Hoje no Olhos nos Olhos recebo uma amiga de longa data, mas ao mesmo tempo uma comunicadora cuja vida tem sido feita de música, microfones e luzes, câmara, ação. Sarah Ruth Ribeiro Narciso nasceu em Oeiras a 4 de novembro de 1980. O seu nome em hebraico significa princesa e talvez por isso desde pequena sonhava cor-de-rosa, mas sempre enfrentando a vida com muita determinação. Nos anos 90, durante cinco anos, fez parte do grupo O Infanto ao Juvenil Onda Choque, que elevou dezenas de palcos por todo o país. Mais tarde, integrou também os grupos Malta Pop e o Duet de Sária Bruno. Formou-se no curso Tecnológico de Comunicação e Difusão, estudou Jornalismo na Escola Superior de Comunicação Social e fez ainda o curso básico de Teologia. Esta formação juntou-se ao talento natural, o que lhe foi abrindo as portas da TV e da rádio.
Desde 2006 é leutora da Rádio Clube de Sintra, onde todas as manhãs acorda os ouvintes com o programa da manhã, e na televisão apresenta atualmente os programas Caminhos e Fé dos Homens na RTP2, em representação da Aliança Evangelica Portuguesa. Mas para além da comunicadora à mulher, Sara é casada com Nuno Mourato e mãe do Miguel, tem 8 anos, e vive a sua fé em Jesus como o verdadeiro centro da sua vida. Uma vida feita de sonhos conquistados, sonhos desfeitos e páginas novas que Deus foi escrevendo ao longo da caminhada. Hoje vamos conhecer esta mulher de coragem, inspiração, esperança, mas sobretudo da comunicação. Olhos nos olhos com a Sarnacis.
Sara, é tão bom poder ter-te aqui comigo. No fundo, se calhar temos que fazer já aqui um alerta. Nós somos amigos há muitos anos. Conhecemos em 2006, quando trabalhámos juntos. No entanto, estamos agora aqui para conhecer um pouco do teu trajeto que... Acho que não posso dizer a tua idade. Aliás, já disse a tua idade de nascimento, por isso tens 45 anos. mas são 45 anos muito intensos e muito vividos em muitas e muitas áreas. Para aqueles que estão agora a conhecer-te pela primeira vez, olhando para a tua vida, podes dizer que tens uma história de vida que pode inspirar alguém? Então, em primeiro lugar, muito obrigada pelo convite para poder estar aqui neste programa. E contigo particularmente, Isabel Duarte, realmente não tinha pensado. Já lá vão 20 anos. 20 anos! Parece que foi ontem, não é? Que eu comecei este percurso na RCS Rádio Clube de Sintra e que tenho o prazer de te conhecer.
Na altura eras uma voz e um colega também na RCS. Perguntavas então se a minha vida, se de alguma forma eu acho que pode ser inspiradora para alguém. Acho. Acho que sim. E não digo isto com orgulho. Sou muito boa. Consigo inspirar muita gente. Não, não é com essa dose de orgulho. Mas é, acima de tudo, com a certeza de que há um propósito. para a vida de cada um de nós e para a minha vida também. E se nós conseguirmos encontrar esse propósito, é claro que estamos aqui para influenciar, é claro que estamos aqui para inspirar alguém, para o bem ou para o mal. As escolhas são nossas. No que me diz respeito, ainda que com alguns erros pelo caminho, mais escolhas também que vamos fazendo e aprendendo, o meu alvo tem sido realmente poder encontrar esse propósito de vida, poder segui-lo e fazer bem ao outro.
nem que seja através de uma palavra amiga, nem que seja através de um sorriso, de um conselho, de um convite para passarmos, olha, vamos beber um copo de água juntos. Acho que às vezes pequenos gestos podem fazer a diferença e é nesse sentido que eu digo que sim, que espero. poder influenciar alguém ou positiva. E esse propósito tu acreditas que encontraste muito cedo. Porque, não vou dizer a maior parte das pessoas, mas muita gente não sabe ainda
sequer qual é a sua função ou porquê de estar a fazer o que está a fazer e há outras pessoas que só descobrem muito mais tarde a razão pela qual o Deus lhe atribuiu aquela função, aquele dom e o que é que eles no fundo estão aqui a fazer. Tu descobriste a tua vocação muito cedo e sabias, é isto que eu quero fazer a minha vida toda, custa o que custar. É bem verdade. Às vezes uma pessoa passa a vida inteira à procura desse propósito ou a fugir desse propósito. No meu caso, eu tive a felicidade, a bênção de poder crescer num lar cristão, onde a minha mãe, os meus pais desse pequeno me levavam à igreja e eu pude aprender um pouco sobre Deus, sobre esta história maravilhosa da criação. e crendo que Deus colocou dons e valores na vida de cada um, a pouco e pouco eu fui, ainda que inicialmente não de uma forma intencional, eu fui experimentando, como todas as crianças, experimentam música, experimentam ginástica, experimentam tanto tipo de arte.
E o que a fascinava na ida à igreja, quando eras criança? Bom, fascinava-me sempre ouvir as histórias da Bíblia. A Bíblia, ler, ver as bandas desenhadas, os bonequinhos da escola dominical própria para a minha idade. Isso, para mim, era sempre uma alegria poder ir e participar. Outro marco, e que eu sei que contribuiu muito para ser aquilo que eu hoje sou, eram as celebrações, as festas que nós fazíamos na altura, para dias especiais, nomeadamente, na igreja onde eu cresci era sempre ponto de ordem no calendário anual, uma apresentação especial para o Dia das Mães e outra apresentação especial para o Natal. Portanto, mais ou menos ali de seis em seis meses. Então, poder participar na preparação desses programas, quer seja a nível musical, prepararmos músicas, quer seja a preparação de peças de teatro, para mim, era uma alegria.
Mas tu eras aquela apresentadora já do Programa das Mães ou ainda não? Na igreja ainda não fazias muito isso? Foi sendo, fui sendo, eu lembro-me que provavelmente uma das primeiras peças de teatro que eu fiz e com longos papéis para decorar, mas que naquela altura, e quando eu digo naquela altura é, a memória das crianças é muito mais fácil de trabalhar do que nós hoje, não é? Para mim era super fácil poder ter um texto, um guião, decorar, íamos aos ensaios. Ainda hoje conselhos de decorar facilmente? Já, já. Consigo, mas já demora mais. Hoje jogo mais para o espontâneo. Preciso de saber onde é que quero chegar, algumas palavras-chave, mas depois... E na rádio aprende-se muito também, não é? A ser espontânea. Mas então tinhas facilidade em falar. Tinhas o dom da palavra desde pequenina, começaste a falar muito cedo. Eu ainda não sabia que tinha esse dom. mas verdadeiramente fui desenvolvendo-o pelas oportunidades que me foram sendo dadas.
Portanto, as pessoas que estão conosco e que vão trabalhando com as crianças, não é? Sempre vão tendo um olho. Olha, esta tem mais jeito para falar. Esta é mais tímida. Esta pode ser figurante. Esta pode ter um papel secundário. Esta pode ter um papel principal. E foi assim, a pouco e pouco, eu ainda não me apercebia, mas foi assim que eu fui descobrindo que era agradável. Os palcos, os microfones... De maneiras crenças. Sentias que as pessoas davam-te atenção quando falavas? Sentia. Conseguias cativar a atenção das pessoas pela tua forma de falar? Eu percebia que havia aceitação. Quando eu digo que sentia é porque realmente eu percebia que fazia sentido. Chegávamos ao final de uma apresentação e eu tinha aquela sensação de missão cumprida. É nesse sentido que eu digo. Mas ainda tudo de uma forma muito crua.
