Sentado comigo a esta mesa, hoje vamos ter uma das maiores referências da música adventista no Brasil, Lineu Soares. Nascido em Curitiba, cresceu num ambiente profundamente musical ou, não tivesse o seu pai, feito parte do quarteto Arautos do Rei durante quatro anos. Desde muito jovem começou a reger coros, dirigir quartetos, ensaiar grupos, escrever arranjos e, claro, compor. Algumas das composições mais marcantes da música adventista em português, na atualidade, são da sua autoria. Tem 20 músicas suas no Inário Adventista, das quais 7 foi também o escritor da letra. Músicas como O Melhor Lugar do Mundo, Pode Queir o Mundo Estou em Paz ou Falar com Deus, saíram da inspiração de Deus na arte de Lino Soares.
Ao longo do seu ministério esteve ligado a alguns dos projetos mais marcantes da música adventista no Brasil, como o Tom de Vida, o Novo Tom, que dirigiu durante 25 anos, e a produção musical dos Inários Adventistas Brasileiros. Atualmente lidera a área de Música no UNASP, Centro Universitário Adventista de São Paulo, nos Três Campos, coordena ainda o Estúdio UNASP e continua a dedicar a sua vida à música e à educação. É casado com Lani Soares, tem dois filhos, o Lucas e a Laura, e no programa de hoje vamos ter a honra de conhecer Lineu Formigeri Soares.
Muito bem-vindo, Ineu. Obrigado. É uma honra poder ter a oportunidade de estar aqui contigo, sentado nesta mesa. E a minha primeira pergunta, mesmo sem um piano à frente, é esta. Se fosses escrever uma composição, só do ponto de vista musical, sobre a tua vida, como é que seria essa melodia? Como é que seria o compasso? Como é que seria a tonalidade? Como é que seriam as dinâmicas? Olha, eu acho que seria uma música animada, Eu gosto de coisas animadas. A minha vida é uma sequência de eventos que eu olho para trás e digo assim, Deus dirigiu, Deus criou oportunidades que eu menos esperava. Porque a gente sempre tem um projeto de vida, mas aí Deus potencializa isso com outras oportunidades, com coisas que você não tinha imaginado.
Então a minha vida é de muita gratidão porque as coisas que aconteceram foram muito felizes. Então seria uma música animada com uma grande orquestração ou só um piano? Como é que seria? Não, eu acho que teria uma presença instrumental mais enriquecida. Muita gente gosta de fazer música com muita gente participando junto. E quem é que irias convidar? Algum grande coro? Não há limites, podes chamar 500 pessoas, 3 ou 4 cantores, como é que seria? Olha, um dia desses a gente até, assim, houve um encontro, um grande encontro de corais lá no Naspe. E aí eu acabei regendo o final e tinha mais de 600 pessoas cantando. Então, um coro de umas mil vozes aí seria interessante.
Lineu, vamos para o início. Temos algumas fotos tuas em criança que eu gostaria que comentasses conosco. Desde logo porque tiveste uma infância muito rica no sentido musical. A música sempre fez parte deste Lembras por Gente, podemos falar assim? Sim, sim. Meus pais dizem que desde berço eu estava, meu pai cantando e eu tentando cantar junto e tal, no colo da minha mãe e tal. Então, logo eles perceberam essa inclinação muito forte para o lado da música. E aí quando veio a fase escolar, de alfabetização e tal, foi o caminho natural. Já começar a estudar música e me envolver. E sempre com o ambiente musical da igreja. Isso faz parte da minha vida desde o início.
Eu pedi à produção que pudesse colocar a primeira foto que nós temos aqui preparada. Esta foto, Alineu, és tu. Sim, sou eu em Curitiba. cidade onde eu nasci. Ou seja, nasceste no sul do Brasil. Sim. E viveste lá até que idade? Eu vivi até os três anos. O meu pai, ele foi fazer a faculdade de teologia, já mais tarde, então eu já tinha três anos quando isso aconteceu. Então, quando eu nasci, meu pai trabalhava na Assembleia Legislativa, depois ele trabalhou na Associação Paranaense e sempre muito envolvido com música e o aspecto missionário. Então, os amigos falaram, você tem que fazer teologia, você tem vocação ministerial.
Mas isso aconteceu na vida do meu pai, não como normalmente acontece, né? As pessoas terminam ali aquela fase escolar e aí já vão para fazer teologia. Não, meu pai, quando foi fazer o curso de teologia... eu já tinha, já estava no mundo. Então eu nasci e daí fui para São Paulo. Temos uma fotografia mais recente dos teus pais, que também vamos ver agora, que ele daqui, já que idade é que tem? E ele, meu pai hoje tem 86, minha mãe 84. E eles moram perto da gente, né? Ele cantou nos Heraldes do Rei? Cantou nos Heraldes do Rei. Quatro anos. Mas meu pai teve uma vida musical muito intensa.
Meu pai teve uma infância muito humilde. Muito humilde. E aí, na fase de juventude ali, Ele, um dia, o coral do colégio foi cantar numa cidade vizinha próxima. E quando ele viu aquele movimento, aqueles jovens cantando, falou, não, é isso que eu quero para a minha vida. E eu vou para o colégio, vou para o colégio. Mas ele foi assim sem condições, né? Chegou no colégio, não, mas não tem... Não, mas eu quero estudar e tal, e aí conseguiu, e aí começou esse desenvolvimento musical na vida dele, sempre participando de corais e tal e tudo mais, né? Quando ele estava concluindo o curso de teologia, foi uma fase de transição do Quarteto Oraltos do Rei, e aí o maestro do coral Carlos Lomes, que era um grande coral de referência no Brasil, ele indicava naquela época, as pessoas, para fazer o teste para o 4º Heitoral dos Loureiros.
