, eu estava-te a dizer. Ao expor-me, coloco-me numa posição em que me arrisco a receber mensagens más. Mas também me coloco na posição de receber tantas boas. Que são a maioria, por exemplo. É, a maioria. é a maioria. Quando há algum comentário infeliz, normalmente é pessoas que nem seguem. Aquele conteúdo ficou um pouco viral, chegou alguém que não está a par de nada e critica.

Houve um ou outro caso que pode ser de alguém que até acompanha há mais tempo, mas há um botão espetacular que é de remover o seguidor. É a pessoa, se não quer estar ali, a porta é aberta diante dela para ir embora e na boa. Então, vamos falar para aqueles que nunca acompanharam a tua página. Já dissemos ali há bocadinho, aliás já mostramos, mas podes dizer para quem nos está a ver pela TV, vai ao telemóvel rapidamente e encontrar a tua página. É Joana Toderian. Joana Carvalho Toderian. Se escreverem Joana Carvalho Toderian, encontram ou só o Joana Toderian também.

Criação de conteúdo

E do que é que trata a tua página? Então, eu na minha página partilho dicas domésticas, limpeza, arrumação, organização, cuidado pessoal e algumas dessas partilhas pessoais com a comunidade que me segue, porque eu acho que faz sempre falta a parte pessoal. Porque dicas, toda a gente partilha. Tu vais ao Google ou aos 150.000, tem lá centenas de dicas. Mas ninguém é Joana. Então essa é a diferença, é ter uma pessoa por trás das dicas? Sim. Uma pessoa com quem a outra pessoa também se possa identificar. E quando é que tu percebeste isso? Ou seja, que trajeto é que tu tiveste de fazer para, de uma seguidora, que eras só tu própria, até 70 ou 80 mil pessoas?

Bem, eu não fiz isto ao acaso. Eu estudei Gestão, como tu disseste há bocado. Para terminar o meu mestrado, eu escolhi como tema para a minha dissertação final as redes sociais como ferramenta de marketing, quando ainda o Instagram estava ali. prestes a começar. Então, não é que eu comecei a minha página sem estratégia e sem saber ao que é que ia. Eu já sabia que tinha que ter um tema base para falar, que despertasse interesse, porque o ser humano só quer saber de si mesmo, não é? Que proveito eu posso ter disto que eu estou aqui a ver. Senão, segue em frente. Então, agora é cada vez mais fácil. Nós fazemos assim com o dedo e passo ao conteúdo seguinte.

Então, eu já sabia que havia determinadas coisas que eu precisava de seguir. Agora, como é que eu cheguei ao tema da minha página? Aí é que é outra questão. Então, fiz uma pequena reunião com o meu marido. Ele é designer, mas ele também estudou gestão. Então, ele perguntou-me. Ele também gosta muito desta área de estratégia e tudo mais. Estava lá com o seu quadro branco, como ele gosta. Filho de professora, é assim, tem um quadrozinho. O que é que sabes fazer bem? E eu... Ui. E disse assim com... Cuidado à casa. Sei que é algo que eu sei fazer bem. Fui educada para saber fazer aquilo bem, senão a minha mãe...

Ou a criança seja, já era tratar da casa, cozinhar, colocar os lençóis todos bonitinhos, já era educada nisso. Eu fiz a Insignia de Trabalhos Domésticos em Tições e tive que... tinha que saber limpar a casa toda, cozinhar, e foram lá à casa provar o que eu cozinhei e tudo mais. Portanto, eu... os Tições, éramos Tições até aos 12 anos, portanto, A essa altura eu já sabia fazer estas coisas. Então, fui preparada para saber fazer essas coisas. Então, escolher o tema não foi difícil. E foi assim que chegámos ao tema da página e comecei a partilhar. E não perguntaste ao teu marido alguma pergunta básica. Como é que cuidar de uma casa pode ser interessante para as pessoas?

Como é que chegaram a esse passo de tornar interessante e aliciante alguém ver cuidar de uma casa no Instagram? Olha, porque mais dia menos dia toda a gente vai ter que fazer alguma tarefa doméstica. Nem que seja porque o empregado faltou e tem que fazer alguma coisa. E infelizmente, julgo-me quem quiser, há muita gente da minha idade e mais velhos que não sabem fazer muita coisa em casa. E se eu puder contribuir para essas pessoas aprenderem, É ótimo, pelo menos eu penso assim. E como é que foste crescendo, então? Como é que foi desenvolver o teu canal? Fui mostrando desse conteúdo, as pessoas foram se interessando e foram se juntando a mim.