Ou seja, eu ainda não percebia que era por aí que Deus iria encaminhar o meu futuro. Aliás, isto acontece com todas as crianças e adolescentes que a dada altura, no 9º ano, por exemplo, têm de escolher. Eu vou seguir letras ou eu vou seguir matemáticas ou eu vou seguir outro tipo de arte. Mas ligavas com os microfones lá em casa? Tinhas assim, sei lá, pegavas numa tesoura ou numa coisa e fazias de conta que era um microfone? Não era do espelho, era à frente daqueles vidros, na altura os móveis tinham vidros, ok, agora já não se usa tanto, mas naquela altura tinham aqueles vidros, um tanto ou quanto espelhados, não é? Era essa a minha câmara, digamos assim. Então, podia ser... Eu gostava mais dos microfones sem fio. Então, ou era o rolo da massa, ou era a colher. E eu cantava, e eu falava, e eu gravava como se fossem uns gravadores ainda de cassetes.
Como se fossem programas de rádio. Eu já fazia aquilo como quem brincava com bonecas. Você sempre fosse muito extrovertida. Pois, sim, eu ainda não percebia que eu era, mas verdadeiramente era. Mas em crenças chegavas a um lugar e conseguias logo falar com toda a gente? Qualquer coisa servia para falar e para apresentar e para brincar com as palavras e para, vamos lá aqui, animar a malta. Mas gostavas de ser o centro das atenções ou no fundo aquilo que tu mais querias era que as pessoas te ouvissem e conseguir interagir com as pessoas, conhecer pessoas? Olha, não necessariamente. Aquilo que eu gostava era de trazer vida, de trazer dinamismo. aos meios onde eu estava, mas também numa vertente de puxar pelos outros. Eu estou aqui, vou ser o centro das atenções, vou falar, ouçam-me, mas é fazer um pouco o papel que tu fazes.
Alguém tem de pegar-te. Temos de começar por alguém para dinamizar e depois começávamos a tentar também puxar pelos outros, porque eu acho que é muito mais agradável caminharmos em conjunto do que caminharmos sozinhos. Sério, eu tenho algumas imagens que eu gostava que visses. Ui, o que é que vai sair daqui? São imagens que nós temos...
A primeira aqui, quando te lembras de... Aliás, acho que não te lembras, mas tens ideia de quantos meses, não é? Tu estarias aqui, ou sabes a história sequer desta foto? Bem, em primeiro lugar, tenho de dar os parabéns à equipa de produção aqui do programa, que são os verdadeiros paparazzi. Não, é fácil, é fácil. Encontrar coisas sobre ti na internet é fácil. É verdade. Mas tivemos também muita ajuda de pessoas muito próximas, mas vamos lá mais para a frente. O que é que vai sair daí? Bom, estou mesmo na expectativa, mas confio. Ora bem, esta menina é a Sara, quando tinha provavelmente poucos meses de idade. Não sei se já tinha um ano, mas era a Sara que já estava ali a sorrir toda feliz e contente, toda babada. Era eu. Temos mais outras imagens. E aqui? Aí é a Sara Carochinha. Então, foi quando eu estava na pré-primária, portanto, teria 4, 5 anos, porque eu entrei, como fazia anos em novembro, entrei com 5, 4, 6 anos, mas lembro-me que estava, portanto, aí na pré-primária, em Queluz, uma festa do colégio Almeida Garrete, em Queluz.
Não, não foi no Almeida Garrete. Era o colégio da Mimi, ela sabe quem era. Era o colégio da Almeida Garrete. e estávamos nos Vampeiros de Quelos a fazer aquelas festas normais de final do ano. E então, nesta altura, estava a fazer a personagem principal, curiosamente, da carochinha. E vinha-se a ver mais tarde que o meu marido, o Nuno Morato, quando também tinha a mesma idade que eu, imaginem só o personagem que ele fez, João Ratão. Foi uma engraçada coincidência. E sim, lá estava a Sara ali a perguntar quem quer casar com a carochinha. Aqui já é um bocadinho mais... eras um bocadinho mais velha aqui. Sim. Então, aqui já tinham os meus 10 aninhos. Esta fotografia foi o primeiro concerto que eu fiz ao vivo com os Ondashock. Este grupo que marcou a década de 90.
Na altura nós cantávamos muitas músicas, muitas versões. Todos os anos gravávamos dois álbuns. O grupo era bastante grande, então nós depois dividíamos em subgrupos. grupos para irmos a diferentes concertos. Este espetáculo em especial, lembro-me perfeitamente, foi em Carcavelos, no Dia Mundial da Criança, e lá estava eu ali a cantar com as minhas colegas. E cá está. Este era o tal grupo Ondashock que a nossa geração recorda-se. Talvez as novas gerações não tenham tanta ideia. Mas como é que era fazer parte de um grupo que, no fundo, era muito conhecido? Vocês viviam deslumbrados com o facto de serem conhecidos por onde iam? Tu eras conhecido onde tu fosses ou não? Bom, na grande maioria, o público, e o nosso público era essencialmente crianças e adolescentes, conheciam o Zonda Choque.
Não necessariamente a Sara, ou a Diana, ou a Vanda, conheciam o grupo Zonda Choque. E dentro do Zonda Choque, é verdade que havia ali duas ou três caras que se destacavam mais por terem solistas. Não era o meu caso, portanto, o meu caso no Zonda Choque Nem era tanto pelo cantar, também tenho músicas cantadas, algumas versões até... Versões, não, originais da Ana Faria, que tenho o prazer de o ter feito. Mas aquilo que eu mais fazia no Zonda Choque, eu ainda não tinha, lá está a consciência, era apresentar os concertos do Zonda Choque. Então eras apresentadora? Era uma das apresentadoras. Portanto, em concertos de mais ou menos 20 músicas, eram concertos de uma hora e meia, tinha de haver ali apresentadoras e eu era uma delas. Com quantos anos? Foi entre os meus 10 e os 14 anos. Ou seja, com 12 anos, no fundo, já tinhas ali muita experiência na arte da apresentação e na relação com o público e no espaço do palco, etc.
Já tinha alguma, mas que vem, essa experiência toda, vem precisamente dos meus tempos em que antes disso, na própria igreja, participávamos nas apresentações que fazíamos de peças de teatro, não é, e de musicais. Ganhava experiência na igreja. Já vinha daí, sim. E isso não te fazia, de alguma forma, o facto, por exemplo, hoje em dia temos os jovens, as crianças, no fundo, com 12, 13 anos, começam a querer também aparecer nas redes sociais, na altura não havia isso, mas tu já aparecias em lugares e já tinhas algum protagonismo, digamos assim. Isso moldou-te de alguma forma, fez-te ter uma ideia, se calhar, superior àquilo que para uma criança de 12 anos poderia ter consciência de ter, ou de alguma forma não teve qualquer influência em ti, essa exposição? Bom, é evidente que, naquela altura, pertencer aos Onda Choque era algo extremamente prestigiante.