E aí meu pai foi indicado, então ele concluiu o curso de Teologia e já no ano seguinte ele ingressou no quarteto. Ele cantava segundo tenor? Segundo tenor. E como é que é esse período? Quantos anos tinhas, mais ou menos? Eu tinha sete anos. E como é que tu te recordas de ser filho de um cantor dos Eróticos do Rei? Ele passava muito tempo fora de casa, presumo. Sim. As viagens eram longas. Eu lembro uma vez que meu pai voltou, nem reconheci, porque ele saiu com a cara limpa e quando voltou estava de barba, né? E, naquela época, as viagens eram de carro, de Kombi. No Brasil, a gente tinha a famosa Kombi. E aí eles viajavam e faziam séries longas e tal. Mas aquele período foi o período que eu comecei a estudar música.
Então, eu comecei estudar piano com o pianista do quarteto. E com sete, oito anos, tu sonhavas? Um dia também gostava de pertencer aos heraldes do rei? Ou isso nunca foi algo que tivesses, tipo, esse sonho? Isso passou pela minha cabeça. Em vários momentos se cogitou essa possibilidade, até agora de um... num momento mais recente e tal, num momento de transição, que o Jardim se aposentou. Então, muita gente comentou que era o sonho das pessoas que eu também participasse e tal, né? A minha história sempre esteve muito ligada ao Oralto do Rei, porque quando eu comecei a estudar música, eu vivia esse ambiente. Até hoje eu conheço o repertório daquela época de cor, eu posso tocar, várias vezes toquei para eles, né, depois e tal.
Então, é algo que está muito vivo na minha mente, né, porque foi uma primeira experiência muito marcante. Isso pode algum dia acontecer? Ah, eu acho que esse momento não, né, Ezequiel? Porque esse ministério é para aqueles que são mais jovens e tal, estão começando, né? Eu acho que a minha fase agora é mais de apoiar esses músicos e oferecer oportunidade e orar por eles e ajudá-los, né? Por exemplo, o novo Arautos do Rei agora, eles estão a gravar um novo trabalho. E toda a parte de orquestra, eles farão conosco lá. Quando eu voltar dessa viagem, nós teremos uma sessão de gravação lá, para fazer o novo projeto do Arautos do Rei. Então, hoje, acho que o meu papel é mais nessa...
de apoiar o Ministério e as pessoas que estão lá.
Mas vamos regressar ao passado, porque tem aqui uma foto de um quarteto que era o chamado Quarteto Mirim, ao qual tu fizeste parte também, não é? Que quarteto é este? Então, meu pai era pastor da igreja do Juvevé em Curitiba, e aí nós tivemos a presença do pastor Neil Wilson, que era o presidente da Conferência Geral na época. Ele era o pai do pastor Télio Wilson, que foi o presidente até recentemente. E aí eu tinha esse quarteto mirim aí, e nós fizemos a... foi feita a reinauguração desse templo, E aí nós participamos, tivemos a... Lógico, meu pai que conduziu o processo, né?
Mas a gente... Esse era um quarteto interessante, porque era um juvenis, né? Era uma coisa nova, ninguém estava fazendo isso. Então, a gente era convidado para cantar nas várias igrejas. Então, talvez foi meu primeiro trabalho, assim, que se tornou mais conhecido ali na região de Curitiba. Que idade é que tinhas naquela fotografia? 14 anos, nessa época. E com 14 anos já decidiste que é isto que eu quero fazer a vida toda? Sim. Foi muito cedo então essa decisão? Foi muito cedo. Foi muito cedo. Logo que eu comecei a estudar música, já estava muito claro para mim que eu gostaria de seguir nessa área. E tinhas facilidade em tocar piano? Ou exigia muito esforço? Ou se calhar uma fase em que tinhas que te esforçar muito até chegares àquele ponto em que fazias aquilo com mais naturalidade?
Eu tinha muita facilidade, mas, como todo bom adolescente, não gostava muito de estudar. Então, ficava sempre esse dilema, porque eu, com pouco esforço, acabava conseguindo o resultado mais fácil. Mas a gente foi equacionando isso aí. Eu lembro que quando eu comecei, A gente morava num prédio no Rio de Janeiro ainda, na Voz da Profecia, meu pai no Arautos e tal. E meu pai comprou um piano, só que ele comprou um piano muito ruim. E aí, um dia, eu estava estudando e bateram a porta de casa. Quando a gente abriu, era um vizinho de cima, um senhor bem idoso.
E aí ele se apresentou. Olha, eu sou maestro frutuoso viana. E aí foi uma surpresa para a gente, porque Frutuoso Viana é um dos grandes compositores eruditos do Brasil, né? E aí ele disse assim, ó, estou ouvindo e tenho duas coisas para dizer para vocês. Seu filho é muito talentoso, invista nele e tal, e troca esse piano, porque o piano é muito ruim, invista num piano também. E voltaste a cruzar com ele ou não? Sim, ele me levou na casa dele, mostrou fotos antigas, ele tinha foto que ele tinha com o Santos Dumont e tal, então foi bem interessante. E tu, por exemplo, tens ouvido absoluto ou quando estás a reger uma orquestra ou um coro é mais um dom natural que te permite perceber o que está errado ou é fruto de muita experiência?
É mais experiência. Assim, a minha história musical é interessante, Ezequiel, porque Naquela época, a gente não tinha o acesso a material musical, partituras, como se tem hoje. Recursos, né? Você tem a música no celular, então se você quer extrair alguma coisa e não tem partitura, rapidamente você vai lá no celular e busca. Eu cheguei a copiar música ouvindo em disco, colocando agulha. Ali, daí não dava certo, voltava, aí riscava o disco, depois veio a fita cassete... Escrever a música... Escrever música ouvindo, transcrevendo, né? E meu pai, ele estimulava muito isso, porque meu pai, ele sempre, mesmo depois de ter saído do quarteto, ele desenvolveu no ministério dele, a vida inteira, uma música muito presente.