E para quem vê e disser, ok, agora também gostava de começar, o que é que tu podias dizer a nível do trabalho que foste desenvolvendo e as experiências que foste adquirindo que podias partilhar? Eu acho que há espaço para começar. Acho que é preciso não desistir, não esperar que seja fácil, mas isso é como em tudo na vida, é como qualquer projeto. Acho que é importante pensar em ter algo a transmitir aos outros, que agrega valor, não é? Não é só dizer, ah, eu fui ali e fiz aquilo e não sei o quê. E tu que estás a ver, pensa, e eu com isso? Mas se tu entregas algo que pode ser útil àquela pessoa, como eu fui ali e estes são os cinco melhores spots para tu comeres o pequeno almoço.

Já estás a colocar as coisas no outro que o outro vai receber. Ah, deixa-me ver onde é que eu posso ir comer. Nós temos uma imagem que eu gostaria de partilhar contigo, que é uma imagem que tu foste a um programa de televisão. E a verdade é que depois de teres ido a alguns programas de televisão, o teu canal foi crescendo. Isto é recente. O que é que temos ali nas fotos? Temos a Sónia Araújo, co-apresentadora da Praça da Alegria, com o Jorge Gabriel. a minha mãe e eu que, no decorrer de uma campanha com o supermercado por altura do Natal, partilhei a receita de rissóis que faço com a minha mãe e eles gostaram e quiseram que nós fôssemos replicar lá o programa e que a minha mãe fosse, para ser assim diferente.

Então, fomos convidados. Tu já foste e já participaste em vários programas de televisão e isso fez muita diferença no crescimento do teu canal? Ou não é por aí que os canais crescem? Não sei. Eu acho que date alguma autoridade no setor. O meu é da casa, limpeza, organização. O primeiro programa que eu fui da televisão foi a Casa Feliz, por altura do início da guerra entre a Ucrânia e a Rússia, ou a Rússia e a Ucrânia, e fomos contar a nossa história. Aí foi mesmo, tinha a página há pouco tempo, eu acho que tinha uns 500 e tal seguidores, e crescer um bocadinho nesse programa, óbvio, não é?

Aparece lá o nome da minha conta, é uma história diferente, crescer um bocadinho. Depois, em cada participação vão se juntando pessoas à conta. Mas, atualmente, não sinto que seja substancial aquilo que acrescenta a nível de seguidores. Até porque depende muito do qual é o canal. Por exemplo, na RTP1, na Praça da Alegria, é um público mais velho, mais da idade dos nossos avós, nem todos têm este tipo de redes. Na Casa Feliz já tem ali um misto, eu já fui também algumas vezes, também já fui à Carolina Patrocínio, nasci com mulher, também é outro público, depende muito do público e também no outro dia fiquei um bocado surpresa porque tinha estado no telemóvel, estava tudo normal, abro o telemóvel, tinha entrado montes de seguidores, mais de 300, e eu não percebia porquê.

Depois fui às mensagens e uma seguidora estava, tinha-me escrito a dizer, só para saberes, estão a falar de ti na RFM. Então, lá está, é no rádio, as pessoas estão ou no trabalho ou estão a conduzir, mas ouviram e procuraram-me e então fez a diferença. mas eu acredito no caso, por exemplo, da RFM, quem falou de mim, falou porque me começou a seguir e gostou de mim e por gostar de mim me tenha mencionado. Então, acho que acaba por ser essa essa conexão, essa empatia, essa ligação com quem está do outro lado, com quem cria. Não é só as minhas dicas de 7 dicas para lavar os teus lençóis e eles estarem sempre branquinhos ou coisa assim.

Não é isso que conecta à pessoa, mas as pequenas partilhas do foro um pouco mais pessoal. E é esse gostar de ti, essa empatia que nós já falamos, que depois leva a que tu

Fé e partilha pessoal

também queiras partilhar algo mais até do que a própria parte pessoal, mais do que a tua própria convicção, a tua própria fé, e que muitas vezes utilizas as tuas redes para partilhar a tua fé, mesmo que muitas vezes não deixes títulos. mas apenas transmites aquilo que tu acreditas. Sim, eu... Deus faz parte de mim. Eu acho que nós não podemos dissociar ou eu, pelo menos, não dissocio isso de quem eu sou. Então, como é que tu fazes naquela divisão que falavas da parte privada que está excluída, naquele conjunto de frames que dizias? A parte pessoal. Entra na parte pessoal? Entra na parte pessoal. Não recordo o terceiro. Divides em três, é isso? Privada, pessoal e público? Sim, é como remover ferrugem da roupa.

