Seja bem-vindo ao programa Olhos nos Olhos, na Novo Tempo Portugal. Hoje recebemos um homem cujo nome, mas também a voz inconfundível, é sinónimo de dedicação à missão. Nascido a 27 de fevereiro de 1943, cresceu num lar de fé moldado pelo exemplo dos seus pais, Epifânio e Augusta, cuja história de amor e de conversão à Igreja Adventista se tornou parte do legado espiritual da família. Casou-se a 12 de outubro de 1969 com a natividade Rosa Lopes Quintino, quando tinha 26 anos, uma união que perdura até hoje e que se transformou num exemplo de companheirismo, entrega e missão partilhada. Foi ordenado ao Ministério Pastoral aos 42 anos e entre 1985 e 1977 Passou 22 meses nos Estados Unidos, na Universidade de Andrews, onde aprofundou a sua formação, mantendo a paixão que sempre teve pelas profecias bíblicas e por entender a situação do mundo.
Foi pioneiro das emissões adventistas no programa A Fé dos Homens e Caminhos, na RTP2, e voz marcante na rádio com os programas Voz da Esperança, e mais tarde como diretor da Rádio Clube Sintra, onde continuou a servir mesmo depois da reforma, reforma só de nome, porque continuou a servir após os 65 anos. Autor do programa de rádio e TV, e mais tarde do livro Pensar Faz Bem, o nosso convidado continua a impressionar gerações com a sua lucidez, visão cristateocêntrica e profética, e sempre alicerçado na Palavra de Deus. Hoje vamos estar olhos nos olhos para conhecer o homem, o marido, o filho, o tio, o autor, o comunicador, o pensador, o pastor, Ezequiel da Assunção Quintino.
Pastor Isquiel, de todos estes nomes que eu acabei de dar, pastor, pensador, homem, tio, filho, marido, qual o nome, ou eventualmente um outro, que acha que se educou melhor à sua missão aqui? Olha, francamente, não sei porque não tinha colocado todos esses nomes em sequência, como fizeste, e que agradeço. É uma grande honra estar aqui contigo para conversarmos, para recordarmos alguns episódios da minha vida que estão intimamente relacionados e ligados à Igreja, à história da Igreja também. mas não tinha colocado essa sequência na minha mente, por isso é-me difícil escolher.
Posso arriscar eu? Deixa-me responder a essa pergunta. Sim, sim. Eu diria que talvez seja pastor, não acha? Porque... Sim. Quando nós olhamos, pelo menos nós olhamos para o pastor, isso que é o que implica naturalmente, aquilo que nós vemos é um homem muito consagrado com tudo aquilo que implica ser pastor. E mesmo, ele falava na reforma dos 65, é apenas uma mera, quase uma brincadeira dizer que o pastor aos 65 entrou na reforma, mas a verdade é que continuem de hoje a ser este pastor. Eu estou no ativo, aliás eu digo muitas vezes a brincar, mas que é sério, quem me dera estar na idade antes da reforma porque eu tinha mais tempo Quase tenho hoje. Continuo a ter o tempo muito ocupado.
Mas nessa faceta de pastor, agora fizeste-me recordar, e isso me permite, já, uma experiência recentíssima, que tem 15 dias, mais ou menos, Tivemos um encontro de jovens da minha geração, jovens MV, e então encontrarmos na Figueira da Foz, perto do local onde há os nossos acampamentos. E então, um testemunho de uma amiga, mais nova que eu, um bom bocado, mas que ela testemunhou ali no grupo e que eu fiquei espantadíssimo, por causa de dizer e sublinhar-se o pastor, ela levantou-se, veio-me abraçar, que eu estava a dirigir umas palavras à frente ao grupo, éramos mais ou menos uns 40 a 50 pessoas, E então ela abraçou-se a mim e disse assim, deixem-me contar um episódio que aconteceu na minha vida, numa situação trágica, um funeral, em que eu estava, pronto, como é natural, muito, muito difícil de controlar porque era um familiar, íntimo e deu-me um ataque de choro enorme quase no fim da cerimónia.
Ela dizia para o grupo, e este senhor abraçou-se a mim, e este senhor abraçou-me e eu fiquei ali minutos e minutos a soluçar e a chorar. E ele abraçou-me e ficou abraçado a mim porque eu precisava de alguém naquele momento que me abraçasse, que me suportasse e apoiasse. E foi ele. E eu fazia um esforço enorme para me tentar recordar a data e o episódio e depois, com o tempo, eu de facto consegui lembrar-me daquele episódio, mas que eu não relevei propriamente para mim, porque o fiz espontaneamente. Não gostava de ser pastor.
É natural. Simplesmente estava a ser pastor, que era confortar as pessoas. E pronto, é uma coisa extremamente recente.
E ao dizeres isso... Recordou-se dessa... Talvez, talvez. Talvez seja e provavelmente é. Pastor Ezequiel Quintino, anteriormente vou-lhe chamar pastor, é impossível não o chamar. Vamos começar, se calhar, por falar no que temos aqui em cima da mesa. Normalmente esta mesa está vazia, apenas com os meus papéis. Mas o pastor Ezequiel fez questão de trazer alguns. Há duas ou três coisinhas. Itens que, no fundo, são muito simbólicos, mas que quase que toda a história do pastor estará quase em cima desta mesa, eu diria, não é? São etapas. Temos aqui um cartão de um compromisso da mocidade, aliás, dos missionários voluntários. Jovens missionários voluntários. De quem é que este... Da juventude adventista.
Não era Juventude Adventista, mas era Juventude MV, Missionários Voluntários. Esse é o cinquentenário, precisamente, dos jovens MV a nível mundial. Em 1957. Exatamente. O objetivo mundial era terem 450 mil membros. ou seja, ainda não tinham alcançado. O meio milhão. E agora serão largos e largos milhões, não dá para saber quantos. E tem aqui a assinatura do pastor Isquel Quintino, precisamente nesta altura. Tem ainda também esta caderneta, que também resolveu trazer. O que é que tem aqui nesta caderneta? Eu posso mostrar ali para a câmara, que tem a data do seu batismo, a data de nascimento. O que é isto, na verdade?