Então ele pregava e cantava, pregava e cantava o tempo todo. E era assim, ele decidia que ia cantar uma música, não tinha partitura, se vira, você vai tocar. E isso com 13, 12, 13 anos, logo que eu comecei a tocar, então isso me forçou a um desenvolvimento muito grande nessa área de percepção, ouvir, extrair. Aí eu comecei trabalhar com gravação. Quando você trabalha com produção musical, quem é da área sabe que as pessoas, os artistas te trazem, às vezes, um áudio. E dali você tem que conceber toda a ideia, escrever o arranjo e tal. Então, tudo isso desenvolve muito esse lado de percepção, percepção musical.
Os alunos, meus alunos lá, eles ficam assim... surpresos, né? Eu, às vezes, preciso copiar uma música e falo, toca aí. E eu já vou escrevendo tudo o que eu ouço, bem rápido. Mas isso é muito mais fruto... Lógico que existe facilidade. mas é muito fruto da experiência de tanto tempo fazendo isso. A ideia que dá a quem acompanha o teu trabalho musical, o teu ministério, é que
tu tiveste sempre uma preocupação em te adaptar aos tempos que vivemos, no fundo. Ou seja, cresceste nos anos 70, 80, tornaste músico nessa altura, mas a própria forma como tu foste evoluindo enquanto músico foi também de adaptação aos tempos que vivemos. Tens muito essa preocupação de adaptar o teu estilo às necessidades, ou se calhar às tendências da altura, e mesmo até a nível técnico também. Também tiveste sempre esta preocupação em te atualizar. É correta esta leitura que eu estou a fazer? Sim, e isso tem muito a ver com o ambiente onde eu trabalho. Eu trabalho no UNASP a minha vida inteira. Eu comecei no UNASP Campo São Paulo, depois eu fui transferido para o UNASP Hortolândia, e depois para o UNASP Engenheiro Coelho.
Esse ambiente, que é um ambiente acadêmico, universitário e tal, você está o tempo todo lidando com jovens. E aí, assim, o ambiente que a gente vive, ele tem muitos talentos, muita, muita gente que vem e trazem a sua carga de cultura. Então vai mudando a linguagem o tempo todo e para quem trabalha com essa Com esse segmento, a educação e tal, você tem que estar antenado ao que eles estão fazendo, trazer para a sua linguagem, para estar... Sempre eu procurei estar, assim, alinhado com o pensamento, mantendo a nossa linha e princípios e tal, mas alinhado com pensamento musical da juventude.
E qual é, na tua ótica, o pensamento musical da juventude atualmente? Eu não sei que idades é que os jovens é que têm aqui em todas as aulas, 19, 20, por aí, não é? É, nessa faixa. Hoje eu trabalho mais com a turma universitária. O que é que tu consegues aprender com esta nova geração, geração TikTok, The Reels e por aí fora? Hoje é muito diversificado, não é? Antigamente você conseguia identificar mais claramente que linhas, todo mundo caminhava mais ou menos nessa direção. Hoje você encontra, assim, linguagens que vão aparecendo e são coisas súbitas, né? Vem, desaparece e tal e tudo mais. O momento atual é bem interessante. Desafiador também?
Sim, sem dúvida. Tens TikTok ou costumas ver as reels no Instagram? Eu vou mais no Instagram. O TikTok eu não... Sonhavas ter, por exemplo, uma música tua num reel, porque o que acontece atualmente é que as músicas mais badaladas entraram num reel de 15, 30 segundos e depois explodem, digamos assim. Como é que tu analisas este fenómeno, em que um compositor como tu, que fez centenas de músicas, depois vê o seu trabalho ali em 15 segundos, que pode ter uma escala e chegar a milhões de pessoas assim, sem se perceber muito bem? Eu converso com os meus alunos. Olha, é interessante porque hoje você não tem paciência nem para ouvir uma música inteira, de 4 ou 5 minutos.
É tudo assim muito... Lá em casa é uma briga, porque eu sou da época em que eu quero ouvir a obra inteira, o disco, com 10 músicas, para você ter o pensamento do produtor, que música iniciou e tal. Mas faz isso, sentas-te para ouvir música durante uma hora, ficas sentado com fones, ou qualquer coisa, e ninguém te pode ouvir. Eu comprei um vinil lá, estou começando a trazer as coisas do vinil, o próprio CD, né? Eu gosto de comparar as sonoridades de um de outro, né? Não ficar somente no streaming, né? Mas também é importante a gente entender que não é mais dessa forma que se consome música, né? Então é ir se adaptando. Eu mesmo, nessa fase final de Novo Tom, a gente concentrava grande energia para produzir esses conteúdos que são, porque hoje é a linguagem que acaba alcançando.
E que chega às pessoas. Sim. Lineu, vamos voltar então ao NASP, no caso ao IASP, onde tens o desafio do grupo
Tom de Vida, não é? Sim. Foi o primeiro grande desafio do teu Ministério Musical. Eu comecei no Campo São Paulo, regendo a orquestra. A gente não fala muito disso, mas foi um desafio grande para mim, porque eu não tinha nenhum conhecimento nessa área. Eu já trabalhava na época com coral, com arranjo vocal e tal, mas nada para instrumentos. Aí, de repente, o maestro decidiu, olha, eu estou indo embora fazer mestrado e você vai assumir a orquestra". E aí eu lembro que ele pegou uma grade e disse, ó, aqui são as flautas, você escreve assim, aqui o boé, a característica de cada instrumento. Ele me deu uma aula ali, a gente estava numa viagem, ele me deu uma aula rapidinha de orquestração e falou, você vai assumir.
E aquele foi meu grande desafio. Aí, três anos depois, eu fui transferido para Hortolândia e aí então começou a história do Tom de Vida, né? que é um grupo que existe até hoje, a gente começou em 1989, eu fiquei 10 anos com esse grupo. E foi uma história muito rica, porque muita gente, que hoje é conhecida no cenário musical, participou desse momento. Temos algumas fotos também. Temos uma aqui de 1988, que eu gostava que pudéssemos também ver, que nós também temos aqui preparada, que é uma foto do Lineu em 1988. Estás com quem aqui? Então, ali está a minha esposa, a Lani, E aí a minha cunhada, na outra ponta, aquela menininha do meio ali, eu não sei quem é.
