Daniel Vicente

Daniel Vicente

30 de Janeiro de 202655 min 27 s

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Hoje, no Olhos nos Olhos, recebemos um homem que viveu inteiramente para servir. Um pastor de coração doce e fé inabalável. Um amigo que esteve sempre onde havia alguém a precisar de ajuda, fosse para pregar, ouvir, consolar ou até carregar os sacos de compras dos vizinhos do prédio. Daniel Luís Calvelas Vicente nasceu a 7 de setembro de 1959, em Lisboa, e cresceu numa casa cheia de irmãos. Casou-se aos 22 anos com Ana Isabel dos Santos Pereira Calvelas Vicente. Tiveram dois filhos, André e Joel, e hoje são também avós. Em criança sonhava ser professor e Deus, com o seu sentido de humor, cumpriu-o de uma forma diferente. Ele formou-se em Teologia na Faculdade Adventista de Colonge, em França, em 1988 e mais tarde aprofundou os estudos em educação e orientação familiar.

Foi ordenado ao Ministério a 30 de setembro de 1995 e a sua primeira nomeação pastoral foi em Ponte de Souro. Desde então o seu percurso abrangeu quase todo o mapa da Igreja Adventista em Portugal, servindo ainda como tesoureiro da União Portuguesa e ainda como responsável do Departamento de Mordomia, da Associação Ministerial, entre muitas outras funções. Homem de fé profunda, coração simples e espírito brincalhão, hoje vamos conhecer o lado humano do pastor que aprendeu a transformar cada desafio numa oportunidade de confiar mais no Senhor.

Pastor Daniel Vicente, esta frase final que eu acabei de ler corresponde quase ao resumo da sua vida, aproveitar cada desafio para fortalecer ainda mais a sua fé. Sim, cada desafio, cada prova que veio à minha vida ou que eu tive de enfrentar significou sempre um desafio que eu tinha de ultrapassar e até uma forma de eu compreender o quanto Deus está ao meu lado mesmo nos momentos difíceis de alguma prova ou de algum desafio. No final de cada desafio foi sentindo a presença de Deus mais perto?

Infância e memórias de família

Mais perto e os desafios seguintes tornavam-se já quase que não eram desafios, já faziam parte, já faziam parte da vida. Pastor Daniel, vamos começar por falar um pouco da sua infância. Temos uma imagem do Pastor Daniel ainda bem pequena, temos aqui uma fotografia muito curiosa, em que o Pastor Daniel aqui teria quantos anos? Aqui tinha 5 anos. Olha o que vocês conseguiram. E cresceu numa família muito numerosa, não é? É verdade. Estes são os seus irmãos? São os meus irmãos, exatamente. Era assim que nós íamos para a praia. Exatamente. A minha irmã mais nova, que está ali à frente, sentada, quando íamos para a praia, ali era o lugar do meu pai.

Ela ficava de pé, portanto ali à frente, não é? De pé. Então, a irmã do pastor Daniel ia à frente, o seu pai ia sentado. A dirigir a moto? Ia sentado, eu ia atrás do meu pai, ao colo do meu irmão do meio, o meu irmão ao colo da minha irmã mais velha e o meu irmão mais velho atrás, portanto, naquilo que era o pneu suplente da moto. Todos sem capacete? Todos sem capacete, exceto o meu pai. Não, o meu pai também não. Agora se estou a lembrar, nesses percursos de férias, porque estes eram os percursos de férias, ele não fazia isto, por exemplo, na cidade, fazia isto na zona onde nós fazíamos férias.

E onde é que passavam as férias? Aqui relativamente perto, portanto, na zona de Morlinho, Carrascal, aqui na zona de Sintra, onde vocês têm o estúdio. Porque vocês eram todos de Lisboa, cresceram em Lisboa. Nós éramos todos de Lisboa, crescemos em Lisboa. E o meu pai trabalhava em Albarraque. E, portanto, o seu meio de transporte para chegar ao trabalho era aquela mota, uma Ankel. Ele percebeu-se que deixar a minha mãe com cinco filhos, quando estávamos de férias, nas férias grandes, que era uma trabalheira desgraçada, e ainda para mais controlar o que é que eles faziam durante essas férias, então, de uma maneira estratégica, ele trazia-nos para a zona ali de Morlim, perto já das praias da zona de Sintra, e assim nós podíamos ter espaço à vontade para andar de bicicleta, para correr, para saltar, para fazermos milhentas coisas.

Como as casas naquela altura, nessa zona, eram, portanto, um precisório, não haviam outras pessoas a passarem férias, senão a nossa família, naquela zona. E as pessoas achavam-me muito engraçado, aquela família cheia de meninos, a minha mãe a cuidar daquela gente toda e o meu pai aproveitava-se para... Portanto, como o gasto era o mesmo, ele tanto fazia de quilometragem de Morlinho para Albarraque, como de Albarraque para Lisboa, para a zona onde nós morávamos, e assim ele estava tranquilo, a minha mãe também, e ainda poupavam uns tostões, quando eu hoje penso nisso, ainda poupavam uns tostões, porque depois nós íamos apanhar feijão verde com as outras pessoas, tomate, depois elas davam para nós levarmos para casa e a minha mãe lá fazia os petiscos dela.

Quantos irmãos aqui eram então? Nós éramos cinco. Cinco? E quantas raparigas? Duas raparigas. Duas raparigas e três rapazes. A minha mãe teve mais uma menina antes de mim, mas que morreu. Temos ainda mais uma imagem do pastor Daniel que gostava que pudéssemos ver, que aqui já é um bocadinho mais velho. Sim, aqui já tenho 18 anos. 18 anos? Aqui tenho 18 anos. Esta foto, recorda-se o porquê de ter tirado a foto? Deve ter sido por algum passo? Por acaso ali não foi, não. É porque eu não tinha assim nenhuma fotografia de fotógrafo, não é? Que não fossem aquelas de passo.