Isso era a caderneta dos jovens MV. Faziam as chamadas classes progressivas. Portanto, é uma espécie de escuteiros, que ainda hoje são os desbravadores. Escuteiros que têm várias etapas e vão progredindo nos seus conhecimentos. Não só da natureza, como biblicamente. E então, era a caderneta com fotografia para ali. ser atestado. E tem ainda aqui o voto de temperança. O que é isto, Pastor Isquel? Voto de temperança? Temperança. O jovem que se preza pelo seu nome, um jovem, não deve beber bebidas alcoólicas, não se deve embriagar, não se deve drogar, deve ser sóbrio.
E, portanto, era um voto de temperança que se fazia na juventude, quando se é no início da adolescência, para o resto da vida. com a decisão de se manter para o resto da vida. E tem ainda aqui, e é muito curioso ter guardado isto, que é o programa do dia em que foi consagrado ao Ministério. E não fui apenas eu, fomos quatro. Foi no dia 7 de setembro de 1985, na Costa de Laves, que é um local emblemática. De acampamentos e foi a única vez que na história da igreja em Portugal houve uma convenção pastoral e nessa convenção pastoral na Costa de Lavros se houve uma ordenação ao ministério. Nem tinha havido antes, nem houve depois até agora.
O que é. Que vamos falar sobre eles mais à frente, que, lá está aquilo que eu dizia, que o pastor escreveu depois dos 65 anos, foi quando começou a escrever quer este livro, Pensar Faz Bem, que temos aqui na TV Novo Tempo, também temos o programa em TV e também... Lançado em 2010. Exatamente, exatamente. E depois também temos este livro de meditações matinais, Agenda para o tempo do fim. Nada a temer a menos que... Ou seja, também já aquilo que eu dizia no início, o gosto que o pastor Ezequiel tem por tudo que são questões proféticas e por tratar o tempo em que vivemos. E agora andam-me a desafiar já há uns anos. Não precisava me desafiar, porque vontade tenho eu.
É descrever precisamente sobre profecias. Fazer um tanto o balanço... profético, Daniel Apocalipse, nomeadamente. Mas falta-me tempo, lá está. E, finalmente, algo que eu também tenho que fazer aqui à nota, o Pastor Isquel foi a única pessoa que veio aqui ao nosso programa e que trouxe uma Bíblia e deixou a Bíblia aberta. Não sei se em algum versículo específico dá para ver que é uma Bíblia muito usada. Tenho dois ou três. Na expectativa, se me perguntasses se eu tinha textos bíblicos que gostasse de relevar, colocar em evidência ou que marcaram a minha vida, tenho. E está aberta em Jusué. Mas eu não me quero condicionar. Não, não, eu faço questão porque está aberta precisamente em Jusué.
Foi propositado? Foi, foi intencional. Porque foi o texto que eu usei Na minha primeira pregação que eu fiz para um público, um público de, não recordo exatamente, mas deviam ser uns seis ou sete miúdos da minha idade, com Entre os 12, 13 anos, 14 o máximo, o máximo. E então... Já agora, peço desculpa interromper. Mas temos uma imagem do pastor Isquel com essa idade. Pode continuar a contar o que aconteceu. Pelo menos vemos como é que o pastor Isquel ali está. Aqui teria o quê? 14, 15 anos? Ou se calhar um bocadinho mais velho? É, não, aí é um bocadinho mais velho, aí já teria de se salver 15 anos.
Ok. Portanto, ligeiramente antes, dois ou três anos antes. Mas estava a contar então que fez. Essa... Sim, foi na igreja, na minha igreja, onde eu nasci, onde eu fui educado, onde eu cresci. E ali, com os jovens da minha idade, aos sábados à tarde, nós havia atividades na igreja, e quando havia, nós, antes das atividades, brincávamos à volta da igreja, porque havia um certo espaço. E a igreja tem duas escadas em ferro, lateralmente, não é? Estamos a falar na Igreja de Lisboa. Central, na Rua Joaquim Meia Fácil, número 17. E quem está de frente na rua para a igreja, nós fomos para a escada do lado esquerdo.
e então subíamos até lá acima, o último patamar. E então sentávamos no chão e ali conversávamos e fazíamos meditações. O que é interessante para miúdos de 12, 13 anos fazer meditações. Ou seja, não estavam a brincar aos pastores, estavam mesmo a ter um momento sério... Não, não. Houve um deles, ou uma delas, que eram rapazes e raparigas, houve um deles, não sei, não o guardei na minha memória, que me disse, não, és tu que fazes a meditação, és tu que vais fazer a pregação hoje. Eu, que nunca tinha feito, fico assim um pouco embaraçado, não sabia que texto escolher, mas este, como era um texto que me estava na memória, que eu conhecia e que eu gostava muito, e que já me dizia muito naquela altura, naquela idade, hoje diz-me muito mais do que dizia, e então eu...
Portanto, é aquele texto muito conhecido do Josué, capítulo 1, verso 9, que é Deus a interrogar ou a interpelar Josué. Eu. Li o texto e depois comentei, não sei o que é que eu disse, não me perguntes porque eu não guardei, mas este texto sempre me tem marcado a minha vida ao longo do tempo. É um dos textos que me têm marcado a vida. Ou seja, se o pastor Isquiel agora... Eu faço muitas vezes esta pergunta, que é, se o pastor Isquiel pudesse ir ter com aquele Isquiel Quintino, que estava ali com 12, 13 anos, a ler esse texto,
diria-lhe, é mesmo isso que tens de ter em conta para a tua vida? Claro que sim. Nós temos de ser fortes e corajosos, porque a vida é muito desafiante. Em qualquer etapa da vida, desde que nascemos, começa o desafio. O desafio do envelhecimento. E as primeiras rugas aparecem aos 20 anos. Portanto, tu já tens rugas. De modo que temos de nos preparar para a vida, mas também para a morte. Porque há uma coisa que fatalmente vai acontecer. Todos os seres que nascem vão morrer. À exceção daqueles que, biblicamente, estarão vivos e que serão resgatados por Jesus na sua segunda vida.
