Síndrome do impostor

Síndrome do impostor

02 de Junho de 202626 min 10 s

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É sempre com muito carinho e com muita amizade que aqui nos encontramos, mais uma semana, mais um episódio deste que é o seu programa Mentes que se Sentem. Aqui nós pensamos, refletimos juntos, damos informações, damos algumas orientações para que você e nós também possamos ter o maior possível de uma saúde mental. completa, repleta de alegria, de felicidade, de realizações, mas é verdade que nem sempre a vida se apresenta assim e por isso estamos aqui, para o ajudar, para ajudar nesses momentos mais difíceis, para ultrapassá-los pela graça de Deus. E mais uma vez, estou com a doutora Cristina Dias. Olá, Cristina.

O síndrome do impostor

Mais uma vez, obrigada pelos teus ensinamentos. Obrigada por poder partilhar, por ser acolhida nesse aspecto, por si, que nos acompanha também. Cristina, sei que não é muito fácil dizer isto, mas poderemos dizer que nós todos os dias mudar de máscara é um bocadinho cansativo. Mas é assim que muitos de nós, por vezes, vivemos e nos sentimos. Nós vivemos vidas de aparente sucesso, quando na realidade até pode não ser, e não ser essa a realidade. E por vezes, por causa disso, podemos sentirmos, aparentemente, que estamos a enganar os outros, porque parece-nos que não estamos a ser genuínos na nossa essência.

Sentimos até, como uma palavra forte, mas convém falar sobre ela, um pouco impostores, que não somos o que na realidade devíamos de ser. Eu sei que a ciência, Cristina, tem vindo a falar, e achei muito interessante, daquilo que é o síndrome do impostor. E é interessante, foi curioso para mim nem saber que existia, portanto, este assunto falado e, portanto, vamos aprender de ti. O que é que é isto do síndrome do impostor? Ajuda-nos a conhecer melhor este tema. Obrigada Milú pela questão. Ela é altamente pertinente e nós ao longo deste episódio, sem dúvida, vamos ter uma melhor percepção daquilo com o qual estamos a lidar.

Mas se me permites, para poder dar aqui a introdução e responder a essa pergunta sobre o que é o síndrome do impostor, Eu gostava de te ler duas citações, ler a ti e àqueles que nos escutam e vêm também. Ela está original em inglês, portanto eu vou fazer uma tradução livre, que não é necessariamente fidedigna, e depois eu vou identificar a pessoa. Então, uma das citações diz assim. Aquilo que é suposto tu fazeres quando não gostas de uma coisa, é mudá-la. Se tu não consegues mudar esta coisa, muda a forma como tu pensas acerca dela. Mas não te queixes. Quando tu ouves isto, qual é a ideia com que tu ficas da pessoa que escreve?

Está a dar um recado e é duro. E achas que é uma pessoa insegura? Pois não. Claramente não. Agora eu vou te dizer quem é que desse esta citação. Aliás, perdão. Vou ler a outra citação desta pessoa e depois vou identificá-la. Diz assim. Cada vez que eu escrevo um livro, cada vez que eu me enfrento àquele bloco de notas amarelo, o desafio é enorme. Eu já escrevi 11 livros. Mas de cada vez eu olho. Agora é que eles vão descobrir a verdade. Que eu estou aqui a fazer um jogo com toda a gente. E eles vão descobrir a verdade de quem eu sou.

Achas que é a mesma? Aparentemente parece a mesma pessoa. Parece mais frágil. Exatamente. Estas duas citações, no seu original, foram ditas por Maya Angelou. Ela era uma pessoa dos Estados Unidos, escritora, poetisa, ativista dos direitos civis americanos, trabalhou com Martin Luther King também, a senhora já não é viva. e é reconhecida como uma das maiores vozes a nível da escrita, a nível internacional. Teve uma vida extremamente difícil. Aliás, um dos primeiros best-sellers dela conta exatamente os primeiros anos de vida até aos 17 anos e tudo aquilo que ela passou, inclusive abusos e uma série de circunstâncias. E quando tu olhas para a citação da mesma pessoa, a primeira, aparentemente plena de segurança, e a segunda, que parece que se sente uma fraude, tu dizes, não parece a mesma pessoa.