Por exemplo, se é público. Não tenho nada a esconder, não me está a comprometer em absolutamente nada. Mas aqui, na parte das tuas convicções, é na parte pessoal e como é que tu fazes isso? Acima de tudo, quem me segue poderá, por alguma ilação, perceber de qual é que é a denominação cristã da qual eu faço parte, mas eu não procuro não abandonar nenhuma bandeira na minha página, porque eu acredito que não é uma denominação, não é uma igreja que salva, é Jesus quem salva. E as pessoas não estão à procura de uma igreja. As pessoas estão à procura de Deus. Estão à procura de paz no seu coração e de respostas. Então, aquilo que eu falo, eu falo de Deus, mas acima de tudo, do que é que Ele representa na minha vida e daquilo que Ele tem feito na minha vida.

Porque se eu fosse falar, no pouco que falo, se eu falasse na teoria, eu acho que não tocaria ninguém. Eu só posso falar daquilo que Deus já fez na minha vida e naquilo que eu tenho sentido. E eu tenho sentido que Ele tem-me guiado até aqui e vai guiar. Há batalhas a chegar a cada momento. Agora estou a enfrentar uma nova. Mas Deus... Olhar para o passado e ver como... É aquela frase que nós conhecemos muito bem. Nada temos a temer quanto ao futuro a não ser que nos esqueçamos de como Deus nos tem dirigido no passado. E eu gosto de partilhar essa parte com quem me segue. Porque eu já estive do outro lado, onde sentia e achava que Deus não ouvia as minhas orações.

E que acontecia só para os outros. E eu achava que podia acontecer, que Deus podia fazer, mas só ia fazer para os outros. Não para mim. Jona, vamos fazer uma curta pausa, porque eu quero ainda conhecer esta grande história que tu já contaste várias vezes e até já falaste no início, que é do teu encontro com o Artem. Fazemos uma curta pausa, voltamos para a terceira e última parte do POR ANA MOLHOS NOS OLHOS.

Origens e casamento

Até já. Terceira e última parte do programa Olhos nos Olhos com Joana Toderian. Toderian porque é o apelido do teu marido que é ucraniano, certo? Ele nasceu na Ucrânia? A família dele é toda ucraniana? Ele não nasceu na Ucrânia. Ele gosta de dizer isso porque ainda não existia a Ucrânia. Ele nasceu na União Soviética. Mas, enfim, a vida dele foi sempre ligada à... Ele é de uma zona ali vizinha à fronteira com a Roménia, então a avó dele tinha as raízes rumenas. Então, por causa disso, ele fala três línguas mãe. Ele fala rumeno, ucraniano e russo.

Porque com a avó em casa, com a mãe e com o irmão falam em rumeno. E com o avô é ucraniano e russo. Toda a gente na idade escolar deles falava. E que língua vocês falam em casa? Português. Agora, desde 2020, ele aprendeu a falar português. Fala português fluente. Deu falar para ele. Vou corrigindo, muita gente. Mas porquê, Joana, já nos disseste isso ao longo do programa? Porquê é que dizias que não querias nunca casar com um não português? O que é que os não portugueses tinham que te causavam essa aversão? Tinha a grande probabilidade de viver fora de Portugal e eu não queria viver fora de Portugal. Então era esse o teu problema? Eu gosto de Portugal.