Mas após pensar muito nisso, ou pensar na morte, ou algo que não... que não lhe tirou o sono e que não pensa em morrer. Não, nunca me tirou o sono. A morte nunca me tirou o sono. Nem tira, nem tira. Mas eu cada vez, pela lógica, porque é mais do que óbvio, não é? O meu percurso de vida. Já tenho mais de 80 anos. Estou quase a fazer 83 anos, para ser concreto. Portanto, estou cada vez mais próximo da morte. e eu tenho de estar-me cada vez mais preparado para a morte, ou seja, a preparação é sempre feita antes da morte, não é? Porque se ela me surpreender num acidente trágico, sei lá, hoje viajei de carro, podia ter havido um acidente e eu ter morrido, não é?
Graças a Deus não aconteceu e espero regressar a casa e não acontecer, mas estamos sempre a correr riscos, não é? Vamos regressar então aos anos 50, diria eu. O pastor nasceu em 43. O pastor nasceu na igreja. Dizia que nasceu na igreja, usando esta expressão assim um bocadinho simbólica. Eu digo a brincar porque é verdade que a minha mãe ia grávida de mim à igreja. Eu antes de nascer já ia à igreja. Mas o seu pai já o acompanhava nessa altura? Acompanhava a sua mãe a ir à igreja? Sim, sim, sim. Os meus pais frequentavam a igreja. Sim, sim, sim. o meu pai batizou-se primeiro que a minha mãe, eu ainda me recordo, lembro-me do batismo da minha mãe. Eu era muito miúdo. Sei lá, deveria ter os meus seis, sete anos, quando a minha mãe se batizou.
Mas do batismo do meu pai, não, porque ele batizou-se antes de eu nascer, portanto, daí é impossível ter qualquer memória. Ainda hoje o seu pai é a sua maior referência que teve ao longo da vida? O meu pai, sim, sem dúvida que sim, foi o... para já o meu melhor amigo. Era como um irmão. Porque o pastor disse que ela era filho único, não era? Filho único. Meu pai e da minha mãe. Eu tive um irmão, só filho da minha mãe, de um casamento que ela teve anteriormente, em que o marido teve um filho daquele marido e que abandonou logo no primeiro ano de nascimento da criança, não é? abandonou com a madrinha de casamento, naqueles tempos, não é?
E a minha mãe ficou, portanto, com a criança, que o educou até aos 13 anos, mais ou menos, em Leiria, que a minha mãe é de Leiria. Mas ainda está... essa criança ainda está viva? Não, não, o meu irmão já faleceu. E então, depois a minha mãe veio para Lisboa... Essa criança, desculpa, agora já sei... Claro. Que ela era uma criança, claro, claro. Disseste bem. E depois a minha mãe veio para Lisboa, foi aí que conheceu o meu pai, depois de, não sei, uma série de anos. Então, veio a casar. Mas como é que era possível o seu pai ser o seu melhor amigo? Mesmo na infância já notava isso? Já tinha uma relação muito próxima?
Sim, tinha uma relação muito próxima com o meu pai. Como é que se traduzia na prática essa relação próxima? Acompanhávamos muito. Eu vivia com o meu pai. Eu adormecia e via o meu pai a trabalhar. Acordava e via o meu pai a trabalhar. Naquela época era assim. O meu pai, inicialmente, era sapateiro de profissão, porque ele ficou órfão de mãe aos seis anos de idade, em Lisboa, e de pai aos doze. E a infância dele e o crescimento dele foi extremamente difícil. Foi apoiado por um irmão mais velho, é verdade, mas ele adquiriu todos os vícios possíveis e imaginários da época, principalmente que era o alcoolismo e o tabaco.
E ele tornou-se viciado. O dinheiro que ele ganhava como sapateiro não dava para pagar as duas coisas. E depois de casar com a minha mãe, ele desejava muito ter filhos. E a minha mãe dizia, quando tiveres esses vícios, não vamos poder ter filhos. Não dá, não dá. E o meu pai... foi trabalhar para uma oficina, este episódio eu creio que é interessante colocar em evidência, na Calçada de Arroios, mesmo quase em frente à atual Embaixada da Federação Russa. E então, ali nessa oficina de sapateiro, aquele senhor, chamava-se o Sr.
Ferraz, via que ele tinha alguns problemas, começou a dar-lhe bons conselhos. e um dia convidou-o a ir assistir a umas reuniões onde davam também bons conselhos. À rua Jiquim Benifácio, número 17. Precisamente na Igreja Central, estamos a falar nos anos 30, por aí anos 40. Fim dos anos 30, início dos anos 40. Início dos anos 40. 40, 46. Ou seja, a Igreja Adventista de Portugal era muito recente, recente, teria 20, 30 anos. Recentíssima. A Igreja Adventista tinha em Portugal uns 300, entre 300 a 400 membros, tanto, em todo o país. O meu pai e o meu tio, o irmão mais velho, gostaram.
Principalmente o meu pai ficou deslumbrado. Nunca tinha ouvido... Cresceu sem mãe, praticamente. Nunca tinha ouvido falar de amor, do amor de Deus, do amor de Cristo. Ficou deslumbrado e ficou a frequentar. E então compreendeu que, pelos conselhos que davam, e depois começou a receber estudos bíblicos, que tinha de reformular a vida dele. Que, de facto, o álcool estava a arruinar a vida dele, o tabaco a encurtar-lhe a vida, e ele, com a ajuda de Deus, pedia a Deus em oração que o ajudasse a vencer esses vícios. E um dia, a minha mãe ia levar o almoço ao meu pai e ele disse para ela, olha, não me tragas mais, que levava-lhe uma garrafinha de vinho, disse, não me tragas mais vinho que eu vou deixar de beber vinho.