Gostava agora de lhe ler um outro trecho, que foi dito por Serena Williams. Serena Williams, uma das tenistas, do expoente da atualidade e das últimas décadas também. E esta foi uma entrevista que ela deu e que ficou registada num artigo na revista Time Magazine, em 2015. E ela diz o seguinte. Em toda a sua modalidade, apesar de toda a sua prática, preparação e confiança, até os melhores atletas em qualquer desporto têm uma voz de dúvida dentro deles que diz que eles não são bons o suficiente. Eu tenho a sorte de que, qualquer que seja o medo que esteja dentro de mim, o meu desejo de ganhar é maior.

mas eu olho para isto e pergunto. Uma atleta de renome, com tantas conquistas, diz publicamente que todos eles têm uma vozinha na cabeça que diz que eles não são boas o suficiente. Então isto surpreende-me para pessoas que são altamente competentes, duvidam de si próprias, E surpreende-me não só a mim, mas como provavelmente a maioria de nós, porque nós olhamos e dizemos, mas têm tudo. Têm tudo para não duvidar de si próprias. E será que as pessoas comuns também duvidam de si próprias? E nós diremos, claro que sim. Claro que duvidam, mas será que esta dúvida pode ser uma dúvida que vá para além daquilo que é razoável? E já vamos tentar perceber o que é que isto tem a ver com o síndrome do impostor.

Então eu desafiava-te, a ti, a mim, aqueles que nos ouvem, a tentar responder se se identificam com estes pensamentos quando estão perante uma situação. Fiz algo. Ah, tive sorte. Isto foi por acaso, não fui eu propriamente. Os outros são mais competentes do que eu. A qualquer momento vão perceber que eu não sei bem o que é que eu estou para aqui a fazer. Preciso trabalhar mais do que os outros para compensar, para não haver aqui falhas. Ou eu não mereço este lugar ou eu não mereço esta oportunidade. Estas perguntas encaixam-se em algo que é muito comum às pessoas que lidam com o síndrome do impostor. O síndrome do impostor não é uma doença, que fica desde já claro.

É um fenómeno psicológico muito bem estudado há décadas. E ele surge quando? É sugerido quando? Na década de 70, duas psicólogas norte-americanas, elas conduziram um estudo mais concretamente em 1978, Pauline Clance e Suzanne Hines, e elas conduziram esse estudo com 150 participantes que tinham duas características. A primeira era que eram todas mulheres. E a segunda é que eram mulheres de alto desempenho e sucesso nos seus diversos campos de atividade. A descoberta-chave é que elas fizeram. Primeiro, 70 a 80% destas pessoas sentiam que não mereciam o sucesso que tinham.

65% deste grupo de pessoas atribuíam as conquistas que tinham à sorte. 60% tinham medo de serem descobertas e perceberem que elas eram uma fraude. E 55% apresentavam um perfeccionismo altamente elevado. Portanto, pessoas altamente competentes que acreditavam que não mereciam o seu próprio sucesso. A investigação foi evoluindo. Há vários estudos e várias experiências sobre isto. Eu retirei só alguns, com alguns tópicos importantes. Em 1985, uma destas psicólogas desenvolve uma escala, a escala Clance, que foi criada exatamente para medir a intensidade do síndrome do impostor.

O que é que ela descobriu? Que o fenómeno também afeta homens. Portanto, não é exclusivo das mulheres, mas que também afeta em larga escala os homens. Tanto que esta escala ainda hoje em dia é utilizada em investigações, em contextos empresariais, em contextos hospitalares, por exemplo. Na década de 90 e até 2010 foram produzidos vários estudos com grupos diferenciados, grupos de estudantes, grupos de profissionais de saúde, líderes. O que é que eles perceberam? Que o síndrome do impostor estava amplamente associado a quadros de ansiedade, depressão, stress e burnout. Em 2020, um outro investigador, Bravata, e o seu conjunto de colegas fizeram uma revisão dos vários estudos que existiriam e escolheram, particularmente, 62 estudos que envolviam, na sua totalidade, 14 mil participantes.