Portanto, era pertencer a um dos grupos que, naquela altura, vendia milhares e milhares de álbuns, aparecia em todos os programas de televisão e corríamos o país de norte a sul. E tu na escola acredito que eras conhecida. Exatamente. Toda a gente sabia quem tu eras na escola. Muita gente, praticamente toda a gente, sim. Porque até, aliás, quando eu fui fazer os testes, os castings para o Zonda Shock, fui eu e outros tantos colegas da escola. Portanto, todos queríamos conseguir ali o nosso lugarzinho. Mas na escola, o facto... E mais. Alguns dos seus colegas conseguiram? Ou foste só tu? Mais tarde, dois colegas conseguiram, mas naquele ano em que eu fui, com muita pena minha, só eu, do grupo de colegas que eu fui, só eu é que passei naqueles festas. E o que é que foste? Quem é que te convenceu a ir ou foste tu mesmo que querias? Não, eu queria. Querias muito. Os meus pais compraram de propósito o disco, na altura, vinil, para nós aprendermos as músicas e, com base nessas músicas, eu, ensaiar essas músicas em casa, poder depois cantá-las nos testes.
Portanto, isso era pontacente. Eu estava à espera de fazer os 10 anos para poder experimentar entrar para o Zona da Choque. Então, numa altura, lá está, que não havia redes sociais como hoje, em que não haveria outra forma de uma criança, de um adolescente, ter exposição e ser conhecido, tu conseguiste aquilo que praticamente, acredito que muitos jovens haviam de querer também e queriam conseguir, mas não conseguiram. Isso tornava-te de alguma forma poderá ter-te, naturalmente, tornou-te naquilo que tu és hoje, mas poderá ter sido prejudicial em algum momento ou achas que não? Conseguiste gerir a tua exposição, a tua fama, no fundo, com a tua vida espiritual e com a mulher que te vieste a tornar até hoje? Bom, como eu sempre tive um bom suporte de família, portanto, com a minha mãe e com o meu pai, o meu padrasto e o meu pai, eles sempre me ajudaram a caminhar e eles todos os fins de semana iam comigo para os ensaios dos onda-choque e regressavam comigo.
A par disto, temos a vida de qualquer criança e adolescente que é da escola, portanto, também... Eles colocaram-te os pés na terra, tipo, Sarah, tem calma que isto... ou não? Se fosse preciso colocavam, mas eu acho que eles viviam o sonho comigo, porque a par disto eu também tinha a escola e era bastante uma aluna empenhada, eu gostava de estudar, ainda hoje gosto de ler, estudar, fazer os trabalhos e tudo mais, portanto como não tinha mais notas não era problema e salvaguardava também as minhas idas à igreja que naquele tempo era os domingos de manhã, portanto eu ia todos os domingos à igreja com a família, de manhã à tarde tinha os ensaios, portanto uma coisa não colidia com a outra, e se por acaso em algum momento colidisse também não era grave, porque eu não deixava de ser a Sara que era em qualquer um desses contextos, não deixava de ser uma Sara crente em Jesus, que estava consciente de que o que eu estava ali a fazer era algo perfeitamente lúdico, sem maldade, e portanto sabia perfeitamente os meus limites.
Ou seja, em nenhum momento sentiste que não, que tem que acalmar, conseguias equilibrar quer a tua vida de exposição, quer no fundo a tua vida profissional, no caso enquanto estudante, quer também a tua vida familiar e claro a tua vida espiritual. Na medida em que eu comecei neste ritmo de vida aos 10 anos e ainda hoje continuo, não com os onda-choque. Mas Se calhar nem sabes o que é não ter esse risco. Já não sei o que é não ter, portanto, realmente, e estou muito grata a Deus por isso, porque eu podia me ter perdido pelo caminho, sem dúvida nenhuma. Às vezes o palco, as luzes da ribalta, a fama, os sermos mais mediáticos, pode arrastar-nos para essa esfera do... Pode. Deslumbrar-Nos com algo no entanto. Exatamente, deixa-me lá agora seguir a minha vida, que eu estou tão bem, não preciso deixar para nada. Não foi o caso, graças a Deus.
e portanto, quer dizer, como eu sempre consegui este equilíbrio e sempre tive pessoas que me mentorearam e acompanharam nesta caminhada, quer na família, quer na igreja, eu fui conseguindo realmente tirar proveito destes tempos e sinto-me extremamente abençoada, porque hoje em dia há muitas pessoas que olham para trás, passam a maior parte do seu tempo, 8 horas do seu dia, a trabalhar onde não gostam, tiveram uma infância onde não experimentaram tudo aquilo que gostavam ou então experimentaram coisas que hoje... não foram propriamente boas escolhas para aquilo que são hoje. E eu olho para trás e digo, Deus, obrigada, porque eu sei que em todo o tempo sempre estiveste comigo. Sara, vamos fazer uma curta pausa, voltamos já a seguir para continuarmos a conhecer o trajeto e o ministério da Sara Narciso, a nossa convidada hoje no programa Olhos nos Olhos.
TV Novo Tempo, o canal da família, o canal da esperança.
Segunda parte do programa Olhos nos Olhos com Sara Narciso. Sara, como é que eu te poderia apresentar? Sara Narciso, comunicadora, apresentadora de televisão, apresentadora de rádio. Eu sei que são muitas as palavras, mas dá-me uma, então, para eu apresentar. Olha, quando às vezes me fazem essa pergunta, quando estamos a fazer os registros, os inquéritos e tudo mais, qual é a sua profissão? Comunicação, pronto. Comunicação social. É isso que já abrange tudo isso. Que desde pequena sempre tiveste essa vocação, por isso eu vou-te convidar a ver este vídeo que nós temos aqui preparado. Valtemar e Sarah, uma grande salva de palmas para elas! São os nossos primeiros! Hoje aqui no Tal Perto aos Filhos. Aqui, Valtemar, como é que é? Pai, Sarah? Não, amigo. Amigo da Sara. Ela pediu-me emprestado para ajudar.
E és muito amiga aqui de Valdemar? Sou. Tu achaste bem vir aqui ao Topa de Alfie com o Valdemar? Conseguiram encontrar uma forma gira e engraçada nas vossas provas para aqui apresentar aos nossos amigos lá em casa e aqui neste auditorio? Conseguimos. Conseguiram, achas que sim? Vocês vão agora executar uma prova que é a prova de... Conto. Conto. Pois eu já vos disse a semana passada que nós temos aqui uma prova obrigatória que é a prova de teatro e temos aqui três provas opcionais. Uma delas é de conto. É essa prova que agora o Valdemar e a Sara vão executar. A Sara tem que idade? Tenho 10 anos. 10 anos. E aqui o Valdemar tem quantos? 7, 8? Mais ou menos. Mais ou menos. Mais ou menos. Está bem. Vamos então ver aqui a prova de conto do Valdemar e da Sara. Toca andar!
Isto é muito giro, Sara. Vamos por partes, que isto aqui há muita coisa que nós temos que dissecar. Então, isto é em 1990, o programa chamava-se Pai e Filha. Tal pai, tal filho. Tal pai, tal filho e foi um amigo. Como é que é possível? Primeiro, quem é este Valdemar? Então, o Valdemar era, na altura, líder de jovens da igreja onde... de adolescentes, de adolescentes da igreja onde eu estava. Portanto, depois mais tarde veio ser o pastor Valdemar. E era alguém... Lá está, eu há pouco falava... Quem é pastor, quem ainda... É pastor também, sim. E lá está, ainda há pouco tempo, ainda há pouquinho, quando perguntavas pelo meu percurso, eu disse que tive o cuidado, ou naturalmente Deus foi tendo o cuidado de colocar mentores no meu caninho. E o Valdemar foi um deles. Portanto, quando eu era miúda ia para a igreja, ele dava-nos muitas lições, fazíamos acampamentos e tudo mais, uma espécie de escuteiros e era preciso convidar um adulto para ir comigo a este tal pai e tal filho.
