Enio Monteiro

Enio Monteiro

11 de Setembro de 202654 min 32 s

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Abertura e origens

No programa de hoje, vamos estar olhos nos olhos com alguém cuja história de vida atravessa várias gerações e cujo legado influenciou e continua a influenciar muitas pessoas, mesmo sem que elas o saibam. Nasceu no Rio de Janeiro, a 29 de dezembro de 1944, Enio Monteiro de Sousa. Cresceu num ambiente onde a música fazia parte do cotidiano. É filho do também compositor Jonas Monteiro de Sousa, autor de inúmeras composições que marcaram gerações de adventistas, entre elas a conhecida música infantil Pam Pam Pam É Noé Que Está Batendo. É também neto de Albertina Rodrigues da Silva Simón. figura histórica do Adventismo brasileira e a primeira professora brasileira do então Seminário Adventista atual, o NASP.

Formado em Matemática pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, especializou-se na área de Informática, tendo desenvolvido uma carreira como consultor empresarial. Contudo, paralelamente à sua atividade profissional, foi cultivando aquela que sempre foi a sua grande paixão, a música. autor de mais de uma centena de composições, três das quais estão atualmente no Enar Adventista. Se quiser, vá lá e veja 481, Nos Passos de Jesus, 477, Cristo Conta Comigo Agora, e 580, Invocação. Hinos que continuam a fazer-se ouvir todos os sábados em milhares de igrejas adventistas espalhados pelos países de língua portuguesa. Casado há 59 anos com Vilma Batista Monteiro de Sousa, é pai de dois filhos, a Susana e o Sandro, e avô de quatro netos, Ana Carolina, Rodrigo, Ana Luísa e Nicolás.

Escolheu o nosso país para passar a melhor fase da sua vida, a sua aposentadoria, recebemos aqui, na Novo Tempo, o professor Hénio Monteiro de Sousa. Muito bem-vindo. É um prazer. Obrigado pela honra que nos dá de estar aqui connosco e de ter uma história que acredito que pode inspirar muitas pessoas que vão ver este programa. Começo por fazer a pergunta que faço a todos os nossos convidados. Acredita que os seus 81, creio que têm 81 atualmente, anos de vida, podem ter alguma história e influenciar alguém que vá ver este programa?

Com certeza. A maneira como Deus tem conduzido a minha vida, e leva a vontade de testemunhar do que ele tem feito por nós, por mim, por minha família. Enio. Permita-me que lhe trate por Enio. Podia tratar por professor. Enfim, tantos títulos que lhe poderia dar, mas se me permitir, tratar-lhe por Enio. A sua filha, a sua filha Susana, ela escreveu o seguinte sobre o seu pai. Diz ela. O papai é uma das pessoas mais brilhantes que eu conheço. Não apenas pela sua inteligência, que é espantosa, mas também pela sua bondade e pela sua humildade. O que é que sente ao ouvir isto que a sua filha escreve sobre si?

Exagero dele. Será mesmo exagero? A verdade é que o Enio é versado em duas áreas que aparentemente parecem que são completamente opostas, mas que se calhar poderá ajudar-me até se poderão juntar de alguma forma, que é a matemática e a música. Sempre teve facilidade em estar ligado a uma ciência exata como a matemática? Era bom aluno em criança? Sim, matemática sempre foi a minha matéria preferida na escola. Eu ficava feliz em dizer que quando chegava o momento das férias, eu pegava o livro de matemática do ano seguinte, corria, queria estudar, aprendia o que tinha de aprender, e durante um ano eu não aprendia nada de matemática, eu já sabia tudo.

Com 16 anos, já era professor de matemática? Já. Meu pai tinha um colégio na cidade de Volta Redonda, no estado do Rio de Janeiro. E ali, eu já comecei muito cedo dando aulas de matemática, mesmo sem ter formação ainda. Depois eu fiz a faculdade. e me formei em matemática. Mas vamos às suas origens.

Legado familiar

Eu, nesta introdução, falei na sua bisavó. Temos uma foto dela, que acredito que... É minha a avó. Exatamente, a sua avó. Peço desculpas. A sua avó, que foi a primeira professora numa escola Adventista, estou a dizer bem? É na Colégio Adventista Brasileiro, que hoje é UNASP São Paulo. Quando foi criado isso aqui, os professores eram estrangeiros. Ela foi uma das primeiras, foi a primeira professora, no caso feminino. e ela dava aula de português e latim. O seu pai tem uma história muito interessante porque ele não tinha condições de vida nenhumas que lhe pudessem permitir estudar numa escola que, presumo que fosse cara na altura.

Como é que ele conseguiu, o seu pai? Ele tentou... Havia aquela condição de aluno industriário, onde o aluno pagava o estipéndio através do trabalho. O estipéndio em Portugal, presumo que seja... Nós aqui chamamos propina, mas propina no Brasil é outra coisa completamente diferente. Uma mensalidade, digamos assim. Era mensalidade. Ele queria fazer isso. Então ele escreveu para o Colégio Adventista Brasileiro, que era como se chamava na época, pedindo para ir para lá. insistiu, às vezes não recebeu resposta.

