Mais uma semana chegou e cá estamos convosco, consigo, para mais um episódio deste que já é o seu programa Mentes que se Sentem. É sempre bom estarmos aqui, estamos gratos a Deus por nos dar esta oportunidade de estar consigo. Talvez tenha já partilhado com alguém estes mesmos episódios. E oramos sempre ao Senhor para que vá ao encontro das suas necessidades, mesmo que não sejam as suas de algum querido que você ama ou que conhece e que poderá, sem dúvida, ser abençoado por todos estes ensinamentos. Mais uma vez, nós estamos na presença da doutora Cristina Dias. Olá, Cristina. Mais uma vez, muito obrigada pela tua presença. Obrigada Milú e conforme temos dito é bom estarmos aqui contigo e consigo.
É verdade. Cristina, nós recentemente tivemos uma pergunta que recebemos e que achaste por bem podermos falar um pouquinho sobre ela porque realmente é bastante pertinente. de um dos nossos ouvintes. Aliás, recebemos várias perguntas e aproveitamos já para dizer que em breve teremos um episódio para podermos falar sobre isso, poder responder a todos
aqueles que nos vêm nas suas dúvidas. E este ouvinte, portanto, fazia uma pergunta interessante, que ele pergunta como distinguir o esquecimento normal da idade e problemas mais graves de memória. Creio que esta questão é comum a várias pessoas. O que é que nos poderás dizer sobre isto? Eu creio que esta questão é mais transversal do que aquilo que nós temos noção. E às vezes nós associamos isto a uma determinada faixa etária e vamos por nós a pensar, mas será que? E eu gostava de começar com dois exemplos simples e corriqueiros, provavelmente, do dia-a-dia de muitos daqueles que nos ouvem também. Imagina a seguinte situação, uma criança de cerca de 4 anos de idade a quem tu todas as noites lês uma determinada história, uma história que é habitual.
Estás a ler a história para a criança e a criança diz-te, não é assim, esqueces-te disto. Ou não se faz assim, às vezes porque faz um tom de voz ou alguma expressão específica em relação ao personagem. E isto, sem dúvida, é comum a muitos de nós. Segundo exemplo, e já vamos tentar perceber o que é que eles têm em comum. Dizes, onde estão os meus óculos? Estou farta de os procurar, não os encontro. E tu respondes, estão na tua cabeça. Isso. O que é que estes dois exemplos têm em comum, entre outras situações? Em primeiro lugar, têm em comum a questão da memória. Só que nós no primeiro exemplo sorrimos e dizemos aquela criança tem uma memória impressionante. No segundo exemplo somos capazes de esboçar um leve sorriso, mas se isto começa a acontecer mais do que aquilo que eu acho que é desejável, faço a pergunta, será que eu deveria me preocupar com esta questão?
E para poder responder a essa pergunta do nosso ouvinte, que é altamente pertinente, primeiro nós temos que responder a duas outras questões. A primeira é, o que é que é a memória? E a segunda é, como é que ela funciona? E nós, muitas vezes, temos a ideia que a memória é um lugar específico no nosso cérebro. Não. A memória é um processo dinâmico que envolve várias estruturas no nosso cérebro e que envolve várias etapas. E a memória permite-nos aprender com experiências passadas, permite-nos tomar decisões no presente e permite-nos planear o futuro. E a verdade é que, em termos deste processo, da forma como este processo se desenvolve na nossa mente, ele é divido em três fases principais.
A fase da codificação, a fase do armazenamento e a fase da recuperação. E de uma forma muito simples vamos tentar perceber um pouco melhor o que é isto. O que é isto da codificação? É o que nós estamos a fazer exatamente neste momento. Quando tu recebes informação por uma via dos teus sentidos, seja ouvir, seja ver, seja sentires, por exemplo, o teu cérebro tem necessidade de transformar aquela informação em sinais cerebrais. Portanto, está de alguma forma a codificar isto e nesta fase Há um aspecto que é extremamente importante, que tem a ver com a atenção. Quanto mais atenção tu dás àquela informação, maior probabilidade existe de que tu a venhas a reter.
E vamos pegar mais uma vez num exemplo. Imagina que tu me dizes assim, Cristina, logo vou ao supermercado, precisas de alguma coisa? E eu respondo, olha, se não te importas, trazes-me um quilo de laranjas. E tu podes chegar a casa com ou sem as laranjas. Ela muitas vezes, esta informação vai estar muitas vezes, o ato concreto vai estar associado ao quê? Ao nível de atenção que tu dás à informação que te foi transmitida. Eu às vezes brinco e digo, eu fui ao supermercado buscar uma coisa e trouxe várias menos daquela coisa, não é? A segunda fase deste processo da memória tem a ver com o armazenamento. É onde a memória fica guardada. Guardada em traspas.
