Olá, seja bem-vindo ao programa Olhos nos Olhos, aqui na TV Novo Tempo. O nosso convidado nasceu no Rio de Janeiro, cresceu no Paraná e, segundo a mãe, era um verdadeiro furacão. Hoje continua a ter uma vida em movimento e não é só por amar correr. Viaja pelo Brasil e pelo mundo como pregador e evangelista voluntário. Jefferson Araújo é o rosto dos programas, dos projetos e programas Última Verdade, Presente e Grande Conflito. Nas redes sociais, nas igrejas e na TV fala da Bíblia e das profecias. Em casa é o marido da Bruna, com quem começou a namorar ainda adolescente. e com quem construiu uma história que também conheceu momentos difíceis. Nesta conversa vamos conhecer o percurso que o levou ao Ministério, perceber o que significa ser e viver como evangelista voluntário e falar de como os desafios que tem enfrentado em 38 anos de vida têm moldado a sua fé e a mensagem que partilha.
Fica connosco porque vamos estar com Jefferson Medeiros de Araújo, olhos nos olhos.
Olá Jefferson, bem-vindo. Olá Ezequiel, muito obrigado. Antes de mais agradecer o facto de estares connosco, aproveitamos uma viagem tua das seis que já fizeste ao nosso país para podermos gravar este programa aqui nos estúdios da TV Novo Tempo. Falava de que nos teus 38 anos de vida já tiveste muitos altos e baixos. Acreditas que a tua vida pode inspirar alguém que vá ver este programa? Eu acredito que sim. É sempre um desafio, especialmente em nossa geração, desenvolver uma vida que seja inspiradora. Mas eu acredito que tenha experiências que sirvam de inspiração, que sejam úteis, que ajudem pessoas a superarem seus desafios, a vencer as suas barreiras.
Eu creio que nos 38 anos de vida que Deus me deu, até os meus cabelos acabam refletindo um pouco disso, dessa experiência. Eu acredito que tenho algo para dividir que seja útil na vida das pessoas. Nasceste nos anos 80 no Rio de Janeiro. Nasceste numa região do Rio de Janeiro mais difícil, numa favela, podemos chamar assim? Sim, eu nasci numa região chamada de Morro do Caju. Fica numa zona do Rio de Janeiro, eu diria um pouco mais marginalizada, controlada. Hoje no Brasil existe uma discussão até a respeito disso, prefere-se utilizar o nome comunidade.
Aquelas questões do politicamente correto... Mas naquela altura era o nome que... Era o nome que se usava, exato. E eu particularmente chamo até os dias de hoje. Então era uma favela chamada de Favela do Caju e eu nasci e fui criado ali até os meus nove anos de idade, foi quando então tive a mudança aí com a família. Nove anos já és uma criança, quase um pré-adolescente. O que é que te recordas desses nove anos a viver? numa comunidade, como queiras, controlada, presumo eu, não pela polícia, mas por algumas organizações criminosas lá dentro. Sim. O meu contexto lá, graças a Deus, eu fui presenteado com uma família muito boa. Então, apesar de viver dentro de uma situação um pouco delicada, nesse contexto de favela, Mas eu tive um pai e uma mãe que me deram uma estrutura familiar bastante positiva.
Pais que valorizavam a família. Graças a Deus, inclusive, os meus pais permanecem casados até os dias de hoje. Me deram uma estrutura religiosa positiva também. Meus pais são católicos e, na ocasião, me incentivaram, a mim e ao meu irmão, sempre a frequentar a igreja, a fazer a catequésia, a primeira comunhão, depois, na nossa mudança, a crisma. Então, nós tivemos um contexto religioso muito positivo. Eu tenho uma foto dessa altura, vais-me ajudar se realmente foi nessa altura ou não. Esta foto aqui, vivias, então, no Rio de Janeiro ainda, terias de quê? Um ano, dois anos, não sei? Eu acredito que, nessa época, um ano, talvez. E isto é em tua casa, lá na comunidade. Na comunidade, exato. E como é que era? Se tu ias à rua, brincavas, tinhas amigos, como é que tu te recordas destes anos?
Sim, sim. Lá no Brasil, pelo menos onde eu venho, no Rio de Janeiro, nós chamávamos de pique-esconde. Era uma brincadeira que nós gostávamos muito. E como na favela existem muitos, eu acredito que aqui em Portugal vocês chamam também de becos. E lá tinham muitos becos espalhados pela favela. Então, nós gostávamos muito de brincar nas ruas e esconder para um lado, para o outro. Então, foi uma infância, eu diria, agradável, apesar de viver num ambiente delicado. Lembro dos meus pais sempre conversarem comigo e me conscientizarem a respeito de questões ligadas à sexualidade, principalmente à criminalidade e uso de drogas. A minha mãe sempre foi muito direta. Ela nunca se eximiu de ser aberta comigo e da responsabilidade de tanto comigo quanto com o meu irmão nos orientar a respeito desses problemas que eram os problemas reais da favela de onde nós vivíamos.
Podemos dizer que o teu caso, tu és fruto de algo que não o meio em que tu nasceste, Ou seja, poderias facilmente ter entrado no mundo das drogas ou no mundo da criminalidade, mas apesar de teres crescido nesse meio envolvente, nunca caíste, digamos assim, nesses meios? Graças a Deus não fui influenciado. E como é que tu explicas isso? Então, até mesmo é um problema porque nós sabemos que Existe uma visão, inclusive uma visão de psicologia, que defende essa ideia de que nós somos influenciados pelo meio que vivemos. E eu acredito nisso. Não há como negar que nós realmente somos o produto do meio. A questão é que nós também somos ou temos a possibilidade de fazer escolhas.
É lógico que no meu caso eu tive o privilégio de ter pais que me ajudaram, que me orientaram, então eu tinha, digamos assim, as duas pílulas à mesa para escolher. E, graças a Deus, eu acredito que fiz a escolha certa para a minha vida, apesar de, inclusive, ter alguns membros da minha própria família que fizeram escolhas erradas, mas, no meu caso, eu agradeço muito a Deus por isso também, porque se eu fosse colocar sobre mim apenas essa capacidade de tomar as decisões corretas da minha vida, eu seria injusto. Eu não sei por que razão Deus age dessa forma, mas eu creio que Deus foi muito gracioso comigo e me ajudou a ter um discernimento para tomar decisões que me levassem para um rumo diferente daquele do contexto de onde eu vim.
Com nove anos mudas para o sul do Brasil, sais do Rio de Janeiro, desces mais um pouco para Curitiba, capital do Paraná. Como é que foi essa mudança, recordas-te?