A minha mãe gostou do que ouviu, mas não acreditou muito. No outro dia ainda levou uma garrafinha e disse, disse-te ontem, desculpa lá, não me tragas, foi a última vez, não me tragas mais porque eu não quero beber mais vinho. E deixou de beber vinho. O tabaco. O tabaco. Foi mais difícil para ele, teve uma luta terrível, eu não vou entrar em pormenores, mas foi mais difícil, arrastou-se durante umas semanas ali, mas graças a Deus conseguiu vencer. Venceu os dois vícios, difíceis, ainda quando não havia nem planos para deixar de fumar, nem alcoólicos anónimos, nem terapias. E se calhar na altura nem se percebia o quão maléfico seria o álcool e o tabaco.
A pesquisa científica não tinha descoberto ainda tudo, mas o que é verdade é que pela decisão, força de vontade, E o Espírito de Deus, não é? Ele conseguiu vencer. E então nasci eu. Em 1943. E acabou por também ser um grande testemunho para o pastor, crescer com um homem que venceu os seus vícios, os seus problemas. E ele sempre me dizia, sempre me dizia, quando me vires fumar ou beber, tu fumas e bebes. Porque ele sabia que eu tinha, na escola, escola pública, não é? Também muitos desafios e muitas situações a vencer e muitas decisões a tomar. E ele sempre me dizia isso. E eu, de facto... Nunca fumou e nunca bebeu? Experimentei, experimentei. Beber, não.
Mas o tabaco, claro, os miúdos à escondidas experimentam. E eu engasguei-me e torcia e disse, de facto, isto não me presta mesmo. E, portanto, tive a prova que... Não foi tentação que eu tive. Vamos para o nosso primeiro intervalo nesta nossa conversa e nós já voltamos a seguir. Estamos com o pastor Isquiel Quintino a conhecer um pouco do seu trajeto de vida e também do seu ministério.
Voltamos daqui a pouco. TV Novo Tempo, o canal da família, o canal da esperança. Segunda parte do programa Olhos nos Olhos, com Ezequiel da Assunção Quintino, pastor da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Ele que tem uma obra muito ligada à comunicação, também autor de livros. Mas estamos aqui para estar Olhos nos Olhos, no fundo, com esta retrospectiva que nos tem vindo a fazer da sua vida, já partilhou um pouco da sua infância. Agora, pastor, gostava que falasse sobre o grande amor da sua vida. Já falou no Melhor Amigo, Agora, o grande amor da sua vida. Nós temos aqui algumas imagens daquilo que terá sido, diria eu, talvez o dia mais marcante da sua vida.
Ou seja, esta foto que nós estamos a ver foi na Igreja Central, precisamente no dia 12 de outubro de 1969. Tinha 26 anos. Esta é a foto no interior do casamento. No entanto, creio que temos ainda mais duas fotos. em que podemos ver o pastor Ezequiel com a sua esposa. Temos ainda mais uma outra foto. Esta aqui é na projeção da Igreja Central. É à saída do casamento. E depois temos que ir a uma outra foto. Aqui está esta, que estão os dois muito bonitos. Pois ali, de facto, nós éramos bonitos. Hoje já não se pode dizer. Não, o companheirismo mantém-se exatamente igual. O pastor tem uma rara história de amor, não é? Com a irmã natividade.
Chama-me irmã porque é a forma carinhosa com que nós tratamos. Se bem que houve uma fase em que se chamava ela de pastorinha também, não é? É, nas igrejas do norte. Como é que vocês se conheceram já agora? Foi no curso bíblico em Lisboa. O último curso bíblico que houve em Lisboa, houve outros antes, não é? Foi em 1964. Se não me engano. Exatamente. E então foi lá que nós nos conhecemos. Ela não era de Lisboa, eu era de Lisboa. Ela veio para Lisboa e ali conhecemos, porque eu já conhecia o irmão dela, que foi também pastor Amílcar Lopes.
Tinha estado com ele em França, em Colóns. O pastor também estudou o curso de teologia que o pastor fez, foi na França? Sim, a licenciatura foi em França, exatamente. Com as pesquisas sempre, aliás, de todos, na Biblioteca da Universidade de Genebra, que é uma cidade emblemática do protestantismo. Nomeadamente calvinista, e foi extraordinário porque depois ali, com a natividade, em conversas, como colegas. Foi uma da primeira vista? Ou houve uma amizade cultivada? Houve uma amizade. Eu falei do Amílicar e ela disse que o Amílicar era o meu irmão. E eu fiquei um pouco surpreendido porque ele nunca me tinha falado que tinha irmãs.
E tinha três irmãs. Queria protegê-las, devia estar com medo. Provavelmente. E então a natividade era a mais nova das três. E eu fiquei desconfiado, e testei se era mesmo, e verifiquei que era mesmo, e a verdade que ela estava a dizer. E daí nasceu o maior interesse, depois aos sábados à tarde, quando não havia assim atividades, nós passeávamos, íamos até ao Parque Eduardo VII, em Lisboa, enfim, passeávamos um pouco, conversávamos muito, e daí nasceu espontaneamente. Nós temos uma fotografia da atualidade, ou seja, a atualidade tem poucos anos, do Pastor Isquel Quintino com a Nati, como nós assim os chamamos, e ali com o Carlitos, ao menos que agora já está grande.
Vocês casaram, vamos então fazer contas, em 1969, já passaram, há muito, os 50 anos, das bodas de ouro. Como é que faz o resumo, assim, desta relação tão única? Vocês são muito próximos mesmo, desde sempre foram muito próximos àquele casal. Eu vou dizer isto no sentido positivo. É um casal à moda antiga, no sentido positivo do termo. Para onde vai um, vai outro. Andamos sempre acompanhados. E porque também, como não tivemos filhos. A minha mulher sempre, na atividade, sempre me acompanhou. Pronto, tem essa facilidade, ou temos essa facilidade. Se tivéssemos tido filhos, claro que ela teria de cuidar mais das crianças. Mas apesar de vocês não terem tido filhos, vocês têm uma ligação muito grande.
