Lorand Soares Szasz

Lorand Soares Szasz

13 de Março de 202652 min 47 s

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Hoje senta-se olhos nos olhos, um homem cuja história não começa no sucesso, muito pelo contrário. Começa numa remota aldeia da Roménia, onde se falava húngaro. O pai trabalhava na construção civil, embora mais tarde viria a estudar Teologia, tornando-se pastor da Igreja Adventista do Sétimo Dia, e a mãe era costureira. Passa por Portugal, pela jardinagem, embora o sonho era ter um emprego no aeroporto onde pudesse andar bem vestido e ter ar-condicionado. Sofre sozinho no nosso país, com saudades de casa, mas é em Portugal que conhece diversas pessoas que o leva num percurso improvável, que o transformou num dos formadores de empresários mais influentes da Roménia. Autor de livros lidos por milhares de pessoas, mentor de líderes, investidor e um grande comunicador. Mas hoje não vamos fazer negócios.

Vamos, sim, falar de identidade, de fé, de medos, de fracassos, conquistas e nos futuros capítulos de um livro que está a ser escrito. Hoje vamos estar com Lorand Soares Szasz. Olhos nos olhos.

Raízes na Roménia

Olá, Lori. Olá. É assim que te tratam aqui em Portugal. Lori é uma abreviatura, a tua família também. Lorand é, é o teu nome. Hã, conseguiste realizar o teu sonho, que podes andar bem vestido todos os dias. Ainda pensas nisto? É pá, é, é engraçado que e-eu tinha este son-sonho quando, quando trabalhava na jardinagem e, e era difícil na altura porque era, é-- trabalhava fora, em Portugal, assim, as temperaturas no verão são altas e tava sempre sujo. Então era sonho de andar bem vestido. Hã, às vezes, hã, faço a brincadeira com a minha esposa que um dia, quem s-quem sabe, até podemos comprar um aeroporto. Mas, hã, mas sim, acho que, graças a Deus, chegamos a um ponto em que posso escolher, hã, como me vestir quando vou trabalhar e- E fa-- ainda fazes assim coisas que te obriguem a andar sujo de vez em quando, como hobby ou não? Não gostas mesmo de andar assim, de fazer atividades, olha, como jardinagem ou alguma- Não, nem por isso ...uma bricolage em casa, não, não fazes nada disso.

Nem por isso. Não gostei e, e eu, e eu fiz o trabalho de jardinagem porque tinha que ser, porque era a única coisa que podia fazer quando cheguei a Portugal, porque eu não falava português. Mas não é uma coisa que, que me relaxa ou... Ah, não és daquelas pessoas que vai para o jardim e que se sente naquele lugar, não é? Não, de todo, de todo. Não, e a-aliás, crescendo na, na aldeia, minha infância toda foi trabalhar no campo. Então eu quis me ver livre daquilo, não quero, não queria voltar para lá. Então tu mesmo, tu cresceste numa aldeia romena, no entanto, a língua que tu falavas era húngaro. Por que que era assim? Estamos a falar da década de 80, não é? Sim, temos, hã, temos a região da Transilvânia, na Roménia, que antigamente pertencia à Hungria. Então há uma comunidade muito grande de húngaros e há inclusivamente cidades inteiras onde até o presidente da Câmara é húngaro e mais de cinquenta por cento das pessoas são húngaras.

No nosso caso, a nossa aldeia era cem por cento, portanto, toda a gente era húngara. A única pessoa que era romena era o, o polícia, mas ele também falav-falava húngaro. Mas no teu cartão de cidadão, passaporte, o que seja, era romeno. Romeno, sim, sim. Tu eras um cidadão romeno que não falava romeno. Sim, é um bocado estranho, porque n-não se, não conheço muitos sítios que sejam similares no sentido que eu, eu nasci na Roménia, sou cidadão romeno, mas sou descendente de húngaros. O meu, o meu avô nasceu naquela região, no mesmo sítio, mas pertencia à Hung-à Hungria, motivo pelo qual também tenho cidadania húngara. Mas até aos dez anos, eu vivia na Roménia e não falava romeno, o que é muito estranho. E aprendia, basicamente, o meu pai obrigava-me todos os dias a aprender cinquenta palavras em inglês, cinquenta em romeno, porque sabia que no futuro poderá vir a, a servir-me.

Nós temos uma, uma foto mais ou menos dessa altura, acredito eu, que, que eu creio que é possível mostrar agora, onde tu estás juntamente com a tua família, com os teus irmãos. Creio que são os teus irmãos nesta, nesta foto tirada-- precisa-- como é que se chamava essa, essa vila, aldeia, digo eu? Onde é que foste desenterrar isso? Onde é que é isto? Isto é, portanto, a localidade chama-se Fic-- Ficșu e fica, fica perto de Cluj, que é uma cidade já conhecida por causa de, se calhar, da equipe de futebol de, de Cluj. Fica mais ou menos uma hora de distância de, dessa cidade. Mas é, é uma aldeia literalmente assim, no fim do mundo, perto das montanhas, não se passa nada. Quem é que está aqui na foto? É, é minha mãe e os meus dois irmãos. Que são mais, mais novos do que tu.

Mais velhos, sim. Eu sou o mais novo, sou o que tô de pé, se não, se bem vejo ali naquela imagem. E depois tenho um irmão que é um ano mais velho que eu e outro que é três anos mais velho que eu. Hã, mas então dizes que cresces ligado ao campo, não é? Ou como é que era? Tinhas que fazer coisas, ou era só brincadeira, ou tinhas umas obrigações mesmo? Não, é, portanto, crescendo na aldeia significava trabalhar, especialmente no verão. Não havia férias de verão e tínhamos que ir pro campo, trabalhar o campo, ajudar os meus, os meus pais ou os meus avós. E eu andava muito com, com gado também no campo, com ovelhas, com cabras, com vacas, cuidava delas. Às vezes dormia fora, à noite também com meu avô, a cuidar das vacas pra não virem os ursos, é, para os comer e coisa assim. Até temos uma experiência em que tivemos de andar a correr atrás de um urso durante a noite com o meu avô. Eu tinha para aí cinco ou seis anos, cheio de medo.

Mas lembras. E ele andar a correr atrás do urso pra, hã, pra não vir atacar os animais. Hã, mas em que momento é que nesta aldeia, bem no interior, né, na Transilvânia, em que tu dizes: "Eu quero algo mais." Houve algum momento, com que idade? Lembras-te se houve alguma epifania, alguma coisa assim? Não, não. Na altura, pá, crescendo lá, és tão limitado do ponto de vista da visão, que tu não, nem consegues perceber qual é, quais são as possibilidades que existem no mundo. Então eu nunca pensei em algo mais, até o ponto em que o meu pai estudou pra pastor, como dizias na introdução, e foi mudado pra uma cidade. Então foi nessa altura. E aí o horizonte abriu um bocadinho, mas mesmo assim, pra mim, o que é que fez uma grande mudança foi a vinda pra Portugal.Eu já tinha 20 anos, aí a, a minha visão sobre a vida mudou completamente, porque apercebi-me que o mundo não se reduz a uma aldeia, a uma cidade, a um país, é muito mais do que isso.