Não sei porquê, decidi tirar uma foto assim de... E que recordações é que. Tem da sua infância? Presumo que era muito movimentada, as idades eram mais ou menos próximas. Sim, eu era um traquina, era muito movimentado. Penso que era hiperativo, realmente se fosse hoje já me tinham diagnosticado como hiperativo. Os meus irmãos, que nasceram antes de mim, Portanto, a minha mãe, como eram quase de dois em dois anos, tinha uma criança, então os três primeiros foram criados num parquezinho que era um parque de madeira semelhante ao que era uma cama de bebê de madeira, só que não tinha fundo e depois tinha uma pequena altura, portanto, por baixo.

E os meus três irmãos foram mais velhos, foram criados ali, portanto, quando a minha mãe estava a cuidar de um, tinha que ter os outros ali dentro, porque senão aquilo era muito difícil de controlar. Só que, no meu caso, não deu resultado, porque quando me puseram no parque, eu descobri que metendo a cabeça por debaixo, forçando, forçando e levantando, levantava e passava. Então, o meu pai teve que fazer tipo tenda, agarrar com umas amarras ali o parque, para que eu não saísse quando não era necessário. Era uma família abastada porque vivia na capital, era Lisboeca.

Vivia, vivia na zona de Benfica, sim. Vivia na zona de Benfica. O meu pai era um operário. Não era uma família abastada, era a família de um operário. Mas uma família que controlava muito as despesas e o meu pai era uma pessoa muito organizada. Com 12 anos, por aí por 12 anos, eu recebi, portanto, um prémio de 100 escudos, naquela altura era muito dinheiro, e o meu pai voltou-se para mim e disse-me, olha filho, este dinheiro tu deves fazer uma poupança. Ah, mas eu gostava de comprar isto, eu gostava de comprar aquilo.

O pai disse, ok, olha, mas não sejas como o homem de bronze, que ganha 10 e gasta 11. Isto nunca mais saiu da minha cabeça. Está bem, mas aquilo que eu queria comprar até não gastava mais que os 100. Pois, mas gasta só 80 porque nunca sabes quando vais precisar dos 20 que ficaram de lado. E manteve esse princípio a vida toda? Ainda hoje é assim? Mas, ainda hoje sou assim. Deus abençoa-me ricamente na forma como eu faço a gestão do meu dinheiro.

A adolescência rebelde

Só durante ali uma fase da adolescência é que não foi assim. Quando eu deixei de ter Deus no controlo da minha vida, não foi assim, não. E que período foi esse na adolescência? Não é um período que eu me orgulho muito, foi um período entre os 14 anos e os 19 anos. Foi um período, assim, bastante conturbado. de menino rebelde, portanto, essa energia que eu tinha e que até ali tinha sido bem orientada pelos meus pais, eles conseguiam orientar-me muito bem. Eu dou muito valor àquilo que os meus pais fizeram por mim naquela altura. Os meus pais eram evangélicos, frequentavam a igreja presbiteriana e eram ativos na igreja presbiteriana.

Ou seja, do a pastor infância Daniel Vicente foi já com uma carga de religiosidade, espiritualidade. Foi, foi, foi. O primeiro livro que eu tive foi uma bíblia. Os meus pais ofereceram-me no Natal uma bíblia. Assim que eu aprendi a ler, com seis anos, eles ofereceram-me uma bíblia. Ainda tenho essa bíblia como recordação, que durante essa fase, a partir dos 14 anos, desapareceu, mas consegui recuperá-la depois. Mas o que aconteceu foi uma revolta? Foi uma afirmação. Ou seja, naquele período entre os 14 e os 19, 18 anos. No fundo, adolescência, não é? Adolescência, sim. O que é que queria ser uma coisa que não era? O que é que afirma? Era um pouco isso.

A afirmação, como o meu pai era um pai de rédea muito curta, E achava que controlava tudo. Nessa altura ele tinha tido uma dificuldade com a minha irmã mais velha e eu fiquei um pouquinho revoltado com essa situação. Um pouquinho consciente. Conscientemente, era pouquinho. Inconscientemente, era muito grande, porque eu senti isso durante o resto quase da minha vida. Foi muito pouco antes do meu pai falecer que eu consegui resolver essa questão.

E, portanto, aquilo era, tu pensas que me controlas, pensas que sabes quem eu sou, mas eu não sou nada daquilo que tu achas que eu sou. Foi um pouco essa a espera. E depois o que é que acontece aos 19 anos? Precisamente, porque aos 19 eu tomo consciência da gravidade do percurso que eu tinha tomado. E quando eu tomo consciência, acredito que pela ação do Espírito Santo, que trabalhou ali comigo bastante, porque eu não frequentava a igreja, já tinha deixado de orar, foi a última coisa que eu fiz foi deixar de orar.

Mas nunca deixou de acreditar em Deus. Não, nunca deixei de acreditar em Deus. Mas no grupo em que eu vivia, portanto, eu trabalhava das onze da manhã às dez da noite. E era muito fácil, portanto, eu encontrar amigos que eram os amigos da noite. E a noite, por mais que se goste da noite, eu não digo que era infeliz na noite. Só que não me orgulho nada de todas as palermices que a noite traz. A noite traz muita coisa, muita coisa negativa. Eu, simplesmente, não gosto de relembrar de onde Deus me retirou.