Quer com crianças... Nós temos aí dezenas de filhos aí pelo país inteiro. Quer também com estudantes que vocês apoiaram fora do país e que têm uma relação próxima com... Sim, até hoje. Que ainda continuam a apoiar. O porquê? Os nossos sobrinhos e sobrinhas nós consideramos filhos como filhos. Como não temos filhos de sangue, são eles os mais próximos. E temos outros jovens que são tão próximos e que tiveram uma ligação por qualquer facto na vida deles ou na nossa, que nos juntou ou que nos fez ligar ou cruzar, que de facto, pronto, mantemos essa ligação e nós ficamos às vezes deslumbrados e ficamos admirados.
do impacto que tivemos na vida deste ou daquele e que não tivemos consciência de ter esse impacto. Mas as pessoas se dizem isso, dão testemunho do impacto que nós tivemos. Nós só louvamos a Deus e agradecemos. O pastor tem ideia de quantos filhos, entre aspas, batizou ao longo do seu ministério? É impossível, não é? Nenhum pastor faz essas contas, eu acho. Nunca tomei tempo para... para pensar nisso, mas foram mais dezenas. Mas olhem para cada um dessas crianças espirituais, como o filho também, sente que tem quase a obrigação de acompanhar também. Sim, e alguns batizei precisamente quando eram desbravadores, ou, fim de tição, desbravador, e depois vêm ter comigo nas igrejas, já casados e com filhos, e perguntam, pastor lembra-se de mim?
E, de repente, uma coisa é batizar um miúdo ou uma miúda com 12, 13 ou 14 anos, e depois vê-lo com 35 ou 40 anos, é completamente diferente. E que papel é que a Nati, especificamente, teve na sua estabilidade, quer emocional, quer espiritual? Porque se há pouco nós dizíamos que o pastor tem que apoiar os membros, e como contava aquela história no início, Aquela pessoa sentiu o seu apoio. Quem é que apoia o pastor? Ela sempre foi extremamente ativa nas igrejas, em todas as igrejas por onde passámos. Sempre muito ativa. Eu passei também pelo departamento de jovens, em vários departamentos. Um deles foi o departamento de jovens.
E ela também nas igrejas estava ou nas crianças, lição às crianças, ou também nos tições, desbravadores, companheiros, na igreja de Espinho, que foi a primeira igreja onde nós estivemos mesmo sozinhos. a dirigir. Ali foi uma experiência de facto única. Aliás, criámos o clube de companheiros que não existia e na época foi um tanto pioneirismo. Há laços que foram criados com os jovens daquela época que hoje já são avós. Muito interessante. Mas isso numa vertente mais exterior. Mas na vertente do lar, de casa, ter uma esposa compreensiva com o trabalho.
Pastoral... Sim, ela completamente envolvida, porque ela é uma missionária. Ela antes de casar... Aliás, quando casámos, nos primeiros três anos, nós não fomos depois do casamento logo para Colões fazer eu a teologia e ela... fazer a licenciatura em francês. Ficámos três anos ainda em Portugal porque tínhamos que ter dinheiro para o primeiro ano de nos sustentar e pagar os estudos em França. E então trabalhámos três anos. Eu, como controlador de qualidade, por causa do meu curso industrial que tinha feito anteriormente, na messa em Meimartins, Sintra, máquinas de escrever que hoje já não existem, e ela como obreira bíblica da igreja de Alvalade com o pastor Samuel Reis.
Portanto, ela esteve muito envolvida sempre na igreja. Ela tem um curso bíblico, tem conhecimentos bíblicos e ela, na igreja, dava estudos bíblicos. Dirigia a escola sabatina das crianças e sempre me apoiou totalmente.
Ela era o meu braço direito, era. E é ainda hoje. Ao Ministério aos 42 anos, em 1975. Nós temos uma foto, que eu acredito que seja mais ou menos dessa altura, será mais ou menos por aqui. Sim, sim, sim. Exatamente. O que significa, já agora, para quem nos vê, ser ordenado ao Ministério? Nós já mostramos aqui o dia em que foi, no dia 7 de setembro de 1985. O que é que é isto de ser ordenado? Quando se termina um curso de teologia. Portanto, têm-se conhecimentos teóricos, técnicos, digamos, para ministrar nas igrejas. Mas é necessário também que aquele que se preparou academicamente para estar a dirigir igrejas, ele próprio se teste a ele mesmo e também dê testemunho de que está capacitado, de que dedica toda a sua vida, todo o seu saber, todo o seu esforço, dedica totalmente ao serviço de Deus.
e, portanto, é necessário também alguns anos. É o que diz o texto bíblico do apóstolo Paulo em Timóteo. em que o obreiro deve ser testado. E se der bom testemunho, então deve ser ordenado ao Ministério. Isto é, o corpo pastoral, a direcção da Igreja, vê que ele tem competências académicas e tem competências também de dedicação, de sabedoria, de várias qualidades que são requeridas para o Ministério. E então é uma ordenação em que lhe são impostas as mãos e ele, portanto, jura uma fidelidade a Deus para toda a vida, para servir a Deus.
e para servir o próximo. E que se mantém até hoje. É pastor até morrer, até fechar os olhos. Nesse ano, em 1985, vai também para os Estados Unidos, para a Universidade de Andrews. Exato.
Como é que foram esses 22 meses nos Estados Unidos? Foram 22 meses dos mais desafiantes. Entre 1985 e 1987, os Estados Unidos deviam ser bem diferentes do que era Portugal na altura e mais ainda do que é hoje, certamente. E ainda bem que foi nessa altura e que não é hoje. Hoje seria talvez o desafio maior, mas não sei se seria tão purifico. Desafiante do ponto de vista académico porque é muito exigente. Há uma diferença muito grande entre o tipo de ensino nos Estados Unidos e na Europa. Não quer dizer que aqui não se exija, a Europa é muito exigente nesse aspecto, mas é o ritmo de trabalho nos Estados Unidos, e porque também estávamos numa situação diferente, nós não tivemos praticamente, foram 22 meses, sem pausas.