Também não sei. Mas... Temos mais fotos ainda que eu gostava que pudéssemos ver também mais ou menos dessa altura. Aí a gente estava namorando, ainda não tínhamos casado. Mesma coisa. Aqui. É, 88, 89. Eu gostava ainda que pudéssemos ver mais uma outra foto. Esta aqui é com o teu filho, não é? Isso. Aí já é nos 10 anos, essa foto eu lembro bem, nos 10 anos do Tom de Vida. A gente fez um programa, trouxe os ex-componentes todos e lançamos um produto. Foi um programa que depois resultou numa cassete VHS, não é? Isso, isso. Ainda não havia DVD ou não sei se já... Chamava Dez Anos de Vida, Dez Anos no Tom.
Que foi de 1998 para... 1999. Exatamente. Ou seja, o DVD devia estar a partir... Isso marcou o final da minha participação em Hortolândia, né? Hoje que a gente chama de UNASP Campos Hortolândia. Na época chamava IASP, Instituto Adventista São Paulo. Sendo que depois fazes uma viagem de cerca de 100, 100 e poucos quilómetros para ires para o NASP Engenheiro Coelho, não é? Nem isso, são 60 quilómetros ali. E aí é que crias o grupo Novo Tom. Sim. Que terá sido aquele grupo mais ligado e mais, se calhar, intrincado à tua vida. Sim. Aí, no ano seguinte, em 2000, Na minha transferência, já havia a expectativa de que, além de trabalhar com coral e com aulas e tudo mais, que eu criasse um grupo.
A gente trouxe algumas pessoas que participavam do Tom de Vida e agregou com os alunos cantores de Engenheiro Coelho. E aí surgiu o Grupo Novo Tom. E já vamos falar mais sobre o Grupo Novo Tom. Vamos para o nosso primeiro intervalo neste programa com o Lino Soares e
voltamos já. TV Novo Tempo, o canal da família, o canal da esperança. Segunda parte do programa Olhos nos Olhos. Estamos com o compositor, o maestro, o pastor Lineus Soares. Estamos a falar um bocadinho sobre estes tempos, anos 90. Agora começamos com os anos 2000, onde temos o grupo Novo Tom. O grupo Novo Tom marca uma nova geração de músicos e, se calhar, um estilo musical que a Igreja Adventista no Brasil ainda não conhecia e terá sido, talvez, o grande corajoso, usar-se esta palavra, de conseguir assumir este estilo. Na realidade, Ezequiel, no momento em que as coisas acontecem, você não pensa muito nisso, né? Você tem uma demanda, trabalha num colégio, muitas pessoas talentosas, o desejo de fazer um grupo, a necessidade, o colégio apoiando essa ideia, para que aquilo seja um veículo também de comunicação, de tornar o colégio conhecido.
Lembra que nessa época, é bom considerar isso, o Naspe Engenheiro Coelho, ele estava em formação. Pra muitas pessoas, era aquele colégio que ficava no meio do barro, as estradas eram de terra, quando chovia, encalhava, os tratores tinham que ir lá. Então, se tinha uma visão do Nasco Engenheiro Coelho, assim, muito de, muito embrionária, né? Estava nascendo, as coisas acontecendo. Então, o Grupo Novo Tom, ele surge também nesse momento. de ajudar a tornar conhecido esse novo colégio, que hoje é uma grande referência. E a verdade é que foi bem sucedido, porque o Grupo Novo Tom tinha pessoas que ajudaram muito a projetar o colégio, por estarem ligadas precisamente àquele grupo ao colégio.
Sim, sem dúvida. E aí a gente teve a oportunidade de viajar para todas as regiões do Brasil, E é nesta altura que surge o Melhor Lugar do Mundo, que eu creio que é mesmo o título do primeiro CD do Novo Tom. Sim. Foi mesmo. Recordas-te desta composição do Melhor Lugar do Mundo, que depois mais tarde verias-te à Noinar, e que acredito que a maior parte das pessoas que nos vão ver conhecem. O porquê de ter nascido esta música? Essa música é interessante, porque na época a minha esposa estava grávida, da Laura, e eu tive uma doença Eu nem vou lembrar o nome agora, mas essas doenças que estouram coisas no corpo, assim, nem ficou definido direito qual delas era, né?
E para não ter nenhum tipo de... era contagiosa, para não ter nenhum risco, eu fiquei isolado. Então, a minha esposa ficou em casa e eu fiquei na casa da minha sogra ali o tempo todo. E foi justamente nesse período que eu estava trabalhando na música O Melhor Lugar do Mundo. O Valdeci tinha me trazido um protótipo da letra. E foi uma música muito difícil, porque eu tentei vários caminhos musicais e parece que eles não se encaixavam. Interessante que eu até tinha essas ideias todas guardadas lá no computador. Um dia desses eu vi e comecei a dar risada, porque não combina, né? Depois que você se acostuma com a linha melódica, parece que mais nada combina com aquele texto, né?
Mas tu encontraste no computador o quê? As outras ideias de partitura que eu fiz com outras músicas em cima da... Mas não te lembras nenhuma delas? Não lembro. Mas então foi num lugar isolado que escreveste a música para o melhor lugar do mundo. Sim. E aí depois a gente começou a ensaiar e essa música ela ganhou assim uma repercussão muito intensa. Eu acho que muito também pela mensagem que apresenta, que é uma mensagem muito acessível a todos. A gente vive num mundo em que algumas coisas, elas são restritas para as pessoas que têm condição, que têm dinheiro e tal.
Mas no plano espiritual, se você está com Deus, independente do lugar que você esteja, independente da sua condição, seja rico, seja pobre. Naquele lugar se transforma no melhor lugar do mundo pela presença de Deus. Então, parece que as pessoas se identificaram com isso e aí começaram a cantar. E foi uma coisa muito interessante, né? Porque o melhor lugar do mundo não é uma música congregacional. Mas as pessoas absorveram tanto que aí começaram a vir os pedidos. Não, a gente quer cantar essa música na semana de oração, num programa evangelístico e tal, e ela acabou se transformando num hino que todos cantam.