Foi desafiador, principalmente para uma criança. Eu acredito, inclusive, que filhos de pastores vivem muito essa realidade, porque você desenvolve amizades que são fruto ali das suas brincadeiras e é meio decepcionante, é frustrante deixar os amigos. Então, para mim, foi um pouco difícil. Eu me recordo de ter ali os meus momentos de choro, de tristeza, porque eu tinha pelo menos um amigo chamado Tiago, que era um grande amigo ali da favela de onde nós vivíamos. E pra mim foi um pouco triste saber que nós estaríamos agora separados aí por uma distância bastante longa. Ainda tens contato com o Thiago? Não, não. Não sabes nada sobre ele. É, perdi. Foi, enfim, o afastamento aí acabou dificultando e como a gente é criança, na época ainda nem tínhamos esse acesso fácil da internet, das redes sociais, então eu perdi completamente o contato com ele.
Mas, no geral, foi muito bom. A nossa adaptação foi rápida. Sofremos com frio, porque a região sul do Brasil é muito fria, em comparação com o Rio de Janeiro, que é muito quente. Mas, no geral assim, foi uma mudança positiva. Mas a tua adolescência sempre foi marcada por seres um menino certinho. A verdade é que a tua mãe dizia que tu eras um furacão, não é? Tu destruías tudo, não sei como é que era, mas, apesar disso, eras uma, se calhar, uma criança imperativa, mas, ainda assim, sossegada ao mesmo tempo, no sentido em que os teus comportamentos eram todos muito uniformes, ou não? Talvez se hoje fosse feita uma análise do meu comportamento naquela época, é possível que sim, que eu fosse diagnosticado com hiperatividade, não sei. Não conseguia ficar muito tempo parado, eu gostava muito de brincar, de correr, dei muito trabalho para minha mãe.
Quebrei algumas partes do meu corpo nessas brincadeiras, braços, cabeça, enfim. Então, eu era muito ativo. Na minha adolescência, Meu comportamento mudou um pouco. Diria que eu, graças a Deus, nunca tive nenhum vício. No entanto, eu tinha algumas dificuldades de relacionamento com a minha mãe. Talvez por conta da influência da minha avó. Minha avó sempre foi muito protetora quando meus pais tentavam me disciplinar. Mas eu acredito que também tinha influência de alguns ídolos que eu tinha na minha vida. Eu gostava muito do Eminem, por exemplo. Gostava de dançar hip-hop, gostava muito de funk, por causa do meu contexto também no Rio de Janeiro, e são músicas que acabam gerando em você alguns comportamentos meio rebeldes, né?
Ou seja, a música fazia parte de ir na favela do teu dia-a-dia, presumo? Sim, o funk é parte do contexto cultural da favela. Estamos a falar do início dos anos 90, mais ou menos? Início dos anos 90, e aí depois, quando me mudei para Curitiba, eu ainda carreguei isso comigo para lá também, já estamos falando aí dos anos 2000, né? Então, o funk e o hip-hop, o rap, faziam parte do meu contexto cultural na área da música. E isso moldava um pouco a minha personalidade. Eu era um pouco rebelde, eu não aceitava que a minha mãe desse a última palavra quando ela tentava me disciplinar, gritava com ela, falava mais alto do que ela. Então, foi um pouco difícil esse momento aí da minha vida. Vinhas de uma família católica, ainda assim, apesar das influências mais seculares, nunca puseste Deus em causa.
A espiritualidade sempre fez parte da tua vida. Sim, nunca duvidei da existência de Deus. Eu segui o meu catolicismo da maneira mais correta possível. Inclusive, eu sempre me esqueço o nome que se usa em Portugal para aqueles que nós chamamos no Brasil de coroinhas, é sacristão. Então eu servi como sacristão na igreja católica durante alguns anos. Nós tínhamos uma rotina religiosa bastante dedicada, íamos todos os domingos à missa, às quartas-feiras também, por vezes participávamos de novenas. A minha mãe é uma católica bastante carola, bastante dedicada, daquelas que traz as capelinhas pra dentro de casa.
Continua a ser? Continua, continua a ser. Meus pais são católicos. Minha mãe até mais dedicada do que o meu pai, ela que carrega mais o meu pai pra fé, né, que ela professa. Mas sempre tivemos um contato com a igreja, apesar desse meu contexto um pouco rebelde que eu comentei, mas nunca deixei a espiritualidade. a minha crença e nunca deixei também de acreditar em Deus da maneira como eu entendia, mas nunca deixei de crer nele. E a esta distância, quando tu olhas para aquele Jefferson com 14, 15 anos, tu conseguias imaginar que algum dia ele sonhava sequer de ter a vida que tu tens atualmente, que é no fundo viajar pelo mundo para falar para, tanto podem ser auditórios com 3 mil pessoas, como auditórios com 20 ou 30.
Já tinhas essa vocação de falar, de comunicar, de ser tão expressivo na forma como tu és? Ezequiel, eu, olha, sendo bem sincero, não imaginei que teria um ministério como o que eu tenho hoje. Na escola, eu sempre gostei muito de falar. Falava tanto que, inclusive, levei algumas correções de professores, fui algumas vezes para a coordenadoria da escola, levei alguns bilhetes para casa também, disciplinares. Mas já vinhas o dom da palavra. Pois é. Não era usado ainda, talvez, da melhor maneira, mas eu realmente falava bastante. Mas não conseguia imaginar que desenvolveria algo dessa forma. Eu, na verdade, não me recordo assim, porque geralmente as crianças têm aqueles sonhos de, quando eu crescer, eu quero ser determinada coisa.
E eu não me lembro realmente o que, na infância, eu tinha o desejo de ser. Mas, sem dúvida, não imaginava ser um pregador, um evangelista, falando para tantas pessoas. Isso não passava pela minha cabeça. E há uma pessoa que entra na tua vida que baralha um bocadinho todo aquele Jefferson, e se calhar há um Jefferson antes e um Jefferson depois, não é?
Que é precisamente esta, que vamos ver a foto, esta bela noiva, que é a tua esposa, a Bruna. Em que dia é que foi o vosso casamento? Foi no dia 1º de setembro do ano de 2008. 2008, ou seja, vocês eram muito, muito jovens, não é? Sim. Que idade é que vocês tinham? Então, comecei a namorar com a Bruna, ela tinha 14 anos e eu 15 anos. E quando nós nos casamos... Ela com 19 e 20 anos, eu tinha. E como é que surge, então, esta mudança de alguém que gostava de Eminem, que tinha convicções muito ligadas à Igreja Católica, para depois alguém que abraça uma fé completamente diferente? Então, eu conheci a Bruna lá em Curitiba, em um curso de inglês.