E foram fazer uma meta-análise desses estudos, tentar perceber as principais conclusões. O que é que eles perceberam? Que, em média, 70% destas pessoas sentiam-se ou identificavam-se com o síndrome do impostor. Nós estamos a falar de quase 10 mil pessoas, eventualmente. Quem eram os mais afetados? Estudantes universitários, profissionais de saúde, mulheres em cargos de liderança e associaram também, para além da questão do stress, da depressão e da ansiedade a elevados níveis, a dificuldade em aceitar novos desafios. Então, o síndrome do impostor é uma experiência interna que nós vivemos, em que nós acreditamos que não sou tão competente, tão inteligente, tão sábio, tão capaz ou etc, etc, etc, como os outros acham que eu sou.

E por outro lado é acompanhado de níveis elevados de ansiedade ou medo, que os outros descobram que tu és uma fraude. Está ligado a padrões de pensamento muito específicos, nomeadamente o sucesso é visto como sorte, o erro é visto como uma falha pessoal não pode existir e a tendência pressenta é que tu nunca és suficiente e que nunca encaixas num determinado grupo. Por que é importante falarmos sobre isto? Primeiro porque todos nós, em algum momento da nossa vida, vamos sentir isto. Mas mais uma vez voltamos a referir. Estamos a falar, portanto só pode ser diagnosticado isto, esta característica, se nós estivermos a falar de uma coisa que é frequente ao longo do tempo para a própria pessoa.

E por que é que ela é importante e foi estudada? porque ela pode bloquear-te oportunidades. A nível pessoal, a nível profissional, ela cria uma ansiedade constante e ela pode levar-te à exaustão. Nós teremos a oportunidade de continuar a aprender sobre este síndrome do impostor. Daqui a pouquinho vamos fazer a nossa pausa habitual.

Causas e fatores predisponentes

TV Novo Tempo, o canal da saúde, o canal da esperança. E cá estamos mais uma vez para dar continuidade a este episódio onde estamos a falar sobre um tema muito interessante, particular, o síndrome do impostor. Queríamos, no entanto, não deixar de fazer referência a esta revista, a este guia de estudo que temos para si, para enviar para si de forma gratuita. para a sua família, para os seus amigos. Se já tem este manual em casa, com certeza confirma o que estou a dizer. É, sem dúvida, um manual que tem assuntos muito pertinentes para a questão da nossa saúde mental. Se é a primeira vez que está connosco, ou as primeiras vezes ainda não tem, pois faça o seu pedido através do contacto 933 93 92 91.

e nós teremos com certeza muita alegria em poder enviar para si de forma gratuita este manual que, acreditamos, será sem dúvida uma mais-valia. Cristina, poderemos perguntar de forma assim muito clara, o que é que é isto, como é que é ter o síndrome do impostor? Então, de uma forma muito clara, vamos utilizar a resposta de alguém que vive com isto e que disse de uma forma taxativa. Disse assim, olha, é como teres um péssimo amigo dentro da tua cabeça a dizer mal de ti. É isto que a pessoa sente. É doloroso isso. Muito. Muito doloroso. E isto tem um ciclo, ou seja, surge-te um desafio e isto causa-te muita ansiedade, esse desafio.