E há várias estruturas cerebrais envolvidas, mas há duas em particular, o córtex pré-frontal e uma que me vão ouvir falar mais frequentemente, que é o hipocampo, que têm um papel fundamental nesta questão do armazenamento da memória. E a memória, na fase do armazenamento, ela pode ser armazenada em sistemas diferentes. Ela pode ser armazenada naquilo que nós chamamos de memória a curto prazo, também conhecida como memória de trabalho. E é quase como se fosse um bloco de notas mental. Portanto, aquilo que tu estás a fazer ali é ter uma informação que vai ter uma durabilidade de alguns segundos ou de alguns minutos. Tem uma capacidade limitada e mais uma vez está muito indexada à questão da atenção que nós lhe damos.
Portanto, imagina mais uma vez um exemplo. Cristina, não te importas de me ligar imediatamente para este número 333-222-11? Vamos supor, dizes-me. A minha memória de curto prazo está a reter temporariamente aquela informação e estou a digitar o número e a passar-te o telefone. Mas agora imagina que daqui a duas horas tu me perguntas, lembras-te daquele número que eu te pedi? Como eu não lhe dei a atenção suficiente, ele não passou para a memória a longo prazo. Então, estava a dizer que na fase do armazenamento nós temos vários sistemas. Temos o sistema associado à memória de curto prazo, também conhecida como memória de trabalho, e temos a memória de longo prazo. E a memória de longo prazo, esta sim, é a capacidade que o cérebro tem de armazenar informação ou de recuperar essa mesma informação de forma muito mais duradoura, por dias, anos ou a vida toda.
Tem uma capacidade quase limitada. Agora, a nossa memória de longo prazo, ela se subdivide sem tipos. E nós não estamos com isto a querer ser exaustivos sobre este tema, mas queremos que as pessoas compreendam que não é um tema assim tão simplista. E quando nós às vezes dizemos, será que este esquecimento é efetivamente uma coisa à qual eu devo estar atenta ou não, nós primeiro temos que perceber o que é que está na origem, o que é que está na base. Então, uma das memórias a longo prazo é o que nós chamamos de memória declarativa ou memória explícita. E ela tem a ver com o armazenamento de factos ou acontecimentos.
Ontem eu almocei arroz, por exemplo. Há 20 anos atrás eu fiz esta viagem. Tem a ver com a nossa memória de longo práxito explícita declarativa. Mas nós depois também temos a memória não declarativa, que também é uma memória de longo prazo. E ela está associada à questão de hábitos, de comportamentos, de habilidades motoras. Não é incomum nós dizermos assim. E sei que o andar de bicicleta, uma vez aprendido, nunca mais se esquece. E efetivamente, se tu pensares, quando nós aprendemos a andar de bicicleta, nós não voltamos a esquecer. Da mesma forma como quando nós aprendemos a tocar um instrumento musical, não voltamos a esquecer. Podemos ter necessidade de ter mais ou menos treino, mas não esquecemos, porque está nesta memória.
Esta memória que tem a ver com competências, que tem a ver com habilidades também. E depois nós na memória, a longo prazo, temos também um outro tipo de memória, que é a memória semântica. E ela tem a ver com conhecimentos gerais e vocabulário. Se tu me perguntares, não tem necessariamente que estar associada a nenhum aspecto específico da minha vida. Se tu me perguntares, Cristina, qual é a capital de Portugal? Eu vou-te dizer é Lisboa, mas eu posso nunca ter ido a Lisboa. Eu posso não ter uma vivência ou uma recordação daquilo. Eu posso não ter tido uma experiência daquilo. Então, há aqui algumas mensagens-chave a repetir. Primeiro, a memória é múltipla. Segundo, a memória de curto prazo trata com informação ativa, manipula a informação do momento.
A memória a longo prazo Ela armazena factos, experiências e habilidades. E existem várias experiências e vários estudos associados à questão da memória.
Eu gostava de partilhar dois ou três contigo, com aqueles que nos ouvem também, para compreendermos um bocadinho a profundidade deste tema. Houve um estudo que se tornou, de alguma forma, uma referência no âmbito dos estudos da memória. em que foi realizado com um paciente e durante muitos anos o nome deste senhor não foi revelado. Era o estudo do HM só em 2008, por questões éticas é que o nome do senhor foi revelado, já ele tinha falecido. Este era um paciente norte-americano que tinha crises gravíssimas de epilépsia. E em 1953, na perspectiva de tentar controlar estas crises tão graves no âmbito da epilepsia, ele foi sujeito a uma cirurgia experimental em que lhe removeram algumas partes do cérebro e em que uma das partes afetadas foi exatamente o hipocampo, a tal estrutura cerebral que eu dizia que tem um impacto fundamental na questão da memória.