E foi aí que comecei, e comecei a ler e a estudar e a minha mente abriu-se. Mas, é, até aí, aos 18 anos, era aqueles sonhos de, típicos pra, pros rapazes daquela idade de quero me formar, quero fazer alguma coisa da vida, não quero ficar pobre a vida toda. Esses objetivos, é, mundanos, né, que, que toda a gente tem, se calhar, mas não, não tinha uma visão clara sobre aquilo era, aquilo que era possível pra mim. Nós, nós não estamos a ignorar o que está aqui em cima da mesa, são alguns objetos que tu trouxeste. Nós já vamos falar sobre eles quando chegar mais ou menos à altura. É, no entanto, falas então desta tua vinda para Portugal.

A chegada a Portugal

É, tinhas dezoito anos sensivelmente, ou seja, tinhas já eras... Não, tinha, tinha dezenove a primeira vez que vim e depois, a segunda vez, quando voltei para ficar de vez, tinha vinte. Então recebeste um convite de um amigo que disse: "Olha, queres ir lá até Portugal conhecer o meu país?" Exato. E depois meteste num autocarro, não foi? Foi. É longe, digo eu. Sim, foi, é, foi ao convite dum, dum amigo que esteve na Roménia, o Joal, de que se calhar tu também conheces. Sim, sim. E eles tiveram lá, quando tiveram na Roménia, tiveram um azar, roubaram os documentos deles e eu fui com eles pra embaixada de Portugal em Bucareste. É, falavas inglês precisamente porque teu pai te obrigava a aprender. Exatamente, exatamente. E também falava alemão um bocadinho e ele tava com um grupo da, de estudantes de, da Áustria. Então eu passei duas semanas com esse grupo e conheci o Joal e na altura namorada, atualmente a esposa Shana.

E eles ficaram sem documentos, fui com eles à embaixada e ajudei-os a, a resolver isso e ele em sinal de gratidão disse: "Olha, quando quiseres vi-visitar Portugal, tens uma casa". E eu passado uns meses: "Olha, eu gostava de ir, só que preciso de ajuda para que arranjes alguma coisa para trabalhar, para comprar o bilhete de camioneta, porque os meus pais disseram que podes ir, custa cento e cinquenta euros a camioneta ida e volta, mas tens que fazer o dinheiro, porque nós não temos esse dinheiro, tens que pedir, nós temos que pedir emprestado." E foi assim que cheguei a primeira vez a Portugal de camioneta, foi três dias e três noites, quase quatro dias. Temos aqui uma foto, não da camioneta, mas que vais me dizer se foi antes ou depois de vires para Portugal, que é uma foto em que tu estás com a tua mãe, é, num momento de, não sei, terá sido o quê? Quando... Décimo segundo ano. Décimo segundo ano, é antes de vires para Portugal, né?

Exatamente. Quando acabei o décimo segundo ano, foi a, foi a festa de formatura do décimo segundo ano, basicamente, é. E que papel é que tem e teve a tua mãe, é, naquilo que é o Lori hoje? Muito importante. Eu tenho uma ligação interessante, diria, com a minha mãe, no sentido que não somos muito próximos, no sentido de beijinhos, abraços, te amo. Eu acho que nunca disse à minha mãe, ela nunca me disse a mim que me ama diretamente, mas... Mas isso é cultural romeno ou é algo mais teu? Não, necessariamente. Acho que é uma coisa da família. Não fomos assim muito próximos na família. E uma das razões pelo qual eu depois quando, é, conheci a minha atual esposa e, e casamos, eu virei exatamente o contrário. Digo montes de vezes isso e mostro isso porque a nossa relação é mais fria. Mas ela, ela é daquelas pessoas que desde, desde sempre, eu-- as primeiras coisas que eu tenho na minha mente é ela dizer: "Tu és inteligente, tu és trabalhador, tu podes ser tudo o que tu quiseres na vida." Ela repetia isso milhares de vezes. Então ela, ela foi aquela pessoa que provavelmente a primeira pessoa que acreditou em mim e no meu potencial, mesmo não sabendo o que é que isso significa. Então ela sempre teve um, aquele chamado positive talk, aquele encorajamento positivo, sempre, tu consegues, vai pra frente, podes fazer o que tu quiseres. Isso contribuiu muito, porque mais tarde encontrei outras pessoas na minha vida que tiveram o mesmo papel, tanto profissionalmente como a minha esposa, que acreditaram mais em mim do que eu

próprio acreditava. Mas a primeira pessoa que fez isso foi a minha mé-- minha mãe. Mas é interessante porque não foi sempre assim, no sentido que eu sou o terceiro rapaz da família e a minha mãe queria uma menina. Na altura, tu não podias ver antes de nascer se é menino ou rapaz. E quando eu nasci, ela teve um desgosto tão grande que durante seis meses só me pagava colo para me dar a mamar, porque ela queria mesmo uma menina. Então, de alguma maneira, eu senti, é, não conscientemente, mas ao nível físico e ao nível subconsciente, senti rejeição. E ao longo dos anos, tive que trabalhar muito em terapia pra entender quais são os benefícios que eu tive na minha vida a partir desse, desse abandono que eu senti logo à nascença. Mas depois as coisas mudaram, parece completamente o contrário, é, quase que virei o, o filho, é, preferido e com certeza que foi o filho, talvez também porque eu já fui, já fui terceiro e já tinham mais experiência como pais, que mais foi, é, encorajado, que mais

Família e educação

teve esse, esse apoio de vai, segue, tu consegues. E hoje, como é que ela olha pro, pro seu menino? Tão felizes, obviamente que tão felizes, porque além da, do sucesso profissional, graças a Deus, acho que tornamo-nos pessoas com caráter bom. E isso que os meus pais, às vezes de uma maneira se calhar errada, com, com muita-- vou utilizar a palavra, se calhar, brutalidade, porque o meu pai tinha essa hábito de achar que uma... Ser mais severo, né? Sim, uma coça que pode levar de vez em quando é, é bem-vindo, né? Então foi um, uma, uma educação bas-bastante forte e, e dura, mas formou muito o nosso caráter, o meu e dos meus irmãos, e obviamente que eles estão felizes, é, além, além do, do sucesso profissional, porque estamos bem e porqueFicamos bem na vida todos.

E, e como é que se diz amo em romeno? Te iubesc. Te iubesc. Mas lá está, não falo em romeno com os meus, os meus pais, porque- Ah, não falas. Ah, falas em húngaro com os teus pais? Sou húngaro, sim. Os meus pais são húngaros. Então e como é que seria em húngaro? Em húngaro é szeretlek. Szeretlek. É. E agora já conseguirias dizer szeretlek aos teus pais. Exatamente, exatamente. Lori, vamos então a Portugal, não é? Já falámos bocadinho aqui sobre a tua infância na Roménia. Chegas a Portugal com dezoito, dezanove anos e tu dizes: "É este o país que eu quero..." Na segunda vez, não é? "É este o país que eu quero lançar a minha vida." E, e não tinhas nada, não tinhas ninguém, tinhas alguns amigos, mas enfim, uma-- pessoas que tinhas acabado de conhecer. O que é que tu, o que é que tu vives nesta altura? Sofreste muito? Sentiste-te saudade de casa? Sentiste-te perdido? Como é que tu olhavas à tua volta para este país? Que Portugal, em mil novecentos e, se calhar estamos aqui a falar em 99 ou 2000.