Não gosto de falar do controlo que Satanás teve sobre a minha vida nesse tempo. Há pessoas que, às vezes, testemunham e dizem. Eu penso que não, porque recordar é viver. e recordar também aquilo que o inimigo fez por mim, fez em mim e de mim, só faz com que eu dê publicidade àquilo que ele fez e isso é o que eu não quero mais, porque dei muita publicidade a esse cavaleiro e não quero mais dar-lhe publicidade. Que interessa é mesmo o que aconteceu aos 19 anos. Essa tomada de consciência de que estava em caminhos que não deveria continuar, acontece como?

Primeiro foi com um do grupo, daqueles amigos da noite, até aquele em que eu tinha mais confiança. que eu me voltei para ele e disse, se algum dia nós temos que dar contas a Deus, porque eu sabia que ele também era religioso, mas não deixava de fazer os disparates que todos nós fazíamos, se algum dia Deus nos pede contas por isto que nós estamos a fazer, o que é que vai ser de nós? E ele voltou-se para mim e disse assim, é pá, deixa-te lá disso, se Deus tiver que pedir contas, não vês a quantidade de pessoas que faz o mesmo que nós? Deixa-te lá, não te preocupes com isso.

Isso aliviou a minha consciência durante algum tempo. Mas, de repente, eu começo a pensar, algum dia, alguém da minha família vai descobrir tudo isto. Tudo isto vai ser descoberto. Isto não vai acontecer, seja por que razão for, isto vai vir a lume, a verdade acaba por vir sempre ao de cima e a mentira tem perna curta. E pronto, eu aí fiquei a pensar e, de repente, esse amigo fez uma daquelas que nenhum amigo faz a um amigo.

Foi uma traição muito grande. Eu podia ter ficado muito mal com a situação. Deixou-me pendurado, como se costuma dizer. E eu disse, então, mas eu andei atrás destas comalha. a fazer estas barbaridades todas, a pensar, a construir coisas que não lembram ao inimigo. E agora, quer dizer, estou aqui e vou dar um pontapé nesta gente toda, mas também não me vou salvar. Eu não me vou salvar. porque eu sabia que estava a fazer errado. É verdade que, ultimamente, aquilo já fazia parte da minha vida.

Mas, de alguma forma, Deus ainda o chamava, porque não estava completamente afastado para ainda ter estas consciências. Sim. Chamou-lhe consciência, mas, no fundo, era Deus. Só que eu, quando senti a necessidade de falar com Deus, Eu dizia uma coisa, apesar de não estar a orar, às vezes tinha uns momentos em que eu orava, mas era um orar de uma maneira que eu hoje percebo que era tentar-me desculpar. Eu dizia, ó meu Deus, e quando eu dizia, ó meu Deus, era o Deus que me aceitava como eu era. E realmente Ele aceita-nos como nós estamos, mas para nos retirar daquilo, mas para mim era o Deus que era capaz, portanto, de aguentar-me a si mesmo e de me ajudar mesmo assim.

Mas então afastou-se completamente deste grupo de amigos? Naquela altura, não logo. O que pensei foi, passei toda uma noite, é uma fase muito triste, passei toda uma noite a pensar como é que eu ia acabar com a minha vida. Com 19 anos. Porque os meus pais não podem saber disto. Eu agora como estou, estava desorientado, estava a entrar numa depressão, talvez, e comecei a pensar que a melhor solução era acabar com a minha vida. Já que tinha que ir parar ao inferno, naquela que era a minha perspectiva, mais valia acabar já porque É verdade que Deus salva, Cristo salva, mas eu estava a fazer isso conscientemente.

e tinha estragado a vida de algumas pessoas, inconscientemente. E até me ria com isso, às vezes. E, portanto, não podia ser. Tinha ido por outros caminhos que não interessavam a ninguém. E eu pensei, se os meus pais sabem disto, isto é terrível. Isto é uma coisa terrível. Então, eu tenho que acabar com a minha vida. Eu acredito que Satanás estava ali numa luta constante entre o bem e o mal. E era Deus por um lado e Satanás por outro. A ver a quem é que eu apetecia.

E isso tem-me sido útil até porque já estive em contato com alguns suicidas. E por o raciocínio que eu tive naquela altura, eu percebo que aquela pessoa vai mesmo fazer aquilo se Deus não intervier para o libertar dessa situação. E no seu caso, como é que veio essa intervenção divina, que no fundo é essa luta constante entre o bem e o mal, que agora percebe que era isso que estava em causa, quando é que acontece?

A noite decisiva

Eu tinha decidido, num determinado dia, Como eu disse, eu trabalhava até às 11 da noite, em vez de ir para a Borga. Portanto, eu iria descer do esternato onde trabalhava até à Estação do Recio. O esternato ficava ali na Brancamp. justamente em frente ao terreno que a Igreja Adventista em Portugal tinha primeiramente pensado construir a sua primeira igreja, ali na bifurcação de Alves Cabral e Brancamp. Então, eu iria descer a pé até ao Recio, apanhar o último comboio, E, portanto, naquele tempo, os comboios, no lugar onde ia a cabine do condutor do comboio, tinham uma...

era um vagão, mas era na mesma carruagem, onde levavam mercadorias e assim, mas à noite já não estava em uso. e que tinha uma porta que se abria manualmente, não era automática. Eu ia viajar nesse espaço e quando o comboio fosse a toda a velocidade no túnel, eu íamos projetar contra a parede do túnel e, infelizmente, já tinha visto alguém fazer isso e, portanto, aquilo era... Era mesmo trigo limpo de Oringapã. Tomou mesmo essa decisão de que iria fazer isso? Nesse mesmo dia fiz a minha vida normal.