Aí ele foi com a cara e a coragem. Foi, fez uma mala, ele fez uma mala de madeira, porque ele era, tinha trabalhado carpintaria, e juntou os poucos pertences e foi. Estamos a falar nos anos 20, 30, por aí? É, mas foi antes, foi final dos anos 20. final dos anos 20. E aí ele foi. E chegou lá e disse, ele disse, eu vim aqui porque me responderam, eu vim aqui arriscando. Ele disse, ah, não tem vaga. Ele disse, mas eu não tenho dinheiro para voltar. Então, permitiram que ele trabalhasse para ganhar o dinheiro suficiente para voltar.

Mas ele se destacou tanto no trabalho, que eles resolveram dar oportunidade para ele, e aí ele estudou. Temos uma foto do Enio, bem bebezinho ainda, que aqui, terá qual a sua idade aqui? dois ou três anos. Ou seja, é muito raro, pelo menos em Portugal. No Brasil talvez não tanto, mas em Portugal é muito raro alguém nos anos 40 ter uma foto em criança, devido ao facto, enfim, de sermos uma sociedade um bocadinho mais pobre. Como é que o Hénio consegue ter foto aos suas tão novo? Não sei. Não sabe, exatamente. Alguém mais velho acabaria de saber. Mas, nesta sua... Temos aqui uma foto já um bocadinho mais velha do Hénio.

Aqui já teria que idade? Ah, creio que 18 ou 19 anos, por aí. E temos ainda uma outra foto que eu gostaria que pudesse ver e que nos pudesse explicar. Esta aqui. Ah, isso aqui eu estou com a Susana. A Susana, que é a sua filha. Mas, voltando ao seu... Há ainda uma quinta foto que eu gostava que ainda pudesse ver e que me ajudasse também a explicar quem é que está nesta quinta foto. Aqui, pelo que eu estou entendendo, é a minha mãe e o meu pai na frente, e estão ali atrás meus sobrinhos.

Ah, ok. Meu sobrinho. Mas então, quando falamos no seu pai, este senhor que vemos na foto é o seu pai? Isso. Que compôs esta música de Noé? É mesmo assim? É. Esta é a música mais conhecida dele. Interessante que nesse cenário ele tem uma música de criança também, mas não esta. Mas a música mais conhecida dele é o Pam Pam Pam. Mas ele tem uma outra música, um outro hino aqui, que já estava no hinário antigo e está nesse também, que é a voz do Jesus. Eu ouvi muito doce a falar-me com amor, a divina voz de Jesus. Ele compôs essa música, eu tinha, o quê? Cinco anos, seis anos.

Por volta disso. Mas esta música de Noé especificamente, lembra-se quando é que ela compôs? Sim. Já era nascida? Sim, sim. Eu tenho uma história interessante. Minha mãe, durante um certo tempo, era professora da Escola Sabatina Infantil. E ela ficava insistindo com meu pai que fizesse músicas para cada assunto. Ele tinha que fazer uma música por semana. Nessa época, ele trabalhava para a empresa do doutor Milton Afonso. E o doutor Milton Afonso pediu que ele cuidasse, durante um certo tempo, do escritório em São Paulo.

Então ele ia na segunda-feira e voltava na sexta-feira. E a minha mãe, quando ele chegava, ia procurar nos bolsos do casaco dele a passagem. que ele trouxe, que, normalmente, na sexta-feira, quando ele voltava, ele fazia a pauta no verso da passagem e escrevia ali a melodia e colocava a letra. Foi assim que nasceram várias músicas para crianças, inclusive o Pam Pam Pam. No verso do bilhete? de ônibus, de autocarro?

Não, não, de avião. De avião mesmo? Ah, ok. De avião. Então, no verso, Do Vinicci ele fazia pauta e colocava as notas. E como é que esta música teve assim, vai-me perdoar esta expressão, um sucesso tão estrondoso? Porque, enfim, eu sou da década de 80, mas acredito que quem cresceu na década de 70 e na década de 90 e por aí fora conhece esta música. Ela foi transversal a toda a gente. É, inclusive na África também é a música conhecida. Já agora, o interessante é que, como é que é, bate na madeira, é o símbolo do martelo a bater, não é?

Exatamente. Os pregos, não sei se eram pregos, não é que está batendo, como é que é o resto, já não sei também. É uma arte que ele está fazendo. Ele está obedecendo ao que nosso bom Deus nos mandou. Foi escrita nos anos 50, mais ou menos, deve ter sido por volta dessa altura. Não, nos anos 60. E como é que ela se espalhou tanto? O seu pai chegou a perceber a dimensão que esta música chegou a ter ou não? Sim, ele acabou sabendo disso aqui, mas como ela se espalhou, é impossível saber. Não, não era uma época em que se produziam muitos inários e colocava... As coisas iam passando de ouvido para ouvido.

Iam passando assim. Essa é a época que o meu pai fazia. Meu pai não tinha uma divulgação, nem gravação, nem coisa nenhuma lá no Brasil. E isso era mesmo boca a boca. E a verdade é que em 2026 estamos a falar nesta música e muitos dos nossos telespectadores conhecem-na perfeitamente. Já vamos falar também das suas composições, Enio, mas ainda falando aqui nesta influência que o seu pai teve, o seu pai foi a pessoa que o influenciou mais ao nível musical? Com certeza, foi sim.