Lá é por semestres, agora aqui os cursos universitários também estão organizados por semestres, mas na altura aqui era trimestres, e não havia quase intervalo, só uns três dias ou quatro, de semestre para semestre, E a exigência de cada cadeira ou de cada disciplina, para alguns perceberem, é que cada professor pede, por exemplo, entre 1.400 e 1.500 páginas para serem lidas num espaço de três meses. Se tu tens seis disciplinas a acompanhar, agora soma as 1.500 ou digamos fazer uma média de 1.300 a 1.400, não é?
por cada uma, a quantidade de papel que tu tens de ler, não é? E não é só ler, é que depois vão-te fazer provas sobre aquilo, portanto, tu tens que ler, tens que ter uma noção do... Claro que não lees cada palavrinha nem cada vírgula, não é? Nós aprendemos depois a ler. Eu leio em zig-zag. Mas custou-lhe a regressar depois dos Estados Unidos ou estava com saudades de Portugal? Eu estava com saudades de Portugal e estava com saudades de... da família, não é? Mas eu até queria ter continuado para fazer, porque já estava lançado, estava na embalagem, fazer o doutoramento logo a seguir.
E solicitei isso, mas precisavam em Portugal, e nós precisávamos de ti, precisávamos de ti. Mas sempre foi bom aluno, sempre foi aquele tipo de pessoa que passa horas e horas à frente dos livros e sai de lá mais revigorado do que cansado. Eu às vezes não preciso, ou não precisava. de passar os dias inteiros agarrado aos bucos, não é? Agarrado aos livros. Porque tinha uma memória muito boa, muito forte, que agora vou perdendo, não é? Acho que ainda tem. Aliás, aquela palavra que eu coloquei no início, lucidez, naquele texto inicial, é uma das provas vivas que o Pastor Isquel dá todos os dias. A lucidez e a forma com que recorda eventos específicos dos anos 60 é impressionante. Mas eu quase que fotografava os textos, não é?
Porque eu, ao recordar determinados... Mesmo textos dos livros de leitura, eu sabia. E da Bíblia também, eu muitas vezes procuro, não sei o texto de cor, mas eu sei que está do lado esquerdo, em cima ou em baixo, ou do lado direito, eu sei, fotografei o texto e sei onde está. Quem nos está a ver deve estar a pedir que eu faça esta pergunta. Há algum segredo para isso? Não é? Não. É a leitura e é espontâneo. Cada um tem as suas valências, as suas capacidades. Eu senti que era fácil, relativamente. Mas eu tive pena. Mas pronto. Eu gostava de facto de ter sido professor de teologia também.
Gosto muito, gostei muito e gosto do trabalho das igrejas, mas eu gosto muito mesmo quando as minhas pregações são um tanto didáticas. Eu acho que às vezes peco por excesso de informação, por excesso de pormenor e eu luto comigo próprio para reduzir o tempo dos sermões. Mas eu posto por isso que ela é ao mesmo tempo uma pessoa extremamente racional, mas também extremamente emocional. Muito emocional. Armoniza de uma forma muito rara estas duas valências. Eu sou o extremo da emoção. E da racionalidade também, de alguma forma. Sim, sou muito objetiva. Extremamente objetiva. Eu às vezes...
É uma das discordâncias, mas que acabamos por rir à gargalhada, não é, Conato? E ela, quando me está a contar alguma coisa, às mulheres, normalmente, as senhoras têm a tendência de entrar em pormenores, que nós já sabemos, ou que são desnecessários, não é? E quando eu estou com pressa, e depois? E depois? E ela fica nervosa. Deixa-me contar! Mas isso... É a objetividade. É a objetividade típica. Que com a idade não faz diferença nenhuma, presumo eu. Não, continua a ser, se calhar, ainda mais objetiva do que é. Mas, Sr. Enciquel, vamos para o nosso último intervalo e já voltamos para a terceira e última parte, onde vamos falar um pouco sobre o seu trabalho na comunicação, na TV, na rádio e também, claro, nestes livros que temos aqui à frente da nossa mesa.
Voltamos daqui a pouco para a terceira e última parte do programa Olhos nos
Olhos com o Enciquel da Associação Quintino. TV Novo Tempo, o canal da família, o canal da esperança. Terceira e última parte do programa Olhos nos Olhos com o Pastor Isquiel Quintino. Já recuámos aos anos 40, 50, 60, já fomos aos Estados Unidos, já fizemos aqui uma viagem quer pelo seu casamento, quer também pelo seu ministério, mas eu gostaria agora de falar um bocadinho sobre a comunicação e o facto do Pastor Isquiel ter sido um pioneiro. Não fui o primeiro, mas fui... Não foi o primeiro que faz parte dos pioneiros. seja na rádio, seja na TV. Na rádio, claro, houve um trajeto muito anterior, mas na TV terá sido o pioneiro, presumo eu. Terá sido a primeira pessoa... Não, o pastor Alberto Nunes já fazia programas Caminhos, que eram os únicos que existiam na altura, antes de mim.
Na fé dos homens fui eu que iniciei. Que ainda hoje existe, aliás. Porque foi lançada com a Cristina, exatamente, da época. Foi o primeiro programa, eu creio, que. A Igreja Adventista fez. E eu recordo-me que o pastor era muito desafiante, porque era convidado para programas de TV. Sim, sim, na época. E representava a igreja. Representava a igreja. Que na altura ainda era uma grande novidade. Na altura, o pastor Joaquim Morgado empurrava-me. Empurrava-me. É uma força de expressão, não é? Ele telefonava-me e dizia, oi, se quer lá, vai lá. Eu? Mas porquê eu? Há um programa, nós não conseguimos ter imagens desse programa, mas que o pastor foi convidado, que era um programa de jovens, não era?