Não, 2000 e 2001. 2002, por aí. Não é o que é hoje, não é? Sim. Era bem diferente. Hoje, se calhar, já é um bocadinho mais multicultural e ainda assim não é muito. Naquela altura, pior ainda. As pessoas olhavam para ti como alguém de estranho? É, é muito interessante. Foi, foi difícil no início, porque foi a primeira vez que, apesar de eu q-querer voltar para Portugal, é a primeira vez que estive aqui, estive só um mês e, e cheguei numa altura que ha-havia um acampamento em Gaia e eu conheci muitos jovens, na altura, daqui de Portugal. Depois trabalhei duas semanas na jardinagem, voltei para lá e eu não conseguia tirar da cabeça Portugal por causa da, das pessoas, do clima, de-- sei lá, sentia-se uma coisa diferente aqui e eu nunca tinha sentido isso em, é, na Roménia. Então, passado seis meses, voltei a segunda vez e disse: "Eu quero ficar por aqui." Mas foi muito difícil porque n-não falo a língua. Tenho, hã, literalmente os pais do Joaldi que me come-- convidaram para voltar, que fui para casa deles viver.

José Dias e Aleta Dias. Exatamente. Fui para casa deles viver e, e eles não falavam inglês, eu não falava português. Então, literalmente, as conversas eram, hã, copo. Água. E eu tinha que repetir as palavras pra, pra tentar aprender. E eram, e eram eles, no fundo, que te iriam introduzir um pouco àquilo que era a língua. Sim, sim. Sabes que aqueles resolveram gravar uma mensagem pra ti? A sério? Vê lá o que é que eles disseram. Vou lá ver. Olá, Lori. Lembras-te quando chegaste a Portugal, à nossa casa pela primeira vez? Fomos nós que te recebemos com muito amor e carinho. Estamos muito felizes agora porque tu tens muito sucesso e queremos que esse sucesso continue. Beijinhos.

Foi bom teres vivido na nossa república. Ainda te recordas? Éramos mais que muitos, mas éramos todos felizes. E essa felicidade que continue a transbordar na tua vida para todos aqueles que lidam contigo diariamente. Que Deus vos abençoe o vosso lar e que sejam felizes para sempre. Quando agora olhas para estas pessoas, 2000, 2001, 2002, terão sido pessoas que marcaram a tua vida? Sim, eu digo que são os meus pais de Portugal. Para mim, e, e foram os meus padrinhos no casamento, foram, é, foram pessoas que, quando estive longe da família, eles foram família para mim. E, e a parte mais difícil de estar em Portugal não foi quando estive em casa deles, foi quando mudei depois pra um internato e tava sozinho, porque eles, apesar de não conseguir comunicar com eles muito bem por causa da barreira da língua, eles foram espetaculares e receberam-me em casa como se fosse o filho deles. Aliás, hã, o Joaldi ia, foi estudar para Lisboa e eu fiquei literalmente no lugar dele, como se fosse. E, e eles foram espetaculares e continuamos ter uma relação excelente com elas, porque são os meus pais de Portugal.

Eles não te conheciam de lado nenhum e abraçaram-te como um filho, do nada. E, e eles são assim. Eles, a casa deles tava sempre cheia de gente. E eu quando cheguei, no dia que cheguei ali, não sei se estávamos quinze ou dezesseis pessoas numa casa muito pequena, num apartamento pequeno em Gaia, mas isso era o normal. Tinham sempre pessoas, sempre convidados. São, são pessoas espetaculares. E, e uma das razã-- uma, uma razão pelo qual consegui resistir em Portugal no início, porque foi muito difícil, obviamente, não, não se-- sentir que não, não tou num espaço... Eu lá era muito social, tinha montes de amigos, tinha... E também como filho de pastor, mudavas sempre. Então, era aquela coisa de às vezes até tar no centro das atenções. Cheguei aqui, é zero. E, e eles foram um apoio muito importante e é uma, uma da razão pelo-- uma das razões pelo qual eu fiquei, foi o apoio deles no início, dos meus pais.

E, e aprendeste português muito rapidamente. É, daquilo que me disseram, em seis meses já conseguias falar português. Sim, aprendi porque, por duas razões. Eu falava já húngaro, romeno, inglês, alemão e o português também é parecido, é, parecido. A origem é latina. Então, sabendo romeno, depois foi mais fácil. E quanto, quantas mais línguas falas, depois mais fácil apanhas as, as próximas. E isso é um. E dois, tinha que ser, porque vivia numa casa onde só falavam português e trabalhava pra um patrão que só falava português. Uhum. Então, literalmente, o, o patrão com quem eu trabalhei na jardinagem, ele dizia, hã-- chegávamos a uma, a uma casa e ele mostrava, tipo, tá aqui o jardim, relva, cortar, uma hora. E eu tinha que tentar perceber.

Então foi assim, aos bocadinhos, apanhar essas coisas. E, e é por essa razão, então, agora olhando aqui para o primeiro objeto ou

O primeiro trabalho

conjunto de objetos, que tu trouxeste estas luvas e esta pá de jardinagem? Sim, sim, porque foi o meu trabalho oficial, o primeiro trabalho oficial, basicamente. Eu trabalhei, como já disse, no campo a infância toda. Depois de algumas, alguns anos no verão, pra ganhar algum dinheiro, fui trabalhar na construção civil na Roménia, antes dos 18 anos, mas oficialmente, depois dos 18 anos, o emprego onde tinha um salário foi em jardinagem. Então marcou muito essa, essa passagem. Mas tu lembras-te desse teu patrão de jardinagem? Lembro-me, claro. Luís Horácio, claro. E ele gravou uma mensagem também pra ti. É, pá. Vê lá o que é que ele diz. Vê lá o que é que ele diz. Não acredito. Olá, Lori.É um prazer estar a partilhar esta mensagem com todos aqueles que te vão ouvir e vou recordar como foi o nosso encontro.

O Joaldo trouxe-te a ver se conseguias trabalhar comigo, se eu te aceitava para trabalhar comigo, e eu fiz-te-- lancei-te um repto, disse: "Queres iniciar já o trabalho?" E curiosamente, tu, mesmo com a indumentária que trazias, que não era apropriada para trabalhar, disseste assim: "Sim, eu sei trabalhar." Olha, fiquei muito feliz. Eu estava numa altura em que tinha muita terra para colocar dentro do jardim e tu parece que me caíste, perdoe-me a expressão, do céu, porque me ajudaste. E realmente foste um jovem valoroso. Agora queria continuar. Foste exímio nas tarefas que desempenhaste. Hã, uma aprendizagem sempre muito simples e muito prática. Eu dizia-te: "Loren, por favor, faz assim." E tu fazias, nunca viraste a luta.

E não é por acaso que tu acabaste por chegar, creio eu, onde estás. Eu penso que nessa altura já tinhas esse-- dentro de ti, essa afinidade de quereres perseguir algo. Disseste-me que eras filho dum pastor romeno, é, e que tinhas uns padrões elevados, segundo eu vi, de, de, de conduta. Isso permitiu-me eu trabalhar em muitos locais públicos com a tua presença e muitas das vezes deixar-te a desempenhar tarefas de grande responsabilidade, porque eu comecei a confiar em ti. Inspiravas confiança, quer aos outros, quer a mim. Portanto, foste um grande amigo, que ainda hoje eu reconheço como tal, apesar de já não partilharmos tanto a nossa intimidade.