O que é que eles verificaram? É que após a cirurgia, ele desenvolveu uma condição clínica que nós chamamos amnésia anterrógrada. Ok, vamos tentar simplificar esta palavra complexa. Entre outras questões, de que forma é que nós verificamos que a pessoa está a padecer desta condição clínica? A memória, a longo prazo dele, ficou afetada. Ele não conseguia formar novas memórias a longo prazo. Ou seja, ele era capaz de ter uma conversa comigo e contigo, uma conversa normal, fluida, mas pouco tempo depois esquecesse daquilo que nós tínhamos estado a conversar. Ele não se lembrava do que fez ontem. Ele não se lembrava do que fez algum tempo atrás, hoje, durante o dia.
Portanto, nunca transitava da memória a curto prazo para a memória a longo prazo. O que é que ficou preservado? Ficou preservada a memória a longo prazo, que já existia antes da cirurgia. Ficou preservada a memória a curto prazo de uma curta duração de tempo. E ficou preservada aquela questão das habilidades motoras, por exemplo. Então, isto acabou por nos trazer aqui uma noção que efetivamente a memória depende de estruturas cerebrais e que quando nós de alguma forma estimulamos ou não essas estruturas cerebrais nós estamos a ter impacto na nossa memória também. Sem dúvida algo muito interessante e extraordinário e às vezes uma coisa simples realmente é bastante complexa.
Nós já voltamos, vamos continuar com este assunto que é sem dúvida muito interessante. Até já. TV Novo Tempo, o canal da saúde, o canal da esperança. E cá estamos novamente para a segunda parte deste episódio em que estamos a falar sobre memórias, algo muito interessante. Mas queremos, antes de fazer a próxima pergunta à doutora Cristina, fazer alusão àquilo que você já conhece e se é nosso seguidor conhece sem dúvida e seguramente tem aí na sua casa deste manual de estudos. Sentimentos, a Ciência do Existir, que está disponível para todos aqueles que desejarem título gratuito, é apenas entrarem em contacto connosco, 933 93 92 91 e nós teremos todo o prazer em poder enviar para si ou para alguém que conheça e que queira fazer esta oferta.
Portanto, entre em contacto connosco, faça esse pedido através do 933 939 291 e com certeza receberá namorada que é enviar este exemplar deste manual de estudos. Cristina, estavas a falar algo interessante sobre a questão da memória a curto e a longo prazo. Se calhar colocar a pergunta como é que nós passamos da memória a curto prazo para uma a longo prazo. Aí, mais uma vez, esta estrutura cerebral que eu falei, o hipocampo, tem um papel fundamental, entre outras. Mas é um processo que se chama consolidação da memória. E, de uma forma muito simplista, aquilo que ocorre acontece quando nós prestamos atenção às coisas, quando nós repetimos a informação e quando nós associamos a algo que já conhecemos, ou seja, atenção, repetição e atribuição de um significado.
E para que isto ocorra de uma forma saudável, isto tem um bocadinho a ver com o que falávamos nos episódios anteriores, o sono aqui desempenha um papel crítico. Um bom padrão de sono vai contribuir para uma boa consolidação de memórias.
Um mau padrão de sono vai interferir nesta consolidação das memórias no passar de curto para longo prazo. Já agora, Cristina, tu falavas que a memória tem três fases principais. A primeira, como disseste, a codificação e a segunda, o armazenamento. Qual é a terceira? A terceira é a recuperação, é aquilo que nos permite ir buscar aquilo que está aqui armazenado de alguma forma, a ceder a esta informação. E este acesso pode ser livre, ou seja, vem despontaneamente, ou este acesso pode ser em função de alguma pista, de alguma referência que tu recebes. Vermelho, qual é a fruta que eu tenho vermelho? A maçãs, por exemplo, ou morangos, por exemplo.
Só que neste processo da recuperação existe uma coisa que se chama o princípio da especificidade da codificação, que diz o quê? Que o nosso cérebro guarda não só a informação, mas guarda as condições em que ela foi aprendida. Portanto, a facilidade na recuperação desta informação está associada à quê? ao contexto, às emoções, ao ambiente e ao estado mental em que tu te encontras ou em que foi retida essa informação de alguma forma. E vamos tentar simplificar isto. As emoções, portanto, funciona quase como um marcador da memória. Eu costumo dar este exemplo, é como se fosse um marca-páginas num livro. ajuda-nos a ir àquela secção do livro.