Como é que se chamava? Muita Louco? Acho que era assim. Ah, foi o Muita Louco. Olha, mas por incrível, eu não guardei muitas memórias disso. Agora que estás a falar é que não me recordei. Um animador que ele ainda trabalha... José Figueiras. José Figueiras, exatamente. E o pastor foi representar a Igreja Adventista. Eu creio que eles convidaram vários representantes de várias confissões religiosas e o pastor estava a representar a Igreja Adventista para um público muito jovem e num ambiente até um bocadinho diferente daquilo que seria. Como é que o pastor geria tudo? Era difícil, presumo. Mas eu já não me lembro desse programa propriamente. Eu já não me recordo como é que correu nem qual era o tema. Mas eu sempre gostei muito de desafios.
Eu considero-me... Isto é paradoxal o que eu vou dizer. Eu sou extremamente envergonhado. Mas porque tu gostas de paradoxos, que eu sei, não é? É, gosto. E biblicamente também gosto de estudar os paradoxos. Porque eu sou extremamente envergonhado. Vou dar um exemplo para compreenderem. Para falar com uma pessoa só, para eu irter com uma pessoa, bater à porta, que eu não conheço, pessoa completamente desconhecida, para falar da minha fé, da minha crença, eu morro de medo. Não sou capaz, não sou capaz. Mas para enfrentar um auditório, digo eu, nem que seja de um milhão de pessoas, eu não tenho medo. Quer dizer, eu estou consciente da responsabilidade e do que será, não é?
Mas vou porque sei que, com a ajuda de Deus, sou capaz. Pronto, é este paradoxo. Tenho medo, mas enfrento. E por isso é que eu me lancei também na televisão, na rádio, e pronto.
E enfrentei muitos desafios, porque aventuro-me. E como dizem que mais ou menos não correu muito mal, olha, eu vou prosseguindo. Duas dessas aventuras estão aqui em cima da mesa. Podemos começar pelo primeiro, que é este livro da palavra falada à palavra escrita, Pensar Faz Bem. São 365 textos que o pastor Isquiel Quintino escreveu, com diferentes reflexões. Talvez até são 366, que eu contei com os viceiros. Exatamente. Mas isto é o resultado de cinco anos de trabalho que eu selecionei. Foi muito difícil depois. de 5 anos a fazer programas diários, de pensar faz bem, e selecionar apenas 366, mas pronto.
E tu também colaboraste, porque também me estimulaste a dizer, escolha, escolha, faça, faça. Os ouvintes pedem, as pessoas pedem. Este livro tem 15, 16 anos, foi em 2010. É, exatamente. Ainda considera atual as mensagens deste livro? Não, aí aspectos estatísticos e relacionados com. A natureza precisavam de ser atualizados. De uma forma geral, os outros temas, as outras abordagens ainda estão atuais. E depois escreveu este aqui, mais recente, Agenda para o Tempo do Fim, que o ano deste é de 2021, ou seja, tem 4, 5 anos, e é um livro de reflexões.
Deu-lhe mais trabalho a escrever este? Esse foi um dos maiores, se não o maior desafio da minha vida em escrita. Porque fui convidado logo no início, tinha começado a pandemia em 2020, em março, cá em Portugal, que nós nos recordamos, e um dia recebo um telefonema de um amigo, o Artur Guimarães, que era o diretor da publicadora nessa altura, precisamente a dizer, nós pensámos, o pastor, para escrever um livro de notizações para o ano, para 2021. Estávamos quase a meio de 2020. E eu perguntei logo, mas porquê eu? Eu faço essa pergunta às vezes quando me vêm convidar.
Mas por falta de confiança ou porquê? Não, porque fiquei surpreendido. Ah, porque nunca nenhum português, nenhum pastor, escreveu nenhum livro de meditações em Portugal. E pensámos em si. Porquê eu? Sim, o pastor... Tinha 77, 78 anos na altura, não é? Pois, não fiz as contas, talvez. Deve ser à volta disso, pois. Foi em 2021, não é? Como disse há pouco, sim. Pois, pois. Foi há 4, 5 anos atrás. Pois, exatamente. E eu disse, olha, não digo nem que sim nem que não. Deixa-me pensar pelo menos 24 horas. E orar a Deus e falar com a minha mulher. Não digo nem que sim nem que não. E o que a Nati disse? Ela disse que sim.
Ela disse que sim, não é? E então, pronto, eu senti que era um chamado e eu tenho problema, lá está, desde a ordenação, antes da ordenação, não é? Se eu sou convidado e se os colegas, se alguém diz que pensaram em mim, que oraram e que pensaram em mim, eu não vou dizer que não, não vou contradiar. Eu aceitei, mas só coloquei uma condição. O que foi? Olha, eu sou capaz de escrever para sair em 2021, em meia dúzia de meses, mas acho que não vai ter qualidade, eu não vou ser fiel à minha consciência, e por isso eu peço que seja para 2022. Se vocês acharem que eu possa escrever para 2022, ok.
E então, do ponto de vista espiritual, foi a maior experiência da minha vida, que me marcou e continua a marcar. E lá está a parte emotiva. Eu a reler do que já reli das minhas meditações. Ainda costuma folhear de vez em quando este livro? Porque eu preciso. Porque é um livro e são meditações que nos sacodem pessoalmente, que nos interpelam. Dito assim, muito terra à terra, e por doar mião, que nos encosta à parede. E eu, do ponto de vista espiritual, preciso de ser encostado à parede todos os dias.
Ser responsável e não trair o meu Deus. E estar sempre em paz com o meu Deus. E, portanto, eu preciso de estímulos. Preciso de lembretes. Preciso de recordar. Preciso de me sintonizar. E esse é um livro bom de sintonização espiritual, creio eu. Eu sou suspeito, mas... Mas a sua maior preocupação hoje em dia ainda é estar em paz com Deus. Claro que sim. Todos os dias, a todos os momentos. Em paz com Deus e em paz com os homens. o que é um desafio tremendo e muito difícil.