Para ti desejo todas as felicidades e abraços familiares. E-este homem nem tinha noção da importância que ia ter na tua vida, não é? Pois não. Este homem, já agora, é meu tio. É o meu tio Luís Horácio, é irmão da minha mãe. É uma, uma feliz coincidência, não há aqui nada combinado, mas ele se calhar nunca imaginava que aquilo que ele te estava, no fundo, a dar era uma pá para carregar areia, não sei o que é que era na altura, era algo que iria mudar a tua vida e que, no fundo, iria dar origem a, a, a esta imagem, não é? Exatamente. Tão curiosa, que até acho que podemos mostrar. Exatamente. É, foi, foi, foi espetacular para mim. Lá está, não conseguíamos comunicar, mas, hã... E ele dava-me trabalho e eu fazia o meu melhor. E lembro-me que passado pouco tempo, ele já deixava-me sozinho fazer os trabalhos e deixava-me lá horas e horas em casa das pessoas, e eram casas-- é, eu olhava para aquelas casas e sonhava: "Meu Deus, como é que é possível ter uma casa tão grande?" E trabalhava nesses sítios e ele, hã...

E foi espetacular. Só trabalhei três meses com ele, literalmente depois de ter voltado a segunda vez, trabalhei três meses com ele, mas, hã- Mesmo assim ...ficou marcado. Ficou marcado porque foi onde comecei a, a conseguir me sustentar. Foi, foi com a ajuda dele que eu consegui primeiro ve-- primeira vez vir para Portugal e pagar o bilhete de camioneta. E, e fi-fiquei, fiquei grato para sempre. O, o meu pai é empresário também e eu cresci com ele a dizer sempre isto: quando alguém ia ter com ele e, e perguntava se podia trabalhar com ele, ele fazia sempre este teste: "Quer começar agora?" Se a pessoa disser que sim, OK. Se a pessoa disser: "Ah, agora não dá jeito, só amanhã ou depois, agora no início do mês", ele dizia: "Então não vale a pena." E o meu tio dizia exatamente a mesma coisa, e foi isso que o surpreendeu. Quando ele perguntou se queres começar agora, tu tavas com a roupa que tinhas no corpo e começaste naquele momento.

Isso ainda hoje também, também é assim que tu olhas quando queres contratar alguém. Isto marca-te, faz diferença para ti, esta disponibilidade para avançar. Eu, por acaso, não me lembro deste, deste episódio. É que- Eu li que estavas com a tua roupa normal- ...se calhar tavas bem vestido. Pois Bem, bem- E foste trabalhar. Com quem diz, bem vestido, sim, mas era a roupa do dia a dia, provavelmente. Não me lembro desta, desse, desse episódio e é, é curioso, mas, hã, eu acho que tem a ver com... Eu tava, tava, hã, com fome de, de fazer algo, de, de, de acontecer. E tive essa fome durante anos e anos, em que em todos os trabalhos que me deram, tanto com ele como mais tarde a trabalhar no colégio, e eu queria fazer as coisas mais rápido, melhor.

Hã, e houve sítios onde tiveram que empregar duas ou três pessoas no meu lugar, porque eu quando entrava num sítio, eu queria comer tudo à frente. Queria trabalhar e trabalhar, e trabalhar, e não parava. Aliás, havia, havia colegas no, no trabalho que diziam: "Pá, acalma-te um bocado.- 'Tás-te a complicar a vida. ...aqui em Portugal, aqui em Portugal as coisas são mais calmas. De m-- de manhã, quando vens, ainda podes ficar um bocadinho, meia hora a falar." Eu disse: "Não, eu vim trabalhar, eu tenho que acabar as coisas." E quando acabava as coisas, pedia mais trabalho e queria fazer mais e mais. E acho que esta, esta disponibilidade ficou, hã, lá está, o, o Luís Horácio disse que ficou surpreendido, mas, hã, eu queria trabalhar. Eu só queria uma oportunidade para trabalhar qualquer coisa, porque tava num país que não conhecia, precisava de dinheiro para me sustentar e queria trabalhar. E qualquer coisa que me dessem na altura, seja varrer a rua ou trabalhar em jardinagem ou qualquer outra coisa, eu aceitava porque eu queria trabalhar.

Uhum. E acho que isso que é uma co-- é uma das coisas que falta hoje em dia, tanto nos jovens como geralmente com as pessoas, é que tão à espera do emprego certo, do, do, do sonho, e não tão dispostos a começar com qualquer coisa. E eu acredito, dentro do meu coração, que se não tens um problema medical, é impossível não teres trabalho hoje em dia em Portugal. É impossível. E em qualquer lado do mundo. É só preciso ter essa vontade de-- qualquer coisa que me deem. E se, e se foi jardina-- na jardinagem, é jardinagem. E se for a varrer a rua, eu vou fazer aquele trabalho de maneira que quando eu sair de lá, ou se eu não sair de lá, as pessoas digam: "Aqui varreu o melhor varredor de ruas que existe no mundo." E essa atitude ajudou muito depois na carreira e nos negócios, em tudo.

Faz toda a diferença. LorenVamos para um curto intervalo, mas na segunda parte, eu não sei se posso já pegar neste objeto. Eu quero que me expliques o que é isto que tu trouxeste, é, e que, e que vais abrir. Vamos ver isto- Sim, é uma pedra especial e vamos abrir já. Vamos então conhecê-la na segunda parte deste programa. Estamos então olhos nos olhos com o nosso convidado hoje, é o Lorand Soares

O regresso à Roménia

Szász. TV Novo Tempo, o canal da família, o canal da esperança. Segunda parte do programa Olhos nos Olhos, este e outros programas que pode encontrar também no nosso canal do YouTube, na Novo Tempo Portugal. Encontra lá dezenas de programas por os quais pode ver, partilhar e voltar a ver as vezes que quiser, claro, está no YouTube. Estamos então com Lorand Soares Szász, ele que é o nosso convidado Olhos nos Olhos, ele que é empresário luso-romeno, é, disse bem. Tens nacionalidade portuguesa também. Também tenho. Quando casei fiquei também com a nacionalidade portuguesa, então tenho romena, nasci lá, húngara por causa de descendência e por-- e portuguesa por casamento. E agora vou te perguntar, Lorand, quando tu vais a algum país, qual é o passaporte que tu mostras? É o português?

Hum, por acaso é o português que utilizo mais, é, pra quando viajamos com a família, mas, é, já deu jeito ter vários passaportes, porque fomos uma vez, por exemplo, pra Cuba e logo a seguir fomos para os Estados Unidos e a minha esposa teve que trocar de passaporte pra não aparecer o carimbo da Cuba e eu utilizei apenas passaporte diferente e tá tudo bem. Lorand, estamos a falar nos objetos que tu trouxeste e que tens aqui em cima da mesa, e esta é uma pedra muito especial que eu gostaria que pudesses explicar, é, em que consiste o, o porquê do simbolismo dessa pedra. Sim, esta pedra descreve de alguma maneira a, a minha experiência com algumas pessoas aqui em Portugal, é, especificamente com, com o Luís Horácio, que conseguiu ver em mim algo mais do que um simples trabalhador.

Também, mais tarde, um outro patrão, o Paulo, com quem trabalhei, e a minha esposa, que olhavam pra mim e em vez de ver uma pedra normal, né, uma pessoa que não tem-- só tem décimo segundo ano, não fala bem a língua, vem dum país que é considerado pobre ou de terceiro mundo, e mesmo assim eles olharam pra algo diferente, olharam pra aquilo que estava dentro de mim. E tanto a minha esposa como as pessoas com quem trabalhei foram além desse exterior que não era muito brilhante e foram ver algo que, que é mais valioso por dentro. E deram-me oportunidades e, e deram-- e acreditaram em mim. E foi por isso que eu trouxe esta pedra pra, de alguma maneira, alguma maneira, s-- transmitir isso, que nós, como pessoas, temos que ter esta capacidade de olhar para a pessoa e ver aquilo que tá além do exterior, aquilo que tá no interior, o valor que tá dentro da-das pessoas. E eu tenho feito isso na, na minha empresa.