O pai compositor

Ele não tocava nenhum instrumento, mas ele compunha Tudo mentalmente. Ele sabia escrever música? Ele escrevia com uma partitura normal? Escrevia na partitura normal, sem problema. Ele foi autodidata sempre, em termos de música. Ele escrevia a partitura, mas não conseguia saber. Então, eu me lembro, quando eu era criança, ele ia para o piano, olhava as notinhas, procurava com cuidado colocar os dedos nas tetas Agora vamos por outro acorde. E assim, não dava sequência.

Depois que ele fazia o teste dele, eu chamava a minha mãe para tocar. Sim, porque a sua mãe é que era pianista. Um bocadinho ao contrário do caso do Enio, em que o Enio é pianista e a sua esposa, a Vilma, é cantora. Foi um bocadinho ao contrário. É, ao contrário. Temos aqui uma foto, já que falamos na sua esposa, do vosso casamento, que gostava também que os nossos espectadores pudessem ver. Em que ano é que terá sido? Isto foi... 67. E depois temos agora uma mais recente, da sua esposa também com o Enio. Esta aqui já é mais recente. Como é que vocês se conheceram? É, foi uma maneira interessante.

Por três meses, Três meses só. Eu fui pianista do Haraldo Zuey. Eu fui numa época, em um intervalo de... nas férias escolares, e eu... o pastor Feirabend me convidou para tocar, porque ele estava precisando de um pianista, porque tinha perdido a pianista, e precisava... ele queria que eu continuasse. porque ele queria um homem para tocar, um pianista homem. Temos aqui, peço desculpa o interromper, temos uma foto, eu creio que não será disso, mas é também mais ou menos dessa época, uma foto do Hénio também a tocar, terá sido mais ou menos, aqui não dá para perceber muito bem, mas terá sido mais ou menos nesta altura, não é?

É, exato, então ali estava tocando, mas não tenho a foto nesse registro do quarteto. O quarteto, Fiquei muito pouco tempo, fiquei três meses, realmente. Durante esses três meses, foi no intervalo, nas férias escolares. Eu estava envolvido com... Eu estava trabalhando no Instituto Petropolitano de Ensino, que é o Instituto Nosso Adventista, lá em Petrópolis. E ali... Eu comecei a trabalhar com o quarteto, acompanhados, e numa dessas viagens eu conheci a minha esposa, lá em Belo Horizonte.

E aí começamos a conversar, ela tinha vontade de ir para o colégio, eu disse que ia conseguir um lugar para ela no colégio, ia procurar, fazer com conversar com o diretor para conseguir um lugar para ela do sistema industriário mesmo sistema que do seu pai do meu pai né acabei conseguindo né e ela foi para lá e aí desenvolvemos nosso relacionamento hoje estamos casados há 50 e 58 anos já. Ou seja, se o Hénio nunca tivesse sido o pianista dos heraldos do reino, nunca teria conhecido a sua esposa. Sim, exatamente.

Deus tem planos que a gente nem conhece. É, Enio, já falamos, enfim, do seu casamento, falamos também dos seus pais,

Início na música

falamos da sua carreira académica, já percebemos que tinha toda a facilidade em que estudar matemática, no entanto, como é que nasce aqui a questão da música, mais concretamente da composição, e até enquanto pianista, porque ser pianista dos heraldos do reino não é para qualquer um, e a verdade é que nunca aprendeu piano, pelo menos no sentido teórico do termo. É verdade, eu fui Minha mãe tentou ser minha professora de piano. E não deixou. Tentou. Começou e tudo mais, mas ela desistiu. Eu acabei desenvolvendo, por minha conta mesmo, alguma coisa na questão do piano. Eu não me considero um pianista, eu me considero um tocador de piano.

Então, eu toco o básico aí que dá suficientemente para acompanhar a congregação, a minha esposa, os cantores, isso é tudo. Eu acabei trabalhando mais imitando o meu pai na composição. Lembra-se da primeira composição que fez? Eu não me lembro bem da primeira composição. Eu fui fazendo com 15, 16 anos, já fazendo alguma coisa. Eu diria que a música, a primeira composição que eu disse, ah, eu sou o compositor, eu posso trabalhar compondo para a minha igreja, foi quando eu escrevi o Pegadas, que no inário anterior está com o nome dos passos de Jesus.

É o Pegadas. Nesse cenário novo está com o nome de Pegadas, que foi o nome original que eu dei. E daí eu disse, ah, eu posso fazer coisas, porque esse hino... Não é porque a gente não escrevia, não publicava. Eu escrevi a pedido do pastor Bechara. Isso foi apresentado num congresso em Manaus. E, de repente, descobri que o país estava cantando. Não sei como. Outra vez o Boca a Boca. E das composições que tem, trouxe um Inari Adventista. Qual é aquela que, olhando agora para trás e para as mais de 100 composições que teve, qual é aquela que ainda o marca muito?