Naturalmente poderia ser a criança e o pai ou a criança e a mãe, mas os meus pais não se sentiam muito confortáveis. eles eram de bastidores e estavam lá a aplaudir-me. E eu pensei, porque não o Valdemar, já que ele tem tanto jeito para contar as histórias às crianças, juntamos-nos e vamos fazer aqui uma dupla. Mas foste tu então que idealizaste participar neste programa ou foi quem foi? Fui eu, fui eu que... Ou seja. Tu vias televisão e disseste, olha, eu quero ir ali. E então mobilizaste os adultos à tua volta para conseguir que tu fosses e eles acabavam por ir contigo também. Então o teu próprio pastor... Eu quero tentar ir aí! Arrastaste o pastor da tua igreja para ir à televisão participar neste programa. É verdade. E achámos que poderia ser uma ótima oportunidade para, lá está, podermos nos divertir, mas também partilhar um pouco de esperança da nossa mensagem.
Até porque a história que nós escolhemos, a prova de conto que nós escolhemos, foi precisamente uma história bíblica. Na altura escolhemos a história de José do Egito para falarmos da importância do relacionamento entre os irmãos, da inveja e tudo mais. Portanto, no fundo, já estavas a juntar o teu gosto pelo palco, pelas luzes, pela TV, com a tua vocação evangelística de levar a um programa de grande audiência, não sei quando seria, talvez domingo à tarde ou domingo de manhã, não sei... Eu acho que o programa dava aos sábados de manhã, não é? E que levar a um grande programa, a mensagem do Evangelho. No fundo, já era um bocadinho essa a tua ideia também, sempre juntando as duas áreas. Sim, sim, sempre juntando as duas áreas, porque eu acho que é mesmo algo natural
de qualquer cristão, não é? Nós, quando recebemos uma prenda tão boa, tão valiosa, queremos partilhá-la, não é? Queremos mostrar, queremos nem que seja tirar uma foto ou pôr nas redes sociais, olha, estive lá, olha, aconteceu, olha, deram-me, não é? E a mesma coisa com o maior tesouro que nós temos na nossa vida, que é Jesus, que é o Evangelho. Então, por que não partilhá-lo? Nem que seja através das artes, não é? Tantas formas. E desta época então, entre os teus 10 e os 15, 16 anos, enfim, desde o final da tua infância, ali início da adolescência, tens algum momento, alguma história que realmente tenha marcado e que ainda hoje, a esta distância, a Sara Narciso que está aqui sentada a falar sobre a sua vida, há algum momento ali que tu dizes, não, isto fez muita diferença na minha vida ou era todo um percurso muito natural e muito linear? Não, tudo isto fez diferença na minha vida.
Portanto, dentro do natural, tudo isto fez diferença. Eu olho para trás, tenho vários marcos, alguns vocês já desvendaram, não é? Como é o caso do Zonda Choque, levar-me a recuar aqui também à minha infância na igreja. Falando agora nesta vertente mais evangelística, quando eu era mais miúda, também adolescente, e ainda hoje faço isso, tinha como princípio tirar algum tempo das minhas férias de verão para participar em grupos jovens com objetivos evangelísticos, irmos para uma determinada terra e através das artes, fosse dramas, fosse músicas, fosse abordando as pessoas pessoalmente, sempre com um folheto, uma palavra amiga, fazemos visitação nos hospitais. mas sempre foi o meu objetivo, sempre que pudesse, participar em acampamentos ou em retiros de jovens ou em campanhas evangelísticas que me permitisse realmente ter esta exposição pública, sim, mas no sentido de, ok, vamos lá uma palavra de esperança, vamos fazer a diferença na vida de alguém.
E todos estes acampamentos, todas estas campanhas evangelísticas pelas quais eu passei, primeiramente no Meio Batista, agora chegar nos últimos anos mais através do Ministério que são os Kings Kids, têm sido marcos importantes de tal ordem que eu hoje já tenho a oportunidade de ir e arrastar, entre aspas, a minha família. Eles são arrastados porque querem, mas o meu filho com oito anos ama também ir para estas iniciativas e falar ao microfone. Sei se aperceber também que está a ser algo de tantas atenções, mas é algo para nós já quase regra, tirarmos algum tempo das nossas férias, não todo o tempo, porque também precisamos de tempo de família e tempo de qualidade, mas tirarmos algum tempo para este tipo de iniciativas.
Já que falamos no teu filho, temos também uma imagem, já agora, também para lá em casa, a imagem da família da Sara. Não era esta, mas... Este é o meu pedido de casamento. Este é o teu pedido de casamento do Nuno, não é? O teu marido. Também não foi nada discreto. Foi num jantar dos 100 casais. Portanto, se eram 100 casais, estamos a falar de 200 pessoas. E ele projetou este planilho. Ele pediu tem casamento neste jantar, foi isso? Ali no palco, à frente de todas as pessoas, deu-me este quadro, que eu fui desembolada, o quadro ia embrulhado, pensei eu que era um presente que eu tinha ganho. Ou seja, vocês namoravam e foram em encontro com vários casais. No dia dos namorados, sim. E a dada altura ele subiu ao palco, pediu o microfone, como é que foi isto?
A dada altura, isto foi tudo combinado com organização, em que os casais, alguns, tiravam uma bolinha que dava direito a irem ao palco buscar um prémio. E eu tirei uma bolinha que dava direito a irem ao palco buscar um prémio. Podia ser um kit de massagens, podia ser uma caixa de bombons. Enfim, pronto, e a mim o meu prémio foi este ali em palco. Sara, queres casar comigo? Eu ali em breve estude onde estive de pensar. Mas deixa-me dizer que o meu marido, ele realmente foi muito inteligente. Porque o jantar do dia dos namorados foi à noite. Mas durante o dia de manhã, estava eu a fazer o programa de rádio. Batem à porta, tocam à campainha, foi ele que pediu também uma intermediária
para ele a levar-me um ramo de rosas. Portanto, para mim, o presente dos namorados já estava dado, a surpresa estava feita. Pelos vistos havia mais. Temos outra imagem do vosso casamento. Já estou com medo. Quando eu no início, na introdução, disse que tu sonhavas cor de rosa, é porque tu gostas realmente de rosa. Gostas de cores fortes porque também traduzem um pouco a tua personalidade, porque o teu marido foi de rosa. Foi tu que escolheste ou como é que foi a negociação daquele dia? Eu acho que foi como um acordo. Ele quis agradar-te também. Também me quis agradar, sim, mas mesmo antes de nós nos conhecermos eu sabia que ele jogava futebol com os colegas e as maias dele.
eram rosa-choque. Lá ia ele com o seu equipamento do Futebol Clube do Porto e com as meias rosa-choque, claro, portanto já havia ali alguma coisa em comum. O rosa é uma cor que me faz transmitir vida, serenidade, se falarmos agora num rosa mais claro, como é por exemplo o caso deste rosa mais pastel, mas sim, eu gosto de cores. Não precisam de ser todas flash ao mesmo tempo, mas acho que a vida. Com cor mas tens mudado ao longo da vida ou não? Ou seja, já gostaste muito mais de cores mais fluorescentes, mas já mais te vês a usar preto, branco e cinza? Preto, branco e cinza só se for assim misturado. E o cinza mais para o claro e o branco misturado com um beijo, por exemplo.