Qual consideras ser a tua música mais conhecida? Será mesmo essa o melhor lugar do mundo? O Melhor Lugar do Mundo, Falar com Deus, é outra música até no meio, em alguns lugares ela é até mais conhecida do que O Melhor Lugar do Mundo, porque foi traduzida, né? Tem várias em versão em inglês, em espanhol, em italiano. em russo, alemão. Então, a música ganhou bastante ao crescer. E quando ouves noutras línguas, o que é que sentes? Já aconteceu dias alguma, por acaso, de teres ouvido alguém a cantar essa música noutra língua e não saberem que tu estavas lá? Ou ainda não te aconteceu isso? Não. Isso não aconteceu. Mas eu recebo vídeos, né? Esses dias eu recebi um vídeo lá da Cazaquistão, né? O pessoal estava cantando lá.
A minha sobrinha está estudando na Itália. E aí, toda vez que canta, ela me manda a versão italiana. É muito interessante. E em que momento... Quantas composições fizeste, Lino? Tens ideia, mais ou menos? Não tenho ideia, Riquelme. Mas, duzentas, trezentas? Por aí, por aí. Mas, quando tu pegas uma música, ou crias uma música, como por exemplo, O Melhor Lugar do Mundo, ou Falar com Deus, em que momento é que tu sentes, esta música vai perdurar durante gerações? Quando é que te aconteceu isso, por exemplo, com O Melhor Lugar do Mundo? O meu pensamento como compositor é sempre tentar construir algo que faça sentido para mim, musicalmente falando, e que tenha esse sentido de permanência, que não seja só aquele produto de consumismo imediato, como a gente tem muito hoje.
Músicas que acontecem, são muito cantadas, mas passou aquele momento elas caem, acabam não sendo... Assim, não existe uma fórmula para isso. Mas a partir de referências, eu acho que o processo artístico, ele parte muito daquilo que você ouve, daquilo que você observa e tal, e tudo isso ele acaba influindo, né? Eu procuro ouvir bastante coisa de estilos diferentes, desde a música clássica até a música popular, aquela música de boa qualidade, né? Que você percebe que tem essa característica da... da durabilidade. E quando é que tu desconfias que esta música vai ter uma projeção muito grande, mesmo no momento em que estás a compor?
Já começas a imaginar isso ou não? Ou não tens noção nenhuma? É mais da repercussão que vem depois. Só depois da... A despeito de existirem muitas músicas que são, na minha avaliação, muito boas, de bastante qualidade, mas não são necessariamente músicas que que todo mundo canta e tudo mais. São músicas bem aceitas, mas de nicho. Elas alcançam nichos diferentes ou pessoas que... Mas não são músicas que estouram. E alguma música, assim que tu olhas para ela e dizes, não percebo, esta música encanta-me a mim de uma forma quase como nenhuma outra, mas parece que nunca... Há alguns exemplos de composições tuas que tu sentes que deveriam ter tido maior projeção e nunca tiveram?
Há, tem várias. Várias. Uma que eu gosto muito, Perdão, Senhor. O próprio O Amor é Jesus, é uma música que eu gosto muito e também não tem tanta projeção. Eu sei que ele vive. Tem uma série de músicas aí que... Eu diria assim, são músicas ricas, mas por alguma razão elas não aconteceram muito. Algo também que pertence a estes colégios no Brasil, o sonho de muitos deles, dos estudantes que lá estão, que lá vivem também, é pertencer aos coros, aos corais, aos corais jovens, etc. E durante muitos anos, não sei se ainda é assim que acontece, eras tu quem fazia os exames, ou as provas, digamos assim, para alguém pertencer, seja aos grupos, seja aos coros.
O que é que tu procuras numa pessoa para dizer, esta pessoa reúne as condições necessárias para pertencer a um grupo, a um coro, ou o que seja? O que é que procuras num cantor? Isso é muito intenso no colégio, porque você faz 200, 300 testes por ano, né? Para selecionar acento e poucas vozes ali, né? Hoje não tanto, porque você tem vários corais, né? Mas na minha época, quando eu dirigia, era um coral só. O que implicava uma exclusão de alguém que sonhava cantar e não poderia ser aceito. Então você tinha, assim, uma margem pequena de pessoas que você dissesse assim, não, isso aqui tem um potencial. imenso, não somente para coral. Ele vai passar para o coral, vai desenvolver, porque é muito jovem, precisa amadurecer e tal, mas aqui tem potencial para cantar num grupo, depois fazer uma carreira solo, como aconteceu com muitos, né?
Joyce, Riane, Leonardo Gonçalves, isso só para citar alguns, né? Pedro Valença e tantos outros que começaram nesse processo. Faz o teste do coral, já demonstra muita capacidade. E aí participa do processo e depois segue em outros caminhos. Então essa é a faixa pequena. Aí você tem ali a grande maioria de pessoas que cantam normal. Nem são grandes expoentes e nem são pessoas que, você diria assim, não teriam condição de participar. Esse é o maior desafio, porque aí você tem 200 pessoas ali. E você tem outra faixa pequena, mais ou menos similar a esses. esses ótimos de pessoas que aí são desafinadas, que não teriam condição, né?
Então aí você fica com aquela grande massa de gente que canta tudo mais ou menos igual, né? Eu já usei de tudo, todas as estratégias, né? Meus códigos para tentar identificar e aí filmar o teste para reconhecer depois, porque depois de 300 testes é difícil você lembrar, né? Isso angustiava-te de alguma forma, teres que excluir alguém? Tirava-te o sono? Eu lembro que na época do IASP, no ensino médio, tem muita essa coisa passional. O coral é aquela coisa que as pessoas sonham. Vão para o colégio mais do que para estudar, mas o sonho é cantar no coral do IASP. Então, eu lançava a lista dos aprovados e desaparecia.