E aqui vamos pegar em exemplos comuns. Vamos imaginar que tu tens uma música que te ficou marcada afetivamente. Portanto, imagina que era uma música que a tua avó te cantava quando tu eras pequenina, era um momento só vosso e era um momento que te transmitia carinho, serenidade. tu podes ter 50 anos. Quando ouvires aquela música, a tua memória vai-te transportar, não só para a música da avó, mas vai-te transportar para o contexto, vai-te trazer uma sensação de bem-estar. Ou, se a pessoa já cá não estiver, uma sensação de saudosismo, de alguma forma. Portanto, esta recuperação, ilicitar esta informação, está muito associada a estes marcadores. O outro, o ambiente.
Portanto, a nossa memória Tudo entra no pacote da memória, tudo aquilo que vem pelos nossos sentidos. Os sons, os cheiros, as palavras, o espaço físico, a iluminação. E aqui eu lembrei-me de um exemplo pessoal. Eu trabalhei durante alguns anos com uma colega, ela já está reformada, mas entre outras características, ela tinha a característica de ter um perfume muito característico, forte, e era um perfume muito característico. Sempre que eu passo por algum sítio que tem um cheiro semelhante ou o mesmo tipo de perfume, ela vem-me à memória. Isto porquê? Porque me ficou associado também o contexto em que eu guardei esta imagem de alguma forma. E o estado mental interno, em que nós guardamos aquela memória ou em que nós nos encontramos no momento em que vamos tentar recuperar essa informação, tem um impacto também na facilidade ou não dessa recuperação.
E vamos mais uma vez dar um exemplo do senso comum. Imagina, o nosso cérebro está Ele é extremamente inteligente na perspectiva de vou fazer ser o mais eficaz possível com o mínimo de expendio de energia para executar esta tarefa. E nós já falamos disto noutros episódios anteriores. O que significa que ele procura atalhos, hábitos, comportamentos automatizados. E um deles é, por exemplo, o trajeto que tu fazes de casa para o local de trabalho. E vice-versa. Muitas vezes tu dizes, o carro já conhece o caminho. Porque já estás tão automatizado a fazer aquilo. Agora imagina que de alguma forma dizes, eu hoje depois do trabalho tenho que ir às compras. Mas foi um dia em que tu estás extremamente cansada. E tu dizes, eu tenho que ir às compras.
Eu não me posso esquecer de ir às compras. Invariavelmente o que é que vai acontecer? Esqueci-me disso. Vais para casa. Mas vais para casa porque tens problemas de memória. Pois não. Foi automatizado, sim. Está automatizado. E o elicitar aquela informação está associado a um estado de cansaço que tu tinhas naquele momento também. Já agora, Cristina, o que é que acontece no cérebro quando nós aprendemos algo novo? E qual é essa ligação com a memória? Então vamos relembrar, vamos buscar ao nosso armazenamento, dentro da nossa memória, algumas coisas que nós também já falamos em episódios anteriores. Primeiro, o nosso cérebro é formado por mecanismos biológicos.
E na base da memória estão as ligações neuronais, as sinapses. Os neurônios, que são as células cerebrais, comunicam entre si através de sinapses. E existe algo que foi descoberto há não tanto tempo assim, que é chamada Lei de Hebb, que diz que neurônios que disparam juntos ligam-se juntos. O que é que isto quer dizer em termos práticos? Quando dois neurônios são ativados repetidamente juntos, a ligação entre eles se fortalece e isto pode facilitar a transmissão da informação. Por outro lado, também já falamos nisso noutros episódios, o nosso cérebro tem aquela capacidade fantástica da neuroplasticidade. Portanto, a capacidade do cérebro de modificar as suas conexões neuronais, portanto, novas ligações podem criar-se, novos circuitos podem reorganizar-se em resposta a novas aprendizagens, em resposta a novas experiências ou até em resposta a lesões.