Hoje, se fosse há uns anos atrás, nunca! Portanto, sim, já à medida que vamos amadurecendo, também vamos equilibrando aqui um bocadinho mais o nosso posicionamento. Mas porquê? Achas que é diferente agora a visão que tu tens da vida? É diferente da que tinhas há uns anos atrás ou é indiferente? Nem sequer atribuis nenhuma relação direta a isso. Eu penso que para nós marcarmos a nossa presença não precisamos de dar-nos vistas. Ou seja, às vezes até em silêncio, escutando, podemos estar a ser mais sábios e marcar mais posição do que estando aqui blá blá blá blá blá blá blá blá blá. E a mesma coisa em relação à forma como nos apresentamos, portanto. E há momentos, há momentos para tudo.
Claro que continua a custar imenso de cores, e quem me conhece aqui nos bastidores, nos estúdios da RCS, nós até temos nos estúdios da RCS ali várias cores que podemos usar, e uma delas é o rosa, sem dúvida. Mas há momentos para tudo. Claro que isto tudo é fruto também de uma experiência de vida que vamos tendo. Eu acho que a partir dos 40 há assim um clique, e depois de ser mãe também, há assim um clique, nós começamos a ver a vida realmente de uma forma mais ponderada, mais equilibrada. E já que falas em ser mãe, então vamos ver a fotografia do teu Miguel. Oh, ali está ele. Ele gosta também de comunicação como tu. Achas que ele também vai ser apresentador? Não creio que ele vá ser apresentador, mas creio...
Ele ainda não sabe bem o que gosta. Ele ainda está na fase de experimentar um bocadinho de tudo. Já experimentou futebol, já experimentou karaté, agora está a experimentar música no conservatório. Está todo feliz, ganha uma bolsa. Baterista, mas se calhar gostava mesmo era da guitarra, elétrica ou então o piano. Então ele ainda está aqui a tentar perceber. O certo é que, por exemplo, como eu te disse há pouco, Quando ele me acompanha nestas aventuras evangelísticas, por exemplo com os Kings Kids, que é um grupo que evangeliza através das artes, nós preparamos várias músicas, várias danças coreografadas e dramas e ele já vai participando e já vai pedindo um microfone de vez em quando para dar assim uma palavra, para apresentar a música, para dizer, olha, Jesus também te ama.
e espero que gostes desta música que fala do amor de Jesus, portanto, é algo com que ele também já se vai familiarizando. Se vai ser apresentador ou não, ainda não sei. Mas, na tua família, tu não és filho único, tens uma irmã, ou seja, das duas irmãs, e mesmo da tua mãe, do teu pai, enfim, eras, e és talvez a única que seguiu esta área da comunicação dentro da tua família até mais alargada. Nós somos as duas das artes, eu e a minha irmã. Mas a minha irmã optou, e realmente tem muito mais jeito do que eu, para seguir as artes ligadas ao design. Portanto, tem a ver com decoração, com o design, arquitetura, cores, desenho, é a área dela. A parte das artes, comunicação falada, oral, digamos assim, ou escrita, tem mais a ver comigo.
Então acabamos por nos complementar. É a tua irmã Verónica, não é? Sim, exatamente. Que te gravou uma mensagem. Uau! Ah, Sara! Sabes onde é que estamos? No acampamento evangélico batista, aqui em Água de Madeiros. Eu sou a mana, a Verónica, e é a mamãe. Olá, Sara. Olá, meu amor. Estás cada vez mais longe. Tenho saudades de ti. Mas graças a Deus pela mulher que está aí a trabalhar atrás dos microfones, que nos alegra, que nos anima, que nos dá força. Muito, muito feliz por ti, graças a Deus. Olha, temos muito orgulho na mulher que tu tornaste, uma mulher cristã que espalha o Evangelho. Sempre no dia-a-dia, sempre muito empenhada.
És uma mana muito querida, que sempre me deste muito apoio. E desejamos-te muitas felicidades e que Deus te continue a acompanhar. Deus te abençoe, querida filha. Beijinhos. Deus te abençoe, muitos beijinhos. Ai, tão bom. Esta é aquela parte que nós começamos quase a chorar. Tão bom, tão bom. Beijinhos, beijinhos. Mãe, mãe. É a tua maior fã? A tua mãe? A minha mãe é a minha maior fã. Todas as manhãs, ela pode não estar tão perto geograficamente no Conselho de Sintra, portanto não ouve RCS Plus 91.2, mas todas as manhãs ela está a ouvir lá através do seu tablet, online, na rádio. Se por algum motivo eu entro mais tarde, ela não ouve a minha voz. Pergunta o que é que se passou. Então eu tenho de avisar de dente de mão quando vou faltar para que ela não se assuste.
Isso sem dúvida tem sido um alicerce muito importante na minha vida. E a minha irmã, como eu disse, nós acabamos por nos complementar na área das artes, também é uma mulher incrível. Porque quer a tua irmã, enfim, a tua mãe teve uma separação muito cedo, vocês viveram ali um processo um bocadinho difícil, depois tiveste uma relação muito próxima, até chamas pai, não é? Ao segundo marido da tua mãe. Como é que foi essa infância e transformou-te também de alguma forma naquilo que tu és hoje, quando tu recordas esses tempos vividos? Deixa-me primeiro respirar aqui fundo, que é quando começamos aqui a mexer. Eu tive uma infância feliz, com bastante amor. Eu acho que nunca me faltou nada.
E quando eu digo nada, é nada, quer dizer, os meus sonhos... foram se tornando realidade, não é? Em primeiro lugar, e eu estou muito grata à minha mãe, nomeadamente por terem investido na minha vida espiritual, quando eu sou pequena, levar-me à igreja. Claro que depois tomamos as nossas decisões, mas foi ela que me apresentou Jesus, a família, íamos juntos à igreja, os domingos. O sacrifício que eles faziam todos os fins de semana, não é? Para irem, lá iam eles atrás da sara e dos onda-choque para onde eu ia. Eles iam acompanhar-me, apoiar-me e é um apoio que eu ainda hoje sinto, sem dúvida nenhuma. Houve realmente, eu era muito nova, ali uma fase de separação, de divórcio entre os meus pais.
Mas também a minha mãe foi uma grande mulher e sempre esteve ali a lutar para que nunca nos faltasse nada e mais tarde entra também em cena o meu segundo pai, o António, já faleceu, portanto realmente eu acho que só posso dizer Deus obrigada porque... Ou seja. A tua mãe, apesar das dificuldades que ela ia passando, ela, mesmo assim, ela conseguia sempre transmitir-te toda esta segurança, deixar que nada te faltasse e que, no fundo, apoiar o teu, no início, uma brincadeira que se tornou numa carreira e num ministério. Ela sempre acreditou em mim, aliás, por vezes até era ela a primeira a enviar o meu currículo, e na altura estamos a falar de uma adolescente de 10, 11, 12 anos, que ainda não sabia elaborar currículo, Ou seja, ela percebeu. Esse dom em ti antes da tua própria.
E era ela que enviava para as várias oportunidades que eu podia agarrar, de castings e tudo mais. Era ela que me punha, que me inscrevia e depois eu querendo, ia porque queria, ninguém me obrigava. Mas muitas vezes era ela que abriu o caminho, sem dúvida nenhuma.