Esse curso ficava no nosso bairro. A Bruna e eu, nós morávamos, talvez, andando cerca de uns oito minutos, de distância um da casa do outro. Mas nós não nos conhecíamos, apesar de vivermos no mesmo bairro. E foi no curso de inglês que nós tivemos o nosso primeiro contato. O meu irmão, que é o Anderson. Eu acho que também podemos mostrá-lo aqui, já que falas nele também. Temos aqui uma foto dele. Aqui é toda a tua família, né? É, exato. A família hoje da parte, da minha parte, né? Meu irmão, ali está a minha cunhada, meus sobrinhos, os meus pais e a Bruna. E o meu irmão foi quem fez o trabalho de cupido aí comigo e com a Bruna. Eu a via no curso, já estava de olhos, achava a Bruna muito bonita, mas eu sempre fui muito reservado.
E o meu irmão foi quem, ele tinha amizade com a Bruna inclusive, mais próximo, e ele sabendo que eu tinha o interesse de namorar com ela, foi falar com a Bruna e conseguiu aproximar aí esse, ou estreitar esse relacionamento. Então, nós começamos a namorar. E foi através da Bruna que eu conheci, não ainda a mensagem que hoje eu professo, ou a fé que eu professo, mas foi, digamos, uma ponte para que eu chegasse onde eu estou hoje. Então, através dos pais dela, meu sogro e minha sogra viram que o namoro começou a ficar mais sério. Eu acredito que foi depois de uns cinco meses de namoro, talvez. e o meu sogro me ofereceu estudos bíblicos. Só que, na ocasião, eles faziam parte de um movimento dissidente.
Para quem não sabe, dissidência é um grupo de pessoas que acabam saindo ou sendo afastadas da Igreja Adventista porque divergem de alguma doutrina da Igreja Adventista. e mesmo dentro da igreja começam a criticá-la. Então, em razão disso, são afastados. E aí a minha sogra, por não acreditar e por militar dentro da igreja contra a doutrina da trindade, foi afastada desse movimento da igreja e participou de um movimento que a gente chama de dissidente do adventismo. E eu conheci a família da Bruna nesse contexto. O meu sogro deu os estudos bíblicos. Eu aceitei os estudos. Na ocasião, eu aceitei por interesse. Não exatamente interesse em Deus, mas na Bruna.
Só que aquilo tudo me atraiu, porque eu sempre gostei muito de história. Eu sempre fui um dos melhores alunos na área de história nas escolas por onde eu passei. E eles começaram a estudar comigo sobre profecias, aquilo me chamou muito a atenção, e foi então que eu comecei a tomar as decisões. Eu saí da Igreja Católica, comuniquei aos meus pais, isso foi no ano de 2007, disse a eles, ou melhor, em 2006, disse a eles que eu ia me batizar num movimento que a minha esposa, hoje minha esposa, fazia parte. Como é que eles reagiram? Foi muito difícil, muito difícil. Foi uma decepção muito grande na época. Porque nós estamos a falar de católicos não praticantes, estamos a falar de alguém para quem a Igreja Católica fazia parte do dia a dia, não é? Sim.
Então, a dificuldade que foi maior, além da mudança de crença e de religião, é porque o movimento do qual eu vim Era um movimento muito legalista. Então, nós não tínhamos muita sabedoria, aliás, nenhuma sabedoria, inclusive nos nossos métodos de pregação e evangelização. Então, eu digo que eu prejudiquei muito o relacionamento religioso que eu tinha com os meus pais. Não respeitava a fé deles, como eu disse, são católicos. E nós sabemos que, como Adventistas, nós temos uma visão profética, que acaba afetando a relação espiritual e religiosa com o catolicismo. Mas isso não significa que nós devemos ser intolerantes, desrespeitosos, agressivos.
E é o que eu vejo que eu fazia com os meus pais. Recordas-te como é que foi esse dia? Ou terá sido um processo? Ou foi mesmo um dia em que tu chegaste junto aos teus pais? E disseste que vocês estão enganados. Como é que foi? Não era só um processo, mas era, eu diria, uma insistência. Então, vários dias eu acabava tentando abordá-los e falava contra o que eles acreditavam. Insistia em alguns pontos que eu sabia que eram muito sensíveis para eles. Então, foi muito difícil. E assim, além disso, Infelizmente, esse contexto do legalismo acaba impactando outras áreas da vida da pessoa, não só espiritual. Então, nós tivemos prejuízos sociais, educacionais, intelectuais.
E eu poderia fazer uma lista de alguns aqui. O meu pai sempre depositou sobre mim e o meu irmão uma expectativa muito grande em relação aos nossos estudos. Meu pai é uma pessoa muito trabalhadora. Durante a vida inteira, ele foi um metalúrgico. E ele fez o melhor que podia para dar a melhor educação e a melhor qualidade de vida para mim e para o meu irmão. E o meu pai não teve a oportunidade de estudar para fazer uma faculdade. Então, o sonho dele era ver o meu irmão e o Jefferson formados. Quando eu cheguei para ele e disse, pai, eu creio que Jesus está voltando. e por isso eu não vou estudar, porque já não adianta mais estudar. Isso é resultado de uma visão extremista da fé cristã.
Mas, infelizmente, eu vivi isso. Então, isso foi um choque que eu só descobri depois que a minha mãe disse que quando eu expressei isso para o meu pai, o meu pai chorou sozinho dentro do quarto. Então, foi muito difícil. E, além disso, nós tivemos problemas sociais, como eu mencionei, perdemos alguns amigos, com quem a gente tinha carinho muito grande, porque, infelizmente, essa visão legalista da fé, fanática da fé, ela gera em você alguns erros a respeito da palavra, você interpreta de maneira equivocada a palavra de Deus. Então, nós nos afastamos de pessoas porque entendíamos que nós deveríamos nos devotar a uma vida espiritual. que é uma palavra hoje que eu tenho até ressalvas quando nós fazemos essa dicotomia que não existe na Bíblia entre vida espiritual, vida financeira, vida sexual, vida emocional.
Para Deus tudo é a vida, a vida é uma coisa só. E dentro dessa visão equivocada da fé, entendendo quase que de maneira medieval a espiritualidade, nós pensávamos que para nos aproximar de Deus nós precisávamos viver uma vida contemplativa. Vamos nos devotar à oração, à pregação, à igreja, e com isso a gente se afastava da vida real. da vida comum, achando que a vida comum seria prejudicial para o desenvolvimento da nossa fé. Então, nos afastamos muito de amigos. O próprio trabalho comum a gente já não enxergava mais como algo de valor, porque olhava para o trabalho espiritual como algo mais importante para Deus.