Quando faço entrevistas, é, tento olhar além do CV, além de-das conversas que temos, tentar perceber qual é o valor dessa pessoa no interior. Então é uma pedra que encontramos numa viagem, é, que fizemos com a família e eu comprei porque achei que transmitia perfeitamente aquilo que aconteceu comigo. É, um imigrante romeno que chegou a Portugal e em Portugal houve pessoas que tiveram olho pra ver que não é apenas um imigrante sem valor. Mas também essa é a parte positiva, né, a tal conversa positiva que a tua mãe te incentivou, mas também houve histórias complicadas. Ou seja, tu começaste a trabalhar, é, com o Paulo Machado, já falaste, no, no coaching. E, e, e segundo sei, houve uma altura em que tu querias tirar o curso na Action Coach, que era da altura, mas o dono dessa franchising não te deixou porque disse que eras muito jovem, que não tinhas preparação, e ele impediu-te, é, de, de fazer esse curso. Recordas-te desta história?

Sim, recordo-me. Basicamente, eu trabalhava-- o, a Action Coach é um franchising. Eu trabalhava no escritório do Porto com o Paulo Machado e a Action, ao nível nacional, em Portugal, tinha um outro dono, ao nível nacional, dessa empresa, que também chamava, curiosamente, Paulo. E quando eu fui ter com o Paulo Machado, eu disse: "Olha, eu gostava de fazer o curso de coaching, porque acho que é o próximo passo na carreira." Eu entrei a trabalhar pra ele como assistente, mas depois fui crescendo dentro da empresa durante dois anos. E disse: "Agora acho que é o momento de estudar, é, coaching e também fazer, ser coach." E ele, ele apoiou e disse: "Acho espetacular o teu desejo, vamos falar com o, com a direção a nível nacional." Com o outro Paulo. Sim, e eles não deixaram, eles acharam-- não, nunca me disseram diretamente, mas deram a entender, por causa da idade, tinha vinte e cinco anos, é, porque não tinha estudos na área de negócios, não tinha experiência na área dos negócios, não falava ainda bem português.

Então não havia su-supostamente nada que me confirmasse que realmente pudesse vir a ser um, um bom coach para, para empresários. E não me deixaram. E foi aí que eu decidi: "Ok, se não me deixam, então vou fazer outra coisa." Quando senti que-- isso foi válido em qual-qualquer lado. Quando senti que chego a um sítio que eu não posso crescer mais, então vou pra outro sítio onde posso crescer mais. E foi aí que eu decidi ir pra Romênia outra vez e abrir o meu negócio. É, preocupas-te de ser a pessoa mais inteligente na mesa, ou seja, aquela pessoa- Não, não. Antes foi o contrário. Se é, se és a pessoa mais inteligente da mesa, tás na mesa errada. Mas quero, quero crescer e, e não, não, não aceito que as pessoas me imponham limites no crescimento, é, por qualquer razão. Se eu acho que é possível e, e, e quero crescer mais, então não aceito que eles digam: "Não, fica por aqui que tá tudo bem." Então eu troco de contexto.

Eles algum dia eles viram o teu sucesso ou não? Nunca, nunca chegaste lá e olha, aqui estou eu. Nunca fizeste isso? Não, não fiz isso, não, não foi necessário, mas, é, viram, obviamente que viram. E é muito curioso porque depois de ter ido pra Romênia, ter aberto o meu negócio e passados uns, uns anos, é, tivemos bastante sucesso. É, o tal Paulo, que era responsável pela Action Coach em Portugal, que neste momento é um empresário de sucesso, tem uma das maiores empresas de formação em, em Portugal e que somos próximos e nos entendemos muito bem, e eu até lhe agradeci por não me ter deixado, porque fez um favor pra, pra eu ter ido embora de Portugal e ter feito o meu negócio. Mas ele, passado um tempo, depois mandou mensagem a dar os parabéns e perguntou o que é queO que é que tu fizeste pra ter tal sucesso?

Porque parecia que nem em Portugal a empresa tinha tanto sucesso como, hã, vinha a ter eu na Roménia. E eu disse: "Olha, anda visitar-me a, a Roménia pra ver o que é que tá-- o que é que tamos a fazer." Então ele foi lá e teve com-- três dias comigo, com a minha empresa, a ver as coisas. E então foi gratificante, hã, de alguma maneira. Na altura era aquela coisa: "Ah, toma lá!" Mas mais tarde, hã, fiquei muito grato a ele e fiquei, hã... Disse: "Olha, graças a Deus que não me deixaste, porque se calhar podia, podia me tra-me tra-transformado num-- mais um coach em Portugal." E assim abri das primeiras empresas de coaching na Roménia e, e

Obstáculos e superação

chegámos a número um na Roménia nessa área. Então faz-nos a nós, telespectadores do Novo Tempo, essa espécie de visita que tu fizeste a esse Paulo durante esses três dias. Ou seja, qual foi, na tua ótica, as grandes razões que levaram a que tu conseguisses, em pouco tempo, estamos a falar de, de sete anos sensivelmente, se calhar um bocadinho mais, não é? O tempo em que tu saíste com a tua esposa de Portugal para ir pra Roménia, até te tornares uma referência na Roménia. O que é que foram assim os grandes passos que tu acreditas que fizeram a diferença? Portanto, pra já, que-queria transmitir a, a toda gente que pensa em vir, hã, abrir um negócio ou que tá num negócio, especialmente no início. O início é muito, muito difícil. E se não tens resiliência e não tens, hã, força de vontade para passar, literalmente, no meu caso, literalmente fome.

Houve alturas que nós não conseguimos pagar um-uma renda na Roménia, tive que mudar pra casa do meu irmão. Não tínhamos dinheiro pra pôr comida em cima da mesa- E já eras casado, já. Era casado e eu tinha pro-prometido à minha esposa portuguesa que eu a levava pra Roménia pra lhe dar uma boa vida. E eu ti- Já agora, porque nós só, desculpe interromper, mostrar a tua esposa pra aqueles que não estão a ver. Temos uma fotografia tua com ela. Desculpa ter interrompido, mas é importante também verem a tua esposa. Isto é- Isso foi na Roménia, no início. Na Roménia, exatamente. Nos primeiros anos, sim, é verdade. Que foram difíceis. Foram muito difíceis. Os primeiros anos foram, foram horríveis. Hã, pra mim, como, como homem, que tinha prometido a uma esposa: "Olha, eu vou cuidar de ti." Aliás, eu disse-lhe literalmente isso: "Anda comigo pra Roménia. Eu sei que é um país mais pobre, mas tu nunca mais vais ter, ter que trabalhar e nós vamos ser ricos." E eu fui pra lá e tava na miséria.