É, realmente, essa Pegadas é a música que ficou mais Mas falando sobre o Inário, eu queria contar uma história. Algo que mudou na minha cabeça, porque esse Inário foi lançado em 2002 e eu já estava em Portugal. 2022. Sim, sim, sim. Já agora peço mais uma vez, desculpa por interromper, mas só explicar aos nossos espectadores o que é que é um hinário. Ou se quiser, o Enio poderá explicar muito melhor do que eu. O que é que é um hinário para quem está descontextualizado? É a conexão oficial de hinos que a Igreja cria para ser usado nos cultos.

nos cultos, nos nossos cultos. Em que há uma reunião de hinos por compositores mais contemporâneos, mas também hinos clássicos, até de Martim Lutero. Esse cenário, ele tem um conjunto muito grande de composições brasileiras.

O hinário adventista

É o que marca isso aqui. Muito grande, tem muitos compositores. É isso que me chama a atenção quando O lançamento foi feito em 2022, e eu estava em Portugal. Eu tinha acompanhado, mesmo de longe, já o trabalho da Ilha de Boracay, que demorou muitos anos, deu muito trabalho para preparar. Eu tinha assistido outras mudanças de onário no passado, na minha vida longa aí, Mas o que me chamou a atenção aqui, dessa vez, foi o seguinte. A Casa Publicadora Brasileira produz o Inário Adventista para o Brasil.

Depois, vai ser usado em Portugal, vai ser usado em Angola, Zambique, Cabo Verde e outros países de fala portuguesa. Meio que imposto. Porque como o Brasil tem uma quantidade muito grande de membros adventistas, isso vem. Quando foi lançado e eu estava em Portugal, por quê? Porque não se ouve, não se procura algo que seja produzido em Portugal. ou dos países africanos de língua portuguesa, por que não buscar isso aqui? Mas isso jamais, creio que jamais foi pensado quando foi produzido esse inário e provavelmente eu não me daria conta de que isso está acontecendo se eu estivesse lá quando o inário foi lançado.

Hoje eu me pergunto, será que não era a hora de a gente ter um inário que reúna os talentos de toda a comunidade de fala portuguesa no mundo? Sim, sim, sim. Porque a língua é a mesma. Fica essa ideia aí. Apesar de propina ser uma palavra com conotações diferentes dependendo do país, a verdade é que a língua exatamente é a mesma. Exatamente. E aqui em Portugal também já têm sido feitas algumas, enfim, vou dizer a palavra tentativas, mas é um bocadinho mais do que isso, de ter também um inário em português com compositores portugueses. Mas a ideia de juntar diversos compositores de diversas nacionalidades em que a língua seja comum é muito interessante. É. Eu entendo a dificuldade de produzir um inário, por exemplo, em Portugal, porque O número de membros em Portugal é pequeno e o custo de produzir um inário, pelo menos um dos moldes do que se faz no Brasil, é muito caro.

Então, fica difícil. Então, até faz sentido ter um inário português. Faz sentido, mas... As condições econômicas talvez não ajudem. E o que é que se sente quando vai a uma igreja, mesmo que é em Portugal, acredito que aconteceu, e que se depara que estão a cantar uma música sua e que ninguém faz a menor ideia que o compositor está ali cantado? Ah, isso acontece. O que é que se sente nessas alturas? Já se habituou? Já aconteceu muitas vezes. Porque, por exemplo, um dos hinos, que é um hino de invocação que muitas igrejas cantam, foi também o que se chama mesmo invocação, o nome do hino. Então, quando eu cheguei em Almada, cantava-me essa música.

Não sei se pode cantar um bocadinho desta música de invocação, só para quem lá está em casa. Tua santa presença, pedimos-te, ó Senhor, anda no seu espírito. Eu sei que foi cantado em vários lugares. O irmão Enio frequenta a Igreja Adventista do sétimo dia em Almada, então, quando começou a ir lá pelas primeiras vezes, ninguém sabia que aquelas músicas eram suas. Não, foi um pouquinho diferente. Quando eu estava... Era a época da Covid, E as igrejas estavam dividindo, quem ia na igreja num sábado não ia no outro. Tinha que haver um espaço de não sei quantos metros entre pessoas, etc.

É, então a frequência era dividida. E eu liguei para o pastor Daniel Bastos, que era o pastor da Igreja de Almada, e falei com ele, olha, eu gostaria de ir à Igreja de Almada, cheguei aqui agora e tudo mais. E comecei a explicar. Ele perguntou o meu nome e ele não estava me entendendo. Enio não é um nome muito comum em Portugal, pelo que eu descobri. Aí eu disse ao pastor, se eu tenho o Inário aí, olha o 481. Aí ele, na mesma hora, porque ele morou no Brasil, ele lembrou do meu nome. Aí ele, ah, Ínio, sim, eu sei.

Quando eu cheguei na igreja, ele foi me apresentar. Esse aqui é o Ínio. E ele já estragou tudo. Mas teve o caso, por exemplo, de um de um membro da nossa igreja lá, se não me engano é angolano. Ele chegou e disse, olha, eu sempre cantei esse hino, é um outro hino, não é um hino que foi gravado pelo Leonardo Gonçalves. chamar o amor de Deus. E sempre cantei esse hino. Agora estou conhecendo o compositor. Já aconteceu. Porque essa música que o Leonardo Gonçalves gravou, se calhar, faz com que uma nova geração também conheça as músicas do N, mais jovem, não é? Não sei se também quer cantar um bocadinho dessa música, também para quem está a ver.