És bem portuguesa? Sentes-te bem portuguesa? Sim, sinto-me em casa. Eu creio que eu não disse onde tu nasceste? Nasci na maternidade em Coimbra. Mas és de uma localidade mais no interior ali da Zona Centro, propriamente, não é? Pertence ao distrito de Coimbra. É Serpins, no Conselho de Alousa. É uma freguesia. Nunca fui a Serpins? Não. É pequena, é grande? Se calhar já foste e não te lembras. Lembrar-me-ia se tivesse ido. Certeza? Sim. Nunca fui. Nunca fui. Mas, Joana, então, explicamos aqui o que é que acontece na tua vida. Tu, enfim, participaste em diversos acampamentos, em criança, em encontros

Juventude e acampamentos

jovens, como já dissemos. Vimos algumas fotografias. E isso fez diferença para ti até determinado momento. Em que momento é que tu podes dizer que há uma Joana diferente apesar de teres nascido num ambiente cristão? Essa parte, os acampamentos, fazer parte da juventude adventista foi bastante importante para mim e os amigos que eu tenho ainda hoje conheci aí. Lembro-me de alguns que conheci no acampamento de famílias, depois encontrei nos acampamentos de gravadores, no Impact, companheiros. Ou seja, no âmbito da estrutura da Igreja Adventista do Sétimo Dia há muitas atividades e basicamente participavas em todas elas. Sim, e que se faz amizades para a vida.

Pelo menos comigo foi isso que aconteceu. E são pessoas que podemos estar muito tempo sem nos vermos, mas quando nos vemos é como se nunca tivéssemos estado separados. E isso são ligações únicas. Porém, na minha vida, eu nasci num lar cristão, que frequentava uma igreja, sempre a frequentei também. Influenciada pela tua avó, não é? Como disseste no início, porque vias ela a estudar a escola sabatina todos os dias. Não, não foi por isso. Não fez diferença? Não. Esse exemplo da escola sabatina, de manhã, teve impacto na minha vida, de hoje em dia, que comecei até por tentar fazê-lo na secretária, mas hoje em dia estamos a fazer exatamente como eles faziam, a minha avó e o meu avô, antes de saírem da cama, a minha avó lia a lição para o meu avô, e depois quando iam para a cozinha e ela estava a preparar o pequeno almoço, o meu avô lia a meditação, com bastante dificuldade, porque não tinham escolaridade.

O meu avô lia até a sílaba a sílaba, mas eu lembro-me quando lá ia passar férias, acordava e ouvia a minha avó ler a lição. É uma memória feliz que tenho desse tempo. Eles levavam-nos ao acampamento de famílias, os meus avós. Foram momentos bastante felizes também. Tiveram um grande impacto. Tentavam proporcionar-nos sempre a possibilidade de irmos ao acampamento. Se a minha mãe não tivesse possibilidades, a minha avó, o meu avô, a minha tia, ajudavam nessa parte. Isso foi muito importante para nós, no nosso crescimento. Mas eu sentia... Como é que eu ia dizer? Eu sinto que durante grande parte desses anos andei à boleia da fé dos outros, de uma relação que os outros tinham com Deus.

Não que eu não acreditasse naquilo que me foi ensinado, porque sim, mas sentir Deus como algo pessoal e que me diz respeito, ou ouvir que Jesus morreu por ti e isso me dizer alguma coisa, foi mais tarde... Em que momento, em que episódio, consegues resumi-lo? Foi a partir do impacto de 2011. Ou seja, de um acampamento mais direcionado aos jovens, no ano de 2012. Sim, mas eu já comecei a ir aos impactos em 2004. Então foi praticamente no fim? Mas foi o contexto. Eu namorava com aquele rapaz da faculdade. E foi e tiveste a tomar aquela decisão difícil que falávamos há pouco.

Sim, e durante o período do namoro houve uma altura que eu deixei de ir a acampamentos. Também era reprovado por alguns amigos, ou não tanto, do mesmo núcleo. Era reprovado esse relacionamento. Havia algumas conversas sobre mim e não, se calhar, demonstrado verdadeiro amor e interesse para com o que se passava na minha vida. E isso afastou-me. Eu não fui ao 2008, ao 2009 e ao 2010. Fui depois em 2011. E o Enoquia, o meu irmão mais velho, ia lá sempre para dizer para eu ir. E eu não queria ir.

Então, eu inscrevi-me para me obrigar a ir. Eu inscrevi-me porque sabia que era o melhor para mim, mas não por eu querer ir. E sinto que lá foi bastante bom.

Decisões espirituais importantes

Era o Daniel Bastos e... Era ele que estava... E o Daniel. Pastor Daniel Gouveia e pastor Daniel Vastos. Exatamente, o Daniel Gouveia. Seriam esses dois pastores que estavam a dirigir na altura o acampamento? Sim. E o que é que aconteceu assim? Não sei, parece que as mensagens eram todas para mim. Sentia que as mensagens eram todas para mim e foi-me quebrando. Também fiz novos amigos. Amigos que... que não me senti julgada. E uma dessas amigas é a minha melhor amiga até hoje, é a Tânia. Tem-me acompanhado desde 2011 até hoje, diariamente.