A verdade é que esta capacidade de criar conexões vai diminuindo com a idade, mas atividades específicas de flor cognitivo, portanto flor mental. Atividades físicas, atividades sociais podem estimular esta neuroplasticidade e, por inerência, podem preservar a memória retardando o declínio cognitivo que está associado à mesma. Cristina, tu falavas que esta capacidade de criar novas conexões vai diminuindo com a idade. Então, de que forma é que o processo de envelhecimento acabará por afetar a nossa memória? Mesmo que não consigas, portanto, falar muito sobre isso, mas pelo menos dar uma
pincelada. Dar aqui um aspecto. Isso. Primeira coisa que nós temos que ter noção é que, à medida que vamos envelhecendo, o nosso cérebro fica mais lento a processar a informação. Há uma diminuição da velocidade de comunicação entre os neurônios. E isto fica não só mais lento a processar a informação, como fica menos eficiente a recuperar essa informação. Por isso é que às vezes nós dizemos assim, ou seja, o impacto prático é que nós demoramos mais tempo a pensar ou a recordar as coisas, é mais difícil aceder a essa informação. E às vezes nós dizemos, eu tenho isto debaixo da ponta da língua. E não me sai. Tem muitas vezes a ver com este processo. Da mesma forma como nós somos capazes de demorar mais tempo a recordarmos da situação, mas efetivamente em algum momento ela vem.
Outra questão que está associada ao processo de envelhecimento tem a ver com maior dificuldade em formar novas memórias. Porquê? Porque aquela estrutura do hipocampo sofre algumas alterações e há uma menor eficiência na consolidação da memória. Portanto, passar da memória de curto prazo para longo prazo. Por isso é que a primeira memória, numa circunstância normal da envelhecima da ser afetada, é a memória de curto prazo. Nós somos capazes de dizer, não me lembro do que comi ontem, mas lembro-me do que almocei há 20 anos atrás, numa determinada circunstância que foi especial para mim. E nas pessoas mais idosas o que se percebe é realmente essas recordações muito antigas, que estão ali muito vividas, mas o recente realmente acaba por se esquecer.
Tem a ver com esta questão. O processo de envelhecimento leva a que haja algumas alterações na estrutura e tu tens mais dificuldade em consolidar novas memórias. A outra questão tem a ver com o fato de a tua capacidade de atenção e concentração diminuir. Mas lembras-te que nós quando falávamos na primeira fase da memória da codificação dizíamos que a atenção era fundamental? Pronto. Então, a nossa memória depende muito da atenção. Então nós temos mais dificuldade em filtrar distrações. Não é tanto a questão de eu estou mais atenta ou deixar de estar mais atenta, eu sou mais distraída por aquilo que está à minha volta, por mais estímulos. Então muitas vezes aquilo que nós dizemos que a minha memória está péssima, na realidade são falhas de atenção.
E aqui, cada vez mais, à medida que o processo de envelhecimento vai ocorrendo, cada vez mais temos mais dificuldade em ser multitarefas. Porquê? Porque ele incita atenção e concentração a várias tarefas, aparentemente simultaneamente. Embora nós também já tínhamos falado que o nosso cérebro não é multitarefas. Ele está aí automatizado. Outra questão que também interfere no processo de envelhecimento tem a ver com estas alterações biológicas naturais. Portanto, há mudanças químicas estruturais no cérebro. Há uma redução ligeira do volume cerebral, há uma menor produção de neurotransmissores, há alterações na tua neuroplasticidade e isto tem impacto também. E depois há uma outra questão, que também é extremamente importante, e que tem a ver com a influência do sono e do estilo de vida.
Não é incomum, à medida que nós vamos envelhecendo, o nosso sono ficar prejudicado de alguma forma. As pessoas acabam por dizer, eu tenho mais dificuldade em adormecer, ou acordo muito cedo, ou depois tenho dificuldade em conciliar o sono. Agora, nós sabíamos que o sono é fundamental, dissemos há bocado, para a consolidação das memórias. Portanto, se nós temos menos sono profundo, isto equivale a menor consolidação da memória. Portanto, consequência mais esquecimentos no dia a dia. A parte boa é que o nosso cérebro continua capaz de aprender e continua capaz de trabalhar, embora de uma forma um bocadinho diferente. Algo maravilhoso, sem dúvida. Nós não temos muito tempo e com certeza, Cristina, teremos a oportunidade de continuar a desenvolver esta temática nos próximos episódios.
Mas eu gostaria de deixar para nós e para vós também este versículo muito bonito que vem no Salmo 103, quando diz aqui no versículo 2 que bendiz o meu alma ao Senhor e não te esqueças de nenhum só dos seus benefícios. Então, que o Senhor nos ajude. Uma vez mais, obrigada, Cristina, por estas informações. Desejamos para si e para os seus boas memórias, boas recordações e, sobretudo, não esquecermos das bençãos de Deus. Que o Senhor o abençoe, a abençoe e até o próximo episódio, se Deus quiser.
Neste episódio de Mentes que Sentem, a conversa aborda uma pergunta muito comum, como distinguir o esquecimento normal da idade de sinais que podem indicar problemas mais sérios de memória.