É a pétala de cada flor que se abre, eu leio que Deus é amor. Esse foi um hino que eu fiz baseado no primeiro capítulo do Caminho à Cristo. Então tem um trecho ali, um parágrafo desse texto, desse capítulo, que deu origem a essa música. E que deu também origem ao musical, que já vamos falar mais à frente. Vamos para o nosso primeiro intervalo com Ennio Monteiro de Sousa, o nosso convidado no programa Olhos nos Olhos, e voltamos já a seguir.

Musicais e cultura

TV Novo Tempo, o canal da família, o canal da esperança. A segunda parte do programa Olhos nos Olhos estamos com Ennio Monteiro de Sousa, professor, um académico, um compositor, enfim, são muitos os títulos que eu poderia encontrar. Estamos basicamente a falar de música nesta parte do programa. Falava deste musical que, aliás, na verdade fez dois musicais, mas se calhar começaria por este, em que falou desta música O Amor de Deus. Que musical é este e em que medida foi inovador para a altura? É, a ideia que surgiu nos Estados Unidos é pegar a ideia dos musicais, e para contar uma história com música. Isso começou a ser usado nas igrejas, com compositores importantes como Ralph Camargo e John Peterson, todos produziram musicais, mas o musical tinha também uma parte de coreografia, de interpretação.

Nós temos uma foto até desse musical, que eu acredito que podemos mostrar agora, precisamente para ilustrar, ou seja, as roupas, as próprias músicas também são um bocadinho diferentes, não é? Mais apoteóticas. Não, elas tinham de contar uma história. Tinham de contar uma história, então, dependendo do ponto certo, ela tinha um caráter diferente. E a gente tentou fazer um musical americano e nós traduzimos e, quer dizer, nós tivemos de pasteurizar, quer dizer, nós tivemos de eliminar tudo aquilo que era contrário à nossa cultura.

Havia muita coisa de rock and roll ali envolvido. Então, nós tentamos, mas ficou forçado. E a igreja se dividiu. Ele disse, não, agora nós vamos fazer um outro musical, só que nesse aqui nós vamos mudar. Vamos fazer todo com o nosso padrão de música mais acessível ao brasileiro e com tema admitista. Aí nós pensamos, por que não o Caminho a Cristo? Aí nós fizemos uma história em que um viajante está procurando saber o caminho que vai até E nós íamos colocando os vários passos desse caminho, segundo os capítulos do...

Falámos em arrepedimento, confissão, fé, obras... Bem seguindo o roteiro. E as músicas acompanhavam esse roteiro. – E o Henrique as compôs todas. – Fiz todas. – E foi bem aceito esse musical? – Foi. Foi muito bem aceito. Porque o que aconteceu é o seguinte, apesar das inovações que tinha e tudo mais, a música era uma música bem dentro do padrão que fazíamos na época no Brasil. Então não houve assim um... um choque. Mas alguém considera, ou se calhar vou reformular a pergunta, o Hénio considera-se de alguma forma assim mesmo um compositor mais inovador, ou se calhar mais visionário, ou sempre teve a preocupação em ser mais consensual e que a música não abrisse brechas, no sentido em que não levantasse muros mas construísse pontos?

No início, eu até fui mais inovador. Estava propagando coisas dos Estados Unidos, estava fazendo, vamos fazer aqui. Mas depois eu caí em mim e disse, não, eu tenho de fazer alguma coisa realmente adequada à nossa cultura. Então, isso mudou. E agora que conhece, já está em Portugal há cinco anos, que conhece a cultura portuguesa, como é que vê esta diferença cultural, por exemplo, entre o Brasil, que também conhece obviamente muito bem, e Portugal, que também já conhece bem? Eu preciso conhecer mais de Portugal. Não tive muita oportunidade. O pouco que eu tenho oportunidade de ver, eu vejo que Divulga-se pouco.

Eu tenho visto alguma coisa na Novo Tempo. Eu sinto aqui que precisava ter mais. Precisava ter mais. Então, sei, o pouco que eu vi, achei muito bom e tudo mais, mas precisava ter mais. Esse é um problema, talvez, pelo número de membros que tem em Portugal, comparado com o número de membros que tem no Brasil. Atualmente são um pouco mais de 13 mil em Portugal e no Brasil, presumo que seja perto dos... Um milhão e cento. Exato, quase dois milhões. Há uma diferença. Há uma diferença enorme. Claro, claro. Énio, estamos a falar de compositores, estamos a falar, enfim, de nomes que

Segunda geração de compositores

também figuram nesse cenário e temos aqui um vídeo de alguém que gravou uma mensagem para o Énio, veja. Meu amigo Andy Monteiro, que prazer cumprimentar você depois de tantos anos. Eu quero reforçar o fato de que suas músicas, seus arranjos, suas ideias me inspiraram muito ao longo da vida. a sua vida é uma grande bênção, e eu agradeço a Deus, não somente por você, mas também pelo seu pai, esse grande compositor que deixou esse legado maravilhoso de música e inspiração. Que Deus abençoe você, sua querida esposa, e que vocês tenham muitos e muitos anos de vida, e que Deus continue guiando Cada passo de sua existência.