Ela está no Algarve e nós falamos todos os dias. E isso e o facto de... Eu sinto que nesse acampamento eu orei pela primeira vez em muito tempo. por causa deste afastamento que eu sinto que estava a ter e de uma forma muito sincera. Foi a primeira vez até que eu orei sobre este término, porque eu estava a namorar e fui ao acampamento. O meu namorado não foi, não é? E depois foi aí que sentiste que Deus tinha uma resposta. Eu pedi a Deus que não tinha motivo para acabar, porque gostávamos um do outro. Eu pedi a Deus que me desse essa coragem ou que ele conduzisse, ou que se eu não fosse eu.

Então, no dia em que eu vim do acampamento, ele terminou. Também tinha estado a conversar com ele lá em casa, mas depois disso, nós, como sentíamos falta um do outro e gostávamos muito um do outro, voltámos. E voltámos, e voltámos, até que foi o concerto na Ala Magna do Novo Céu na Nova Terra. Foi em 2012. Pronto, aquilo foi em agosto de 2011. Ali até maio. Eu penso que isso foi em maio de 2012. Foi um concerto que até é possível ver no YouTube. Se vocês quiserem ver um novo Só Nova Terra, encontrem. Podem ver, vale a pena. Foi esse concerto com o meu irmão.

Ah, mas depois do acampamento, Porque o acampamento tem um enfoque mais espiritual do que aqueles de... Mais ligados às atividades cotistas. Exatamente. Então foi bastante rico espiritualmente para mim. Vim com alguma literatura que comecei a ler, porque depois no ateliê de Bíblia distribuíamos livros e eu comecei a ler um livro que virou o meu preferido e que recomendo a alguém que sinta que está longe de Deus, que esteja nessa fase de sempre foi a uma igreja ou até nem foi. Ou seja, alguém que se identifique com a tua história e que nos esteja a ver agora. Que comece por esse livro, Conhecer Jesus é Tudo, do Boulhon. A história da Randa do Boulhon, sim.

Sim. Ao ler esse livro, eu devorei-o em, para aí, se calhar, dois dias. Porque eu sentia que aquilo também era tudo para mim. Que era aquilo que eu estava a precisar naquele momento. Então... A partir daí, e com esse negociar, voltávamos, terminávamos. Era adiar o inevitável. Era muito difícil. Imagina, um grupo de amigos que se conheceram em Caloiros. Que vão para todo lado juntos. Bar da faculdade, estudar na biblioteca, tudo mais, andam sempre juntos. E uns deles começam a namorar e depois acabam. Como é que fica? Foi difícil. E a amizade se perdeu também, ou não? Olha, infelizmente ele bloqueou-me quando eu comecei a namorar com o Ártam.

Mantivemos a amizade até aí, porque nós terminámos em 2012 e eu comecei a namorar com o Ártam em 2017. Ele bloqueou-me, eu respeitei, mas tenho pena por isso, porque nós tínhamos continuado amigos. Mas, para dizer nesse concerto, eu nesse dia, no concerto, a frase com que terminavam sempre é, eu quero lá estar. E aquilo pesou-me muito, e aí também me lembrei bastante da minha avó e de querer voltar a vê-la. Fomos jantar com os jovens de Cascais, ao Cascais Shopping, e eles... Fizemos uma rodinha, e até foi o Nisso Parcelas que fez a oração para que Deus me desse coragem para terminar. Então eu, no dia seguinte, ao chegar a Coimbra, tomei essa decisão e terminei.

E ao contrário daquilo que eu pensava que ia ficar devastada porque eu tenho algum problema com o apetite, quando estou a sofrer ou com algum problema perco o apetite e começo a emagrecer, isso não aconteceu e senti paz. aquilo que desde o Agosto ao Maio andou ali a mexer comigo, que não encontrava a paz, a partir do momento em que eu terminei senti paz. Não é paz sem doer, dói, mas o facto de saberes e de teres a certeza que estás a ir pelo caminho que Deus quer para ti e de confiar que ele terá algo melhor, dá essa força para continuar e então foi bastante importante para mim estes eventos, foram marcantes para mim e eu acredito que o são para também tantas outras pessoas, porque há uma mensagem a ser partilhada e cada um tem a sua dor, a sua luta e encontra ali alguma resposta.