Desligava o celular e tal, porque eu já sabia que vinha um monte de cobrança e tudo mais. Já deste aí três ou quatro exemplos de pessoas que tu ouviste e que depois
seguiram uma carreira musical, mas recordas-te de alguma apresentação que te impressionou realmente porque não conhecias aquele jovem e ele foi ali apresentar-se pela primeira vez e tu ficaste encantado. Recordas-te de alguma história assim? Olha, eu lembro bem que quando Pedro Valença veio fazer um teste, na realidade não foi nem no teste. A gente selecionou o coral e aí, em seguida, a gente sempre faz o retiro. O retiro é uma atividade para socializar, para o pessoal se conhecer, começar os primeiros ensaios e tal. E eu lembro que a gente fez isso e, nesse retiro, o Pedro já trouxe um grupo para cantar lá, fazer uma mensagem musical num dos cultos das meditações lá.
E, naquele dia, eu me impressionei bastante, não somente com o Pedro cantor, mas com o Pedro compositor, porque lá ele já trazia uma ideia de música, assim, diferente, né? Hoje em dia, você vê uma... É, um grande número de músicos que compõem, criam suas músicas e tal. Mas alguns se sobressaem porque trazem linguagens diferentes do que está se fazendo, né? E eu lembro que o Pedro, nesse dia, ele me chamou a atenção, porque ele, além de cantar muito bem, ele trouxe uma música de autoria dele. numa linguagem assim que ninguém estava esperando.
E aquilo ali foi um embrião do grupo que hoje é um grupo super conhecido, que é o Vocal Livre. Começou assim? Começou do coral, alguns já se conheciam, vinham de São Paulo, aí outros foram agregados e o trabalho foi crescendo. Que músicas é que ouves atualmente? Eu não sei se tens Spotify, como tu tens o vinil, se calhar usas Spotify também, ou Apple Music. Eu uso Apple Music. Se eu te pedisse para abrires aí as tuas playlists, que músicas é que iríamos encontrar? Olha, eu gosto um pouco de música popular brasileira, especialmente os mais clássicos. A turma da Elis lá, a filha dela, eu gosto bastante. O Pedro Mariano também.
O que mais? Gosto um pouco de música internacional, dos cantores mais clássicos da música pop americana. Gosto muito de música erudita, a gente frequenta os concertos da da USESP, que é a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. Então, a gente sempre está entrando em contato com obras que a gente não conhecia, e aí eu gosto de depois ouvir e mergulhar um pouco nesse repertório e tal. Assim, as coisas clássicas, né? Take Six, por exemplo, eu até hoje sou uma pessoa que... Take Six, para mim, é um estudo de caso, né? Porque um grupo que permanece há quase 40 anos Eu lembro que a primeira vez que eu vi o Take Six foi em 1988, e eles permanecem até hoje e tem dois componentes só que mudaram, dos seis componentes.
Então, para mim, é uma história muito interessante de manter o ministério, e que é o ministério, eles reconhecem isso e são reconhecidos dessa forma, um grupo religioso, a despeito de fazer música no meio do jazz e tal e tudo mais. Tenho que fazer esta pergunta, Lina, que os nossos espectadores certamente estão a perguntar. Música portuguesa, há alguma coisa que tu conheces de música portuguesa? Conheço muito pouco. Preciso conhecer mais, porque tenho vindo tantas vezes aqui, deveria conhecer mais. Mas ainda assim não chega, por exemplo, a Mali Rodrigues, que é talvez a nossa maior referência, não chega ao Brasil. Muito pouco. Nem Marisa, Fado, assim, nem estou a falar de música cristã, estou a falar dos grandes nomes da música mais secular em Portugal, da própria cultura portuguesa, não chega ao Brasil.
Chega a pouco. É, muito pouco, não é? É. Pena. Lina, vamos para o nosso último intervalo e voltamos já a seguir neste Olhos nos Olhos. TV Novo Tempo, o canal da família, o canal da esperança. Terceira e última parte do programa Olhos nos Olhos com o Líneo Soares. Falamos já de composições, falamos de reels, de Apple Music.
Agora vamos falar do Inário. Eu tenho aqui os dois Inários, o Inário Adventista do sétimo dia, que resultou de um trabalho que fizeste nos anos de 1900 e 96. E este mais recente, de 2000 e... 2021. Estiveste num deles de uma forma mais operacional, no outro integraste mesmo a comissão que definia quais eram os hinos, é isso? Na realidade, eu tive mais ou menos a mesma atuação. Só que nesse de 96, a equipe era menor. A gente trabalhava assim de uma forma um pouquinho mais autônoma, né? Era uma equipe aí de seis, sete pessoas e a gente fez um longo trabalho de pesquisa de material e tal, orientado pelo Pastor Tercio, que era o presidente da comissão na época.
E não existia, na época, a perspectiva de gravar o Inário, a gente estava trabalhando no repertório para formar. o Inário, né? E aí, então, ao finalizar o Inário, surgiu a ideia de produzir os CDs do Inário, né, então nós fizemos 31 CDs na época, isso foi feito num período de dois anos e meio, ficou pronto no final de 99. E foi um trabalho, assim, com uma equipe mais reduzida. Quando chegou agora, em 2020, foi um projeto mais abrangente. Tinha o olhar da divisão sul-americana, a presença maciça da editora, da casa publicadora brasileira e tal.
Muita gente trabalhando num período bem mais reduzido. Linião, já agora também explicar aos nossos espectadores em que consiste o Inário. No fundo é um livrinho, como podem ver, em que praticamente em cada página tem um hino, tem uma música para se cantar de forma congregacional. Eu ao preparar esta entrevista li um bocadinho sobre a história da música adventista no Brasil e não sabia que o primeiro Inário era só de composições alemãs. que tinha mais de mil hinos e que, no fundo, nos primórdios, em 1890, quando o adventismo chega ao Brasil, era assim que quem queria congregacionar na altura procurava, era importar músicas da Europa. Agora é um bocadinho ao contrário, agora é a Europa que importa músicas do Brasil, não só em Portugal, em Espanha também acontece, e outros países um bocadinho mais latinos.