E- E tu acreditavas nisso quando saíste à tua esposa? Eu acreditava. Aliás, eu disse: "Dá-me quinze anos. Preciso quinze anos e nós vamos voltar daqui a quinze anos pra Portugal e vamos ser independentes financeiros, nunca mais vamos ter problemas financeiros." E pra ela também mais difícil, porque eu não conhecia ninguém, não falava a língua. Algo-- de alguma maneira, passou por aquilo que eu passei quando vim pra Portugal. Chegaste a duvidar desses quinze anos ou nunca tiveste dúvidas? Não, não. No início era muito difícil, mas sabia que se não desistisse mais cedo ou mais tarde, iria conseguir. E não, não sabia se eram quinze anos, se era menos, se era mais, e acabavam por ser treze. Mas, hã, sabia que é um trajeto que é possível pra qualquer pessoa. Se tás disposto a fazer os sacrifícios necessários nesse sentido, se te educas, se lês, se transformas atualmente e se trabalhas, é impossível não ter os resultados que, que queres ter. Mas foi, foi muito difícil no início.

Agora, o que é que funcionou, o que é que ajudou? Foi, foi essa resiliência de não desistir nos momentos em que é difícil. Foi essa força de vontade de, de, de trabalhar. E eu lembro-me que eu fazia muitos cursos pelo país fora e eu acordava, por exemplo, às duas de manhã, pegava no carro, ia de Cluj até Bucareste, fazia uma viagem de cinco, seis horas. Lá preparava a sala pra, pras, pras pessoas que vinham a-assistir. Fazia eu pessoalmente o check-in, porque não tinha empregados. Quando era dez, deixava o check-in, ia pro palco, apresentava. No intervalo, fazia o check-in pras pessoas que atrasaram. No fim, despedia-me das pessoas que tiveram no seminário, limpava tudo, preparava pra tarde, fazia a mesma coisa à tarde. Acabava às nove da noite, dez da noite, pegava no carro e voltava pra Cluj, porque não tinha dinheiro pra ficar no hotel a dormir.

E essa, essa força de vontade, pouca gente tem. E essa f-- essa, esse desejo de, de fazer acontecer, pouca gente tem. E, e eu sabia que se eu fizesse isso, já estou no top 1% em qualquer área dessa vida, não interessa se faço coaching ou qualquer outra coisa. Então isso contou muito, essa resiliência, essa vontade de trabalhar. Outra coisa que contou muito foi quando eu encontrei a primeira vez o Paulo Machado, e ele fez uma coisa que mudou completamente a minha vida profissional. Ele obrigou-me a ler. Todos os dias eu chegava em, hã, ao escritório dele, hã, em, em, no Porto, e ele dizia: "Meia hora tens que ler. Meia hora do, do, do tempo que eu te pago. Tens que sentar, pegas nos-- num dos livros que estão aqui atrás de mim na biblioteca e lês. E depois tens que me der-- dizer o que é que aprendeste." E eu, durante dois anos, quando trabalhei com ele, eu li mais de cem livros e aquilo abriu um horizonte, porque o livro traz conhecimento, o livro traz a experiência comprimida, o livro traz aquilo que a experiência da vida leva anos e dinheiro e, e dor a te dar. Dá-te em algumas páginas.

Então isso também contou muito. Muito trabalho, educação, resiliência e uma coisa que eu, na altura, disse ao Paulo, quando ele visitou-me, disse assim: "Eu apenas fiz aquilo que vocês me ensinaram. E eu fui pra vossa empresa e eu não sabia nada de negócios. Eu aprendi tudo do zero. Aliás, eu quando entrei na empresa de coaching, que é-- literalmente chama-se, hã, hã, treinadores de fu-- de, de empreendedores, é isso que eles faziam. E eu achava que o empreendedor é uma pessoa que engana os outros e tira-lhes o dinheiro. Essa era a minha concepção de negócio. Eu aprendi tudo com vocês. E eu, e eu não sabia nada. E aquilo que eu fiz no meu negócio, fiz exatamente o que vocês me ensinaram. Funciona. Vocês, porque já têm muita experiência, vêm com bagagem, às vezes ignoram as pequenas coisas. E eu não ignorei. E eu peguei em tudo que vocês ensinaram e eu fiz exatamente tudo que vocês me ensinaram." Ele ficou fascinado com isso e, e, e, e pronto.

Foi isso que basicamente que eu tentei transmitir a ele. E Loren, co-- Loren, como é que se passa daquilo que tu dizias, de ires a um lugar, fazeres o check-in, teres lá dez pessoas, para depois momentos como este. Temos aqui duas fotos que eu gostaria que, que os nossos telespectadores

Missão e liderança

lá em casa pudessem ver. Momentos como este em que tás rodeado de, diria, quantas pessoas é que estão ali? Creio que na próxima foto é, é mais visível. Neste evento tivemos mil e duzentas pessoas. Ou seja, são mil e duzentas pessoas que pagaram pra te ouvir, no fundo, que estão ali todas. Sim. O que é que tu sentes quando sobes a um palco e sabes que tá ali toda aquela gente pra te ver, pra te ouvir, que qualquer coisa que tu digas elas vão tomar nota, porque sabem que é importante. O que é que se sente nessa altura? Sinto, sinto que estou a fazer uma coisa que é absolutamente normal, que é a minha missão. É, no momento em que subo no palco, é o momento em que tudo se desliga, tudo acaba, hã, não penso em mais nada. Hã, é aquele momento em que sinto que eu fui feito, fui criado por Deus pra isto.

E eu sinto que no momento em que subo o palco e faço educação pra empresários, eu vivo a minha missão. E pra mim aquilo é, é conexão com Deus, porque Deus é que põe a missão em nós. Então eu quando estou a viver a missão que Deus pôs em mim, é o momento em que eu sinto que estou conectado com Deus. E a partir daí, eu, eu não tenho, eu não sinto nada, não sinto, hã, borboletas no, no estômago, não sinto receio, não sinto medo, não sinto nada disso, porque estou conectado com o divino e estou a fazer aquilo que, que é a minha missão, hã, pra fazer. E ao mesmo tempo é uma responsabilidade muito grande, porque sabes que tens mil e duzentas pessoas ou mil e quinhentas, ou duas, duas mil pessoas, como já tivemos, que vão absorver tudo, tudo. E que tens uma hora ou cinco horas, um dia ou três dias, depende do curso, em que tu podes moldar o cérebro dessa pessoa.

E aquilo que tu vais fazer naqueles, naquela hora ou três dias, vai de alguma maneira influenciar o futuro daquela empresa, daquela família, dos empregados, da sociedade em geral. Motivo pelo qual a nossa missão na empresa neste momento é crescermos países, crescendo empreendedores. Porque eu acredito que no momento em que nós ajudamos empreendedores a prosperarem, o país cresce, a economia cresce, a criminalidade baixa, o desemprego baixa, as pessoas vivem melhor, os empregados ganham mais, os empresários têm mais sucesso, mais prosperidade. Então é uma missão, digo eu, divina, que estou a fazer, porque acho-- eu pensei muitos anos que fazer uma coisa divina é só ligado à igreja ou, como meu pai pastor. E é curioso que uma vez, acho que foi até nesse evento que vocês tiveram a fotografia, o meu pai esteve presente nesse dia e no fim veio com lágrimas nos olhos e disse: "Conseguiste fazer mais trabalho missionário num dia do que eu fiz na minha carreira de pastor." Porque eu nunca tive tantas pessoas que não sejam da igreja à minha frente pra poder falar sobre Deus.