Existência que foi trilhada com amor, com idealismo e com inspiração. Um forte abraço, meu amigo, e que Deus a abençoe. É, o William e eu começamos a compor mais ou menos na mesma época. E tínhamos a mesma preocupação. fazer música brasileira, porque até a nossa... começarmos a trabalhar, quem estava fazendo era o meu pai e o professor Gellin, que também tem um hino no Inário, não nesse Inário, mas no Inário anterior, aquele... Eu quiser andar com Cristo...

Essa era a primeira geração, eu diria. Eu chamo de primeira geração de compositores brasileiros sem nenhum apoio, sem nenhum interesse da igreja por aproveitar esse trabalho. Compunha no verso dos bilhetes de avião. Bom, aí eu diria que o William e eu, e algumas pessoas, o Alexandre Reichert, o Mário Jorge Lima, E praticamente nós formamos o que eu chamaria hoje de segunda geração. Começamos a desenvolver alguma coisa que a igreja começou a aceitar e estimular e tomamos coragem E produzimos muita coisa.

É claro, o William tem um trabalho muito grande porque ele trabalhou na área da música para valer. Eu fui um músico bissexto e não... e trabalhava fora do meu trabalho normal, né? Mas ele diz que eu inspirei. Eu acho que não. nos inspiramos um ao outro. Chegaram a compor algo juntos ou nunca tiveram essa oportunidade? Eu tenho esse problema. Eu não consigo produzir em parceria. Nunca compôs nada com ninguém? Ninguém. O Mário Jorge reclama, diz, eu já fiz muita música com muita gente, com você eu não faço?

O que acontece é o seguinte, a música quando chega para mim, acho que Deus me dá, é a forma como Deus me dá a música. Ele me dá a letra e a música, normalmente, juntos. Juntos. Nascem juntos. Quando uma música, eventualmente, e a letra saem ali e eu sinto que não está combinando, aquilo fica de lado. Tem de combinar música e letra. E isso aí, então, Isso me impede de trabalhar em parceria. Fazer uma música...

Até Francisco Gonçalves, o pai do Leonardo, ele fez alguma coisa... Fizemos uma música juntos. Eu fiz a música, ele fez a letra. Mas acho que é o único caso. Mas escreve músicas quando lhe pedem ou não? Eu tenho que sentir essa necessidade? Às vezes quando pedem, mas não é muito fácil. Eu fiz muita música de casamento. Cada vez que alguém ia casar, faz uma música para o meu casamento. Depois de um certo tempo, já tinha esgotado. Outra coisa que também foi pedido, não é pedido, mas nós tivemos uma experiência no Rio de Janeiro, chamamos de lições cantadas.

Cada trimestre, pegava o tema da lição, fazia uma música para ser cantada pela igreja durante todo o trimestre na Escola Sabatina. Sente que tem alguma música injustiçada, diria, que acha que realmente é uma música que podia tocar muitas pessoas, mas que de alguma forma não se espelhou como imaginou? Não houve interesse. Tudo bem. Mas não identifica nenhuma música que tenha escrito e que acha que esta música deveria estar... deveria ser tipo o pam-pam-pam. Não, acho que não. Continua a compor, Hénio? Não, parei. Mas por decisão própria ou...? Não. Como eu lhe disse, tudo o que eu fiz, eu não fiz.

Me foi dado por Deus. Se Deus parou de me dar, Seja feito à vontade dele. Mas sente que atualmente não há melodias que lhe vêm à cabeça, é isso? Às vezes vem a melodia, mas é alguma coisa que não nasce como nascia antes. A melodia com a letra, junto. A mente fica trabalhando e tudo mais e aparecem certas coisas. Mas não é como antigamente. Quando é que foi a última música que compôs? Já foi há quanto tempo? Acredito que... Há uns 15 anos atrás. Em Portugal ele ainda não compôs nenhum...

Temos que lhe pedir para compor aqui pelo menos uma música. Quem sabe até para o nosso cenário adventista. Se for da vontade de Deus, tudo bem. Vamos para o nosso último intervalo e voltamos já a seguir. TV Novo Tempo, o canal da família, o canal da esperança. Terceira e última parte do programa Olhos nos Olhos, com Ennio Monteiro de

Carreira em informática

Sousa, ele que é compositor, mas também é um matemático. Como é que se identifica mais? Se alguém viesse na rua e lhe perguntasse, é matemático? É compositor? Depende de quem for essa pessoa. Mas se estiver sozinho em frente ao espelho, o que é que vê? Não. Na área que eu trabalhava, realmente, era conhecido como o Enio, o consultor. Mas na igreja, certamente... Claro, como o compositor. Quando falamos consultor, Enio foi... Enfim, a sua base é matemática, chegou a dar aulas, como dissemos, mas depois trabalhou essencialmente em informática, é isso? Exatamente. Quando ainda não havia computadores.