Mas a minha pergunta é, Lineu, qual o critério para uma música ser adaptada e estar num livro como este, num inário? No teu entendimento, como é que é um canto congregacional? Olha, tem duas situações. Primeiro, é pensar naqueles cânticos em que você já tem uma boa aceitação da comunidade. Então, com o passar do tempo, a igreja canta hinos que não estão do inário. No caso do Brasil, por exemplo, os hinos do Heraldos do Rei, o Melhor Lugar do Mundo, por exemplo, que era um hino do grupo, e aí a igreja assimilando e tal, quando chega o momento de escolher o repertório pro inário, esses hinos são considerados, porque eles já passaram por um teste de aceitação congregacional.
A segunda situação é a seguinte, foi... nesse inário específico houve a preocupação de ter uma sessão para cada crença fundamental adventista. E aí, é lógico, quando você fala de Deus, quando você fala de trindade, quando você fala da adoração, de louvor e tal, você tem muitos hinos. Mas quando você vai para o sábado, quando você vai para um santuário e tal, aí a ausência, faltam hinos. Então, nesse caso, você encomenda alguns hinos. tentando manter essas características, que sejam mais congregacionais e tal, para que esses hinos, de certa forma, eles preencham essas lacunas.
Mas, via de regra, a presença de hinos que são bem aceitos pela igreja, naquela geração. Você mencionou dos primeiros hinários que vêm da tradição europeia, e o Brasil manteve isso durante muito tempo. No Cantar e ao Senhor, que é o inário anterior a esse aqui, não tinha nenhum hino de autor brasileiro, nenhum hino. E quando a gente trabalhou na comissão, nós ficamos surpresos, porque em determinado momento lá, na nossa mente, nos membros da comissão lá, Não cabia, parece que para o Inário poderia somente ter a presença de hinos de autores que já faleceram e tal, que fazem parte da nossa tradição não adventista, mas que herda dos nossos irmãos, batistas, presbiterianos e metodistas, as igrejas evangélicas tradicionais.
Mas aí pensou, não, o Brasil não tem uma produção tão intensa de hinos, por que a gente não pode absorver alguns desses hinos? Então, nesse NAR aqui de 96, a gente tem a presença aí. de uma parcela representativa de compositores brasileiros. E aí quando chega no outro aqui, aí então isso abriu, né? Então a gente tem quase um terço do inário aí de compositores brasileiros. Composições tuas são 20, não é, à volta disso? Os Jader são também imensas. Os Jader, acho que 25, 26. E aí, dezenas de outros compositores. Faltaram dos compositores portugueses. Agora que eu estou me relacionando mais com a música portuguesa, eu fico pensando, puxa, se eu conhecesse naquela época, eu teria indicado várias canções do Pastor Pedro e de outros que têm feito coisas lindíssimas também em Portugal.
Lineu, já que falamos em compositores portugueses, há um jovem, muito jovem, que também compõe, que gravou uma mensagem com uma pergunta para ti. Vamos ver. Olá Alineu, sou o Caleb Reis, sou do Porto, de Portugal. Gosto muito de compor e de cantar. Mas sobre a composição, tu tens muitas músicas que tocam os corações de pessoas ao longo de várias gerações. Como é que tu fazes para ter esse tipo de músicas que tocam as pessoas? É uma fórmula que tu tens? É uma coisa que sai naturalmente? Obrigado. Não existe uma fórmula. É lógico que o compositor precisa estar antenado com a linguagem do momento.
Mas, às vezes, você tenta, e até é intencional, né? As pessoas esperam que você combonhe uma música que tenha grande aceitação. E você tenta pensar, não, houve referências de músicas que são bem conhecidas e tal, mas a música acaba não acontecendo. E, às vezes, aquela que você não espera, ela acaba tendo grande aceitação." Mas é lógico que, ao compor, você precisa usar como referência músicas que são fruto do seu tempo, fruto daquilo que é ouvido naquela geração e tudo mais, para ter, de alguma forma, alcançar esse propósito. Linel, temos também um último vídeo de alguém que também quis gravar uma mensagem para ti.
Linel, é muito bom estar aqui nesse momento podendo agradecer pela sua vida, pelo seu ministério, por tudo aquilo que você tem feito com tanto carinho, com tanto amor e com tanta dedicação para a honra e glória de Deus. Você começou muito cedo, sua formação, seus pais te incentivaram, você estava envolvido no ambiente da música, desde pequeno com teu pai que cantou no Heraldos do Rei, depois você nos internatos, você pode crescer muito, desenvolver seus talentos, quantas produções você já fez, quantas composições você já fez, quantas pessoas você já ajudou, já fez crescer, hoje como professor também, Então eu oro pra que Deus continue te abençoando.
Ele te deu o privilégio também de você fazer o inário, a parte musical do inário que a gente acabou de aposentar. E desse inário novo, quantas bênçãos Deus tem derramado na tua vida e por consequência na nossa vida, na nossa família, no Lucas, na Laura e na minha vida também. Que Deus continue te protegendo, te abençoando e guiando os teus passos até que Ele venha. A Lani é a grande parceira, é a que conhece... afundo toda essa história, que tem muita história bonita, muita história positiva, mas também tem os seus momentos de impasse, de reflexão, às vezes você precisa ir para uma outra direção, e é aquela pessoa que aconselha, que ajuda, que orienta, que apoia, que sabe entender, às vezes, um momento difícil em que a gente precisa abrir mão um pouquinho do lado pessoal, do lado familiar, para poder atender as necessidades do trabalho, as necessidades da igreja.
Então, o meu sentimento é recíproco, de gratidão, porque Não haveria o alcance que teve até aqui se não tivesse a presença da Alane, de forma muito intensa, em todos os momentos nessa história. Costumas mostrar-lhe as músicas que compões antes de qualquer outra pessoa mostrar dela. Sim, sim. E já teve experiências muito interessantes. A Alane tem um filtro fantástico. E algumas vezes eu chegava todo empolgado e ela dizia assim... Não. Isso aqui não ficou bom. Então, é importante esse olhar crítico inicial, porque quando você participa de um processo criativo, normalmente você está emocionalmente ligado com aquilo.