E eu nunca falei sobre religião e nunca vou falar nos cursos sobre religião, mas falo sempre so-sobre Deus, sempre sobre a Bíblia, sempre sobre os princípios bíblicos. Eu mostro os empresários como os prin-princípios bíblicos são os princípios certos pra ter sucesso no negócio. Mostro como os, hã, hã, as pessoas que mantêm os princípios bíblicos são prósperos do ponto de vista financeiro, então moldo a maneira de, de pensarem das pessoas. Isso é uma responsabilidade muito grande e uma bênção muito grande ao mesmo tempo. E que tipo de oração é que tu fazes antes e depois, eventualmente quando à noite chegas ao hotel, de falar pra duas mil pessoas não sei quantas horas, que tipo de oração é que tu fazes? Que tipo de ligação é que tu te conectas depois daqueles momentos? A oração que eu faço antes de entrar no palco é sempre o mesmo. É a mesma oração, hã, já há mais de quinze anos.

É, Deus ajuda-me a dar aquilo que eles precisam, mantém-me humilde pra não achar-me que sou o maior. Abre o coração, a mente deles pra poderem perceber aquilo que tão transmitindo e se for a tua vontade, então trabalha na empresa deles, faz com que eles prosperem e dessa maneira que possamos crescer o país. Essa, essa oração que eu faço sempre antes do palco. E no fim, é, é, é gratidão. É, é só, hã, falar com Deus e dizer: "Olha, obrigado porque me deste esta oportunidade de poder influenciar essas pessoas à minha, à minha volta." Essa oração que tu dizes de te manteres humilde, é, é algo, hã, ou seja, se calhar colocando a pergunta de outra forma, o sucesso revela quem nós somos ou se calhar desperta em nós coisas que nós não gostaríamos de ser?

Não, tanto o sucesso como o dinheiro nunca muda uma pessoa, apenas aumenta aquilo que já tá dentro de ti. Então é preciso ter muito cuidado com o sucesso e com o dinheiro, porque se o teu caráter não é um caráter que tu, que tu sejes, estejas ok, aquilo vai se ver e vai aumentar tudo que tá dentro de ti. E eu acho que um dos, hã, um problema muito grande na minha área, na área de formação, onde sabes, ao palco, onde tens muitas pessoas à tua, à tua frente, onde as pessoas literalmente pagam milhares de euros pra te ouvir. Ou é, é curioso, abres as portas de um evento deste gênero e as pessoas tão a correr pra apanhar os primeiros, os primeiros lugares na fila da frente. Pode-se levar facilmente a, a, a ego, aquela confiança que eu sou bom- Eu sou o maior.

Eu sou o maior. E no momento em que-- e houve alguns momentos na minha carreira que isto aconteceu, e no momento que isto acontecia, era o momento que o negócio começava a ir pra baixo. Porque no momento em que tu achas-te o maior, já não tás atento às coisas que tás a fazer, hã, baseias-te muito naquilo que tu sabes, naquilo que tu fazes, na, na tua força. Hã, a concorrência já começa a te ultrapassar, porque tu és o maior. E, e aprendi da maneira difícil a pedir sempre a Deus esta, esta humildade de nunca achar que sou o maior. Continuo a ter essa, essa, essas conversas positivas comigo próprio. Tu consegues. Tu consegues influenciar, tu consegues mudar a vida das pessoas, tu consegues impactar esses empresários que tão na sala. Tenho essa conversa positiva, mas não com o intuito de me crescer a mim, mas com que tenha essa força do "ok, vamos lá, vamos fazer isso".

Lori, vamos pro nosso último intervalo e nós já voltamos, porque eu tenho aqui algumas perguntas muito curiosas que eu andei aqui a preparar e quero saber a tua opinião sobre elas. Voltamos já a seguir. TV Novo Tempo, o canal da família, o canal da esperança.

Livros e investimentos

Terceira e última parte do programa Olhos nos Olhos com o Loren Soares Szasz. Hã, a minha primeira pergunta é, Lori, por que que tu escolheste colocar Soares no teu nome, sendo que em Portugal a tradição é as senhoras colocarem o nome dos maridos, embora agora, felizmente, já vai mudando também. Hã, mas tu fizeste isto em 2006, tu casa-- 2007, me parece, em 2007. Que era uma altura que ainda praticamente poucas pessoas faziam. O porquê desta sensibilidade de, de escolheres...Ter o nome da tua esposa, é, contigo. Já agora, na Roménia é igual. É, é o- Também a tradição é a mesma. Sim, a tradição é igual. Só que s-são duas razões. Um, porque achei exótico ter o nome português ali no meio do nome. E dois, e a razão principal é porque eu disse assim à minha esposa: "Se tu tens que ficar com o meu nome, não tens, mas é, é tradição, e eu porque é que não hei de ficar com o teu nome?" E é curioso que comentei isso com um amigo, antes de casarmos, com um amigo dela da Roménia, e ele disse: "E se divor-- divorciares, o que é que vais fazer?" Eu disse: "Pró mío, não vou casar com o intuito de divorciar." Mas, é, achei, achei justo, apenas.

Se ela fica com o meu nome, eu também quero ficar com o nome dela. Vamos então ao terceiro. Não sei se queres falar deste. Eu já mostrei a foto deste livro, que é, presumo, eu não sei romeno, mas aqui diz algo como "De jardineiro a business coach". Sim, é, basicamente, é um livro que eu es-- é o primeiro livro que eu escrevi em 2014, que tem nove capítulos e cada capítulo explica um ponto que me ajudou a chegar de jardinagem, de jardineiro em Portugal, a chegar a trabalhar como business coach com grandes empresários da Roménia. E são dicas para a carreira de uma pessoa que quer crescer rapidamente, é, na carreira. E, infelizmente, para já, só temos em, em romeno todos os livros. Tenho sete livros, mas todos em romeno para já. E este, este é o teu livro... Este, este livro é um livro especial porque foi escrito juntamente com o Brian Tracy. Brian Tracy é um dos autores mais conhecidos de desenvolvimento pessoal no mundo e ele tem os livros dele traduzidos em setenta línguas e sou o único romeno que tem um livro escrito com ele. E foi, foi curioso.

Eu convidei-o para a Roménia, fazemos o event-- fizemos um evento juntos e no fim do evento, antes de ir embora, ele perguntou se eu gostava de escrever um livro com ele. Eu disse: "Não, deixe-me pensar." É como se eu jogasse, sei lá, na Estrela da Amadora e me ligasse o Ronaldo: "Olha, queres jogar um jogo comigo?" Não, claro, obviamente. Então, escrevi esse livro e é, é um dos livros mais vendidos de negócios na Roménia e, e é sobre o teu caminho para o sucesso do ponto de vista do, dos negócios. Portanto, este é para carreira e este é mais para os negócios. Então, no fundo, as tuas fontes de rendimento resultam dos livros que tens, dos cursos que tens, dos investimentos que também vais fazendo um pouco por todo o mundo, não é? Em Portugal e não só. Sim, os livros, os direitos de autor é 10%. E por mais que vendes muitos livros, não é, não sustenta o estilo de vida muito, muito interessante. Os livros eu utilizo mais como cartão de visita.