É, estava começando, não se chamava computador, eles falavam cérebro eletrônico. Cérebro eletrónico. Estamos a falar na década de 60, mais ou menos. Exatamente, década de 60. em que haveram grandes máquinas e faziam o que aquelas máquinas nessa altura? Eu trabalhava na Companhia Siderúrgica Nacional, que era uma das grandes construtorias na época, das grandes metalúrgicas da época. Eu trabalhava lá e tínhamos um computador daqueles enormes, com aqueles rolos antigos e tudo mais.

E nós fazíamos quase tudo ali. Contabilidade, controle de produção, folha de pagamento. E fazíamos também alguma coisa na área de controle científico. daquilo que era produzido ali na Siderúrgica. Fazíamos de tudo isso aí. Mas aí veio o progresso muito grande. Saí da Siderúrgica, fui para outras empresas e aí eu vi o mercado crescer. as empresas começaram a investir. Antigamente, somente grandes empresas, na época que eu comecei, eram somente grandes empresas que tinham condição de ter computador.

Mas depois, agora... Toda a gente tem. Agora, quem não tem computador? Ainda usa? Tem redes sociais e assim? Ou não liga muito a essas coisas? Pouco, mas não perdoo muito tempo. Uso inteligência artificial ou não está muito? Sim, uso muito inteligência artificial para estudo da Bíblia e para preparação. Estou fazendo uma série de estudos na Igreja de Almada sobre as profecias de Daniel Apocalipse. É impressionante a quantidade de informação adicional que eu consegui obter para esse material, para preparar esse material, usando inteligência artificial.

E muita coisa. Só para ter uma ideia, eu preparei a última apresentação que eu fiz, eu fiz um PowerPoint, para apresentar, e aí um irmão lá, um ancião lá, chegou para mim. Enio, faça um podcast disso aí. Eu nunca fiz um podcast, como é que eu vou fazer isso aqui? Não, faça um podcast. Eu disse, eu vou tentar, vamos ver. Aí eu disse, não, espera aí. Peguei o PowerPoint, passei para a inteligência artificial e disse, A partir desse PowerPoint, gere um texto pra podcast.

Ele gerou. Mas Enio, o Enio é talvez a pessoa que eu conheço que teve esta visão privilegiada desta evolução tecnológica que o mundo viveu, porque a minha geração, ok, crescemos, mas não tão antigo como o Enio que começou a trabalhar com computadores nos anos 60, 70, ainda antes, ainda sem haver internet, pelo menos na forma como nós a conhecemos. Como é que, com a sua visão privilegiada, como é que analisa a evolução da sociedade no caso da sociedade ocidental, em relação a estas mudanças tecnológicas e, mais recentemente, à utilização da internet, das redes sociais e tudo mais? Tudo, tudo na vida, todas as evoluções tecnológicas, desde a imprensa de Gutenberg e tudo o que se fez nesse sentido, tem o lado bom e o lado mau.

Sabendo usar, é ótimo. usando para o mal, e satanás está aí para conduzir isso, vai causar problemas. A internet é muito bom, muito boa, se bem usada, e péssimas. Redes sociais são ótimas, conheço pessoas que evangelizam através da rede social, mas também tem muita coisa ruim. Então, eu vejo essas inteligências superficiais, vai cair nesse mesmo problema. Usando o bem, ótimo. Usando o mal, vai ser... mais um meio de destruição. Uénio, tenho 81 anos, já disse que há mais ou menos 15 que deixou de compor, já

Estudo da Bíblia

está aposentado também há pelo menos mais de uma década, sensivelmente, mas se algo que não deixou de fazer é de estudar a Bíblia, de criar os seus seminários, as suas apresentações, porquê que o estudo da Bíblia continua a ser algo que acredito que nunca vá deixar de o fazer? É importantíssimo. É importantíssimo, eu me dedico fortemente a isso. O estudo da Bíblia, mergulhar verso a verso. Meu estudo da Bíblia é assim, eu vou verso a verso entendendo o que aquilo significa. Continuo aprendendo, estou fazendo aquele curso que o professor Rodrigo Silva tem divulgado aí, estou fazendo aquele curso da Bíblia Comentada, que também me ajuda a me aprofundar.

O fato de eu estar aposentado abriu caminho no meu tempo, no meu esforço, muito para isso aqui. Isso é hoje o grande objetivo da minha vida. Gostava agora que nos pudesse ajudar aqui a falar nesta relação Portugal-Brasil, que é um assunto que, enfim, não vou dizer que é um assunto polémico, mas é pelo menos um assunto que está na ordem do dia, quer dentro da igreja, quer a nível social, e o Enio tem esta visão privilegiada. Que semelhanças é que encontra entre estes dois países, entre estas duas culturas, entre estas duas sociedades, entre o Portugal e o Brasil? Semelhanças? O que chama mais atenção são as pequenas diferenças que acontecem, mas eu me sinto muito à vontade em Portugal.