Aliás, eu costumo dizer também que das tarefas mais difíceis é o relacionamento humano. É extremamente difícil porque todos nós somos defeituosos. Todos nós temos pecados. Todos nós somos pecadores. Todos nós falhamos. E, portanto, cometemos faltas uns contra os outros. por lapso, inadvertidamente, sem intenção. Algumas vezes com intenção aí é mais grave, não é? E é muito difícil e eu sofro com isso. Sofro porque sei que é difícil manter a paz e sinto que não estou em paz com todos os homens. Eu por mim quero estar e desejo estar e procuro estar.
mas nem todos, digo eu, e que Deus me perdoe, não sinto que todos façam o mesmo esforço nos meus relacionamentos, quer na família, quer fora da família. Estou a ser absolutamente transparente. E acho que esse é o maior desafio para um crente, para um cristão, para um adventista do sétimo dia, é manter-se em paz com Deus. É mais fácil, julgo eu, do que com os homens. Com 82, quase 83, se calhar até na altura que este programa foi aprovado, já atirou 83, sente que ainda falta fazer alguma coisa, seja no seu ministério ou na sua vida? Que eu faça? Sente que ainda lhe falta fazer alguma coisa?
Já escreveu livros, foi pastor em diversas igrejas, estudou fora do país, enfim, teve cargos de grande exigência a nível administrativo na igreja em Portugal.
Ainda lhe falta alguma coisa? Não, eu não ambicio nada. Nunca fui ambicioso, mas... Não, eu sou convidado com muita frequência para falar nesta ou naquela igreja e agradeço. É o que eu digo para mim próprio e para Deus. Enquanto Deus me der vida, saúde, capacidade e que eu sinta que tenho e que posso ser útil, sobretudo que posso ser útil, eu respondo sempre positivamente. Pronto, é isso que me norteia. Por isso... Em todos os sentidos, a minha vida está nas mãos de Deus. Ele é que sabe até onde é que eu devo ir, porque Deus tem sempre um plano para cada ser humano.
O pastor gosta muito de falar sobre profecias, não só sobre profecias, mas também analisar os tempos em que vivemos, à luz da Bíblia, à luz das profecias também. Esta pergunta dava para um programenteiro, mas pronto, vou fazer ela pedindo um ou dois minutos. Como é que vê o estado do mundo atualmente, à luz da visão profética que tem e que estudou durante décadas? Como é que vê atualmente o planeta em 2025, 2026? As palavras também não são minhas. O mundo está caótico. Nos relacionamentos entre nações, entre estados, está muito difícil, cada vez mais crispado. Com problemas gravíssimos. Temos guerras. Guerras que não terminam. Guerras que nunca deviam ter começado e que não acabam.
Que nenhum homem é capaz de fazer parar. Que nenhum homem quer parar de fazer guerra. E isso é uma coisa que, como ser humano, me inquieta. E me pergunto, são as tais paradoxos, contradições, porquê, mas eu sei o porquê, porque é que não para também. Há respostas, não há todas as respostas, mas há respostas. Mas o mundo, de facto, dirige-se para o desenlace final. Os homens não são capazes de se entender, fruto do pecado, e os homens que não colocam Deus em primeiro lugar, como nós, cristãos, tentamos colocar Deus em primeiro lugar e estar em paz com Deus, fazer a vontade que Ele revelou na Sua Palavra, na Bíblia Sagrada, não é?
Essas pessoas, ao distanciarem-se de Deus e mesmo conhecendo, mas não fazendo o que conhecem. Deixa-Me ter um parênteses, porque quando eu vejo políticos que estão a fazer a guerra, a serem filmados numa igreja, a benzerem-se e a fazerem atos de contrição, eu me pergunto que tipo de fé ou de crença tem aquele indivíduo para continuar a dar ordens e a saber que dos seus, do seu povo, morrem milhares e milhares de jovens e vai matar milhares de pessoas e jovens e crianças absolutamente indefesas. O pastor ainda se revolta em frente à TV. Claro que sim, eu vivo...
Lá está a minha emoção. Eu revolto-me contra isto, não é? Mas Deus vai ter que intervir na história dos homens, como está previsto, não é? Porque se não fosse assim, os homens, na sua loucura, acabariam por se autodestruir. Há material bélico suficiente e armazenado nas grandes potências nucleares para destruir o planeta várias vezes. Isso é científico, não é? Não estou a dizer nada de que ninguém saiba. mas Deus não vai permitir isso. Deus vai entrar na história dos homens para evitar que a humanidade se
autodestrua e para libertar aqueles que de facto estão em paz com ele e que se querem libertar. E esta é a grande mensagem bíblica e que a Igreja Adventista procura apresentar. como solução. E que o pastor Isquiel, no fundo, procurou apresentar ao longo de toda a sua vida, em todos os momentos que teve. Pastor Isquiel, a última pergunta que eu lhe vou fazer, aliás, tinha aqui imensas perguntas, consegui fazer algumas delas, no entanto, esta é a última pergunta que eu lhe vou fazer e é aquela que eu costumo fazer a todos os nossos convidados, é, como é que gostaria de ser lembrado? Se imaginamos que alguém escrevesse um livro sobre o pastor Isquiel Quintino, qual seria o título? Como é que quer que as gerações que ainda aí vêm se lembrem do Pastor Ezequiel. Pelo amor de Deus.
Obrigado, Pastor Ezequiel. Muito obrigado por este momento que teve aqui connosco na Novo Tempo. Obrigado.
Neste episódio do Olhos nos Olhos, a Novo Tempo Portugal convida-o a conhecer, de forma profunda e humana, o percurso de vida e de fé do Pastor Ezequiel da Assunção Quintino, uma das vozes mais marcantes da Igreja Adventista em Portugal.