Não se despediu de ninguém? Não me despedi de ninguém, porque a minha intenção era que os meus pais, quer dizer, uma doidice dos 19 anos, pronto, pelo menos dormem bem esta noite. Quer dizer, isto não tem sentido absolutamente nenhum, não é? Mas naquela altura fez todo o sentido. Porque todas as outras coisas que eu pensei, eu arranjava sempre uma coisa para não praticar aquilo não, porque depois vão-me levar para o hospital, podem me ver a definhar. No fundo não queria fazer sofrer ninguém? Não queria que fosse um ato consumado e que ninguém me tivesse que perguntar porquê de eu ter cometido aquele ato. Portanto, saí, estava no meu trabalho, nesse estrenato, eu dava aulas de manhã e, portanto, da parte da noite, portanto, tarde, noite, prestava serviços na Secretaria do Estrenato.

E veio um jovem adventista fazer um telefonema, na altura em que ainda não tínhamos o telemóvel, pediu para fazer um telefonema, ele fez o telefonema e quando ele estava a fazer o telefonema Ele disse uma coisa que eu ouvia, era normal, aquilo era ali mesmo, não havia-me grande privacidade. Homem, então, mas quando tu saís da igreja, se eu não estiver na igreja, vai para casa porque eu depois vou ter contigo a caça. Quando ele desligou o telefone eu disse, tu não és. Não és católico? Pois não, porque à quarta-feira à noite, portanto, não podia ser uma missa católica. Não, não, eu sou do 27º dia e eu disse-lhe, olha, eu também sou evangélico, mas tenho andado um bocado arredado das coisas de Deus.

Ah, mas olha, podíamos falar um pouquinho, disse-me ela. Podíamos falar um bocadinho. E eu disse, olha, hoje não estou interessado, porque tinha aquela ideia. Mas a que horas é que sais? Saio às 11, mas não, eu hoje vou logo para casa. Bom, quando eu saí às 11 horas, ele estava lá. e não me perguntes porquê, nem porque não, a verdade é que eu abrigo completamente o meu coração àquele jovem, que eu conhecia de ser aluno do estrenado, não conhecia de lado nenhum, que sabia que era um carente em Jesus Cristo, porque era um Adventista de sétimo dia, E abri-lhe o meu coração.

E quando lhe abri o meu coração, ele voltou-se para mim e disse, olha Daniel, aquilo que tu me estás a contar para Deus é tão grave como duas irmãs que eu tenho lá na igreja, e que ao sábado de manhã põe-se uma de um lado da entrada da sala de culto e outra do outro lado, e olham uma para a outra e dizem assim, olha, olha, olha o comprimento da saia daquela que hoje trouxe para a igreja, olha, olha aquilo como veio vestido para a igreja, olha, Olha aquele bebê que faz tanto barulho, aquela mãe que nunca tem... Olha, eu estou a orar muito por elas, porque elas precisam das minhas orações e eu vou orar por ti. Porque para Deus é a mesma coisa. E olha, vou-te dizer mais uma coisa.

Há uma escritora cristã, americana, escreveu o seguinte, num dos seus livros ela diz, ninguém desceu tão fundo, ninguém foi tão baixo que o sangue de Jesus Cristo não o possa purificar e limpar toda a culpa. E aquilo foi... O peso que eu tinha nas minhas costas, o mundo que ia nas minhas costas, eu de repente disse, mas como é que isto desapareceu de um momento para o outro? mas Deus ainda me ama. Apesar da lama por onde eu andei, do chiqueiro onde eu andei, mas Ele ainda me ama.

E foi nessa noite que fez toda a diferença. Fez toda a diferença. Ou seja, aquela que poderia ser a última noite da sua vida, na verdade acabou por ser um novo enchimento. Tornou-se a primeira noite do resto da minha vida.

O regresso à igreja

Daniel, vamos fazer o nosso primeiro intervalo nos olhos de hoje e voltamos já a seguir. TV Novo Tempo, o canal da família, o canal da esperança. Segunda parte do programa Olhos nos Olhos, com o pastor Daniel Vicente, onde estamos aqui, no fundo, a contar talvez aquela que foi a noite mais dramática, ou das mais dramáticas da vida do pastor Daniel. A mais dramática não foi, mas foi. Uma das mais difíceis. Foi difícil, foi uma noite difícil, mas foi uma noite em que eu decidi que queria mesmo estar com Jesus, e quando cheguei a casa, A primeira coisa que eu fiz foi procurar numa casa de crentes, encontrou-se uma bíblia, não encontrei a minha, mas encontrei um novo testamento, abriu esse novo testamento e os meus olhos pousaram sobre o versículo que ainda hoje é o meu versículo favorito, porque Deus enviou o seu Filho ao mundo não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.

Aí eu senti a minha salvação, realmente. Então Deus não me quer condenar, Deus não quer que eu morra, nem me quer lançar para a chama do inferno, que era assim que eu acreditava naquela altura. Bom, seria sempre, não é? O último, enfim, na ressurreição, seria o fogo do inferno, a destruição. E depois esse jovem Adventista convidou-o a frequentar uma igreja Adventista do sétimo dia? Não foi exatamente assim. Ele tinha me dito, quando nós nos despedimos, ele disse-me, olha, eu não me vou preocupar contigo, perdão, eu vou me preocupar contigo, mas não te vou aborrecer. Isto foi muito importante para um evangélico. Isto é muito importante porque nós estamos convencidos, pelo menos no ramo em que eu estava, calvinista, portanto que a pessoa ou está perdida ou está salva.