Fui muito bem recebido. Alguns brasileiros reclamam de que são mal recebidos aqui, que existe xenofobia. Eu não tenho essa experiência. As pessoas com que eu convivo têm a melhor... A diferença são as palavras diferentes. Eu falo celular. Os portugueses falam telemóvel. Eu falo propina, falo estipêndio. É estipêndio? Estipêndio. Era o nome que lhe era dado, pelo menos na época do meu pai. Mas o que é que acha que Portugal pode aprender com o Brasil e vice-versa, que o Brasil pode aprender com Portugal?

Bom... Não vamos falar de futebol. No caso da igreja, especialmente, eu acho que há muita coisa que se faz no Brasil que poderia ser útil aqui em Portugal. Mas Portugal também tem coisas que chamam atenção aqui no que é feito. Eu percebo, na questão da igreja, o pessoal aqui é um pouco mais conservador. Tá certo? É conservador. Nesse ponto, eu acho que o Brasil tem algumas coisas a trazer.

A tribuna. No Brasil se chama-lhe a plataforma. Plataforma. As igrejas não estão mais usando plataforma, a maioria delas. Aqui a igreja é um pouco mais conservadora e ainda usa isso aqui. Eu tenho visto algumas diferenças nisso aí. Nesse ponto eu acho que o Brasil, essas experiências do Brasil poderiam ser úteis para Portugal. Eu me sentiria mais à vontade disso. Enio, eu tenho aqui uma lista final de perguntas rápidas que eu vou fazer, que gostaria de ouvir a sua resposta.

Perguntas rápidas

É aquilo que eu chamo o nosso momento pingue-pongue. Porquê? Porque eu digo aqui uma palavra, ou enfim, uma pergunta, e depois o Enio responderá como entender, se quiser responder. Um hino. Um hino? Quão grande és tu? E um compositor. Compositor? Já de Santos. Um livro da Bíblia. Livro da Bíblia? O que eu estou lendo agora, o que eu estou estudando agora? Mateus. Uma música sua. Música minha? Vou ficar com pegadas. Uma qualidade da sua esposa. Ah, sorriso dela! Um defeito seu.

Um defeito meu? Tenho muitos defeitos, mas eu luto muito, muito com... o que eu chamo de falta de humildade. Eu preciso aprender a ser mais humilde. Um conselho que o seu pai lhe deu que nunca esquece? Há bastante tempo que eu perdi o meu pai que eu não vou lembrar de um conselho específico. Um sonho que ainda gostaria de realizar? O único sonho que eu tenho é uma nova vida. Essa vida que não tem valor nenhum para mim.

Mensagem dos filhos e encerramento

Eu estou esperando a outra. E uma palavra para definir Deus para si? Amor. Deus é amor. Enio, temos um último vídeo que eu gostaria de partilhar com o Enio, de alguém que também fez questão de gravar uma mensagem para si. Um compositor inspira as pessoas através das melodias que ele compõe e através das letras que ele escreve. Um pai inspira seus filhos através de palavras, orientações e, acima de tudo, através dos exemplos. Quando eu reflito na minha própria vida, eu vejo que muitas vezes eu segui os mesmos caminhos do meu pai. Seja tendo escolhido a mesma carreira profissional ou estando envolvido com a música na igreja e em outras coisas também, eu sinto que eu coloquei os meus pés nas pegadas que foram deixadas para mim, como diz a letra do hino 390 de autoria do meu pai.

Então, meu recado para ele hoje só podia ser esse. Pai, obrigado pelas orientações, pelos exemplos que me serviram de guia e inspiração na minha vida. Esse é o Sandro, meu filho. Ele seguiu meus passos mesmo em todos os sentidos. Ele é profissional da informática, compõe, toca piano, Exatamente. E, sobretudo, tem um grande orgulho em si, a forma como ele se emociona a falar do pai. É. Ele aprendeu a programar aos nove anos, olhando por cima do meu ombro, enquanto eu programava no computador.

Um dos primeiros computadores pessoais que eu consegui ouvir ter para mim. E ele aprendeu isso aqui. Ele se desenvolveu e foi muito mais além do que eu consegui fazer. E nós queremos agradecer ao Sandro e mostrar a última foto, que é precisamente, acredito, a foto mais valiosa que o Enio tem, que é a foto aqui com... É só com os netos, não estão aqui os filhos. Na verdade, esta foto já é bem antiga, porque todos os seus netos já são adultos. É, é a foto com os netos. A minha esposa, e os meus quatro netos. Enio, a minha última pergunta, se algum dia alguém quisesse escrever uma música sobre a vida do Enio, que título é que gostaria que essa música tivesse?

Vamos imaginar um musical, Jader Santos reúne os melhores compositores do Brasil, os melhores cantores, Leonardo Gonçalves vai lá, e vamos então criar um título para este musical inspirado na vida do Enio. Que título é que gostaria de ter? Eu diria que Deus usa pessoas improváveis. Muito obrigado, Vênia, por ter estado connosco aqui no Olhos nos Olhos e que Deus a continue a abençoar.

Sobre este episódio

Descubra a história inspiradora de Enio Monteiro de Sousa, compositor de hinos marcantes, num testemunho tocante sobre fé, música e legado familiar. ✨

Série
Olhos nos olhos · 31 episódios
Temporada e episódio
Temporada 1 · Episódio 29
Estreou
11 de Setembro de 2026
Categoria
Outros