E aí a visão de uma pessoa que conhece o trabalho e tal, mas não tem esse mesmo envolvimento. Isso acontece com o Valdeci, por exemplo. Ele faz a letra, me passa a música e aí, naturalmente, antes de lançar, a gente vai discutir junto. E algumas vezes a reação dele não é a mesma que eu tive. Às vezes é até superior, eu nem achei que tem tanto por um caminho assim positivo, mas ele enxergou muito, de forma muito positiva. E outras vezes o contrário, já houve situações em que eu decidi deixar aquela aquele caminho e tentar outro caminho, porque a repercussão inicial, tanto da Lane como do Valdecir ou outras pessoas próximas, eu percebi que não foram, não foram as melhores.
Mas ainda continuas a compor com o Valdecir, essa parceria ainda funciona? Sim. Não com a mesma intensidade com que fazíamos, mas a gente ainda trabalha, inclusive temos um trabalho para fazer aí, dois trabalhos para a divisão, inclusive, um na área de criacionismo, Ele já até fez a proposta, é eu que estou devendo a parte musical. E o outro para a Semana Santa do ano que vem. A divisão sempre está produzindo material para ser lançado por ocasião da Semana Santa. E a música tema do ano que vem é para ser nossa.
Líneo, mesmo para terminar, eu tenho aqui algumas perguntas que eu gostava de fazer de resposta rápida, aquilo que nós chamamos o nosso pingue-pongue, mas responderás como quiseres, que eu gostava de ouvir a tua opinião. Um hino que te marca muito. Ah, muitos hinos me marcam, mas eu gosto muito do hino Face a Face. Sempre me marcou muito esse hino. E uma música que te marca? Eu vou puxar aqui algo que me marca muito, tem muitas coisas que me marcam, né? Mas o concerto número dois de Rachmaninoff para piano é uma música muito forte para mim.
Um compositor. Um compositor, da igreja ou...? Tu quiseres. O que eu quiser. Tchaikovsky. Um maestro. O maestro Eleazar de Carvalho, um dos grandes maestros da orquestra, com quem eu tive a oportunidade de cantar algumas vezes, porque o maestro, ele convidava o coral adventista e aí a gente participava, né? Eleazar de Carvalho. Um grupo vocal. Um grupo vocal, o Take Six. Uma voz. Uma voz. Tem várias vozes que... Agora vai ser injusto com quem não disser.
Mas vamos aí, olha, David Phelps eu acho que é um grande cantor. É um cantor conhecido, mas com grande recurso vocal. Um instrumento? Um instrumento... Trompa. Preferes uma partitura ou tocar de improviso? Acho que o improviso, quando você assimila bem a partitura, o que está proposto, e aí você pode criar em cima, né? Toca um pouquinho mais livre. Preferes o estúdio ou o palco? Acho que gosto um pouquinho mais do estúdio.
E preferes reger ou compor? Eu prefiro reger. Compor é uma atividade que dá muito prazer depois de pronto, mas o processo em si é árduo. Uma característica indispensável num cantor? Olha, eu acho que para o cantor se tornar um solista, assim, ele deveria sempre passar por um grupo, por um coral, antes. É incrível. Quem não viveu a experiência de grupo, acaba se tornando um solista com recursos limitados. O que é que mais te irrita no ensaio? O que mais me irrita é quando o ensaio não rende, por isso que eu tento tornar os meus ensaios o mais dinâmico possível, porque do ponto de vista de quem está participando, do cantor ou do instrumentista, É chato você perceber que não rende.
O que é que te emociona mais numa apresentação? A riqueza musical, também não dá para mensurar muito isso, porque tem aquele momento que você não sabe explicar muito bem por que se emociona, mas algo acontece, e isso acontece geralmente quando você tem uma música de muita qualidade, uma apresentação, assim, muito grandiosa, que mexe com você. Um conselho que nunca esqueceste? Dedicar os talentos, toda a energia para fazer música na perspectiva correta.
Sempre a minha vida inteira eu fui levado para isso, de usar essa oportunidade que Deus me dá para fazer o trabalho dEle e exaltar o nome dEle. Um outro conselho que eu procuro sempre, sempre recebi isso, e procuro usar no meu ministério, é de criar novas oportunidades, ter uma boa relação com aqueles que estão vindo, criando oportunidades, dando espaço, porque é nesse contexto em que a música vai continuar avançando. Um sonho que já realizaste e um sonho que gostavas de realizar?
Eu acho que eu já realizei meus maiores sonhos aí de compor, de arranjar, de escrever, de fazer um musical, de gravar uma orquestra inteira. Tenho alguns sonhos, mas não são de coisas que não realizei ainda, mas de fazer outros projetos na linha de musicais e revisitar repertórios que foram muito importantes, com nova linguagem e tudo mais, escrever novas obras e tal. É mais ou menos por aí. Lineu, olhando para a tua trajetória de vida, enfim, para a imensidão de coisas que estiveste envolvido, de projetos, Se alguém algum dia quisesse escrever uma música sobre ti, qual era o título que gostavas que essa música tivesse?
Olha, serviço, não é? Eu acho que é uma música sobre serviço, sobre dedicação, sobre missão, sobre envolvimento, alguma coisa nessa linha. Alguém para servir, algo assim desse género. Tu composeste uma que era Viver para Servir, não foi? Viver para Servir, sim. Não poderia ser essa? Uma das primeiras músicas que eu fiz em parceria com o Valdeci. Lino, foi uma honra poder ter estado contigo aqui e que Deus continue a abençoar esse teu ministério que é incrível e que continua a chegar a tantas pessoas. Muito obrigado, igualmente. Foi uma grande honra estar aqui.
Descubra a história inspiradora por trás de hinos marcantes como "O Melhor Lugar do Mundo" nesta conversa exclusiva com o compositor Lineu Soares.