Depois aparece a dúvida. E se? E se eu não sou capaz? Ou se descobrirem que eu não sou tão bom como os outros? Ou se perceberem que eu posso falhar? Depois a pessoa rega de geral esforça-se ao máximo. Então nós temos aqui elevados níveis de perfeccionismo ou, não tão comum, mas há situações em que a pessoa procrastina a tarefa também. A pessoa tem sucesso na sua tarefa, mas em vez de reconhecer o mérito pelo fato de ter tido sucesso, pensa, foi sorte. E o ciclo recomeça novamente. Aliás, esta pessoa que lida com isto diariamente dizia que são os quatro fantásticos, nomeadamente a ansiedade, a dúvida, o perfeccionismo e o medo de falhar. E a ciência mostra que o problema não está tanto na tua capacidade, mas na forma como tu interpretas o teu próprio desempenho.

Então, poderemos perguntar porquê é que se desenvolve? não tem uma explicação isolada. É uma combinação de fatores psicológicos, sociais e ambientais, mas nós sabemos que há alguns fatores predisponentes. Um deles tem-se identificado com pessoas que lidam com o síndrome do impostor. São pessoas altamente perfeccionistas, portanto exigem padrões extremamente altos de si próprias e associam pequenas falhas a uma prova de incapacidade. Isto reforça o medo de ser descoberto. Outra característica tem a ver com ter crescido, ou viveres, ou trabalhares, ou estudares num ambiente altamente crítico ou com expectativas que são muito elevadas, em que os elogios ou o reforço em relação àquilo que tu fizeste são condicionais, a um desempenho ou a uma crítica excessiva.

E aqui permite-me falar de alguém, de uma outra pessoa que também lida com este síndrome do impostor e que me dizia o seguinte. Eu cresci numa família altamente militarizada. Isto porque o pai, efetivamente, vinha de uma estrutura militar. Mas o pai era uma pessoa que dificilmente reconhecia o sucesso dos filhos. E então, não podia haver margem para erros, então sabiam que tinham que trazer notas acima dos 90%. E esta pessoa dizia, olha eu recordo-me de várias vezes ter trazido notas acima dos 90% e ele tinha uma de duas atitudes, ou não dizia nada ou então dizia coisas do género. Essa escola onde tu andas deve ser muito fácil. Outra característica que pode predispor a pessoa a isto são pertenceres a um grupo que tenha sido alvo, que seja grupos minoritários ou sobrerepresentados, minorias por exemplo, em que tenham havido experiências de discriminação estereótipos.

Parece que tu sentes necessidade de provar constantemente o teu valor. Vou agora utilizar um estereótipo. É o mesmo que eu trabalhar numa oficina de mecânicos, numa oficina de renome, eu sou mulher, parece que preciso provar constantemente aquele valor, o meu valor. E eu, por exemplo, sou um homem que trabalho no mundo da maquilhagem, vamos supor, e eu preciso provar constantemente o meu valor. Claro que eu estou a dar um estereótipo, mas é só para percebermos. Outra questão que também pode predispor é a questão das comparações sociais. Pessoas que valorizam muito aquilo que vêm sobretudo exposto nas redes sociais e que parece que todos são melhores. Outro fator predisponente também é esta questão que nós já falamos, as pessoas ficam mais vulneráveis a esta situação quando internalizam que o sucesso é atribuído à sorte e não a mérito próprio.

E há também alguns traços de personalidade que fazem com que a pessoa seja ou tenha uma alta sensibilidade à crítica ou tenha uma autocrítica interna muito elevada ou tenha níveis de ansiedade elevados ou baixa autoestima que podem predispor também para isto. Então perguntar, Cristina, o que fazer? Como é que podemos lidar com estas situações?

Estratégias de superação

Olha Milo, mais uma vez não existe uma solução única. Existem pequenas estratégias que nos podem ajudar. E aqui permite-me um exemplo pessoal. Recentemente, Tive que dizer lá em casa, este sofá está demasiado estragado. E quando eu digo demasiado estragado, era muito estragado. E então pedi para fazerem a recolha do sofá. E quando estava a pedir para levarem o sofá para um determinado local, para quando fizessem a recolha estar mais acessível, os meus filhos diziam assim, mas porque é que vamos dar o sofá? Então o filho olha bem para ele, como é que ele está, mas ele é confortável. Está bem, mas é confortável, nós temos que encontrar outra alternativa".