Conclusão e futuro

E alguns anos depois acabas por conhecer então o Ártem, o teu marido, numa viagem missionária nas Filipinas. Algo que tu achavas que era impossível. Então, eu não te disse para eu ir. Ou seja, o teu irmão está sempre a tentar incentivar-te para as coisas mais positivas. O meu irmão está sempre a querer-me levar para o melhor e ainda bem, sou muito grata a Deus por eu ter e por ele fazer assim comigo. E depois de dois anos e mais ou menos de conhecês o Artem, acabam por se casar aqui em Portugal. Sim, mas isto não foi uma história de amor à primeira vista. Eu não sei, tu já não tens tempo, provavelmente. Mas eu não... No fundo foi também uma resposta de Deus à tua oração. Sim, que eu fiz umas duas semanas antes.

Aquela resposta, ajoelhada na minha cama, foi para aí umas duas semanas antes. E quando eu cheguei lá e o conheci, não estava para estar com conversas para ele, porque já me tinham dito. No ano antes, o meu irmão tinha conhecido, já tinham dito, está, tens de conhecer o Ártamo, tens de conhecer o Ártamo, e eu quando ouvi este tipo de coisas, então esquece, fugi à sete pés. Até que um dia tu acordaste, olhaste para ele, e não vai ser com este homem que eu vou passar o resto da minha vida. Não, não foi assim. Não, não. Consegues contar-nos em dois minutos? Deus permitiu que eu ficasse doente. Tive que ficar fechada no quarto e sozinha durante alguns dias. Então tive... Agora estou a pensar em inglês. Plenty of time para pensar. Tive bastante tempo a pensar.

E algo que eu falei com Deus e que eu refleti é... Para o meu irmão nunca ninguém é bom para mim. Havia sempre... Quando... surgia alguém e me iam fazer à lista de porquê essa pessoa era boa para mim. O que me iam ouvir nesta pessoa? de tão especial, por ele achar que este é que era bom para mim. Então, o que eu conversei com Deus era se quando ele me permitisse ficar melhor e eu me poder juntar novamente ao grupo e à missão, eu iria dar abertura para conhecer e tentar perceber o que é que o meu irmão tinha visto nele. Não era para conquistar, não era para seduzir, não era para nada disso. Era só para tentar perceber que raio o meu irmão viu nele de tão especial. E quanto mais falava com ele, mais queria falar.

Se bem que ele estava esguio de mim no início, porque no início eu não tinha sido nada simpática com ele, também o evitava. E eu também não estava feliz. Sim, mas o facto de ele me sentir mal por ter mostrado uma coisa que eu não era, só porque não queria que ninguém pensasse que eu tinha interesse nele, fez com que eu insistisse em falar com ele. Então fomos falando cada vez mais e... E hoje, graças a Deus, é ele o meu marido. E realizou o meu maior sonho. Que era? Que era ter uma família diferente daquela onde eu cresci. Joana, vou-te fazer aquela pergunta que faço a todos os nossos convidados. Se algum dia alguém quiser escrever alguma coisa sobre ti, que título é que achas que gostarias de ter nesse livro, nesse filme, nessa série documental sobre Joana Carvalho Tauberian?

Ui, não sei. Deves-me ter dito para pensar nisso em casa. Nunca disse a ninguém para preparar esta pergunta em casa. Não sei. To be continued. Obrigado, Jana. Que Deus te continue a bençar a ti, à tua família, ao teu ministério e também na utilização que fazes das redes sociais para falar sobre Deus. Obrigado, Jana. Obrigada.

Sobre este episódio

Nem sempre a vida segue o plano que imaginamos.

Joana Toderian cresceu num contexto familiar desafiante, onde a fé ganhou raízes profundas através do exemplo da sua avó.

Mas a sua história também é feita de persistência. Enfrentou dificuldades na escola, voltou a tentar, escolheu um caminho exigente e conseguiu superar.

E foi numa oração sincera que tudo mudou. Durante anos dizia que não queria casar com um estrangeiro, até pedir a Deus que mudasse o seu coração. A resposta surgiu numa mi

Série
Olhos nos olhos · 30 episódios
Temporada e episódio
Temporada 1 · Episódio 23
Estreou
08 de Maio de 2026
Categoria
Outros