Portanto, não vale a pena estar aí para esta igreja, ou para aquela, ou para a outra, porque salvo em Cristo, salvo está, ou perdido, perdido está. Mas ele foi muito sábio, disse-me que não ia me incomodar, e passado quatro dias encontrei-me com ele, porque parecia que a minha oração não passava do teto e eu queria orar com ele. Orei com ele, e quando orei com ele, aí abri o meu coração, mas para Cristo. Já não para esse jovem, que era o Emanuel Raposo, que possivelmente conheces, mas para Deus mesmo, depois da oração dele. Foi maravilhoso. Eu senti-me liberto, completamente liberto, e perguntei-lhe, então, e agora o que é que eu faço?

Ele disse, agora, o que é que tu fazes? Olha, quando é que foi a última vez? e o último lugar onde tu te encontraste com Jesus. Sem ser este momento agora aqui. Foi lá na igreja que os meus pais frequentavam, que eu frequentava. Então vai-te encontrar lá com Ele outra vez. E eu fui. Só que quando eu estava, fui muito bem recebido, receberam-me extraordinariamente bem, era um domingo de Santa Ceia, e quando o pastor estava a partir o pão, e eu tinha decidido participar na Santa Ceia, eu ouvi uma voz igualzinha à minha, a dizer, não é aqui.

E eu percebi que era a voz de Deus. Disse, Senhor, senão é aqui. Fechei os olhos, Senhor, senão é aqui. Diz-me, porque eu já errei tanto, eu não quero errar mais, eu quero estar contigo. Então, quando cheguei na segunda-feira junto do Emanuel, ele voltou-se para mim e disse, então, como é que foi? Disse, olha, foi bom, foi muito agradável, fui muito bem recebido. Olha, mas olha, tu tinhas-me dito. que um dia gostavas de ir à minha igreja. Antes de tu ires à minha igreja, eu quero ir à tua. Ah, está bem, ok. Disse-me onde era. Eu fui. A pregação era sobre o filho pródigo. Só aí já foi. Mas a confirmação foi com o hino, o hino final.

Era o hino Volta ao Lar. Aquilo era a história da minha vida. Lamento haver ferido a lei, ó Deus, volta-o lá. Caminhos maus, sem fé te lhei, ó Deus, volta-o lá. Lamento haver ferido a lei, ó Deus, volta-o lá. Volta-o lá, volta-o lá, e depois esta frase, não há mais lidar. Ou seja, não havia que procurar mais lado nenhum, era ali. Eu chorava que nem uma madalena arrependida, com duas jovens uma de um lado, outra do outro, e eu com uma vergonha, com os meus 19 anos, com o grande homem dos 19 anos, ali a chorar com duas raparigas, ou a tentar controlar-me sem conseguir. E quando terminou aquela linha eu disse, ok, se é aqui, senhor eu não sei o que é que esta igreja acredita, não sei porque é que tu me estás a dizer que é aqui, ok, mas tu dizes que é aqui.

Foi o primeiro sábado de todos os sábados até hoje. Não houve nenhum processo de convencimento, nem nada? Foi Deus diretamente que falou? Não, Deus já me tinha dito que era ali e era ali. Claro que eu depois percebi pela doutrina, por estudos que fui fazendo, percebi

Casamento e o chamado pastoral

realmente porque é que era ali. Depois, o pastor casa. Temos uma imagem do casamento do pastor em Alficente, também para mostrar. Este dia foi em 1980. Em 1981, que casa com a Ana Isabel. Já lá vão 44 anos. Constituem uma família. Em que momento é que decidiram estudar para a França? Foi mais tarde? Sim, foi no segundo ano de casados. Sim, foi no segundo ano de casados.

No segundo ano de casados eu assisti a uma semana de oração de jovens, feita pelo falecido pastor Juvenal Gomes, em que ele no final da sua exposição, foi durante a semana, não foi num sábado, foi durante a semana, e ele fez o apelo para que um jovem que quisesse dedicar a sua vida ao Senhor fosse como pastor, como professor. E já pensava nisso na altura ou já era alguma vontade que tinha? Já havia cá uma sementezinha. E quando ele disse isso, eu senti que era o chamado de Deus.

E a Ana não tinha ido a essa reunião porque estava grávida da nossa filha mais velha. E eu então cheguei a casa e disse à Ana, Ana, sabes, em oração, hoje, na reunião, eu disse a Deus que... que se ele queria que eu dedicasse a minha vida ao serviço dele, como pastor, que eu ia obedecer, o que é que tu achas? E a Ana disse logo, se essa é a vontade de Deus para ti, se achas que é Deus que te está a dizer, eu casei contigo para estarmos juntos, vamos juntos nessa. E até hoje. É nesta altura também que estão na França, que nasce a Andreia. Quer dizer, a Andrea nasce antes. O Joel é que nasceu lá.

O Joel é que nasceu em França. Exatamente. Quando nós falamos no Joel é sempre muito complicado para o pastor falar no Joel. Não, hoje em dia já não. Graças a Deus não. Há muito boas. Hoje centro-me mais nas recordações. A saudade é imensa. Cada vez é maior. aquilo que as pessoas dizem que o tempo cura tudo, não. O tempo pode ajudar a cicatrizar as coisas, mas a cicatriz está lá. Eu tenho cicatrizes de criança, de ter agarrado um plástico, um plástico a arder, não é? E às vezes ainda dói, ainda faz aqui confusão, mas a cicatriz está cá. Às vezes dói mais, há uns dias Por exemplo, o mês de agosto e o mês de dezembro são sempre meses difíceis para mim e para a Ana, para a Ana ainda mais do que para mim, pelo menos na maneira de viver essa situação, mas, graças a Deus, eu cada vez estou mais convencido que aquilo que a Bíblia diz acerca da morte, do sono da morte, E a melhor imagem que agora então me apazigou mais foi a que Deus me deu de um bebê, é que nós estamos nos braços de Deus, como um bebê, a dormir.