Eu escrevo livros porque é uma maneira das pessoas comprarem literalmente conhecimento, mas ao mesmo tempo publicidade. Tu tens a oportunidade de educar a pessoa, mas ao mesmo tempo fazer conhecer o teu negócio e a tua pessoa. E funciona mais para isso. E depois o, o rendimento vem do negócio, da área de formação, que é o maior negócio que temos. Depois sou investidor em mais catorze empresas, onde temos entre um até 20% das empresas, e depois investimentos imobiliários, é, na bolsa, criptomoedas, tudo o que é instrumentos de investimento temos diversificado para, para épocas diferentes do, da economia. Já agora vou te fazer esta pergunta, enfim, qualquer pessoa se calhar iria ter que pagar para poder te fazer esta pergunta. Eu vou aproveitar aqui que acho que eu que não vais cobrar nada, que é: para um português, é, a viver em Portugal, se quisesse investir agora nalguma coisa, nesta altura estamos a viver em 2026, o que é que tu achas que é uma boa, uma boa forma de começar a investir em algo?

Eu acho que, e digo isso tanto para os portugueses como para qualquer pessoa, o maior investimento e o primeiro que tens que fazer é o investimento em conhecimento, porque tu podes investir no imobiliário, por exemplo, que vai crescer ou no, é, no ouro ou qualquer outro instrumento, mas se tu não conheces essa área, tu mais cedo ou mais tarde vais fazer asneiras. Se há uma queda no mercado, vais te assustar, vais vender, vais perder o dinheiro ou parte do dinheiro. Portanto, antes de mais, eu investi no conhecimento. É o, é o conhecimento traz o melhor rendimento possível. É, ninguém te tira, a não ser se perderes a cabeça, tipo uma doença, né? De resto, ninguém pode tirar isso. E, e tu podes perder tudo, toda a tua riqueza, e podes construir tudo de novo porque tens conhecimento. Agora, se for, é, se formos falar sobre instrumentos financeiros de investimento, eu recomendo uma diversificação.

E se tens, sei lá, dezenas de milhares ou centenas de milhares, obviamente que imobiliária é uma área muito interessante e vai crescer e vai continuar a crescer porque a procura é maior do que aquilo que está a ser construído e isso

Conselhos financeiros

vai, e vai continuar a crescer. E mesmo se houver uma queda no mercado, mais cedo ou mais tarde, volta a subir e ficas a ganhar. E se pensas a longo prazo, trinta anos, ficas a ganhar sempre. Bolsa é um investimento muito interessante porque tem havido crescimento interessante também. É, e depois, é, metais preciosos, que é ouro, é, especialmente também cresceu muito nos últimos anos. E depois, quem quiser mais, um bocadinho mais diversificado, pode ser as criptomoedas também e outros instrumentos. Mas o que é que eu recomendo é não guardem o dinheiro em casa ou no banco, porque aí tão a perder todos os anos, por causa da inflação, uma percentagem do valor daquele dinheiro. Então mais vale investir em algum instrumento, mas que seja, é, conhecido por vocês, porque se não conhecem, vão fazer asneiras.

Laure, algumas perguntas, estamos a chegar ao fim do nosso programa, mas há aqui algumas que eu quero mesmo saber. Aqui a ideia é ser uma resposta rápida. Eu costumo chamar isto uma espécie de ping pong, mas enfim, darás a resposta que tu entenderes. Um medo que tu nunca venceste. Medo de saltar de paraquedas. É? Sim. Ah, ok. Um hábito estranho que tu tens. Um hábito estranho? É... Boa pergunta. Não sei, acordar cedo e ler e acordar às 04h50 de manhã. Sim? Sim, bem cedo. Uma crítica que tu quando recebes ainda te magoa de alguma forma. Acho que críticas que têm a ver com o meu caráter, é, especialmente com coisas que eu ainda não aceitei de mim.

Porque eu, por exemplo, muito tempo acreditei que eu não mintoE, e agora acre-- e, e agora tô convencido que todos mentimos. E quando começo a aceitar essas coisas, já não me, não me incomoda. Mas críticas que têm a ver com esse tipo de falhas de caráter, que eu ainda não integrei, não aceitei, ainda magoam. U-um, um elogio que te fizeram em algum momento e que tu nunca esqueceste até hoje. Acho que a minha esposa que, que, a que-- foi ela que me pediu em casamento. E isso pra mim foi um elogio no sentido de acreditar tanto em mim. Na altura, eu era ajudante de cozinheiro. E ela acreditou muito na minha pessoa, não naquilo que e-- fazia na-naquela altura. Talvez ela e a tua mãe, as pessoas que mais acreditaram em ti? É...

Sim. A-aliás, agora acho que é minha esposa mais e depois a minha mãe, sim.

O papel da esposa

É, já que falamos da tua esposa, olha quem é que gravou um vídeo pra ti. Olá, amor. Um recadinho bem rápido. Queria te dizer aquilo que eu te digo sempre: que eu estou e sou muito orgulhosa de ti e de todo o teu percurso. E queria te dizer que me inspiras quando vejo que tu és um lutador, que és persistente, que és consistente e que não desistes enquanto não alcanças aquilo que tu queres. Isso inspira-me muito a ser e a fazer mais, para ser também a minha melhor versão. Por isso é um privilégio aprender contigo e caminhar ao teu lado. Beijinhos. Te amo. Que top. Obrigado. Ela é, assim, a pessoa... Se calhar é triste eu d-- não é triste, se calhar é-- n-não vou ser justo, mas é a pessoa mais importante da tua vida? Posso fazer assim desta forma?

É, é, sim. Hã, eu, com todo, com todo o amor que eu tenho pela minha filha, hã, a minha esposa é a pessoa mais importante da minha vida e depois a minha filha e a minha família, mas a minha esposa... Já agora, desculpa, temos uma foto da tua filha também, já que tás a falar dela, mas podes continuar, desculpa. Ela, ela foi, é, foi muitas vezes a minha salvação, literalmente. Minha salvação de muitos, muitos pontos de vista, profissionalmente, emocionalmente. A minha salvação, hã, no sentido que houve momentos muito, muito difíceis da minha vida em que eu... Vou dizer uma coisa que eu nunca disse numa entrevista, que, que preferia n-não viver. E foi ela que esteve lá e a ajudar naqueles momentos difíceis e, e sim, é uma pessoa muito importante pra mim.

Se ela nunca te, se nunca a tivesses conhecido, achas que, se calhar, nunca estarias sentado aí nessa cadeira? Não, com certeza que não. Eu acredito muito, hã, muito no, no impacto que ela teve na minha vida depod-- de todos os pontos de vista e, e, e tudo que temos neste momento e tudo que somos neste momento é uma construção que nós tivemos em três. Nós quando casamos, hã, dizíamos sempre isso: "Sou um do outro e os dois de Deus". Dizíamos sempre, todas as semanas, era a nossa frase: "Sou um do outro e os dois de Deus". E acredito que tudo que temos, tudo que somos neste momento, é uma construção em três. Lorenzo, se algum dia alguém quiser escrever algum livro, um pouco como estes que aqui estão, mas algum livro sobre a tua vida, que título, que título é que tu gostarias que essa pessoa, hã, desse ao livro que refletisse um pouco sobre a tua vida?

O empresário que mudou a vida dos empresários, se calhar. Loren, muito obrigado por teres reservado este tempo para estar aqui conosco, Olhos nos olhos. Obrigado, Loren. Obrigado.

Sobre este episódio

Neste episódio, conhecemos a inspiradora história de Lorand Soares Szasz, um homem que saiu de uma pequena aldeia na Transilvânia para se tornar um dos formadores de empresários mais influentes da Roménia.

Série
Olhos nos olhos · 30 episódios
Temporada e episódio
Temporada 1 · Episódio 19
Estreou
13 de Março de 2026
Categoria
Outros