Sária, e como é que tu estudas, enfim, comunicação social, jornalismo, como é que começas então a trabalhar em rádio? Desde muito cedo, tu sabias que era o que tu querias, mas tu já em criança fazias programas de rádio. Criança ou adolescente? Bom, eu ainda sou do tempo das rádios piratas, como ouvinte, portanto já participava aí nas rádios piratas como ouvinte para os discos pedidos. Ou seja, a tua infância, as tuas brincadeiras andam todas ligadas a isto. Andam muito ligadas a isso, sem dúvida nenhuma. Não tens memória de outro tipo de brincadeiras, nada a ver com microfones Ah. Também brincava com as plantas do quintal dos meus avós, a fazer ali perfumes e a tentar... A pegar nas plantas e a fazer o microfone das plantas. Era o... Também dava. e... Brincar com... Mas realmente, estás-me a fazer um bom exercício de memória.
Realmente, eu brincava com bonecas, mas não era o que eu mais gostava de brincar. O que não era fazer as bonecas da tua plateia para falar com elas. Exatamente. Então, eu era a professora e elas eram as alunas. mas sempre foi um bocadinho isso. E, mais uma vez, a minha mãe é que estava atenta às oportunidades no que diz respeito aos Ondashock. Ela foi comigo, acompanhou-me no processo. A primeira vez que eu entrei num estúdio de rádio, eu estava com os Ondashock, na altura foi na Rádio Borba, no Alentejo, íamos lá fazer um concerto e antes do concerto passámos pela rádio. Portanto, foi a primeira vez que eu entrei num estúdio de rádio. mas depois, aos 12 anos, surgiu a oportunidade de fazer os testes, um casting, lá está, audições, naquele tempo, para a Rádio Renascença. Eles estavam à procura de uma pequena locutora, mesmo, literalmente, para fazer um programa para crianças, a Rádio da Malta, e também aí, o empurrãozinho da minha mãe, a mandar a minha cassetezinha, e lá fui eu fazer os testes.
Portanto, ela dava o empurrão, mas depois eu fazia o resto, não é? E, a partir daí, desde os meus 12 anos realmente que o meu percurso de rádio, a rádio sempre foi fazendo parte da minha vida. Há poucas pessoas em Portugal que podem... tem uma história, sinceramente, à tua, que é, com 12 anos começas a fazer rádio, ou seja, estamos a falar nos últimos 30 e tal anos em que tu falas para muita gente, em que tentas sempre chegar a muitas pessoas, seja através da rádio, da televisão, e já lá vamos. A minha questão é, como é que tu consegues todos os dias, de manhã, quando vais e levantas a via do microfone, ou quando tens que tratar de gravar programas e tu gravas imensos, mais do que a maior parte dos profissionais de comunicação social, enfim, dos nossos canais jornalistas, Como é que tu consegues ter sempre esse ânimo, essa força, e mesmo por momentos muito difíceis que tu já tenhas vivido, ainda assim tu consegues...
transformas-te noutra Sara, crias ali alguma coisa à tua volta que permite chegar ao coração das pessoas e alegrá-la, e alegrá-las, ou às vezes não dá, não consegues. Eu continuo a dizer que a Sara é a mesma. Às vezes até mesmo quando eu estou a falar, no dia-a-dia, ah, tu realmente parece que tens a voz de rádio. É mesmo, a Sara é a mesma voz. Mas quando eu chego de manhã, claro que um profissional de rádio, como qualquer outra pessoa, somos seres humanos, temos dias bons e temos dias maus. Mas a rádio é o meu espaço, é a minha casa. Eu quando chego lá... Ok, vamos lá. E graças a Deus também tenho uma equipa aqui da RCS que nestes últimos 20 anos, tu fizeste questão de me lembrar que foi há 20 anos mais ou menos que eu comecei na Rádio Clube de Sintra, que também me tem acompanhado neste percurso.
Portanto, não só fazer rádio é agradável, não só tenho gosto em falar e dizer algo mas dizer algo com sentido, como tenho também o privilégio de ter uma boa equipa, que se for preciso naqueles dias maus, também, não é que me façam clássicas, mas também me ajudam a ficar, a dar aquele upzinho que eu preciso, para, enfim, aquela luzinha se acender. E tu és também uma pessoa de princípios, alguns até se calhar inegociáveis. Consideras-te que há coisas às quais tu não fazes e te recusas a fazer, mesmo no meio da comunicação social. Tens princípios muito basilares daquilo que tu queres e daquilo que tu fazes. Em relação aos meus princípios e valores, se tivesse de depor algum rótulo, se calhar diria conservadora.
Se bem que o termo conservador também tem muito que se lhe diga, mas conservador no sentido em que conservo aqueles princípios éticos, não é, que nós encontramos e que foram escritos há mais de dois mil anos atrás e que nós encontramos escritos na Bíblia e que nos ajudam a perceber por que caminho nos devemos direcionar. Portanto, é por aí que é um paute. Nesse sentido, há, claro, há princípios que são negociáveis e princípios que se vão contra a minha fé, contra a minha consciência, contra a minha crença, ou até contra os timings, pode não ser o tempo ainda para, ou já passou o tempo de, aí óbvio que digo que não. Eu digo isto porquê? Porque eu recordo-me de uma situação que aconteceu contigo, enfim, talvez, se calhar nunca falaste disto em público, aliás, nem sei se te lembras sequer, mas antes de trabalhares na Rádio Clube de Sintra, ou seja, antes de 2006, por isso terias 20 e muito poucos anos, ou seja, nem sequer eras casado, ainda estavas a sair da adolescência, tu trabalhavas numa rádio e recordo-me que na altura fazias notícias E eles pediram-te para fazeres uma notícia sobre algo...
Já estás a ver onde estou a chegar. Já estou a ver. Podemos partilhar, sem problema. E era precisamente porque na altura, creio que era na Exponor, no Porto, ou seja, estaremos a falar aí do ano 2004, 2005, houve uma exposição de sexo, no fundo era essa a palavra, muito ligada à pornografia, etc., em que eles pediram-te para tu dares essa notícia. E tu... 20 e poucos anos, recusaste-te determinadamente a dar essa notícia, porque era contra os teus princípios e os teus valores, e com muita pressão que exerceram sobre ti, porque, no fundo, queriam-te dizer, isto é uma notícia, é um evento, mas disseste, não, isto vai contra aquilo que eu acredito e não faço, e mantiveste até o fim, e não deste. E não dei, e não lembro se era no Porto ou se era em Lisboa, e não me lembro se era notícia, se era alguma divulgação no meio de um programa, ou se era um texto publicitário, não me lembro exatamente, mas era uma divulgação. No fundo era a sua voz a algo que tu eras determinadamente contra.
E a verdade é que, nem eu nem ninguém, a notícia acabou por não passar. Não tinha de ser tão radical. Poderia passar com outra pessoa, mas por dentro eu fiquei, uau, não é bom para mim, também não é bom para os outros. Mas como é que conseguiste, com 20 e poucos anos, ter essa força e essa certeza de que, não, isto aqui é um princípio inegociável, eu não vou além disto, custa o que custar? Eu recebi mais pressão, até foi dos meus colegas, nem foi tanto do meu chefe editorial. No fundo acaba por ser se calhar pior até. Sim, os meus colegas acharam que eu estava a ser uma menina mimada. Não havia razão para. Eu penso que da parte dos meus superiores houve alguma compreensão e também não tiveram para fazer um braço de ferro em relação a este assunto. Portanto, não era um caso de vida ou de morte.
Respeitaram-me, grata por isso, e acabou por não acontecer. Sara, vamos voltar para a terceira parte desta agradável conversa entre amigos, com muitas pessoas a ver e também a sentirem-se inspirados pela tua história. Voltamos daqui a pouco para a terceira parte do programa Olhos nos Olhos. Vamos a isso. TV Novo Tempo, o canal da família, o canal da esperança.