Quando morremos, e quando nós temos um bebê, olhamos para ele com uma ternura, e só de pensar a ternura, com que Jesus olha para o Joel enquanto ele está a dormir nos seus braços até à manhã da ressurreição, para mim. Temos também uma imagem quer da Andreia, quer do Joel, eles mais novinhos. Sim, vocês conseguiram coisas complicadas. Esta aqui terá sido no ano 80, certamente. Foi em 88, sim, em 88. 88, 82. E temos aqui uma imagem também, já com a família já um bocadinho mais velha. Sim, sim, sim. Aqui já a André era casada e tal. Portanto, isto foi o Mojé que tirou a fotografia, por isso ele não está na fotografia.

Isto foi o quê? Figueira da Foz? Figueira da Foz, exatamente. É na Baía da Figueira, sim. Para aqueles que não estão a ver o programa, parece-me também, o pastor falará

A dor da perda

naquilo que achar que é mais importante, mas para esta dor da perda de um filho, não é? Dizem sempre que é a dor mais lacinante que existe. Não há dúvida nenhuma disso. Não há dúvida nenhuma. Já passei por coisas muito duras, Nenhuma tão dura quanto essa. Por isso é que há bocadinho quando eu lhe dizia que terá sido a noite mais difícil da sua vida e depois corrigi, aliás foi o próprio postor que me corrigiu a dizer que não foi a noite mais difícil da sua vida. Não, a noite da morte do Joel foi sem dúvida a noite mais difícil da minha vida. seguida de muitas outras noites difíceis. Recorda-se desse período, ou seja, para aqueles que não conhecem a história em pormenor, o Joel estava a estudar na Argentina.

Numa universidade adventista, na Universidade de La Plata, e um sábado de manhã... E. Ele tinha 21 anos. E num sábado de manhã ele foi assistir a um serviço de culto das comemorações dos 100 anos da chegada do Adventismo àquele lugar. E quando vinha, portanto, da escola sabatina para o refeitório, foi colhido por uma mota que vinha à grande velocidade, quebrou-lhe os dois ossos longos das pernas, portanto, tibia e perónio das duas pernas. Houve uma mistura do sangue com a gordura do osso, que provocou uma embolia gorda e em oito dias ele.

Mas vocês não perceberam isso, ou seja, no início não havia uma certeza de que era algo assim? Não, inicialmente não. Agora, a dificuldade foi que só havia duas coisas a fazer. que era o cortar-lhe logo as pernas, com a probabilidade de ele ficar sem as duas pernas para que não houvesse essa mistura. Não haveria segurança sequer se isso resultasse, porque o tempo que demorou entre a assistência e a... E, portanto, a tomada de decisão, não houve nenhum médico que sugerisse isso. Então, nós pensávamos que ele iria ser operado para colocar os ossos no lugar.

O médico explicou-nos a intervenção via telefónica, seria pôr um ferro por dentro dos dois ossos. e, portanto, unir novamente os ossos, e depois o Perónio seria com uma chapa, de um e de outro. Isto foi um sábado, nós saímos de Portugal no domingo, rumo à Argentina, para estarmos com ele na segunda-feira, quando ele fosse operado, só que quando chegámos, embolia gorda já se tinha produzido, o Joel já estava sedado para estar em coma induzido, porque aquela dor era muito grande, e ele teve 7 dias, que foram os dias em que eu Me senti mais perto de Jesus, que é Deus muito presente em nós, nas pessoas que ali estavam, nas pessoas que nos rodearam.

Mas, oito dias depois, um sábado à noite, ele faleceu. Não chegaram a falar com ele, ele não estava consciente? Consciente, não. Falávamos com ele, mas não sabemos o que é que ele... Na altura houve uma grande comunidade de oração aqui, até porque na altura o pastor era também o tesoureiro, fazia parte da administração. Em muitas partes do mundo. E todo o país conheceu esse caso e muitos agora que nos estão a ver até recordar-se-ão desse caso. E sentiu mesmo o poder da oração num momento tão difícil? Sim, senti sem dúvida que sim. Sem dúvida que sim. E se não fosse esse poder da oração teria sido muito, mas muito difícil de ultrapassar isto. Eu compreendo porque é que há pais que nunca ultrapassam isto.

Compreendo perfeitamente. Sem Deus acho que é impossível. Há pouquinho tu dizias que alguém diz que é a dor maior. Eu acredito que sim. Repara que ainda ninguém descobriu ou inventou um nome para um pai que perde um filho. Um filho que perde o pai é órfão, um marido que perde a mulher é viúva, Porque nenhum de nós deseja que isto volte a acontecer. O primeiro sentimento que temos, quando começamos a ficar mais conscientes do que se passou, é isto não vai acontecer a mais ninguém, não pode acontecer a mais ninguém, isto é tão duro. tão duro que não pode acontecer a mais ninguém.

Oh Deus, não permitas que isto aconteça a mais ninguém. É essa a sensação. É não querer que ninguém mais passe por aquilo, já que nós tivemos que passar para onde nós passámos. Ok, estás aqui connosco, mas por favor, não deixes que mais ninguém passe por isto. E claro, cada um vive de forma diferente, mas quanto tempo é que demorou mais ou menos entre esse momento da perda do filho e a tomada da consciência da perda do filho? Acredito que demora bastante tempo. Demora, demora tempo. No meu caso foram... Ora, eu posso fazer o cálculo? Foram dois anos que Deus resolveu numa noite, porque eu conseguia lidar com isso exteriormente.