E depois brincava, olha, fazes como num infantário, sentas-te numa almofada no chão e fazes perninhas à chinês. Brincava. Mas isto levou-me a refletir que, na realidade, quando nós nos acomodamos a uma situação que nos parece confortável ou que está dentro da nossa zona de conforto ou conhecida, nós não tendemos a procurar soluções. Portanto, só quando nós tiramos o sofá lá de casa é que nós estamos agora à procura de uma solução e vemos que aquela efetivamente não era a melhor solução. Quando nós compreendemos... Agora vamos passar para a questão do síndrome do impostor. Quando nós compreendemos que isto se passa dentro da nossa cabeça, então nós podemos fazer algumas coisas. E a primeira é dar nome às coisas. Tantas e tantas vezes falamos nisto. Então se eu percebo que eu acho tanto as tuas lidar com uma coisa que tem nome e que é o síndrome do impostor, eu consigo criar aqui algum distanciamento emocional.

Sabes que esta mesma autora tinha uma coisa, uma outra frase, que vou fazer mais uma vez tradução livre, que eu acho que se encaixa na perfeição nisto. Diz assim, eu posso ser mudada por aquilo que me acontece. mas eu recuso-me a ser reduzida a isso. Então, se eu me identifico com isto que estou a ouvir, a primeira coisa que eu percebo é que eu não tenho que me resignar a esta situação. Segundo, identificar as mentiras que nos limitam e que nos isolam. sentir-me incompetente é diferente de ser incompetente. Permite-me mais uma vez um exemplo prático de alguém que lida com isto. Uma pessoa que trabalha na área da investigação e que faz várias experiências ao longo do dia e diz que estava altamente frustrado porque as experiências, na realidade, 90% não corriam bem e eu achava que não tinha capacidade para aquilo.

Até que eu comecei a registrar o porquê que as experiências não corriam bem e percebi que na maior parte dos casos tinha a ver com a questão do equipamento e não com falha humana. Outra questão, outra mentira, tem a ver com não posso falhar. Nós olhamos para a ideia da vulnerabilidade como fraqueza. E a verdade é que nós até temos um discurso bonito em relação a aceitar a vulnerabilidade, mas bem lá dentro nós dizemos, eu não quero ser vulnerável porque eu sou um fracote. É isto que nós dizemos. Mas se nós percebermos que a vulnerabilidade nos ajuda a perceber limites e a trabalhar forças, ela já não é assim tão inimiga. Outra questão de que eu acho que não posso ou não devo pedir ajuda. Então, se o teu carro avariar no meio da autostrada, tu não vais chamar a assistência em viagem.

Isto não é pedir ajuda. Porque é que uma é menos merecedora do que a outra? Um outro aspecto que é extremamente importante tem a ver com todos, mas todos nós, temos a tendência de nos compararmos com a ideia do outro sobre o que é sucesso. E a pergunta que eu coloco é, o que é que é o sucesso para ti? Recentemente eu estava a falar com um jovem que me dizia assim, eu acho que sou um péssimo filho, eu acho que sou uma péssima pessoa. Ok, o que é que é ser uma boa pessoa para ti? Não me soube responder. Soube-me responder estereótipos. Mas tu achas e identificas-te com isto? Então primeiro eu tenho que perceber o que é que para mim é sucesso, o que é que para mim é ser uma boa pessoa e não aquilo que os outros me dizem.

a reconhecer as minhas competências, reconhecer as minhas fragilidades. Isso pode ajudar-me, perante um novo desafio, a não desistir logo à primeira. Porque nós não somos só competências. Por outro lado, as pessoas que lidam com o síndrome do impostor estão muito focadas nos resultados. E aquilo que eu digo é foca-te mais no processo. Recentemente falava com alguém que me dizia assim, eu acho que sou uma pessoa mediana, Nunca sou boa em nada. E não és boa em nada porquê? Porque olha os meus resultados. No secundário eu tirava 80%. Era difícil tirar acima dos 80%. Portanto, eu sou mediana. E o que é que tu fazias? Olha, eu sempre me esforcei muito. Sempre tentei investir imenso. E depois ficava frustrada porque o resultado não era aquele.