Então, foram muitas coisas que eu vejo hoje que eu errei no relacionamento com os meus pais. E tiveste tempo de lhes pedir desculpa ou foi um processo natural que depois foste tendo para reabilitá-las essas relações? Então, aí foi nesse nosso processo já que foi a nova mudança. Então, eu tive uma mudança do catolicismo para esse movimento e depois eu tive uma mudança deste movimento para a Igreja Adventista do Sétimo Dia. Então, nesse processo dessa ponte do movimento para o Adventismo Aí o relacionamento melhorou. Meus pais, assim, nós nunca rompemos o nosso relacionamento. Como eu disse, eu amo os meus pais. Meus pais são pessoas maravilhosas e apesar de Deus errar dos meus erros, eles nunca se afastaram de mim.
Então, nós sempre tivemos contato. os visitava, só que com alguma espécie de afastamento, não era aquele relacionamento gostoso que nós temos hoje. Mas quando nós fomos batizados na Igreja Adventista, as coisas mudaram. A minha mãe, inclusive, ela disse, eu me recordo com todas as letras para a Bruna, que ela ficou muito feliz quando nós saímos daquele movimento. Eles não assistiram, infelizmente, por algumas situações, o nosso batismo na Igreja Adventista, mas o meu pai, para você ter ideia, ele foi assistir a minha cerimônia de ordenação ao ancionato na Igreja Adventista. Sempre que tem algum programa na Igreja lá no Brasil e nós temos a oportunidade de convidá-los, eles participam também.
Eles gostam muito da Igreja. E acreditas que eu vou estar a ver esta entrevista também? Eu acredito que sim, porque o meu pai, ele acompanha algumas pregações minhas, minha mãe também. A sério o grande conflito, o meu pai acompanhou muitos episódios aí, então acredito que eles vão assistir. Jefferson, vamos para o nosso primeiro intervalo e voltamos já, até porque eu quero também perceber como é que dá esta mudança deste movimento dissidente para a Igreja Adventista. Voltamos daqui a pouco.
TV Novo Tempo, o canal da família, o canal da esperança. Segunda parte do programa Olhos nos Olhos. Estamos com Jefferson Araújo. Jefferson, tu tens duzentos e muitos mil seguidores no Instagram. Crê que é a principal rede que tu usas ou utilizas ainda outras redes sociais ou essa é a única? Nós temos o Facebook e também o YouTube. No entanto, o Instagram é hoje a rede social principal, onde eu estou mais ativo. É diário o nosso trabalho ali. No teu perfil, nós encontramos lá o termo evangelista voluntário. O que é que é um evangelista voluntário? Como é que é a vida de um evangelista voluntário? Hoje, dentro da Igreja Adventista, nós temos os obreiros oficiais da Igreja, que são aqueles que trabalham de forma assalariada para a Igreja Adventista.
Um evangelista voluntário é alguém que é um obreiro, ou seja, ele trabalha para a Igreja, No entanto, não é assalariado. A gente faz uma distinção, isso é apenas uma distinção linguística, que seria um pregador leigo. Então, um evangelista voluntário é alguém que não é necessariamente assalariado pela igreja, mas dedica a sua vida para a pregação. É o que eu faço hoje. E a forma como eu vivo é através de ofertas voluntárias. Então, tem pessoas que colaboram com o ministério voluntariamente, alguns mensalmente, outros esporadicamente. Normalmente, quando eu faço programações nas igrejas, eu não cobro para fazer, eu não me sinto à vontade, principalmente Por conta de toda a problemática que nós temos hoje com a teologia da prosperidade, pregadores que realmente enriquecem a custa da fé, eu prefiro não cobrar.
Mas as igrejas geralmente são muito generosas. Então, pastores, irmãos, membros da igreja, quando sabem a forma como eu vivo e me dedico, a colaboram de forma voluntária com o Ministério. Que é o que te permite viver e viajar pelo mundo para pregar a mensagem, as três mensagens angélicas, se quisermos ser assim um bocadinho mais concretos. Mas a minha questão é a seguinte, tu és um profundo conhecedor da Bíblia, já viajaste o mundo quase inteiro atrás de artefatos históricos, para conhecer mais em concreto a história da Bíblia, gravaste a série O Grande Conflito. A minha questão é, nunca tiveste um bocadinho a tentação, em traspas vou usar esta palavra, de estudar teologia? Nunca passou pela tua cabeça? Já, e na realidade eu ainda tenho.
O ponto para mim que me dificulta um pouco hoje o estudo da teologia é ainda não ter, pelo menos, Na nossa realidade de língua portuguesa, e aí particularmente falando do Brasil, nós ainda não temos um curso da Igreja, da nossa Igreja Adventista, que seja à distância, porque hoje para eu conseguir parar o meu ministério e ir para um seminário seria um pouco complicado, porque Quem sustenta a minha casa hoje é o Ministério. Então, a minha esposa, graças a Deus, ela tem uma atividade. Ela produz granolas, por sinal, deliciosas. Porém, é o nosso Ministério hoje que... Agora vamos ajudá-la. Ela tem uma página? Tem. Qual é? Se chama Granelos.
O nome da marca das granolas. Basta escrever no Instagram ou algo assim do gênero. Granelos, exatamente. E já aparece. Então, mas como eu dizia, o que sustenta mesmo a nossa casa, que dá o suporte financeiro, é o Ministério. Então, para eu conseguir parar o Ministério hoje seria um pouco difícil, mas eu ainda tenho vontade. Agora, o ponto para mim é que eu não me sinto chamado, pelo menos até hoje, eu nunca fechei as portas do meu coração para dizer assim, eu nunca seria um pastor. Deus é quem sabe do futuro da minha vida, mas até hoje eu não me sinto chamado para ser um pastor distrital. Eu amo fazer o que eu faço, que é mais semelhante ao trabalho de um evangelista.
Então hoje eu me deleito, eu tenho alegria em visitar as igrejas. e poder reavivar a fé dos meus irmãos e também apelar para aqueles que ainda não entregaram a vida a Jesus Cristo, para que tomem essa decisão. Hoje, dentro da Igreja, para eu conseguir fazer o que eu faço, existe o trabalho de evangelista dentro da Igreja Adventista, só que eu ficaria restrito a um campo de atuação. E hoje, usando até as palavras de Wesley, minha paróquia, como ele dizia, o meu campo é o mundo. Então, por isso, eu ainda não dei esse passo por entender que o meu chamado é o chamado de um evangelista.