Terceira e última parte do programa Olhos nos Olhos com uma comunicadora, Sara Narciso, que atualmente, Sara, podemos dizer que tu és, no fundo, o rosto da Aliança Evangelica Portuguesa. A Aliança Evangelica reúne, enfim, dezenas de congregações religiosas, todas elas ligadas ao mundo evangélico, e que tem muito espaço de antena em Portugal devido a uma lei que atribui espaço de antena às confissões religiosas. Em virtude da sua dimensão, vocês têm um espaço muito grande. Quantos programas é que tu fazes por ano para a RTP, para a Antena 1? Tens ideia? Deve ser para aí uns 100. Não, é mais. Se nós tivermos em conta que todos os meses temos pelo menos um programa a caminhos, no terceiro domingo cada mês, na RTP2. Ou seja, vinte e tal minutos a esse programa. E depois temos pelo menos dois programas por semana dentro da Fé dos Homens, portanto, dois, quatro, seis, oito.
Temos uma média de dez programas por mês, portanto, cento e vinte programas. Em cada programa, imaginemos que tem 10 minutos, tu falas centenas de horas por ano na televisão. Isso atribui-te alguma responsabilidade acrescida? O que é que tu sentes cada vez que tens de falar na televisão? E não é falar de qualquer coisa, é falar no fundo daquilo que é mais intrínseco a ti, que é a tua crença em Deus, em Jesus. O que é para ti ter esse trabalho diário? Responsabilidade e privilégio. Responsabilidade, sim, e gratidão. Porque eu não vou ali falar do que me apetece. Não vou falar só porque sim. Lá está, volto ao que dizia no início do programa, propósito de vida, não é? Então, há um propósito para eu estar ali, há um propósito neste tempo para ser eu, noutro tempo poderá, como já foram outros apresentadores, não é?
Então vamos cumprir esse propósito. Como é que tu foste chamada para fazer estes programas? Ora bem, nessa altura foi aberto um casting nas igrejas evangélicas, portanto houve uma divulgação a nível nacional pelas várias igrejas, porque estavam à procura de mais colaboradores para os programas de televisão. E pronto, lá foi a Sara, porque já gostava destas coisas, não é? fazer o texto, fazer o casting, fui aprovada e a partir daí comecei por fazer pequenos programas para crianças, reportagens pontualmente e curiosamente no mesmo ano em que há uma grande viragem na minha vida, que eu acabo por ir trabalhar para a RCS, para a Rádio Clube de Sintra, exatamente no mesmo ano e no mesmo mês fui desafiada a entrar para a Aliança Evangelica de uma forma menos pontual e mais assídua nos programas filmados, gravados na RTP e, portanto, a passar a ter uma presença não tão pontual, mas mais assídua nos programas de televisão e até hoje.
Sara, se pudesses apenas escolher entre rádio, TV ou os palcos, se te dissessem, vais ter que excluir dois e só ficas com um, qual é que ficarias? Com muita dor, com muita dificuldade na escolha, mas escolhi a rádio. Tinha a certeza que a resposta seria. O que é que a rádio é diferente dos palcos e da televisão? Mais natural, mais imediata, Basta dizer que quando houve aquele apagão, com certeza quem está lá em casa lembra-se, não havia televisão, não havia Novo Tempo. E tu ficaste na rádio a falar para toda a gente nesse dia. Como é que foi esse dia? Recordas-te do que é que fizeste? Esse dia valeu-nos o facto da rádio também ter geradores e meios técnicos que eram alimentados duas em duas horas graças à equipa fantástica que nós temos.
Eram enquanto também conseguíamos mas conseguimos o tempo todo, não é? Ter acesso às nossas redes de informação, quer através da televisão, quer das nossas fontes, não é? E era um prazer poder estar ali a partilhar com as outras pessoas o que é que estava a acontecer, próximos desenvolvimentos e agora vem uma palavra do primeiro-ministro ao país e agora vamos ouvir a REN a falar. Portanto, estamos cá para isso.
Há tanto tempo que a rádio não tinha este papel de ter tantas pessoas ali à volta da rádio, nem que fosse dentro do carro a ouvir. Sarah, falamos muito do teu percurso, da tua vida. Quem está a ver, pensa que a tua vida é um conto de fadas, porque desde pequena tu parece que sempre conseguiste tudo aquilo que tu querias alcançar, tu alcançavas. No entanto, tiveste muitas também, como toda a gente, altos e baixos. Como é que tu superaste as fases mais difíceis da tua vida? Claro que sim. Nós, quando estamos no palco, Estamos no palco, mas nem sempre a luz brilha, nem sempre temos o sol de verão, às vezes também temos o sol de inverno. E na minha vida não foi diferente, porque nós vivemos num mundo onde inevitavelmente há lutas, há dissabores, e também passei por esses momentos, nomeadamente por perdas, sonhos que...
são desconstruídos, que afinal não era aquilo, e vamos aprendendo com eles. Como é que eu consegui superar, sem dúvida nenhuma, com a presença de Cristo na minha vida e nesses desertos foi quando eu pude experimentar mais, mais do que é ter fé mais do que é ser levado ao colo, mais do que são as promessas de Deus para a minha vida, que esse é o tempo onde cumprir, e muitas, entretanto, se cumpriram, não é? O novo nascer, aquele Deus que nos estende a mão, que nos ajuda, que prometeu que um dia vai limpar dos nossos olhos todas as lágrimas, não é? Que um dia vai voltar esse Jesus que eu amo, não é? Por isso é que eu digo muitas vezes que sou princesa de Jesus, princesa de nome e de Jesus, porque é assim que eu me tenho sentido.
Mas alguma vez duvidaste de Deus? Duvidaste que conseguias superar aquela montanha que tinhas pela frente? Ou isso nunca te passou pela cabeça? Eu creio que nunca duvidei de Deus. Eu já duvidei foi de mim. Deus, o que é que eu estou aqui a fazer? Para que tudo isto? Onde é que eu vou chegar? Onde é que queres que eu chegue? Achaste que o sofrimento era grande demais? Porque é que eu tenho que passar por isto? Exatamente. eu fiz tudo certo ou eu achei que estava a fazer as coisas certas, não é? E afinal o resultado estava a causar tanta dor, não é? Portanto, não foi duvidar de Deus, mas por vezes duvidar de mim. Mas ainda bem, que nós também há períodos em que duvidamos de nós para não nos acharmos autossuficientes, porque é aí que Deus nos diz a minha graça te basta, não é?
E que ele faz acontecer. Sarah, estamos a chegar ao fim. No entanto, tenho aqui uma lista de perguntas que eu gostava de fazer e que tu pudestes responder de forma muito lacónica, apenas com uma ou duas palavras, como tu achas melhor. Uma palavra que te descreve. Comunicação. Um lugar especial. Água de madeiros. Uma música que tu nunca esqueceste. O melhor lugar do mundo é aos pés do Salvador. Há mais, mas esta, na tua presença, Isquiel Duarte, lembro-me desta música. Um apresentador ou apresentadora que te inspirou desde que eras criança ou até já na vida adulta. Isquel Duarte. O objetivo é ser verdadeiro.