Ok, então se tu tiravas 80% porquê é que tu voltavas a estudar para o próximo exame? Então, porque eu sou uma pessoa esforçada, tu não só és uma pessoa esforçada como és uma pessoa altamente resistente à frustração. Caso contrário, não voltavas a tentar. Então, olhar para o resultado e dizer que eu sou mediana em todas as áreas da vida porque eu não tiro acima dos 80%, é altamente injusto para esta pessoa. mas reconhecer que o processo me molda, que eu sou uma pessoa que não desisto, que eu sou uma pessoa que estou a ter estratégias, possa tentar mudar as minhas estratégias e que sou uma pessoa que, na realidade, sou altamente resistente à frustração, ajuda-me a perceber as coisas de outra forma. Outra questão que é muito importante para quem lida com isto, aceitar o elogio pura e simplesmente por aquilo que ele é, não estar a rebater, eu não mereço.

Mereces, alguma coisa estás a fazer bem, caso contrário não estarias a ter aquele elogio. aceitar que nós não vamos saber tudo, que haverá sempre alguém que vai saber mais do que nós e ok. Não temos que olhar para isso como um fator comparador, mas como um fator de aprendizagem. Porque o conhecimento é algo dinâmico. Eu hoje estou a dizer uma coisa, amanhã estou a aprender uma coisa que acrescenta algo mais. Eu não tenho que me sentir ameaçado porque o outro sabe mais do que eu. Ou não tenho que sentir que o outro é melhor do que eu porque sabe mais do que eu. Ele chegou lá e eu também chegarei lá. Aceitar que vais ter dúvidas, inseguranças, que vais ter fracassos, mas não permitir-se que isto te controle. E aqui permite-me só terminar com um exemplo muito simples.

Recentemente eu ouvia alguém que é responsável de uma grande empresa australiana, que lida, no hábito tecnologia de ponta, que lida com este síndrome do impostor e dizia assim Eu ganhei vários prémios no âmbito do empresário do ano e houve uma altura em que eu estava numa entrega desses prémios, já a nível internacional, a representar a Austrália enquanto país e olhava à minha volta e havia pessoas que eu dizia, como é que é possível que eu esteja ao mesmo nível destas pessoas? E ao meu lado estava um senhor com provas dadas, 70 e tal anos, na mesma mesa, um empresário também com muito renome, não vou identificar, porque senão claramente nós iríamos perceber quem era a pessoa, e ele partilhou e dizia, eu sinto que eu não mereço estar aqui, todos os outros estão muito mais inteligentes.

E aquela pessoa dizia-lhe assim, pois fica sabendo que eu também acho que eu não. Mas alguma coisa boa tu estás a fazer, portanto continua. E é isso que eu quero dizer à pessoa. Aceita aquilo que tu és e não apenas aquilo que a tua mente te leva a querer acreditar. Muito obrigada, Cristina. O tempo passa a voar e com certeza que com Deus, sobretudo com Deus na nossa mente, nós tiraremos sempre o mais positivo daquilo que o Senhor quer, que valorizemos na nossa vida e que conquistemos na vida também. Muito obrigada mais uma vez, Cristina. Ficamos por aqui neste episódio e, pela graça de Deus, encontramos-nos na próxima semana. Até lá.

A nossa oferta

Sobre este episódio

Neste episódio de Mentes que Sentem, a conversa aborda um tema cada vez mais presente na vida de muitas pessoas, o síndrome do impostor.

Série
Mentes que Sentem · 50 episódios
Temporada e episódio
Temporada 1 · Episódio 52
Estreou
02 de Junho de 2026
Categoria
Saúde