Jefferson, eu propunha agora que nos ajudasse aqui a ver algumas fotos que temos para mostrar aos nossos espectadores. Fotos essas que acabam por retratar um bocadinho a tua vida nestes últimos anos. Uma destas fotos tem a ver com este lugar específico. Presumo que é este lugar específico que tu gravaste com o Ruben. É um dos teus lugares favoritos. Sim. Que lugar era este? Ajuda-nos. Essa foi a casa de William Miller. É um dos precursores aí do Movimento 26. O que é que é tão importante esta casa? Para ti, especificamente. Porque, como eu dizia, é o homem que deu o pontapé inicial daquilo que tornasse aí a Igreja Adventista do Sétimo Dia. E emocionou-te de estar naquele lugar? Muito, muito. E ali mesmo, não é? Eu peço desculpa, senti um brilho nos olhos só quando viste esta fala.
Eu tenho um carinho muito especial também pelo Rubem, acabou virando um grande amigo. E foi um presente que ele me deu, poder participar desse projeto. Que é o projeto do Grande Conflito, que está disponível na Novo Tempo, na internet, etc. Que teve milhares de visualizações por todo o mundo. E que, creio que temos mais fotos até deste projeto que pudéssemos mostrar, precisamente da equipa que percorreu o mundo. Isto aqui é um DQR, Jefferson? Eu presumo que é em Auschwitz, não é? Vocês foram a Auschwitz? Exato, exatamente. Estou tentando reconhecer a foto em Auschwitz. Sim, sim, pelo comboio parece que sim. Na Polónia, não é? Exato, isso mesmo. Temos ainda mais algumas fotos que acredito que esta aqui é a Bruna, que também vos ajudou, não é? Sim, sim. Estamos em Auschwitz também. Temos ainda mais algumas aqui. Oh, esse lugar também foi extraordinário.
Aí é o local, lá na sala onde Martinho Lutero traduziu a Bíblia para o alemão. É o castelo de Wartburg. Ok. Jefferson, ajuda-me agora aqui a perceber uma coisa, que eu não conheço, que foi, tu começaste, tu estavas neste movimento dissidente, mas já fazias muitas publicações e já crescias com alguma regularidade na internet, não é? Já tinhas uma certa expressão. Mas do que é que falavas nessa altura? De profecias? Atacavas a Igreja Adventista? Quem era esse Jefferson? Então, Ezequiel, na época, esse movimento tinha, digamos, um carro-chefe. Era uma mensagem principal, que era combater a doutrina da trindade. Essa foi a mensagem que deu origem a esse movimento.
Então, nós não acreditávamos que o Espírito Santo é Deus. Depois de um tempo, também negamos que Jesus é Deus. negávamos o batismo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e em razão disso dizíamos que a igreja adventista do sétimo dia é a Babilônia, ou pelo menos filha de Babilônia. Então, o nosso trabalho era bastante dirigido nessa linha, embora tivéssemos também alguns outros problemas. Um deles era na área da escatologia, das profecias. Nós não éramos exatamente futuristas, mas idealistas. O que é o idealismo? Você acredita que as profecias tiveram um cumprimento histórico, só que essas mesmas profecias têm um novo cumprimento no futuro.
Então, nós mesclávamos as interpretações. E, além desse problema na área das profecias, também tínhamos problemas com o perfeccionismo. O perfeccionismo é uma distorção da mensagem da perfeição cristã. E com essas convicções tão firmes, como é que tu passas então, que pessoas é que te ajudaram ou que te levaram à mensagem adventista, a qual tu criticavas no fundo, não é? A Bruna e eu, nós tivemos uma experiência muito forte. Foi, aconteceu no deserto, literalmente. Algumas pessoas passam por desertos espirituais, só que no meu caso e da minha esposa, nós passamos por um deserto literal. havia uma escola missionária que ficava no deserto do México, na divisa com os Estados Unidos, que foi fundada por um ex-pastor da Igreja Adventista.
E nós tivemos, principalmente por causa de mim, a ideia de irmos para essa escola. E nós fomos para lá com algumas expectativas. Só que quando nós chegamos no local, Nós vimos que o local não tinha a estrutura mínima para oferecer aquilo que nós esperávamos. Eu fui estudar evangelismo e a Bruna foi estudar terapia natural. Só que ao chegarmos lá, a escola não tinha condições. Nós não entendíamos a razão pela qual Deus nos levou para esse local, que, como eu disse, era no meio do nada, no meio de um deserto, longe da família, longe dos amigos, passando por uma dificuldade muito grande, muito grande. As condições da escola eram muito difíceis, faltava água com frequência.
Nós moramos dentro de um motorhome por algum tempo e a Bruna chorava quase todos os dias querendo voltar ao Brasil, porque, como eu disse, as condições eram bem precárias. Faltava alimentação com frequência. Na escola nós estávamos em cerca de uns 45 alunos e os recursos que entravam para alimentar os alunos não eram suficientes. Então assim, em meio a essas dificuldades e tentando entender a razão pela qual Deus nos levou para aquele local, resumindo a história, foi dentro de um trailer onde a minha esposa começou a participar de algumas aulas que eram lecionadas pelo diretor da escola, que era um peruano, e que a gente não foi para lá por causa dele, nós fomos por causa de uma outra pessoa, mas foi este diretor que Deus usou para começar a falar sobre alguns assuntos que mexeram na vida da minha esposa.
Quando eu comecei a ver que a Bruna estava mudando, aquilo me impactou. E eu fui impelido a participar dessas aulas que ela participava dentro desse trailer. E foi dentro desse trailer que a nossa vida começou a mudar. Foi uma mensagem simples, Ezequiel. Eu fui pra lá pensando em estudar teologia, digamos assim. Só que Deus levou a minha esposa e a mim pra lá pra nós passarmos por uma experiência de verdade com Ele. É quando a gente pega a teologia e traz para a vida.
E ali dentro daquele trailer foi a mensagem sobre o que significa a glória de Deus. Que Deus jogou a glória da minha vida no pó da terra. E foi lá do pó que Deus estendeu a mão para levantar a minha esposa e eu e dizer, eu não trouxe vocês para cá para estudar teologia nem terapia natural. Eu trouxe vocês aqui para me conhecerem. no meio da dificuldade, da escola do sofrimento, que é a escola mais difícil que a vida pode dar. E nessa altura, Jefferson, há também algumas pessoas com quem tu foste conversando na internet e que foram também questionando as tuas convicções e uma delas era um português que eu acredito que tu te recordes e que gravou uma mensagem para ti. Olá, o meu nome é Francisco Mota Marcos, sou membro da Igreja Adventista de Caldas da Rainha, e aqui há uns 12 anos, numa das minhas pesquisas no YouTube, encontrei um vídeo do Jefferson, que ainda não o conhecia, sobre profecias.