Isquel, verdadeiramente, tu és um excelente comunicador. Mas assim, quando era mais nova, quando comecei o meu percurso na rádio, foi o António Sala, inevitavelmente. E depois, mais para a frente, houve outros nomes. O que é que nunca farias na comunicação? Ir contra os meus princípios e valores. Mentir. Que sonho é que tu ainda gostarias de realizar na rádio, na televisão ou noutros projetos? Olha, fazermos um programa em direto, num canal de grande alcance, de música gospel, onde podemos também partilhar ali abertamente e sem tabus testemunhos e falar com a mesma naturalidade com que se fala de tantos assuntos, falar não é religião, é Deus, é relacionamento com Deus, sem medos e sem tabus.
Três momentos que, ao longo da tua vida ligada à comunicação, recordas e que, se calhar, até gostarias de voltar a viver. Eu sei que um deles terá sido nas prisões, mas tens vários, não é? Sim, o Natal nas Prisões, maravilhoso. Como é que era? Tu eras apresentadora de um programa nas prisões durante cinco anos? Durante vários anos. Todos os anos eles faziam um convite, do qual eu fazia parte, para o Natal das Prisões. Portanto, o Natal das Prisões acontece. Para além daquilo que se vê na televisão, todos os estabelecimentos prisionais têm a sua celebração de Natal, com espetáculos, com artistas. E durante bastante tempo tive o privilégio de ser uma das apresentadoras. E num dos anos, creio que tu também estiveste lá comigo. Eu sei que tu não queres falar olhos nos olhos de ti. Um dia trocamos. Não estive lá, mas eu fui lá levar material, carregar coisas, no fundo.
Mas lembro-me de um ano em que eu e o Daniel Galaio, meu colega da RCS, estivemos ali, portanto, com uma boa participação. E recordo-me até, já que estamos neste, que era o Daniel Galaio de alta altura pediu a um voluntário que fosse lá à frente, e aquilo é muito arriscado, porque num ambiente prisional toda a gente queria ir, e então houve um que foi correr em direção a Daniel Galaio, e depois os guardas prisionais detiveram-no ali no momento, e o Daniel Galaio o que ele fez foi, não, deixei-no vir. Ou seja, com aquela coisa de que, e outro é da ordem, fica dentro de tudo. Foi maravilhoso. Não sabia o lugar seguro, era aquele, porque estavam lá muitos guardas, sem dúvida nenhuma, e o ambiente era... não era um ambiente pesado, era um ambiente de animação. Mas então, a minha pergunta era, três momentos que tu viveste na área da comunicação no passado e que tu recordes e que tens muitas saudades, por exemplo? Com o Zonda Choque, sem dúvida nenhuma, não é?
Subir aos palcos com o Zonda Choque. Fazer séries de televisão, também já o fiz quando tinha 12 anos, na altura para a RTP, também foi um gosto fantástico. E o que mais posso dizer? Sinto-me tão realizada com o que faço agora, com os programas de televisão e de rádio, que se calhar apresentar um programa no novo tempo. Olha... Mas isso é absurdo, não é? É passado muito tempo e ainda não o fiz.
Acho que é muito possível, acho que é muito viável. Um conselho que tu gostarias, e aqui terá que necessariamente ser mais palavras, um conselho que tu gostarias de deixar aos jovens, que nesta altura gostariam de entrar na área da comunicação e sobretudo com as redes sociais, com a forma completamente diferente daquela que hoje em dia se utiliza quando eras adolescente e quando começaste, mas que eles possam manter os seus valores e a sua fé, assim como tu o fizeste. Hoje é cada vez mais fácil ser-se conhecido, ser-se mediático devido às redes sociais. No meu tempo não era tão fácil, sem dúvida nenhuma. A televisão tinha um papel fundamental que hoje facilmente as redes sociais, os influencers das redes sociais. Então, que conselho é que eu posso deixar? Acima de tudo não tentem ser aquilo que não são.
procurem descobrir a vossa identidade, procurem perceber quais são os vossos valores, o valor da vossa vida, é nesse sentido que eu digo, e a partir daí, e porque essa tem sido a minha experiência, quanto mais eu conheço aquele que me criou, Deus, mas eu consigo entender também a beleza da sua criação, o valor, o potencial que ele colocou em cada um de nós. E se eu conseguir estar em paz com Deus e em equilíbrio comigo própria, eu consigo também fazer fluir melhor o meu trabalho, inclusive na comunicação. Então, se calhar o melhor desafio que eu tenho é esse. Vão à fonte de vida, à fonte da palavra, descobram a vossa verdadeira identidade e não abram mão. dos valores em prol das maiorias ou das pressões exteriores que possam existir, permanecer fiel à verdade.
O que é que tu sentes quando vais, por exemplo, a uma igreja evangélica ou até na rua, por exemplo, se alguém te aborda e que sentes que em algum momento algo que tu tenhas dito possa ter feito a diferença na vida das pessoas? O que é que tu sentes nesse momento? Nós ficamos super felizes e entusiasmados quando realmente temos a noção de que fazemos a diferença na vida de alguém. Se bem que nem sempre nós temos essa noção. Eu acho que muitas vezes Deus não nos permite ver os resultados também para não nos invadecermos, não é? Mas é nessas alturas que eu penso assim. Valeu a pena? Se calhar, passar pelo que passei, para que da mesma forma que eu fui consolada por Deus e pelas pessoas que ele colocou ao meu redor, eu poder também consolar, influenciar e inspirar outras pessoas.
Isso é outro conselho que eu também deixo para os mais jovens. Rodeiem-se de pessoas que possam ser boa influência para vocês. Finalmente não, ainda tenho uma última pergunta, mas se tu tivesse todos os meios do mundo, financeiros, enfim, recursos humanos, e pudesses criar um projeto de comunicação, que ideia de projeto de comunicação é que tu terias? Novo Tempo Portugal. Já existe. Lá está, eu acho que provavelmente... Tens. Assim, alguma ideia incrível que só não possas realizar por falta de meios. Essa pergunta que tu me estás a fazer, eu precisaria aqui de um bocadinho mais de tempo para pensar e criar sinergias. Eu gosto muito de me sentar à mesa e criar sinergias e assim começam a nascer as ideias e a dar origem a novos projetos.
Portanto, se calhar desafio-te a convidares-me para um outro programa onde eu possa dar essa resposta depois de conversarmos mais sobre ouvir as ideias de cada um. O desafio agora é teu, porque tu vais ter um programa na Novo Tempo e depois não sei de que é que vai ser esse programa, mas vais-me convidar a mim então para dizer o que for nesse programa. Histórias de vida. Não tem de ser necessariamente olhos nos olhos, mas histórias de vida. Se fosse a minha vida, dava um minuto de programa, não tinha muito para dizer. Olha, se calhar não, se calhar havia mais, não é? Até principalmente quando nós não falamos apenas de nós, mas de pequenos detalhes, às vezes, onde realmente grandes coisas puderam acontecer. Boas conversas, histórias de vida, muito por aí. Sara, se a tua vida, por alguma razão, alguém quisesse escrever um livro sobre a tua vida, um filme, enfim, o que fosse, e tivesse que dar um título à história de vida da Sara Narciso, que título é que achas que deveria ter?
Sara, a princesa de Jesus. Sara, muito obrigado por teres aceitado este convite e foi muito bom. 20 anos de amizade num programa destes e de estarmos aqui olhos nos olhos. Obrigado. Obrigada pelo convite também e Deus vos abençoe também a vocês que estão em casa e a toda a produção deste fantástico programa da Novo Tempo.
Neste episódio do Olhos nos Olhos, conhecemos de perto a história inspiradora de Sara Narciso, comunicadora, apresentadora de rádio e televisão, mulher de fé e voz marcante da comunicação cristã em Portugal.