E mesmo porque eu sou uma pessoa que estou feliz com a vida, pronto, estou feliz com aquilo que Deus me dá. Normalmente sou uma pessoa alegre. Uma pessoa grata, no fundo. E alegre, sou uma pessoa que me sinto muito feliz com a vida que tenho. Claro que não me sinto feliz com as coisas que me acontecem, mas a minha mãe dizia muitas vezes, Daniel, Deus tem mais para nos dar do que o diabo para nos tirar. Quando eu era miúdo, ela dizia isso e é verdade, portanto, mesmo quando isto aconteceu, foi uma coisa que eu disse logo. Deus já me tinha preparado, porque a Ana já tinha tido um cancro. E nessa altura eu revoltei muito contra Deus, dessa vez, mas tive uma experiência que se calhar não dá para hoje estar aqui a contar, mas eu disse, senhora, aconteça o que acontecer na minha vida.

Eu nunca mais duvido do teu amor. Porque naquela altura da Lucan Cardano, eu duvidei. Duvidei que Deus... Se tu me amas, como é que isto não está a acontecer? E depois, quando foi do Joel, eu tinha essa presente. Portanto, em relação a Deus, estava tudo resolvido. Ou seja, essa promessa estava cumprida porque nunca duvidou do amor de Deus, mesmo com a perda de um filho. Não, não duvidei. Acredito que Deus, com o que tinha em mãos, fez o melhor que tinha a fazer. Não aquilo que ele queria fazer, mas com o que ele tinha nas mãos, com tudo aquilo que ele conhecia de prós e contras, tomou a melhor decisão de tomar a vida do Joel, e eu sou grato a Deus por isso. Aquilo demorou dois anos, e eu estava a dizer da alegria que eu sentia, sentia a alegria que eu transparecia, mas que eu não tinha, interior, E um colega meu, um dia numa convenção, antes de nos irmos deitar, disse, Daniel, tu és um exemplo para nós.

Tu estás bem, tu estás bem. Aconteceu o que aconteceu e tu estás bem. Eu não tive coragem para dizer nada, mas eu saí dali e ainda me senti mais triste do que estava. Por isso... Destruçou-me mais esse comentário. Destruçou-me mais do que me ajudou. E ele que pensava que era uma elogia, mas na verdade estava... E eu. Cheguei ao meu quarto, os meus colegas já estavam dormindo no quarto, lembro-me perfeitamente. Ajoelhei-me, estavam quatro colegas, já estavam todos a dormir. Eu ajoelhei-me e disse, Senhor, olha, eu não quero morrer. mas se tu não me tiras esta tristeza e não me dás novamente a alegria desde que eu me encontrei contigo, essa alegria que eu tenho sentido desde que me encontrei contigo, Senhor, eu não tirei a vida naquela altura, mas eu vou morrer, eu vou morrer de tristeza.

Porque a tristeza era tão profunda que consumia, era uma tristeza que tomava conta da minha alma, tomava conta do meu todo. E a verdade é que eu acordei no outro dia de manhã com a mesma alegria, E, portanto, não feliz por ter perdido um filho, mas com alegria de Cristo Jesus me amar como me ama. Apesar de tudo, apesar de quem eu sou, de Ele me amar como me ama. Pastor Daniel, vamos para o nosso último intervalo e já voltamos.

A alegria na fé

Terceira e última parte do programa Olhos nos Olhos com o pastor Daniel Vicente, Daniel Luís Calvelas Vicente, onde estamos a falar um pouco sobre, enfim, é pouco tempo para falar sobre uma vida naturalmente, mas percorremos aqui alguns dos momentos que marcaram mais a sua vida. Já nos explicou um pouco como é que é manter alegria no meio de tanto sofrimento, sendo que teve uma vida muito sofrida, ou seja, falou que a sua esposa Ana teve um cancro, depois a perda de um filho, o próprio pastor também teve algumas dificuldades ao nível de saúde. Como chegar a esta idade que tem, mantendo ainda esta boa disposição? No fundo, era aquilo que o outro pastor, colega, que lhe dizia, que tu estás sempre bem disposto, mas a verdade é que, genuinamente, o pastor...

Sim, não. É artificial, não ando aqui a fazer carril. Não, é porque eu... É minerente, essa alegria é minerente. É um dom que Deus me deu e que eu gosto de aproveitar, esse dom, porque sinto realmente alegria em Cristo. Jesus. Em Cristo Jesus eu sinto a alegria. E como é que isso se transmite no trabalho pastoral? Ou seja, nós já vimos que o pastor Daniel esteve em várias igrejas, enfim, tem um ministério pastoral de várias décadas, esteve também com grandes responsabilidades a nível nacional. Como é que consegue fazer toda esta gestão de ser pastor, de todas as dificuldades pessoais que passou? Sobretudo procurando ser o mais genuíno possível com a ajuda de Deus.

E, portanto, quando estás diante de alguém, perceber o outro, entender o outro, e procurar dar-lhe o lado mais positivo, da mesma maneira que tu o consegues para a tua vida, com a graça de Deus, tentar transmitir. Se tu recebeste isso para ti, então tentar fazer isso para o outro. Há pouquinho na conversa inicial que nós tivemos, antes de estarmos a gravar, eu falava-te de que já me tinha ajudado muito, enfim, não sei se foi com a gravação ou se foi no início, já não me lembro, mas que me tem ajudado em pessoas que estão à beira do suicídio.