Vi, assisti ao vídeo, achei interessante a forma como ele explicava as profecias, E, entretanto, pedi-lhe amizade no Facebook, trocámos algumas mensagens, entretanto também trocámos o número do WhatsApp, fomos conversando, até que eu percebi que ele não era adventista, mas sim pertencia a uma espécie de um grupo dissidente, como ele muitas vezes refere nos seus testemunhos. Fomos continuarmos a trocar mensagens até que ele mostrou interesse em pertencer mesmo à Igreja Adventista do 7º dia oficial, vamos chamar-lhe assim. E eu, como tinha um contacto também no meu WhatsApp de um irmão nosso da cidade onde ele estava, acabei por por esses dois em contacto para poderem dar ali algum apoio ao Jefferson, que estava com vontade de pertencer à Igreja Adventista.
E, entretanto, continuámos a trocar mensagens. De vez em quando ele vem a Portugal, normalmente aproveito para o ver. Também já esteve em minha casa, já lá passou uns dias. E para mim tem sido muito inspiradoras as mensagens que ouço do Jefferson. Gosto da forma como ele expõe a verdade e como ele nos apela a uma entrega total a Deus. Muito obrigado ao Francisco Mota Marques, que acompanhou, no fundo, o Jefferson antes e o Jefferson depois desta travessia no deserto. Fizeste muitos amigos através da internet, não fizeste? Sim, sim. Graças a Deus. E o Francisco é um deles, uma pessoa muito amável. Eu acho que todas as vezes que eu vinha a Portugal, o Francisco deu um jeito de nos encontrar.
E ele participou mesmo desse processo. Porque antes de eu vir para a igreja, eu já tinha, como você mencionou, um trabalho na internet. Então eu pregava, eu tinha a minha igreja lá em Curitiba, onde eu era um pastor desse movimento. Mas aí quando nós voltamos do deserto e a nossa mentalidade mudou, então eu passei a crer que Jesus é Deus, no batismo em nome do Pai do Filho e do Espírito Santo. Entendi que a Igreja Adventista não é a Babilônia. Depois, o último passo foi justamente sobre o tema do Espírito Santo. Foi nessa ocasião que, com a minha mudança de mentalidade, eu comecei a pregar alguns assuntos no canal que eu já tinha. E aí o Francisco entrou em contato com esse canal e percebeu que eu tinha uma mensagem que era uma mensagem adventista, só que eu acho que ele notou que eu não estava na Igreja Adventista.
E nós começamos a fazer esse contato e ele foi uma das pessoas que me incentivou a se batizar na Igreja. Há também um casal de amigos que fez questão de gravar uma mensagem para ti. Conhecemos o Jefferson logo que ele veio para a Igreja do Adventista. Lembro do primeiro sábado que ele e a Bruna estiveram na Igreja do Água Verde. Desde então, temos cultivado uma amizade. O Jefferson é uma pessoa que admiro. É uma pessoa muito estudiosa e dedicada à palavra de Deus. Foi um privilégio poder trabalhar com o Jefferson ainda lá no Brasil, em alguns projetos. E quando viemos para Portugal, depois ter o privilégio de recebê-lo em nossa casa e constantemente, digamos, a cada vez que eles podem vir a Portugal, recebê-los em nossa casa e solidificar essa amizade que começou lá atrás ainda.
Oramos pelo ministério que tem desenvolvido ao longo desses anos e para que cada dia mais você esteja firme na fé e perto de Jesus. Um abraço nosso para onde vocês estiverem sempre. Obrigado também a este casal, muito amigo teu, não é? Sim, acelerei eu, Franco. Um casal muito querido. Como eles disseram, eu os conheci na igreja onde eu congrego até hoje, a igreja do Água Verde, que fica lá em Curitiba. Foi a igreja que Deus me deu como um presente. Eu orava pedindo ao Senhor que me conduzisse agora nesse processo de mudança. e que ele me presenteasse com um pastor que fosse um pai, também eu pedia. Porque não seria fácil essa mudança, né? E ele me deu.
E junto com esse pastor que eu amo muito, também um casal de amigos, que quando vieram a Portugal nos receberam muito bem. Todas as vezes que viemos aqui, eles nos recebem na casa deles. Já pregamos em algumas ocasiões na Igreja de Amador, onde eles congregam. É um casal muito querido de amigos. Jefferson, vamos para o nosso último intervalo e já voltamos, porque queremos saber em que consiste esta tua entrada no grande conflito, juntamente com o
Rubem Fernandes, de quem já falamos. Voltamos daqui a pouco. TV Novo Tempo. O canal da família. O canal da esperança. Terceira e última parte do programa Olhos nos Olhos, estamos com o Jefferson Araújo, ele que é o criador do projeto Última Verdade Presente, com vários vídeos, várias mensagens que vais por lá publicando. No entanto, gostava de nos focar agora um bocadinho sobre o projeto O Grande Conflito, que é talvez um dos maiores projetos que a Igreja Adventista, pelo menos a língua portuguesa, teve e mesmo a nível mundial. Rapidamente, consegues nos explicar que projeto é este e a dimensão deste projeto? Então, o Grande Conflito Série foi uma ideia que partiu do Rubem Fernandes, da Sônia, obviamente, sua esposa. Ele tinha a intenção de transformar o conteúdo do livro O Grande Conflito num material audiovisual, não exatamente apenas traduzindo em vídeo as palavras do livro, mas contando as histórias do livro a partir dos lugares onde elas aconteceram.
E a intenção dele era criar uma série, dividindo o livro em temporadas, no caso, as temporadas foram divididas em quatro, e cada capítulo do livro sendo transformado em um episódio, ou seja, totalizando 42 episódios. Então, nós fomos privilegiados por ser convidados pelo Rubem para fazer parte desse projeto, sendo um dos apresentadores da série. Esse projeto que já existe, no entanto, gostava que visses também a forma como o Rubem, o próprio Rubem, fala deste projeto e fala do convite, como surgiu o convite para tu entrares nele. Olá Jefferson, eu conheci o Jefferson em 2019 quando ele veio aqui à minha igreja em Espinho fazer uma semana de oração e rapidamente nos tornámos amigos.
Depois em 2020 estivemos juntos num programa lá no Brasil, no GYC Brasil, e nesse programa é que nós fomos os dois lá a pregar, a nossa amizade se desenvolveu ao ponto que em 2022, numa nova vinda aqui à Marquês de Espinho, nós estávamos num dia a jantar aqui em minha casa e eu acredito que, por providência de Deus, surgiu a ideia de convidar o Jefferson e também a Bruna, que estava com ele, para participarem no projeto do Grande Conflito. E foi assim que iniciou uma parceria, uma parceria Luso-Brasileira, em que durante três anos estivemos juntos, tanto na preparação dos guiões, na preparação das viagens, mas também nas viagens de gravações. Durante três anos passámos mais de um mês juntos, 24 horas por dia, a viajar pela Europa fora, pelos Estados Unidos, a gravar para o projeto Grande Conflito.
Foram muitas horas na estrada. Nestes três anos fizemos mais de 30 mil quilómetros de carro juntos. Muitas viagens de avião. E foi aí, então, que a nossa amizade e a amizade das nossas famílias se desenvolveu ainda mais. Eu quero vos dizer que, apesar de ter estado todas essas horas com o Jefferson, com a Bruna, isso foi um grande privilégio. Nós demos-nos sempre bem. E a nossa amizade continuou-se a desenvolver. Sabem que... Eu queria dizer, Jefferson, que admiro muito e é um privilégio para mim, para a minha família, ser teu amigo, ser amigo também da Bruna, mas quero dizer que aquilo que eu mais admiro em ti é a tua dedicação ao Ministério.
Há mais de dez anos que o Senhor te chamou para este Ministério de ser um pregador voluntário e, de facto, admiro a tua dedicação ao Senhor e peço realmente ao Senhor que Ele continue a te abençoar, a te dirigir e realmente a usar a ti, a tua família, para honra e glória do seu nome. Um grande abraço do Ruben e também aqui da Sónia e da Sara. Já falamos aqui várias vezes do Rubem, ele é um empresário que tinha este sonho e ter-te convidado para o sonho dele, para ti também, presumo, foi a realização de um sonho. Com certeza. Com certeza. Para mim foi uma alegria muito grande. Como ele disse, Nós convivemos tanto tempo juntos e a primeira vez que nós viemos, em 2019, comparado com o que aconteceu depois, é muito interessante, porque nós não imaginávamos.
Ainda tivemos o problema da pandemia nesse intervalo. E depois voltar aqui e a história que ele contou, eu me lembro perfeitamente ou até lembro onde a Bruna e eu estávamos sentados nesse jantar e quando ele fez o convite, e é engraçado porque o Rubem é uma pessoa que fala e logo assim, eu não imaginava que seria tudo tão rápido. É o tipo de empresário do Norte. Sim. E já depois de pouco tempo, nós estávamos de volta aqui a Portugal começando as gravações E foi isso, nós tivemos aí o privilégio de conviver muito tempo, passar inclusive algumas férias juntos e Deus nos abençoou muito assim com um convívio agradável, nunca nos desentendemos. Foi realmente um grande privilégio dividir essa experiência da série O Grande Conflito com Ele, algo que eu vou levar para a minha vida. Mudou muito inclusive a minha percepção de mundo e até me ajudou a amadurecer no próprio ministério.
Jefferson, já falámos várias vezes nela, naturalmente. A Bruna é a pessoa mais importante da tua vida, digo eu, que também gravou uma mensagem para ti, mas já vamos falar melhor sobre ela. Vamos ver. O Jefferson sempre foi uma pessoa muito decidida. E desde que ele começou a estudar a palavra de Deus mais profundamente, desde bem jovem, quando começamos a namorar, ele colocou no coração dele que ele queria ser um obreiro missionário. E faz muitos anos que ele tem se dedicado ao Ministério, à Última Verdade Presente. E eu creio que tem sido uma benção na vida de muitas pessoas, assim como tem sido uma benção para o nosso lar. Eu creio que esse foi o dom que Deus deu pra ele, e eu vou apoiá-lo sempre, porque eu creio que quando nos colocamos nas mãos de Deus, Deus faz maravilhas.
Amor, Eu queria te dizer que eu sou muito feliz por ser a sua companheira de vida aqui nessa terra e dizer que eu te amo. Antes que, apesar de termos visto o Rubem Fernandes, o Francisco Mota Marques, etc., foi a Bruna que Deus mais usou na tua vida para termos o Jefferson aqui hoje a falar deste ministério? Com certeza. Com certeza. É aquela que me dá o apoio, o suporte que eu preciso, que vivencia comigo as minhas dores, os meus dilemas, as minhas decepções. É aquela que me ajuda a sustentar esse ministério. Se não fosse a minha esposa, eu não ia conseguir.
Aliás, é aquela que Deus usou para fazer do Jefferson uma pessoa melhor. E usou de uma forma que eu não gostaria, porque foi através de uma doença da
minha esposa que Deus, eu acredito, aperfeiçoou o meu caráter. Eu não sabia o que era ser um marido de verdade. Era uma pessoa muito egoísta. E Deus me tornou, depois, a doença da minha esposa, uma pessoa mais sensível, mais preocupada com o próximo, mais compassiva, mais paciente e protetor da minha esposa. Que foi algo que eu não entendia até ela descobrir essa doença. Foi no ano 2020, logo começou a pandemia. Então, é alguém que eu louvo a Deus por ter colocado no meu caminho. Não mereço a esposa que eu tenho. que ela gentilmente nos cedeu, que tem um impacto visual fortíssimo e que demonstra, ao mesmo tempo, a vossa proximidade, mas, se calhar, mais do que isso, a proximidade no meio do sofrimento.
E um dos vídeos, nem sei até se não será o vídeo mais visto que tu tens no teu canal, é numa pregação em que tu dizes algo do género que, quando oravas e a tua esposa estava doente, tu não tinhas coragem de pedir a Deus para que fosse feito à vontade dele, não é? E isso tanto é que teve um impacto tão grande, que presumo que seja o vídeo mais visto, precisamente por causa disso. A tua fé foi colocada à prova de uma maneira que tu nunca imaginaste naquele momento. Esse foi um recorte de uma pregação que eu fiz na igreja de Dallas, lá nos Estados Unidos, falando sobre essa experiência. E eu acredito que hoje já tem por volta de umas 3 milhões de visualizações. Está disponível na página do Instagram. Foi muito difícil.
Eu hoje inclusive estava pregando aqui mesmo em Portugal agora durante esses dias e dizendo que eu descobri através da doença da minha esposa que guardar o sábado é fácil, parar de comer carne de porco é fácil. São coisas que às vezes a gente coloca tantas dificuldades, mas eu entendi que a parte mais difícil da fé é você aprender que fé não é acreditar que Deus vai fazer tudo o que eu peço. mas é descansar, não seja feita a tua vontade. E eu precisei aprender isso. Quando é que tu conseguiste descansar, não seja feita a tua vontade, apesar da doença tão grave que é a Bruna Tegre? Então, a minha esposa, depois de passar por todo o processo de quimioterapia, radioterapia, mastectomia bilateral radical, nós estávamos voltando de um período de férias com a família, isso no final do ano, Natal e Ano Novo, E ela recebeu um novo diagnóstico da mastologista.