E as pessoas que estavam nessas condições, agora estou-me a lembrar concretamente de duas, Graças a Deus ainda estão connosco, hoje estão connosco. É que nos dá uma vontade de viver. Nunca mais tal coisa me passou pela cabeça, é que nunca mais. Quando nós descobrimos o quanto Deus nos ama e que, no fundo, é quase como uma traição não aproveitar aquilo que Deus nos dá. E a última coisa que eu gostaria era atrair a Jesus, aquele que me dá a vida, que me dá a capacidade de eu poder desfrutar num mundo que não é fácil. O pastor Daniel batizou muita gente, salvou muita gente, este salvou de uma vida sem esperança, teve uma intervenção direta em milhares de pessoas, por dezenas de igrejas.

e tem uma experiência de vida, como nós já vimos, que passou de estar à beira de um suicídio para tanto sofrimento. Para quem nos está a ver agora e que olha para a vida do pastor e sente-se inspirado pela forma como está aqui hoje e como está a partilhar a sua história, mas eventualmente essa pessoa está mesmo naquela parte mais a pensar, é hoje que eu vou contra a parede num comboio. Para essa pessoa, se pudesse falar pessoalmente, o que é que lhe poderia dizer, para quem nos está a ver? Eu diria que ele olhasse para alguém que já morreu por nós, que olhasse para Jesus na cruz, olhasse claramente para Jesus na cruz, aquilo que ele fez por ele na cruz e estar diante dessa situação e dizer que o sacrifício que Jesus fez na cruz não serviu para nada para ele, foi para todos menos para ele, para essa pessoa, é realmente trair aquele que fez tudo para que todos nós sejamos salvos.

Por isso, não vale a pena acabar com uma esperança que ele teve ao levar aquela

Esperança e novos sonhos

cruz e ao deixar-se cravar naquela cruz, para que nós não tenhamos, se não, vida e vida e abundância. Há um que lá mete os pés à porta e arromba a porta e depois vem para matar, para destruir, para roubar. Ok, se ele quer roubar, que roube, mas não a vida. Destruir, não, não, isso não. Ter a certeza que Jesus não quer a sua destruição, quer a sua vida, vida abundante, e vale a pena. Esta vida abundante vale a pena. E agora quando o Pastor Daniel olha para trás, quando olha para aquele jovem de 19 anos, tudo aquilo que fez e que estava a viver, quando olha para para o pastor Daniel e todas as fases da sua vida.

Qual é que, a esta distância, qual é que interpreta que terá sido o plano de Deus para a sua vida, olhando agora nesta retrospectiva? Olha, eu acredito que o plano de Deus para a minha vida foi o mostrar-me que dentro daquele Daniel que eu não gostava e que eu queria acabar com ele contra a parede do Tunel do Rocio, havia um Daniel que ele estava a construir. Não sei se o bem que Deus fez através de mim a outras pessoas foi melhor do que o bem que Ele me tem feito com o bem que eu tenho feito às outras pessoas e sempre que posso ajudar outros.

Esse foi o plano de Deus, mostrar-me. que ele tinha algo muito melhor para mim do que a morte. A vida, esta vida e a vida que ele tem reservado para cada um de nós, a vida eterna, vale a pena. Vale a pena. Com todas as contrariedades, com todas as dificuldades, mas por trás das nuvens negras está o sol e depois de uma noite atribulada, vem uma manhã radiosa e isso é o mais importante. E quais são as suas perspectivas agora? O que é que ambiciona, no sentido positivo? O que é que sonha? Olha, sabes o que é que eu sonho? O cumprimento da profecia de Joel 2.28. Que as nossas crianças profetizem para que nós, que já começamos a entrar numa idade que perdemos os sonhos, voltemos a sonhar.

Porque é isso que a profecia diz. E eu acredito que esse tempo, eu posso viver esse tempo. Esse tempo de sonhar ainda. Porque chega um momento que a gente, enfim, deixa de ter grandes ilusões. E eu estou a começar a entrar nessa fase. E eu prefiro voltar a ter sonhos. Portanto, eu acredito nessa profecia, como em todas as outras. E nos últimos dias as crianças profetizarão. E o facto delas profetizarem e dos jovens terem visões, Quer dizer, normalmente, as crianças é que sonham ser grandes, não é? Os jovens é que sonham ter uma vida adulta tranquila. Deus inverteu ali.

As coisas diz, os jovens terão visões, as crianças terão sonhos.

O legado de um amigo

e isso vai fazer, perdão, as crianças profetizarão e isso vai fazer com que nós tenhamos sonhos e ele quer ter sonhos. É muito interessante essa visão. Pastor Daniel, a última pergunta que faço aqui na nossa conversa, tão agradável, que é, como é que gostaria de ser lembrado por todas as pessoas que o acompanharam ao longo do seu ministério, ao longo da sua vida, os seus familiares, muitos não adventistas, presbiterianos, como é que gostaria que pensassem no pastor Daniel Vicente? numa frase, em duas frases. Talvez como tenhas sentido que eles sentem. Se fosse, por exemplo, a laje de uma tumba que fosse, aqui está um amigo.

Porque eu sinto que tenho o privilégio de ter muitos amigos. E também eu tenho feito o possível que Deus me tem proporcionado de ser um amigo. E gosto de ser amigo. Por isso que me recordassem como um amigo. que tem um amigo maior, que é amigo deles. Pastor Daniel, muito obrigado por esta, no fundo pela inspiração que é a sua vida e por todos os momentos que testemunhou aqui connosco e também com os nossos telespectadores. Eu também agradeço muito esta oportunidade. Recordar é viver e fizeste-me viver muitas coisas bonitas da minha vida e a maneira como Deus me tem conduzido até aqui.

Obrigado pela vida que teve. Obrigado.

Sobre este episódio

Neste episódio de Olhos nos Olhos, conhecemos a história real e profundamente inspiradora do pastor Daniel Luís Calvelas Vicente, um homem que esteve à beira do suicídio aos 19 anos e que viu a sua vida ser transformada pelo amor de Deus.

Série
Olhos nos olhos · 30 episódios
Temporada e episódio
Temporada 1 · Episódio 16
Estreou
30 de Janeiro de 2026
Categoria
Outros