A mastologista desconfiava que o câncer estava em metástase. Então, quando ela saiu do hospital, na ocasião ainda em meio à pandemia, não podia nem entrar com ela no consultório, ela chegou ao carro chorando. E eu já fiquei desesperado. E aí nós tínhamos um caminho de mais ou menos uns 50 minutos até chegar em casa. E quando nós chegamos em casa, tomamos um banho e fomos deitar e nos ajoelhamos na cama. Foi ali que eu rasguei o meu coração. E eu falei, Deus, tá difícil demais isso daqui. Eu não tô aguentando. Eu não sei o que o Senhor quer de mim e da minha esposa. Esse cálice tá duro, não sei se a gente vai aguentar beber até o final isso. Eu lembro que, na época, eu tinha lido um livro do C.S. Lewis chamado Anatomia de Umador, onde, na verdade, virou um livro.
Eram notas de um diário dele, quando a esposa dele morreu por causa de um cancro. E aí, num trecho do livro, ele diz assim... Conte com Deus nos momentos de alegria e ali Ele estará. Necessite dEle nas horas de dor e angústia e tudo o que você encontra é uma porta fechada no meio da sua cara e trancada pelo lar de dentro." Eu não estava conseguindo lidar com o silêncio de Deus, porque às vezes o Senhor nos prova no silêncio. E aí foi nessa hora que eu me ajoelhei e eu disse, eu não sei o que o Senhor quer, mas aqui está a vida da minha esposa. Se é isso que o Senhor quer está aqui. que seja feita a tua vontade. Foi a primeira vez que eu fiz essa oração. Na manhã seguinte, a Bruna ia fazer uma biópsia para saber se realmente era um cancro em metástase.
E graças a Deus não era. Graças a Deus não era. Mas foi a partir dali que eu entendi que todos nós como cristãos, Ezequiel, em algum momento da nossa vida, nós vamos precisar aprender o que significa dependência total e completa de Deus, total e completa de Deus. Não é fácil, mas é necessário. E às vezes a gente romantiza a história de Jó, mas a história de Jó, ela precisa ser a nossa história. É nós desenvolvermos uma fé que chegue até o ponto de dizer Deus deu, Deus tirou, bendito seja o nome do Senhor. É tudo que Deus precisa. Eu posso ser o melhor guardador do sábado, o dizimista mais perfeito que existe no mundo, mas se eu não entender o que significa dependência de Deus, E detalhe, tem uma outra frase, eu não sei de quem é, mas essa frase também impactou muito o meu coração quando eu li certa vez, que diz assim, não deixe que a sua felicidade dependa de algo que você possa perder.
E a única coisa que não pode ser tirada de mim, de você e de nenhum dos telespectadores é Cristo. Então, não posso deixar que a minha felicidade dependa da minha esposa, apesar de eu amá-la, da minha família, do meu ministério, do meu trabalho, do dinheiro que eu tenho na conta. Se Deus ver que Ele vai precisar tirar alguma dessas coisas para me ensinar a depender dEle, Ele vai tirar. E se eu quero realmente aprender isso, eu preciso estar disposto a colocar nas mãos dEle para que Ele faça o que deseja. Eu quero deixar aqui também uma mensagem para as pessoas que, por vezes, oram e não recebem a cura, porque para mim Deus me presenteou com a minha esposa curada, só que essa não é a história de todas as famílias.
Existem pessoas por quem a gente ora e Deus cura, mas existem aquelas por quem a gente ora e Deus não vai curar. Por que Deus faz isso? Sabe o que eu entendi, Ezequiel? Eu entendi que eu não preciso entender. E eu ouvi uma frase do pastor Ivan Saraiva, certa vez, quando ele era pastor ainda da igreja, onde ele disse assim, porque se você sabe quem Deus é, você não precisa entender tudo o que Ele faz. Então, no meu caso, Deus respondeu sim, eu vou manter a vida da sua esposa, mas talvez para alguém Ele diga não. E o que Deus quis de mim é a mesma coisa que Ele requer daquele que Ele vai dizer não. Continue confiando em mim.
Porque eu digo que, às vezes, o milagre é curar. Mas às vezes, o milagre é fazer você confiar, ainda que Ele não cure. No caso, sentes que tu tiveste acesso aos dois milagres, confiar em Deus e a cura? Eu acredito que sim. E eu diria que o milagre de confiar é mais poderoso do que o milagre de curar.
Olhando agora para trás, o que é que tu achas que Deus te quis dizer com tudo isto, quer com a tua mudança da Igreja Católica para um movimento incidente, quer de um movimento incidente para a Igreja Adventista? Sendo o evangelista missionário, as dificuldades que tu passas, ainda assim, a travessia no deserto com a tua esposa, não só no sentido literal, mas também no sentido figurativo, com o câncer ou o cancro dela, o que é que achas que Deus te quis dizer ao longo da tua vida toda? Que a vida é uma escola. É assim que eu tenho enxergado a vida. O livro Educação, de Ellen White, inclusive, ele trabalha essa perspectiva da vida. Ela diz que educar e redimir é a mesma coisa. E quando eu olho para a história da minha vida e da vida da minha esposa, eu vejo assim, que Deus usa as circunstâncias da vida para fazer de nós pessoas mais parecidas com Ele, porque no final isso é o Evangelho.
O Evangelho é redimir-nos dos nossos pecados para resgatarem em nós a imagem do Senhor. E, para isso, a escola do sofrimento é parte desse processo.
Jefferson, estamos mesmo a chegar ao fim do nosso programa, no entanto, há uma pergunta que eu faço a todos os nossos convidados e quero te fazer a ti. Um dia que alguém queira recordar o Jefferson, que alguém imagina que escreve um livro sobre ti, como é que tu gostarias de ser lembrado? Que título é que tu gostavas que tivesse, por exemplo, uma biografia tua? O título de uma biografia? Jefferson. Um marido leal e um servo fiel a Deus. Obrigado, Jefferson. É a primeira vez que temos alguém a falar no facto de tão importante que é ser marido, como tu encaras isso num verdadeiro ministério, o facto de ser marido. Obrigado, Jefferson! Eu que agradeço! Que o Senhor te abençoe e que este grande projeto que tu tens, a Última Verdade Presente, possa cada vez mais chegar a mais pessoas, a anunciar esse amor e essa vida que tu levas ao lado de Cristo e da tua esposa.
Obrigado, Jeferson! Amém!